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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Soneto da moça que sonhei noite passada

Ele veio hoje aqui
e me disse algumas coisas,
não eram ruins,
muito menos boas.

Eram coisas bobas
de homem apaixonado,
ele me dizia sempre no final
quero voce ao meu lado.

Hoje me senti pequena,
mas isso não era a parte ruim,
sequer parte do problema.

Ele me trouxe um papel
e nele leu uma poesia,
era sobre nós dois o poema.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O primeiro filme.

O primeiro filme:

Samuel havia chegado ao Brasil coisa de uma decada, a vida inteira não foi capaz de solapar seu sotaque carregado de estrangeiro (mas isso pouco importa agora). Samuel assistia pela segunda vez um filme projetado - a primera vez fora uma semana antes de partir de sua terra natal, embarcada numa guerra civil.

Daquela segunda vez, não estava mais junto de seus amigos brigadistas, agora tinha ao seu lado a moça mais bonita da cidade Aldenora.
Seu bigode preto e alinhado, seu terno escuro e o chapeu preto de homem da cidade, olha um pouco a tela, um pouco os olhos de Aldenora, no intervalo disso devia pensar:

Na primeira vez o medo e a coragem, junto da bravura juvenil, o fizeram desatento ao filme, afinal era o sentinela noturno da Brigada. Agora por fim, assistiria um filme, mas como se Aldenora era a moça mais linda da cidade?

Samuel, teve filhos e netos com Aldenora, se conheceram em Camocim-Ce, mas e se ele pelo tivesse prestado atenção no diabo daquele filme, será que eu estaria aqui contando essa historia?

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Canção radiofonica para quando ocorrer a hecatombe.

Ela esta atravessando a rua agora,
não costuma olhar para os lados.

Dia após dia,
ela acorda de uma noite
dentro da vespera de outra noite.

Agora voce entendeu:

Ela existe, realmente ela pode atravessar a rua agora.

Notará sua tristeza ao voltar,
ela e sua maquiagem forte de menina.

O verdadeiro amor existe?

Como nas canções, romances e series de TV?
Ela repara nos detalhes da camisa
que voce vestiu essa manhã.

E voce ainda não sabia,
mas ela lembrava de voce exatamente assim.

Descendo a rua, enquanto os habitos mudam,
em frente a loja de decoração,
recorda quando brincaram de inventar recordações,
nenhuma delas seria igual a essa, não é mesmo?

Na escadaria do Municipal,
no meio do patio do colegio...

Ela gosta de recordar,
mas só quando não tem voce por perto.

Olhos claros de moça perdida,
sorriso iluminado por um bilhão de lampadas.
Seu perfume de jasmim azul
e tudo que ela representou.

Pele dourada e macia como o sol numa manhã de Setembro.

E tudo o que eu psso dizer, são coisas ou palavras.
Mas enquanto ela repara a estampa da sua camisa,

por um instante é possivel cogitar um lugar,
onde o intervalo até aqui, não tivesse ocorrido.


Guerra Popular*

Acho que agora eles vestiram minha pele,
agora que eles vestiram minha pele.

Todas as pessoas são a mesma pessoa,
os grandes vultos festejam
a miseria nua de nosso tempo
expoem suas mentiras mais crueis

A propaganda oficial diz:
Nós somos a violencia.

Quando o conselho dos senhores se reuniu,
uma ágora liberal e anti-humana se instaurou

um deles levantou-se e ativou suas tropas de rua,
outro apenas declarou após matarem um trabalhador inocente:

Não é interessante que soldados sejam diplomados.
( Para o cão, basta o adestramento?)

Agora eles vão nos cobrir os rostos,
para que não sejamos mascarados.
Acho que entre o crime e a subversão
a violencia revolucionaria é uma especie linda de poesia.

E eu poderia ter saido de circulação,
faz pouco tempo desde a ultima investida,
quase capoto na volta pra casa.

