Aos comentaristas


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domingo, 29 de setembro de 2013

Falando um dialeto peculiar aos habitantes de Alfa-centauro

Quando ocorreu dos dois transarem, de fato transaram. Descer e subir escadas, elevadores e banheiros as vezes. Eram loucos, ele de fato era louco, isso acredito fazia com que ela ficasse assim perto dele - as vezes acho que era só felicidade mesmo. 

Os lençois no chão, junto do colchão pela varanda, isso é sobre dormir a tarde depois do almoço. A vida seguia feito bossa-nova, ressacas e enlaces. Quando ocorreu dos dois se encontrarem, não com a contração de musculos necessaria, mas quando ocorreu de se deitarem confessos, dispostos a qualquer pecado.

Ela gosta de beber, mas ela não quer beber. Ela vai ficando por ali, acho que é pra sempre ter ele por perto, a extensão unica de seus corpos em descoberta e prazer, decorando detalhes, deixando o acidente acontecer. 

O que ele pode dizer sobre isso:

E sabe, palavra de quem esteve por lá, ela é linda, terna, macia e iluminada como um pedaço do sol. Ela é como se pudesse existir uma peça universal para qualquer quebra-cabeça. ela cabe direitinho em qualquer parte do meu dia, as curvas da sua silhueta entalharam no meu olhar as dimensões de um sonho. Fique um pouco mais, vem um pouquinho apenas, te deixo em casa, tomamos café no centro, vamos beber e sei la...

As vezes penso que outros fatos são muito mais interessantes, o tempo humano correrá e não terei tido noticia do que realmente importou, voce me parecia mais importante. Agora eu olho tudo isso. 

Bem, voce sabe muito bem, ela sabe, ela sabe. No fim todo mundo quer se dar bem, ficar tranquilo e numa boa, te acho confortavel, não me importo em me gastar e partilhar todo o resto com voce.
A minha vida se encaixa em qualquer coisa, de todas as possibilidades, voce é aquela que me deixa mais feliz.

Eles se tocavam, ela se sentia com ele, ele apenas a sentia, suor, saliva e canção, vidros embaçando, olhos fechados, nervos aquecidos, calma temperatura quente, eles sabiam que o calor entre ambos, ela com ele, ele junto dela. Tudo as vezes parece um filme, qualquer desses romances baratos e com baixo orçamento.
Aquilo entre os dois, nos faz parecer o documentario lado b, que assistem em algum reality show no leste europeu - nenhuma alusão aqui a industria pornografica.

Eu poderia falar sobre ela aqui, mas resolvi falar sobre os dois, se eu falasse somente sobre ela, me acusariam de pregador da luxuria e encorajador do melhor dos esportes. Por que se é pra dizer alguma coisa, basta dizer que ela faz fazer sentido. Eu acho que ele era feliz com isso - nunca ouvi ele dizer, nessa epoca eu ja estava me calando mais, pouco riso e alguma severidade quase comica. 
Realmente acho que ele era feliz, não entendia o que era, achava que aquilo atrapalhava o seu caminho, depois percebeu que valeu cada noite, tenda, cama ou simplesmente ir assistir um filme bobo no cinema.

No final se isso aqui fosse um filme, caberia um cena boba qualquer, como ele dizendo alguma coisa idiota, repetitiva e panfletaria. 
Pessoas indo embora, um balcão no bar, uma corda e um jasmim violentamente picotado. 

Quando os dois se amaram, eu era ele, o vulto de um tempo pelo qual ela se apaixonou. O amor me tornava corajoso o bastante para não temer o fato de ficar meio aereo perto dela. 

Nostalgia é quando a sua vida é um lugar que as vezes sente saudade de um tempo. 
Quandos enfim transamos, o futuro me apareceu, como se fosse um slogan, era o teu nome na verdade sendo dito. Eu gostaria de me estender um pouco mais, falar sobre o Lago Vitoria e as percas-do-nilo, tantas coisas acontecendo e sei lá, falar sobre o Kundera, agora recomecei a ler o Gita. 

O jeito moça, é sabotar o cotidiano. Agora o problema é, quando estara disponivel?

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Caixa de correio

Produzindo nuvens
acima do céu cinza

por baixo da pele afetada.

Garota nós estamos altos
e o horizonte aparece um pouco
e parece com aquela visão estranha.

Abra sua caixa de correio,
acho que aquela musica era sobre isso.

A chuva não é bonita, o céu não possui beleza,
o céu é apenas o céu e a chuva apenas um rio suspenso.

Um lunatico saiu para a rua,
da minha janela olhei e vi,
enquanto apontava para o ceu
meus olhos se viciavam
em desenhar teu nome nas poças iluminadas.

Garota, eles podem entrar pela varanda,
me deixe ficar até o café.

Vai chover um pouco a noite
e quebrei meus oculos há tres anos atrás.

