Aos comentaristas


Devido uma avalanche de comentarios torpes e não identificados, decidimos que só aceitaremos comentarios devidamente identificados e que não contenham mensagens ofensivas, alias se comentar e se identificar, serão permitidas as ofensas. Quem quer debater, tem que ter coragem de se mostrar para que o debate ou critica seja fdemocratico! Okay cara palida?

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Acabou ( fim da poesia)

Acabou tudo
não tem mais poesia
sou covarde

não sou heroi
não sou poeta

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Convite lirico-politico para um sábado bacana

Moça e agora?
Na Síria eles matam crianças com armas químicas,
tem gente perguntando por você, ainda bem
agora sei esta tudo bem...

E o gás que eles inalam não é como o daqui,
não causa só choro, queima e mata.
Em Fortaleza, capital do primeiro estado 
a abolir a escravidão, 
antes mesmo que todo o império,
no Ceará...

filhos da elite mais branca, tradicional e conservadora,
portadores do gene da hipocrisia e racismo,
hoje em Fortaleza uma estudante cuspiu em um medico negro,
o medico era cubano e junto de outros cubanos também médicos
foi recebido em um lugar
por um corredor polonês de vaias, 
ofensas e ameaças de agressão.

Moça hoje na mataram crianças na Índia
( fome, casta e capitalismo)

Você esta triste ainda,
sei disso, te vi hoje saudar o sol.

Tenho o que dizer,
mas diante de você 
não sei
não sei

Sinto e me guardo,
mas eu quero dizer.
língua inquieta na boca não sabe
mas sinto 
pés e corpo e o frio não sabem,
neles sei, 
permeado por eles sinto.

Quero sair com você sábado próximo,
não sei muito,
mas acho que devíamos nos ver esse sábado

Cinema, Teatro ou mesa,
passar um tempo contigo
te escutar mais.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Seu coração é curto como uma canção
meu amor é pequeno como o dia...

Não me deixe perder o que é meu,
não me deixe perder o que não pode ser seu

A poesia como um piano,
o piano como uma canção

Sentir isso agora é magico

a festa apenas começou
e estou amando tudo

seu sonho é sonho
seu delirio quando chama meu nome é solidão

Todo o resto é poesia
o que vier depois é canção.


Meu verso quer dizer seu nome,
mas seu nome é programação

Meu agente diz diga outro nome
mas seu nome eu digo
como quem diz não

todo poema é solidão
seu nome é a minha canção.









Ink Stain

Um dia ela sorriu.
Não lembro da porta abrindo, sequer da porta fechando, ela partiu como chegou e eu estou aqui contando um ano depois. Aquela voz feminina e suave, aquele bar na Vila Madalena... Outra estação, exposição, fila e atraso.

Hoje faz um ano que virei samba, agora nem sei como contar...
Pois bem, a proposta aqui era publicar por um período relatos de outros, mas hoje publicarei como me tornei um samba:

Eu apenas estava ali, mesa só minha a espera dela, não sabia que a mesa estava a espera dela. Não sou o protótipo de Noel Rosa, desculpe pequena, mas sou um cara apenas e se o seu samba achou na minha vida algum verso capaz de inspiração, quem sabe se sou mais canção que a sua vida ou ao menos sua vida até ali achou ser canção.

Você cantou na minha mesa, sorriu com a minha timidez e se divertiu quando gaguejei. Meu terno chinês de Mao Tse Tung, meu jeito quieto de aguardar até a ultima musica (ir naquele camarim)...

Abertas as portas, o que posso dizer?
Um dia ela sorriu e fiquei lá... Acho que fiquei por muito tempo lá. Tempo o bastante para todo mundo perceber que já não era mais desejado. Não sou Noel Rosa, ainda te mandaria rosas, ainda te dedicaria poemas, a verdade é que ainda te dedico todos os meus poemas e peças.