Estou dizendo adeus, estou dando abraços,
não estou fazendo nada disso

Queria contar uma historia de amor,
mas faz um tempo vivo sonhando
com a chegada de uma guerra popular.

* cerco as cidades a partir do campo, teoria maoista.

Govinda fala ao 41°

Hoje acordei de muitos sonhos,
na orla do meu pensamento
a realidade colidiu feito mar tempestivo,
o que é concreto me fere e
é a base dos meus pés.

Disse um milhão de coisas:
Outras mil quis só pra mim.

Eu estou sempre dizendo muitas coisas.
Bem, tudo que precisa saber é isso:

enquanto tudo acontece,
guerras civis, resistencia armada
ao poder na periferia do mundo.
Enquanto o gado cospe o o futuro,
enquanto o homem miseravelmente
vive como um animal
e seu guia se farta
como um porco de farda.

Eu gostaria agora de escrever um poema de amor,
como todos os outros poemas de amor.
Mas a poesia não quer, minha vida não deixa.

Cabelos de criança cosmica,
teu sorriso me desequilibra feito radiação.
O brilho dourado de sua pele,
ondas de calor me perfurando os sonhos.
Seu perfume me angustia
como armas quimicas em Damasco.

Eu gostaria agora, poder escrever um poema de amor.
Eu gostaria agora, conseguir:
um poema de amor, um apenas
que não pareça politico!

Na assembleia trianual da organização mundial de suspiradores,
ao ler a defesa da minha corrente, pensei comigo enquanto dizia essas palavras:

A classe operaria tambem suspira.

Mulher
&
Homem.

Camarada Zé


domingo, 27 de outubro de 2013

26/27

Eu olho para o espelho,
dentro dos olhos
o medo

Entre os dedos o tempo,
ate pouco era Abril,

Já se passou Setembro
e agora é isso 26.

Eu olho pela estrada,
o vento entra pela janela
a maresia se anuncia e
é isso: poesia.

A noite se agarra com a vida,
em esquinas escuras trocam caricias.

Eu olho com medo,
escuto menos ainda.

Acho que é isso:

poesia é perigo.

triades

Sabe o que é? Acho que as vezes é só isso, a vida é boa, viver é genial, quando me acordarem de tudo isso, terei voce aqui novamente, deitada em meus braços, dormindo enquanto ficos olhando atraves do espelho.
Sei lá viu, acho que somos muito menores do que pode ser o tempo ou o espaço, quer dizer podemos percorrer um espaço em determinado tempo alcançando ou ultrapassando a velocidade da luz, talvez voce apenas esteja olhando para a janela.

Eu fico por aqui, me estendo, chego um pouco tarde da caminhada, olho o céu, somos menores que qualquer ponto de luz ou mesmo as estrelas que já se apagaram. pela janela eu olho:
Vejo o céu, as estrelas e a lua, pouco me importa a lua - onde Hefesto despeja seus entulhos. Escuto sua voz, dentro dos vãos da casa, seu cheiro, suas ideias e versos.

Mulher, sei lá, como se o sol cantasse um mantra, fico ali copo na mão, filme projetado no muro. Da janela eu olho, olho e penso, fico pensando...

isso não é sobre voce, acho que isso é sobre conversar com voce, vontade de te dizer um monte de coisas, não tem ideia como ando calado. e tenho lido jornais, ido em manifestações, assembleias e greves, tenho tomado conhecimento sobre a Siria - Impossivel não lembrar de Waly Salomão. 
Eu tenho vivido e pensado, entendido muito pouco, carregando comigo o fardo da duvida.

Nas tardes de verão enquanto chove, a condensação me faz pensar: qualquer coisa é boa quando não me faz apenas recheio de paisagem. Viver é genial, viver é otimo pois voces existem, a razão da vida fazer sentido é a mulher. Como se fossem metaforas do mundo.