Nos livros uma desculpa,
para ser perdoado é necessario pecar,
a biblia é tão triste
a biblia é tão triste

Produzindo nuvens como uma chaminé,
desenhando sua silhueta com o que sobrou no cinzeiro.

Cantei uma canção com meus dedos,
descrevi nosso encontro com o alfabeto que sonhei.

Um Soneto para Neruda

Teus olhos já estavam fechados desde algum tempo,
da terra de teus calcanhares restava apenas o vestigio memorial.
Tua voz forte e ancestral era agora apenas o eco triste de uma lembrança.
O poeta do povo, o amante dos amores humanos,

A terra foi tua residencia e o sal do mar, os caracois e as carrancas.
Em tua voz muitas vozes se sentiram maiores,
como quando surpreendeu aos homens cinzas pela burocracia sovietica
com teu verso de argila, imaginação e calor.

Há 40 anos partias, não para a eternidade metafisica,
não para o paraiso imaginado pelo delirio coletivo.
Há 40 anos teu verso já cantado por todo o mundo,

deitava junto as estrelas e ondas que tuas metaforas tornaram humanas.
Em teu canto, canto com certa inocencia e despreparo
o meu canto ensaio em tua homenagem: Pablo Neruda poeta do povo.

sábado, 21 de setembro de 2013

Carta endereçada a possivel musa ( breve relato de dionisicas abordagens no jardim dos excessos e prazeres)

Todos os filmes juntos não seriam, o que seriamos. Percebe a dor que carrego? Sempre amarei mais, sempre amarei, nada alem disso e ai, que fazer?
Tivemos manhãs chuvosas essa semana, noites frias, vinho e desculpas, adiar o prazer, deixar o álbum rodar até a ultima faixa. Sabe o que é cruel? Você acabou de entrar, suspeito que encabeçará um top dez, você é o inicio de uma nova lista, dentro do meu mundo de listas, tenho medo, pois suponho, você como a principal.
Não há Jazz ou Blues, Samba ou Rock and Roll, moça você é a turnê que os meus nervos esperavam por muitas temporadas. 
Meu corpo flutua na anti-matéria, no instante entre o brilho e a explosão. Sou quadro antigo, sou musica nova, me sinto Cervantes prestes a encontrar quem o inspirou a criar Dulcineia, teu olhar é macio como a chuva de trezentos tigres doceis, teu olhar é iluminado como uma fabrica. Teu corpo é dourado feito a chama que a chaminé escarra nas noites mais escuras. Enquanto fuma ou aspira a saudade ancestral, meus olhos dançam ao teu redor buscando te ver em todos os ângulos.
Supõe que somos uma canção do Chico Buarque, eu sempre atrasado, desfeito e só, bêbado e quieto, desfilando na ala radical, supõe que tomamos o centro e é o teu nome que eu ouço, quero lutar pelo povo e a revolução parece contigo. 
Eu sinto alguma angustia, quando olho adiante, no horizonte vejo teu nome escrito. Você dança no meio do povo, bebe com os operários, com os bêbados consegue cantar, a praça é tua, margarida de sal, pétala insaciável de minha sede e calor. 
Eu tenho medo de muitos passos. Sabe moça, desculpa mesmo, mas fico aqui comigo e me basto, pode ser que não dure, pode ser que seja só comigo. 
Você se encaixaria na minha vida, nada se encaixa na minha vida. Eu olho o céu, as estrelas e tantas possibilidades e lugares, as vezes dá vontade de fugir com o circo. Alguma coisa me diz, que caso fuja, só me reste ser o palhaço, você seria o que tornaria meu riso mais cênico e menos real. 
A angustia me lança para um abismo chamado futuro, pela senda do destino percorro como quem se exibe, não temendo nada, sorrindo para a sorte e dançando meus tangos. Desculpe mas seria muito, tanto seria que até ali teria vivido para aquilo, acendo meu cigarro, tomo meu derradeiro copo, deixa que essa mesa eu pago, sigo agora o resto enfim, termina aqui, ultima e primeira vez. Sem querer pode ser que eu queria ficar, desabo e me destruo, me destituo de tão grande epopeia, não sou Homero para tanto, meu peito é frágil, delicado coração de poeta operário, gasto por álcool e tabago, repleto de outras paixões. 
Te-la comigo não seria então nada, tudo em mim se resume ao fato de querer ser teu.
Você sabe o que é isso mulher?

Um verso do Pedro

Andei duas quadras,
respirei e acendi um cigarro.
Não havia sorte nisso
e disso talvez não me lembrasse

não fosse perceber:
Dentro de algum momento lembrei.

luzes como o seu cabelo,
cachos e mechas claros
feito o sol.

Desdemona de minha mourice,
razão sertaneja por quem
desembanharia minha faca
armaria minhas armas
e outras pequenices

Meu peito e minha alma feito um só
só aguardavam a hora que enfim chegasse
te esperar foi meu messianismo.

o firmamento carrega dez moedas com teu nome escrito,
adiante do horizonte acharei isso,
conhecer voce era o meu destino.

