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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Jangadeiro cinza

Enquanto você se move um pouco, na calçada por volta do meio dia, fugindo do sol e da luz. A vida acontece, eu as vezes nem percebia, agora procuro perceber.
Coisas como separar uma parte do seu dia para ler os jornais, ouvir pelo menos um álbum da sua banda predileta, enquanto lê algum livro - essas coisas, que te distraem da solidão, te tornando um pouco mais substancial e contemplativo, no final esses detalhes é que são o diabo, fazem fazer sentido.

Estamos passando por uma crise dos vinte e poucos - tanto melhor.
Assim como em todos os finais de ano, foi prevista uma enorme crise imobiliária, quer dizer isso importa muito mais, mas estou aqui me lamuriando como o segundo álbum de uma banda que surpreendeu publico e critica. Estou em paz, respirando de uma maneira melhor, sendo tolerante com pessoas religiosas e levemente acido com fundamentalistas - também sou humano, porra!
Agora são exatamente 19:10 do dia 19/12 ano da graça de 2013, as luzes de natal já estão obscenas nas varandas das casas,  nos quintais pinheiros e amendoeiras em flor, pelas ruas moças de vestido florais em cores alegres e quentes. Poderíamos falar de 2013 até o final de 2014 e ainda não teríamos dito tudo, basta dizer que foi um ano assim (...) que ainda não terminou.

A TV assistindo nossa solidão, todos anestesiados com a modernidade e o avanço tecnológico. As vezes a vida até parece um filme, mas sabe de uma coisa prefiro a vida parecida com vida mesmo. Nada é mais próximo do realismo fantástico, que todas as possibilidades descortinadas durante o dia. 
Me movo um pouco, recosto o encosto do sofá, recolho o dia todo e me encosto. Diante dos meus olhos como a fumaça do meu cigarro, as recordações do dia se poluem com a minha imaginação. 
Verdadeira batalha entre como foi e como deveria ter sido.

Olho para a pintura descascando na parede, reparo um pouco, reparo também na rachadura do piso. Lembrar como foi engraçado, daquela vez que descobrimos uma infiltração parecida com o papa João XXIII. 
Eu só fumava Carlton, usava uma barba grande, aquele ano eu havia decidido ler apenas Shakespeare e gostava de ouvir uma menina cantar num bar. 

A TV mente, sorri enquanto se entretém com as nossas solidões. Para o deleite dos senhores da informação, nos deitamos cada dia mais frustrados. Aquela voz não é minha, não é sua, aquele rosto é o seu ou o meu ou do cara negro que passou quase agora por aqui, mas isso não importa muito. A realidade fabrica a vida, a TV cuida apenas em tornar tudo frustração e agonia.

As vezes olho para o céu, fico olhando fixamente até sentir vertigem. Sinto o sol, a luz, respiro o ar e de alguma forma me sinto parte do sol, parte do calor. 
Uma voz, calma e melodiosa, desenvolta e parte de uma recordação romanceada. Posso ouvir o vazio nas coisas, consigo sentir nisso valor. Quero me calar, silencio definitivo, após o grito primal.

Eu vejo o amor tomar um rumo diferente, fico no quintal olhando as estrelas:
Será que existe vida em Marte?






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