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sábado, 30 de novembro de 2013

amuleto politeista

Eu amo a folha azul,
emergindo clara feito o sol,
transluzindo as cores e tons de azul.

Mas ela não é mais apenas azul.

Ela é na verdade verde,
sorriso declinando em abraços beijos,
radicais, prefixos e sofismas.

Clara, clara figura solar,
feminina e felina.

Agarra o sol e solta,
leva consigo dele
apenas o brilho, tem dele o que importa.

Ao brilhar,
solar irradiação
neurotransmissiva,
teu telefone por favor
eu sou mais um
na america latina.

Eu amo a folha azul do teu vestido,
e de tanto lembra-la assim,
em mim se criou crer:

A flor azul do teu vestido de passeio,
teus seios fartos, teu sorriso carnal,
tua pele branca que me faz cogitar coisas,

teu cheiro e o teu perfume,
nada é tão lindo quanto
a mais sutil ideia:

me deixa ser seu brinquedo...

Um botton pendurado nos teus dias,
marcando a pagina e ansioso pelo dia seguinte.

quero te sentir transpirar
 enquanto guarda algum segredo

enquanto inspiro nicotina e ar viciado,
suponho no ar algo agradavel,
tua presença, quero dizer a lembrança.

(translucida, radiante e afetuosa)

Agora as buzinas, trombetas e sua flor preferida,
qual a tua flor predileta?

Seus olhos são esperas suspensas em oceanos verdes,
esmeraldas de um outro tempo, amuleto politeista.

Enquanto imito um nomade no grande deserto até tua chegada,
dou fé e escrevo, faço publico meu testemunho:

voce é tão linda, que faz sentido,
quer dizer todo o mundo.

Dia desses podiamos ir ao teatro,
não tem pressa,
mas bem que podia ser amanhã.





sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Canção desesperada para uma jovem atriz (Novembro de 1935)

Vou remoer um amor antigo, para não cantar o encantamento atual. Quem sabe assim o tempo, esse que inveja tudo que cheire a eternidade, não se metamorfoseie em obstaculo ou duvida.
Eu vou cantar minha dor bem alto, só pra esconder do que já existe, toda a minha vontade de dar uma festa, em homenagem ao sorriso, ao perfume e a delicadeza santa de momentos assim, que nos vertem poesia e nos convertem em humanos.
Escrevi um verso triste, da minha dor só meu figado sente raiva, não importa agora, pouco importa agora.
Agora amanhã...
Como é suave o cheiro da mulher desejada. 

Eu pretendia escrever um verso,
um poema onde diria:

que voce é linda
e mantendo a rima,
voce é poesia...

Preciso entregar meu texto,
corrigir a metafora da vida

com a sintese poetica
aplacar o tempo.

Uma cidade inteira,
todo o universo,
um verso: tua beleza.

Amplo sorriso,
espaço, beijo e olhar,

quando te advinho 
sei pouco,
por exemplo gosta de vinho.

Quando convem 
penso comigo,
não, não na nuvem
mas ao teu abrigo.

Teu problema sou eu,
meu problema é comigo.

Eu peço um taxi,
sintetizo o cinza
e sei 

a poesia é finda.

(mais adiante outra poesia...)







segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Fazer afastar

Assim como um poema
em que desde o inicio
eu já soubesse o título,

seus olhos atravessaram o jardim,
o parque, o apartamento e o jantar,
pararam por um instante,

como se cravassem as unhas na Terra
e o giro cessasse, assim foi naquele instante.

Meia luz todo o universo,
seu sorriso:

solar
solar
solar
solar

solar
solar
solar

Meia luz todos os cantos,
sua maneira de andar:

parece ser apenas luz, iluminação.

Meia luz a noite apenas,
no silencio sonoro das estrelas:

o barulho do seu riso parece uma magnetica explosão.

Seus olhos atravessaram o jardim,
o parque, o apartamento e o jantar,
pararam por um instante.

Acho que me olharam por um breve instante.

E era como se o meu olhar,
so existisse para aquele instante.

Preciso respirar,
espere um pouco apenas,
me permita:

preciso me afastar.

Moça voce é solar,
pedaço de entardecer
dentro de meu coração anoitecido.

sábado, 23 de novembro de 2013

Dedicatoria

Meu olhar se estende e segue,
depois se torna mão.

Minha canção
quer
segurar a tua mão.

Ja cque foi assim, que posso fazer?

Agora eu vou,
já cque eu vou
por favor:

Deixe o som bem baixo,
coloque um Dylan ou Chico para tocar.

Deixa que eu levo o rum.

