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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Canção de Outono

Atravesso a rua enquanto olho para o céu,
estou distraido e desatento, 
não me importo com carros ou pessoas,
ilha de sol, sorriso solar, olhos de areia sonolenta
e faiscas de luar relembrado...

Muito do que digo tem perdão,
mas o pecado inquieto feito um sonho

me leva ate os lugares onde talvez te encontre.

Os livros, discos e o chão da fabrica.
enquanto o coração pulsa e o peito desatina,
existe por ai alguma poesia?

Manhã de sol, tarde de calor,
te aguardo e atravesso ruas sem olhar para os lados.

Me guardo e espero,
escuto discos e ouço as pessoas,

em dias assim, eu fico triste e me recolho,
qualquer coisa atoa traz a tona uma lembrança boa

a memoria é seletiva
com sérias dentencias a tornar o tempo em poesia.

Cabeleira de nuvens, nuvens de sussuro e conforto,
em algum ponto deixei de entender...

no banheiro do bar onde vomito e choro,
no azulejo ou no espelho feito uma visão,

sei lá talvez seja apenas alcoolismo
e um pouco de solidão.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Primeiro Arranjo em mi menor

Adoraria escrever para as estrelas,
entender a razão de seu brilho,

me deixar em seu giro,
luz e poesia.

Adoraria entender a orbita
transfigurada em vida.

Completa poesia
de estelar,

enquanto escureço as noites,
você é a metáfora favorita do dia.

Adoraria entender as estrelas,
todas as noites
ao seu lado
vê-las.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Paradeiro

Acho que perdi o rastro,
por isso eu sento ali e espero.

Um sorriso ou outro bocejo,
de um lado a outro
percorro a extensão da plataforma

mas já é tarde, acho.
Perdi o rastro.

Os sonhos, suspenderei de imediato,
minha esperança marcha em recuo

cabeça baixa, minha fantasia resolveu se guardar.

Anjo de Marmore

Um dia sonhei que acordava seculos adiante,
não haviam sombras ou medos

pelo passeio publico se escutava a canção de amor,
cantada pelas horas e pessoas,

já não haviam coisas,
apenas os sinos
apenas as chances

opções
opções
opções
opções

Ele não te viu sair daquele lugar,
mas estive lá e te esperei por duas horas

Um dia sonhei que acordava distante disso,
um pecado tão pequeno e doloroso
a noite me faz pensar em você ainda

Nunca aprendemos tudo de uma vez, não é mesmo?
ele não estava lá, não é o seu sonho e sim o meu

por isso ele não estava lá

Agora acordei,
paz nos passos
olhos adiante

nas calçadas por onde ando te suponho ainda,
desnuda poesia que ainda povoa o meu sentido

E mesmo com tudo que já disse,
sobram maneiras e jeitos, por favor esbarre comigo por ai.

A atriz teceu o que me entristece
A atriz teceu o que me entristece

seria um prazer o reencontro
dentro de dias ou semanas
e quem mais quer saber?

Por isso aparo a barba, trato da alimentação e sono
nos sonhos eu te vejo, viajo para lugares distantes

e a imaginação se encarrega de ditar isso
em todo canto sou eu, mas te vejo tambem nisso





domingo, 26 de maio de 2013

Chamando ( contato)

Pois é, fazer o que?
Lembrar e entender

a vida é feita ao acaso,
cuidado demais há de render

seus passo, meus olhos,
quando é agora
e o se talvez fosse ontem
acho que o tempo disse
aquilo que talvez fosse calar

eu assisto um filme,
ouço uma musica.

tudo esta onde vejo,
me ocorre ver agora apenas.

Acho que sempre chamarei por voce.

Lira ocupada

Ja que a arte tece a lira,
o doce encontro por outra lua troco,
por trocar digo anseio
e por lua te encontrar
luar de calor e beijo,

inspiração, cachos,
seios, arte, musica e medos.

Quero ir contigo,
seguir adiante,

cada parte sua
feito força,
feito luz e como doce

tão doce suponho seus segredos.
Lar das minhas mãos,
repouso dos meus olhos

Já que a arte a lira anoitece,
em mim desanuvia

tua rima é canto e reza,
cantico, salmo ou poesia.
Voce é Lira


Para quem guarda o presente momento

Olha só, nem sei
e o que pode ser,
caberá ao tempo dizer,
se o que se sonhou será.

A ponte desagua ali,
o amor tenta se parecer
com o que não se pretende ser,
sei lá gosto tanto de lembrar você.

A vida gira e a vertigem é um instante,
ainda consigo dizer seu nome,

perdi seu telefone, me liga,
acessa ou publica

qualquer coisa que me faça entender,
sim sou eu, retornando do tempo

a vida parece um dia ruim agora,
antes de voce nenhuma semana me bastava.

eu volto quando der,

mulher entenda só,
todo o amor agora

é só um pormenor
da hora.


Anjo que aguarda

Então tudo não passou de um delirio,
apenas febre, alusão ao acaso,
anjos, fadas e imagens,damas e indomitos desejos.

A verdade é tão parecida
com o ato de ir a lugares que planejei pra nós,
com outras em tantos momentos.

meus dias como destinos a febre,
meu pequeno universo onde seu nome pulsa.

sempre irei aonde o tempo seguir,
a brisa sobre seu perfuma.
Seguir adiante, talvez o mundo me diga,
razão e esperança são rivais na mesma mão.

Anjo da salvação tardia

Me coloquei no lugar,
como se eu pudesse escolher o momento,
certo ou errado,

apenas pedras te acusam,
cigarros, assim como gatos,
parecem representar sorte ou coforto,

eu encontrei uma forma,
tem uma distancia e um tempo acertados

feito pluma navegando traiçoeira,
ao sopro de uma imagem

seu dia parece com o nosso encontro,
seu destino parece predestinado a me corresponder

sorriso de gato, flores de canudos
e um sonho, sim eu sonhos com isso,
parece tão certo haver sorte,
mas parece com o destino...

Sorriso de oasis e olhos de sol,
tua beleza é o copo da minha sede.

voce não sabe, não me deixa saber que sabe,
mas eu sei que voce sabe, estou bem,
parece que estou novo depois de você,

ela acena e faz com quem diz,
voce não me ve, mas sabe como estou,

longe de voce, mesmo assim sabe de mim,
eu entrei dentro dos seu olhar,sorri e esperei

dentro do seu sorriso de oasis,
me banhei com o sol
na ausencia de seu olhar solar

eu sou o heroi,
não preciso ser salvo

poder ao povo,
voce me olha e diz:

o pecado esta chegando, seu sorriso é setembro,
suas mãos são quentes, poder ao povo!