As fases, os tempos e a maneira como faz a maquiagem. Eu fico de canto parado, vendo o tempo passar, viajando parado na poltrona do meu quarto ou na sala de criação, eu fico de canto e sinto acontecer. Os dias, as noites e o tempo todo e inteiro, acho que ficaria a vida inteira, me dedicando ao que me faz viver, vivendo pelo prazer do que dá vida - Viver é genial e a razão disso?
Mulher.

Eu olho as crianças, os parques e o final da tarde, acho que quase posso tocar o sol agora. olho meus dedos em um prisma de imagens, formam um leque. Eu ouço beatles no final e bem baixinho. Dá vontade de tomar sorvete ou comer pipoca.  
Eu estive em uma manifestação, sai bebi e voltei, voce ainda estava lá. Parece que ficou plantada, pilando a minha poesia, até parece que foi de proposito, ser tão cordial. 

Na margem do dia seguinte, levantarei, haverá apenas o mais sutil vestigio - sim voce esteve aqui.

Acho que ninguem entende, acho que é isso:

No final é bem por ai mesmo.




sábado, 26 de outubro de 2013

Jovem

Quando eu me sentia jovem
Me aprovem 
ou não
Me importava com o tudo, 
com o mudo, 
com o vão, a separação e a união
As cores eram muitas várias estações, 
não tinha predileções, 
só queria a mudança 
na razão e na emoção 
pelas andanças
Quando eu me sentia jovem
Me aprovem ou não
Queria ser completo,
 desperto, ativo 
e quando eu a via me via vivo, 
lutando no deserto
Quando eu me sentia jovem 
me aprovem,
 o que ainda lembro, 
de janeiro a dezembro,
 havia sol queimando no peito 
e medo dormia no leito
Quando eu me sentia jovem
Vejam só que ironia,
 não gostava de crianças,
 preferia angústias e esperanças, 
ao cultivo infantil
 da lembrança e da alegria
 Agora que não me sinto jovem
Ainda que me desaprovem
Não deixei de ver como via antes
Só que vejo detalhes cordiais ,
 opacos e brilhantes,
 e me apego nos instantes banais

Agora que não me sinto mais jovem 
sorrio do sorriso, 
sarcasmo do indeciso, 
viver efêmero e impreciso,
 faço com que os momentos me renovem

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Raio de sol

Dei pra sonhar, meu homem, mares e navios
do outro lado do atlantico ele deve estar...

Retornarei na vespera de sua data,
para uma rua qualquer, lugar onde posso ser encontrada.

Novamente e novamente ele estará por lá,
quieto com seu copo e cigarro, barba por fazer

e eu mulher de tantos outros homens e mulheres
vou voltar. Olhar seus olhos com meus olhos
fundindo pernas e desejos com o olhar.

Dei pra lembrar, ele e suas desventuras e esperanças
voz grave e sorriso de menino

Copo de rum e corpo rigido e peludo,
suor de maresia, canção-marulho.

Novamente e novamente vou voltar, dentro de horas estarei lá

Na vespera de sua data, muito antes e em hora inesperada,
para me calar no seu beijo ou impeto de qualquer palavra.

E se entre outras ou com amigos estiver,
palavra de mulher: 

Olhar seus olhos com meus olhos
apagando a dor com um olhar.

E ele pouco espera e quase já não crê,
mas sei bem como fazer, o que dizer e como amar.

Estive longe, distante entre outros homens
e ele olhava o mar...

Durma em paz, meu bom rapaz
e saiba:

vou voltar.

Desatinar as horas, falar fora de ordem, elogios, criticas e medos,
criando assim novas palavras de saudade sob o pretexto
que todo o amor nos separou, mas era só desejo.

Ele vai me olhar, atravessar a rua indo ao seu encontro,
feito a paisagem oceanica que sua saudade tantas vezes imaginou,

e vou mentir dizendo verdades,
dizer direi: senti saudades.
Vou inventar como desculpa algum amor.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Vigário

O vigário dorme encapuzado com seus medos,
ele parece em paz enquanto sonha,

delírio de verão, visões pudicas e claras paisagens.
Taça de vinho, pedaço de pão partilhado...

