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quarta-feira, 31 de julho de 2013

Pedrinho!

Pedro acordou, não sairia de casa.
Alguma festa ou bar,
pouco importa, Pedro pouco importa
e com ele é sempre e sempre
tanto fez ou quase lá.

Ele agora sabe,
não está apaixonado,
nada mudará
e o monstro pulou de dentro da sombra,
uma lembrança veio para assustar

É tão real, parece tão cinza...
Pedro está desesperado,

sempre esteve, percebeu naquele instante
e a angustia de tanto tempo chegou de vez.

Um carro de policia chegou.
Fechem os livros, levantem as mãos...
Quando tudo o que se pode ser
parece menor que toda a coragem,
eles vão roubar sua namorada...

Oculos de sol, passeio de verão...
O primeiro do dia...
Agora estamos altos.

Por favor nos avise...
Por favor nos avise...

Pedro sabe, um dia será enforcado,
contudo segue queimando na fogueira dos dias,
recolham as armas, vistam suas fardas.

Ela sabe, ela saberia então ela sabe...
Guarde bem um segredo e por esse veneno morrerá.

Pedro quer ficar bem, não quer sair lá fora.

Ajustem as lentes, preparem as mascaras.
5º frota a caminho, espaço aereo intransitavel...
Sem sinais de luz, nenhum heroi agora, agora, agora...
As armas, o amor. O perigo, apenas o perigo.

Não nos ensinaram o medo,
nascemos inocentes...

Pedro queria ficar calado,
Pedro não queria sentir muito,
mas não duvida:

Sim ela sabe, saberia então ela sabe...

Pedro agora é apenas um corpo,
estirado nas horas, cercado de gente,
gritando seu nome, gritando outros nomes.

Pedro não esta apaixonado,
descobriu o que o angustiava e era apenas desespero,
tem pavor de gente, ama as multidões,
brinca de planejar cidades as vezes,
gosta de vitrines vazias,
Pedro, as vezes não se chama Pedro,
as vezes agora sabe, queria nem existir
ser todo e só a sua solidão.

terça-feira, 30 de julho de 2013

O poeta


Quando nasce um poeta,
ali naquele instante é possivel notar pelo seu choro,
um berro quase musica, gritando ao mostrar que veio ao mundo.

Seus olhos fechados, guardados ainda da luz.
Quando nasce um poeta logo se nota,

a Rima, a Vida e a Poesia
São os Tres Magos desse inquieto Jesus

Quando nasci veio a  poesia me trouxe: confusão
          Depois disso a vida me trazendo: confusão
      E então veio a rima, essa não me trouxe nada.

''Um louco entre os tolos, 
um tolo de cuidar de poesias''
Segue rezando a mãe, ao olhar e ja saber.
Que dor é para a mãe saber,
o triste fado de seu filho é sentir,
seu olhar é lamina que sangra a alma 
e cospe no mundo.

E então um dia, pela cidade e entre toda a gente
ser olhado e apontado, feito estatua de prefeito
ou monumento arquitetonico, parque ou nome de localidade

Olha lá!
Vê só!
É o poeta da cidade!

Haverão mulheres que com ele se deitem,
outras que o amam e ainda outras que ele ama.

Nada no poeta possui dimensão igual a humana,
pois é humano demasiado humano e apenas isso.

Um verso aqui e adiante, então...
Eles atravessará ruas e subira escadas,
com os olhos a escalar janelas e recordar bandeiras ou sorrisos.

Para o poeta sempre haverá o domingo a tarde,
como eterno companheiro que vem convidar
a refletir sobre a vida.

Quando nasce um poeta é triste,
mas alguem precisa fazer isso.

Nasci numa terça-feira, fazia sol acho.
Nada comigo ocorreu
nada me foi contado,
pois bem não sou poeta.

Meu canto é pouco,
devia ser desesperado.

Poeta quando nasce grita,
barulho que parece musica

avisa ao mundo 
que nasceu mais um.

Sei muito pouco de ser poeta,
me interessa mais a poesia.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Plano B

Quieto e calado o homem olha o céu,
distante e acima do que ele é:
Estrelas, passeio publico, luar.

Em silencio ele olha,
por um instante, ele não sabe
mas é menos homem

enquanto olha,
ele é apenas o olhar.

Céu, sonhos e planos, esperança para que?

E o resto a gente esquece,
as arvores e o aquecedor,

o plano B e o objetivo central.

E o resto?
Acho que a gente sempre esquece.

Mas enquanto olhamos o céu,
cabe o consolo:

Não somos o céu, as estrelas ou a lua,
contudo somos em algum instante

apenas o olhar.


domingo, 28 de julho de 2013

Fabricando

Por um instante retornei ao ponto inicial,
novamente inserido naquilo que pode me controlar,

acho que o caminho no final nos ensina como olhar,
estou tão só, como se apenas a sorte pudesse me achar.

Deixei meu tempo e minha culpa por ai,
agora quero seguir,

parece que isso é tudo.

Estou me sentindo só,
em alguma estrela ou país,

quarenta dias antes mesmo do meu nascimento,
alguns anos até encontrar.