Não teremos saliva
depois de um longo silencio
(quase posso prever)

Vamos nos ver por um grande minuto,
silenciosos,
selecionando
as palavras...

Melhor rega-las com gelo, limão e rum?

Agora eu vou.
Já  cque não vai,
invento moda, novas palavras,
dou festa e fico lá no canto.

Meu canto:

Ela me deixou aquela ingrata.

Operá bufa, dizer teu nome assim:

Já cque permanecerá assim,
meu coração-megafone grita e imprime:

Ela nunca foi minha
(mas como eu quis ser apenas dela...)



sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Rendição

Quando eu acordei em outra cidade,
garota, voce ali do meu lado.

Boas lembranças, saudades, saudade.
Seu olhar sorria numa imagem,
um filme ensolarado.

E hoje chove...
Nos assisto,
ao recordar.

Quando entramos naquele cinema,
pensei que seria apenas um filme.

Me entregaria.

Me pediu pipoca
e o pipoqueiro
me deu voz de prisão.

Peguei seis anos por fraude,
regime especial, bom comportamento.

A minha poesia queria dizer:

como é bom parar a rua,
só para te ver passar.

Você é linda.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Poesia

O sacerdoce ao se despedir dos fieis,
o sacerdote se comporta como um boneco de barro.

Seus filhos legitimos, esposa e alguns bastardos,
sera que escrevo ou me guardo?

A duvida,o sol, o mar e o calor,
muita luz, toda a luz e alguns insetos

posso chorar minhas lastimas?
A vida só faz sentido

depois que se ouve o fado.
Escrevo ou me amargo?

Enquanto penso,
um infinito de coisas ocorre,

numa sala vazia por exemplo nada,
tenho comigo essa angustia.

Essa nausea toda deve ser escrita ou guardada?

''Só sei que fazia calor, eu permaneci olhando...
Era como se fosse feita de sol,

seu sorriso me viciou em luz.''





quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Moeda da Sorte

Hoje na volta reparei em cinco centavos no chão.
Parecia triste, não transparecia virtude ou vicio,
era apenas uma peça de metal esquecida,
pelo pouco valor sequer notada.

Eu a recolhi em meu bolso e segui para casa,
a garagem vazia, a sala vazia, um banheiro vazio.

Até minha pequena pia no banheiro...
Tive medo que escorregasse pelo ralo,
resolvi leva-la sempre comigo. 

Agora pouco antes de deitar
e essas palavras escrever ou pensar,

fui na minha estante ver
como estava minha moeda da sorte.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Ensaio nº02 (avaliando um corpo que dança)

Enquanto ela dança,
os objetos ao redor,
a meia-luz do abajour
e os pincéis, a maquiagem.

Humana, humana apenas isso.
Dentes de redenção, sorriso de sol nascente,
seus olhos podem devorar, maré de poucas palavras,
seu perfume, seu perfume apenas isso:
seu cheiro.

Enquanto crio outros alfabetos,
beliscando fagulhas e dissolvendo ilusões.
pareço um planeta ao seu redor,
enquanto ela dança e gira,

a vida acontece...

Ensaio poetico Nº1 (Primeira descrição de determinado corpo nu)

Ela esta deitada agora,
olha para o teto,
navega o olhar no nada.

Abraça o travesseiro,
chuta o lençol que a cobria.

Ela esta deitada
e isso me basta,
já é poesia.

sábado, 16 de novembro de 2013

Um verso para uma felina figura solar.

Mente dourada e cabeleira solar,
sorriso de luz, lábios e lascívia.

Meu verão por fim começou,
dias antes do final da primavera.

Macacos jocosos fazem farra 
em teu jardim de bajuladores,
eu apenas escalo até tua janela:

Você é linda...

Recosto minha cabeça em teu ombro,
ao me aconchegar, em teu pescoço
roço minha barba,
enquanto penso o que vou te dizer.

Manhã florida, dia de sol ao sul...

Minhas palavras se reinventam
como se minha mente fosse capaz:

 de criar por si, 
um abcdario 
                 onde todas as palavras
     só falem de ti
Agora a imagem,
apenas tua anunciação.

Delírio cristalino,
corpo macio de femea nua,
reluzindo ao sol
pela fresta da janela 
no meu quarto.

Um oceano se derrama a cada instante que sorri,
universo iluminado pelo teu encanto,

A luz lunar torna em feixes de luz
o sereno que com a noite vem.

Da minha varanda vejo uma constelação distante,
ainda ali me faria pulsar a onda alegre 
que é o teu sorriso.

Você é linda moça,
eu te olho e é como se meu olhar ficasse rendido,
de súbito parassem a rotação e translação.

Fosse apenas luz,
você ainda seria luz
pois seguiria sendo o sol

ardendo em claridade
pensando enquanto ilumina.

Pois bem, uma parte de mim diz isso agora,
a outra metade tem certeza absoluta.

Mulher solar,
me faça entardecer.

45/25

Agora que nos falam de justiça
e nos dão circo, para acompanhar o pão,
a casa e sonhos que podemos sonhar.

Tua luta é gigantesca, ser o heroi
é saber por dentro:

ninguem salva o herói.

Jovem lider, velho articulador,
senhor de jogos marciais e politicos,
teorico do por que não assim?

Em uma cela agora repousa,
teus cabelos são poucos e brancos,
pela janela olha a paisagem
e se ve no reflexo:

um dia ja constou consigo longa cabeleira negra.

Cela 45 ou 25, diz ai pra qual te mandaram?

As togas ocultam o bico de quem
para outros, a todos bicava.

Assim como em Roma era,
aqui tambem em tese deveria ser:

Se tua pena é justa ou não - não sei.
Penso que era um projeto politico,

só me pergunto se ainda é...

Sou o tolo, o bufão, o circo que chega na cidade,
sou isso e sou dias de chuva, cigarro e anotações.

Deve ser dificil ser o herói,
por outros paga,
um feito
que tambem outros fizeram,

teu crime, é um crime do qual eles sairão impunes,
se é que cometeu de fato algum crime.

Eu olhos os predios,
caminho pela cidade,
vejo as ruas do centro vazias - feriado prolongado.

15 de Novembro, quartelada.
Golpismo legalista,
capitão do mato
jornais, revistas, partidos e tvs.

Eu te vi pela ultima vez, punho erguido,
subia uma escadaria,
já eram 19:30 acredito.

A ditadura midiatica fez seus primeiros presos politicos.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Antagonismo

As armas prontas,
a hora se aproxima.

Quando o lider nos disser:
Paz! - saberemos...

Então lutaremos, voce e eu.
Suas armas defendem meu oponente,
nos farão crer.

Eu contudo estendo a bandeira vermelha
e em nome da paz,
proponho a radicalização da luta de classes.

Que o velho saiba,
o novo voltou.

Para que o futuro
volte a fazer parte
dos nossos planos.


Guarda Vermelha

E agora?
Fecho os olhos, coração acelera, estomago revira, tudo ao completo acaso. Mesmo assim estou ciente das impossibilidades, do quanto pode custar um arroubo e não estou disposto a romper a vida quase monastica que construi nos ultimos tempos.

Escrevo, escrevo poesia, escrevo teatro, fico quieto em um canto, observo tudo ao redor, em silencio quase meditativo. Essa noite não dormi muito bem, me revirei na cama.
Deu vontade de colher todas as flores que ando cultivando no meu jardim.
E agora?
Acho que é a revolução!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Epigrafe do velho sapateiro.

As vezes eu sei, quase posso:
misturar a materia dos sonhos
com a alquimia da vida e seus ossos.

As vezes, quase sei.
Só me resta saber não esquecer.

Novembro

''I have never known the like of this I've been alone and I have,
Missed things and kept out of sight for other girl we're never quite like this.''
Paul McCartney

Desculpe a timidez, fiquei ali ao sol, te olhando. voce é linda, ainda mais linda que o sol, tão luminosa quanto uma manhã de verão. Tentei me aproximar, repetia ao te olhar apenas: voce é linda como o sol, linda e iluminada, luminosa recordação ao entardecer.

Desculpe a falta de jeito, a mão nos bolsos, o meu cigarro sempre aceso, as profundas tragadas, os goles cavalares na cerveja ou no rum.

Você é linda, não consegui dizer nada alem disso.Concordava contigo, em qualquer assunto ou olhar, te olhava... Pensei tudo, me calei.

Não deu para ver quem era voce, ali no sol, iluminada. A luz atrapalhou um pouco, seu sorriso é luz, o clarão da tua presença, assaltou as minhas retinas.

Moça, voce é linda, te achei parecida com o sol:

Céus!
Voce parece o sol,
Disco solar,
onde a luz entalhou
a beleza.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Estou ouvindo uma canção:

Sou um samurai aereo, uma criança cosmica
atravessando o sorriso de D'us,
dizendo palavras como quem retalha os detalhes.

A sombra por exemplo aparece,
pousa aqui e ali durante o dia,
escondida da luz.

Eu olho o céu,
não sei, eu olho o céu.


Quer dizer...