Seus filhos ao redor do que poderiam ter sido,
outra vida, novo horário, ele não sabe rezar.
A virgem que não pode desposar,
o amor que sua fé impediu.

Sinos ao entardecer,
um pecado confessado e recolhido

ao redor de sua dor os planos
e tudo que negou ao seu destino.

Torre de fé e ofertas, dízimos de outras eras,
enquanto o avental guarda sua batina

as vezes ele olha o altar
e dentro dele o estranho desejo

apenas medo

Pecados confessados e recolhidos
uma taça de vinho e o pão partilhado

suas ovelhas não sabem
mas o vigário castrou o destino.

domingo, 20 de outubro de 2013

Soneto Marciano para Venus

Lá onde Vulcano despeja os restos de suas forjas,
por mais prateada que possa ser, ali não repouso olhar.
Quer dizer quando repouso é nada mais restou fazer,
mas quero dizer: prefiro sua forma iluminada por teu sorriso solar.

Venus de ouro e pele, labios mornos pelo mar,
tua pele branca ao sol pegando cor.
As armas e todo o meu engenho, a barba, a fala e tudo que tenho,
se depõe expostas, falando do que me vejo capaz.

Repleto em vermelho e barba negra: como poderia falar de paz?
Medo e Panico guiam meus cavalos de marfim e calor,
na forja brava de quem pelo amor foi esquecido.

Musa solar, cabelos de luz, corpo de calor e misterio,
em tua alcova repousa minha ideia maior, sede e abrigo,
dentro do tempo, nas horas ao teu lado sou menino.

Carta de amor (um bilhete do deus Marte para a deusa Venus)

Estou legalmente ou diria ilegalmente, retardado novamente. Muito obrigado a todos, foi genial tomar um porre sozinho, pleno aniversario do poeta mais ''dor-de-corno'' da poesia brasileira dos ultimos tempos, vespera do aniversario de sei-la-quem, pois é minha gente existi sempre alguns aniversarios a comemorar e outros apenas beber, existe a festa e a dor ocasionalmente. 
Todo o resto é a vida, caso Buda esteja certo, na duvida sigo e procuro sentir como certo, realmente toda dor, vem do desejo de se sentir dor. e voce ai lendo isso agora e pensando, conto ou não conto.
Quer dizer voces, pensam isso, eu quero mesmo é um caminhão de som, gente na rua, te ver passar e chamar.
Cheguei em casa, sai novamente e voltei, tive que dar esse soco no meu figado, pra ver a recuada do mar, saber e sentir que daquele ponto passou, agora é agora.
A cidade é tão grande, existem tantos bares, eu te ensinei os melhores e voce me mostrou aqueles onde podia encontra-la, vai ver a gente se veja.
Andei afastado da nossa cidade, no centro só andei sozinho, de passagem ou em bares apenas, sem ninguem pra falar, comigo apenas e com as nossas lembranças, foi bom e não podemos negar.
Eu fui um pouco Lennon, voce parecia a Pamela Courson, juntos bebiamos como uma mistura de prostituta russa e judia em 1905 e uma versão tola de poeta encantado com o cinema mudo e a luta de classes, alem de tabaco, alcool e jogos no minimo atipicos.
Lembra como eu andava imponente ao seu lado, mas de toda gente que exista e nos tenha visto, sabem bem como ando arqueado apos tudo isso, cansado de festas, de noites, de aventuras profissionais perigosas no minimo, trotes, infiltrações e bebedeiras aleatorias. 
O laço pesa a mão que empunha, como um copo que exige equilibrio, o minimalismo de dedos que envolte manipular o amor tambem. As garras, os dentes e seu sorriso de carne, flor e sal (iva). enquanto percorro a estrada, ida e volta, o mesmo percurso, não importa se onibus, moto ou carro, repouso ali toda minha ideia, transformo os minutos em possiveis lembranças, imaginando recordações melhores, aquilo que eu devia ter feito, aqulo que no fundo eu tambem queria. 
Eu olho agora para o céu, não gosto de lua, prefiro pensar em seus cabelos flutuantes como o sol, agora devem estar ondulados como a luz. 
E agora?
Parece que tudo que voce precisa entender, só percebe depois, seu rosto enche os meus pulmões feito um mantra entoado por um guru.
Feliz Aniversario para voce que faz aniversario dia 20/10

