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domingo, 31 de março de 2013

Voce parece feliz, por isso estou feliz

Você vive feliz, por isso eu devo me concentrar na felicidade,
se algum dia nas ruas do centro até o mercado nos encontrarmos,
devo ter isso comigo, sentir essa tua alegria como fosse minha.

Afinal você agora é feliz, da minha amargura ou solidão,
não nascerá o pão que alimentara a classe operaria,
minha triste feição não denota amor ou a ausência do mesmo,
quem com a alegria do outro se ofende, amor não sente.

Por isso quando na multidão em marcha em outro partido te olhar,
você me olhará de sua brigada, eu te olharei da minha e seguiremos,
pois você é mulher, operaria e atriz,
eu o que sou? Poeta e agitador, algum dia quem sabe feliz.

Espero profundamente que tenha contigo os meus conselhos,
de amar com mais amor não o teu companheiro, mas a tua liberdade.

Pois a vida segue e as noticias correm dentro das horas,
não há tempo para ser propriedade, se tempo houver e haverá,
que nesse tempo só haja espaço para se ser homem ou mulher e lutar.

Você vive feliz, isso eu sei pelos outros, dizem que sorri melhor agora,
torço para que um dia eu também consiga
alcançar com impeto a graça dessa gentil hora.

Meus olhos não devem mais chorar a solidão ou a tristeza,
agora esta claro, não é mais tempo para a tristeza.

Pois se você esta feliz, o que me cabe é seguir e entender;
da minha amargura não nascera o machado que desata a ditadura.

Por isso se na fila do cinema com ele por mim você for vista,
estenderei a mão e desejarei toda a alegria.

Ainda é tempo de se ser humano e justo.
Afinal a paz é a cura do mundo.
Eu que ainda me emociono com cartas.
Eu que coleciono bilhetes e lembranças.

Ainda choro com poemas, com poemas de amor,
poemas e palavras de ordem da classe operaria.

Não farei da minha dor o algoz que oprime tua emancipação,
por isso esse poema como resolução:

Você parece feliz agora, torço pelo melhor em teu caminho
que tua vida seja de amor, paz e liberdade,
em nenhum momento pensei em ti como propriedade.
Você parece feliz, por isso não devo ficar triste.

Para minha solidão eu respondo: a esperança ainda insiste.
Outro tempo virá e que os dias marchem

Se algum dia te encontrar, tenha certeza,
te estenderei um sorriso e palavras gentis.
O seu amor me ensinou a grandeza.


sábado, 30 de março de 2013

Coreia do Norte

Pode trazer aquele sol dentro do olhar,
que a saudade aqui mandou lembranças, 
perguntou por onde anda e com quem está.
Sai outro dia e pensei ter te visto de relance,

visão distante, longe demais do meu alcance.
Vesti meu terno e encontrei algumas moedas,
comprei flres pois era o seu aniversario.
Eu fiquei lá olhando o céu, sentado no patio.

Uma criança poderia aparecer pra uma fotografia,
mas um casal se abraçou diante dos meus olhos.
Toquei o sino e segui, já era tarde, por isso parti.

Aos pés de uma esquina qualquer,as flores eu deixei cair.
Não sei se na lua nos olha alguem ou é apenas uma ilusão.
Toquei o sino antes de ir embora, esta tarde. Por isso parti.




"Ela também ainda pergunta"

''Eu não sabia explicar nós dois
Ela mais eu
Porque eu e ela
Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ela foi me levando pela mão
Íamos todos os dois
Assim ao léu
Ríamos, choravamos sem razão
Hoje lembrando-me dela
Me vendo nos olhos dela
Sei que o que tinha de ser se deu
Porque era ela
Porque era eu''
Chico Buarque