Por um instante senti que haveria controle,

fotografias, vozes e noites.
Acho que as vezes ainda é comigo,
assim tão só e descobrir:

sou seu melhor amigo.
Já não sei sorrir...

Ao sol da manhã

Estou dizendo tudo agora, mais tarde retornarei...
As chances estão indo embora. Estou escutando:

Um vento frio nos separou, um momento e acabou.
Enquanto meu peito sopra o inicio

uma pequena noite floresce dentro do sonho,
parece que será agora?

Agora entendo as razões.


Soneto dominical

Criança oceanica, olhos de orla e perfume aereo.
Queria dizer seu nome, mas agora essa canção é um segredo,
feito estrofe, correndo inquieta na poesia.
A estrela se esconde quando o céu claro de seu sorriso nasce,

quero colher um pouco disso.
Quero flutuar nas horas de sua alegria,
me brace ou me chame ou me abrace ou me chame...
Achava que seu corpo era composto de canção e doçura,

sua voz é poesia
e meu desejo quer ser apenas liberdade.
Enquanto canto esse poema, a poesia se veste com segredos.

Criança oceanica, pés de passado e saudade,
em mim nada parece real agora.
Dentro dos seus olhos sorriem o amor e a verdade.



terça-feira, 23 de julho de 2013

Não acontecerá mais

Querem me esconder

mas não acontecerá mais

só por que sou pobre e

alguem disse que não mereço paz

nem ter amor para viver



dizem que não quero meu progresso

que apenas ajoelho e peço

que sou vagabundo e só penso em beber

mas vou lutar, minha pele dorida

são as marcas dos anos de vida

mas o que dirá

quem não sabe o que é

sofrer




Poema Lirico-politico

Em noites como essa (chuvosa e fria),
onde meus pensamentos margeiam beijos e caricias
da mulher amada, que agora esta distante em outro estado da federação,

em noites como essa onde o frio vem e me possui
dizendo lentamente sobre coisas como a saudade,

olho para a chaminé da fabrica que amarela e incendeia o céu noturno,
penso ainda uma vez mais na mulher amada e
então em um breve e retalhante momento paro e tento pensar em outras coisas
como o céu azul turquesa da chapada e no que ela esta pensando agora.

Leio o jornais e me indigno e então me vem a pergunta:
Onde está Amarildo?

Amarildo tinha 47 anos,
morava em uma favela, como dezenas de favelas
em uma metropole que talhada em berço esplendido,
não liga muito, finge não ver

mas muito, muito alem do som do mar e da luz do céu profundo,
Amarildo é um desaparecido de um país chamado Rocinha,
onde a democracia da zona sul vem alistar,
seus garis, operadores de telemarckting, pedreiros e office-boys,

segundo consta Amarildo foi preso aos 17 anos,
motivo: furto.

Não sei se Amarildo tinha pai, certo é que ele era pai,
negro e favelado, consta que foi institucionalizado,
recorreu ao crime na juventude, mas depois seguiu a vida como operario,

a patria zona sul nunca foi uma mãe gentil para ele,
a ultima vez que desfrutou do serviço publico
foi na noite do ultimo domingo,

o Bope entrou em sua viela cuspindo fogo,
Amarildo negro como muitos negros,

para o policial mestiço,
tinha a cor e o tipo social do inimigo,
Amarildo, foi capturado e levado em uma viatura

desde lá ninguem sabe,
mas agora a Rocinha quer saber.

Amarildo, não sei por onde anda,
não sei se voce era vascaino ou flamenguista,
se jogava no bicho ou só tomava uma cerveja depois da obra.

Não sei Amarildo, não sei se ainda esta vivo,
suspeito que não.

No asfalto a bala é de borracha,
tem quem pague advogado
e recorra ao artigo 5º da Constituição

Amarildo em uma noite como essa chuvosa e fria,
minha poesia que ultimamente só sabe dizer: Saudade.

Minha poesia parou um pouco com o lirismo
pois na favela,
a bala do capitão do mato moderno é de verdade,

rasga a carne pobre e preta, dilacera a esperança de esposas e filhos,
voce tinha 47 anos, era preto e favelado,
pouco importa para o estado,
pouco importa, afinal Amarildo
entre o estado e o pais paralelo,
pobre e lindo chamado Rocinha
um conflito desde a abolição foi declarado

Para policia pobre ou preto não é nada senão
só mais um alvo.

Amarildo, eu queria não precisar dizer seu nome,
queria não perguntar por onde voce deve estar,

no fundo eu sei e todos sabem,
seus olhos, musculos e sorriso foram apagados.

Em noites como essa eu penso na mulher amada,
seu corpo branco e rigido, lindo e sensivel,
como são as mulheres que sorriem apaixonadas,

meu coração não sabe direito se por desespero ou solidão,
se pelo beijo ou pela noite fria e chuvosa,
em noites como essa queria estar ao lado dela,

mas ela está longe, longe em outro estado.

Meu coração vermelho e louco soletra o nome dela,
os beijos beijam as lembranças e o desejo,

mas se dela cesso um instante desejar,
ao mesmo céu chuvoso e frio estendo os olhos
com firmeza e um pouco triste,

Semana que vem ela retorna.