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Só Gagarin poderia me entender (Canção Tropical com o pensamento em Olga Benario e Janis Joplin)

Acordo cedo e nunca faço a barba,
 acho que não dá tempo e fico assim.

Olhos de cão insone, sorriso de quem sonha e vive.

Teus olhos são sorrisos, sorriem como se tilintassem fogo,
chama espectral que torna o cigarro em fumaça apenas.
Tambem acorda cedo, nem mesmo a ressaca me faz odiar o sol,

te acho parecida com a noite, teus segredos parecem umidos e delicados,
confesso te suponho sempre, ideia que cogito enquanto as horas marcham.

No final é isso:
Um verso sobre nós dois,
nosso destino é a solidão, mortalha leve e florida
que tecemos e costuramos durante a vida.

Enquanto coço minha barba e mastigo limão e cebola juntos,
sinto descortinar no refeitorio junto a minha classe,
a sirene que anuncia: meu coração arquivo,
resolveu consultar o quanto pode inspira-lo.

Teu nome é bandeira e tua cor vermelha,
a revolução so pode ser uma mulher.

Te olho dentro de uma recordação,
só quero ser o teu igual.
Todo o resto, acho que posso entender
todo o resto faz sentido, pois voce cabe exatinho.

Enquanto a NSA, monitora conversas e perfis,
 sms, e-mail e pesquisas.

Eu olho o céu laranja de gases e chamas
e cantarolo marchinhas e cordões.
fumava meu cigarro, olhava pela janela:

Nosso erro:
Somos vistos como marginais.
Nossa virtude:
Somos de fato, marginais.

Eu passo do seu lado, percebo antes,
estamos no mesmo bar. Enceno a surpresa que ensaiei.

Mulher, voce não sabe o quanto me custa te chamar:
os nervos, neuronios e transpiração.
Tambem o figado é bem verdade, sonhos e planos tambem.

Eu gosto de me gastar,
estrago é pouco, voce pede celebração
tal qual fosse um bacante operaria.

Voce não sabe, se sente pouco musa, agora direi:

Voce é linda como um filhote de onça, iluminada como a calçada
de uma cidade operaria ao final de um turno, vila operaria...
Meus sonhos e ideias querem encontrar nos teus um dornitorio.

Repouso dos lugares que ainda verei ou sentirei.
Fique aqui, tua loucura é boa,
quero fazer do teu riso o emblema do meu partido,
que a minha classe saiba que conversei com eles atraves de teu amor.

A substancia ferruginosa dessa epoca denuncia uma queda eminente,
que a ruptura seja no minimo lembrada em meus versos

acho que somos sós, quase certeza.

Então é isso: uma inquietação,
quando te vejo é como se meu peito e sentimentos
brincassem de agitprop.

meu pensamento se tinge de lugares escuros,
subverter a moral, entreter o inferno inventando luxuria.

Isso é sobre nós dois e o fato:
morreremos sós.

Por isso o verso, gostaria de ser lembrado.
Voce é a musa do proletariado.

Um dia mesmo com os nossos telefones sendo grampeados,
vou te ligar para combinarmos algo.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Colisão

Sim, quer dizer: não!

Não houve colisão,
nem choque ou nada.

Ocorreu apenas
o desgaste natural
da palavra.

Agora, quer dizer
agora não sei

e pouco importa

do lado de dentro a porta
e tambem do lado de fora.

Sim, quero dizer: não!
Não há cristo que diga esse sermão,
não houve choque, sequer colisão
nada, nada.

Calei totalmente a palavra.

domingo, 13 de outubro de 2013

Soneto

Enquanto os olhos se fecham
e morfeu em carruagem de prata vem.
Traz consigo um halito novo, nova era
e com era de esperar fela pousa em suave nuvem.

Olhos que nunca ousei olhar,
ogivas negras em pele clara.
Sonhos que sonho, claro e
só em sonhos vem me visitar.

Se de subito acordo, um anjo comigo vem ter,
ao sono me devolve como ao abraço
pois só em sonhos posso ver

Ela que é linda, tão linda e em sonhos vem me ver,
ninfa onirica, lira noturna e iluminada que imagino,
em meus sonhos te sonho e nada diz, teu nome me falta saber.


sábado, 12 de outubro de 2013

Republica Inca

Seu olhar se encerrou diante do mar,
ao redor a cidade, por dentro as lembranças.
No bolso o bilhete, onde o destino pouco importa.
No final as serras e o sol.

Ela não sabe mais seu numero - nem precisa chamar.
Cabeleira loira, olhos vagos brilham, parecem apenas refletir
e se algum dia ela cogitar aquilo, acho que seria assim...
Seu olhar se encerrou diante do mar.

Enquanto isso, não saber é parte do jogo,
dificil perceber o quanto disso tudo esta presente,
desde a saudade e até mesmo o sorriso bobo.
Na capital de uma republica qualquer

Ela sabe que é mulher,
mas e ele onde pode estar?
Seu paradeiro se perdeu 
enquanto ela olhava o mar.

E quando acompanhada jura sincera e brava,
coisas que a noite sozinha vai negar.
Na capital de uma republica qualquer,
ela queria saber, onde ele esta.

Saia preta, batom vermelho, 
no espelho os dias passam toda manhã.
Ela é forte e um pouco triste a cada homem
pois sabe que toda esperança é vã.


Cocaina Ltda.

Duzentos e trinta e dois cavalos cercaram a cidade,
o filho do guarda está se enfeitando para o proximo genocidio
e enquanto as crianças rezam, preparo meu jantar.

Eles acham que meu cigarro acabou, mas apenas perdi o isqueiro.
Quanto tempo até que ela atrevesse o lago?

Estou olhando as estrelas, balões de oxigenio e um futuro cinza,
gás de cozinha pode vazar, pecados podem ser perdoados?

Londres vai nos esperar - ela repetiu enquanto rasgava o calcanhar.
Pague a proxima cerveja, cuide bem da pele,
apare a grama, eles sabem sobre nós agora.

A cidade é uma distração,
olhando para a minha dor, desenhei o medo

não era uma estrela, era apenas um balão,
ainda sim havia beleza - alguem disse.
Mesmo que fosse apenas ilusão.

seiscentos macacos alojados em barracas de campana,
sorriso de reintegração de posse e uniforme oficial de algoz.

Escudos enfileirados como pacotes de dor, desespero refem,
sonhos anulados, humanismo corporativo acho que é a vez...

Comprem uma nova genealogia, descartem a alegria.

É dificil não saber entender a razão de não ser entendido.
Ela chora pelo passado, o futuro foi seu sonho errado.

sábado, 5 de outubro de 2013

Giap

Giap, essa manhã em Hanoi
seus olhos se fecharam para sempre.

No coração dos povos, uma veia adormeceu,
ao dormir não morreu, pois não morre quem lutou.

As regiões alagadiças do Vietnam,
o intelectual que tornou-se quadro militar.

Não há tese, que conteste o povo,
nem há bala ou mordaça que cale isso.

Giap voce morreu, mas ainda agora
reside em nós, entre os povos como exemplo.

Teu riso facil e infantil, timido menino apesar do tempo.
Estrela vermelha, heroi camponês.

Hoje um heroi partiu, não é o fim da historia,
outras etapas virão, digo isso ciente:

Combateu o bom combate,
teu amor, ensinou o campones a se armar.