Não há nada em meus bolsos ou casaco,
fez frio gravetos e cigarros,
mão suja de tocar a terra que te fez me chamar.

estendo os olhos e a sorte é pouca
quero te deixar se olhar

carta de netuno, pele de afrodite,
teu nome é praia e o teu reino é o mar
não há em mim o que não te acredite.

Por favor mais rum,
gelo, limão e aguardente.

Meu coração canta uma canção baixa,
suave como a lua
e triste como a cama solitaria

Não há mais amor,
acho que os tempos comeram meu peito,
deitaram dentro da noite.

Em mim faz festa o medo,
suave instante
que suponho  o depois
satisfeito o desejo.

Canto uma canção sobre o passado,
guio o olhar com pouco cuidado.

Moça é doce a vida
como é doce o teu beijo
tão desejado.

alcool

Miguel de Cervantes,
ilha seca, sem barcos ou mulas,
deserto ensolarado e sem agua
a vida quer beber a luz e
o tempo quer alguma sorte.

Por toda parte
o que se vê é dor,
som e arte.

Moinhos de vento e beleza,
teu olhar é claro,
vastos são os jardins que contigo cultivaria
tua pele é como o Sol
tudo que em voce olho,
só vejo poesia.

Gondula lunar,
quero embarcar contigo até a lua
feche as portas
depois do banho, toalha e perfume
quero te ver nua.

Até os jardins, rendas e papos,
mais e ai se de tão linda
perto de voce eu sou calado,

não há em mim poema ou rima
qualquer coisa que traduza a poesia
que é voce, musa solar
mulher do sol
luz ainda maioor que o dia..

Eu sou poeta ao menos dizem:
tenho fama de viver e amar,

meu poema é sempre uma mulher
e decidi:

vou te cantar.




sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Moça

Ela vai cantar uma canção,
deixa estar, eu vou seguir.

Atravesso a rua, seguindo até sumir
na esquina eu dobro e prometo não chorar
desacustumei a sentir

Não tem mais jeito
aqui dentro sequer o medo

Moça, eu fico no meu canto.
Cante sua canção, espero a vida no jardim

Folhas de luz, recortes do ideal
e então barcos partem no horizonte

Atras do olhar a luz inquieta o horizonte
e dentro dos olhos um inquieto sentimento
eu sinto a vida e sei do tempo

Moça, cante sua canção
e todo o resto eu guardo comigo

Anulo aneis e laços
guardo o que parece bonito

Sou quem insiste em si
e por muito insistir até aguardo.

Aviões e estrelas,
luas de oceanica visão

Atado ao nó que a musa desatou
cinema novo, futurismo e é muito pouco

Atraco a voz, embargo os barcos
rosto nublado pra não ver o sol.
Tenho comigo um pouco e sei lá

Meu erro é esse
nem todo abraço é lar.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Valsa Brechtiniana

Você vive feliz, por isso eu devo me concentrar na felicidade,
se algum dia nas ruas do centro até o mercado nos encontrarmos,
devo ter isso comigo, sentir essa tua alegria como fosse minha.

Afinal você agora é feliz, da minha amargura ou solidão,
não nascerá o pão que alimentara a classe operaria,
minha triste feição não denota amor ou a ausência do mesmo,
quem com a alegria do outro se ofende, amor não sente.

Por isso quando na multidão em marcha em outro partido te olhar,
você me olhará de sua brigada, eu te olharei da minha e seguiremos,
pois você é mulher, operaria e atriz,
eu o que sou? Poeta e agitador, algum dia quem sabe feliz.

Por isso se na fila do cinema com ele por mim você for vista,
estenderei a mão e desejarei toda a alegria.

Ainda é tempo de se ser humano e justo.
Afinal a paz é a cura do mundo.
Eu que ainda me emociono com cartas.
Eu que coleciono bilhetes e lembranças e cartas

Ainda choro com poemas, com poemas de amor,
poemas e palavras de ordem da classe operaria.

Para minha solidão eu respondo: a esperança ainda insiste.
Outro tempo virá e que os dias marchem
Se algum dia te encontrar, tenha certeza,
te estenderei um sorriso e palavras gentis.

O seu amor me ensinou a grandeza.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Para os Lunaticos

O Sol se põe
durante a noite
não passeia

e depondo acusa:
A poesia muito ocupada com a lua,
esqueceu o povo e ignora a rua.

Aviso aos navegantes

Galera, vou confessar algo para vcs, sou um cara que demonstra certa moderação politica, sou um cara de esquerda, porem um social-democrata que conversa e debate numa boa com liberais, sou um admirador do Brizola e do trabalhismo ingles e da social-democracia europeia, agora quer dizer, deixo transparecer isso.

