Aos comentaristas


Devido uma avalanche de comentarios torpes e não identificados, decidimos que só aceitaremos comentarios devidamente identificados e que não contenham mensagens ofensivas, alias se comentar e se identificar, serão permitidas as ofensas. Quem quer debater, tem que ter coragem de se mostrar para que o debate ou critica seja fdemocratico! Okay cara palida?

sexta-feira, 1 de março de 2013

Laerte


Laerte,
Você pra mim sempre será o menino que desenhava pros panfletos do sindicato, aqui do ABC no meio da loucura do final dos anos 70 e boa parte dos anos 80. Você trouxe o Henfil pra São Paulo, que trouxe o Angeli.
Te vi duas vezes apenas.
A primeira no sindicato dos químicos em uma festa, eu era criança, eu estava com meu pai, te olhava.

- Pai ele é o Laerte das tirinhas do jornal? (perguntei assombrado, boquiaberto e olho arregalado)
- Sim filho, ele mesmo. Ôh Laerte, quanto tempo vem cá! (Meu pai te conhecia, você ajudou a fazer um panfleto pra greve dos petroleiros)

Você veio, apertou a mão do meu pai, falou com dois ou três amigos do meu pai, abaixou o olhar e me viu, passou a mão na minha cabeça e rindo disso ''oi ''.
Da segunda vez que te vi, já faz um ano acredito, eu estava com uma menina na Augusta, ia assistir uma mostra do Godart, você passou por nós, entrou no banheiro feminino do cinema. Minutos depois, quando saiu, te disse:

-Oi Laerte! ( trêmulo, com medo de que não respondesse e me fizesse passar vergonha com a pequena)
Mas você... Você respondeu. Veio na nossa direção e respondeu:
Oi garotada! Tudo bem com vocês? Vieram para a mostra?
- Sim! Viemos, sim! Sou seu fã cara. (Você sorriu, me abraçou forte.)

Sabe Laerte, você é um cara comum, o Angeli também, o Henfil eu suponho também fosse. Não se trata de tietagem. Você participou de algo e vive sem a pretensão de ser o arquivo para consulta, que alguns se propõem a ser. Você apenas vive, trabalha, pensa, escuta musica, dá pitaco e vai ao cinema. Sabe Laerte, você tem seus problemas, todos temos (até o meu vizinho tem). Mas você continua a ser o menino que desenhava panfletos para o sindicato, que amava Caetano, depois que odiava Caetano, o menino que a turma do sindicato as vezes condenava por puxar um fumo.
As vezes desenho, mas meu negocio é escrever, quando escrevo, o roteiro do texto é uma tirinha, uma musica ou uma obra arquitetônica.
Se algum dia, conseguir alcançar um patamar criativo como o seu, espero ser lembrado por algum garoto, assim como lembro de você: Aquele menino que fazia algo.
Você veio em minha direção, me abraçou, fiquei lá, deixei com você um pouco da minha vida. Em troca você já havia me dado o bastante, sem querer me ensinou que gente é assim, gente é artigo em extinção.

4 comentários:

Ronedor disse...

laerte é um herói nacional e é um dos meus heróis. aprendi a ler com as tirinhas dele, do angeli e do glauco, na folha de são paulo. a postura ética e estética de laertón me deixa feliz em compartilhar de seu tempo.

Anônimo disse...

que merda

Youssef Igor disse...

E viva a democracia!
assinar a critica ninguém assina, mas fazer o que, coragem é um privilegio de poucos!
Detalhe, se observar no canto direito superior verificará o numero total de entradas durante a semana.

Sem mais abraços!

Lucas disse...

Bem bonito.
me vi sendo o garotinho no sindicato.