Aos comentaristas


Devido uma avalanche de comentarios torpes e não identificados, decidimos que só aceitaremos comentarios devidamente identificados e que não contenham mensagens ofensivas, alias se comentar e se identificar, serão permitidas as ofensas. Quem quer debater, tem que ter coragem de se mostrar para que o debate ou critica seja fdemocratico! Okay cara palida?

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Sem satelites naturais

Espera um pouco,
olha aqui como é
mas deixa assim.

Se eu me gastei tanto e aos poucos,
por um triz, meu sufoco não é entender

Me deixa aqui de canto
prometo não me estender

Agora voce vai embora,
metade de mim não sabe ainda

mas cai fora
da orbita.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Sal e sol

Grão de areia só,
só mais um.

Nos olhos a fagulha
que impede o horizonte,

sol se pondo 
- acho que agora é comigo -
me deixa beijar.

Agora erguerei meu verso!

Não para a mulher amada
que cansou do meu cantar

Falarei do sol
e da chuva que me fez dançar,

espera um pouco mais mulher
mas fica aqui

ai de mim 
e do destino, quem me quer?

Grão de areia só,
não é sequer parte da praia

E quem já partiu 
sabe mais sobre ficar

Grão de areia só,

já não sei ser praia
sou só saudade do mar.

Ao mar.

E o engraçado sobre todo o resto, é justamente porque a minha história é sobre uma garota. Embora pareça engraçada, na verdade é uma das historias mais tristes - acredito que há humor no luto.
Eram 7:15 da manhã, domingo de sol, o vento era frio na extensão da praia, da avenida a beira-mar se podia sentir o cheiro reminicente da noite misturado a maresia e os odores de gasolina, esgoto e panificadoras a todo vapor.

Ela não vai atravessar a avenida beira-mar e se despir de todas merdas que fiz, mas isso não importa agora, vou editar as cenas até torna-la culpada e acho que preciso disso para não me odiar.
Só pra depois reconhecer que seria pior se continuassemos.

No final é isso, dou risada antecipado, sabendo o quanto ainda vou chorar, mas se querem mesmo saber foi bom, muito bom, inclusive errar.

Ela nao vai realmente aparecer no meio dos banhistas, desnuda em um biquini minusculo - acho que ela adora o mar - e se despir das despedidas anteriores, simples assim: eu fui um idiota.
Mas para preservar meus nervos, vou pedir mais uma cerveja, acender outro cigarro e tentar entender o que essa morena do meu lado esta tentando dizer.


Passaporte andreense.

O tempo com sua barba, cinza e cada vez mais quieta,
olha as torres e os predios,
a tarde vem com ele ao anoitecer.

Tenho sonhado com uma garota seguidas vezes
e ainda não a conheci.

Acho que a solidão achou de criar alguem que me entenda,
compadecida de meu corpo e alma tão gastos
com as vezes que a vida tentou.

Vestido floral, cabelo preso.
Aos pés da serra, vi o mar
e então Bartira me beijou.

Pouco importa o que passo, tanta faz o tempo que passou.

a rima é pobre e eterna,
mas e o compositor?

Arquivo morto

Em silencio disse teu nome,
acenei no escuro
até perceber

como era vão
dizer

adeus.

No céu sem deus
ou fé.

O sol é ouro
como é dourada essa lembrança

a lua não vai perdoar dessa vez,
eu fico com o que sobrou

não há retorno
acabou.






terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Canção de Heitor

Sempre, quase sempre
e nem sempre assim tão constante.

E bem atras da intenção,
toda atenção esconde
o que não se pode revelar.

E então o sonhador volta a sonhar,
um sonho que não é todo sonho

e bem atras do sonho um delirio
que não deixa o sono chegar

Mas sempre, quase sempre
um pouco é o bastante

e mesmo quando sempre
não é assim tão constante

todo instante quer se gritar

que bem atras do sonho,
tem tambem o sonhador

mas a canção nao deixa
o sono chegar.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Epopeia romantica no paraiso artificial

Enquanto ladeio a rua e entrego as contas e os pontos,
cada bar e esquina diz seu nome,
pronome pessoal que quer dizer quem sou,
figura de linguagem que me expressa e canta.

Te vejo seguir pela rua, falo com teus amigos,
digo coisas sem sentido e tento parecer interessante
no momento em que te vejo me olhar
nao sei, apenas suspeito,

mas em cada passo faço e componho um medo,
minha sina é te olhar, tentar te entender
falacias ditas enquanto te olho apreciar um falafel

olhos cor de mel, camarada ela é maoista,
eu e meu terno cinza xangai, citando confucio
confuso com o que houve, ela é linda.

Desafia o materialismo historico,
desafina o marmore que se esculpe e tece a arte,
ela é saudosista. Seu beijo me faz sentir saudade.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Caveira eslava

Estava frio, não fazia frio um bom tempo,
pensei em sair e andar, apenas andar.

O céu parece um cenario antigo de um filme,
enquanto as gotas caem iluminadas pelo poste.

Tarde azul escuro, nuvens de cinza chapado
e eu resolvi sair pois estava frio
não chovia há quase um mês,

e quando chove a noite
enquanto ando lembro das coisas com nostalgia
como se a umidade anestesiasse o tempo.

Não havia ninguem na rua,
olhei uma arvore,
outras arvores e outras ruas

Fazia frio, tomei um café e fumei um cigarro,
até ali eu não sabia
até ali eu apenas sentia.

