Aos comentaristas


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domingo, 22 de junho de 2014

Palestra Italia

Nada ao acaso,
pois é
e assim de casa
pro trabalho:

Pode ser ou não,
quem vai dizer
que é vão?

A rosa aberta ao sol
perfume e cor,
até cair no chão.

E se saindo
assim ao sol
e vendo o mesmo se por

queira dizer da intenção,
tanta atenção
e
gentileza.

Canção pequena
de olhos turvos

a luz que o teu olhar engole
é a mesma que ilumina tudo.






sábado, 19 de abril de 2014

cubo verde

Sou um narrador no exilio,
não me importo

distante de tudo
ou dobrando a esquina

é
      a
minha
                                   PAZ.

Resolução pessoal sobre a 7ª Assembleia Popular

A rua está ficando clara,
estou voltando da sua casa.

jardim de inverno,
outono e a sua varanda,
será que ligo no dia seguinte?
Tomei algumas cervejas,
fumamos juntos
algumas coisas.

Até meu quarto,
a sala onde repousa o seu retrato,

poster de moça da TV,
(sei lá, alguem que pareça com você)

pelo corretor os quadros,
nos reservados a perfumaria,
por fim meu quarto!

onde repouso do mundo
e penso comigo
que o mundo e todas as coisas nele;

sol se pondo, sol nascendo, o mar,
as focas cegas de Madagascar,
todas as bananas
(quer vendidas por unidades, duzia ou quilo)

o mês de março, as cidades portuárias,
a literatura ocidental e as tradições ancestrais,
o poeta, o escrivão, o pajé
ou mesmo as placas com nomes de generais

Por fim meu quarto
e já esta claro o dia,
voltei feliz,
não quero pensar em algo
agora.

E todo o resto,
quer dizer eu sei:

é sobre essa hora.

Canção para a parte da cidade onde moro.

O eco da cidade
percorre com a noite

o silencio catolico
da nossa iberica saudade.

E quem muito sabe,
ignora nomes
senhas e segredos

corre no meio da população
e o peito inteiro
é isso
e
é uma canção.

Eu atravesso a avenida,
bolsa e cadernos, livros
e anotações:

poesia.

Naquele apartamento
por exemplo.

Aqui longe de minha cidade,
será que é naquele andar?

Onde descansa incognita
a mais rasteira saudade.

O eco umido da noite,
escuro como aquela janela,

a inqueitude silenciosa dos telhados
as igrejas vazias e toda a cidade dormindo.

No céu imenso e escuro
as horas dançam envoltas
na fumaça das fabricas.

Praça

Dei uma volta
                     até a praça
e
    da
              praça
                                  de volta
            para casa
outra volta
                         tambem pude dar


sexta-feira, 18 de abril de 2014

Nós

Voce precisa acreditar 
quando digo:

Sobre as crianças mortas na Siria
pelas forças oficiais e as brigadas insurgentes.
Os bilhares de chineses e seus filhos unicos,
bicicletas, terno cinza e o livro vermelho.

Meu jeito louco de dizer as coisas,
todas as palavras e cenas,
as mãos falando 
e os olhos 
seguindo um ponto 
imaginado.

Voce precisa se deixar me ouvir
e entender:

Mais-Valia, metrica 
Proletariado.

Voce precisa me ouvir
e tudo que tenho ensaiado:

Outro mundo é possivel, 
por agora me importa
voce do lado.

Corre a rua, pego o bus
te pago um taxi

Sei lá
Sei lá

Na Crimeia ou Bogotá,
seu riso facil e doce
desmonta o céu
e a noite segue distante
sempre muito longe:

essa noite durmiremos cedo.
Posso fumar do teu cigarro?





quarta-feira, 16 de abril de 2014

Breviario

Voce pode buscar uma pergunta
e tudo que encontrará é tristeza

sem tempo para o amor,
a cidade é vazia

e o silencio é uma palavra
não pronunciavel.

Encostado em noticias reais:
novidade, novidade, novidade...

Você é culpada?
Você é culpada?

A canção do tempo
sopra um detalhe simples

Tudo que posso dizer
é exatamente aquilo que calo agora.

Penisular

Pois é eu vi as fotos das tuas ferias,
na montanha dentro do olho
e o sorriso de sol ao entardecer.

E não pareciam Portugal ou Galicia,
aquela menina no barco é ela?

Como fala a menina,
como você sorri.

Pois é,
fiquei sabendo das suas viagens
dentro do peito, apenas isso
e que bonitas as paisagens.

É moda assim do outro lado do atlantico?
A temporada acabou e voce se foi,

bem sei para qualquer canto onde pudesse pensar.

E o futuro aqui,
não é mais
como eu costumava esperar.

Sei que me acordarão novamente
adiante no apogeu humano,

fotografia desbotada
da america latina,
personagem que Gabo
roubou do Suassuna.

A Guarda Vermelha
guarda o luto do mausoleu na praça.

Pois é voce cantou um samba as margens do Baikal
e olhando o céu cair negro
descobriu as estocadas de luz
e chorou, tão alegre chorou
a montanha no olhar.

o farol
o farol

E ninguem sabe
mas eu vi no canto anotado

um feixe de luz,
uma crista do sol.

E guardei comigo o segredo
disse seu nome em silencio

no escuro da memoria anotei:

''ela parece melhor,
posso seguir sem cuidado.''






















quinta-feira, 10 de abril de 2014

Sondar

Recolhe o conselho
e sonda um pouco a sombra

que o que sobra
é o fim
e nada é mais que agora
ou não foi e é ate aqui.

E é a vã a busca
diz qual a descoberta

e nao importa
me imprime a captura
a busca é se perder

olha mais o céu,
recolhe o véu

desencanta
e diz

ah
ah
ah

quando é muito
e quanto custa
ser feliz?

Sobre o que aprendi


Xico Sá fala sobre o macho jurubeba, que é aquele tipo Humphrey Bogart misturado com Luiz Gonzaga, mas que sabe negociar com o lado feminino e não tem na agenda aquela pauta machista e anacronica. Não sei se me enquadro nesse tipo, apesar de muito simpatizar e vir de um lugar do Brasil especialista em produzir jurubebas, com chatuba e tudo mais (risos). 

Tudo isso para dizer que concordo com o Xico Sá, que as desilusões masculinas quando bem refletidas são ate pedagogicas, após cada tabua, encontro desmarcado em cima da hora, duzias e duzias de encontros as escuras com moças bem interessantes e que no final não deram em nada, serviram para mim, não como titulos de conquista ou qualquer artifice que o machismo sutil possa tentar atribuir, me serviram de uma outra maneira, que é sair da zona de conforto da posse, do ciume ou da dor de cotovelo tão incomoda.

Não me acredito como o macho jurubeba ainda, tenho muito que aprender, muita chuva pra tomar esperando pequenas, muito uisque duplo cowboy para amargar no charme solitario que encanta o cinema europeu, já não cheiro rolha de vinho italiano (nunca cometi esse pecado). 

Mas a verdade é dura pois tambem é bem simples: a cada dia tentar me reconciliar com o meu lado feminino, pois se os amiguinhos não sabem, nós homens tambem temos isso e o desafio alem de calar de vez o machismo em nós, tambem é no mesmo grau dar voz e procurar desenvolver essa feminilidade que por seculos, educação, familia e religião nos ensinaram a calar.

No final ser homem deve ser isso, entender ou se esforçar em olhar o mundo de maneira mais humana; feminina.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Ilusão

Desço a rua e olho o céu,
mãos no bolso e a mais cinza impressão
que assim é bem melhor 
e o que se pode querer?

Tem feito sol durante o dia
e o sereno da tardinha garante a dor
uma sensivel poesia...
Canta um pouco de Noel Rosa

e sei lá, vem cá e diz 
de quando a gente era feliz
e ainda havia você.

Eu tomo a linha verde, infeliz ilusão.
Dei pra lembrar 
de quando a gente era canção.


Certin

Pouco sei da cidade, ando só
e a solidão me dá a mão, vem cá
ja me cansei de ser um só
(vou até a praia e vejo o mar)

onde estou agora?
E se for cedo, espero a tarde.
Não vá embora,
olha só isso é sobre a verdade.

Ruas e praças, nomes e arvores, palavras
e a cidade pergunta em vão se inda sou par,
olho o céu e ouço a noite nublada.

As vezes é bom ter alguem aqui,
vem pra perto e escuta
cale esse verso com teu sim.











terça-feira, 8 de abril de 2014

É tanta coisa pra dizer: te fiz essa canção.

E dessa vez deixo passar,
mesmo e até sei lá...

Besteira
cessa a brincadeira e vem pra cá.

A tarde é cinza e o sol tão quente,
recordação é só tempo a dizer

se não existe um pra que
o jeito é do jeito que se evita

vem aqui e deixa a vida
se é de sol ou solidão.

Em vão dizer:
te fiz uma canção.

E dessa vez deixo passar,

besteira
parou a brincadeira
quero te namorar.

Menina bonita, fosse ou como for,
tarde cinza dói

mais um cigarro e outra cerveja
''ta calor''

E guardo meu bom dia,
pra outra noite
e o seu amor.

Dessa vez deixo passar,
me chame qualquer dia

e vou ai
pra gente conversar.

A noite esta tão linda
vem aqui
me deixa te beijar...

Onda Laranja

Moç@ de classe média, membro da ultra esquerda, branc@, criad@ a leite com pêra, por favor não se apropriar da luta dos garis. 

Se solidarizar é uma coisa, você pode se solidarizar com os índios mapuches e não ser um índio e muito menos mapuche, agora se apropriar é coisa feia, fica parecendo aquela galera que nunca ouviu Ramones, acorda um dia vai na barbearia corta moicano e se acha o punk novaiorquino.

Isso que vocês estão fazendo seria feio se não soubéssemos da inocência perigosa do ultra esquerdismo, não para no feio, segue até o perigoso e flerta com a irresponsabilidade.

É ótimo ter solidariedade de classe, eu também me sensibilizei com a mobilização dos garis, mas não creio que isso seja a tomada dos soviete de petrogrado, também acho que ao se apropriarem da luta legítima dos garis, vocês jovens brancos e classe média, estão prestando um desserviço preocupante, certo seria que fizessem uma auto-critica e recuassem, o protagonismo desse movimento deve ficar na mão dos trabalhadores desse setor, composto por gente preta e moradora da periferia.

Séculos de invisibilidade, são perpetuados por vocês, afinal a luta é boa, mas parte da luta é trazer a visibilidade para essa gente. 
Coisa feia bolche-boy, deixem os garis falarem por si!

E viva a luta de todos invisibilizados pelo status quo!

Vanguarda da Vodka Proletária

O amor é perecivel

Humberto e Marília, eram um casal desses que fazem a gente suspirar, a maneira como se olhavam e o jeito como era perceptível aos mais insensíveis que aquilo ali só existia mesmo para demonstrar o quão frustados seriamos em nossas vidas adultas. Coisa de dois anos, após uma daquelas contendas familiares da juventude fui morar com um amigo. Tudo bacana, Marília e Betão, moravam no mesmo andar, apartamento do lado, quer dizer, apos alguns dias ficou evidente: o amor é perecível.

Depois da segunda semana já não era novidade que Marília tinha crises absurdas de ciume e o Betão... Bem não era lá o cara mais chegado no gosto musical duvidoso de Marília por baladas do Elton John, no que vocês podem prever, era baixar um pouco o som e já começava a opereta. 

Ambos tinham folego, morávamos no oitavo andar, quando o elevador ficou quebrado um tempo, as vezes era possivel ouvir a missa lá do terceiro andar, mas calma essa é a acústica do amor ocupando lares e ouvidos com palavras as vezes indecifraveis e outras que me guardarei a não reproduzir aqui.

Era um terça, já não brigavam fazia quase uma semana, lembro que encontrei com o Beto dias depois, abatido, na mesma mesa do mesmo bar que desde a época da faculdade costumávamos ir e foi ai que a noticia ficou oficial. Segundo Beto, já não dava mais.

Se perdeu, sabe? Já não dava mais. Naufragamos e quando se perde de vista a embarcação o jeito é guardar o folego. E assim o Beto aos poucos virava o Humberto, tudo isso com uma infinitude de metáforas, quem sabe, para conseguir se desculpar por aquilo tudo ou tentar fazer daquilo um espetáculo menos decadente que esse final inesperado.

Sorrimos os dois enquanto a terceira rodada era providenciada. Um gole, mais risos e ele desabafa os pormenores.
Sabe a terça passada? Pois é... Cheguei em casa, jantar pronto, como sobremesa um silencio perturbador -  não havia Elton John ou aquela musica latina que ainda não consegui entender se é um merengue para cortar os pulsos ou uma salsa para vitimas de depressão pós baia dos porcos. 

Ela desfez a mesa, fui lavar a louça e ela apareceu com um caderninho e as seguintes palavras: 

Anote ai os lugares onde vai, costuma ir, que realmente gosta de ir. Já anotei os meus e também as coisas que vou levar comigo, se quiser faça o mesmo, estou indo embora - ela disse sem cerimonia.  
Foi assim, seco como o pão italiano que ela fez para o Natal e até ontem era usado para prender a porta da varanda.

E instantes antes de se desmantelar naquilo que acredito foi o mais proximo que consegui ver de um homem se mostrar vulneravel - olha que ja assisti muito filme do Bogart viu - ele soltou o inesperado:

Ela não gritou comigo! 
Ela não gritou comigo!
Não jogou minhas roupas pela janela, não teve nada daquilo que se espera para o final de um casal apaixonado! Eu queria sei lá que ela entrasse com a maquiagem desfeita de tanto chorar e ao quebrar meu Hendrix Experience me chamasse de canalha ou impostor, sabe toda aquela coisa latina e passional? 

Não teve e isso nao é bom sinal! Camarada, o amor quando acaba é vexame pros dois lados, civilidade e educação não tem muito com essas coisas de final de relacionamento.Ele dizia enquanto olhava para a porta, mas acredito que aquele bar estava na lista dele apenas, era um bar de antes Marilia.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Dieta Prussiana

As musicas, as listas e os amigos,
o copo, a poesia e a vida.
As redes, o verde no sorriso
e contra a solidão: meus discos...