Já faz um tempo, foi em janeiro, estava no Ibirapuera...
Lembro que fazia sol, lembro que no meu cantil havia rum com limão e eu havia acabado de fumar o meu cigarro de maconha, olhos fechados, o calendoscópio da embriaguez e a vertigem do nada me guiavam... Senti uma mãozinha tocar minha testa, talvez como quem quer medir a temperatura ou saber se ainda esta vivo, quem sabe apenas acordar. Sei que abri os olhos, deparando assim com uma imagem incomum, por ser improvável ou processada como parte de um arquivo pertencente ao que me programei a pensar no passado. Era a pequena Luísa e ela repetia meu nome, com quase a mesma velocidade com que me pedia colo, o que na dicção de uma criança de dois anos, torna as coisas bem difíceis de se entender.
tão logo acordei para aquela cena, e logicamente tomei a Lú no colo. 
Me levantei e cuidei em procurar por sua mãe, olhei pelos cantos do parque, na extensão do passeio publico, na orla do lago central e nas armações desligadas do jogo de luzes.
A Lú ficou lá abraçada comigo, brincando com a minha barba, cutucando meu alargador, apontando pras aves.  
Mariana enfim aparecia, corria e na sua companhia havia alguem, um cara,, desses corpulentos e como que saídos de um almoço de domingo. Nos cumprimentamos, um breve aceno, apertei a mão do rapaz que com Mariana estava, pouca importância tentei transparecer, nessas horas o mais frio vence o jogo de nervos (ok, não se travava de um jogo), dissemos oi eu e ela. Tomou a Lú do meu colo, num quase abraço, me senti novamente transportado para aquele primeiro momento onde nos abraçamos pela primeira vez. 
Lú, esperneava, chorava, chamava meu nome, não ficaram muito, segundos apenas, o tempo que a cordialidade permite a ex-amantes manterem a civilidade.
E eu fiquei lá testemunhando que a vida nos mostra como somos pouco criativos para partidas. Afinal o destino é um grande roteirista, sem clichês ou improvisos baratos.
Os três indo embora, o choro da Lú, cada vez mais distante, confundido com o riso e o barulho de musica e outras crianças e pessoas a conversar, sorrir ou brincar. 
Essa a minha historia ou final provisório da mesma, o sol de janeiro em um parque a céu a aberto, no final de janeiro, o cheiro de mato cortado, a paralisia que me acometeu naquele instante.
Não sei se foi o rum, o cigarro de macona ou aquilo tudo de uma vez e sol luminoso do Ibirapuera, sei que fiquei lá olhando Mariana e aquele rapaz de mãos dadas, ela não pareia feliz, parecia indiferente, carregava a Lú no colo e apenas seguia, em algum momento não os consegui mais seguir com o meu olhar, como se aquilo tudo tivesse sido escondido pelo horizonte, por um céu luminoso que torcia pelas minhas lagrimas. Naquele momento não houve sinos como da primeira vez, não houve adeus, foi apenas um oi, com um como vai entalado, nos olhos dela notei aquilo, possivelmente ela fugia dos meus para não notar isso também, ficou ali aquele choro da Lú, desaparecendo na distancia, desaparecendo na distancia Mariana de mãos dadas com o rapaz.
Noticias nunca mais tive, senão através de um ou outro garçom amigo de bares em comum e que confessam, ela por mim também ainda pergunta. As vezes apareço lá onde ela se apresenta. 
Mariana eu fico lá na ultima fileira, saio antes dos aplausos. Te aplaudo já no corredor, quando o publico levanta, as vezes sou o primeiro a levantar.
Sabe não sei nos explicar, qual a razão de termos acontecido um pro outro, quando alguem me pergunta.

* Os fatos acima citados, são ficcionais, não ocorreram, os nomes foram fabulações, qualquer coincidencia entre datas e fatos, são merissima coincidencia.

Bilhete III


Bom Retiro, 30 de Março de 2013

    Você fez aniversário dia 24, ate agora tenho pensado nisso, na distancia e nos desencontros. Me pus a pensar em como juramos no Rosh Hashaná: "durante o ano, assim como esse dia".
    Das ruas onde nos beijamos, nos planos e naquela ideia que agora parece tao triste, toda ideia feliz se torna triste? Ainda me da uma vontade danada de sei la correr essa SP gigantesca casa por casa, atrás de você em todos os bares, teatros e cinemas. 
    As vezes me dá vontade de beber ate desaparecer de vez o meu juízo, só pra ver se assim sua lembrança me deixa dormir em paz, se você deixa de estampar meus sonhos, só pra ver se deixo disso de pensar que em dias frios assim você lembra que são meus dias prediletos. 
    Sabe dia 24 foi teu aniversário, você não é linda como aquelas moças que costumo sair vez ou outra, não você não é como elas, você é diferente, te reconheço pelo cheiro, sei o nome do seu perfume, não é o perfume caro dessas outras moças, o seu tem aquele cheiro simples de quem trabalha e cuida de alguem, cheiro de mãe, perfume de mulher. Te reconheço até nos passos infantis de qualquer criança arteira, sabe eu não sou o poeta dessa geração, não serei o poeta dessa geração, você não tem vocação pra Yoko e eu sou porra-louca demais pra interpretar o Lennon, mas ali, aquele mes, foi intenso e mágico, genial e tempestivo.
   Sabe moça eu te escrevo a toda hora, já pensei em comprar horário nobre na TV, Outdoor ou fixar cartazes ilegais no caminho que suponho faça ate sua casa. Eu tenho isso comigo, essa angustia que me esfaqueia a cada esquina, pois espero esbarrar contigo, não sei. Sabe moça, não sei, não mesmo. Gosto da sua perna menor que a outra, da alegria do seu sorriso aberto no espaço feito o sol dançando, gosto do seu jeito de me chamar de exagerado, sei que se ler isso vai me chamar de exagerado. Enfim escrevi tudo isso na esperança que leia esse bilhete, o bilhete do cara que te comprou flores mas ficou la no patio do colégio pleno domingo, sabia que você não estaria la, mas ficou lá, tocou o sino com o entardecer e foi embora.                       
    Espero que leia esse bilhete, no final não sei, aprendi isso: não sei. Tenha um feliz aniversário.

