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segunda-feira, 29 de abril de 2013

O sol

O sol se estende em adeus,
abraçando o céu em tons de ouro

levanta as velas e com o vento se vai,
ancora de calor onde arde o tempo

tempero dos dias,
beijo aereo

O sol não diz adeus,
ele nos acenas

desenha nos olhos o sonho
e tatua na carne a presença.

O sol, o mesmo de bilhões de anos atrás,
que brilhou e incendiou o olhar e se derramou
na queda tragica de Icaro

o sol que é avenida e a estação onde douram delirios,
a mesma luz só que maior, precedendo a explosão

querendo ser aquele olhar,
assim é o sol

Girando no firmamento
feito valsa que sonhou ser uma foda.

sábado, 27 de abril de 2013

Bilhete VII

''Close your eyes and I'll kiss you
Tomorrow I'll miss you
Remember I'll always be true
And then while I'm away
I'll write home everyday
And I'll send all my loving to you

I'll pretend that I'm kissing
The lips I am missing
And hope that my dreams will come true''
Paul McCartney


Santo André 
27 de Abril de 2013

Sim eu sei, já se passaram dois anos desde que deixei aquela outra moça. Lembra como você insistia em me dizer como ela me ensinou tanto ao me deixar? Que fiquei mais seguro, que provavelmente eu estava mais forte e só havia ficado um pouquinho amargo, mas todo remédio bom tem lá seus efeitos colaterais, pois é minha pequena, pois é... 
Hoje ela e eu faríamos quatro anos, não poderei sair para beber como fiz ano passado. Não poderei, pois retirei o meu dente do ciso anteontem, tá ai uma desses coincidencias estranhas, devido ao dente do juízo, terei que ficar sóbrio, não pela presença da sisudez, mas pela ausência de um dente á que se atribui tal virtude, uma daquelas, mais uma daqueles coincidencias que só eu consigo concatenar até o ponto de fazerem alguma logica. Ano passado eu bebi o que não podia, acordei em um apartamento estanho próximo a Bela Vista, na cama de uma moça ligeiramente parecida com ela, apenas para me assegurar que não havia me envolvido em uma cilada, levantei levemente o lençol para checar que tratava-se de uma moça e do sexo feminino (hoje em dia tudo anda tão moderno não é mesmo?), sai daquele apartamento as pressas me vestindo ainda no elevador, nunca mais vi a moça, que só me atraiu pois se parecia com a minha essa ex. Não lembro se te contei isso, se contei possivelmente você deve ter rido horrores com o pormenores sórdidos que não cabe aqui contar e que só fui me lembrando aos poucos durante o retorno ressacoso para a minha casa. Fato é pequena, que ainda lembro das datas, sou mesmo um escravo de datas. Mas estou falando disso aqui com você, pois de todas as conversas que tive com amigos, amigas, colegas de trabalho, garçons, aeromoças, modelos e grupies, foi com você que obtive uma solução simples.
Lembro que um dia você me perguntou sobre ela, foi naquele dia quando te acompanhei ate o medico, lembra agora? Depois do medico fomos comer algo e você me perguntou, eu fiquei relutante em responder sobre ela e então te disse que poderia me perguntar qualquer coisa sobre ela e então responderia, você olhou para baixo, depois devolveu-me o seu olhar, sorriu e disse que queria que contasse como a conheci e por que terminamos, mas antes queria me dizer umas coisas e foi o que me disse que foi definitivo, lembro de apos te ouvir dizer aquilo, aquelas palavras, depois contar a historia com o coração mais leve e sem grandes culpas.
Sabe hoje eu e essa outra moça faríamos 4 anos, lembrei disso ao olhar no calendário e me matar pensando que hoje era uma data especial de alguma forma. Dai lembrei, no dia 21 de Abril de 2009 ela me disse sim, cometi erros, fui machista, ciumento possessivo, o tipico Lennon antes da Yoko, quado terminamos, por um bom tempo pensei que ela me devia desculpas, idiotice e machismo da minha parte, eu ainda devo desculpas a ela, no final eu estive sempre muito errado, fui sempre muito inseguro e rígido, devia ter me doado mais, devia ter cedido mais, devia ter acreditado muito, mas muito mais, sabe  nunca me esquecerei do que você me disse, de como de alguma maneira conseguia ler nos meus olhos que eu nem sempre fui como sou agora, como fui com você, não vou esquecer de como me disse, que sentia força, calor e ternura em meus atos, que a minha segurança não era opressão e como o meu sorriso te mostrou isso da primeira vez. E ai você disse que sentia um pouco de amargura e ate certa frieza e um cinismo ensaiado, mas isso era normal, ela me deixar foi o melhor remédio que ela poderia ter me oferecido, mas todo bom tratamento tem lá seus efeitos colaterais e ainda bem não perdi cabelo (adoro seu bom humor). 
Sabe moça hoje não converso mais com ela, as pessoas mudam e não me cabe o papel de dizer se no caso dela para melhor ou pior, ate por que melhor ou pior é muito irrelevante e artificial quando falamos de pessoas, opa olha eu repetindo frases suas novamente! Mas o que importa dizer é que hoje não converso mais com essa moça, mas tenho essa vontade de pedir desculpas, de dar aquele abraço e desejar toda a sorte do mundo para ela, graças a nossa conversa entendi isso. Meu ciso tá doendo para caramba! Hoje também não converso contigo, mas mesmo distantes um do outro com você ainda me sinto a vontade para desabafar sobre essas coisas, para conversar sobre essas pequenices e grandezas. Muito obrigado por me ensinar que não se deve anular o passado, mas encara-lo com dignidade e humildade para entender que as vezes podemos estar errados ou simplesmente relembrar para ver se aprendemos a lição. 
Brigado minha pequena, alias brigado pequena, você me ensinou também que pessoas não são propriedade para serem minhas, suas ou deles/delas. Brigado por me ensinar a ser mais humano, brigado por me curar... hoje faríamos 4 anos, já não há ferida, só esse abraço estendido como um outdoor anunciando o meu pedido de desculpas.

Do seu Elvis Presley 
PS: Por causa do ciso to tomando mais analgésico, que o Elvis, manda uma carta para a Bayer, se quiserem dispensar as cobaias, aqueles ratinhos lindos, pode me contratar topo fácil experimentar umas 6cartelas diárias de aspirina mais forte!


quarta-feira, 24 de abril de 2013

Olhos do Sol

Ele apenas se olhou de relance,
o espelho pouco teria a dizer:

oração antiga,
rezada dentro da noite,
teu nome o delirio da minha febre.

Aparei minha barba ao amanhecer,
cantei uma canção
cantei uma canção

Eu apenas me olhei de relance,
no espelho o reflexo é a metade
daquilo que eu procurei ser

A vida é desleal,
o amor pouco quer com a poesia.


Bilhete VI

Santo André, 
24 de Abril de 2013

Hoje esbarrei com uma foto nossa, das poucas que tiramos juntos, filha única a resistir as intempéries do meu alvoroço. Fiquei lá olhando... Olhando... Estamos nós dois apenas, eu de olhos fechados mordendo a sua maçã do rosto, você olhos solares abertos a injetar luz em quem possa olhar tal imagem, eu olhos fechados, não si muito a razão, mas quando estou feliz quase sempre o meu sorriso fecha os meus olhos.
Faz um tempo, não muito, ainda sequer te apaguei da cabeça e quando saio com alguma garota, voce ainda é o meu referencial. Então digo que não, mas manteno a minha atitude passivo-agressiva, como o discurso de desculpa de quem não sabe direito o que errou, mas vê na desculpa uma maneira de ao menos se auto-aceitar.
Eu olhei a nossa foto, fiquei bobo olhando a nossa foto, acho mesmo que voce não deve ter nenhuma foto nossa, sei que sou o tipo fragil, o tipo sensivel, aquele cara que insiste em e tratar de uma ferida tão rasa, que possivelmente o tratamnto demasiado seja a razão de não ter ainda cicatrizado:
''O amor é um filme de baixo orçamento, o que se espera é que os atores convençam. O meu papel eu cumpro, ate as estrelas faço chorar, aqui abaixo desse céu austral, me ponho a pensar que o seu papel é o mais difícil. O seu núcleo afinal é a ausência, a sua falta dialoga com a minha solidão. Enquanto isso em algum ponto distante meu olhar te procura como se para te encontrar fosse necessário tecer vasto monólogo sobre estrelas, frio e inverno. Todas as noites saio em busca de paz, mas acabo mesmo e procurando por você. Amor é o nome de quem ainda não te conheceu... Quando a câmera recuar e subirem as fichas técnicas, lá estará impresso, teu nome e tua feição, teus olhos de sol e tua boca de calor. 
Eu pouco sei, na verdade coincidiu do personagem que interpreto ser a doença da qual padeço.''
Te imagino sorrindo por ai, te suponho forte e radiante feito o sol. Alias manhãs de sol ainda me fazem lembrar de você, feito um filme ou comercial de TV, cujas falas não saem da cabeça com facilidade. Não sou o tipo que termina a historia com garotas como voce, chego a pensar no meu futuro e vej um filme alternando entre mocinhas, livros, viagens e bebedeiras. Penso que algum dia quem sabe uma bisneta sua, me estudará na universidade e dirá com orgulho, ele escreveu alguns textos para minha bisavó... Não tenho a segurança que possui alguem com o visual de quem acaba de sair de uma churrascaria rodizio em um domingo, só posso te oferecer, a fumaça do meu cigarro e a nevoa da minha poesia, o pão confeccionado nas orlas de cada manhã em que desejei voce aqui. Afora isso nada posso te oferecer, apenas a eterniade do meu canto ecoando em eras vindouras com a mesma impaciencia e desespero apaixonado.
Te escrevi hoje, pois não sei muito bem, tenho sonhado contigo, te supondo em tantos lugares, capaz que já nem saia mais sozinha, confesso eu tambem já tnho alguem, não se trata de uma pessoa, trata-se de uma ideia ou sentimento.
Lembra disso? Vai, esforça um pouco e lembra ai vai...
Te estendi a mão, atravessei a avenida e te estendi a mão, apenas estendi a mão e olhei para você, naquele instante voce veio  me beijou, não sei ao certo se tropeçou no meio do caminho se me olhou desconfiada no meio do beijo mas voce me atendeu, atravessou a avenida, segurou minha mão se envolveu no mu braço e me beijou.
Hoje esbarrei com uma foto nossa, não representa nada para voce, estou escrevendo e possivelmente não lerá, mas estou escrevendo. Pensei em dar a essa foto o mesmo destino das outras, mas resolvi guardar, algum dia pode ser que isso me torne feliz, por enquanto só vai me ensinar a ser forte.


sábado, 20 de abril de 2013

Boston: algo estranho está acontecendo Tio Sam...

Fatos estranhos sobre a tragedia em Chicago:

*Em uma foto o rapaz aparece sem bolsa e na sequência ele parece passar por uma bolsa no chão, em outra foto ainda o mesmo rapaz creio seja o irmão mais jovem, esta correndo assim como qualquer pessoa diante de uma explosão. 
*O irmão mais velho foi morto sem dizer uma palavra, tem se falado em tiroteio, mas como alguem com um 38, entra em um tiroteio com policiais com armamento pesado? O simples fato de um muçulmano possuir uma arma de fogo o torna um terrorista? Nos EUA, dependendo do Estado você consegue uma arma de fogo com maior rapidez do que retira sua habilitação, possuir uma arma não quer dizer nada.
*Estão falando de explosivo líquidos ativados por sinal de radio, sinal de radio eu ou você podemos emitir com poucas coisas como uma caixa de som usada, parafusos, bateria e fio de cobre, explosivos líquidos são de controle restrito do US Army. 
*Disseram que com o rapaz haveria um arsenal, onde esta esse arsenal? Equipes da SWAT, FBI e não devido ate a liga da justiça, fizeram uma varredura durante o dia de hoje em um perímetro de seis quadras nas redondezas da casa. Acharam algo? Ate agora não.
* Se tem dito que antes da prisão do segundo rapaz, o mais jovem, houveram períodos de tiroteio, com o mesmo nenhuma arma foi encontrada e moradores pelas redes sociais disseram que parecem ter ouvido apenas as armas da SWAT.
* Lembram que primeiro acusaram um rapaz que parecia coreano e depois disseram que provavelmente seriam negros?
* O unico suspeito vivo, será interrogado sem a presença de seu advogado.
Também acha isso muito estranho e não vai se admirar se balearem o rapaz a caminho do julgamento?

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Bilhete V

''All my little plans and schemes,
Lost like some forgotten dreams.
Seems that all I really was doing
Was waiting for you.

Just like little girls and boys
Playing with their little toys,
Seems like all they really were doing
Was waiting for love.''
Lennon



Santo André 18 de Abril de 2013


Sei que faz pouco tempo te escrevi, olha eu aqui novamente levando uma fé que te escrever é feito conversarmos, chama a pequena ai, chamou? Diz assim: Oi aqui é o Igor, você deve lembrar bem pouquinho, mas eu não esqueço o seu sorriso e gostaria de estar ai do seu lado te vendo crescer, gostei de te por para dormir, brincar aquela tarde no parque e te ensinar a desenhar, falar bobagem e fazer careta. Agora tire a pequenina da frente, tirou? Ok, espero um pouco, vai lá põe ela para dormir(...)
Voltou? então estou te escrevendo pois, ontem tive um sonho engraçado, uma epifania, sabe esses sonhos, sensações de pré-morte ou no meu caso morte mesmo, sonhei que havia morrido e visitava algumas pessoas queridas, você estava entre essas pessoas. Vi muita gente triste, revi alguns amigos, engraçado como a nossa mente nos prega essas peças, meu subconsciente no mesmo suco colocou te visitar e alguns amigos que faz tempo não vejo, mas você parecia feliz, estava em um parque arborizado e ao me encostar próximo reparei que ouvia Falso Brilhante da Elis Regina e na sequência escutava Beatles, nem preciso dizer que pensei comigo dentro do sonho: ela ainda não sabe que estou partindo. 