Entro no cinema,
vejo o filme e gravo cenas.
Eu quase posso calcular
com um grafico cinico: problema.

Voce não sabe nada, ainda não sabe
o quando eu sinto e penso
e o quanto cabe antes mesmo
de se despedir o bom senso.

A solidão é o meu legado,
vago por sua rua desatento.
Assim como se por um acaso
olhasse e a tivesse aqui do meu lado.

Alfaiate

Feliz é o alfaiate,
se a vida é fado.

Ele optou tornar bela
a embalagem humana
do que é apenas dor.

Não há metafisica capaz de resolver,
o que resolve um terno italiano bem cortado.

E todos bebem
E todos dançam

Mas só é feliz o alfaiate.

A bruxa

E agora menino?
Sai sem cuidar 
do teu carinho,

e a dor é tambem ironia
pois agora...

Ah que bom seria
estar em teu abrigo

E agora menino,
o que mais a vida quer?

Se até voce ja percebeu,
que não sou eu
e a confusão 

é a parte que cabe a mulher.

Pois é 
e agora eu recolhida,

no vão do tempo
o canto diz sobre a vida

por tras da lente o sol
e ao redor só ressentimento.

E o silencio do intervalo 
entre sair da sala e tomar o metrô
é só um detalhe

pouca coisa do que restou.

E agora menino, como é?

Acho que é isso e ponto e gole,
voce sorri
pois é

toda essa confusão
é meu truque de mulher.




quarta-feira, 2 de abril de 2014

Carmem

A vila ensolarada é triste,
lembra quando os escombros eram alegria
muito tempos antes de serem escombros.

A vida rasteja nas filas e eu olho o horizonte,
a pequena casa onde homens eram apenas homens.

A sombra da oliveira ceifada
recorda a colheita preterida

Agora o bosque é escuro e doloroso,
nao há mais tanta vida.

A vila ensolarada me faz querer a morte,
lembro quando eramos felizes
tempo distante.

Era essa a nossa sorte?

A tarde, o sol e a ausencia.
O punhal frio da loucura,

querendo escalar a minha auto-estima,
a vila e o sol me deixam cinza

aqui ja aconteceu vida.

Tempo, tempo.

O pequeno pároco atravessa a praça central,
terno limpo de rapaz do interior,
sombras dos sonhos que já não sonha mais.

A vida mandou noticias e seu ultimo recado 
foi rastreado em Bogotá.

Dieta Prussiana
Dieta Prussiana
Dieta Prussiana

E qual a sua cor predileta?

O coração bate 
em três tempos,
feito a valsa 
que lhe foi negada.

Oração dominical,
ícones de um passado inventado.

Quando a loucura invadir a cidade, 
não haverá cerco ou fortaleza

capazes de reter a tristeza
verter a conversão em felicidade.

''Humilde senhor do interior
que habita os campos ao norte,

por favor me faça atravessar os seculos,
me banhe no rio onde toda a dor
é redenção...''

Coral de concreto onde o mar se atira e acalma,
rebanho de ideias sem sentido,

a vida alcança o tempo,
mas o tempo 
não parece disposto a negociar.

O pequeno pároco olha o céu de junho,
mil anos atravessam sua retina:

A sombra dos sonhos
repetindo a separação silábica
do coração,

o coração bate em três tempos.

Parece a valsa 
que me foi negada.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Malaysia Airlines

Pouco me importa a Crimeia agora,
e tudo que eu posso supor:

posso te beijar?

Pouco me importa a Malaysia Airline,
meu corpo adormecido 
quer emergir como um boing 777

e olhar seus olhos com um olhar 
que ainda nao testei em outras.

Por isso agora me detenho diante
de um arquivo inumeravel
daquilo que suponho.

Componho versos, 
imerso em rimas 

que a poesia não cuida em ajudar.

Atravesso a rua, tomo um taxi
e a noite anterior,
agora repousa numa das frações

minha barba cresce, 
meus olhos estão cansados demais.

O que fazer agora?

Eu vou tomar meu chá,
falar um pouco de besteira.

E sei la, deixar de dizer tanto bom dia.

Pouco me importo com as duas Coreias,
quero que se dane tambem a Crimeia,

eu fico parado, olhando o transito 
e reparando em carros,

em tudo, um todo ausente
como se a vida fosse um presente perpetuo
sem direito a ensaio ou boa acustica.

Eu so sei que te vi e agora guardo essa visão comigo

e quando fechos os olhos repriso e retrocedo,
medo de sermos sós
e só amigos.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Canção para Hera

Na margem da ansiedade
esperei ate agora

a hora
de saciar a vontade

Verdade,
é bem pouco tempo,
mas para que dezembro

se ainda é março?

eu marco o salto
e finjo a fuga

O beijo não tem culpa,
para que culpar?

bocas são só bocas
até beijar.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Quase um poema, muito mais uma pergunta e espero nao ser um problema.

Fica
um pouco
meu abraço

Sem nó,
só laço.

E quando é muito cedo
ou
 ate onde ir antes do até muito tarde?
Sequer uma semana e
já é muito 
percorrer os dias
- vontade -

sorriso sonoro de verão 
                                caloroso.

terça-feira, 25 de março de 2014

Sobre a Marcha Nazista sem deus e com a família de bem.

E aí eu que não sou Cristão fico pensando:
Será que se Jesus fosse naquela marcha ou mesmo na Marcha para Jesus, seria bem recebido?
Quer dizer, acho que ele seria chamado de comunista e expulso aos ponta-pés.
Eu não tenho medo dessa marcha, gente paranoica está sempre próxima da sociopatia ou da síndrome do pânico. Mais dia menos anti-depressivos ou uso constante de cocaína, essas senhoras e seus netos skinheads, estarão bordando mortalhas para si.
Só não podemos sossegar, agora ficou claro que existe uma direita no Brasil e uma direita raivosa, mas essa gente morre. Gente do século passado e com mentalidade medieval e histérica.
E quando um desses argumentar é fácil responder:
Já fazem 50 anos, o sonho deles nasceu morto. Sonho feio de quem nunca comungou do amor ao próximo.

Camarada Zé

quarta-feira, 19 de março de 2014

Sobre Villa

Quando se fala de revolução mexicana, muito se fala sobre Zapata, mas para mim a figura maior sempre será Pancho Villa. 

O ladrão de cavalos, o homem que passou um trote as autoridades de fronteira do Mexico e dos EUA, roubando assim um trem recheado de ouro e armas, por coincidencia o garoto que resolveu cair no mundo ao ver a irmã estuprada pelos peões de um senhor de terras ao norte.

O mesmo destemido centauro que apesar dos inumeros rotulos de tequila com seu nome estampado, jurou nunca beber uma gota de alcool - no fatidico dia do estupro de sua irmão, seu pai não reagiu pois estava muito bebado.

Villa representa cada homem e mulher latino americano, vitima da sanha de outros tantos e tantos senhores de terra ou de bens na america latina.

Desculpem os zapatistas, mas eu fico com o Villa, aquele mesmo que povoa lendas dos homens e coyotes que vagam pelo norte do Mexico, ali mesmo na fronteira com o diabo.

terça-feira, 18 de março de 2014

Sobre quando a beleza flertou com a guerra.