quinta-feira, 28 de março de 2013

A mulher

Seus olhos claros, carregam uma dose do mar que é tão vago,
seus braços fortes e suados de quem veio da noite e com ela partirá...
E ele é quem tanto sonhou comigo, fez de si ouvido,
pra ouvir minhas queias e comentarios sem sentido...

Ele ainda me quer, embora eu ja não mais o cogite,
mas suponho sua voz firme,
supondo assim talvez o coração palpite,
feito um recado que a alma ainda me permite.

Tem tanto riso e faz tanta falta ver,
que sei lá dia desses, quem sabe bem capaz acontecer

sei la eu saindo de alguma peça ou cinema,
reparar pelas ruas ou bar algum cara assim,
feito sei la, ele cabeça cheia, algum problema.

E ele ainda me quer, bom saber
que a minha ausencia é a força que o faz revivr,
esse amor que pra mim já se foi e já não me serve

E ele ainda segue sendo antiga canção,
esse refrão que me perfuma os sonhos,
essa barba scura e grande e grossa
que eu nego, mas ainda sinto falta

Um dia ele ainda volta,
um dia quem sabe ainda voltamos
para ser meu como nunca deixou de ser

Nos seus sonhos eu sei, canso de saber,
ele inda sonha comigo e os filhos que sonha ter

E ele ainda me ama, ainda me quer,
na noite mais triste ele segue bebendo e repete:

Ainda sou dessa mulher.

Venha ver a cidade

Anunciados os versos de uma poesia que só quer dançar,
o sonho do poeta é uma especie de profecia.

Ele cantará o que já não há, prédios, avenidas, praças e ruas,
os turnos que com a noite se dissipam no obscuro céu da cidade,
coçará sua barba de maneira copioso e olhará os carros.

A cama no quarto, os olhos passeando pela prateleira
onde os livros quietos, guardam Balzac, Maiakovski e Neruda.

Tarde dessas ele vai sair e ver o sol se pôr,
ate que a noite morda o céu e contamine
o tempo com o seu negrume lindo e frio.

Ela esta tão linda, nos sonhos o tempo não passou,
não se sabe ao certo,o quanto a imaginação pode trair.

Tão certo de algum período, na benção o reencontro,
mas e se o metro atrasar e amanha for feriado?

Sei não viu, aquele rosto bem distante ate parece o seu,
feição que a saudade fez tão familiar,
olhos que os meus supõem em sonhos ainda olhar.
Ela me pergunta: Eu saberei quando acontecer?

A cidade agora exala vapor e transito,
o meu cigarro apagado pela garoa triste

Em um abraço que a noite percorre instintivamente,
os olhos do poeta em vão procuram entre as luzes acesas

vestígios de vida nas salas e varandas no caminho,
sabe se lá se ate sua casa ou bar próximo,

As arvores e suas copas sépia, as cores, os frutos e as folhas,
os dejetos industriais despejados na agua dita potável.

Aquele rosto lá distante, ate parece ser o seu,
o poeta e sua opera bufa, seu miste rio risonho e triste,
no sonho que se se sonhou noite passada,
um batalhão de profetas, adivinhos e psicanalistas

para entender ou desvendar, na duvida apenas consolar,
ao poeta que sonhou, sem saber o sonho e o que pode significar.

O poeta é uma noite de turnos eternos,
sua voz quando se cala é sentida,

feito silencio que fere com ausencia e indiferença,
a poesia é para o poeta como uma crença.

por isso ao olhar o céu penso comigo,
haja ou que houer o nome da criação não sei
explosão é uma posibilidade, poesia é o teu nome.

Agora eu olho o chão incomum do passeio publico,
incerto de como isso possa me ajudar, mas sigo a olhar.

No ceu nenhuma resposta a se responder,
nas salas as luzes acesas e nas ruas cadeiras, crianças e velhas.

Um vida se foi, um mar de possibilidades com ela tambem,
dentro de alguem mora a minha resposta, mas preciso entender a pergunta.

O asfalto me dirá;
Quando for meu tempo
E o que verei?
Se lá, só sei que na hora saberei.

sábado, 23 de março de 2013

Cruzamento

Vou começar, quem sabe, mais só seja um pouco,
meu coração bombeando sangue, irrigando artérias,
dissipando comandos que o cérebro põe em marcha.

