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sexta-feira, 3 de maio de 2013

T-12

Qualquer coisa fora dos planos costumeiros, qualquer coisa pode nos custar ficar a deriva e a maré ao nos levar se chame apenas ao acaso. Vai ver se a minha cabeça não tivesse pesado tanto, se um antigo amor não pulsasse em minhas veias, feito doença congênita, mal desnecessário, espinho na carne a soletrar nomes, frases e textos inteiros, reza inquieta que desafia a fé e nos embala ao mais mortal dos abismos: a vida ou a solidão.
Pois é... Hoje não tomei o meu costumeiro ônibus, mas me sentei no costumeiro lugar de sempre, próximo a janela de maneira a observar os passageiros nas outras paradas. Peguei o T12, não peguei o T16, e fiquei lá sentado ao lado da janela observando as pessoas e quem vejo?
sim aquela moça que há tempos não vejo, o motivo de sempre corre para pegar o T16 das 22:15... Estiquei o pescoço, saltei as sobrancelhas e timidamente sorri esperando ela me perceber. olha não sei se ela me percebeu ou se apenas sorriu para o nada, mas ela sorriu, ate agora estou pensando nisso.
Meu dia não foi dos mais fáceis, mas ao final vê-la foi algum alivio, prometo não tomar nunca mais outro ônibus de volta para casa que não seja o T16, se não achar coragem, finjo qualquer razão, paro no ponto dela, sento ao seu lado, mas puxo assunto ou entrego algum papel, quero ouvir a voz dela, saber o aroma do halito dela, fazer alguma piada e observa-la sorrir.
Moça que não sei o nome, mas mora bem perto da minha casa, 4 pontos antes do meu para ser bem claro.
Moça se por algum acaso eu me aproximar, não repare meu sorriso bobo, minha gagueira (não sou gago, só quando fico tímido), não repare meu sotaque estranho as vezes e nem minha voz alta demais ou as vezes muito baixa, as palavras sem nexo e os olhos brilhando. moça se te olhar demais releve, não faça pouco caso, não me ignore, todos os dias eu tomo o T16, as vezes antes e algumas vezes depois suponho, justo no dia em que nos encontraríamos, por conta de uma dor de cabeça resolvi pegar o T12, mas caso tivesse pego o T16, acho que não conseguiria forças para nos falarmos, estou cansado, com sono e triste, triste de dar dó, triste por lembrar de uma canção que não sai da minha cabeça, triste por uma outra moça e essa eu sei o nome, os gosto e feitios. não repara o sem-jeito, a brevidade do texto, o melodrama beatlemaniaco, sou bom rapaz, filho de operário, egresso do Bom Retiro, criado para ser boa cia e etc.
Você não me conhece, mas estou te escrevendo aqui d passado, dessa madrugada de quinta-feira para sexta-feira. Você me notou um pouco mais cedo? Sorriu em resposta? Suponho tantos nomes para você, nenhum tão lindo quanto aquele que ouvirei quando souber como se chama...
Hoje meu dia não foi fácil, fiquei irritado, cabeça doendo desde que me acordei, mas sabe seu sorriso valeu a pena ter continuado o dia até aquele instante, no futuro você lerá isso ou não, mas te escrevi ao menos para te agradecer.
Eu sou uma maquina de fazer coletivo, de dar carinho, de fazer carinho, de dar amor e fazer amor, gritar e ser grito, dar texto, escrever bilhete, provocar riso e raiva, provocar e acalmar, só não sei a dimensão de tudo isso se aplicada em mim, se apenas para mim ou somente em mim, não consigo ser rua, gosto de andar pelas avenidas, não sou grande o bastante para ser beco, amo demais as praças, sou paz, dou a paz, mas não consigo ter paz ou amor, ter paixão na dimensão moderada que não me caus essa vontade de ensurdecer ouvidos com algum refrão qualquer, moça eu não sei muitas coisas, não sei seu nome por exemplo, mas adoro o cheiro do seu perfume e o tom claro da sua pele, seus cachos e sua maneira de sorrir. Essa noite um bilhão de estrelas certamente brilham no céu, um numero ainda mair, um número que a matemática ate agora não pode em conjunto com a astronomia mensurar, essa noite um carrilhão desses mesmas estrelas deixaram de existir, outras tantas já deixaram de existir milênios e milênios antes da bactéria primordial aqui no nosso planeta isso pouco importa, pouco importa agora, quero saber seu nome, quero te conhecer, não é um flerte, não é um jogo é apenas te conhecer, de todas as estrelas ao menos uma, essa que é você, essa eu quero saber o nome, idade e predileções...
Qualquer salto fora do que nos acostumams a nos acostumar, pode nos custar sei lá, vem cá e me puxa, responde o meu riso e então pode crer, quero te chamar para passear. Ficar a deriva as vezes é o que nos faz encontrar.

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