Nao importa muito se agora ou depois de antes, o depois que é o agora, não importa. eu te liguei em Coimbra, você estava em trás dos montes... Fumarei.

Cante " O Ultimo Desejo'', diga meu nome, estou triste e acho que em abril estarei ai... Não haverá Louise para me socorrer, Carla não direi seu nome. Corte de cabelo limpo, sabonete higienizado, Argélia me espere.
Ainda te amo, Noel Rosa ainda te ama.

Colocarei meu antigo fardão e voce não me notará, tenho dupla cidadania, dois nomes um em cada documento, cançõ de adeus, canção de adeus...
Forjarei seus papeis de fuga e as desculpas mais aceitaveis se sua filha for uma ariana.

Um dia voce me disse que eu parecia Noel Rosa, chorei depois que te beijei, se que outros choraram. Carla Londres e toda a europa sabe seu nome.




segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O Sol

O sol nada sabe
sei bem pouco
menos que sol - é certo.

Um fato é um fato e então:

O que foi agora
adiante pode ser canção.

Um vestido amarelo
ou um sorriso de luz e sal

o sol sobre ser sol pouco sabe
cabe ao sol ser sol

Ser sol
não é apenas isso

O vicio da luz corroi o dia
invade a casa e palpita

O sol é luz,
mas já me confessou:

queria ser poesia.

Verso sem Volta

Você me diz que está triste
e disso entendo um pouco

Escuto você e me dói o seu choro,
pouco ou nada em mim resiste

Você me diz que está tão triste,
só queria te chamar pra dar uma volta
te olhar nos olhos e ficar te ouvindo.

Você de fato esta triste,
a lua tem suas fases e o sol e a tempestade

Moça, pare agora e leia
sinto saudade.

O que passou, passou.
Não há volta ou sossego
no que nos desassossega
Por isso você e eu,
bem só queria te ouvir mais

Voce esta triste,
não sei se adiantaria algo

queria te ouvir.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

escura.

A estrela, a lua e a noite giram
dentro do verso como cogumelos,
céu de veludo, carpete das minhas ideias.

O vinho alimenta e o rum abre o apetite,
no bar como no mar. A vida é questão de sorte

Na maré convulsiva das noites,
a sorte feito onda vem, cresce e quebra.

Não há morte, sorte ou amar,
na outra rua, outro bairro ou cidade vizinha.
Em outro planeta, outras estrelas,
agora lembra?

O tempo há de compor canções
e cantarei enquanto a vida brinca
e nos acampa em cercanias diversas.

Chega de conversa ou reza,
mulher não sei muito agora

olho o céu, a lua e o resto
seu sorriso. Que posso dizer?

Verso que sopra rimado,
tua hora é minha hora
e
é agora.

Mar construído com tua sobra,
hora que tarda e falha e tarda
teus olhos que são?

Pele queimada, olhos claros e profundos,
rasos olhos de onde vaza a luz e o calor.

Tua hora é minha hora
quando te abraço, a pele macia imagino
guardada em tecido, úmida e fresca

Rosa nervosa e perfumada, simbolo da anunciação.
Teu porte, guarda a proporção de uma colmeia,
zumbe em toda tua extensão o meu desejo e ideia.

Cabelos de fogo e vento,
dia luminoso contado por cada riso.

Já devia ter um filho meu sabia?

As minhas velas são da mesma textura que o vento,
sopram e são sopradas.
Com o dia a tua luz e com as noites noitadas.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Vale a pena ler até o final

Eu sou de um lugar gelado, as vezes faz sol em mim,
tem sempre festa a noite, as vezes sou meu único convidado.
Não sei o que isso faz de mim, o que seria?

2000 anos coberto por outras ruas,
repleto de panfletos, folhetins e poesia.

Não quer ser a pequena.
Sou isso, isso quer dizer?

E onde moro quando o sol se deita,
ainda há uma tocha cupida
pelas chaminés da fabrica.

Enquanto um rio percorre a Europa,
por nações traça as fronteiras.