Mas Amarildo não mais existe,
já não pode retornar,

no asfalto a bala é de borracha,
na favela, assim como foi no Quilombo
a bala é de verdade,

Amarildo, sua companheira e filhos
serão eternamente saudade.










domingo, 21 de julho de 2013

Donaueschingen

Com as mãos sujas de chuva e verdade,
no meio do caminho o dia quis dizer algo.

Vê lá o céu, me diz um pouco do sol
ao sul da Nossa America...

Me deixa em casa,
te tiro a roupa, te beijo e digo o que quero dizer:

Todas as coisas lindas,
quando falam sobre liberdade,
me fazem lembrar você...

No meio do mundo, um só mundo e o que mais?
A flor, a folha e seus olhos ribeirão de desejo e paz.

Tio Ho me ensinou a olhar pela janela, melancolia do carcere,
sei truques ligados a solidão e as artes,

pouco em mim ou quase nada,
sou tão menor quanto as palavras

em mim repousa o sol, repousava é verdade...

Até que no meio do dia,
durante o caminho
a chuva e a verdade me disseram:

Viver é isso, pouco importa se molhar,
pelo menos dance com ela.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Desde Antes,NUnca Bendito Inspirei-me Assim

Para que seus olhos sejam o horizonte de meus olhos,
sua pele macia e doce, meu lugar predileto,
seu sorriso o hino de minha predileção.
Danubia voce é a minha canção.

Sua poesia humana, fragil e inquieta,
sua lira que meus dedos querem entrelaçar.
Quero renomear as estrelas,
com todo o céu, ao céu seu beijo cantar.

Mulher forte de poema e beleza,
detalhe feminino incapaz de o tempo aplacar,
seu corpo, sua voz, sua voz em meu ouvido.

Quero voce agora
e a toda hora,
seu carinho é primavera aos meus sentidos.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Boa Vista

Estive em sua cidade,
andei pelos mesmos lugares
que ele anda agora ao seu lado.

Acredito que sou o poeta de sua pequena Vila
Vila Silvia a minha poesia quer te mostrar

Seu canto suburbano, repleto de sol e pessoas a passar.
Eu estive em sua cidade.

Napoleão, Paris ou New York City,
vou ler meu livro vermelho, por minha casaca e partir,

agora sou o poeta de sua pequena Vila.
Enquanto os mais jovens escutam meus feitos,
com certo efeito, eu apenas canto e choro meus defeitos.
Jacqueline estive em sua cidade...

O ceu azul deu as mãos ao sol,
no patio do colegio, senti muita saudade.


Ela

Ela não vai preparar o seu jantar,
ela não vai esperar que abra a porta para que saia,
possui as chaves e os tickets

Então meu caro, acho que isso tudo é invenção do sec XIX...
Agora por favor, sente uma noite dessas,
chame uns amigos, ela quer conversar.

Voce não tem muito agora,
o futuro parece desesperador.

Ela pode sorrir de outras coisas,
seculos até agora, quadras e quadras até aqui...

Ela sabe muito bem, ela sabe, ela sabe...
Enquanto voce brincava de Camarada Mao,
todo um mundo de costumes estavam em marcha,
agora ela quer o mesmo que voce...

O sol esta tão alto e o céu bem azul
e então meu caro?
Ela acha triste, ela quer a liberdade.

Ela sabe muito bem, ela sabe, ela sabe...
Meu caro, acho que tudo isso é invenção do sec. XIX...

Então:

Ela te ama, mas acha o amor tão triste
Ela te ama, mas acha o amor tão triste

Ela não queria, mas voce a fez optar
entre a liberdade ou o amor,
desculpe e por favor:

Ela te ama, mas acha tão triste amar.



segunda-feira, 15 de julho de 2013

Solar

Hay una sonrisa
brillante como el cielo
y en lo mismo instante
que vi,
tenia tambien los ojos asi.

O trigo agora é triste,
quando dourado como o sol,
me faz lembrar da cor de seus cabelos

e o mar tambem possui doses grandes de melancolia,
pele de sal e sol, olhos de maré difusa.

Bruma llena de olas,
su voz es como el eco de muchos sussurros.

mi sueño desea con su sueño, charlar.

O texto é triste,
como é inconsolavel o poeta que o escreve,
acho que é a hora do adeus.

O mar possui doses de melancolia,
ao entardecer te imagino comigo,

por isso a poesia.

Sacanagem

As vezes, consigo ler em algumas pessoas:
Sacanagem...
Sacanagem...
Sacanagem...