Roupas maoistas e estrlas de celofane,
não se pode atender ao brilho urgente das estrelas.
Quando você é o heroi,

assim como eu faço lembre:
Eu sou o heroi não devo ser salvo.

Sim, ele não perceu sua chegada,
espero que sejam felizes,

não pseni que culpa é um pecado,
meu erro foi não darmos certo.

O lugar agora converge com o instante,
teu nome é o meu sonho.
Dormi com o poder
e acordei como o povo,

eu sou o heroi da historia,
não preciso de salvação.

por isso eu corro de um canto a outro,
desço por noites e dias,

a lembrança é uma armadilha,
ao descer a ladeira da boa vista, penso as vezes te sentir
como por bem perto ou dentro de mim.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Savoir-faire

Lenin está tão cansado,
deitado em seu esquife
de um lado a outro apenas silencio.
Nada bastou a ele, sequer os seculos.

Pensou em se arrepender e chamar por alguem,
mas Pequim anda tão moderna
e Moscou agora é uma vaga lembrança
daquelas lindas operarias bebadas.

Dentro do vagão e entre toda gente,
meu coração se desespera e grita.
A vida não parece poesia,

Lenin escuta o eco do tempo,
parece sonhar com os dias antes de tudo isso.
As vezes seria bom sonhar, um sonho de menino.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Sarau: Cidade, Poesia e Juventude


Garoa

Estou anoitecendo dentro das horas,
seguindo no mesmo sentido,
dentro da mesma estação.

Um dia sentaremos juntos,
janela aberta, lá fora chove

meus olhos se desviarão até seus olhos
desviados para disfarsar o que os entretem

Cores como ruas, ruas como insetos,
seus passos, meus olhos e qualquer coisa
que por nós apareça

que o que interesse,
seja apenas extensão.

feito flores, fotos, fatos e beijos
ou abraços, labios, laços e os medos.

A chuva esta envolvendo os passos,
enquanto isso fumo e bebo ou penso

entõ a vejo deitada, no armario da cozinha
escorada e sorrindo,
cuidando de uma parte sua
que parece tanto com você

na sala vejo o futebol,
encosto nos discos
e ouço Dylan, Cash ou Lennon,
Harrison, Ringo ou Super Grass

Estamos parados, 
em pontos distintos

aflitos, famintos, constantes
e ternos, sensivel qual um sentido
e inquieto como o seu olhar


em mim não consigo me encontrar
talvez o destino do meu corpo convirja com tua alma,
quem sabe minha poesia só busca seu nome

sua voz é doce
ainda não a ouvi,

seu nome é flor e perfume,
a imaginação dá gosto agradavel
para a palavra que ainda não disse

acordei dentro de uma lembrança,
percebi que era sobre te-la visto

almoce comigo qualquer dia desses,
sorria em frente ao meu olhar

não almoçarei mais de tua mesa,
sim eu vi uma pedaço seu 
e queria estar lá,
te ajudar e fazer crescer

mas o amor é um corte frio,
sem direito a esperança ou perdão

oração que circula os dias
apaga os olhos e desfaz os momentos

sabe, eu queria te encontrar,
ver a tarde seguir adiante,
tomar sorvete no seu bairro,
passearmos, voce, eu e a sua pequenina

nossos dias deixaram lembranças,
a saudade as vezes parece poesia.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Estou ok

Quando for a hora,
não agora,
mas o momento certo

origamis de canudo
e bottons dos Beatles

enquanto as luzes assistem a minha espera,
apenas suspiro enquanto espero: Não agora...

flores de papel e livros de economia,
ainda não é a hora, costumo repetir.

Estou feliz, você ainda não sabe,
mas eu costumo saber antes as vezes

um antigo vicio, um costume qualquer,
as vezes te espero, as vezes não sei,
quase sempre é o novo nome 
para esse exercicio.

Mus dias gasto ensaiando te dizer tanta coisa,
eu tenho uma vida inteira para contar
e um futuro para partilhar

Seus cabelos ruivos,
seu pele bronzeada,

sapatos de boneca,
vestido floral...

origamis de canudo,
um texto impresso no papel

guardei minha fala no bolso
e ensaiei um sol no sorriso

ainda não é a hora,
mas ouvir sua voz...

Será lindo.

por isso mesmo ensaio no espelho,
no intervalo do almoço e enquanto te espero

e a sorte acenará no dia certo,
assaltando com brilho

o ponto onde cruzaremos
nosso destino

por isso espero com cautela,
te olho e advinho na multidão

para voce escrevi um texto,
queria cantar uma canção
urgente e urbana

sobre a maneira como me encanta
o breve brilho que o sol inveja

a sensação que me infesta
feito festa e poesia

espero ouvir sua voz,
disso depende não uma fração

mas a canção que minha alma canta
enquanto espero o onibus e afago a vida.

voce é a gaiola onde meu olhar fez cativeiro,
nevoeiro de suposições e questões
inquietando as noites depois do turno

eu atravesso estações, ignoro linhas
e todo o mundo, tudo agora é como o resto

todo instante na ampulheta das chances
se disipam tempo e olhares

não sei seu nome moça,
mas t vejo em todos os lugares,

na liberdade, consolação, brás e bexiga
em tudo o que há, antevejo poesia
se a suposição cabe te encontrar.

Não sei seu nome,
pouco sei sobre seus habitos,
notei que lê economia e literatura classica

não sei teu nome,
não tenho coragem para perguntar

origamis de canudo,
flores para te presentear

noite dessas como em outras noites,
te encontro e sentams juntos
espero o dia em que iremos conversar

pouco importa se sobre o tempo, dia ou atraso
entenda bem e saiba disso

que noite feliz quando souber teu nome,
quando contigo misturar o meu caminho.

domingo, 19 de maio de 2013

Carta de Rendição


I've had a drink or two and I don't care,
There's no fun in what I do if she's not there,
I wonder what went wrong I've waited far too long,
I think I'll take a walk and look for her.