Mas na real mesmo sou só um maoista querendo todo mundo com terno azul marinho, uma bicicleta e um exemplar do livro vermelho, quem não ficar feliz mandamos pra reeducação pra deixar de comportamento pequeno-burgues. Sim sou um radical de primeira especie, Ho Chi minh tem sido o meu poeta predileto.




Revista ''Cinica'' carta aos financiadores

Estou vendendo criticas negativas e positivas, voce me paga, diz contra ou a favor do que eu devo dizer, se devo ser caricato ou tornar tal objeto, ideia ou coisa. 

Faço release para musica que ainda não ouvi, dizendo que gostei ou não gostei, criticando as influencias ou o contrario disso tambem, da mesma maneira livros, lugares ou pessoas e suas opiniões, posso comprar a ideia de quem quer que seja como minha causa, lutar por ela ou contra ela.

Tambem posso desenhar sua bandeira, elaborar seus discursos, desde inaugurações e até mesmo para um funeral. Faço panfletos e ofereço as reinvindicações, fica ao seu criterio se serei o lider ou só mais um pensador. 

Carta Inicial ''Cinica"

domingo, 15 de setembro de 2013

Cinica

Tenho essa cara cínica,
ninguém nunca consegue dizer
se é elegância, indiferença ou acidente
esse olhar apagado
assim sem luz, descrente
de alguma ou nenhuma fé.

Em meio a todos,
sou solidão
mesmo quando comigo
está toda a gente.

Agora acendo um cigarro,
na fumaça tento adivinhar
um nome pela fumaça desenhado.
O truque desse turno
é apesar da atenção
nunca um nome ser adivinhado

Tomo meu copo,
engulo a dose e passo
cuspo e dou um trago no cigarro

Tenho essa cara cínica,
as vezes parece cara de poeta
as vezes não há poesia

Deito no sofá,
chego junto e fico lá
se me perguntam qualquer coisa
respondo normal,
se pergunto como vou
digo legal.

Evitando amores, evitando mulheres
no rescaldo da ressaca
digo minhas palavras

Tenho comigo essa cara cínica,
o meu cinismo pesa e arde

nele construí todo o engenho
do qual extraio minha arte.

Ando calado ( ou uma explicação)

Vivo como se vive e só,
sem gravata ou forca,
de qual das duas me restará o nó,
não sei e evito nisso pensar

Tenho comigo a voz,
me restou apenas isso agora sei,
falo pouco, muito pouco
antes de falar, agora respiro e penso
conto até três.

A solidão é o meu arranjo
e pouco sei, só sei bem pouco
e todo o resto é canto
arranjo e rimo, dou risada
no final da ultima palavra.

E muitos dizem que ando assim
por andar já fora de mim,
para esses aceno com a cabeça
e como quem reza o terço
teço qualquer comentário
assim como se meu humor estivesse ajustado.

Eu ando assim como quem vive só,
tento bem pouco fazer rir ou contar piada
para notarem meu descompasso
passo a vez e a palavra
fico de canto calado
ouvindo como se estivesse admirado.

Não quero crer em Dylan, Beatles ou o que for,
a nossa fé é mãe da esperança
e dos nossos medos o tutor

Por isso canto meu canto, não para falar de amor,
não para falar de todo o resto
todo o resto causa dor assim como o amor.

Vivo assim do mundo apartado,
pensamento distante e o sentimento guardado,
meu peito feito uma cidade
que na entrada exige cartaz de boas-vindas,
tem em si gravado uma poesia
nos versos pouco importa o que eu dizia

No final sou dor e soube disso toda a vida,
em cada verso me calo, em tudo uma ferida,
a placa do meu coração não é de boas-vindas.
Eu não tenho eu, na vida pouco quis para mim
em todo o resto quis ser seu.

Por isso ando calado, não por amores ou o mundo,
talvez e é bem certo estou assim por tudo.
Por isso moça de pele de sol e sal,
moça de olhos claros e sorriso capaz de iluminar a tudo
não me tome por anti-social ou o que for
você é linda e capaz de coisas lindas
e isso me deixa mudo.

Moça você parece o sol,
quando o sol parece poesia.

Pequeno verso

Morro de tua morte
e vivo de tua vida

entre tuas pernas 
residem:

Meu desejo
e poesia

Escoteiros

Tenho minhas duvidas quanto aos escoteiros, começo minha historia assim e já vou logo concordando com o meu amigo Nequinho: ''Não dá para passar temor ou respeito, quando se usa bermuda, meia soquete e sapato bege''.

Ditas tais palavras, recordo agora que em pleno domingo pela manhã, apos uma noitada e disposto a tomar um café da manhã messiânico - desses pesados e gordos, que apos ser comido, não se dorme por medo de ter uma indigestão - desci dois pontos de ônibus antes de casa, parando no supermercado próximo de casa (desses que ficam 24hrs abertos), já no estacionamento me sentia estranho, um calor me tomava o corpo, como se alguém me observasse.

