Aos comentaristas


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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

aparelhando a poesia

Então um dia.
depois de sucessivos dias.

Na lagoa as crianças adulam o monstro,
paraiso parcelado, sacerdote sem pudor.

Publicaram seu crime,
contaram seu plano,

foi inutil.

O que para e comove,
custa bem pouco
cuida em ocultar.

Amanhã embrulha

o peixe fresco,
a fruta fresca,
a feira pra quem faz
e forra
o colchão da moça
dos classificados

Só mais um dia,
e o que se pode fazer é pouco,
melhor a comoda posição:

ouvir a bossa
falar de revolução.

A mocinha no filme parece me sorrir,
mas é cinema nacional

no brasil ninguem é mocinho.


domingo, 26 de janeiro de 2014

Banhar os cães

Modestia parte,
me partiu assim
a parte mais modesta.

Fez casa em mim e
por saber voar,
me enganava.

E foi assim
final de tarde,
como se esperava.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Sobre a folia e o fogo

Nero que tornou-se imperador,
queria ser poeta

não conseguiu,
afogado em orgias
pensou, certo dia:

Em Roma as coisas andam frias.



sábado, 18 de janeiro de 2014

Sabado pela Manhã

Essa noite sonhei contigo,

não havia dança, sol ou luz,
no sonho me beijava

e era como
se não
tivesse partido.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Filhote de onça

Ela mora proxima aos passaros,
numa rua suspensa no ar

contra a poesia
não existe gravidade que baste

Cabeça nas nuvens
enquanto se canta o sol.

A cidade já distante,
lugar que seus pés devastam

Todas as tardes
vem com o sol
se impor.

E quando é maré alta
vem de onde está
molhar os pés

namoros acabar.

Elogios jocosos de quem
não sabe como se ver.

Jardim umido
onde estraçalha a juventude
Minha mão recolhe assim
o rude traço
que no poema desenhei

filhote de onça,
isso é tudo que sei.


Mito fundador

E era cerebral quase,
ao me lembrar percebo.

Era assim
que era:

Ela nua, rum e erva.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Retrato poetico da noite

Noite abafada pelas muitas vozes e cabeças,
placas, bares e luzes.

Dentro da cidade as ruas,
entre elas os becos.

Pouco importam os vestigios do Sol,
a cerveja
já foi campo de trigo
(no ultimo verão)

O céu sorri constelações,
o mar acena recados
para a terra firme.

Cada hora ensaia uma dança ou uma canção,
dentro dos minutos a poesia corseia,

ceifando o tempo com palavras
minando a paciencia com quebra-cabeças.


O peixe maior

Tua beleza
açoita meus olhos.
Canção de sol e leveza

Assim como o Sol
que faz do céu
sua ilha.

No mundo
um caminho
sem rima

Tua beleza me assalta os sentidos,
te olhando passar
eu sei:

quase como se tudo
fizesse sentido.

Não sei dizer,
eu olho e não faço
ideia do que vejo.







solis

Eu curso poesia
bacharelado em baixas ciencias

Douto de minhas faculdades mentais,
não repito hino, componho odes

a flor que do horizonte colhe
encolhe e bole mais
querendo paz
e não bandeira

De qualquer maneira
desculpe a brincadeira

Preciso ir. Não posso me atrasar
hoje me deram a palavra:
aprendo a rimar.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Entenderam?

Agora
ficou bem claro:
a lua é o jardim do Sol

e o universo
                   é
     o
seu gramado.

Rejeição

Odeio ser rejeitado, mas qual a novidade nisso, existe alguem que curta rejeição?
Não importa quantos elogios recebo, sempre alimentarei minha gastrite com uma super atenção dispensada para aquela critica acida demais e negativissima. Não importa quantos beijos meus já foram roubados ou ganhei, sempre grilarei com aquela tabua levada, aquele copo d'agua no meu chopp escuro.

Toda a minha produção, tem se servido disso como alibi para os maiores erros já cometidos, usando a minha timidez, ansiedade e bebedeira como muletas. Mas quem consegue não ser ridiculo depois de dispensado?

