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sábado, 30 de março de 2013

"Ela também ainda pergunta"

''Eu não sabia explicar nós dois
Ela mais eu
Porque eu e ela
Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ela foi me levando pela mão
Íamos todos os dois
Assim ao léu
Ríamos, choravamos sem razão
Hoje lembrando-me dela
Me vendo nos olhos dela
Sei que o que tinha de ser se deu
Porque era ela
Porque era eu''
Chico Buarque

Já faz um tempo, foi em janeiro, estava no Ibirapuera...
Lembro que fazia sol, lembro que no meu cantil havia rum com limão e eu havia acabado de fumar o meu cigarro de maconha, olhos fechados, o calendoscópio da embriaguez e a vertigem do nada me guiavam... Senti uma mãozinha tocar minha testa, talvez como quem quer medir a temperatura ou saber se ainda esta vivo, quem sabe apenas acordar. Sei que abri os olhos, deparando assim com uma imagem incomum, por ser improvável ou processada como parte de um arquivo pertencente ao que me programei a pensar no passado. Era a pequena Luísa e ela repetia meu nome, com quase a mesma velocidade com que me pedia colo, o que na dicção de uma criança de dois anos, torna as coisas bem difíceis de se entender.
tão logo acordei para aquela cena, e logicamente tomei a Lú no colo. 
Me levantei e cuidei em procurar por sua mãe, olhei pelos cantos do parque, na extensão do passeio publico, na orla do lago central e nas armações desligadas do jogo de luzes.
A Lú ficou lá abraçada comigo, brincando com a minha barba, cutucando meu alargador, apontando pras aves.  
Mariana enfim aparecia, corria e na sua companhia havia alguem, um cara,, desses corpulentos e como que saídos de um almoço de domingo. Nos cumprimentamos, um breve aceno, apertei a mão do rapaz que com Mariana estava, pouca importância tentei transparecer, nessas horas o mais frio vence o jogo de nervos (ok, não se travava de um jogo), dissemos oi eu e ela. Tomou a Lú do meu colo, num quase abraço, me senti novamente transportado para aquele primeiro momento onde nos abraçamos pela primeira vez. 
Lú, esperneava, chorava, chamava meu nome, não ficaram muito, segundos apenas, o tempo que a cordialidade permite a ex-amantes manterem a civilidade.
E eu fiquei lá testemunhando que a vida nos mostra como somos pouco criativos para partidas. Afinal o destino é um grande roteirista, sem clichês ou improvisos baratos.
Os três indo embora, o choro da Lú, cada vez mais distante, confundido com o riso e o barulho de musica e outras crianças e pessoas a conversar, sorrir ou brincar. 
Essa a minha historia ou final provisório da mesma, o sol de janeiro em um parque a céu a aberto, no final de janeiro, o cheiro de mato cortado, a paralisia que me acometeu naquele instante.
Não sei se foi o rum, o cigarro de macona ou aquilo tudo de uma vez e sol luminoso do Ibirapuera, sei que fiquei lá olhando Mariana e aquele rapaz de mãos dadas, ela não pareia feliz, parecia indiferente, carregava a Lú no colo e apenas seguia, em algum momento não os consegui mais seguir com o meu olhar, como se aquilo tudo tivesse sido escondido pelo horizonte, por um céu luminoso que torcia pelas minhas lagrimas. Naquele momento não houve sinos como da primeira vez, não houve adeus, foi apenas um oi, com um como vai entalado, nos olhos dela notei aquilo, possivelmente ela fugia dos meus para não notar isso também, ficou ali aquele choro da Lú, desaparecendo na distancia, desaparecendo na distancia Mariana de mãos dadas com o rapaz.
Noticias nunca mais tive, senão através de um ou outro garçom amigo de bares em comum e que confessam, ela por mim também ainda pergunta. As vezes apareço lá onde ela se apresenta. 
Mariana eu fico lá na ultima fileira, saio antes dos aplausos. Te aplaudo já no corredor, quando o publico levanta, as vezes sou o primeiro a levantar.
Sabe não sei nos explicar, qual a razão de termos acontecido um pro outro, quando alguem me pergunta.

* Os fatos acima citados, são ficcionais, não ocorreram, os nomes foram fabulações, qualquer coincidencia entre datas e fatos, são merissima coincidencia.

Um comentário:

Danúbia Ivanoff disse...

ótima música para acompanhar o conto. gostei e me identifiquei bastante com os sentimentos e sensações - principalmente a de embriaguez - relatados. Vi uma linguagem poética bem formulada, de uma relevância humana, enfim, gostei muito. Grande beijo.