Café da manhã sem cerimonia,
ela não costumava não estar,
e agora percebe:

Nem sempre houve aqui,
antes era só você.
Agora a sopa esfria devagar,
o silencio nos intervaldos de algum disco.

Sem oxigenio o bastante,
dividindo o quarto com o cigarro aceso,

as vezes o sono custa a chegar,
dificil despir a cara para vestir a paz,

quando não é silencio
e parece muito com solidão,
dou uma volta, ninguem pra me esperar.




Dionisio partiu

Não precisa descer a escada,
sem elevadores, a luminaria quebrou,
os pneus foram roubados, palavras...

Enquanto ouviam o tempo, acordei,
duas horas até essa dor.

Recolho os artefatos, penso um pouco
e nada durou o bastante.

Ao menos acordei.

trabalhei a semana inteira,
com o que se parece aquela nuvem?

Labios vermelhos,
como uma canção antiga
ao ser redescoberta

não vou cair da cama daqui a pouco,
a vida é bela!

Pelo menos costumo achar isso.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Retorno Cancelado

Batalhões classicos
avançando em territorio conquistado,

quando as tropas dobrarem a esquina,
eles ainda não sabem,
mas já dilaceramos Cervantes,
Lorca, Neruda e toda a filosofia

em uma das tantas torres uma outra celula suicida

Maiakovski, Hemingway ou Cardenal,
Não entregamos os nossos,

eles não leriam.

Voltem para casa crianças,
acho que acabou

e é isso,
nunca imaginariamos
algo assim:

voltem para casa...


sábado, 15 de março de 2014

Hino a Netuno

O Arqueduque da solidão preparou as baterias de classicos.
Não sei muito agora...

Sou o cara na mesa vazia ao lado,
vinte e tres anos em alto mar,

sem terra firme
sem pouso

A Condessa do pouco caso está confulando
com o Bispo da ilusão,
heresia a vista.

E tudo que se queria ser?

Um ladrãozinho de flores,
olhos miudos de quem gasta a saude

sorriso de quem já sabe
o que não perguntar.

Muros pulados,
lugares por ocupar,

ouça
ouça

Ela parece triste e todos a vieram ver,
palidez de nupcia interrompida,

o salão paralisado,
ausente agora qualquer
traço de alegria.

Preparem as divisões, arquipelagos distantes
e canções, quem aqui já praguejou o mar?

Sei temer a calma celeste de um céu de março.

''Não sei dizer se podemos agradecer
por isso que a musica pop e
os anos 90 nos tornou''

E agora no meu quarto a cicatriz
parece um pouco com a rachadura no teto,

aquela que acreditavamos parecer com alguem.

O vice-rei da provincia da auto-negação
essa noite cortejou com uma gentil senhora,

ela morava proximo do passado
e só nos sonhos ela estava lá.

No salão paralisado quase é possivel ouvir:

invadidos de silencio, eles engolem a inveja
com um pouco de dor como acompanhamento.

domingo, 9 de março de 2014

Tardou

Quando o ultimo assirio
soube da decrepitude
que é ser só,

já era tarde.

Tarde para a Assiria
perpetua dor

e já não importava.

Olhou a planicie, rememorou outros tempos
e já não importava.

Anoiteceu, veio o dia

e tardou
e tardou
e tardou

ninguem chorou o fim da Assiria.


Errata.

E quando o tempo nos recolher,
restará ainda um pedaço a recordar
e outros tantos para se supor e reter.

E se o amor é truque antigo

restou ser teu amigo
e o detalhe impresso:

já fomos intimos.

Agora a hora gasta o corpo,
como uma parede erguida para calar.
Ainda haverão dias de sol
e noites de chuva.

No sonho, nas lembranças,
voce assim, ainda nua.

Despida de despedidas,
na primeira noite
em que resolveu ficar.

E agora a noite recua um pouco,
quase posso ver, nos seus olhos um recado

que ainda não aprendi a ler.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Carta engasgada

Acordei de um sonho estranho,
ela não me beijou ate onde pude chegar.

Andando em circulos aprendi sobre lugares distantes,
ela não entendeu a lição ainda

parece facil se voce entender,
que estou apenas tentando imitar a luz.

Horario oficial da pergunta,
ciencia do coração partido,
coração ansioso
e mais uma petição.

Ela nao entendeu que estou triste,
estou realmente triste...

Essa festa não faz sentido,
por favor volte ate o ponto
onde o futuro fazia sentido.

Acho que o perdão fazia sentido,
ilumine a saida agora:

Ciencia e progresso
tuso sobre a casa que projetei...

Me ame de uma maneira facil e sem compromisso,
bolsas sem responsabilidades estatais com o passado.

Oficial nazista e mulato
cão rodando em circulos
e latindo em um alemão vadio

Luneta sem visão, me conte sobre a ciencia e o progresso
eu nao sou ariano como a amante de seu amante,

dance como uma bailarina sem cache,
viverei como um georgiano marcado pelo diabo

nao me acuse
se apagar a descencdecia dele
talvez fosse apenas vitima
e não o filho de um lacaio.

Calem o algoz,
voz de estuprador oficial
voz de inquisidor oficial
voz de despida oficialmente de humanidade

Agora eu olho o céu,
um reich se levante na Ucrania,

seu avo mataria o arqueduque da Hungria?

Na praça o seu sogro trabalha,
suborno e violencia
nutriram o seu grande amor.

Eu sou a Crimeia russa,
nas ruas enquanto seu lobo dorme

te imagino voltando,
mas o seu flerte agora
é afilhado da morte.

Ei, isso mesmo é com você que estou falando!

Ei, isso mesmo é com você que estou falando!

Sim, você aí que fala de pena de morte, temor a deus, você que é contra o aborto mas se a sua filha engravidar antes do casamento já vai logo assuntar com aquela sua irmã solteira se ela sabe alguma clínica de aborto clandestina, afinal ficaria feio o bafafa na igreja se souberem que a sua filhinha não resolveu esperar, não é mesmo?

Você também é o cara que vota na bancada evangélica ou que vive latindo aos quatro cantos contra a ditadura bolivariana, mas no almoço de domingo solta que sente saudades da ditadura militar.

Com quase a mesma sanha insana que se diz cristão, mas não entendeu direito aquela parte do a Cesar o que é de Cesar, rasgando assim não apenas a carta magna como também cuspindo na cara do mito fundador da sua religião.

Eu sinto um pouco de pena de você, provavelmente mandaria pra cruz ou chamaria de vagabundo um cara de 33 anos que costumava jantar com os marginalizados. E se Pilatos lavasse a mão preferiria Barrabaz, enquanto assistia o julgamento pela TV, sempre com comentários do tipo direitos humanos para humanos direitos, prende e arrebenta. 

Você não sabe, a TV cuidou em te adestrar, por isso você não sabe, mas as palavras que saem da sua boca foram pensadas por alguém, muito mais confortável que você e sua vidinha suburbana de linguiça e cachaça. Alias você muito provavelmente se iniciou sexualmente com alguma prostituta e acha um achincalhe essa história de Maria da Penha, pois sabemos você é o macho provedor, temente a deus, pai exemplar, seguidor da lei, mas que não perde a chance de molhar a mão do guarda se no meio da noite é parado por alguma irregularidade cometida.

