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terça-feira, 23 de julho de 2013

Poema Lirico-politico

Em noites como essa (chuvosa e fria),
onde meus pensamentos margeiam beijos e caricias
da mulher amada, que agora esta distante em outro estado da federação,

em noites como essa onde o frio vem e me possui
dizendo lentamente sobre coisas como a saudade,

olho para a chaminé da fabrica que amarela e incendeia o céu noturno,
penso ainda uma vez mais na mulher amada e
então em um breve e retalhante momento paro e tento pensar em outras coisas
como o céu azul turquesa da chapada e no que ela esta pensando agora.

Leio o jornais e me indigno e então me vem a pergunta:
Onde está Amarildo?

Amarildo tinha 47 anos,
morava em uma favela, como dezenas de favelas
em uma metropole que talhada em berço esplendido,
não liga muito, finge não ver

mas muito, muito alem do som do mar e da luz do céu profundo,
Amarildo é um desaparecido de um país chamado Rocinha,
onde a democracia da zona sul vem alistar,
seus garis, operadores de telemarckting, pedreiros e office-boys,

segundo consta Amarildo foi preso aos 17 anos,
motivo: furto.

Não sei se Amarildo tinha pai, certo é que ele era pai,
negro e favelado, consta que foi institucionalizado,
recorreu ao crime na juventude, mas depois seguiu a vida como operario,

a patria zona sul nunca foi uma mãe gentil para ele,
a ultima vez que desfrutou do serviço publico
foi na noite do ultimo domingo,

o Bope entrou em sua viela cuspindo fogo,
Amarildo negro como muitos negros,

para o policial mestiço,
tinha a cor e o tipo social do inimigo,
Amarildo, foi capturado e levado em uma viatura

desde lá ninguem sabe,
mas agora a Rocinha quer saber.

Amarildo, não sei por onde anda,
não sei se voce era vascaino ou flamenguista,
se jogava no bicho ou só tomava uma cerveja depois da obra.

Não sei Amarildo, não sei se ainda esta vivo,
suspeito que não.

No asfalto a bala é de borracha,
tem quem pague advogado
e recorra ao artigo 5º da Constituição

Amarildo em uma noite como essa chuvosa e fria,
minha poesia que ultimamente só sabe dizer: Saudade.

Minha poesia parou um pouco com o lirismo
pois na favela,
a bala do capitão do mato moderno é de verdade,

rasga a carne pobre e preta, dilacera a esperança de esposas e filhos,
voce tinha 47 anos, era preto e favelado,
pouco importa para o estado,
pouco importa, afinal Amarildo
entre o estado e o pais paralelo,
pobre e lindo chamado Rocinha
um conflito desde a abolição foi declarado

Para policia pobre ou preto não é nada senão
só mais um alvo.

Amarildo, eu queria não precisar dizer seu nome,
queria não perguntar por onde voce deve estar,

no fundo eu sei e todos sabem,
seus olhos, musculos e sorriso foram apagados.

Em noites como essa eu penso na mulher amada,
seu corpo branco e rigido, lindo e sensivel,
como são as mulheres que sorriem apaixonadas,

meu coração não sabe direito se por desespero ou solidão,
se pelo beijo ou pela noite fria e chuvosa,
em noites como essa queria estar ao lado dela,

mas ela está longe, longe em outro estado.

Meu coração vermelho e louco soletra o nome dela,
os beijos beijam as lembranças e o desejo,

mas se dela cesso um instante desejar,
ao mesmo céu chuvoso e frio estendo os olhos
com firmeza e um pouco triste,

Semana que vem ela retorna.

Mas Amarildo não mais existe,
já não pode retornar,

no asfalto a bala é de borracha,
na favela, assim como foi no Quilombo
a bala é de verdade,

Amarildo, sua companheira e filhos
serão eternamente saudade.










Um comentário:

Reginaldo Fernandes disse...

Parabéns ! Tem tudo haver com a grande realidade que acontece em nosso Pais ,"Infelizmente"

Coitado de muitos Amarildos que existem e existiram ....