E então quando penso comigo que cessou o letreiro neon da minha imaginação. De pronto, exclamações e uma frase como advertencia:

(Obs: Sacanagem da grossa)

Respiro fundo, levanto as mãos para o alto em sinal de agradecimento e digo com o olhar:

Minhas preces foram atendidas!

sábado, 13 de julho de 2013

Tá f@¬#

Seu nome é lindo, tenho vontade de gritar cada silaba, me desespero a cada manhã desde a fatidica manhã que não recordo... Tenho comigo essa vontade terna e histerica de me converter em cem bilhões de megafones, ser terno cinza maoisa na orelha de cada homem ou mulher nesse planeta, acorda-los e por voce chamar.
Faço toda essa prosa, armo com o lirismo e num arroubo sentimental cometo poesias, quando sei... Sei muito bem, pouco sou ou fui, estou só, sou só, teu riso é o codigo russo ate as estrelas, corpo perfeito ao meu toque, romance que nunca ousei descrever...
Sua beleza é o noturno truque que a massa sovietica pouco entendeu, e eu mesmo sem entender te amei, não sei, pouco sei, nada lembro.
Meu pequeno corpo, acostumado ao sono estremecido, durante o dia eu tento com sorrisos me distanciar, a vida vai esperar mais uma maré?
O amor, tal qual a vida não vai entender, eu soldado vermelho, era só soldado então?
Meu amor, amor a vida é a vida inteira, pouco importam as credenciais se no final, o amor é a legenda. Eu quis te beijar, olhar e ver e ouvir ao seu lado o sol da tarde seguir, seguir, seguir ate ser só a noite e a noite conosco vir ter...
Quero teu corpo magro e flexivel, infalivel feito golpe de Bruce Lee.
Não sou pai do tempo e afeito a periodos dispares a aquilo que sou naquele exato momento, desculpe tudo,perdão pela liberdade e a rua instransitavel, tudo depende disso, qualquer coisa, mesmo coisa, sendo coisa outra coisa é...
Seu nome é uma triste canção, canto a cruel dor de uma paixão, triste é saber, aquilo que agora sei, seus olhos, crepusculos de marinho brilho, luzes para uma canção de adeus, portam as luzes onde o porto nos diz nunca mais.
Adiantado meu corção levanta as velas, sorri com cerimonia, sem ritual te acena e chora, quero teu beijo outra vez, quero teu corpo e toda a extensão diminuta, feminina e perfumada que é voce.
Como são lindas as mulheres decididas a fazer amor, vamos agora... Cada passo ou fala, dialogo ou silencio, quero ser beijado novamente por sua boca e visto por seus olhos, eu queria poder dizer seu nome, mas sei tão pouco de voce.

Sala de estudos

Estou voltado para a lua agora,
diamante solar, sorriso de cristal dizendo adeus.

Agora o horizonte faz como o oceano e
se estende e recolhe, se estende e recolhe.

Até o dia nascer, dentro de livros,
nos comodos vazios, pelo quintal e até a rua deserta...
Estou inquieto agora, lá fora não sei,
talvez te espere, contudo não sei,
eu olho os dias e me deito com o destino todas as noites.

Voce promete vir as vezes?
E a liberdade sorriu com agonia,

a vida já não vai saber,
todo o resto é poesia.

Por isso as vezes, olho o mundo e as estrelas,
o céu em um geral e no final da equação, quer saber?

Não sei.

Estou olhando o céu agora,
dentro da noite, por suas horas rodeado,
exausto do dia, pelo dia exausto,

não houve calma ou lembrança,
só os motivos mais dourados, lindos e tristes
todos em marcha e cantando:

Não há razão para a esperança.

Essa noite fria e silenciosa,
canta meu nome com a canção de sua alma,
no alto do céu gira e diz em voz de amor quando acorda:

Vem comigo, vem...
Acho que é essa a nossa hora.


II

Eu que me recolho, qual pinceis e cores,
entre paletas e estojos,

o vento é o estilhete que me retalha,
as noites frias são arquinimigas da solidão.

Eu faço meu vapor, me deito, relaxo e penso,
as nuvens paridas em meu pulmão

fazem do teto de meu quarto, um painel
onde descrevem suas virtudes.

Pouco importa agora,
quero dizer:

Pouco importa, mas e se eu me importar?

Atravesse a rua, pegue minha mão,
pode vir, sem pressa, essa não é uma canção,
simpatica, necessaria, romantica e hipocrita!
Eu me recolho aos olhos de todos,

recriando outro espaço, lá eu canto e danço
com voce, enquanto olho o céu.


III

Um espelho dentro do tempo,
a imagem refletindo ao redor do que seriamos...

E se o tempo fosse só mais uma mentira
e a vida em nada orbita ou vive,

ao redor do espaço,
ao centro de onde tudo ocorreu.

O amor parece com isso?
Essa não era a minha ideia de felicidade,

hora de retornar ao nada,
debruçado entre poemas voltarei pra casa.

O amor é uma vitoria fria,
o coração com isso pouco tem,

feito lobby da nicotina
ou as trombetas do apocalipse.

Estou olhando o céu dessa noite,
em noites como essa te amei,

meu corpo salgado, peludo e repleto de cicatrizes,
estirado junto ao teu, tambem já exausto
de nossos jogos e rituais.

Em noites como essa, te amei
e não houve em mim sequer por um instante
a vaga ideia de propriedade,

Em noites como essa recordo voce
e como me ensinou a liberdade.


IV

Acho que estou bem, não se preocupe,
inutil dizer, voce sabe tão bem...

Crianças brincam e cantam no parque,
meu peito apenas pulsa e gira,

a roda do destino me deixou tão enjoado,
me abrace novamente, eu só queria sorrir novamente.

Em algum teatro, dentro da minha vida,
te imagino ao centro,

sorriso de alegria e vida,
eu só queria ser seu por mais um dia.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

A hora

Reis e seus imperios, tentaram nos derrotar,
banho de gas e contas na Suiça

Sorriso honesto e branco feito leite puro,
infancia plena feito não houvesse a dor...

Chamem os nossos rapazes,
aniversario, bolo e gripe,
tropeçar na escada enquanto o povo bate palmas.

Sorria, estou bem agora,
sorria estou chorando pelo meu destino.

Estou chamando pelo seu nome agora:

A vida cisma
A rua insiste
e o dia segue:

Essa é a nossa hora.

O sonho da liberdade

É tanta saudade e frio , que foro inteiro se desconserta,
faz do azul só uma cor e todo o amor que é vermelho
ao vermelho ri e desconserta,
teu gozo é rua deserta, forte feito o perigo ou a salvação.

Em mim a certeza, a cor e a luz, essa certeza,
toda a força, luz e esperança.
que tua beleza com o tempo me faça entender,
que seus olhos claros feito o dia, vieram me dizer:

Vem cá comigo, o futuro é logo ali,
quero beber, fumar, cantar e até sorrir,
so seu lado e tambem poder dizer...

Tanta saudade, frio  e tristeza, me fez maior, capaz de certas grandezas,
hoje meu riso te mais felicidade ao supor seu riso livre pela cidade,
nós dois somos um um, feito fossemos o sonho da liberdade





terça-feira, 9 de julho de 2013

T16

E agora, fico pensando,
rosas de origami, são suas
quando as faço para voce.

Seu rosto, baixo ao sorrir.
seus olhos são imensos e negros,
ao sorrir é como se a noite por um instante 
fosse interrompida.

Não sei seu nome ainda,
com sua voz ouvi duas ou tres palavras,
ao menos pareciam terminar em riso cada uma delas...

(muito obrigado)

E agora?
O que dizer?

Falar como quem correu, ofegante até o ponto,
dizer bobagens e me entregar,
seu riso percorreria toda a quadra,
seria ainda maior que o soar de qualquer sino.

E agora? Me pego pensando
e por muito pensar,
tanto penso que até sonho,
com o dia de nossa conversa

o que será que vamos conversar?

Me promete uma coisa?
Voce pode começar?



Barbearia

Essa noite ao chegar na barbearia apontei para uma revista e disse ao idoso tosador de machos da especie humana:
Corte dessa maneira!
Ele de pronto olhou como um perito, analisou a foto, as luzes, era possivel notar isso em seu olhar...
Inspirou, respirou, virou-me para o espelho e qual um toreiro começou a imolação de meus cachos. As vezes ele olha a revista, para tanto levanta a sobrancelha.
Por fim, não fiquei parecido com o cara da foto, foi apenas um instante de insanidade de um bebado, contudo que me valeu por naquele instante, observar mais uma senhor que já faz um bom tempo corta o meu cabelo.
Brigado Nassif! Um cara com opiniões politicas que sempre acabam por terminar falando de mulheres e com a fala final sendo sempre: gostosa ela, não?
A gente não percebe o tempo passando, não percebe a maré, sempre se surpreende com a colisão...
Brigado pelas piadas sobre tamanhos de penis, aquelas boas orientações tradicionalistas, moralistas e um tanto quanto cinicas, no final é tudo cinismo, afinal a gente olha mesmo pra mulherada, não é não?
E quem nunca ouviu aquela historia da moça filha da dona da pensão... Ou aquele novo truque coreano para trazer escravos bolivianos, como isso é desumano, acaba com os negocios da comunidade.
Sabe Nassif, nunca concordei muito com o Sr, nunca achei que deveria meter a pancada geral, nunca achei legal quando falava bem do Corinthians, mas curto quando voce fala da sua vilinha.
Agradeço por isso, agradeço pois quando sua esposa morreu, voce decidiu guardar luto, se recolheu por um tempo e depois voltou, mas ainda fica triste no mesmo do aniversario dela, voce gosta de datas, tem orgulho de lembrar das coisas, memoria infalivel, muitas cenas desde quando se lembra. Quando sua esposa morreu e guardou luto, aprendi que o amor é humano e por isso eterno, aprendi que aquilo que o tempo não cura, nos ensina a conviver com a cicatriz ou a dor. Nassif, voce já esta velho, logo não estara entre nós, bom quera te dizer obrigado de toda forma.
Valeu

PS: Não ficou parecido com aquele ator nem fudendo!

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Histeria Coletiva

Escondido pelo medo e alto como uma arvore centenaria,
preparem suas armas, a maquina da saudade cospe sua munição.

O cigarro, o riso e a saude,
a saude indo embora no meio da confusão.

Regendo sua saga,
legando seus vicios
ao cuidado de seu prazer.

Bilhetes, cartas.
Peças, poesia.

E aquele beijo?
Aquele do quem sabe algum dia,
pois é o futurou chegou,

a nossa porta os quatro cavaleiros,
seus livros, armas e pragas,

quero te beijar, antes que a terra sangre,
acordar ao seu lado, antes da hecatombe.

O dia se aproxima,
o medo floresce,

sei que antes haverá um silencio,
te olharei e suspeito que
ali comece o fim dos tempos.

O amigo do povo

Fernando pode sorrir agora,
leu seu artigo para Matilda,
ele mostra orgulhoso que escreveu para o jornal.

Guarda-chuva e aspirinas,
boca seca e olhos no ar...
Ele bebeu a noite inteira,
Fernando está muito feliz,
cansado, mas dá pra sentir pelo riso solto.

Agora ele dobra o jornal,
de joelhos abre os braços,
não há luz, Matilda é um altar,

seus labios carnudos tecem preces,
Fernando espera que todas terminem em beijos...

Ele quer fazer comicio, palanque, barricada e o caralho todo,
sorri, fecha os olhos, abre os olhos e sorri novamente.

Matilda! Matilda! Põe a roupa que eu gosto!
Vem perfumada e enfeitada, vamos beber essa noite?

Agora é greve! Quinta-feira é greve geral!
Ve só, olha um pouco tudo isso!

O mundo arde, um golpe no Egito,
marchas e impasses diplomaticos,
espionagem, caguetagem e agora isso?

Matilda, olha para Fernando,
não entende nada do que ele disse.

Pede para que ele repita ainda uma vez,
no meio da fala Matilda lhe beija.

Fernando, as vezes é melhor olhar nos olhos de uma mulher,
que pretender tão somente a sua admiração.

Matilda te ama, não por ser voce o provedor,
Matilda te ama, pois no fundo, mesmo que seja
no exato segundo do beijo,
Matilda te entende, ela tambem sabe sonhar e existir.

Matilda não entende quase sempre, outras vezes prefere concordar,
ela te vence é pela razão, voce só perde pelo cansaço.

Fernando, fiz um poema para essa imagem,
foi lindo te ver lendo para Matilda...

Voce tem 52 anos, é funcionario da construção civil, preto e pobre,
voce vai na umbanda e se benze em encruzilhadas,

Matilda tem catarata,
caso não tivesse pouco importaria,

Matilda é analfabeta.

Taiwan

Seus cabelos me fazem lembrar um campo vasto,
seu brilho é feito o vento quando varre as flores,
tão iluminadas pelo sol.

Sorriso de filme, risada de canção,
o calor da sua atenção,
um sol a vagar por entre humanos,

não sei, nunca sei
e quando sei, suspeito que esqueço...

Acho que tenho esquecido seu rosto,
no lugar do teu sorriso,
ao menos a luz que era ter tua atenção,

seu sorriso ficou na verdade,
tambem os olhos
e os pés...

Todo o resto é luz e calor agora,
tanto quanto eu tente,
só há segurança nisso,
voce é isso e eu lembro bem.

Voce passou, ficou um pouco,
quis me olhar e olhou,

tocou por pouco,
mas já era o bastante
para ser boa parte de mim.

Não sei, acho que não sei e
quando sei suspeito não lembrar.

Objeto voador
não identificado..

domingo, 7 de julho de 2013

Karbala

Não há razão para a poesia,
um soco na cara doeria menos
e faria mais sentido.

As ruas parecem sem serventia,
sem razão, postes, calçadas,
praças, jardins e esquinas,

e agora que fazer da poesia?

Seus olhos profundos,
oceano onde o sol vem se deitar,
espelho azul da lua,

sem voce me faltam os degraus, a rua,
a escada, o mes de março,

qualquer cerveja, qualquer canto,
paraiso ou sei lá onde,

sei muito pouco
e desconfio,
não sei ainda o bastante
mas esbravejo:

Toda a cena começou
ao final de um beijo.

Se bem me lembro: o primeiro

sábado, 6 de julho de 2013

Fanfarra rimando

Estou tão para baixo,
capaz que caia um cacho
de tudo aquilo

que o meu sossego
chame perigo,

pouco me importa,
o laço deita a a forca

e a lama
deita a porca,

pouco me importa
a porta.

Nada é real,
nem que vejo,
sequer o que desejo,

a vida é um filme
que não termina em beijo,

tem sempre a dor, o amor

e até o medo.

Cosmonauta

Estou muito mais proximo agora,
minha dor parece uma antiga canção,

as vezes a saudade me faz lembrar a letra,
essa é uma canção que já não sei cantar.

Agora vamos lá.

Eu tenho que dizer isso agora:
sol de algum dia,
sal que ilumina e acaria com calor e sorriso,
eu quero um pouco disso agora,

alias acho que poderia ser mais tarde.
Mas agora já não me importo em ser o rei,
enquanto os cegos assobiam
na varanda um anjo me chama...

Ontem eu era capaz,
era tão vivo quanto uma arma letal,

meu coração se despedia com sorrisos,
meu sorriso era uma lua repleta de recordações

Digam um nome agora,

adoraria me embalar no som que tece aquele riso,
firme composição onde o sol
deposita alguma inveja,
há mais luz no teu sorriso
que luz no universo,
ela é um sorriso solar
tempestade de ondas que banha inclusive o sol.

Eu não sou o heroi,
por favor me salve,
já que não sou mais o heroi,

ela parece tanto com voce
ela parece tanto com voce

eu te amei primeiro
eu te amei primeiro

ela parece tanto com voce

eu serei bom o bastante,
ela te copia,

agora é a minha poesia,
agora é. Isso é, agora
acho que entendi,

ela parece tanto com voce,

a vida é violenta como um dia
onde tudo parece igual,

já que não sou o heroi,

pode me salvar,
ela parece tanto com voce...