Though tonight she's made me sad,
I still love her,
If I find her I'll be glad,
I still love her


Santo André, 19 de Maio de 2013

Conforme os termos abaixo e respeitando a convenção de Genebra, gostaria de apresentar meus votos e  declarar-me vencido.
É com pesar e alguma lastima já pressentida,que lanço mão de minhas manhãs de sol, meu passeio despreocupado por qualquer parque da cidade, todos os passeios na verdade, afinal qualquer passo é seguido de um olhar pros lados te procurando ainda.
Suspenderei de imediato os sonhos, planos e esperanças, relaxe não precisa chamar a Terceira Frota ou acionar Tio Sam e seus porta-aviões, minha quota de sussurros tratarei de cessar em doses conciliáveis com o meu oficio. Abro mão do meu chapéu panamá e daquele cachecol suíço que ficaram contigo, o disco do Noel Rosa, as dicas sobre literatura russa e alemã também pode guardar, aconselhar e usar em comentários ou piadas, não precisa e sequer pretendo reclamar creditos.
Um adendo apenas antes que Nuremberg ou quer seja o que for me coloque na cadeirinha e questione ou investigue:
Sim por meses a fio venho criticando o seu amado Corinthians, idolatrado meu Palestra Itália, gritado amores a minha pequena Manchester paulista, criticado teatro de rua, falado horrores dos atuais espetáculos contemporaneos e deixado de lado criticar Adoniran, a razão todos presumem, mas poucos tem a dignidade de expor, pois bem, entregues as armas, me despedirei dos escudos: queria chamar sua atenção, te fazer notar e entender...
Metade do que eu digo é sobre você, a outra metade é sobre aquilo que te interessa, até o meu silencio é cronometrado, meu desespero e saudade ativaram o mecanismo absurdo dos hábitos.
Por isso me rendo, abro a guarda, libero minhas fronteiras e dispenso a defesa, me entregando como quem se desfaz, por trás das fileiras de dias, no escombro das horas saberá mesmo que não procure, sua ausência ardeu feito chama definitiva que queima ou explode o que não consegue consumir.
Afinal tudo que tenho escrito, como já disse: metade do que digo é sobre você e a outra parte é apenas para chamar sua atenção, quando você lê algum artigo no jornal, algum poema social, alguma critica musical ou cronica, algum amor possível, paixão platônica ou desencontro, entenda que mesmo quando não para você, fala de você.
Meu coração abriu os flancos, dispensou munições, s pensamentos em posição de sentido de tão fragilizados abaixam a cabeça e entregam os pontos, impossível resistir, não d~e aos mesmo, o mesmo que fim de quem vos escreve, tempero melancólico é o sereno e o desassossego, me recolho da luz e do calor das nossas lembranças e apenas peço para que as cuide com respeito e dignidade, elas tem lá alguma importância devem ter asseguradas a integridade que compete a tais seres dessa natureza.
Portanto como já no inicio disse, não por vontade própria, mas de alguma forma já sapiente do meu figado e paciência, me rendo e entrego, peço que como sinal de sua gentiliza e nobreza respeite os termos e fatos citados.
Para todos os efeitos me declaro rendido.
Reine sobre mim

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Habito

Tantas palavras
carrilhão silabico
descaminho e dor

Dentro da noite me apresso,
por onde estarão os momentos mais tocantes?

Ainda não sei se entendi,
recolherei as pistas e os traços

indo e voltando
não repare se não sei parar

tenho comigo
esse estranho habito:
sonhar.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Sobre isso ou aquilo

Até quando seguirá isso,
de ser poeta, janota, maldito e Dionisio?

Excentrico de suas viagens
literariamente lirico
literalmente onirico
e quem sabe por isso,
sempre me diga coisas assim:

''Queria ser o tapete na sua porta,
para limpar seus pés antes de entrar em casa''

Recolherei os mantras,
atravessarei a sala,
abrirei e fecharei a porta,
atravessarei a rua
definitivamente.

Seu coração é uma caixa, realejo onde as ideias tomam cor,
salte agora não segure minha mão,
não esqueça de acenar enquanto parte.

Estrelas são comprimidos afagando sua ansiedade

A cidade brilha como se todo o lugar
fosse uma replica do passado

Então, até quando seguirá com isso?
Sua voz recai como um casaco enquanto venta frio

Um beijo, um disparo ou qualquer risco
a volupia do seus labios é o perigo.

olhos de fogo,olhar de balão
atmosfera esferica e estelar

O futuro é pré-datado e nos cobra juros

espero um dia entenda,
o vinho, a vida, a poesia e os vicios.
Guiados por esse sotaque bonito

nada agora distingue o porque
naquela noite voce fingiu não me ver
sorriu inquieto e se despediu dos amigos

Viver não é a febre do ouro
é somente uma febre
não é tambem a febre do outro

E quando adivinho seu dia
sinto como se todos o tempo
o tempo com o espaço viesse falar

Voce me diz coisas sobre ela,
sua roupa, o onibus e sei lá

atravesse a rua por favor

amor eu não sei esperar

viver é um lugar onde não sei saber tudo

Se aproxime e diga algo
qualquer som que pareça uma palavra

uma palavra que não seja adeus
enquanto o mundo segue reticente
voce devora exclamações

ele deve estar a minha espera,
deve realmente haver um ele

então vou ficar por aqui
supondo ele e seu mundo

sorriso cansado
canção e arbitrio

fui a anterior
então é isso

a proxima por favor!

Girafa

Casávamos
entre ruínas
casávamos

eu, terno inglês
e porte italiano,

barba bem feita
e cheiro de colonia.

Casávamos no sonho
e no sonho te olhava

sabe o que me incomoda?
No sonho você virava girafa...

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Suspeitava

Quando o dia chegar,
saberemos

não sei ainda,
contudo sei
que saberei

aquilo que ainda não sei,
o que apenas suponho agora

sim suspeito,
costumo recordar 
e então sei um pouco
o tempo é agora
por agora não

Contudo saberei,
quando por fim souber
enfim poderei dizer:

sim, ja suspeitava.

A mesa

O céu noturno esconde o
que o dia cinico revela,
os segredos, medos e suposições

atravesse a rua e feche os olhos,
sinta o ar assaltar seu pulmão...

Flor de março em outubro não tera perfume,
alegoria que quer o universo

minha poesia
tua metafora

Recolha os gastos
refaça os planos.
Refaço a reza
reinventando esperança

essa noite sonhei com o futuro
dentro dele havia um rastro

nele cantava o teu nome e ali ouvia sua luz

seu sorriso é uma casa
onde minha alegria quer morar

Onirico

Ela ainda pergunta por voce?
Estou aqui para dizer,
ela ainda pensa em voce antes de dormir,
como eu sei?

outro dia voce estava inquieto e de canto,
soube depois, sonhou com ela...

parques com piscinas de desculpa,
fantasias maiores que o delirio,
ela realmente pensou em viver sem isso

mas agora ela sabe,
alias tem entendido isso

todas as vezes
antes de domir.

eu apenas sonho e olho o céu,
peço desculpas se não sei dizer:

apenas um sonho
ou o que suponho,
em dias como o sol

seu olhar solar, diz tanto e é tanto...
A voz daquilo que se percebeu,
como um eco ressoa em meus sonhos
gira feito borboleta e diz...

Ninguem sabe então não advinharei,
quantos lugares e por que ignora-los

em outra vida eu sabia,
falava como falo agora,
mas nos conhecemos nessa,

na proxima renasceremos gatos...

