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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Bilhete sobre os ultimos dias

 Santo André, 16 de Junho

Parece que eles construiram uma cidade para nós, já era madrugada, quando pela ponte passamos, eles dormiam, nós apenas seguiamos. Gritavam, ouvia-se gritos, nenhuma palavra de ordem por vezes, o silencio letargico incomodando. Uma cidade inteira para nossos pés, um caminho onde outros caminham, no meio da multidão te chamei, sem mascara corri e te chamei, por tres vezes, sim como se cada silaba fosse uma seta. Eu vi, sei voce tambem percebeu, entre milhares de pessoas meu olhar te achou, não havia bala de borracha, tropa de choque ou policia pacificada, sequer multidão calada, ponte ou que horas da madrugada,  te chamei, sei voce me ouviu, não haveria como confundir minha voz, o som e as palavras com ela proferidas.
Jacqueline!
Jacqueline!
Jacqueline!
Eu! Te amo...
E ai eu que dentro da multidão não era engolido, por um abraço fui ocultado, não é seguro, retorne...  Ouvi e apos uma cegueira momentanea, reapareci após segundos e em outro ponto, distante o bastante para te perder da visão.
Eu queria te falar de tanta coisa, novidades, poemas, cartas, atos, atos como esse, coisas como essas de agora, o que leio e dou risada, o que me assusta, espanta e aterroriza... Voltar no tempo e pedir, para ler a sua mão, leia a minha tambem, o preço que for, eu vou pagar, para te ver novo, quem sabe o preço, a hora e a razão, parece que tudo e ate o que deu errado, fez desse mundo a roda e nos pos a girar, na dança louca de por onde vai ou vem, parece mesmo que tenho dito oi onde ate quase agora voce disse ate mais.
Está tão engraçado, o mundo esta mudando acho, as vezes sinto isso, as vezes não, quando vejo a redução da passagem em Sp e Rj, penso que representa um avanço a esquerda, um avanço de uma bandira defendida desde o principio pela esquerda, esquerda essa que nos ultimos atos tem sido hostilizada pela turminha verde-amerelo, orgulho amor, cara-pintada, bandeira e hino, alauso a policia e vai pra esquerda e seus partidos, movimentos e organizações. A classe media tá transformando esse movimento, essa massa famelica e indignada, para uma especie de flashback daquela marcha puxada pela tfp, alias não me admira que o padre gato ( como ele chama mesmo?) um dia desses entre hoje ou amanhã, semana que vem quem sabe, faça uma fala sobre a indignação e diga que esse é um momento de reflexão na sociedade brasileira, artistas, jornais, televisão, maquiando o confronto até parecer um grande comercial da coca-cola, afinal vem pra rua porque a rua é a maior arquibancada do brasil, aproveita e ve o jogo antes, já sai de casa devidamente uniformizado feito o mais ufanista torcedor da seleção brasileira, um brahmeiro de plantão ou um a devassa na sua vida. 
Grite classe media, palavras desconexas, isso mesmo treinando para os comicios do Aecio Neves, a melhor saida para quem quer comprar uns dolares ou trocar os seus. Sabe Jacque, tenho escutado Bob Dylan, pensado no the weather underground, Baader-Meinhof e os panteras negras, em uma sociedade mantida por guerras, a classe media talvez vote um escravo das oligarquias inclusive a das drogas em algum sentido, o buonvivant, trançando as pernas e adiando um pouco o golpe eminente da esquerda não é mesmo? 
 A liberdade religiosa, afinal os evangelicos pobres emersos das classes C e D representam um conservadorismo muito bicho papão, a classe média não é pro-teocracia, afinal teocracia fede a tapete persa, amigos do chavismo e outras cercanias.
Sabe Jacque, eu queria ir contigo assistir faroeste caboclo, te ouvir cantar na rua, olhar seus olhos claros, profundos lagos de luminosidade onde o universo se prostra, onde as estrelas bebem o brilho, segurar sua mão, sorrir, jantar, sorrir, comer arroz com lentilha olhando no olho, dar beijo enquanto prepara outra coisa, tarde ensolarada assistindo tv na sala, indo ao parque ou arrumando a casa.
Então Jacque, enquanto a gente não se reencontra, EUA e Russia negociam o futuro da Siria, como se fosse deles o destino daquele povo.
Era segunda-feira, a cidade tava linda, as luzes, o povo e a ponte, te chamei, disse que te amava, fui engolido pela turba passiva, digo passifica, não sei se me percebeu, talvez não fosse voce. Pois é, só escrevi tudo isso, pois queria saber se era voce, se me ouviu...

Um beijo do cara que acha bonito o nome do lugar onde voce mora
Acho que seu bairro parece nome de samba do Noel Rosa

PS: Arnaldo Jabor como porta-voz do Aecio, me faz pensar em uma versão conservaodra e cinica de Cheech and Chong, pronto falei!

Beijos

Um comentário:

Danúbia Ivanoff disse...

Um verdadeiro realismo poético.
Amo tanto esse poeta! Meus parabéns por tanta lucidez desvairada!
Hasta la vitoria!