E eu te amei primeiro,
não sou o heroi

ela te copia,
a poesia agora é isso;
pois ela,

ela parece tanto com voce.

( Acho que entendi agora)

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Partiu

Ela bebeu de meu futuro
e se encheu do meu horizonte

sonho que a vida cansou,
amor que o amor gastou.

Eu te amo
Eu te amo

Eu te amo
Eu te amo

Ela injetou e partiu,
caiu na guia e sorriu
não há sentido
e sequer motivo

ela apenas partiu,
fiquei lá olhando o amor

e o amor foi pra puta que o pariu!

Como e quando?

Parece tanto com o passado,
estou mais jovem, pareço feliz,
repare no copo em minha mão...
A flor de meu vicio ainda não havia apodrecido,

o toque frio da dor, cortou com força
o laço que nos unia.
ali ainda havia poesia, vê?
Queria tanto um pouco disso,

quando a vida era uma parte
e todo o resto era completo,
pois ainda havia voce.

Agora o que me resta é isso,
perceber que toda a poesia perece,
morre, cansa e envelhece, não há mais voce...

As barricadas

Ele acordou, manchas no corpo,
marcas na orla de outro dia,

que fazer, quando o ocorrido é uma pequena lembrança?

Somos jovens, somos pequenos agora.
Somos pequenos agora, ainda é tarde.

Meu amor a cidade se levantou?

Um corpo em marcha tambem pode dançar,
a dança que embala as ruas, sufoca as dores,
reinventa a liberdade.

Meu amor me diz:
A cidade parece tão linda,
alta pelos baixos,
grita o grito de quem calou.

E ela estava tão linda, poesia que a historia decorou,
falava de liberdade, como quem declara amor.

Ele acordou, olhou para ela,
a classe operaria cantou uma cantou uma canção,

sufocada por decadas,
por razões espurias e esquecidas,

resta lembrar,
que o peito inflama
e os dentes não deixam aquietar-se,

a vida parou por um instante,
cantou seu nome e me o fez pensar,

apesar da dor,
o amor,
apesar da vida
a poesia.

Eu queria explodir meu verso,
destronar o construtor de fossos,

reinventar o amor,
grudar, gritar,
avermelhar e por a prova o meu pescoço,

se para o tempo o mundo basta,
para a poesia já não é o bastante viver,

agora eu sei,
acho que aprendi.

Na curva ou esquina nos espera,
uma reza, uma palavra de ordem,
capaz que minha voz e sua

por uma noite sejam a rua.

Por isso eu canto o amor, a dor e a revolução,
em tudo isso tem seu nome.

Em mim cada barricada é como uma carta,
declarando toda a minha paixão.


Tardia

Eu andei por duas horas,
fumei um maço de cigarros,
bebi tres ou quatro doses.

Acho que por um instante quase te alcancei.

Deve haver algum truque:
tempo e espaço,
amor e sorte.

Enquanto voce passa por avenidas,
bebo nas transversais,

por um instante te alcancei,
ja era tarde demais.

No horizonte escuro, a vida foi dançar,
um passarinho me contou:

Coisas necessarias para se ignorar.

Cante uma canção,
me ignore,

estou perdido,
não me encontre.

Cartas que mandei por amigos,
carinho que guardei comigo

não me espere nunca mais,
acho que adiante não me importa,

futuro é quando o verbo é conjugado
em um tempo cinza e tarde,
tarde demais...

Perpetuo

Olhei ainda uma vez,
lá fora nada me dizia muito
e por pouco não me joguei no futuro,

ela não sabe ainda,
para que desespera-la com a urgencia do meu delirio?

Uma criança temia o amor,
a chuva chorava uma sombra sem compaixão

estou bem agora,
ninguem vai entender.

Segredos e canções,
canções e sonhos,
minha esperança tem seu nome nos labios

Andamos por um jardim,
sorrimos dentro de um jardim,

orações, bençãos e remissão,
te disse em outro idioma,

voce me respondeu com os olhos.

A morte valsa, a vida espera,
os sonhos apenas sonham,

sentado em um bar barato do centro,
os predios, as moças e os outros tantos,
tantos dias dentro disso,
enquanto a vida segue
e eu recordo.

As horas como um encouraçado naufragam em meu copo,
em cada gole tento te engolir e dissolver minha dor,

já não adianta, seus olhos povoam a cidade que construi
aproveitando os retratos que fizemos um do outro.

Abro a porta, o amor é humano demais,
abro a porta, mas o amor quer a janela,

já não faz sentido a rua
se ainda sonho com seu quarto.

E então, agora o que fazer?
Perpetuamente doloroso
e extremaente humano e sensivel

a poeira no mobiliario,
as roupas sujas, as roupas usadas,
os encontros, os beijos,

estou sem ar agora,
a janela
a janela
a janela

Jacqueline ainda não sei,
acho que aprendi a amar
feito fosse o amor
uma desculpa para esperar

abro a janela,
a lua vem,
a noite tambem

queria te dizer só isso:

espero por você.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Enquanto eu voltava

Voce descia a escadaria, eu apenas subia...
Desatento, angustiado e gasto pela noite e o bar,
queria poder, como eu queria,

atravessar esse verso
e com um só golpe

cuspir fora a poesia.