Se até mesmo caras como Lennon, cairam na bebedeira, brigas em bar e outras confusões, por que toda essa cultura de que o homem forte, simplesmente não se importa?

Eu me importo. Não sei como dizer isso de uma maneira educada:
Provavelmente não me importasse tanto, caso não sentisse que isso a faz sentir-se importante.

E aqui tambem confesso, sou um esperançoso, nutro em cada palavra obtusa ou resposta enervante um possivel aceno. Como se lá do futuro um grande amor ou uma grande amizade nos olhasse, recordando o exato momento de nossos primeiros instantes...

Eu odeio ser rejeitado, parece que a caricatura que os meus complexos desenharam em meus pesadelos e medos, serve direitinho e no grau para me deixar para baixo.
Sabe um dia eu pensei que me importaria com coisas gigantescas, mas quase sempre é só sobre você ter me notado ao passar.


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Camarada Nº 027 pensando na Camarada Nº 018

Igual a pelo menos dez milhões de outros caras,
terno chines de algodão ruim.

Arroz, arroz e frango e o livro vermelho.
Legumes, reforma agraria e cerco a cidades.

Uma foto ao lado da cama,
torna pesado o criado mudo.

Em algum ponto há divergencia?

Posso recitar um verso
para sua elucidação,
 mas ja adianto
são versos sobre revolução.

Mas os camponeses tambem amam
e tambem a classe operaria,

que o futuro seja pleno e humano
e alguem posso ser o que quiser,

até mesmo um ponto
ou ninguem.

Ele recolhe a saudade enquanto toma café e lê,
até o campo de reeducação,
pensa consigo;

misterios humanos bem menores,
já não questiona, apenas chega
deita e sonha,
acorda.

Um cara como pelo menos 23, 230.000 outros caras
cabelo cortado e barba por fazer.

As vezes sobe no pé enquanto almoça,
na ala feminina uma voz chama atenção.

Muita gente por ai e aquela voz
o fez subir na ponta dos pés,

Não a viu,
tanto naquele instante,

quanto por aquele instante
ter lhe custado a visão.

Recolhido por um guarda até a sala umida e estridente
com lupa e sol o cegaram.

Agora consigo repete:

''Tua luz me resgatou da umidade estridente,
da tua voz até tua visão um pulo.

nenhuma cerca, 
apenas o sol,
e alguns oficias do exercito do povo,
para melhor me orientar.

Até tua voz, eu olhava as coisas
e nelas havia apenas panfleto ou dor,

os camaradas oficias me mostraram voce bem de perto,
te ver valeu ser minha ultima visão.''

Ele anda, passos calmos e controlados,
cabelo cortado, escovado e sorriso padrão.

Enquanto supõe tudo isso,
deitado em sua cama modesta
pensa como é ser um divergente.

Mas ele é a estrela vermelha
no coração de alguma ilha caribenha.

Em seu peito arde uma constelação
de certezas.

Seu grande guia
e o livro vermelho na cabeceira.

Um retrato torna pesado
o criado
que agora é mudo.

Esquecimento

Se é novo costume entre toda gente não sei dizer,
tudo leva a crer, quero dizer:

não é só com você,
tudo tende a me esquecer.

até mesmo eu agora me esqueço,
fico mudo e observo
meu mundo acontecendo,

girando...
girando!

Até me esquecer.

Veio a manhã e entardeceu depois,
entre os dois um laço
ao anoitecer.

Se é novo costume não sei dizer.
Preciso me esquecer.





quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Carta para o começo da conversa

Querida,

Somos os ultimos exemplares de uma especie estranha de gente. Quando nos olhamos, sei lá. O carnaval é em março esse ano e tenho a ligeira impressão de ter te escrito um samba. Acho que não te conheço ainda.
Nem sei como te chamar, não sei quem você é. Eu olho o céu da noite, quem será essa mulher?
Talvez more bem pertinho, quem sabe se em outra cidade, continente ou planeta?

Somos os ultimos exemplares de uma especie estranha de vida. Enquanto eu tento te encontrar, voce já sabe que te alcançarei. Por isso deve me esperar serena, olhando o mar e já sabendo, todas as perguntas que vou perguntar.

No final
''metade do que digo não tem sentido algum, mas eu digo apenas para toca-la.''

Eu andei como uma criança nos campos de papoula, sorri em resposta as estrelas, eu vejo um céu diferente todos os dias há quase tres anos. Ainda espero a revolução socialista, escuto Beatles enquanto leio Maiakovski. A minha imaginação não faz ideia de como voce será.

Abraço o sol, beijo esverdeado de adeus ao dragão vermelho que até aqui me conduziu, pouco me importo com Dante, Beatriz ou se é divina a comédia. Ainda não posso te ver, tantas vezes te imagine - me ofusca os olhos apenas supor. 

Eu peço mais uma dose, mato uma sinuca e volto para casa, meus olhos ainda não sabem te olhar, preciso acostuma-los com esse fato. Estou bem, quer dizer sei que estarei bem melhor algum dia.

Querida me desculpe, mas talvez nunca nos esbarraremos. Eu fico bem assim, quer dizer nem tanto, todas as outras nunca serão o que você é. Mas sabe, voce nunca esteve realmente aqui. Tudo o que você é, foi apenas invenção da minha preguiça.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Soneto Politico

Qual o peso da mão que pesa e mede,
tendo por oficio a justiça?
Eu sei que ela tarda, falha
e o resto é truque de otario.

A contramão da justiça é a lei,
a toga ou o banco.
Leais, solicitos e exemplares.
O cão de guarda vai te morder a cara,

Sem muitas informações, sem provas
ou julgamento. Apenas um
triste espetaculo.

Um homem cospe sangue, quando jovem
lutou no Araguaia, essa noite em uma cela fria,
um senhor cospe sangue, banha-se com agua fria.



sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Breve relato de avistamento do Sol

Estende a rede
hasteia as velas.

Um tempo,
quase lá.
Me deixe por fim dizer:

Acho que é melhor assim,
longe dos olhos
e ao sabor da ideia

sabe, e se por fim
nos víssemos
por acaso.

Recosto os sentidos
enquanto percorro a costa,
recostado na possibilidade,
mas não é o caso, não é?

Nova embarcação
encontra um cais
cansado por espera-la.

os nós, ancoras e
toda a agua que era apenas lastro.

Agora eu vejo um farol,
sinaleiros e um pratico.

Imediatos e seus subalternos,
jocosos como aves bajuladoras,
não sei se estou em casa

após o porto uma praia,
após a praia a alegria.

bem no final da tarde
o sol do céu descia

degrau por degrau
atravessou o mar
na areia sairia

veio comigo deitar,

Eu quero ver o por do sol! - ela dizia...

Até o verso inteiro e eu feio assim fora de ordem.

Inquieto com sua beleza, olhos de lago em pintura infantil
corpo de calor, perfume e luz...

Só diria isso e não teria dito o bastante, mas em mim ocorre
bastar-me apenas o que representa isso.

Areia do tempo correndo nos olhos do universo,
eu olho o céu e no sol é como se conseguisse ve-la.

Beijo a noite, como se pudesse alcança-la,
me tornando assim planeta, satelite ou meteoro.

Espaço iluminado por uma ideia simples,
domingo e passeio. Ela... Ela?

Lua de agosto, navegando em um oceano
de dias e documentos perdidos.

Laços de olá e adeus nos rodeiame partem,
alguns dizem coisas, como se fossem rezas...

Ainda me inquieta sua beleza, seu sorriso e olhar expressivo,
assim em cada verso fiz, em todo o verso recitarão teu nome.






quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Dos problemas em criar Pedro

Um dos meus problemas com o fato de estar escrevendo uma peça de teatro é justamente estar a escreve-la e disso flui toda a problematica.