E danem-se os muçulmanos, são todos terroristas, mas você também quando se enerva com a vida mediocre que leva da umas pancadas na mulher, mas tudo bem você paga o dízimo, votou naquele deputado indicado pelo seu pastor.

E você muito provavelmente não conseguirá ler isso aqui, 50 anos depois da ditadura você é o fóssil vivo da esquizofrenia de uma sociedade que tornou banal a barbárie.

Vanguarda da Vodka Proletária

Idilio sebastianista

Tres bilhões de possibilidades,
em um lugar distante:

bar ao lado do trabalho.

Sorriso de primavera esquecida,
explosão populacional.
Acho que o amor esta em coma.

Tubos de ensaio e proteses de dignidade,
uma estrela apagou
enquanto voltavamos para casa

ela era tão linda
e nunca retornaremos de onde paramos.

Como voce se chama mesmo?

Fascistas comedores de batata doce,
bailarinas simpaticas em demasia
uniforme de papel reciclado

castelo onde almoçamos carpas
enquanto um ditador compunha poesia.

E eu não sou poeta.
E eu não sou eu
E eu não sou meu

Lembra quando era quase magico,
ficar olhando a rachadura no teto do quarto

e pensar que podia ser um sinal?

Aquela estrela não existe mais
e o que ilumina o meu jantar

é só a explosão se propagando
dentro do infinito que se expande.


sábado, 1 de março de 2014

Sobre a ultra esquerda

Voces estão tão centrados, seria bobagem falar
que é só mais uma religião,

um bloco sectario que panfleta ilusão.

E se voces querem mesmo mudar o mundo,
acho que sair fora é uma boa,
seria uma opção?

mas bobagem dizer isso agora
voces são uma nova religião.

Um velho slogan contra a opressão,
mas as garotas não podem escolher.

(mundo novo?)

Desculpe, isso não é revolução...

Enquanto dizem abrir caminho para o novo,
esqueceram de convidar o povo

mas não estão por fora da ultima resolução?

Enquanto planejam um novo ato,
antevejo a poeira fossil da sua orientação.

Garotos abastados, todo intento e impeto
é só mais uma diversão,

e eu tenho medo do futuro
voces serão a versão nova
da antiga Miriam Leitão.






quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Sem satelites naturais

Espera um pouco,
olha aqui como é
mas deixa assim.

Se eu me gastei tanto e aos poucos,
por um triz, meu sufoco não é entender

Me deixa aqui de canto
prometo não me estender

Agora voce vai embora,
metade de mim não sabe ainda

mas cai fora
da orbita.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Sal e sol

Grão de areia só,
só mais um.

Nos olhos a fagulha
que impede o horizonte,

sol se pondo 
- acho que agora é comigo -
me deixa beijar.

Agora erguerei meu verso!

Não para a mulher amada
que cansou do meu cantar

Falarei do sol
e da chuva que me fez dançar,

espera um pouco mais mulher
mas fica aqui

ai de mim 
e do destino, quem me quer?

Grão de areia só,
não é sequer parte da praia

E quem já partiu 
sabe mais sobre ficar

Grão de areia só,

já não sei ser praia
sou só saudade do mar.

Ao mar.

E o engraçado sobre todo o resto, é justamente porque a minha história é sobre uma garota. Embora pareça engraçada, na verdade é uma das historias mais tristes - acredito que há humor no luto.
Eram 7:15 da manhã, domingo de sol, o vento era frio na extensão da praia, da avenida a beira-mar se podia sentir o cheiro reminicente da noite misturado a maresia e os odores de gasolina, esgoto e panificadoras a todo vapor.

Ela não vai atravessar a avenida beira-mar e se despir de todas merdas que fiz, mas isso não importa agora, vou editar as cenas até torna-la culpada e acho que preciso disso para não me odiar.
Só pra depois reconhecer que seria pior se continuassemos.

No final é isso, dou risada antecipado, sabendo o quanto ainda vou chorar, mas se querem mesmo saber foi bom, muito bom, inclusive errar.

Ela nao vai realmente aparecer no meio dos banhistas, desnuda em um biquini minusculo - acho que ela adora o mar - e se despir das despedidas anteriores, simples assim: eu fui um idiota.
Mas para preservar meus nervos, vou pedir mais uma cerveja, acender outro cigarro e tentar entender o que essa morena do meu lado esta tentando dizer.


Passaporte andreense.

O tempo com sua barba, cinza e cada vez mais quieta,
olha as torres e os predios,
a tarde vem com ele ao anoitecer.

Tenho sonhado com uma garota seguidas vezes
e ainda não a conheci.

Acho que a solidão achou de criar alguem que me entenda,
compadecida de meu corpo e alma tão gastos
com as vezes que a vida tentou.

Vestido floral, cabelo preso.
Aos pés da serra, vi o mar
e então Bartira me beijou.

Pouco importa o que passo, tanta faz o tempo que passou.

a rima é pobre e eterna,
mas e o compositor?

Arquivo morto

Em silencio disse teu nome,
acenei no escuro
até perceber

como era vão
dizer

adeus.

No céu sem deus
ou fé.

O sol é ouro
como é dourada essa lembrança

a lua não vai perdoar dessa vez,
eu fico com o que sobrou

não há retorno
acabou.






terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Canção de Heitor

Sempre, quase sempre
e nem sempre assim tão constante.

E bem atras da intenção,
toda atenção esconde
o que não se pode revelar.

E então o sonhador volta a sonhar,
um sonho que não é todo sonho

e bem atras do sonho um delirio
que não deixa o sono chegar

Mas sempre, quase sempre
um pouco é o bastante

e mesmo quando sempre
não é assim tão constante

todo instante quer se gritar

que bem atras do sonho,
tem tambem o sonhador

mas a canção nao deixa
o sono chegar.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Epopeia romantica no paraiso artificial

Enquanto ladeio a rua e entrego as contas e os pontos,
cada bar e esquina diz seu nome,
pronome pessoal que quer dizer quem sou,
figura de linguagem que me expressa e canta.

Te vejo seguir pela rua, falo com teus amigos,
digo coisas sem sentido e tento parecer interessante
no momento em que te vejo me olhar
nao sei, apenas suspeito,

mas em cada passo faço e componho um medo,
minha sina é te olhar, tentar te entender
falacias ditas enquanto te olho apreciar um falafel

olhos cor de mel, camarada ela é maoista,
eu e meu terno cinza xangai, citando confucio
confuso com o que houve, ela é linda.

Desafia o materialismo historico,
desafina o marmore que se esculpe e tece a arte,
ela é saudosista. Seu beijo me faz sentir saudade.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Caveira eslava

Estava frio, não fazia frio um bom tempo,
pensei em sair e andar, apenas andar.

O céu parece um cenario antigo de um filme,
enquanto as gotas caem iluminadas pelo poste.

Tarde azul escuro, nuvens de cinza chapado
e eu resolvi sair pois estava frio
não chovia há quase um mês,

e quando chove a noite
enquanto ando lembro das coisas com nostalgia
como se a umidade anestesiasse o tempo.