Enquanto o sonho embala o som
e a voz é agradavel ao  me dizer,
quero dizer, que ao me dizer tais palavras,
todo o mundo é coisa anulada,
apenas palavras, nada repleto de silencio.

teu riso é agua rasa,
onde minha sede
se converte em palavra.

poesia cantada,
consumida
e feita:

desfeita seria não te cantar

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Poema para o após bar, em uma quarta-feira chuvosa.

Dia após dia, estou boiando nas margens da hora,
olhando o tempo ao redor, de maneira calma agora.

Gentil senhorita, me diga por favor,
quem saberia me dizer,
por quais nomes devo chama-la?

Estou distante, bolha azul com pessoas ao redor,
no mais alto lugar do meu peito uma montanha,

uma igreja nas proximidades,
celofani com palavras recortadas.

Agora, o que se pode dizer?

Lirios, margaridas e cravos,
abraços que serão esquecidos.
As pessoas ainda não sabem.

Garota de olhos inquietos,
cabelos cacheados como o calor,

claros cabelos feito o sorriso do sol.

Beatriz sonora, a minha hora
curva a lirade Dante e canta
tanta poesia:

Então é como se todo dia,
a gloria viesse se anunciar,
num por do sol tão lindo,
ainda mais lindo te vendo olhar.

Não existe imagem mais linda,
que o teu sorriso quando esta admirada,
como se o mar fosse engolido,
pelo seu sorriso e a tua cara.

Gostaria de te dizer algumas coisas.

Olho pra rua, pro beco e pro bar,
sou feliz.
Sei te olhar.




Agnosco veteris vestigia flammae

E agora que eu ja havia programado tudo?
Comprei nuvens no céu,
lá fora o mar e todo o mundo.

encomendei as ruas,
inventei as calçadas.

Para caso assim no caminho
atravesarmos as ruas de mãos dadas.

E agora?

Calma moça, recolherei cada detalhe que pensei.
guadarei com cuidado, com esperança e segurança.

Se adiante, acontecer te encontrar,
vamos ver um filme,
jantar, beber e se olhar?

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Folhas varrem os pés descalços dos amerindios.

Desde até aquele instante, eles já tinham vivido muito, não podiam se olhar agora, apenas cartas, ambos estavam encarcerados. Quando ela aceitou casar com ele, eles já eram de avançada idade, nunca se viram, apenas ouviram falar um do outro, eram do mesmo partido.

Ela a dirigente internacional, responsavel por orienta-lo. Ele apenas o simbolo de uma rebelião, que possivelmente desencadeiaria em luta de classes. Cumpririam prisão perpetua, até o final da vida estariam murados.

No proximo outono se casariam, ele fez o pedido por carta, ela respondeu por uma ligação clandestina. Nos jornais será anunciado:
Dupla de perigosos comunistas maoistas, anunciam matrimonio!
Se encontrariam só aquela vez, depois nunca mais se veriam novamente, casariam-se numa cerimonia do partido. Sediada em um presidio, observado por guardas, imprensa e a massa carceraria em suas respectivas celas.

Ele com seu terno chines preto e uma estrela no peito, feito medalhe ou simbolo de sorte. Ela modesta, como são modestas as noivas camponesas, vestido simples, parecia apenas que estava feliz.
Eles esperavam por isso desde quando tomaram consciencia um do outro.

As folhas da amendoeira caiam aos pés descalços daquele que seria o suposto grande lider, de um perigo vermelho e coletivizante. No fundo ele era apenas indio, apenas latino-americano, tão somente um entusiasta da guerra popular.

Teceu para ela uma pulseira cerimonial, vermelha. Para si apenas um cordão verde oliva, como o forro do seu terno cinza de inverno.  A cermonia de troca, constituiria-se a um por do sol gasto e cansado, apos uma tarde com ventos frios que retalhavam o rosto ao levar as folhas, seguido de um terno abraço e um beijo timido como são os primeiros beijos.

Após a troca, um novamente se dividindo do outro, ele de volta ao seu presidio, ela de volta para sua cela ali mesmo, bem proximo. A noiva india do grande timoneiro abaixo dos tropicos, havia com ele tido, ele era apenas um homem diante dela. Ela era a camponesa de cabelos de sol, interior bem proximo da Metropole, ela se pareceria com o sol, muito maior que o sol, iluminada e sonora.

Eles se despediram, deu para ela rosas amarelas e cravos vermelhos. Ela sorriu timida, cobrindo com a mão o riso, aquela seria a penultima imagem que teria dela.
A ultima seria ela se despedindo em seguida. Após a prisão não haveria encontro, não acreditavam em superstição.