Sei,
estou em voga, talvez no Volga
sou papo corrente reprisando
e por você represado.

Não te quero minha,
como um Mar Negro
onde se esquece de ser rio.

Não te quero minha,
quero ser o céu
e que a chuva nos una.

Um cravo atado ao peito,
fardão imperial e outras excentricidades.

Numa boa eu queria ser teu
e em todo canto você fosse apenas você,
quanto a mim: aquele que é teu.

Sou de um lugar antigo,
as vezes me acho parecido com o meu passado.
Quando sai o sol, as nuvens parecem travesseiros,
o céu azul cama recheada de sonhos.

As vezes me pareço com a alegria. Não tenho riso fácil.
Com uma canção que você gostou, atado o nó
ao sul. Sem qualquer distração, tudo pode ser fantástico!

Uma sala e o chá, a varanda e o jardim...
Uma poesia, um exercício.

Quero passar contigo em revista
as fileiras da poesia.

E quando o tempo e o espaço nos tiverem arranjado
de homem e homem marcharem juntos,
sem classes, sem opressão ou fronteiras

Quero contigo passar em revista a fileira da poesia,
dos versos que agitarão o futuro.
 O futuro ainda mais belo, sequer o verso é capaz de cantar,
quero contigo a poesia disso tudo.

Quero contigo a vez da liberdade,
caso não chegue tão logo.
Quero ao teu lado lutar.

Pense no poema-barricada,
na poesia-munição
disparar com minucia projetos de revolução
ou apenas lutar, plantar ou resistir.

Olha só moça, não moro muito longe, queria mesmo te ver mais, gosto do seu papo, sua voz forte e suas explosões.

A geografia da minha métrica
precisa da sensatez de seus métodos
te quero como a rima quer o verso,

você e eu 
( musica)

Venho de um lugar tão perto, as vezes pareço distante
outras vezes só estou recordando:
seu perfume e o cheiro do seu cabelo.

E quando cai a noite no meu bairro
é como se todo o espaço viesse em bofetadas
me dizer do tempo.

Em um letreiro de tragédia e quartzo verde
Meus dedos soletram cegos o anuncio:

''Assalto politico: São Petersburgo''
Novo Cinema Russo

Nunca será minha pequena!

A razão é bem simples:
quero ser teu.

Das Kapital

Não adianta pedir um conselho agora...
Joaquim costumava repetir isso enquanto via as coisas darem errado. No fundo a pior miséria de Joaquim era sempre estar certo. Só uma vez errou, todos acertaram ao pedir seu conselho - no fundo ele acreditava que não iam ouvi-lo.

Joaquim, sua mesa sempre vazia, seu copo com algo forte e o cigarro no bolso. Ele sempre tem mais que um plano de fuga, por dentro espera algum dia se exilar.

Quando atravessa uma rua se sente quase um Beatle... Usa chapéu as vezes, terno e calça jeans. Parece desaparecido politico, ativista ou personagem de filme Noir. Joaquim ama Roberto, mas Roberto é de outra organização, Joaquim não possui organização mas sente que é errado sentir aquilo por Roberto. As vezes enquanto dorme sonha com revoluções, antes de dormir lê algum capitulo daquele livro alemão, pensa, anota, liga a TV e adormece.

No fundo ele sente, saber até sabe, mas ele sente muito mais.

Não adianta pedir um conselho agora...
Repetia ao percorrer o trajeto de sua casa até a casa de Gabriela. Seus pés eram enganados pela memoria, seu pensamento queria ir ver Roberto.
Pouco importava Gabriela... Aquela pele bronzeada, aqueles cabelos queimados de sol e os passos um pouco afetados por outras bebedeiras, aquele vestidinho solto...

Vi Gabriela poucas vezes, sempre pergunto por ela, tem olhos felinos, não sei se azuis ou verdes. Ela não tem medidas de revista ou modos frescos, nada disso importa, quando ela sorri é como se dois pássaros voassem livres e ela fosse um horizonte.