Não havia ninguem na rua,
olhei uma arvore,
outras arvores e outras ruas

Fazia frio, tomei um café e fumei um cigarro,
até ali eu não sabia
até ali eu apenas sentia.

A ponte,
de um ponto a outro
e alheio a isso o rio.

Chove e eu persigo uma ideia
sem a clareza do que isso possa representar

Gentileza

Acho que é hora de acordar, princesa.
Princesa, acorde e acho que é isso.

So deixei pago ate o almoço,
mas precisamos ir...

Então não havera abraços dentro de uma semana,
acho que cansamos, não é mesmo?

Apenas cansamos.

Carinha de sono e só abrir um olho,
te ninar com o pé enquanto me abraça.
Acho que é hora de acordar.

Apenas cansamos,
princesa acorde!
Deixei pago até o almoço,
mas dentro de uma semana cansaremos.

Sem princesa, não há princesa.

Acorde por favor, vou lembrar disso
e será exatamente assim.
Um beijo antes do velho mundo,

foi assim e acho que é isso:
cansamos.

Guarde o que sobrou pro proximo.

Serei gentil,
muito obrigado.

Golpe Branco

E agora eu olho, reparo melhor e sigo.
Não há céu que me salve,
sequer canção que se gaste.
Ainda gosto de beber e rir do infinito.

Então eu olho a moça,
porcelana oriental, olhos pequenos,
sorriso sonoro emoldurado
em batom vermelho.

E o amor virá, como quem vai ao cinema
e no meio do caminho bebe um pouco
para aguentar, o sol de janeiro na america do sul

E pouco importa a rima ou a forma,
o verso segue e eu aqui parado, apenas olho:

Um golpe está em curso na Venezuela, um golpe branco.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Um mote a dança desses dias

Quase posso ouvir voce morrendo,uma imagem imprecisa
a lente se distancia, uma explosão. Espetaculo pirotecnico
Com os miolos de um trabalhador.

Agora eu acho que o gigante acordou,
pra não perder viagem matou um inocente.

Culpou dois cordeiros.
Um advogado melhor que a promotoria.

Parabens,


Era tudo que a
Globo
queria.

Nos becos sem luz
se masturbam feito cães
ouvindo
a radio patrulha.

A sua intolerancia quer cuspir na humanidade,
mas nós sabemos que existe muito mais gente
interessada em te ensinar como se deve ser.

Voces jogavam CS,
agora o que querem?

Um pacote de bolachas maior?

Um homem morreu,
ele não era branco.

Em junho
um fotografo
perdeu
um
olho

A mão forte
tanto bateu
que criou um monstro
imune a palmadas,

e a culpa é
de quem deu a palmada

E o Amarildo cade?
 - ouvi alguem perguntar, quer dizer acho que ouvi.

olha um trabalhador morreu

(e os patrões cuidaram em lucrar
                      o capital triste dessa tragedia.)




Sobre quando Luiz Aleluia tirou uma cadeia, por esfaquear o marido de dona Jurema. ( Canção Sebastianista )

Atravesso a rua,
desço duas quadras
a esquerda.

Então, como eu posso explicar?
Acho que já sabiamos antes.

Duas noites
ou
um bar bem rapido.

Estendem a mão agora,
somos a praça e as ruas dançam.

atravesso a noite
e é a mesma rua.

um nome por baixo da pele,
um sorriso impresso como gratidão

Desço duas quadras a esquerda
e já estou lá, dizendo seu nome
bem alto e falando sobre
outras coisas

Pois é!
Mudei,
direi seu nome
agora!

Que pena,
ainda
não
perguntei.

Poema para Bela Vista

A noite rodava distante no céu,
quase anunciando a manhã que viria.

E o bardo ainda canta sua maldição
e diz sobre rum e poesia.

o céu goteja calor e inquietação,
faltam sobriedade e precisão aos passos.

Enquanto a noite rodeia as horas
e o céu em silencio apenas gira...

Pouco importa o bardo,
a poesia há de possuir
algum outro largado.

Só me interessa agora:

A razão
que te fez correr
aquela hora.






segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

feio

Besta como aquela 
ainda não havia conhecido
e só mesmo em circo

pensava poder ver 
carranca assim.

Parece careta feia
bem mais feia
do que o horror
permitido.

Meu caro, não é gentileza,

fique feliz
ostente a certeza

feio como sua figura não há.

Um olho do outro é brigado,
desse intriga escapou ate pro nariz,

sorriso ensaiado e infeliz,
diz que quer dizer 
mas não diz

Meu caro não é gentileza,

por sua desgraça
sou bem feliz

tambem seja
e ostente a certeza

feio como sua figura não há

só mesmo no zoo
e mesmo assim 
tem que pagar.

Feio assim
e de graça
assim toda 
a desgraça

abraça o povo e sorri:

tu é feio pra caralho bicho.

Opus #1

Enquanto ela atravessa,
quase consigo ver dobrar a esquina

mãos dadas
com alguma lembrança
aquele nosso retrato.

Quer dizer, não é o mesmo que enfeitava
o corredor de acesso a sala de emergencia?

Agora escorre poesia
enquanto percebo a idéia
acontecer durante o dia.

Em outro bairro, rua e linha de metrô
acho que até o céu deve ser diferente

sei lá que tipo de sol é capaz de se por,
sabendo que em algum canto pode surgir
seu riso facil, que é luminoso demais.

Enquanto ela atravessa,
sem misterio:

dá vontade de morder!






quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

aparelhando a poesia

Então um dia.
depois de sucessivos dias.

Na lagoa as crianças adulam o monstro,
paraiso parcelado, sacerdote sem pudor.

Publicaram seu crime,
contaram seu plano,

foi inutil.

O que para e comove,
custa bem pouco
cuida em ocultar.

Amanhã embrulha

o peixe fresco,
a fruta fresca,
a feira pra quem faz
e forra
o colchão da moça
dos classificados

Só mais um dia,
e o que se pode fazer é pouco,
melhor a comoda posição:

ouvir a bossa
falar de revolução.

A mocinha no filme parece me sorrir,
mas é cinema nacional

no brasil ninguem é mocinho.


domingo, 26 de janeiro de 2014

Banhar os cães

Modestia parte,
me partiu assim
a parte mais modesta.

Fez casa em mim e
por saber voar,
me enganava.

E foi assim
final de tarde,
como se esperava.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Sobre a folia e o fogo

Nero que tornou-se imperador,
queria ser poeta

não conseguiu,
afogado em orgias
pensou, certo dia:

Em Roma as coisas andam frias.



sábado, 18 de janeiro de 2014

Sabado pela Manhã

Essa noite sonhei contigo,

não havia dança, sol ou luz,
no sonho me beijava

e era como
se não
tivesse partido.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Filhote de onça

Ela mora proxima aos passaros,
numa rua suspensa no ar

contra a poesia
não existe gravidade que baste

Cabeça nas nuvens
enquanto se canta o sol.

A cidade já distante,
lugar que seus pés devastam

Todas as tardes
vem com o sol
se impor.

