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terça-feira, 8 de abril de 2014

O amor é perecivel

Humberto e Marília, eram um casal desses que fazem a gente suspirar, a maneira como se olhavam e o jeito como era perceptível aos mais insensíveis que aquilo ali só existia mesmo para demonstrar o quão frustados seriamos em nossas vidas adultas. Coisa de dois anos, após uma daquelas contendas familiares da juventude fui morar com um amigo. Tudo bacana, Marília e Betão, moravam no mesmo andar, apartamento do lado, quer dizer, apos alguns dias ficou evidente: o amor é perecível.

Depois da segunda semana já não era novidade que Marília tinha crises absurdas de ciume e o Betão... Bem não era lá o cara mais chegado no gosto musical duvidoso de Marília por baladas do Elton John, no que vocês podem prever, era baixar um pouco o som e já começava a opereta. 

Ambos tinham folego, morávamos no oitavo andar, quando o elevador ficou quebrado um tempo, as vezes era possivel ouvir a missa lá do terceiro andar, mas calma essa é a acústica do amor ocupando lares e ouvidos com palavras as vezes indecifraveis e outras que me guardarei a não reproduzir aqui.

Era um terça, já não brigavam fazia quase uma semana, lembro que encontrei com o Beto dias depois, abatido, na mesma mesa do mesmo bar que desde a época da faculdade costumávamos ir e foi ai que a noticia ficou oficial. Segundo Beto, já não dava mais.

Se perdeu, sabe? Já não dava mais. Naufragamos e quando se perde de vista a embarcação o jeito é guardar o folego. E assim o Beto aos poucos virava o Humberto, tudo isso com uma infinitude de metáforas, quem sabe, para conseguir se desculpar por aquilo tudo ou tentar fazer daquilo um espetáculo menos decadente que esse final inesperado.

Sorrimos os dois enquanto a terceira rodada era providenciada. Um gole, mais risos e ele desabafa os pormenores.
Sabe a terça passada? Pois é... Cheguei em casa, jantar pronto, como sobremesa um silencio perturbador -  não havia Elton John ou aquela musica latina que ainda não consegui entender se é um merengue para cortar os pulsos ou uma salsa para vitimas de depressão pós baia dos porcos. 

Ela desfez a mesa, fui lavar a louça e ela apareceu com um caderninho e as seguintes palavras: 

Anote ai os lugares onde vai, costuma ir, que realmente gosta de ir. Já anotei os meus e também as coisas que vou levar comigo, se quiser faça o mesmo, estou indo embora - ela disse sem cerimonia.  
Foi assim, seco como o pão italiano que ela fez para o Natal e até ontem era usado para prender a porta da varanda.

E instantes antes de se desmantelar naquilo que acredito foi o mais proximo que consegui ver de um homem se mostrar vulneravel - olha que ja assisti muito filme do Bogart viu - ele soltou o inesperado:

Ela não gritou comigo! 
Ela não gritou comigo!
Não jogou minhas roupas pela janela, não teve nada daquilo que se espera para o final de um casal apaixonado! Eu queria sei lá que ela entrasse com a maquiagem desfeita de tanto chorar e ao quebrar meu Hendrix Experience me chamasse de canalha ou impostor, sabe toda aquela coisa latina e passional? 

Não teve e isso nao é bom sinal! Camarada, o amor quando acaba é vexame pros dois lados, civilidade e educação não tem muito com essas coisas de final de relacionamento.Ele dizia enquanto olhava para a porta, mas acredito que aquele bar estava na lista dele apenas, era um bar de antes Marilia.

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