Mesmo que houvesse uma festa, ataque nuclear ou uma simples proposta de open bar barato, não haveria Gabriela ou equação que resolvesse.

Não adianta pedir um conselho agora...
Sabia a resposta e muito longe e depois de algum tempo entendeu:
Roberto foi seu grande amor.

Faço meus votos que os dois se reencontrem. Peço como sinal de boa paz:
Joaquim libera ai o telefone dessa Gabriela rapaz!


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

F.I.P.P.S.

Deixo aqui em vida o meu mais profundo desejo.

Após minha morte, criem uma Fundação Igor para o Progresso  da Poesia Social. Deixarei aqui algumas orientações quanto a politica, funcionamento e razão para tal instituição:

Politica:
p1. Viabilizar uma poesia que também possa ser dita em protestos ou em bilhetes para um amor, pode também ser usada para ameaçar a burguesia, atacar a policia e mandar para a mulher amada.
Quem se achar a vontade também pode ligar no meio da noite e dize-la num misto de sarau ou pé do ouvido ou teatro de arena e sintoma de síndrome do panico.

p2. Trazer para a poesia a linguagem da fabrica, levar até a fabrica o lirismo, tornar mais detalhadas e metafóricas as cantadas de pedreiro.
Chega de fiu-fiu! Queremos uma orquestra de musica e liberdade!

p3. Tornar a poesia um cartaz, um vírus, infiltrar poesia no humor, na musica e onde for possível, trazer a poesia para algumas linguagens (todas possíveis e existentes).

Funcionamento:
Promoção de eventos e concursos literários e artísticos.
Exposições
permanentes e itinerantes

Biblioteca
contendo a maior coleção das minhas obras e suas respectivas traduções e versões.

Sala de Musica
Um ambiente com um daqueles pianos de escola, com um bar sempre aberto por sinal
Onde uma vez por ano, haverá um festival em outubro, só com covers de bandas que eu gostava, musicas inspiradas em minha obra ou cantada por alguma inspiração.

Jardim do Chá
Um ambiente com muitos cravos vermelhos, brancos e dentes de leão, também uma pequena arena, onde aconteceriam concursos de improvisação e saraus

Cripta Teatral
(Onde por sinal gostaria que meus restos repousassem no palco)
A Cripta Teatral deve ser um espaço ou coexista o meu memorial e uma sala de teatro, para pequenos públicos.

Razão:
p1. Criar um colegiado onde todas as minhas musas presidam, mostrando assim que o amor é a liberdade total.
p2. Promover a poesia social, incentivar as artes e apoiar o artista popular
p3. Infelizmente não poderei ver, afinal já estarei morto. Promover a maior confusão do mundo ao promover o encontro, convívio e a partilha entre tanta mulher!

PSI: Sei que pode ser que isso demore ainda muito e estou cada vez mais inclinado a crer nisso. Em caso de não possuírem quem o tenha devidamente impresso ou assinado, deixo aqui Patricia Gonzaga como curadora e reitora vitalicia dessa instituição e fiel guardiã de minha ultima vontade. 

PSII: Nunca deixem por meu nome em Cidade, nome só em praça e de preferencia bem próxima do mar.

Desde já
Muito Grato
E verde-amarelo é o caralho!

Sem Café da Manhã

Ele chegará tarde da noite, cansado de tudo até ali, cansado de tudo - exceto daqueles seis meses. Tem quem acredite nas suas desculpas. Ela não vai acreditar dessa vez, ela inclusive agora sabe, durante um tempo foi uma dessas desculpas.

E ai meu amigo, pode chorar tudo, ele chorou... A mocinha dessa historia, não é do tipo que prepara café da manhã, leva pra cama e diz um submisso: Bom Dia... A garota é mais do tipo: 
''Cheguei um pouco antes de você, se cobre mais e amanhã nos falamos.''