Se ela ainda pergunta por voce?

voce mesmo sabe,
inventou maneiras de como saber

em um lago onde se poderia ler escrito desculpas
ela veio e te abraçou, proxima como uma lembranca recente
triste como um pressagio

voce aguardou quieto e vazio,
seu silencio era povoado de fantasmas e incendios contidos.

na orla dos tempos recolheu memorias,
a refez como era e a cantou como fosse assim,

sim o seu amor desencantou o silencio,
quando te escutamos calar

o nome dela martela os ouvidos treinados ao seu canto,
o mundo le em tudo que é voce
os dias e os momentos entre vocês

Sim ela ainda pensa em você,
todos os dias reza pedindo não dizer seu nome
enquanto dorme.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Baixo Orçamento


O amor é um filme de baixo orçamento, o que se espera é que os atores convençam. O meu papel eu cumpro, ate as estrelas faço chorar, aqui a baixo desse céu austral, me ponho a pensar que o seu papel é o mais difícil. O seu núcleo afinal é a ausência, a sua falta dialoga com a minha solidão. 
Enquanto isso em algum ponto distante meu olhar te procura como se para te encontrar fosse necessário tecer vasto monólogo sobre estrelas, frio e inverno. Todas as noites saio em busca de paz, mas acabo mesmo é procurando por você. 

Amor é o nome de quem ainda não te conheceu... Quando a câmera recuar e subirem as fichas técnicas, lá estará impresso, teu nome e tua feição, teus olhos de sol e tua boca de calor. Eu pouco sei, na verdade coincidiu do personagem que interpreto ser a doença da qual padeço.

Confesso que comprei a revista Veja hoje ( azar o meu, ok?)


Coloquei meu terno azul marinho, me barbeei e coloquei o meu óculos de acetato, fui para uma reunião de uma organização católica de ultra-direita chamada Montfort, ali me diverti por três horas e meia bancando o conservador. Ao sair do trabalho senti que faltava algo na minha fantasia de jovem ultra-direitista conservador, sim claro por que não comprar uma revista notadamente de direita e dizer que a mesma não passa de um panfleto esquerdista de Washington...
Fui na banca mais próxima que encontrei ainda aberta pleno domingo não é fácil encontrar bancas de jornais abertas após o almoço, mas com algum esforço encontrei e pasmem segundo o jornaleiro não havia vendido uma revista Veja até aquela hora, ele me recomendou a Carta Capital com as seguintes palavras: essa é uma revista séria. Comprei a revista ajeitei o meu terno, treinei a cara de nojo e a atmosfera de superioridade e aquele trejeito corporal de quem recusa abraço, com gestos apequenados e contidos, com algum traço de panico social, 1hora e meia de metrô depois lá estava de frente aquele prédio estilo anos 40, perguntei ao porteiro se ela ali mesmo que eles se reuniam no que ele disse que sim e deixou escapar que o Sr (...) sempre aparece por lá apos o almoço, no que indicando alguma intimidade perguntou se eu conhecia o Sr (...), disse que sim, mas era amigo mesmo do Sr (...) que é amigo dele 9 logicamente inventei um nome e disse que após uma lona estadia na Europa, queria fazer uma visita surpresa, ele me deixou passar, indicou o numero e o andar onde os mesmos se reuniam e pediu desculpas pelo fato do elevador social estar quebrado e os empregados usarem o mesmo que os locatários, visitantes e etc...
Lá entrei, cumprimentei a todos, fui até o Sr (...), fingi uma intimidade com o mesmo e perguntei pelo Professor Fulano e se ele ainda tinha contato com o Padre X, ambos extraídos de uma breve pesquisa que fiz enquanto seguia para tal reunião e sei serem bem próximos do Sr (...), notei diversos senhores de meia idade alguns jovens, sentei próximo do SR (...) e até fiz ma intervenção criticando o artigo da Veja, a heterofobia e como a mídia brasileira é repleta de esquerdistas travestidos de jornalistas. 
Recolhi diversos cartões após a reunião, de contatos que vão de promotor publico, ex-! militares da reserva, uspianos que não transam até dois acessores parlamentares.
Voltando para casa, parei no bar antes tomei duas doses, desabotoei a camisa, ri alto e por pelo menos uns 10 minutos sem parar.
Por um instante lembrei de um rapaz que estudou comigo que fala de maneira difícil e se diz leitor de Marx e de um guru marxiano de direita, entre esse rapaz espinhento e os conservadores de direita não notei diferença alguma, inclusive um dos uspianos que não transam usava os mesmos termos que esse rapaz.
PS: também pensei que foi muito fácil adentrar aquele lugar, cuidado com a segurança galerinha do outro lado

domingo, 12 de maio de 2013

Eu tenho um plano agora

Eu tenho um plano,
com o passar do tempo amadurecerei a ideia
até o ponto em que se tornará um projeto.

Revisarei os argumentos,
já tenho as falas,

decorei com precisão e minucia.

Preparei o bilhete e o livro
o motivo e a desculpa,

eu tenho um plano, não é genial
e quem sabe se será inspirador

contudo pensei por horas,
arquitetei cada detalhe

Todos os dias desde então corro ao sair do trabalho,
pego a mesma linha desde que decorei o argumento

e se o momento ainda não ocorreu,
não me abalo, anoto algo,
faço um verso
ou revejo os detalhes.

Eu tenho um plano
repasso o texto e os passos todos os dias
metalmente treinei meu corpo
adestrei minha fala e o olhar

naturalmente sorrirei
de uma maneira a convidar o riso tambem

Tenho um plano
e é só questão de tempo
afinal agora eu tenho um plano.

sábado, 11 de maio de 2013

Balão

Um balão no céu vaga e anuncia
aquilo que o dirigivel coerente não poderia

enquanto voa e queima e sobe,
não sabe, mas com luz e velocidade,
pela minha janela fria e inquieta
representa aquilo que parte

fogos e foguedos, foguetes e brinquedos,
loucura, delirio e medo

truques e filtros de solidão, a cidade fria e calma,
dentro da noite é bem maior que essa canção
Tem mais poesia na vida

que qualquer motivo coerente que conteste
a beleza desse balão. Eu no entanto olho o céu
e sinto a vontade de seguir em frente

Proust

Devo ter vivido milhares de vezes
e antes dessa vida
em outras nos encontramos

daremos certo no futuro
nessa ou quem sabe em qual

afinal o amor é a rosa
que não ilumina o mal

Devo ter vivido muitas vidas antes dessa
e quando penso em saudade
acho que não posso explicar

dentro de mim uma cidade
e nela há ruas e bairros
em cada esquina suspeito te reencontrar