Percebemos coisas sonhando, o que ignoramos enquanto estamos acordados, por isso prefiro os sonhos, eles são aquilo que a realidade deveria ser se vida não fosse uma instituição tão burocratizada. Ali eu percebi, faz tempo não te vejo, mais tempo ainda faz que não vejo alguns amigos, andar sozinho é bacana, ter essa liberdade de sair, beber sozinho, notar a etiqueta falsa das pessoas nos lugares públicos, reparar em como falam ou se vestem, como se portam, viver afinal não é pescar em um aquário, lembra você me disse isso e ainda repito esse pensamento hora ou outra. 
Não te escrevo somente por uma saudade ou por causa de um coração que eu nego, mas ainda quer você aqui perto, na verdade te escrevo pois deve existir nisso alguma utilidade, essa confissão da minha carência, fraqueza e ate delicadeza, te escrevo pois queria conversar dia desses com você, não sobre seu namorado novo, sua mãe ou por que não demos certo, tudo isso são detalhes, artigos que em um papo serviriam apenas como pontos de ligação para algo maior, saber como você esta, o que tem feito, quais seus planos, se mudou e o quanto mudou, olhar o seu sorriso solar, único atributo solar que ainda me é tão caro e consigo ver beleza, seus olhos iluminados aumentando diante de algo que te interessa ou não conhece ainda. no fundo te escrevo pois queria conversar contigo todas as tardes.
Sabe pequena, ando lendo jornais, tenho pensado e ir embora para algum outro lugar, beber em outros bares, ler outros livros, escrever o meu livro, terminar aquela peça, sim ainda não terminei, estava a um passo essa semana, no entanto, tive que parar e reavaliar o que estava escrevendo, uma das personagens parece muito com você, outros personagens parecem também e ainda alguns parecem um pouco comigo. 
Tem feito muito frio, outro dia o aquecedor quase me mata, sim quase morro por causa de um aquecedor, calma lá estou exagerando, mas o trocinho estourou e pegou fogo, se fosse no meio da madrugada enquanto durmo provavelmente não estaria aqui e sim como na epifania, visitando você e outros amigos. Hoje almocei lá no Acrópole, aquele restaurante grego no Bom Retiro, tomei uma vodca grega, não lembro o nome, nem sei se chamam de vodca grega, mas eu chamo assim pois tem gosto de vodca e cheira como vodca ecomo disse o Sr. armênio que estava sentado na mesa ao lado bodcaa, sozinho eu vou, adoro culinária, cozinhar e comer, já fui parar no Pari outro dia para comer por R$ 12,oo o quando eu puder, comida Arabe e com aquele pitakh quentinho e feito na hora... Conversando com velhinhos árabes, sorrindo e brincando com crianças de colo, olhando vitrines e rindo das coisas da vida, não faço ideia de por onde você anda, já pensei em dia desses aparecer onde suponho trabalhe, mas foi apenas um delírio de uísque depois de meia garrafa...
Pequena queria te escrever algo bonito e profundo agora, não sei o que te escrever queria te dizer algo que ainda não foi dito, algo maravilhoso, mas nada me vem a cabeça, contudo é isso, qualquer coisa me mande e-mail ou responda aqui mesmo.
Se dia desses acontecer de nos esbarrarmos não me ignore por favor, pode ter certeza não direi muita coisa alem de um olá ou tudo bem, o restante do tempo vou te fotografar com o meu olhar, tenho evitado pensar tanto em você, por medo de sei lá a imagem que guardo de você, se gastar por muito uso, feito fotografia que deteriora se vem a luz toda a hora.

Sem mais,
um beijo do seu escritor

PS: Quando tomo cachaça, o primeiro brinde é sempre em sua memoria, se alguem fala de amor, penso que é esse o seu nome no idioma que o restante do mundo sabe falar.

Beijos

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Cinco Centavos

Voltando para casa,
meu cigarro e as mãos no bolso,
ninguem me espera agora

Seu sorriso agora dói,
em noites como essa
havia a sua voz ao menos

Agora estamos distantes,
então essa moeda não representa sorte

com pouco valor,
apenas cinco centavos
que alguem esqueceu

feito o meu olhar,
por tras da vida

feito a minha vida,
que ainda busca seu rastro

Parece não esquecer,
mas costumo dizer:

Não me importo mais.

Voltando para casa só,
cinco centavos na calçada,

não é um sinal de sorte,
apenas uma moeda
pelo caminho deixada.

Bilhete IV


''Is there anybody going to listen to my story
All about the girl who came to stay?
She´s the kind of girl you want so much
It makes you sorry
Still you don´t regret a single day''
Lennon


Bom Retiro, 15 de Março de 2013

Tudo bem com você pequena? 
Lembra quando te disse que tudo iria se ajeitar cedo ou tarde? Pois é acho que estamos nos ajeitando por aqui. Já faz um tempo não tomo uns porres na Augusta e vou parar no teu espetáculo, tenho andando bastante, dormido bem e me alimentado com certa saúde, voltei a fumar e ainda bebo litros. 
Mas e noticias suas, cade noticias suas? Mande um email, carta também posso receber. Sei que esta namorando, que esta feliz, que tem viajado, não sei se ainda canta na rua, disso não sei...
Outro dia pensei ter te visto no metrô, isso foi por volta das 19:00 hrs, eu estava lá no fundo vagão, apenas estiquei o olhar do meu livro ate a porta, esperando por quem esperava ser você, não me aproximei, não levantei do meu lugar, mantive-me no meu lugar, não seria capaz de articular qualquer palavra, permaneci lá imóvel, te procurando na multidão que abarrotava o vagão.
Sabe pequena, eu ando bem, tenho reencontrado amigos, feito novas amizades, corrido atrás do meu sonho, escrito aquela peça que te falei, aquela que no fundo eu e você sabemos, comecei para que você a encenasse, mas a vida é urgente, corre mais rápida que o metro da linha vermelha.
Sei que dia desses, mais dia menos dia, acabamos nos esbarrando, coisas de quem vive na noite paulistana e o Baixo Augusta é tão pequeno, não é? Agora fica aqui entre nós, meu sonho continua a ser, em cada ato ou fala, te ver interpretando a personagem que escrevi para você, quem sabe apenas te olhar lá da plateia aplaudindo o fruto que emergiu entre as coisas que semeamos juntos.
Não vou mentir, tenho comigo uma certa magoa, uma vontade absurda de sei lá explodir meio mundo, dar muro em mesa, dar murro em mesa eu até dou, mas é quando a conta do bar no fim da noite vem maior do que o esperado, mas isso são detalhes bobos.
E você como está? O que anda fazendo? Nem sei por onde começar a perguntar, vontade de comentar sobre os jornais, sobre ter passado em um edital, estou desempregado! Mas calma estou vendendo uns textos para alguns jornais aqui do ABC, fazendo isso para pagar as contas e o bar enquanto a Secretaria de Cultura não me chama. Semana passada, na verdade há duas semanas atrás, fui assaltado, meu numero mudou, você tentou ligar nele? Não ligue, esta bloqueado, m mande um e-mail e te mando o meu numero atual, ok?
Tem lido os jornais? O que esta achando do preço do tomate, tá um horror esse preço não é mesmo? Boa coisa para políticos e o povo do teatro, desconfio que deve existir algum conchavo entre artistas e políticos, com o preço do tomate a esse montante, impossível levar tomatada no fim de audiência publica, senado, parlamentos ou estreia de peças, concorda?
No Pêssach, comigo lentilhas, eu mesmo preparei, não celebrei em casa com meus pais, como tenho feito desde sempre, fui visitar um retiro de idosos religiosos, provando a lentilha lembrei daquela primeira vez que fui a tua casa e você preparou para mim lentilha ensopada... Fiz minhas rezas, você sabe não sou religioso, mas lembrei de você em pelo menos uma das rezas e taças de vinho (bebi seis garrafas), fiquei babão, feito os velhinhos e danei a declarar amor a você em hebraico e ladino... ao som da guitarra flamenca, essa mistura de cultura judaica, espanica e arabe, não resisti e chorei no talit de um senhor com cara de vovô e barba de gente religiosa, ali lembrei de você também e como cismava com a minha barba...
Sabe pequena é como eu disse, as coisas estão se ajeitando, aos 25 anos, estou olhando para o horizonte e não me assusto com o que vejo, me dá é vontade de devorar com vontade os sonhos até ilumina-los com realidade, até torna-los reais, no fundo a vida não é tão fácil, escrever custa mais ao figado do que ao coração.  Em alguns momentos haja bolso para aquecer as mãos, lembra como você dizia sempre como eu sempre tenho as mãos quentinhas?
Parei de adiar os sonhos, todos exceto um, mas esse apesar de residir em mim, quem porta as chaves é você.
Agora eu acordo, olho o sol, bendigo as nuvens, pois adoro dias nublados, se não esta tudo bem procuro o máximo possível me distrair ate esquecer, aprendi a fazer da sabotagem um pequeo detalhe, tenho feito contas, tenho amado mais, usando o amor que minha alma pariu para você, em textos, desenhos, quadros, peças, conversas, conselhos e bilhetes. Já faz um tempo não vou lá te ver encenar, não tenho pensado em ir te ver, hoje me entretenho com a ideia de esbarrar contigo por acaso. Por isso eu piso mansinho, olho pro dois lados antes de atravessar a rua, se sinto um perfume parecido com o teu, olho ao redor, critico o Corinthians só para ver se no meio da massa a voz discordante é a sua, até agora nada, mas sabe como é, a vida vai acontecendo enquanto o reencontro não acontece.