E se de tanto tédio, somos capazes de explodir. Ele sabe disso e já entendeu que aquela pequena, não queria mais ser sua, foi cansando de ser de alguém, se tocando mais e percebendo cada vez mais que se pertencer é muito melhor e faz mais sentido... 
Se a morte é a explosão da vida, ela não queria explodir por aquilo.

Ele chegou tarde, dessa vez não havia:
''Cheguei um pouco antes de você, se cobre mais e amanhã nos falamos.''
Sequer de outra moça ouviria no dia seguinte:
Bom Dia...

Ela foi juntando as coisas, aos poucos arrumando o que era dela
(recolheu o porta-retrato em vidro e prata - deixou em algum canto a foto.)

Ele não havia percebido ainda, não de uma maneira real e impactante, sentia o amargo na boca, como se seu figado já o estivesse avisando desde o começo. Ela não estava lá, não estaria mais lá, ela que antes de ser anulada, era uma pessoa, passível de apaixona-lo, ela que o cotidiano (a casa, as festas em família e os feriados em casa) havia tornado para ele - nada, que não apenas uma curadora de seu hall de mediocridades. 

Ele se deitou com essa dor, abstraiu a ausência dela no inicio, depois insistiu em culpa-la, seria doloroso saber que não houveram culpados, não é?

Meu amigo... 

Aqueles olhos claros, aquela pele bronzeada e o sorriso do inicio... Como ela era linda, como ela ainda é linda e só agora deu pra perceber. E ai a gente fica mudo, começa a andar de canto, tornar-se figura constante em mesa de bar. Ela era linda, sempre foi e não importa muito agora, devia ter importado antes.
Nosso amigo vai acordar, olhar no espelho do banheiro e perceber só uma escova.

Na bagunça dos dias, ela tornou-se parte do mobiliário. Aos poucos foi desaparecendo, era domingo por volta do meio-dia, quando ela deu por si, os vestidos e os sapatos mandaria buscar (já não eram tantos), para os livros mandaria alguma amiga. Levou consigo... Ele não soube precisar em exato o que foi, desconhecia o que era dela, dele apenas a bagunça (a bagunça soterrava todo o restante).

Amanhã ele chegará mais tarde, tarde demais talvez... Mas é bem certo:
Seu erro foi sempre se atrasar.

Um dia a gente explode, vai se deixando levar e ai explode, afinal a morte é a explosão da vida. Ela cansou, não queria explodir ainda, não por aquilo. Saiu... 
Quando ela descobriu que era gente, achou melhor ser livre e decidiu ser dela.



terça-feira, 20 de agosto de 2013

Não tem

Tanto pra dizer
e eu digo:
Nada

Meu silencio pesa tanto,
mas aprendi a me calar

Herói?
Herói não tem...

Tanta gente e ai?
Acho que vou ver o jogo
ou passear se fizer sol,

desculpe domingo,
mas não sou muito mesa e almoçar

Estrada, campo ou mar
desculpa ai ô meu!
Sem essa de seu ou meu
e se quer mesmo saber

Herói?
Herói não tem.

Também não existe mais dor,
salvação ou poesia pra quê?

Tudo é doença, sangue e produto
tudo não basta
e as vezes
sequer cabe na palavra tudo

Herói?
Herói, não tem mais...

Solar

O céu azul recua as nuvens
para ouvir o sol cantar

A luz que os dias tempera
e o calor que é só o tempo a se broonzear

a vida para, coloca os olho na cara
se estende e se gasta...

Parques, lagos e cinema,
deixo as filas para quem tem filha
e não sabe que horas ela voltará.

O dia é luminoso, a tarde é uma esperança,
sem perguntas ou tarefas...  Quero ser Dionisio.

O sol é forte e grande,
dentro dele cabe o céu
e tudo que até agora pensei ou vou pensar

O sol faz o céu recuar as nuvens, azul e todo pulmão
deita no peito o sol, feito condecoração.