Os olhos cansados de luz, gastos pelo neon, confusos fechavam-se por instantes ou apenas permaneciam abertos, esses olhos, os meus olhos, colidiam com uma imagem horrível...
Uma mini-van e dentro dela aqueles escoteiros risonhos e barulhentos, dessa vez apenas risonhos, o barulho originário e próprio dessa natureza de gente estava devidamente ou apropriadamente silenciado pelo isolamento acústico que as janelas fechadas da mini-van propiciavam. Mas o que importa e me atormentava é que eles estavam ali, não parados dentro da mini-van apenas, a mini-van circulava no estacionamento para o meu desespero, a desculpa mais aceitável seria que eles estavam procurando uma vaga para estacionar, mas espiões e perseguidores de toda especie sempre se galgam nos clichês, esperando amparar-se no conforto do senso comum do perseguido, afinal o que é isso meu jovem são apenas escoteiros, está sendo pensando por todo mundo que lê isso agora.

Sim, eles me observavam, de dentro da van, da mini-van... Notei que o motorista era apenas um fantoche deles, talvez o mais bobo, que apos tornar-se adulto foi promovido a chofer da turma, o líder realmente era o menino de espinhas e pela leitura labial percebi isso, notei que ele acusava os outros de terem roubado pão na casa dotal joão...

Passaram por mim duas vezes, antes que eu entrasse no supermercado, confesso que me senti intimidado, mas sou corajoso, porem prudente logicamente, entrei no supermercado, setor de frios, depois pão de forma e um pacotinho de chá, o restante pela memoria já haveria em casa, paguei por tudo, durante a fila olhei a playboy do mês e sai. Muito medo e prudencia durante todo esse processo de compras, que para os mais incautos pareceria simplório e indigno de qualquer menção aqui, contudo a escolha de cada um dos itens comprados para alem de me garantirem um café da manhã rico em nutrientes e capaz de me deixar em pé (por pelo menos mais algumas horas até o almoço), me garantiam também alguma camuflagem e proteção caso eles me capturassem, afinal o costume é desaparecer ao ir comprar cigarros, nunca ouvi ninguém dizer sobre algum fulano que foi comprar chá, torradas e frios e desapareceu - eles não estavam lidando com um amador, meu temor era que eles já soubessem disso.

Ao ensacar (ou seria ensacolar?) as compras, respirei fundo, e respondi com alguma polidez que não desava nota fiscal paulista, recebi meu troco, fiz um sinal da cruz como pedindo proteção, mas também para que caso eles estivessem me observando de longe pensassem que eu estava armado e arrumando para eles não perceberem. Já era tarde pensei, eles sabem com quem estão mexendo, sabem que não sou um amador, suspirei como quem sabe o seu final, dei alguns passos, peguei um cigarro no bolso acendi e segui...

A mini-van estava do lado de fora do supermercado, na rua que tomo para ir para casa, naquele momento fiquei pasmo, meu coração suava frio e retalhava com a lamina do medo o meu tecido intestinal, fazendo com que o meu espirito se transfigurasse em manteiga ou cabo-eleitoral de oposição em terra de coronel.
A cada passo ficava ainda mais tensa a situação, eles de fato sabiam e estavam dispostos a algo, o duro é que da maneira que a mini-van estava estacionada na rua, eu seria forçado a passar por ela. 

A minha sorte não é ser forte, isso não sou, pelo menos não no quesito físico, mas na coisa da inteligencia ou malicia, não sou páreo nem para o cara que escreveu a galinha pintadinha. Peguei o pacote com frios e o chá coloquei na barriga e fingi ser uma especie de mulher digna de ser atração de circo: barbada, com alargadores e ainda por cima gravida. Contava com o puritanismo deles, afinal em gente de circo não se deve bater, se forem ciganos, podem te jogar uma praga e praga de cigano ninguém quer.

Passei por eles, sem deixar que percebessem que os observava meticulosamente, fui me afastando, me afastando, quase sentindo a liberdade, quase em uma distancia segura para despista-los, na segunda esquina, na segunda esquina reparei que permaneciam parados, dobrei a rua com cautela e dei no pé correndo o máximo que pude. 

Dessa vez me safei, mas não dá pra confiar nesses escoteiros...

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Preciso me apaixonar!

Preciso me apaixonar novamente!

Não estou falando da falta que me faz o tão pop amor romântico, estou falando também disso, mas também estou falando de uma causa, de uma bandeira, de uma crença carnal e humana, dessas que de tão vibrante nos arrebata ao ponto de crermos em coisas como destino, futuro e poesia.

Preciso me apaixonar novamente.
 Olhar para frente e ver no horizonte umas cem mil coisas capazes de me fazer rir ou chorar, me emocionar, já faz mais de dois anos que não choro, vejo as coisas e fico com o choro guardado, se uma criança sorri, em resposta dou um riso frágil, quando estou a mesa do bar com amigos dou gargalhada, mas é muito pouco, preciso de algo maior.

