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terça-feira, 12 de março de 2013

Bilhete II

Rasguei papeis com avidez  fome, não sabia direito, apenas descartei parágrafos e virgulas. ali mesmo diante de bilhetes, fotos e postais, feito cachorro louco em agosto ou Saddam Hussein antes da captura, rasguei tudo o que poderia ligar meu passado ao seu. Não sei abortar, não sei vomitar, aprendi a rasgar papeis, me valeria mais saber descartar o disco de memorias, o vinil de mantras e declarações de amor, mas isso ainda não aprendi, ficarão as marcas, o receio e a vontade de encontrar contigo em um bar desses, quando eu sei noite menos noite (a Augusta é tão pequena, essa angustia ainda maior que a Av. Paulista e nem toda a Consolação vai acalmar), vou te encontrar, vamos nos ver, talvez trocar olhares, trocar gestos gentis na fila da conta, depois cada um para outro destino. Sim eu sei esse script, roteiro gasto por qualquer autor independente e sabedor do mel dos dias, essa substancia que se nutre de imagens noturnas, mas se exalta mesmo é no correr das noites e copos do uísque mais camarada.
Devassei: poemas, poesias, canções e sonetos. Depois do circo armado, recolhi os retalhos, chorei e os guardei novamente. amor quando é amor só pode terminar em barraco, daqueles de vizinho por a orelha na parede e um dos lados jogar a roupa pela varanda lá pelas três da manhã, afinal tudo tem prazo de validade, ate a vida humana e certamente os seus diferentes estágios, estados e sensações, o que nos completa, um dia por nos tornar maior, torna-se menor, já não nos apetece ou satisfaz.
Simbora Nega, vai lá! Maldiz o bem que te fiz, ai do seu lado, aqui do meu eu me faço de vitima e curo a ressaca com uma boa cerveja preta inglesa, enquanto  falo impropositos próprios de quem num aceno voltaria para você.
Hoje desci na estação São Bento, pisei o pé na Boa Vista e os sinos tocaram, olhei em todas as direções e ate ensaiei te abraçar ajoelhado caso você aparecesse, isso mesmo, bem assim cenão de novela mexicana, só faltariam os Mariachis! Almocei naquele restaurante onde almoçávamos, na mesma mesa, aquela de fronte a vitrine (nos divertíamos vendo os casais de velhinhos do centro lembra?). Andei pela Patio do colégio e vi ao longe uma moça, imaginei você, feito um filme do Fellini, em plano americano e a câmera recuando a imagem enquanto a canção mais sufocante intensificava os segundos. Ali também os sinos tocaram, mas não anunciavam você... Sinos pouco entendem de anunciação, redenção ou amor, tudo isso são atributos que conferimos a essa ogivas de metal, badalaram hoje e certamente badalarão seculos depois da minha partida definitiva, outros amores, outros porres e solidões, ouvirão o soar de sinos outros ou desse que hoje ouvi.
Sabe moça, em cada passo pelo centro, em cada aceno, o momento coreografado pelos sentidos e o relógio, onde seu perfume me veio no exato instante dos sinos badalarem, tudo isso, não diz muito, não tem uma significação mistica ou esotérica, tudo isso ou isso apenas, apenas quer dizer algo que não dá pra rasgar não s pode trancafiar e esquecer, não se quer fazer nada disso, mas acabamos fazendo, é o circo das emoções, onde a paixão é a atração principal, mas ao invés de domar, faz é desinbestar e amotinar tudo quanto é ideia ou sentimento nessa descarga exótica e absurda ao espirito e ao corpo, hoje cheguei em casa, há poucas horas: rasguei poemas, bilhetes e fotografias, segundos depois ainda convulso fui lá recolhi os pedaços, feito aquele tipo de soldado que recolhe os espólios afim de reconhecer nisso ou naquilo o sinal de alguem existiu naquilo, de que aquilo em algum momento possa representar alguem ou algum momento.
Travessei algumas ruas, do centro da nossa capital, olhei vitrines, almocei sozinho, pensei em você. doeu um pouco, na verdade chorei. Andei pelas ruas da nossa capital, atravessando uma rua, descuidado não olhei para trás, não me certifiquei se era você, mas seu perfume estendeu a mão e me apresentou a saudade, recolhi as lagrimas, arrumei meu terno e alisei minha barba, sabe moça, se algum dia nos revermos, quero estar feliz. Acendi um cigarro, 13:13 da tarde é muito cedo para um uisque.

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