E quando é maré alta
vem de onde está
molhar os pés

namoros acabar.

Elogios jocosos de quem
não sabe como se ver.

Jardim umido
onde estraçalha a juventude
Minha mão recolhe assim
o rude traço
que no poema desenhei

filhote de onça,
isso é tudo que sei.


Mito fundador

E era cerebral quase,
ao me lembrar percebo.

Era assim
que era:

Ela nua, rum e erva.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Retrato poetico da noite

Noite abafada pelas muitas vozes e cabeças,
placas, bares e luzes.

Dentro da cidade as ruas,
entre elas os becos.

Pouco importam os vestigios do Sol,
a cerveja
já foi campo de trigo
(no ultimo verão)

O céu sorri constelações,
o mar acena recados
para a terra firme.

Cada hora ensaia uma dança ou uma canção,
dentro dos minutos a poesia corseia,

ceifando o tempo com palavras
minando a paciencia com quebra-cabeças.


O peixe maior

Tua beleza
açoita meus olhos.
Canção de sol e leveza

Assim como o Sol
que faz do céu
sua ilha.

No mundo
um caminho
sem rima

Tua beleza me assalta os sentidos,
te olhando passar
eu sei:

quase como se tudo
fizesse sentido.

Não sei dizer,
eu olho e não faço
ideia do que vejo.







solis

Eu curso poesia
bacharelado em baixas ciencias

Douto de minhas faculdades mentais,
não repito hino, componho odes

a flor que do horizonte colhe
encolhe e bole mais
querendo paz
e não bandeira

De qualquer maneira
desculpe a brincadeira

Preciso ir. Não posso me atrasar
hoje me deram a palavra:
aprendo a rimar.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Entenderam?

Agora
ficou bem claro:
a lua é o jardim do Sol

e o universo
                   é
     o
seu gramado.

Rejeição

Odeio ser rejeitado, mas qual a novidade nisso, existe alguem que curta rejeição?
Não importa quantos elogios recebo, sempre alimentarei minha gastrite com uma super atenção dispensada para aquela critica acida demais e negativissima. Não importa quantos beijos meus já foram roubados ou ganhei, sempre grilarei com aquela tabua levada, aquele copo d'agua no meu chopp escuro.

Toda a minha produção, tem se servido disso como alibi para os maiores erros já cometidos, usando a minha timidez, ansiedade e bebedeira como muletas. Mas quem consegue não ser ridiculo depois de dispensado?

Se até mesmo caras como Lennon, cairam na bebedeira, brigas em bar e outras confusões, por que toda essa cultura de que o homem forte, simplesmente não se importa?

Eu me importo. Não sei como dizer isso de uma maneira educada:
Provavelmente não me importasse tanto, caso não sentisse que isso a faz sentir-se importante.

E aqui tambem confesso, sou um esperançoso, nutro em cada palavra obtusa ou resposta enervante um possivel aceno. Como se lá do futuro um grande amor ou uma grande amizade nos olhasse, recordando o exato momento de nossos primeiros instantes...

Eu odeio ser rejeitado, parece que a caricatura que os meus complexos desenharam em meus pesadelos e medos, serve direitinho e no grau para me deixar para baixo.
Sabe um dia eu pensei que me importaria com coisas gigantescas, mas quase sempre é só sobre você ter me notado ao passar.


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Camarada Nº 027 pensando na Camarada Nº 018

Igual a pelo menos dez milhões de outros caras,
terno chines de algodão ruim.

Arroz, arroz e frango e o livro vermelho.
Legumes, reforma agraria e cerco a cidades.

Uma foto ao lado da cama,
torna pesado o criado mudo.

Em algum ponto há divergencia?

Posso recitar um verso
para sua elucidação,
 mas ja adianto
são versos sobre revolução.

Mas os camponeses tambem amam
e tambem a classe operaria,

que o futuro seja pleno e humano
e alguem posso ser o que quiser,

até mesmo um ponto
ou ninguem.

Ele recolhe a saudade enquanto toma café e lê,
até o campo de reeducação,
pensa consigo;

misterios humanos bem menores,
já não questiona, apenas chega
deita e sonha,
acorda.

Um cara como pelo menos 23, 230.000 outros caras
cabelo cortado e barba por fazer.

As vezes sobe no pé enquanto almoça,
na ala feminina uma voz chama atenção.

Muita gente por ai e aquela voz
o fez subir na ponta dos pés,

Não a viu,
tanto naquele instante,

quanto por aquele instante
ter lhe custado a visão.

Recolhido por um guarda até a sala umida e estridente
com lupa e sol o cegaram.

Agora consigo repete:

''Tua luz me resgatou da umidade estridente,
da tua voz até tua visão um pulo.

nenhuma cerca, 
apenas o sol,
e alguns oficias do exercito do povo,
para melhor me orientar.

Até tua voz, eu olhava as coisas
e nelas havia apenas panfleto ou dor,

os camaradas oficias me mostraram voce bem de perto,
te ver valeu ser minha ultima visão.''

Ele anda, passos calmos e controlados,
cabelo cortado, escovado e sorriso padrão.

Enquanto supõe tudo isso,
deitado em sua cama modesta
pensa como é ser um divergente.

Mas ele é a estrela vermelha
no coração de alguma ilha caribenha.

Em seu peito arde uma constelação
de certezas.

Seu grande guia
e o livro vermelho na cabeceira.

Um retrato torna pesado
o criado
que agora é mudo.

Esquecimento

Se é novo costume entre toda gente não sei dizer,
tudo leva a crer, quero dizer:

não é só com você,
tudo tende a me esquecer.

até mesmo eu agora me esqueço,
fico mudo e observo
meu mundo acontecendo,

girando...
girando!

Até me esquecer.

Veio a manhã e entardeceu depois,
entre os dois um laço
ao anoitecer.

Se é novo costume não sei dizer.
Preciso me esquecer.





quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Carta para o começo da conversa

Querida,

Somos os ultimos exemplares de uma especie estranha de gente. Quando nos olhamos, sei lá. O carnaval é em março esse ano e tenho a ligeira impressão de ter te escrito um samba. Acho que não te conheço ainda.
Nem sei como te chamar, não sei quem você é. Eu olho o céu da noite, quem será essa mulher?
Talvez more bem pertinho, quem sabe se em outra cidade, continente ou planeta?

Somos os ultimos exemplares de uma especie estranha de vida. Enquanto eu tento te encontrar, voce já sabe que te alcançarei. Por isso deve me esperar serena, olhando o mar e já sabendo, todas as perguntas que vou perguntar.

No final
''metade do que digo não tem sentido algum, mas eu digo apenas para toca-la.''

Eu andei como uma criança nos campos de papoula, sorri em resposta as estrelas, eu vejo um céu diferente todos os dias há quase tres anos. Ainda espero a revolução socialista, escuto Beatles enquanto leio Maiakovski. A minha imaginação não faz ideia de como voce será.

Abraço o sol, beijo esverdeado de adeus ao dragão vermelho que até aqui me conduziu, pouco me importo com Dante, Beatriz ou se é divina a comédia. Ainda não posso te ver, tantas vezes te imagine - me ofusca os olhos apenas supor. 