Meu coração já não tem casa
e haja asa, pois as penas,
eu bem sei,
só serviram para o penar.

As luzes estão se apagando,
lá vem o sol novamente,

outro dia, outras mentiras ou desculpas,
só me interesso em evitar,

mas acho que dessa vez é inevitavel.

Voce descia a escadaria, eu apenas subia,
feito imagem entre as luzes e as vozes naquele metrô

quero arrancar meu coração, mastiga-lo,
quero te devolver essa angustia e a poesia.

Desarmado pelo acaso,
fazia frio e era quase manhã,

sei que me viu,
te olhei ao me olhar.

E agora?

Basta dizer que meu silencio disse muito,
justo eu que havia ensaiado falas
para essa hora.

Fiquei calado,
eu subia a escadaria que voce descia,
enquanto ia embora.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Rosa de Canudo

Já faz alguns dias...

Foi na Sexta-feira, a vida acontecia lá fora, terno ingles, justo e preto, cabelo desalinhado, vermelho nos olhos, na boca as marcas da bebedeira na noite anterior, assim eu me encontrava, desatento, sem zelo algum com minha figura, fazendo a tipica cena de desajustado. Meu onibus chega, enquanto me atrapalho procurando meu bilhete, deparo com ela...
Estava ali, logo a minha frente, vestia casaca cinza escuro, meias femininas pretas, saia (preta e plinçada) e blusa floral rosa com lacinhos desenhados e bordados, sapatilhas vermelhas. Ela lia algo, não sei do que se tratava, lia atenta, não o bastante para reparar que eu estava ali; suponho. Ela usava cabelos loiros dessa vez, olhos grandes, imensos e negros, feito uma fotografia do Caspio emoldurada pela maquiagem escura e carregada, os labios pequenos, delicadamente abraçados por um batom vermelho.
Com que pressa achei meu bilhete, corri e cortei fila para sentar proximo a ela. Tanto fiz que consegui, sentei perto, entre eu e ela, apenas o corredor. Em vão procurei em minha cabeça, algum assunto para puxar, alguma opinião a esmo sobre o que ela lia. Entre tantos assuntos, razões ou saidas, apenas lembrei e ai meus caros consiste a natureza eficaz do metodo cientifico e aritimetico, afinal se tudo é uma equação, que fazer senão aumentar as possibilidades? Lembrei que desde a ultima vez que a vi, resolv confeccionar uma flor de canudos e guardar nos bolsos de meus casacos, talvez por sorte ou mais provavel pelo frio que fazia (14º), estava com um casaco ali.
Mas o que dizer? Como dizer? Como evitar aquela cara boba ou aquela voz titubeante?
Já fazia um bom tempo desde que a havia visto pela ultima vez, era ela, isso era fato, não ocnfundiria ela co nenhuma outra, parece aquelas modelos dos quadros do Edward Hopper.
Havia me decidido por esperar, reparar nela, tentar ler em suas ações mais intimas algum sinal de abertura ou para uma possivel aproximação, havia apenas esquecido, como sou ruim em primeiros contatos, contudo não fui descuidado, logo lembrei desse meu velho habito de não ser bom nisso sempre.
Fone nos ouvidos, pelos fones Beatles, Oasis, Beatles, Lennon, Oasis, Harrison e Amy... Esperei até que ela se preparasse para descer no ponto onde costuma descer. Com todo o cuidado, cuidei em procurar a rosa que fiz para ela, olhei por alguns minutos a rosa, no descuido as vezes olhava para ela, as vezes com a impressão de que ela tambem de alguma maneira estava me observando.
O tempo havia passado, seu ponto estava proximo, mais duas quadras e ela desceria, o onibus subiu a rua dela, ela guardou o que lia, ajeitou o cabelo, com algum cuidado se levantou, me olhou de canto. Fingi procurar algo, em seguida segurei seu braço, ela me olhou.

Moça, você esqueceu isso!
( Eu disse e a olhei, sorrindo inquieto)

Ela me olhou, sorriu. Olhou por um instante para a rosa que a entreguei, abaixou os olhos, sorriu novamente, dessa vez com uma notavel vergonha.

É seu! Fiz para você...
(Eu disse, querendo observar com mais detalhes a sua reação, mas paralisado por aquele momento)

Ela sorriu novamente, apertou o botão com uma mão, com a outra segurava a rosa, apenas isso consegui observar, quis e tentei me levantar para ver a reação dela ao descer da lotação.
Depois daquele momento, naquele instante, queria saber:
Como me mordo em ansiedade e supondo, será que ela apenas guardou a rosa e seguiu? Será que guardou com algum cuidado ou apenas por guardar? Ou será que ela atravessou a rua deserta de um bairro operario as 22;30hrs, olhando minha flor e sorrindo ou supondo qualquer coisa?
Mas no final de quase tudo que já me consome, politica, poesia, economia e dinheiro, duas coisas ainda me consomem mais. O que fazer da proxima vez que ve-la e se ela toparia um cinema ou parque Domingo a tarde?
Pois é...