Um beijo do futuro Best Seller

PS: Registra ai, se algum dia me chamarem para compor o quadro da ABL, não vou nem morto, D'us me livre ser reconhecido por uma instituição fundada pelo farsante do Machado de Assis. D'us me livre estar no mesmo lugar que o Marco Maciel.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Estojo

Dentro do quarto, como dentro do estojo as ferramentas,
aqui guardado em álcool, lençóis e lembranças.

Já é noite aqui, talvez as luzes de seu quarto já estejam apagadas,
inútil gastar seu ouvido com minha voz.

Animais correm e se escondem, assutados com faróis, sinais e buzinas
nenhuma estrela lá fora é capaz de dizer isso agora.

enquanto a noite se espalha pela cidade,
eu ainda penso em como te alcançar,
truque inútil, magica encoberta pela solidão.

Em noites como essa...Em noites como essa, eu apenas me recolho,
não seria bom outro destino, me guardarei do mundo

dentro de mim como pincéis em um estojo
assim me encontro retornando
ao ultimo lugar onde ainda existe:

eu
e
você

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Santo André

Entre ruas umidas e o vapor estranho das chaminés na fabrica,
aqui parece ser o que sobrou, sem filas ou poesia,

o cheiro forte do almoço sendo impunemente preparado.
Ninguem vai brilhar aqui, não é mesmo?

Jornais, revistas e toda a web, chegaremos a Marte?

Enquanto o tempo ignora o meu final,
masco o meu chiclete, tomo a minha coca
e não sei bem se isso faz parte, se é normal...

A noite anunciarão a festa,
estive em seu bairro duas ou tres vezes,

agora o sol não banha o destino dos meus passos,
parece uma metafora sobre o que me deixou

E se o agora parece tão pouco,
uma hora acredito que é isso
nas outras sou apenas louco.

Enquanto o tempo trama algum plano,
a vida insiste no amor, mas o amor é o grande engano.

Regina Spektor

Agora eu sei, lembro com clareza,
dissera-me que em minha cidade você esteve,
com o nosso clima não se adaptou e resfriou-se.

Estive em seu hotel, com sua banda conversei.
Não, eles não me disseram muito.

Não subi ao seu quarto,
ao que parece mesmo doente não te deram descanso.

Agora, agora eu sei, recordo de maneira nítida,
seu vestido floral e a renda delicada,
o batom vermelho, contrastando com sua pele pálida,
ainda mais pálida pela febre forte e as contantes tosses.

Era uma quarta-feira, choveu durante a noite,
você terminou o show trés musicas antes,

eu fiquei la na primeira fileira,
senti seu perfume, quis te abraçar,
inútil dizer como me entristeceu te olhar beijando outro.

sábado, 6 de abril de 2013

Neblina

Eu estou na neblina fina,
empurrada e ultrajada pelos trens
que chegam aqui no suburbio
que trazem e carregam pessoas.

Seu copo, mais uma vez seu copo,
estou tão distante,
flor de março, meu nome é outubro
e sou a neblina suja que o vento cospe

Um cigarro por alguns instantes,
outra vida por um minuto.

Estaremos em silencio,
estou em silencio

Mais um cigarro e então?

Somos a ultima lembrança inglesa
de um periodo de ouro e ilusão,
mande um postal aos meus amigos

Essa noite estarei partindo.