Tenho a leve impressão que aos 25 anos, nas três estantes de livros do meu quarto se encontram os clássicos que já li e me ocorre pensar que esses já bastam, todo o resto é perfumaria.
Não sei mais, já faz um tempo o que é ser surpreendido com algo novo, tudo é releitura, tudo é pouco, nada me basta.

Preciso me apaixonar.
Por favor me deem conselhos, não vou seguir nenhum deles, mas não vai me custar muito fingir algum interesse em suas opiniões. 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A rainha só

A rainha é tão forte e só,
parece triste e quieta as vezes.

Ela quis alguém um dia
Ela quis alguém um dia

Seu vestido negro - mancha escura e solitária do palácio
Suas jóias, colares, coroa e posses - um sorriso sem brilho

Um poeta, um cavaleiro ou um nobre do reino rival.
Ela é tão só e dura consigo.
A rainha é tão forte e só.

E um dia acreditem...
Acreditem...
Um dia ela se apaixonou:
um poeta, um cavaleiro, clerico ou nobre de outra fé.

A rainha é tão forte e só,
ela é apenas uma mulher.

E os homens que prometeriam salvação
provavelmente seriam os mesmos que declaram guerra

Ela é tão linda, vestido de festa, salão e convenções sociais
Ela escuta sussurros e não sabe se sente medo ou se envaidece
Sem herdeiros e sem consorte

A rainha é tão forte e só,
um dia ela se apaixonou:
Um cavaleiro, quem sabe um poeta ou nobre de reino distante.
Seus olhos são cinza e ausência, nunca foi uma amante.

E os homens que prometeram salvação,
provavelmente são os mesmo que declarariam guerra.

Pelo átrio e através das horas,
passeia pela manhã acompanhada de seus medos.
Pequena mulher, linda mulher, triste mulher
ela é tão dura e calada:

quase se pode ouvir o peso de seus dias
enquanto tece junto ao sacerdote sua reza dominical.

Ela está tão só
e esse poema é sobre ser mulher
e esse poema é sobre ser mulher
e esse poema é sobre ser mulher

enxoval embolorado,
palácio de inverno e outras convenções

a vida parece a ante sala da espera,
ela aguarda a véspera do seu dia

E os mesmos homens que prometem salvação
são provavelmente os mesmos que declarariam guerra.







terça-feira, 10 de setembro de 2013

Acrostico Inquieto

Desde então não temos nos falado
pouco caso faço, na verdade finjo

Agora por exemplo não me calo e canto
poemas, canções, peças e retratos

Não quero com isso dizer ou me fazer ouvir,
sei que meu poema é raso e nada te faz sentir

Um mar de coisas deságua, seu nome é rio
e o meu de herói da tua terra ancestral

Bem que eu queria não querer escrever um verso assim,
sem rima alguma, sem sequer uma beleza razoável

Ignorando tudo e a natureza calma das palavras,
me agarro a liberdade e digo agora

Assim como quem diz e parte, rimo no final
afinal sou só saudade.

Terça-feira

A Terça-feira é pouca coisa
entre a mesma e a Sexta
algum tempo ainda há:

Quarta e Quinta
e só então

Beber, beber e conversar.

a Terça-feira é coisa alguma
entre ela e Sexta, uma pergunta:

O que fazer?

Beber na Augusta
ou no primeiro bar.

Sombra

Se meio milhão de soldados vierem a minha porta,
guardando consigo armas e perigos, nada me faria temer.
Meu peito firme e minha cabeça quente, não que seja o mais valente,
mas pode ter certeza, a esperança ainda vai me fazer

coisas que nenhum oficial ou burocrata, poderiam entender.
Cem mil rosas vermelhas cantam em coro o nosso segredo
mas não tenha medo. Meu amor é nosso e liberdade
mesmo bem guardada ainda não foi sufocada

Todos os dias vejo da janela, cores, perfumes e pessoas,
não é que a paz me doa, mas esse silencio me deixa desconsolado.
Só de saber por alto, que ser baixo não é coisa boa.

Se meio milhão de soldados vierem me prender,
fique tranquila e se esconda, pois não ha sombra
ou tortura capaz de me fazer dizer:

...

Santiago

Sigo só, 
que a hora é pouca 
e as ruas são frias.
Não tem poesia na lua,

não tem poesia nas estrelas.
Apenas o céu acima de nós
Desatenção: 
desata nós.

Na sala escura, antes da visita.
Só a escuridão
Só há escuridão

Não tem caminho certo,
sequer palavra exata.
Dentro de mim tudo me gasta.

