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domingo, 3 de novembro de 2013

Homem só

Ultimamente falo pouco, me resumo ao cordial bom dia, boa tarde e boa noite. No caminho até o trabalho fico olhando o sol nascendo na estrada, olho os outros carros, cuido em me calar cada dia mais. Pretendo um dia me comunicar com o silencio, inventar um abcedário do olhar, da supressão de sons.
Quando vem a hora do meu almoço, desço de escadas (seis lances de escada até a saída), almoço em um quiosque no canal dois, nada de muito extravagante, tenho me policiado a preferir a simplicidade. Enquanto almoço sinto o gosto de cada garfada, sem muita pressa, mas cuidando em não ser muito vagaroso também - se um criança aparece e comigo vem brincar ou assuntar, brinco e converso.
 Após o almoço leio um trecho do livro que escolhi para a semana ou vou andar pela ponta da praia, sozinho, roupa social, mas nunca e em ocasião alguma gravata.

Venho buscando anular as exclamações em minhas palavras, tenho evitado ser reticente também. Falo pouco, observo muito mais, prefiro curvas fechadas - acho que a vida consiste em observar. 
Ultimamente falo pouco, postura contemplativa. Quem me conhece de antes disso, pode me tomar por triste, mas com alguma calma posso responder de maneira resumida e fria:
-Estou em paz.

Ainda bebo doses cavalares de rum, meu baseado e tomo meu doce, me tranco no meu quarto coloco um Beatles ou um Dylan para tocar ou vou para algum bar simples, sem muitas pessoas onde o garçom eventualmente assunta sobre essa ou aquela cliente do outro dia ou da mesa ao lado. Tenho preferido a simplicidade, evitado discussões desnecessárias, aos poucos vou ensaiando a minha ausência. Como se fosse possível desaparecer aos poucos.

E isso não é nem de longe algo triste, isso é se entender melhor e não depender da opinião ou gosto alheio. Me sinto mais seguro para dizer algo para alguem, escolho a dedo com quem e quando sairei. A minha mesa é vazia por opção, os poucos amigos me garantem a segurança e a força que a amizade é capaz de nos nutrir.

Hoje consigo lembrar com exatidão meus sonhos, com o passar do tempo notei que a solidão os tornou mais interessantes, mesmo a angustia me garantiu algum charme feminino, sou capaz de me encantar com o meu reflexo e sentir pena do que fui no passado.

Sem grandes projetos, viver tem me bastado.


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