Odio

Sabe o que mais odeio em você?
O fato de te procurar no meio das pessoas, te encontrar e voce fingir descaradamente que não vê, fica me olhando, repara nas minhas roupas, no meu perfume misturado com o cigarro e nas minhas conversas de voz embargada pela ressaca de sempre, vê graça nisso e até se encanta, mas não diz um oizinho sequer, sim eu odeio o fato de não ser nada para você, quando na verdade eu sou o cara que grita desesperado a cada pulso um recado cifrado em eu te amo e tem algo pra fazer essa noite. Sim eu odeio o fato de com você não poder te odiar e tudo que eu mais precisava é te odiar.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Bardo II

Um lugar onde os olhos não alcançam mais,
sem paz dentro das horas de ua madrugada veloz.
A vida desespera em cada instante, preciso acordar,
preciso fazer a primeira refeição e onde estou msmo?

Abriram as portas da Vila, para o triste bardo,
quieto olhar de quem com o dia veio,
seus olhos são de tom de castanho bem claro.
Carrega consigo um canto epico e uma voz de trovão,

seu coração quantas trovas vai doer, quantas dores em refrão.
Mas ele não é cantor dess Vila, seu olhar não se estenderá,
não o bastante para que sejam ceifados por alguma jovem.
Agora é tarde, tarde pois o ceifaram ainda cedo,

guarde seu peito, suspenda seu encanto, ele esta de passagem.
A sua espera, apenas o caminho, nenhum banquete ou festa.
Em seu peito um lugar, em seu olhar qualquer visão,
suas horas não conhecem a paz, ele só sabe essa canção

as vezes reza, pois é tarde, as vezes reza para não ser tarde demais.
em sua voz a marca, em seu rosto o peso, ele não veio para ficar.
Seu destino é seguir, pois seu caminho é o destino,
sua busca é o que pelo que procurar...

Já não amará, pois ainda ama, já não amará pois amou.
Em sua vida, como em sua poesia,
ele tem uma dor metrificada e um verso livre,
parece tarde, mas ele reza que tão tarde não fique.

Preparem as armas e celebrem a missa,
ele chegou, pouco importa,
pois nessa vida pouco importa o artista,
nem mesmo a ele cabe importar.

Já não viverá como os outros, beberá de qualquer copo,
tomara de muitas mesas, moças e outras formas de beleza.
O bardo entrou na Vila, mudou quase nada, muito pouco,
exceto que antes naquele lugar, não havia poesia.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Et un jour, j'ai cessé d'aimer

No meu quintal não há ninguem, só esse sorriso usado,
descartado e junto ao tempo que diante da solidão
orquestra uma antiga melodia:

De tanto tentar, o choro até secou, deixa estar,
vem cá comigo, me dá a mão, vem cá dançar...

O vento caminha dentro do céu, quase que cai,
o seu suspiro até parece brisa.

Minha vida, tem sido assim pequena,
senta aqui escuta mais e saiba:
Voce não é o meu problema.

Eu tomo o meu metrô.
Eu olho os outros.
Eu leio o meu jornal,
eu leio o meu jornal e lá só há o outo.

Alma viva não há, no meu quintal alma viva não há,
só a ausencia e a falta sentida, me faz lembrar,
nesse quintal como na minha vida, já houve alma viva.

Eu aparei as arvores, podei minha barba,
quando chove estendo o olhar ate a janela,
não digo uma palavra.

Pelas ruas e entre os bares, contas e mesas,
pernas, peitos, pêlos e outras formas da beleza

Mas se quer mesmo saber:
Et un jour, j'ai cessé d' aimer.

Em frente ao piano uma canção,
por tras dos olhos, sim ali ainda reside a emoção

Mas um dia eu me calo em definitivo,
assim em silencio me acostumo e
mesmo a vida insistindo, vou calar a canção.

Amor pode ir se acostumando com a minha vida,
se não deseja a despedida, ao menos entenda:
um dia o amor parou de fazer sentido,
tanto que fez ferida.