Meu sorriso é um maço de cigarros sem filtro
uma avenida de muitos vicios e perigos.
Dentro de mim uma ponte e nela não sei dizer
atirei pedras no lago e nas aguas quase podia nos ver

São tantas ruas e cidades
dentro de mim essa triste certeza

se não nessa vida quem sabe em outra
aprendi a poesia que não sabe deixar de ser tristeza

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Extensão

Sei lá, vem ver
e pode ser, enfim
quem foi não sei

A vida é mesmo uma estação 
destituida de paz

Fecha essa porta
e guarda essa razão

Despe o vestido e sente apenas e só
o que eu quero ter

mostra um pouco aquilo que quero provar
e o que não posso ver

Se guarde um pouco de mim,
se deixe um pouco com fé

abra essas janelas e por fim
seja só mulher

e há quem queria falar
coisa que não sei dizer

ponto e basta, vamos ao bar
o resto deixemos ao resto
todo o mundo pode ocorrer

corre um pouco e é capaz de perder
o ultimo trem, meu bem alem desse outros mais dez
mas só depois das três

Leva comigo um pouco de si
e com isso não sei o que fazer

vão dizer coisas que nem atrevi a falar
e por que vou cantar

um beijo e outro ok
coisas que nem ousar

outra vez o riso faz luzir
o que deseja seguir

repousando assim em peito
flor de desejo, perfume da solidão
doce canção que não tem refrão
anula o não e diga o sim

faz de mim 
a tua extensão.

Vishnu

Algum dia as estrelas se olharão o espelho,
sem o céu a noite gira em relogios e sonhos
e agora o que poderemos dizer?

Falta sentido, parece que a vida foi passear
enquanto o céu brinca de se esconder e burocrata procria

Seus cabelos de som e vento...
Seus olhos parecem ter a cor da chuva...

A rua parece maior quando voltamos do trabalho,
o coração é um relogio sem utilidade,
sem hora certa e quase sempre é nunca,
nunca entende muito se acerta é apenas sorte

Um dia acordará e entenderá,
até lá apenas viverá e acho que é isso apenas.

Esperavamos por algo maior,
mas o logradouro dos sonhos
é um endereço imaginario e provisorio

(Acorde...)

Chineses comem o almoço enquanto mendigamos carinho,
um dia ela vai entender o que eu disse naquele momento

Enquanto isso, sei que vou chutar latas e pensar 
enquanto olho os predios e circulo pelo centro a noite.

Então eles sabem do que estou falando,
mas nunca saberão como eu disse,

estão no meu jardim e servem o meu café
papeis atestam com pericia que a tortura sera eficaz

limpos como filhos de policiais
hipocritas como suas namoradinhas brancas

( Mastigue...)

O perfume circula a alameda
feito os quilos que a mentira induziu

Il est allé d'être en noir et est devenu un scélérat
arrêtés le long de ce ver et de brûler leurs fils et leurs uniformes

enquanto o sol vomita luz e o céu digere nossas ilusões
não sei o que dizer 

As ruas querem abraçar o horizonte
 vida boceja enquanto as horas passam

Tudo que voce precisa saber
´exatamente aquilo que parece verdade
mas de uma maneira que não seja mentira.

(Não minta...)

Engatilhado para o mundo
feito um livro sagrado escreto em letras mortas,
perfeito como alguem que parece humano

deus está olhando aquela moça enquanto ela sorri,
parece feliz mas não sei muito bem se posso acreditar

Talvez seja uma piada,
macacos pulam de predios
e alugam casa
nas fronteiras da cidade

eles usam fardas, o papai deles usa farda
e tomam chá e os filhotes não costumam beber
ou fumar ou beber e fumar...

guitarras são caretas se pagas a preço de sangue
se o que mantem seu lar é violencia seu destino é a barbarie.

(E tenha um bom dia...)

dentro de casa as janelas de outras casas,
tão distantes e iluminadas por televisores 
parecem estrelas parindo luz e esperança

a voz de muitas vozes
ecoa como o barulho que a agonia canta

Você não leu Balzac,
acho que não entenderia Kafka mesmo que explicasse

Não tenho medo
e sei muito muito bem o que eu sinto

A vida tem uma cor diferente
e a alegria afastou de mim
o que a vida etendeu
que não serviria 

então assim comumente como quem lê o jornal,
escrevo e leio muros, placas e livros

nada na cidade me diz algo
o silencio da noite é o canto da solidão

não a solidão dos amantes,
mas o prato frio dos aflitos.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Em luto

Você era tão jovem...
Reconheci seus passos,

soube na hora que se aproximava
que seria o tempo de nos afastarmos.

Seu ponto chegou...
Sim acho que é o final...

Sem sonhos,
longe da bolha,
distante dos sonhos,
cuidado ao atravessar a rua...

O sol não virá,
está tão frio não é mesmo?

Você era tão jovem...
Reconheci seu tempo acabando

e aonde nos reencontraremos?

Parece que choverá essa noite,
estamos distantes agora,
estaremos distantes adiante

Ideias vagam inquietas
dentro de uma imagem qualquer.

Luzes cortam o céu,
o frio retalha meu rosto

eu olhos os postes enquanto volto
e vejo os faróis e posso ouvir os pneus

Cuidado ao atravessar a rua,
seu ponto chegou
acho que é isso.

Voce era tão jovem...

Está frio, mas amanhã fará sol,
vou vestir minha melhor roupa
e por meus oculos escuros

e se estamos distantes agora
amanhã o que poderei dizer?

Voce era tão jovem.
(isso acontece todas as horas)

terça-feira, 7 de maio de 2013

Bom Homem ( tentativa de poema politico)

Todos os dias o bom homem para o trabalho costuma seguir,
não por habito ou prazer, apenas por necessidade.
O que ele ignora, seu corpo sabe, sua dor e sua classe,
o trabalho é exploração e nele não pode haver verdade.

Todas as noites o bom homem com sua companheira quer amar,
as vezes bebe, as vezes não pode beber, queria amar mas não consegue.
O cansaço o persegue, feito açoite que a carne morde
e não o permite senão com o prazer sonhar

Nos feriados o bom homem dorme, bebe e come,
a sua vida de sentido carece e a carencia de algo o consome,
não se trata de sede ou fome, trata-se do efeito da sede e fome,
da condição de coisa andante, o bom homem queria ser um amante

e quando para junto dele sua companheira se aproxima,
feito um sinal ruim que o vitima, em anuncios as coisas
e os sonhos plasticos que lhe ensinaram ser a vida.
O bom homem queria entender poesia...