Primeiro:
A minha experiencia com o teatro é realmente uma relação onde ocupo o lugar de publico/plateia. Me acho uma farsa a cada fala escrita.
Quer dizer, um dia estou escrevendo idilios, sonetos,  e acrosticos, estudando a rima e a poesia encontrada em cada ação cotidiana e no outro estou escrevendo uma peça.
Desculpem, ainda não digeri isso.

Segundo:
Como é dificil reconstituir dialogos vividos ou escutados, como é dificil escutar os outros, observa-los, sem a pretensão hipocrita de entende-los. Mascara-los muta-los em outra coisa e então dizer o que eles disseram.
Criar é um exercicio fascinante e cansativo, cansativo muito mais do que fascinante. Ir costurando esses retalhos do dia a dia, esses detalhes no casal observado outro dia, naquela fotografia com uma antiga namorada onde quase consigo me imaginar com outra garota. Não é facil, não é facil mesmo...

Terceiro:
Constituir cada personagem,  as falas, peculiaridades e identidade. E ai assim um belo dia, voce esbarra com uma nova historia ou um detalhe que escapou sobre esse ou aquela personagem.

Quarto:
Terei que conviver com atrizes?
Ok, com atores tambem, mas e as atrizes? Sou um tipo timido, falastrão mas muito timido, aquelas mulheres todas tempestivas ou solares, aqueles sorrisos grandes, aqueles passos descalços pelo camarim. Dentro disso tambem vale dizer que tambem reside o terceiro motivo já exposto, terei e estou tendo que escrever falas no feminino, tudo o que sei sobre mulheres é que elas me encantam e confundem.

Quinto:
E se não der certo e for um fiasco de publico e critica?

Sabe, todos esses motivos cabem em um só:
Estou escrevendo uma carta de amor, de uma maneira diferente e para um tipo diferente de amor, desses que não se usa mais amar por ai. Como se fosse o meu aceno aos seculos, como se ao futuro eu pudesse dizer algo, diria sobre isso e com direito a toda a poesia, hiperbole, metaforas e cores.
E se no final não escutar um eu te amo, talvez fosse cliche demais dizer assim o que já ficou bem entendido.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Suspirar nº02

Tardei em ver,
por fim um nó
uma conta
um fio
o rosario
tardio.

Me leve
e deixe
aqui
até voce
e onde esta
um lugar
meu lugar


Desceu
da terra ao mar
uma tarde
a agua
enfim
saber e entender.

Voce e o que
me inspira 
e diz
seu lugar
suspirar
inspirar.

Leoa

Andei por duas horas, numa praça qualquer
em um ponto distante da cidade.

Voce parece feliz nas fotos,
aquele bilhete chegou a tempo?

A tarde engole o dia,
fazendo uma cama para o luar

acho que aquele era o lugar onde morava,
ainda mora ali?

Eu te esperei o dia inteiro,
por fim o embrulho na portaria,

espero haja tempo,
elas não merecem murchar...

Motocicleta de goma de mascar,
falso brilhante em um clube qualquer de esquina.

Não acredito em
Dylan
Beatles,
Elvis
ou 
Salvação.

Na volta as estrelas em novena
rezam brilhantes no céu de fim de ano.

As mesmas que ensaiaram canções e sorrisos
quanto nos vissemos.

Comprei uma passagem,
passado diz: não passo.

Antilhas, Caucaso ou o bar da esquina,
meus olhos se acinzentando em desolação,
copos, amigos,
mulheres e poesia.

A bonachice do meu bigode
a vida que é apenas rima
e as vezes nem é.

Pois é...

Agora desço as escadas,
um taxi seria melhor.

Garrafa em mãos,
olhos sabatados pela imaginação.

Feito canção de Noel:

sem luar
sem 
violão

Pouco importa agora,
queria apenas te dizer adeus.

Pretendo ir morar no Sol.

Conheci uma garota linda,
ela é uma mistura de deusa celta
e sacerdotisa maia.

Linhas de cobre e cores do verde profundo,

Iara,
Irene
 ou
Diana,

ninfa,
sereia
ou
musa

Pretendo morar no Sol,

noite dessas a lua veio admira-la
nua no exilio de meus lençois
eu a pintei.