Invasão Barbara

Passei por você quase agora,
mas é que ontem não tem mais tanto valor,

sem saber se foi o fim ou amor
ou só o desprezo

pouco importa agora o preço,
muito menos o que se podia supor

Há pouco passei por você,
parece que o passado já passou

Esperei minha vez na fila
e se agora fiz essa poesia
( passou, passei, acabou)

Agora eu sei,
antes eu desconhecia

você passou
já não é mais vida.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Poema para ser colocado no lugar de um retrato

Em meu coração agora repousa um retrato,
faz frio, meu rum, faz frio.

Traga um pouco de limão

Algumas mulheres são cronicas,
você é poesia.

Sorriso iluminado feito uma manhã ao sul,
teus olhos são negros, metáfora da noite
e dos astros que teus ancestrais tão bem sabiam ler.

Minha visão se transfigura em altar,
o cristal dos meus olhos
parecem ícones quando lembram de sua beleza.

Meus músculos e nervos dizem
reza ou suplica:

teu nome e teu corpo.

Teu beijo não sei ainda como é,
mas sei bem

tão logo eu saiba de seu beijo
pouco me importarão o mundo ou o universo
todo o resto é pouco
frente a tua boca
( rosa do meu desejo)




quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Aceite as migalhas (forca)

Isso mesmo aceite as migalhas!
Havia te oferecido o mundo.

Mesa de bar, meu cigarro forte
e o meu olhar ( todo o resto: detalhes)

Pouco importa minha lira,
pouco importa a luta de classes agora
e pouco importa a porta
por onde passei sozinho aquela noite.

Aceite as migalhas
(espero que saiba)

A solidão é o açoite
de quem por qualquer fato
se nega a amar o amor.

Aceite as migalhas,
não me chame no meio do povo,

não me diga sobre estar só
teu truque foi me dar corda,

só agora percebi,
que o mundo é louco
e a vida é pouca

Aceite as migalhas,
me negue seu amor,

voce seria a minha forca.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Relato do que consegui ler (coisas que constavam na primeira pagina de um jornal)

E certa tarde dormi. Em sonho tive uma visão, os fatos aqui narrados foram apenas visões e posteriores analises do que vi, não possuem uma proporção de analise mistica, junguiana ou freudiana. Sou tão somente um poeta e um jornalista, dentro do mesmo corpo moreno e franzino, me desculpem:

Lembro que era uma tarde quente e o sol brilhava, todo o dia até ali, figurava como um passado próximo, o delírio em si, parecia real pois por parecer ocorrer em clima e lugar igual ao qual adormecer naquela tarde, conferia a toda a sequencia alguma realidade.

Segue o relato:

Ao recobrar, uma forte luz ofusca meu olhar. Uma voz como emergindo da luz se estende e diz tais palavras, ao decorrer delas, vejo a criatura e é como uma criança latina, meio criança e meio beija-flor:

Olhe bem, tudo o que verá agora, diante de você, todas as cenas de bem adiante, não caberá a voce dize-las  se próximas ou distantes. Cruzará a rua e junto a meu anuncio verá, portanto levanta-te e seque!

Ao levantar e seguir, tomei o rumo de um caminho de tijolos, cheguei junto a um portão e ao cruza-lo ouvi uma voz igual.
Ela apenas dizia isso e todo o resto ocorreu assim:

Agora te será revelado o que tua ansiedade poderá causar, não apenas a tua, como a de todos os ansiosos.

A criança ascendeu ao céu e tudo ocorreu assim em minha visão.

Segui a rua até o momento em que a rua tornou-se porto. Embarquei junto de uma canoa e foi exatamente assim que eu vi:

A praia onde minha embarcação amanheceu, era de solida e clara areia, como se fosse possível que um tempo ou espaço, paisagem  se tornassem com minha visão ainda mais claros. Agora eu sei, eram apenas visões noturnas.

Da praia o sol eram teus olhos, da mesma cor, calor e luz, tão solar quanto noturno, teu olho é brilho, luz e calor e cores claras, caras as vezes ao sol. Então segui até a calçada, estrada, rua até a esquina. Seu cheiro não era o perfume, mas a vontade de sentir teu cheiro...

Até a primeira paralela segui, depois disso, olhem só.
 Havia um bar, ali bebi, comprei o jornal e pronunciarei o texto que li em uma manchete, como se eu houvesse repousado até aquele instante.

Uma boa parte de nós havia morrido, outra parte queriam matar, no futuro e até onde for fora do alcance quem sabe onde será. alguns poucos de nós, dentre eles eu, te verei e então...
Sabe moça, eu fui covarde, mas é que agora eu decidi ser o herói, no ultimo tempo te guardar, não de outros, mas de você mesma. Ao seu lado não sei, acho que sou um pouco você.