A ponte,
de um ponto a outro
e alheio a isso o rio.

Chove e eu persigo uma ideia
sem a clareza do que isso possa representar

Gentileza

Acho que é hora de acordar, princesa.
Princesa, acorde e acho que é isso.

So deixei pago ate o almoço,
mas precisamos ir...

Então não havera abraços dentro de uma semana,
acho que cansamos, não é mesmo?

Apenas cansamos.

Carinha de sono e só abrir um olho,
te ninar com o pé enquanto me abraça.
Acho que é hora de acordar.

Apenas cansamos,
princesa acorde!
Deixei pago até o almoço,
mas dentro de uma semana cansaremos.

Sem princesa, não há princesa.

Acorde por favor, vou lembrar disso
e será exatamente assim.
Um beijo antes do velho mundo,

foi assim e acho que é isso:
cansamos.

Guarde o que sobrou pro proximo.

Serei gentil,
muito obrigado.

Golpe Branco

E agora eu olho, reparo melhor e sigo.
Não há céu que me salve,
sequer canção que se gaste.
Ainda gosto de beber e rir do infinito.

Então eu olho a moça,
porcelana oriental, olhos pequenos,
sorriso sonoro emoldurado
em batom vermelho.

E o amor virá, como quem vai ao cinema
e no meio do caminho bebe um pouco
para aguentar, o sol de janeiro na america do sul

E pouco importa a rima ou a forma,
o verso segue e eu aqui parado, apenas olho:

Um golpe está em curso na Venezuela, um golpe branco.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Um mote a dança desses dias

Quase posso ouvir voce morrendo,uma imagem imprecisa
a lente se distancia, uma explosão. Espetaculo pirotecnico
Com os miolos de um trabalhador.

Agora eu acho que o gigante acordou,
pra não perder viagem matou um inocente.

Culpou dois cordeiros.
Um advogado melhor que a promotoria.

Parabens,


Era tudo que a
Globo
queria.

Nos becos sem luz
se masturbam feito cães
ouvindo
a radio patrulha.

A sua intolerancia quer cuspir na humanidade,
mas nós sabemos que existe muito mais gente
interessada em te ensinar como se deve ser.

Voces jogavam CS,
agora o que querem?

Um pacote de bolachas maior?

Um homem morreu,
ele não era branco.

Em junho
um fotografo
perdeu
um
olho

A mão forte
tanto bateu
que criou um monstro
imune a palmadas,

e a culpa é
de quem deu a palmada

E o Amarildo cade?
 - ouvi alguem perguntar, quer dizer acho que ouvi.

olha um trabalhador morreu

(e os patrões cuidaram em lucrar
                      o capital triste dessa tragedia.)




Sobre quando Luiz Aleluia tirou uma cadeia, por esfaquear o marido de dona Jurema. ( Canção Sebastianista )

Atravesso a rua,
desço duas quadras
a esquerda.

Então, como eu posso explicar?
Acho que já sabiamos antes.

Duas noites
ou
um bar bem rapido.

Estendem a mão agora,
somos a praça e as ruas dançam.

atravesso a noite
e é a mesma rua.

um nome por baixo da pele,
um sorriso impresso como gratidão

Desço duas quadras a esquerda
e já estou lá, dizendo seu nome
bem alto e falando sobre
outras coisas

Pois é!
Mudei,
direi seu nome
agora!

Que pena,
ainda
não
perguntei.

Poema para Bela Vista

A noite rodava distante no céu,
quase anunciando a manhã que viria.

E o bardo ainda canta sua maldição
e diz sobre rum e poesia.

o céu goteja calor e inquietação,
faltam sobriedade e precisão aos passos.

Enquanto a noite rodeia as horas
e o céu em silencio apenas gira...

Pouco importa o bardo,
a poesia há de possuir
algum outro largado.

Só me interessa agora:

A razão
que te fez correr
aquela hora.






segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

feio

Besta como aquela 
ainda não havia conhecido
e só mesmo em circo

pensava poder ver 
carranca assim.

Parece careta feia
bem mais feia
do que o horror
permitido.

Meu caro, não é gentileza,

fique feliz
ostente a certeza

feio como sua figura não há.

Um olho do outro é brigado,
desse intriga escapou ate pro nariz,

sorriso ensaiado e infeliz,
diz que quer dizer 
mas não diz

Meu caro não é gentileza,

por sua desgraça
sou bem feliz

tambem seja
e ostente a certeza

feio como sua figura não há

só mesmo no zoo
e mesmo assim 
tem que pagar.

Feio assim
e de graça
assim toda 
a desgraça

abraça o povo e sorri:

tu é feio pra caralho bicho.

Opus #1

Enquanto ela atravessa,
quase consigo ver dobrar a esquina

mãos dadas
com alguma lembrança
aquele nosso retrato.

Quer dizer, não é o mesmo que enfeitava
o corredor de acesso a sala de emergencia?

Agora escorre poesia
enquanto percebo a idéia
acontecer durante o dia.

Em outro bairro, rua e linha de metrô
acho que até o céu deve ser diferente

sei lá que tipo de sol é capaz de se por,
sabendo que em algum canto pode surgir
seu riso facil, que é luminoso demais.

Enquanto ela atravessa,
sem misterio:

dá vontade de morder!