Do vidro da viatura, ele olhava enquanto a imagem dela seguindo em sentido contrario diminuia até não ser possivel distinguir, o que era ela e o que era apenas poeira em seus olhos.
Um cigarro na boca, na cabeça uma ideia alegre, podia ser percebida pelo melancolico brilho infantil de seus olhos ao mesmo tempo contentes e inquietos. Suponho que devia pensar consigo mesmo naquele instante:


''Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. 
A minha alma não se contenta com havê-la perdido. 
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. 
O meu coração procura-a, ela não está comigo.''¹


Camarada Zé






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¹ Pablo Neruda.

domingo, 3 de novembro de 2013

Homem só

Ultimamente falo pouco, me resumo ao cordial bom dia, boa tarde e boa noite. No caminho até o trabalho fico olhando o sol nascendo na estrada, olho os outros carros, cuido em me calar cada dia mais. Pretendo um dia me comunicar com o silencio, inventar um abcedário do olhar, da supressão de sons.
Quando vem a hora do meu almoço, desço de escadas (seis lances de escada até a saída), almoço em um quiosque no canal dois, nada de muito extravagante, tenho me policiado a preferir a simplicidade. Enquanto almoço sinto o gosto de cada garfada, sem muita pressa, mas cuidando em não ser muito vagaroso também - se um criança aparece e comigo vem brincar ou assuntar, brinco e converso.
 Após o almoço leio um trecho do livro que escolhi para a semana ou vou andar pela ponta da praia, sozinho, roupa social, mas nunca e em ocasião alguma gravata.

Venho buscando anular as exclamações em minhas palavras, tenho evitado ser reticente também. Falo pouco, observo muito mais, prefiro curvas fechadas - acho que a vida consiste em observar. 
Ultimamente falo pouco, postura contemplativa. Quem me conhece de antes disso, pode me tomar por triste, mas com alguma calma posso responder de maneira resumida e fria:
-Estou em paz.

Ainda bebo doses cavalares de rum, meu baseado e tomo meu doce, me tranco no meu quarto coloco um Beatles ou um Dylan para tocar ou vou para algum bar simples, sem muitas pessoas onde o garçom eventualmente assunta sobre essa ou aquela cliente do outro dia ou da mesa ao lado. Tenho preferido a simplicidade, evitado discussões desnecessárias, aos poucos vou ensaiando a minha ausência. Como se fosse possível desaparecer aos poucos.

E isso não é nem de longe algo triste, isso é se entender melhor e não depender da opinião ou gosto alheio. Me sinto mais seguro para dizer algo para alguem, escolho a dedo com quem e quando sairei. A minha mesa é vazia por opção, os poucos amigos me garantem a segurança e a força que a amizade é capaz de nos nutrir.

Hoje consigo lembrar com exatidão meus sonhos, com o passar do tempo notei que a solidão os tornou mais interessantes, mesmo a angustia me garantiu algum charme feminino, sou capaz de me encantar com o meu reflexo e sentir pena do que fui no passado.

Sem grandes projetos, viver tem me bastado.


Filhote de genocida

A hora se antecipou,
o destino abriu fogo.

Crianças negras mortas,
filho de guarda,
DNA de estuprador.

As armas apontadas contra o povo,
a poesia vencerá a batalha.

Corte de cabelo estranho,
filhote mestiço de Adolf Hitler.

Animal alimentado de odio,
farda limpa, refeição repleta de sangue.

Eles vão chamar os pequenos agora,
se o heroi esta bebado, quem vingará?
Historia oficial, simio amestrado em torturar.
Ele não sabe falar em publico, ele não sabe cantar.

A praça esta guardada, mas a rua é do povo
como a historia é da classe operaria.

Ela sabe dançar, mas trocou o poeta
pelo filhote de genocida.




A nova democracia

Construiram uma torre, acima da cidade,
no ponto mais alto, onde se pode observar a dor urbana.

E então eu chamei alguns amigos para entenderem o que quero dizer:
Eu estou tão só, me sinto incosolavelmente sozinho.
Seus olhos de mar convulso, seu cheiro de manhã perfumada,
estavamos dormindo quando sua ideia tornou-se um plano.

Estou triste, mas sou isso.
Agora voce imagina o que diria,

no final acredito: o silencio bastaria.

Desço as escadas, evito o elevador,
tem jogo hoje na tv, na mesa um prato apenas agora.

Na hora que a noite veio se deitar,
seu sorriso já estava reclinado em outro abraço.

Ela está só:
Lago artificialmente construido para afagar o temor.

Enquanto subo cada escada agora,
a hora do adeus ecoa pelos corredores,
corrente pesada que desata o nó feliz.
Como se a cada degrau restasse menos do que sou
e me tornasse apenas recordação.

Acho que o nosso pecado,
foi não ter pecado o bastante.