Aos comentaristas


Devido uma avalanche de comentarios torpes e não identificados, decidimos que só aceitaremos comentarios devidamente identificados e que não contenham mensagens ofensivas, alias se comentar e se identificar, serão permitidas as ofensas. Quem quer debater, tem que ter coragem de se mostrar para que o debate ou critica seja fdemocratico! Okay cara palida?

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Bilhete IV


''Is there anybody going to listen to my story
All about the girl who came to stay?
She´s the kind of girl you want so much
It makes you sorry
Still you don´t regret a single day''
Lennon


Bom Retiro, 15 de Março de 2013

Tudo bem com você pequena? 
Lembra quando te disse que tudo iria se ajeitar cedo ou tarde? Pois é acho que estamos nos ajeitando por aqui. Já faz um tempo não tomo uns porres na Augusta e vou parar no teu espetáculo, tenho andando bastante, dormido bem e me alimentado com certa saúde, voltei a fumar e ainda bebo litros. 
Mas e noticias suas, cade noticias suas? Mande um email, carta também posso receber. Sei que esta namorando, que esta feliz, que tem viajado, não sei se ainda canta na rua, disso não sei...
Outro dia pensei ter te visto no metrô, isso foi por volta das 19:00 hrs, eu estava lá no fundo vagão, apenas estiquei o olhar do meu livro ate a porta, esperando por quem esperava ser você, não me aproximei, não levantei do meu lugar, mantive-me no meu lugar, não seria capaz de articular qualquer palavra, permaneci lá imóvel, te procurando na multidão que abarrotava o vagão.
Sabe pequena, eu ando bem, tenho reencontrado amigos, feito novas amizades, corrido atrás do meu sonho, escrito aquela peça que te falei, aquela que no fundo eu e você sabemos, comecei para que você a encenasse, mas a vida é urgente, corre mais rápida que o metro da linha vermelha.
Sei que dia desses, mais dia menos dia, acabamos nos esbarrando, coisas de quem vive na noite paulistana e o Baixo Augusta é tão pequeno, não é? Agora fica aqui entre nós, meu sonho continua a ser, em cada ato ou fala, te ver interpretando a personagem que escrevi para você, quem sabe apenas te olhar lá da plateia aplaudindo o fruto que emergiu entre as coisas que semeamos juntos.
Não vou mentir, tenho comigo uma certa magoa, uma vontade absurda de sei lá explodir meio mundo, dar muro em mesa, dar murro em mesa eu até dou, mas é quando a conta do bar no fim da noite vem maior do que o esperado, mas isso são detalhes bobos.
E você como está? O que anda fazendo? Nem sei por onde começar a perguntar, vontade de comentar sobre os jornais, sobre ter passado em um edital, estou desempregado! Mas calma estou vendendo uns textos para alguns jornais aqui do ABC, fazendo isso para pagar as contas e o bar enquanto a Secretaria de Cultura não me chama. Semana passada, na verdade há duas semanas atrás, fui assaltado, meu numero mudou, você tentou ligar nele? Não ligue, esta bloqueado, m mande um e-mail e te mando o meu numero atual, ok?
Tem lido os jornais? O que esta achando do preço do tomate, tá um horror esse preço não é mesmo? Boa coisa para políticos e o povo do teatro, desconfio que deve existir algum conchavo entre artistas e políticos, com o preço do tomate a esse montante, impossível levar tomatada no fim de audiência publica, senado, parlamentos ou estreia de peças, concorda?
No Pêssach, comigo lentilhas, eu mesmo preparei, não celebrei em casa com meus pais, como tenho feito desde sempre, fui visitar um retiro de idosos religiosos, provando a lentilha lembrei daquela primeira vez que fui a tua casa e você preparou para mim lentilha ensopada... Fiz minhas rezas, você sabe não sou religioso, mas lembrei de você em pelo menos uma das rezas e taças de vinho (bebi seis garrafas), fiquei babão, feito os velhinhos e danei a declarar amor a você em hebraico e ladino... ao som da guitarra flamenca, essa mistura de cultura judaica, espanica e arabe, não resisti e chorei no talit de um senhor com cara de vovô e barba de gente religiosa, ali lembrei de você também e como cismava com a minha barba...
Sabe pequena é como eu disse, as coisas estão se ajeitando, aos 25 anos, estou olhando para o horizonte e não me assusto com o que vejo, me dá é vontade de devorar com vontade os sonhos até ilumina-los com realidade, até torna-los reais, no fundo a vida não é tão fácil, escrever custa mais ao figado do que ao coração.  Em alguns momentos haja bolso para aquecer as mãos, lembra como você dizia sempre como eu sempre tenho as mãos quentinhas?
Parei de adiar os sonhos, todos exceto um, mas esse apesar de residir em mim, quem porta as chaves é você.
Agora eu acordo, olho o sol, bendigo as nuvens, pois adoro dias nublados, se não esta tudo bem procuro o máximo possível me distrair ate esquecer, aprendi a fazer da sabotagem um pequeo detalhe, tenho feito contas, tenho amado mais, usando o amor que minha alma pariu para você, em textos, desenhos, quadros, peças, conversas, conselhos e bilhetes. Já faz um tempo não vou lá te ver encenar, não tenho pensado em ir te ver, hoje me entretenho com a ideia de esbarrar contigo por acaso. Por isso eu piso mansinho, olho pro dois lados antes de atravessar a rua, se sinto um perfume parecido com o teu, olho ao redor, critico o Corinthians só para ver se no meio da massa a voz discordante é a sua, até agora nada, mas sabe como é, a vida vai acontecendo enquanto o reencontro não acontece.

Um beijo do futuro Best Seller

PS: Registra ai, se algum dia me chamarem para compor o quadro da ABL, não vou nem morto, D'us me livre ser reconhecido por uma instituição fundada pelo farsante do Machado de Assis. D'us me livre estar no mesmo lugar que o Marco Maciel.

Nenhum comentário: