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quarta-feira, 1 de maio de 2013

Baixo Augusta

Olha não sei direito de onde você vinha. Mayara Constantino, não sei de onde você vinha, sei apenas que enquanto eu saia da estação Consolação, você descia a Augusta. Eu ia apenas perambular pela Paulista, mas em segundos, no mesmo instante que percebi sua cabeleira loira, sua pele branca, passos suaves e olhos iluminados feito o céu de outubro, decidi descer e sei lá, ver até onde ia.
Me certifiquei de que não percebesse que a seguia, descemos duas quadras, você parou em um bar, acendi um cigarro, fiquei na porta, olhei no relógio e peguei o celular, me equilibrei nos calcanhares feito Dylan, uma mão segurando o celular e a outra dentro do bolso, boina estilo beatles um pouco para trás e você bata de algodão, calça jeans e melissa vermelha.
Escorada no balcão tomava o seu café, olhava a TV sem som, muda pelos barulhos da rua, conversas de pessoas desinteressantes e desinteressadas, fiquei lá te olhando pela vidraça, como quem durante o frio espia a lareira de uma casa confortável... Entrei no bar, pedi um uísque, encostado no balcão com o canto dos olhos te admirava, coração palpitando, boca seca esperando por aquele uísque cristão (mais batizado que o Bento XVI). Mil coisas passaram na minha cabeça, te perguntar se lembrava de mim, inventar qualquer motivo ou situação, citar amigos em comum, engraçado como dentro de minutos pensamos em coisas geniais e na mesma velocidade as anulamos por considerarmos bobas ou infantis demais. Meu uísque chegou, tomei um gole, chamei o garçom e pedi gelo, de pronto ele trouxe, você comentou que também preferia o seu assim, sim olhos ainda na TV, rosto inclinado para o alto, afim talvez de acompanhar os letreiros do noticiário, comentou sorriu, sorri de volta, não nos olhamos, como eu sei? Eu te olhei com o canto do olho...
Pedi comedido e tímido para que cuidasse do meu copo, pois iria fumar, você devolveu com um sorriso  e o sim, seguido do comentário sobre ir fumar com um intervalo tão pequeno (percebi apenas depois, você me olhava desde o primeiro cigarro antes da minha entrada). Enquanto fumava, ouvi um batida na vidraça, era você, meu copo na mão e um gesto como pedindo permissão para tomar um gole, assenti com a cabeça, movimento breve denotando aprovação e alguma intimidade, voltei a dar as costas, não para apreciar meu cigarro apenas, mas também para esconder minha euforia. Tomava de meu copo, em instantes beberia do mesmo uísque que provara e no mesmo copo que tocara seus lábios...
Terminei meu cigarro, entrei, você lá encostada no balcão assistindo ao jornal, lendo os letreiros na TV, entretida. Ao me perceber novamente ali, se desculpou pelo gole, sorriu e confessou que tomara mais um gole enquanto eu fumava, perguntei apenas se desejava um, me respondeu que os dois goles já haviam servido. tomei mais dois goles, pedi outro, olhei no celular, você sorriu ao me ver pedindo novamente pelo gelo, sorri de volta e você disse que tenho uma risada sonora e um sorriso bonito, quase morri, pensei alto devem ser os dois goles de uísque apenas, você chamou o garçom, pediu para fechar sua conta, ele perguntou se estávamos juntos, fiquei te olhando, você disse apenas que gostaria de pagar o café. Pagou ali mesmo, não me ofereci para pagar (presumi que isso denotaria uma invasão tão brutal quanto aquelas do Império Romano a Gália e não gosto de parecer cabotino), recolheu suas coisas, checou os bolsos, desencostou do balcão, me cumprimentou, perguntou meu nome e disse até outro dia...
Não sai do bar para ver para onde ia, de relance apenas notei que por um instante ficou parada, quem sabe o que estava passando em sua cabeça, se estava certa de para onde ia ou apenas não sabia se voltava de onde vinha ou seguia para onde iria, você desceu a Augusta, eu tomei meu uísque, pedi a conta, paguei e ouvi o garçom fazer alguma graça comigo, sai do bar, subi a Augusta e tomei meu metro para casa, sabe durante o caminho só pensei em uma coisa e dentro disso milhares de perguntas me vieram a mente: se algum dia nos reencontrarmos, você irá me reconhecer, saberá mu nome, trocaremos impressões algum dia sobre esse improvável encontro? 
Sei apenas que era uma terça, o mês de abril terminava, eram os últimos suspiros de um mês em suas ultimas horas. Pelo caminho ao chegar na rua de casa olhei o céu e notei uma lua avermelhada, não eram apenas os gases da fabrica expelindo esse pigmento no céu, quis ver nisso uma lembrança da cor dos seus cabelos...

2 comentários:

Ingrid disse...

gostei!
bom feriado..

Youssef Igor disse...

Muito obrigado!
Bjo