O sol é a luz
O céu a lupa
Somos as formigas a correr


Um monte de palavras

A gente sempre pensa que o adeus será amanhã (ou que foi ontem). Mas isso já aconteceu em algum ponto do mês ou do ano passado. Mas fique bem tranquilo, dia desses daqui um ano ou dois, dentro daquele casaco que você nem lembrava, um papel dobrado no bolso oculto. Um desejo, anotação qualquer ou um recibo do cinema.
Buenos Aires sempre estará lá, os postais que sempre se convertem em marca-pagina também, todos exceto aqueles... Esses vão aparecendo ao longo do tempo, dentro livros, para fazer lembrar muito mais que qualquer fotografia de casal.
E a magica disso não está na alegria que vivemos ao lado de alguém, a magica disso tudo é exatamente a capacidade gananciosa de errarmos, só porque é um exercício saboroso reaprender tudo novamente.

As vezes penso nisso...
No final acho que sou só a mão acenando, só percebo muito depois, que estava lá e nunca vou saber quando tudo aconteceu. Do pouco que entendi, do muito que estou certo me foi ensinado, bem pouco ensinei e acho que tudo isso é sobre recuar ou seguir.
Enquanto eu recuo, a vida segue. Sempre haverão tardes de sol, laguinho e passeios. Em algum momento estávamos lá. Só hoje percebi, eu sempre estive sozinho.

Não vai adiantar muito confessar o quanto fui machista e possessivo com algumas, até torna-las objetos, até me tornar apenas um proprietário, usuário e manipulador mental. Não vai adiantar confessar que com outras fui o devasso, beberrão e gênio incompreendido, até me tornar uma especie de Lennon paranoico ou Maiakovski sem sentido algum. Não vai adiantar, já passou, passei por isso e deixei essas partes em algum lugar no caminho.

Liberdade, tudo que precisava entender, saber que isso significa amor. Agora os sonhos de familia, mais tarde todo o futuro planejado, podem remover as manchas, guardem o lençol, desfaçam o enxoval!
Doem as pratas, os dedos já estão carbonizados pela rotina!

Todos os dias acordo e chicoteio essa coisa de ser homem em uma sociedade baseada nisso.

Guardo comigo uma serie de coisas, costumo chama-las de historia, tem quem diga que são apenas lembranças.
Guardo comigo o adeus, não sei se algum dia serei capaz de dizer, sem tempo para o medo, nos resta a dor, só dá tempo de viver uma vez.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Verso Abraço

Sei bem pouco das coisas,
desconfio de boa parte da vida.

Mas quando te vi, fiquei sabendo
e era como se o sol fosse uma brasa
e todo o resto pouco ou nada

por traz dos seu olhos
iluminado prisma se chamava o olhar.

Pouco sei, sei mesmo quase nada,
teu beijo é doce como a plavra doce
e doce e quente como a palavra tempestade.

Mas agora não é isso que quero dizer.

Essa noite quero um verso escrito e calado
quente e tentacular como um abraço

Moça, queria ser meu verso
meu verso deseja estar ao seu lado.

Sem Lugar

Eu tentei matar um homem, mas ele era o cara errado
e acho que esse sujeito tem muito comigo
quando ele passa pelo espelho, chama-se meu reflexo.
Eu tentei matar um homem, percebi que ele era eu.

O tempo quis devolver meus beijos,
me neguei a trocar sorrisos com qualquer lembrança.
Eu tentei matar um homem, quando atendi era ela,
acho que foi engano. Sei lá, eu tentei matar o errado.

Agora ela deveria estar sorrindo, dançaríamos...
Estou em muitos lugares existem poucas saidas,
começo a perceber:

Não há lugar
É simples:
Não há lugar.


terça-feira, 13 de agosto de 2013

Cerveja nunca é o bastante

Estão dizendo que vai acabar,
recolhem da prateleira
e guardam o que foi reservado.