Eu peço mais uma dose, mato uma sinuca e volto para casa, meus olhos ainda não sabem te olhar, preciso acostuma-los com esse fato. Estou bem, quer dizer sei que estarei bem melhor algum dia.

Querida me desculpe, mas talvez nunca nos esbarraremos. Eu fico bem assim, quer dizer nem tanto, todas as outras nunca serão o que você é. Mas sabe, voce nunca esteve realmente aqui. Tudo o que você é, foi apenas invenção da minha preguiça.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Soneto Politico

Qual o peso da mão que pesa e mede,
tendo por oficio a justiça?
Eu sei que ela tarda, falha
e o resto é truque de otario.

A contramão da justiça é a lei,
a toga ou o banco.
Leais, solicitos e exemplares.
O cão de guarda vai te morder a cara,

Sem muitas informações, sem provas
ou julgamento. Apenas um
triste espetaculo.

Um homem cospe sangue, quando jovem
lutou no Araguaia, essa noite em uma cela fria,
um senhor cospe sangue, banha-se com agua fria.



sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Breve relato de avistamento do Sol

Estende a rede
hasteia as velas.

Um tempo,
quase lá.
Me deixe por fim dizer:

Acho que é melhor assim,
longe dos olhos
e ao sabor da ideia

sabe, e se por fim
nos víssemos
por acaso.

Recosto os sentidos
enquanto percorro a costa,
recostado na possibilidade,
mas não é o caso, não é?

Nova embarcação
encontra um cais
cansado por espera-la.

os nós, ancoras e
toda a agua que era apenas lastro.

Agora eu vejo um farol,
sinaleiros e um pratico.

Imediatos e seus subalternos,
jocosos como aves bajuladoras,
não sei se estou em casa

após o porto uma praia,
após a praia a alegria.

bem no final da tarde
o sol do céu descia

degrau por degrau
atravessou o mar
na areia sairia

veio comigo deitar,

Eu quero ver o por do sol! - ela dizia...

Até o verso inteiro e eu feio assim fora de ordem.

Inquieto com sua beleza, olhos de lago em pintura infantil
corpo de calor, perfume e luz...

Só diria isso e não teria dito o bastante, mas em mim ocorre
bastar-me apenas o que representa isso.

Areia do tempo correndo nos olhos do universo,
eu olho o céu e no sol é como se conseguisse ve-la.

Beijo a noite, como se pudesse alcança-la,
me tornando assim planeta, satelite ou meteoro.

Espaço iluminado por uma ideia simples,
domingo e passeio. Ela... Ela?

Lua de agosto, navegando em um oceano
de dias e documentos perdidos.

Laços de olá e adeus nos rodeiame partem,
alguns dizem coisas, como se fossem rezas...

Ainda me inquieta sua beleza, seu sorriso e olhar expressivo,
assim em cada verso fiz, em todo o verso recitarão teu nome.






quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Dos problemas em criar Pedro

Um dos meus problemas com o fato de estar escrevendo uma peça de teatro é justamente estar a escreve-la e disso flui toda a problematica.

Primeiro:
A minha experiencia com o teatro é realmente uma relação onde ocupo o lugar de publico/plateia. Me acho uma farsa a cada fala escrita.
Quer dizer, um dia estou escrevendo idilios, sonetos,  e acrosticos, estudando a rima e a poesia encontrada em cada ação cotidiana e no outro estou escrevendo uma peça.
Desculpem, ainda não digeri isso.

Segundo:
Como é dificil reconstituir dialogos vividos ou escutados, como é dificil escutar os outros, observa-los, sem a pretensão hipocrita de entende-los. Mascara-los muta-los em outra coisa e então dizer o que eles disseram.
Criar é um exercicio fascinante e cansativo, cansativo muito mais do que fascinante. Ir costurando esses retalhos do dia a dia, esses detalhes no casal observado outro dia, naquela fotografia com uma antiga namorada onde quase consigo me imaginar com outra garota. Não é facil, não é facil mesmo...

Terceiro:
Constituir cada personagem,  as falas, peculiaridades e identidade. E ai assim um belo dia, voce esbarra com uma nova historia ou um detalhe que escapou sobre esse ou aquela personagem.

Quarto:
Terei que conviver com atrizes?
Ok, com atores tambem, mas e as atrizes? Sou um tipo timido, falastrão mas muito timido, aquelas mulheres todas tempestivas ou solares, aqueles sorrisos grandes, aqueles passos descalços pelo camarim. Dentro disso tambem vale dizer que tambem reside o terceiro motivo já exposto, terei e estou tendo que escrever falas no feminino, tudo o que sei sobre mulheres é que elas me encantam e confundem.

Quinto:
E se não der certo e for um fiasco de publico e critica?

Sabe, todos esses motivos cabem em um só:
Estou escrevendo uma carta de amor, de uma maneira diferente e para um tipo diferente de amor, desses que não se usa mais amar por ai. Como se fosse o meu aceno aos seculos, como se ao futuro eu pudesse dizer algo, diria sobre isso e com direito a toda a poesia, hiperbole, metaforas e cores.
E se no final não escutar um eu te amo, talvez fosse cliche demais dizer assim o que já ficou bem entendido.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Suspirar nº02

Tardei em ver,
por fim um nó
uma conta
um fio
o rosario
tardio.

Me leve
e deixe
aqui
até voce
e onde esta
um lugar
meu lugar


Desceu
da terra ao mar
uma tarde
a agua
enfim
saber e entender.

Voce e o que
me inspira 
e diz
seu lugar
suspirar
inspirar.

Leoa

Andei por duas horas, numa praça qualquer
em um ponto distante da cidade.

Voce parece feliz nas fotos,
aquele bilhete chegou a tempo?

A tarde engole o dia,
fazendo uma cama para o luar

acho que aquele era o lugar onde morava,
ainda mora ali?

Eu te esperei o dia inteiro,
por fim o embrulho na portaria,

espero haja tempo,
elas não merecem murchar...

Motocicleta de goma de mascar,
falso brilhante em um clube qualquer de esquina.

Não acredito em
Dylan
Beatles,
Elvis
ou 
Salvação.

Na volta as estrelas em novena
rezam brilhantes no céu de fim de ano.

As mesmas que ensaiaram canções e sorrisos
quanto nos vissemos.

Comprei uma passagem,
passado diz: não passo.

Antilhas, Caucaso ou o bar da esquina,
meus olhos se acinzentando em desolação,
copos, amigos,
mulheres e poesia.

A bonachice do meu bigode
a vida que é apenas rima
e as vezes nem é.

Pois é...

Agora desço as escadas,
um taxi seria melhor.

Garrafa em mãos,
olhos sabatados pela imaginação.

Feito canção de Noel:

sem luar
sem 
violão

Pouco importa agora,
queria apenas te dizer adeus.

Pretendo ir morar no Sol.

Conheci uma garota linda,
ela é uma mistura de deusa celta
e sacerdotisa maia.

Linhas de cobre e cores do verde profundo,

Iara,
Irene
 ou
Diana,

ninfa,
sereia
ou
musa

Pretendo morar no Sol,

noite dessas a lua veio admira-la
nua no exilio de meus lençois
eu a pintei.