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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A musa da cidade

O sol está se pondo por volta das 18:10, faz um frio próprio de Agosto em um dia qualquer da semana. Estou esperando pela musa da cidade em um bar de quinta categoria, localizado em um bairro distante do centro.

Recebi uma ligação dela cerca de 5 minutos atrás. Dizia que estava a caminho e pedia desculpas pelo atraso.

(...)
Meu segundo copo de cuba libre chegava a mesa, quando vejo ela entrar pela meia-luz da entrada. Ao fundo um samba e ao redor nada alem daquele momento. Celular na mão, troca SMS com alguém ou verifica o Facebook.

Se aproxima e o riso na voz enquanto atendia a ligação, se transfigura em olhar e sorriso.
Sem cerimonia deixa as coisas na mesa e vai para a junkebox e só depois de selecionar algumas musicas, retorna, toma cadeira e copo.

A minha historia começa aqui:
Escuta só, qual o motivo de me chamar aqui? - Ela pergunta enquanto aproxima a mão em meu braço.
Sinto alem do frio (comum quando se tem o costume de acreditar em previsão do tempo), um ligeiro embaraço.

Sem chão algum, retiro meu gravador e bloco de notas do bolso, a caneta já estava a mesa (desenhar em guardanapos é um dos meus hobbies prediletos enquanto espero alguém).
Não sei se por sorte ou mera atribuição de seu titulo, seu telefone começa a tocar.

Ela lê no visor o nome e o numero e diz:
Só um instante! Acredito que seja um poeta social a me ligar!

... que conversa é essa de me investigar?
Quer dizer que fica perguntando por mim em reuniões?...

Ela sorri, desliga o celular. Respira profundamente e tenta retomar a conversa/tentativa de entrevista. Não consegue e desaba em convulsivo choro, enquanto diz as seguintes coisas:

E agora? Sabe esse cara tem me ligado quase todos os dias a essa hora, não nos conhecemos direito e ele fica falando cada coisa. Até acho ele um tipo interessante, mas é muito pegajoso sabe? Não é de fato alguem do teatro, imagina que há mais de um ano está escrevendo uma peça? Figura cômica que é, deu pra gritar meu nome junto de palavras de ordem, isso quando mão recita poesia. Sou a musa da cidade, entenda, mas inspiração tem limite e respeito é bom e todo mundo gosta... Entende isso?

Nesse momento estou apenas tentando entender tudo aquilo, tentando consola-la. Como se tivesse entendido tudo aquilo ou querendo de fato escuta-la, pedia que ela ficasse calma e me repetisse a historia.

Já era tarde, pouco havia se passado até ali e no relógio, mas antes mesmo dela começar novamente a falar, eu já estava certo.
Dentro de poucas horas eu estaria como aquele sujeito

A musa da cidade quando passa, desperta em qualquer forma de vida a vontade de ser poeta, tamanha angustia causa seu encanto. 

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