Acho que é isso.

Andei duas mil noites,
deitei nos labios da tarde
que assobiava como o vento
enquanto era apenas chuva.
Acho que era isso sim?

Desço a rua e olho o mundo,
comprei algo para jantar

Estou só,

feito o céu que gira
e todo o resto ao redor.

Cachimbo

Abri a porta, olhei por todos os cantos,
quando voltei, era como se não houvesse vivido ali,
pouco, quase nada havia de mim,
quando voltei.

Abri a porta e não haviam os discos,
as escadas todas já não existiam,
a dor nos meus joelhos era de outras coisas,
talvez já sem mim.

Quando voltei, havia a mala pronta,
suspenso um intervalo
entre quando a fiz

para partir
para voltar.

Acho que o trovão partiu o teto,
da cozinha dá pra ver na mesa.
O que escorre da TV até o sofá

Agora mais um prato
e a pergunta é:

E durante tudo
quantos outros houveram?

Quando voltei, pouco importa agora
mas recordo que o sorriso veio estendido
a boca da tarde nos engolia dentro do abraço,
a ternura feito uma criança cantava aos nossos ouvidos
algo que agora sei, tornou-se a canção que perdi.
Quando voltei, o instante floriu beijos e no enredo
 das horas quis ser poesia, dor ou só choro,
acho que lembro pouco daquela tarde,
bem pouco, arrisco dizer. Afinal
dentro de um par de olhos,
meus olhos se fecharam
e só queria dizer:
respira.

                    Como se nunca 
            agora sei
                        A vida
girassol no quintal, cravo vermelho no paletó de Camarada Mao
agora o intervalo é maior, pois entre voce e o que virá, o que virá
                                                                                                                                                  será a vida.
O tempo é uma equação
com mais espaço a cuca explode
e recria algo capaz de explicar

Quando voltei, achei teus braços
custou um pouco
mas percebi que não era ali que iria me encontrar

razão reinou,
a paixão foi pro exilio,
restou a poesia que naufragou na saudade
.
Eu fiquei aqui,
existe muito de mim em tudo
e bem pouco onde está voce.






Breve Perfil de Pedro

Qual a flor?
Copo de leite,
esperem um pouco pensando bem,
acho que o nome é dente de leão.

E a cor, qual a cor?
As vezes verde,
depois disso quase sempre vermelho
e por que não as vezes branco?

Um heroi?
Os que eu crio ou os que ja se foram,
pouco importa, tanta faz,
anseio por um tempo sem herois
onde só figure a paz.

E o poema?
Esse suspeito seja viuvo.

Desde quando?
Desde muito,
mas só agora descobriu,
a poesia morreu.

E a musica?
A canção ficou louca,
a rima desapareceu
e o ritmo ficou
              ficou
              ficou
Até se perderem
                         as palavras.

E a mulher o que é?
O poema-radiografico,
emanando ondas de calor
e oxigenando os pulmões,
a mulher não sei,
sei bem pouco,
apenas desconfio saber.

E o Circo que tal o circo?
Magico, cigana e contorcionista,
roubar o espelho da mulher barbada,
fugir e fugir,
o circo é quando a praça ou o terreno baldio
torna-se centro e as luzes e a lona,
o céu mais lindo que o céu
com estrelas de 220w!

Que tal o tempo?
Disso não falo,
me chamo Pedro,
sou o relampago
ou pelo menos sua voz.

E os amigos?
Não sento a mesa com covardes,
sinto saudades de um tempo
de amor e luta,
palavras de ordem contra a ordem.
Sinto a crueza seca e falsa da realidade.

E a morte?
Um sono eterno,
no salão do horizonte,
até a guerra,
só os valentes,
acho que apos a morte,
dormirei ate a revolução.

E o Messias o que acha?
Um otimo mico de plateia,
caso não seja, hão de torna-lo.
Qual infeliz a fama de um homem
ao correr nas linguas da mediocridade.