Ao ler essas paginas no jornal não sabia, se estava louco ou se apenas lia por conveniência.
Já era um fato você fazia parte do meu sonho, no exato instante que minha mente decidiu que deveria ser um delírio.
Nas paginas seguintes todos os detalhes. Como por exemplo eu me precipitei ao atingir aquele sacerdote catolico com um machado, por exemplo matar aquele lider espirita e escritor de auto-ajuda no lugar de apenas ter escrito uma canção de amor, peças de teatros.
Pois é eu sei meu sonho é sobre acreditar que um dia serei Mao Tse Tung...
Navalhas, laminas, guerras e longas marchas, carceres úmidos e jornais pouco importantes noticiando o que acontecerá comigo. De lá eu digo, como foi, mas direi em versos, todo o resto pouco importa, a grade, a janela ou a porta, gradeada, cercada, emparedada não importa a porta, pouco importa, os muros, ruas, cercas e cercados.

Sou tolo, me percebo tolo ao ler nos próximos parágrafos.
A primeira vez que fui avistado, estava junto a outros hominídeos, resistindo dentro de um prédio, lá fora fardas e consciências corrompidas nos aguardavam com ódio e fúria. Em minhas mãos haviam facas, uma minha e a outra para cravar no peito da farda mais próxima.
O futuro se anunciava no´céu, me dizendo:

Seja bravo e torne-se imortal, cante canções, seja o bardo.
Com minhas mãos, ódio e loucura, peguei em armas, facas, telefones, cadeiras e garrafas. Lutei contra tudo, rosto coberto, barba, riso e voz diferente. Eu sou poeta.
Pera um pouco!
Acho que não sou!

Quero dizer é que depois de você, moça. Depois de você não sei direito, mas todo o resto me parece sonho. Acho que é isso.
Depois de tudo, você é tão real que até parece profecia ou poesia!
Seus olhos começam a chorar, meus olhos querem ficar ali e durante todo o percurso depois se perderão ao recordarem daquele instante. Não tenho medo do que virá, apenas acho lindo meu passado. Sou saudade.

No final escrevi tudo isso, para dizer, escuta só isso, você é um delírio, fico a tua espera a cada instante.

Escuta 07 de Setembro tem mais, acho que eles não querem o meu sonho.Não deixarei que haja golpe ou coisa assim. 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A musa da cidade

O sol está se pondo por volta das 18:10, faz um frio próprio de Agosto em um dia qualquer da semana. Estou esperando pela musa da cidade em um bar de quinta categoria, localizado em um bairro distante do centro.

Recebi uma ligação dela cerca de 5 minutos atrás. Dizia que estava a caminho e pedia desculpas pelo atraso.

(...)
Meu segundo copo de cuba libre chegava a mesa, quando vejo ela entrar pela meia-luz da entrada. Ao fundo um samba e ao redor nada alem daquele momento. Celular na mão, troca SMS com alguém ou verifica o Facebook.

Se aproxima e o riso na voz enquanto atendia a ligação, se transfigura em olhar e sorriso.
Sem cerimonia deixa as coisas na mesa e vai para a junkebox e só depois de selecionar algumas musicas, retorna, toma cadeira e copo.

A minha historia começa aqui:
Escuta só, qual o motivo de me chamar aqui? - Ela pergunta enquanto aproxima a mão em meu braço.
Sinto alem do frio (comum quando se tem o costume de acreditar em previsão do tempo), um ligeiro embaraço.

Sem chão algum, retiro meu gravador e bloco de notas do bolso, a caneta já estava a mesa (desenhar em guardanapos é um dos meus hobbies prediletos enquanto espero alguém).
Não sei se por sorte ou mera atribuição de seu titulo, seu telefone começa a tocar.

Ela lê no visor o nome e o numero e diz:
Só um instante! Acredito que seja um poeta social a me ligar!

... que conversa é essa de me investigar?
Quer dizer que fica perguntando por mim em reuniões?...

Ela sorri, desliga o celular. Respira profundamente e tenta retomar a conversa/tentativa de entrevista. Não consegue e desaba em convulsivo choro, enquanto diz as seguintes coisas:

E agora? Sabe esse cara tem me ligado quase todos os dias a essa hora, não nos conhecemos direito e ele fica falando cada coisa. Até acho ele um tipo interessante, mas é muito pegajoso sabe? Não é de fato alguem do teatro, imagina que há mais de um ano está escrevendo uma peça? Figura cômica que é, deu pra gritar meu nome junto de palavras de ordem, isso quando mão recita poesia. Sou a musa da cidade, entenda, mas inspiração tem limite e respeito é bom e todo mundo gosta... Entende isso?

Nesse momento estou apenas tentando entender tudo aquilo, tentando consola-la. Como se tivesse entendido tudo aquilo ou querendo de fato escuta-la, pedia que ela ficasse calma e me repetisse a historia.

Já era tarde, pouco havia se passado até ali e no relógio, mas antes mesmo dela começar novamente a falar, eu já estava certo.
Dentro de poucas horas eu estaria como aquele sujeito

A musa da cidade quando passa, desperta em qualquer forma de vida a vontade de ser poeta, tamanha angustia causa seu encanto.