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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Sem Café da Manhã

Ele chegará tarde da noite, cansado de tudo até ali, cansado de tudo - exceto daqueles seis meses. Tem quem acredite nas suas desculpas. Ela não vai acreditar dessa vez, ela inclusive agora sabe, durante um tempo foi uma dessas desculpas.

E ai meu amigo, pode chorar tudo, ele chorou... A mocinha dessa historia, não é do tipo que prepara café da manhã, leva pra cama e diz um submisso: Bom Dia... A garota é mais do tipo: 
''Cheguei um pouco antes de você, se cobre mais e amanhã nos falamos.''

E se de tanto tédio, somos capazes de explodir. Ele sabe disso e já entendeu que aquela pequena, não queria mais ser sua, foi cansando de ser de alguém, se tocando mais e percebendo cada vez mais que se pertencer é muito melhor e faz mais sentido... 
Se a morte é a explosão da vida, ela não queria explodir por aquilo.

Ele chegou tarde, dessa vez não havia:
''Cheguei um pouco antes de você, se cobre mais e amanhã nos falamos.''
Sequer de outra moça ouviria no dia seguinte:
Bom Dia...

Ela foi juntando as coisas, aos poucos arrumando o que era dela
(recolheu o porta-retrato em vidro e prata - deixou em algum canto a foto.)

Ele não havia percebido ainda, não de uma maneira real e impactante, sentia o amargo na boca, como se seu figado já o estivesse avisando desde o começo. Ela não estava lá, não estaria mais lá, ela que antes de ser anulada, era uma pessoa, passível de apaixona-lo, ela que o cotidiano (a casa, as festas em família e os feriados em casa) havia tornado para ele - nada, que não apenas uma curadora de seu hall de mediocridades. 

Ele se deitou com essa dor, abstraiu a ausência dela no inicio, depois insistiu em culpa-la, seria doloroso saber que não houveram culpados, não é?

Meu amigo... 

Aqueles olhos claros, aquela pele bronzeada e o sorriso do inicio... Como ela era linda, como ela ainda é linda e só agora deu pra perceber. E ai a gente fica mudo, começa a andar de canto, tornar-se figura constante em mesa de bar. Ela era linda, sempre foi e não importa muito agora, devia ter importado antes.
Nosso amigo vai acordar, olhar no espelho do banheiro e perceber só uma escova.

Na bagunça dos dias, ela tornou-se parte do mobiliário. Aos poucos foi desaparecendo, era domingo por volta do meio-dia, quando ela deu por si, os vestidos e os sapatos mandaria buscar (já não eram tantos), para os livros mandaria alguma amiga. Levou consigo... Ele não soube precisar em exato o que foi, desconhecia o que era dela, dele apenas a bagunça (a bagunça soterrava todo o restante).

Amanhã ele chegará mais tarde, tarde demais talvez... Mas é bem certo:
Seu erro foi sempre se atrasar.

Um dia a gente explode, vai se deixando levar e ai explode, afinal a morte é a explosão da vida. Ela cansou, não queria explodir ainda, não por aquilo. Saiu... 
Quando ela descobriu que era gente, achou melhor ser livre e decidiu ser dela.



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