E voce o que?
Eu me chamo Pedro,
gosto de dentes de leão,
palmeirense e solitario,
amigo do bar,
amante da humanidade
e as vezes sei lá.
Já amei algumas mulheres,
já estive em acidente de carro,
fui em festas que não lembro
e suspeito:

Ainda não vivi o muito,
mas tenho bebido o bastante.

domingo, 11 de agosto de 2013

Pai

Dentro do céu, os olhos experientes 
gastos de sorrir e olhar
(acho que nunca chorou)

sua voz forte,
inspirou minha aspera,

contigo aprendi a tomar cuidados
contigo aprendi uma centena de coisas
e ainda as aprendo a todo instante

Pai eu pensei que seria facil,
voce tentou avisar,

conforta saber,
dói menos perceber

Comigo tenho um pouco de voce,
meu sorriso um dia se gasta,
meu olhar vai deixar um dia
de ser só perdição.

Voce me ensinou o amor e a força,
entendi a sua sombra e carinho:

O amor humaniza, por isso é subversão.


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Janelinha moura

Tarde fria, manhã passada eu te procurei,
folhas secas na calçada, pela janela as pessoas na rua são vistas.
Desliguei a TV, acendi um cigarro, acho que não era isso,
pensei comigo e tentei sair, já era tarde, lá fora os postes...

Dentro de tudo a avenida cortando minhas arterias,
um disco qualquer, quatro rapazes operarios...

Sou meu, somos nossos, quem vai entender?
Sem jogos agora...
Tarde fria de agosto, teu nome esconde o som do passado,
não estou tão só, em meu canto canta comigo a solidão.

Um cartaz sorri, promocional demais,
feliz demais, colorido ao gosto do fregues,
enquanto isso o sol, parece ter partido,
acima do ceu, nuvens feito um silencio
nos entregam e vem dizer:

Dentro de um livro qualquer estou,
não há tempo para o amor,
atravessarei a rua, não direi nada

estilhaço de vidro e lembranças.

Sem sol e ao sul,
no continente esquecido,
monitorados por qualquer agencia de inteligencia estrangeira,

do para-peito suspeito e olho,
vejo gente branca, preta e humana,
o mundo em movimento e a vida assim
seguindo a brincadeira.

Sem tempo para o medo
acho que agora é com a gente

desde o inicio a rua dizia,
mas insistiamos em ver na solidão alguma poesia,

Acho que a agora a multidão deixou claro,
não há amor sem povo ou revolução,

todo o resto é invenção,
pois então cantarei:

Meu partido é a imaginação.

sábado, 3 de agosto de 2013

Até logo

Eles vão te barbear e escovar ate o ultimo suspiro,
gravata frouxa ou camisa desabotoada
seu sonho é um pedaço do do sou,

preciso ser o heroi da minha classe,
minha classe de homens, na cidade e pela fabrica forjada,
rostos amargos e de possivel,

tenho em miim isso,
sabor oriental, moscou é onde estamos,
somos Siberia ou qualquer canto ao leste.
China, Albania ou Vietnã ou Camboja que seja...

Me faz sorrir,
não me faz sorrir,

nada sofre ou ri,
tudo em mim se vai com a pressa
e a natureza propria de quem quer ir.

sou eu dizendo adeus
e aiinda sou eu
quando é ate logo.


Luz e Sentido

Estou feliz, queria estar perdido,
até ser nada e com o nada estar,
ondas de silencio e cor
me banham enquanto me iluminam.

Seu sorriso é como um anjo devidindo coisas,
me faz querer a vida feito cinema,
cinema feito fosse minha vida

e eu me sinto em tudo e agora.
Pedro é tudo que sou

pedro é o que me devora,
quase que eu digo agora,
nome dessa mulher.

Quero olhar as ruas, saber por onde passarei,
a vida parece ser mais que uma sequencia de fins de semana.