Quando entre as pessoas no onibus esta,
uma conversa ou outra costuma escutar.
um cordial bom dia a moça que com ele
todos os dias pega o mesmo transporte lotado

o bom homem pouco sabe das coisas das quais esta rodeado.
Aprendeu a ficar falado e sorrir, foi bem ensinado.
Quando algo há que não aprecia, pensa consigo calado:
que bom seria entender poesia.

todos os dias ao trabalho segue o bom homem
e no mundo dos cuidados ignorados,
ele ainda se importa e se comove ao escutar da conversa alheia
o causo tragico e fatidico por desconhecidos contado.

Ele se barbeia, toma café e segue para o trabalho,
bom homem feito um bloco,
se converte todos os dias em fardo.
ele é o duro fardo dentre outros fardos por ele carregado

Canção do Rato

Se com o gato o rato vier brincar,
lição disso poderemos tirar
e espero entendam que a contenda pode ser real,
nunca natural e nunca boa

no dia a dia se observa o gastar das horas,
nos nervos opressos e no mecanismo das bocas

O navio que o destino espera
vê no horizonte o sol se por
para ele o inferno é a doca

A liberdade para o rato não é estirpar o gato,
a liberdade é com ele dançar e entender o bastante
para com ele sair e cantar.

Em uma noite como essa uma estrela pode haver
estrela que poucos saibam e no entanto
em algum canto alguem se ponha a descobrir

Mas ates be antes do olhar humano e curioso
a mesma estrela luzia e seguirá a luzir.

A contenda não é quem decide a quem pertence a liberdade,
pois aos vencidos caberá a escravidão

Em casa de enforcado não convem falar de amores,
rezar virtude ao falecido não diminui as dores

falar de azul quando o azul convem
não demonstra conhecer das cores

Se o gato ao rato para a dança chamar
a canção não será a liberdade

A liberdade é cantar.

domingo, 5 de maio de 2013

Voar


Ouça com afeto, o que eu digo com força
nasci nu e morrerei vestido
caso meu destino seja a forca

mas veja bem, olhe só o que vou contar,
outro dia lembrei daquela noite

pena, que pena e é tanta pena
capaz que voe o meu penar

Ele cansou

Recolheu a mão, quem comigo algo quis,
desencontrado o seu sorriso
achou melhor ser feliz

Do outro lado da calçada e entre outras pessoas,
ele nem percebeu que eu vi e percebi

sem ele aqui o tempo ecoa
e desfere golpes crueis
só não ferem pois não fere quem é feliz.

Agora ele já não olha,
não por esquecimento, mas por precaução

desarmou o olhar já tão cansado
de buscar minha atenção

E tem quem diga o mesmo que ele: a vida vai seguir.
Espero que o tempo seja uma promessa capaz de se cumprir.

E outro dia, dia dessas, noite passada
quem sabe talvez até mesmo essa

lembrei daquele dia, da alegria
e daquela promessa

Vai ver que por fim, sei lá
caiu em si e nem se deu tanto quanto deveria
foi apenas um sentimento que a ideia quis tornar intenso

e quer saber as vezes até insisto um pouco
e ao recordar um pouco paro e penso

nunca aconteceu, não foi contigo ou comigo
foi apenas um delirio e por tão ter sido tão pequeno

todo cuidado só serviu para cuidar
e tornar e sonhar e querer

mas sei lá, quero crer
que tambem aconteceu e sei la pode crer

hoje ele anda sozinho, chama meu nome no bar,
ajoelhado no bide antes de vomitar
a tensão do dia, a vida e desespero escondido atras da folia

no final a vida me faz entender
que toda a poesia que ele faz

no fundo é um canto que me diz:
siga em paz,
obrigado mas agora eu quero viver.

Recolheu a mão, quem comigo queria seguir,
como num sonho ele veio,
mas com o dia se foi,

o que aconteceu não sei dizer,
mas me atrevo a pensar assim,

um dia ele cansou do meu sonho,
queria sr feliz.

Managua

Olha só como é bonito o dia
da até dó fazer poesia

quando a mesma parece ja feita
desfeita a mesa resta a canção

o amor, a rua e a noite,
feito luz, loucura ou ilusão,
refrão ou açoite.

Agora por fim fica assim
e se não for comigo

pois bem não foi por mim
e acho bom que não tenha sido

tanta intriga, poema, poesia,
cobiça e outros truques nos quais invisto.

Relaxa nega, acalma um pouco esse samba
e saiba logo vem aqui o seu marido.

Ouça com afeto, o que eu digo com força
nasci nu e morrerei vestido
caso meu destino seja a forca

mas veja bem, olhe só o que vou contar,
outro dia lembrei daquela noite

pena, que pena e é tanta pena
capaz que voe o meu penar

mas ai é outro poema,
mais um problema e sequer posso contar

guarda tua arma, desarma o seu olhar
faça silencio ão é novembro e isso ainda ha de haver

enquanto isso canto esse canto
e ledo engano é quem pensou
que não seria sobre você.

Bilhete VIII (ultimo)



''I don't know why nobody told you
How to unfold your love
I don't know how someone controlled you
They bought and sold you''
George Harrison
Santo André, 04 de maio de 2013

