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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Rosa de Canudo

Já faz alguns dias...

Foi na Sexta-feira, a vida acontecia lá fora, terno ingles, justo e preto, cabelo desalinhado, vermelho nos olhos, na boca as marcas da bebedeira na noite anterior, assim eu me encontrava, desatento, sem zelo algum com minha figura, fazendo a tipica cena de desajustado. Meu onibus chega, enquanto me atrapalho procurando meu bilhete, deparo com ela...
Estava ali, logo a minha frente, vestia casaca cinza escuro, meias femininas pretas, saia (preta e plinçada) e blusa floral rosa com lacinhos desenhados e bordados, sapatilhas vermelhas. Ela lia algo, não sei do que se tratava, lia atenta, não o bastante para reparar que eu estava ali; suponho. Ela usava cabelos loiros dessa vez, olhos grandes, imensos e negros, feito uma fotografia do Caspio emoldurada pela maquiagem escura e carregada, os labios pequenos, delicadamente abraçados por um batom vermelho.
Com que pressa achei meu bilhete, corri e cortei fila para sentar proximo a ela. Tanto fiz que consegui, sentei perto, entre eu e ela, apenas o corredor. Em vão procurei em minha cabeça, algum assunto para puxar, alguma opinião a esmo sobre o que ela lia. Entre tantos assuntos, razões ou saidas, apenas lembrei e ai meus caros consiste a natureza eficaz do metodo cientifico e aritimetico, afinal se tudo é uma equação, que fazer senão aumentar as possibilidades? Lembrei que desde a ultima vez que a vi, resolv confeccionar uma flor de canudos e guardar nos bolsos de meus casacos, talvez por sorte ou mais provavel pelo frio que fazia (14º), estava com um casaco ali.
Mas o que dizer? Como dizer? Como evitar aquela cara boba ou aquela voz titubeante?
Já fazia um bom tempo desde que a havia visto pela ultima vez, era ela, isso era fato, não ocnfundiria ela co nenhuma outra, parece aquelas modelos dos quadros do Edward Hopper.
Havia me decidido por esperar, reparar nela, tentar ler em suas ações mais intimas algum sinal de abertura ou para uma possivel aproximação, havia apenas esquecido, como sou ruim em primeiros contatos, contudo não fui descuidado, logo lembrei desse meu velho habito de não ser bom nisso sempre.
Fone nos ouvidos, pelos fones Beatles, Oasis, Beatles, Lennon, Oasis, Harrison e Amy... Esperei até que ela se preparasse para descer no ponto onde costuma descer. Com todo o cuidado, cuidei em procurar a rosa que fiz para ela, olhei por alguns minutos a rosa, no descuido as vezes olhava para ela, as vezes com a impressão de que ela tambem de alguma maneira estava me observando.
O tempo havia passado, seu ponto estava proximo, mais duas quadras e ela desceria, o onibus subiu a rua dela, ela guardou o que lia, ajeitou o cabelo, com algum cuidado se levantou, me olhou de canto. Fingi procurar algo, em seguida segurei seu braço, ela me olhou.

Moça, você esqueceu isso!
( Eu disse e a olhei, sorrindo inquieto)

Ela me olhou, sorriu. Olhou por um instante para a rosa que a entreguei, abaixou os olhos, sorriu novamente, dessa vez com uma notavel vergonha.

É seu! Fiz para você...
(Eu disse, querendo observar com mais detalhes a sua reação, mas paralisado por aquele momento)

Ela sorriu novamente, apertou o botão com uma mão, com a outra segurava a rosa, apenas isso consegui observar, quis e tentei me levantar para ver a reação dela ao descer da lotação.
Depois daquele momento, naquele instante, queria saber:
Como me mordo em ansiedade e supondo, será que ela apenas guardou a rosa e seguiu? Será que guardou com algum cuidado ou apenas por guardar? Ou será que ela atravessou a rua deserta de um bairro operario as 22;30hrs, olhando minha flor e sorrindo ou supondo qualquer coisa?
Mas no final de quase tudo que já me consome, politica, poesia, economia e dinheiro, duas coisas ainda me consomem mais. O que fazer da proxima vez que ve-la e se ela toparia um cinema ou parque Domingo a tarde?
Pois é... 

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