Olá pequena, estou escrevendo o ultimo bilhete, relutei o dia inteiro, revirei na cama, fui a barbearia, não me acostumei com a idéia ainda, mas cansei da ideia anterior, pois é deixou de ser um sentimento e tornou-se uma ideia apenas e ideias eu tenho as duzias, milhares e bilhões! Desculpe, não faz mas tanto sentido sentir isso da maneira como andava sentindo, brigado por ter me despertado uma paixão, por me mostrar que ainda posso me apaixonar, de maneira perdida, adolescente e enlouquecedora, fazia tempo não sentia isso e antes de entrar na minha vida acreditei que nunca mais sentiria isso. Você entrou, sorriu e aqui ficou, me mostrou que eu conseguia, me mostrou que ainda posso sorrir e sofrer, muito obrigado serei eternamente grato.
Já não dava para seguir, seguir com algo que não devia ser um fardo, mas é que algo feito para dois, apenas dois podem manter, minha teimosia me fez insistir até aqui. no fundo eu sei toda a dor de depois, todo o caminho faltando outra sombra, voz e passos, todo o percurso eu mantive  não por esperanças de que um dia voltasse, mas muito mais para lembrar que você me alegrou enquanto estava aqui, como dizia um ditado: lembrar de uma alegria passada, torna-se triste, se no futuro não há horizonte que seja esperança. 
Um antigo ditado e síntese do pensamento budista me ajudou a entender melhor o que vivemos, entender o bastante para saber que foi bom e por ter sido tão bom não vale a pena remoer ao ponto de tornar-se dor ou medo do futuro, afinal se toda a dor vem do desejo de não sentir dor, pouco me importo com a busca agora, serei o meu caminho e destino na exata faixa de tempo em que vivo, com gratidão ao passado, tentando tirar lições e perdoar cada falha minha ou dos outros, sem o peso hipócrita da culpa, sem a pretensão de me tornar maior ou forte, quero apenas seguir como eu e comigo, sou minha estrada e todas as respostas as minhas maiores e menores inquietações.
Sabe te achei o máximo, ainda te citarei em conversas e bem no fundo ainda nutrirei aquela vontade de nos reencontrarmos nessa ou em outras encarnações, ainda emanarei seu nome com o devido respeito que se nutre a mantras e rezas, pois foi santo e me fez evoluir o que vivemos, mas ficou no passado, não cabe mais na minha vida, no futuro talvez caiba, quem sabe o que no futuro o futuro nos reserva, eu não sei e procurarei a cada instante calar a ansiedade pelo futuro, manter a calma nos faz poupar uma grana com cardiologista, não é mesmo? Pois é, você que me disse isso um dia.
Você foi luz, quando eu precisava de luz, seguirá simbolizando luz em um período de trevas, ao menos assim seguirei lembrando de você, mas agora sem o ressentimento pelo final. 
Esse é o ultimo paragrafo que dedico a você aqui, eu estava só e você apareceu assim como veio se foi, parece um sonho, lembrando assim e foi tão bom, por isso permanecerei, alias retornarei ao ponto de onde nos conhecemos, para não gastar essa doce recordação. quando sair por favor apague a luz e feche a porta, cheque antes se não esqueceu nada, a minha parte levarei comigo e guardarei para dias cinzas, seu sorriso seguirá sendo um raio de luz ainda maior que o sol, uma canção antes de ser composta ou cantada, ainda mais linda ao supormos como deveria ser, mas não suporei mais, cansei de supor, suposições gastam o coração e amargam a alma, então querida siga seu caminho e se nos esbarrarmos, caso seja conveniente venha dizer oi, se não disser tudo bem seguirei te admirando, feito foto que guardamos no fundo bau para o olhar não gastar, saiba que sempre serei grato por cada beijo, almoço e tardes juntos, saiba que sorrirei quando disser seu nome ou ouvir algo que me faça lembrar de quando existiu um nós entre eu e você. fique em paz, tenha paz e seja paz, prometo que serei feliz.

Beijos do cara que não sabe dizer adeus

PS: fique tranquila ainda estou escrevendo aquela peça em que as personagens centrais somos você e eu.
PS II: Não perguntarei por você aos garçons dos bares no Baixo Augusta, pergunte se quiser por mim, mas não fique indignada se começar a sair com outras atrizes ou modelos, nunca é por querer e nunca será, é apenas a vida acontecendo e prometo não ir nas suas peças a não ser claro que assunto me interesse muito.

sábado, 4 de maio de 2013

Ao filhote do algoz

Agora a rua é apenas rua,
diante dos olhos mais rua

abaixo dos pés o asfalto
nada nos falta, apenas o mundo

sorria para o moço da TV,
cante uma canção ou apenas se drogue

aspirinas e coca-cola
truques que não aprendeu na missa.

meus heróis não usam farda
não carregam fardos

não dominam feudos

sem flores ou ilusão
olhei sem querer para o passado,
dentro do desespero só ouvi seu riso

Macacos só podem marchar
lousas de cocaína e sábados na cadeia

realmente estamos regredindo ao ponto
onde os animais nos enjaularão

Pegue meu cigarro
e cante essa canção

Não se pode ser um Beatle
quando seu pai se veste como um assassino

Meu cabelo moptop e agora sei lá

negros fascistas
e pobres conservadores

Gays catolicos
ou fundamentalistas tolerantes

enquanto um cão ladra por emoção em um tubo de ensaio
ouço o tambor e vejo a farda vestir mais um otario

sexta-feira, 3 de maio de 2013

T-12

Qualquer coisa fora dos planos costumeiros, qualquer coisa pode nos custar ficar a deriva e a maré ao nos levar se chame apenas ao acaso. Vai ver se a minha cabeça não tivesse pesado tanto, se um antigo amor não pulsasse em minhas veias, feito doença congênita, mal desnecessário, espinho na carne a soletrar nomes, frases e textos inteiros, reza inquieta que desafia a fé e nos embala ao mais mortal dos abismos: a vida ou a solidão.
Pois é... Hoje não tomei o meu costumeiro ônibus, mas me sentei no costumeiro lugar de sempre, próximo a janela de maneira a observar os passageiros nas outras paradas. Peguei o T12, não peguei o T16, e fiquei lá sentado ao lado da janela observando as pessoas e quem vejo?
sim aquela moça que há tempos não vejo, o motivo de sempre corre para pegar o T16 das 22:15... Estiquei o pescoço, saltei as sobrancelhas e timidamente sorri esperando ela me perceber. olha não sei se ela me percebeu ou se apenas sorriu para o nada, mas ela sorriu, ate agora estou pensando nisso.
Meu dia não foi dos mais fáceis, mas ao final vê-la foi algum alivio, prometo não tomar nunca mais outro ônibus de volta para casa que não seja o T16, se não achar coragem, finjo qualquer razão, paro no ponto dela, sento ao seu lado, mas puxo assunto ou entrego algum papel, quero ouvir a voz dela, saber o aroma do halito dela, fazer alguma piada e observa-la sorrir.
Moça que não sei o nome, mas mora bem perto da minha casa, 4 pontos antes do meu para ser bem claro.
Moça se por algum acaso eu me aproximar, não repare meu sorriso bobo, minha gagueira (não sou gago, só quando fico tímido), não repare meu sotaque estranho as vezes e nem minha voz alta demais ou as vezes muito baixa, as palavras sem nexo e os olhos brilhando. moça se te olhar demais releve, não faça pouco caso, não me ignore, todos os dias eu tomo o T16, as vezes antes e algumas vezes depois suponho, justo no dia em que nos encontraríamos, por conta de uma dor de cabeça resolvi pegar o T12, mas caso tivesse pego o T16, acho que não conseguiria forças para nos falarmos, estou cansado, com sono e triste, triste de dar dó, triste por lembrar de uma canção que não sai da minha cabeça, triste por uma outra moça e essa eu sei o nome, os gosto e feitios. não repara o sem-jeito, a brevidade do texto, o melodrama beatlemaniaco, sou bom rapaz, filho de operário, egresso do Bom Retiro, criado para ser boa cia e etc.
Você não me conhece, mas estou te escrevendo aqui d passado, dessa madrugada de quinta-feira para sexta-feira. Você me notou um pouco mais cedo? Sorriu em resposta? Suponho tantos nomes para você, nenhum tão lindo quanto aquele que ouvirei quando souber como se chama...
Hoje meu dia não foi fácil, fiquei irritado, cabeça doendo desde que me acordei, mas sabe seu sorriso valeu a pena ter continuado o dia até aquele instante, no futuro você lerá isso ou não, mas te escrevi ao menos para te agradecer.
Eu sou uma maquina de fazer coletivo, de dar carinho, de fazer carinho, de dar amor e fazer amor, gritar e ser grito, dar texto, escrever bilhete, provocar riso e raiva, provocar e acalmar, só não sei a dimensão de tudo isso se aplicada em mim, se apenas para mim ou somente em mim, não consigo ser rua, gosto de andar pelas avenidas, não sou grande o bastante para ser beco, amo demais as praças, sou paz, dou a paz, mas não consigo ter paz ou amor, ter paixão na dimensão moderada que não me caus essa vontade de ensurdecer ouvidos com algum refrão qualquer, moça eu não sei muitas coisas, não sei seu nome por exemplo, mas adoro o cheiro do seu perfume e o tom claro da sua pele, seus cachos e sua maneira de sorrir. Essa noite um bilhão de estrelas certamente brilham no céu, um numero ainda mair, um número que a matemática ate agora não pode em conjunto com a astronomia mensurar, essa noite um carrilhão desses mesmas estrelas deixaram de existir, outras tantas já deixaram de existir milênios e milênios antes da bactéria primordial aqui no nosso planeta isso pouco importa, pouco importa agora, quero saber seu nome, quero te conhecer, não é um flerte, não é um jogo é apenas te conhecer, de todas as estrelas ao menos uma, essa que é você, essa eu quero saber o nome, idade e predileções...
Qualquer salto fora do que nos acostumams a nos acostumar, pode nos custar sei lá, vem cá e me puxa, responde o meu riso e então pode crer, quero te chamar para passear. Ficar a deriva as vezes é o que nos faz encontrar.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Baixo Augusta

Olha não sei direito de onde você vinha. Mayara Constantino, não sei de onde você vinha, sei apenas que enquanto eu saia da estação Consolação, você descia a Augusta. Eu ia apenas perambular pela Paulista, mas em segundos, no mesmo instante que percebi sua cabeleira loira, sua pele branca, passos suaves e olhos iluminados feito o céu de outubro, decidi descer e sei lá, ver até onde ia.
Me certifiquei de que não percebesse que a seguia, descemos duas quadras, você parou em um bar, acendi um cigarro, fiquei na porta, olhei no relógio e peguei o celular, me equilibrei nos calcanhares feito Dylan, uma mão segurando o celular e a outra dentro do bolso, boina estilo beatles um pouco para trás e você bata de algodão, calça jeans e melissa vermelha.
Escorada no balcão tomava o seu café, olhava a TV sem som, muda pelos barulhos da rua, conversas de pessoas desinteressantes e desinteressadas, fiquei lá te olhando pela vidraça, como quem durante o frio espia a lareira de uma casa confortável... Entrei no bar, pedi um uísque, encostado no balcão com o canto dos olhos te admirava, coração palpitando, boca seca esperando por aquele uísque cristão (mais batizado que o Bento XVI). Mil coisas passaram na minha cabeça, te perguntar se lembrava de mim, inventar qualquer motivo ou situação, citar amigos em comum, engraçado como dentro de minutos pensamos em coisas geniais e na mesma velocidade as anulamos por considerarmos bobas ou infantis demais. Meu uísque chegou, tomei um gole, chamei o garçom e pedi gelo, de pronto ele trouxe, você comentou que também preferia o seu assim, sim olhos ainda na TV, rosto inclinado para o alto, afim talvez de acompanhar os letreiros do noticiário, comentou sorriu, sorri de volta, não nos olhamos, como eu sei? Eu te olhei com o canto do olho...
Pedi comedido e tímido para que cuidasse do meu copo, pois iria fumar, você devolveu com um sorriso  e o sim, seguido do comentário sobre ir fumar com um intervalo tão pequeno (percebi apenas depois, você me olhava desde o primeiro cigarro antes da minha entrada). Enquanto fumava, ouvi um batida na vidraça, era você, meu copo na mão e um gesto como pedindo permissão para tomar um gole, assenti com a cabeça, movimento breve denotando aprovação e alguma intimidade, voltei a dar as costas, não para apreciar meu cigarro apenas, mas também para esconder minha euforia. Tomava de meu copo, em instantes beberia do mesmo uísque que provara e no mesmo copo que tocara seus lábios...
Terminei meu cigarro, entrei, você lá encostada no balcão assistindo ao jornal, lendo os letreiros na TV, entretida. Ao me perceber novamente ali, se desculpou pelo gole, sorriu e confessou que tomara mais um gole enquanto eu fumava, perguntei apenas se desejava um, me respondeu que os dois goles já haviam servido. tomei mais dois goles, pedi outro, olhei no celular, você sorriu ao me ver pedindo novamente pelo gelo, sorri de volta e você disse que tenho uma risada sonora e um sorriso bonito, quase morri, pensei alto devem ser os dois goles de uísque apenas, você chamou o garçom, pediu para fechar sua conta, ele perguntou se estávamos juntos, fiquei te olhando, você disse apenas que gostaria de pagar o café. Pagou ali mesmo, não me ofereci para pagar (presumi que isso denotaria uma invasão tão brutal quanto aquelas do Império Romano a Gália e não gosto de parecer cabotino), recolheu suas coisas, checou os bolsos, desencostou do balcão, me cumprimentou, perguntou meu nome e disse até outro dia...
Não sai do bar para ver para onde ia, de relance apenas notei que por um instante ficou parada, quem sabe o que estava passando em sua cabeça, se estava certa de para onde ia ou apenas não sabia se voltava de onde vinha ou seguia para onde iria, você desceu a Augusta, eu tomei meu uísque, pedi a conta, paguei e ouvi o garçom fazer alguma graça comigo, sai do bar, subi a Augusta e tomei meu metro para casa, sabe durante o caminho só pensei em uma coisa e dentro disso milhares de perguntas me vieram a mente: se algum dia nos reencontrarmos, você irá me reconhecer, saberá mu nome, trocaremos impressões algum dia sobre esse improvável encontro? 
Sei apenas que era uma terça, o mês de abril terminava, eram os últimos suspiros de um mês em suas ultimas horas. Pelo caminho ao chegar na rua de casa olhei o céu e notei uma lua avermelhada, não eram apenas os gases da fabrica expelindo esse pigmento no céu, quis ver nisso uma lembrança da cor dos seus cabelos...