Acenda a luz, ria das alamedas e conjuntos habitacionais,
cercados de som, a ânsia pelo silencio me espreita agora.

Eu nem vi, mas agora sei, que boa parte do tempo se passou,
as cortinas, a varanda, o jogo, os gatos pela casa.
Vai chover? Acho que por todo um ano,
mas e dai? Acho que o plano não era esse, agora é.

Eu volto para casa, olho as ruas enquanto sai o sol.
Você não estará la, um fato que me corta
com o vil metal da solidão.

Meus olhos semeiam o mar na orla iluminada de cada manhã,
inútil entoar meu canto, aos seus ouvidos já sou antiga canção.

Mas ainda cantarei esse bocado que me resta,
para compor tardes cinzas, manhãs frias e outonos sépia

Acampei na tenda das lembranças, lá olhei o céu escurecer choroso.
Amanheci tardio, repleto do que um dia já fui.

Tudo bem, voce já não me vê, mas sei que ainda pergunta por mim.
Aqui dentro é tão igual, nada mudou e esse talvez seja o problema.

Semearei a eternidade dentro de cada silaba do seu nome,
enquanto a noite cega corrige as cores da fumaça,
apenas dedilho o sol que passeava junto de nós,
isso é quero crer que era assim, nos dias que fui ai te ver.

Feliz Aniversario

Parei um pouco no tempo noite dessas,
dentro das lembranças recordei as rosas,
em cada passo investi um ponto seguro
ao me certificar de que não m guardaria em espera.

A chuva fina eu percebo pela luz amarelada
dos postes daquela rua onde nos beijamos.

a mais azul das canções, decora o quarto escuro
onde a trsteza faz sala para a solidão,
enquanto repara nos cinzeiros cheios, nos copos e garrafas.
Parei um pouco noite dessas, comendo meu milho enlatado,
que comprei no mercado pelo caminho do centro ate minha casa,
a luz baixa do abajour, o som de fundo por conta da TV.

Nos jornais e radios, noticias e amenidades,
fumando meu cigarro ate a varanda,
eu olho o céu e vejo as luzes da rua acesas,
a cidade dorme, como dorme as crianças e os cães,
eu apenas olho o céu e suponho
seu corpo em cada constelação.

Não existe mais bonde, não há mais quarta-de-cinzas,
contudo ainda haverá ressaca, amores possiveis e provaveis,
com isso eu só consigo pensar:

Em uma noite como essa, voce esteve em meus braços,
meu espirito girou junto aos seus olhos,
feito a vida fosse mariposa e a lua que é tua mãe fosse farol.
Em mim não há sol, apenas chuva, apenas chuva fina e a ilusão,
em noites como essa diante do universo cogito o que pensa,
se fuma escondida na lavanderia para tua filha não ver,
se esta feliz ou apenas segue torcend pelo há de acontecer.

Essa noite é o teu aniversario,
ao redor de seu corpo doce e quente, outros braços,
já não cabe o meu abraço de amor,
sobrou pouco, muito pouco para quem passou,

mas ainda t suponho comigo,
muito embora eu saiba:

tua lembrança é a seta
que me faz ferido.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Girando

Acordem! Lá fora a noite parece tão simples,
poderiamos começar algo agora?

Os meus lençóis tem a forma que o tempo confere a solidão,
mas esse não é um motivo para deixar a cama e deitar no céu,
pelo menos ainda não é...

Escalando muros, subindo até o reservatorio,
na outra quadra uma casa nos espera.

Por dentro um monstro ao redor sua razão,
parece que vamos rodar ate a noite aabar, estou certo?

Ela cansou de amores perfeitos, flores murcharão,
enquanto a densa neblina nos arrebata e mistura.

Um sorriso em meio ao silencio,
não confundiremos a razão com um motivo para beber,

alguem disse pelo caminho, todas as dores
são a melhor propagana da industria de alcool.

U sorriso que invade a minha saudade,
uma recordação onde me sagrei em feudo

enquanto escuto passos seguindo os meus,
terei a sensação de que estou certo e sou livre.

Até o reservatorio, lá no alto observaremos
os policiais da ronda noturna, seus pinos e violencia,

enquanto nos contemos em risos e recordações,
em algum lugar suspeito que alguem sorri feliz ao destino.

Correrei dentro da noite, atras do sol eu vou buscar,
aquela procura absurda que nos desnorteou

Etamos sós agora, ninguem precisa ficar só,
meu cigarro, minha varanda e os passaros em busca de calor,

insetos varios dançam ao redor da luminaria,
metafora estranha sobre
como me acostumei a girar diante do seu olhar.

Olha ai ó, nem ia fazer poeisia

Talvez eu só queira dizer isso:
no final a poesia seguirá,
mas voce e eu...

seguiremos serenos,
vendados ao que nos for dado

feito um abismo acordado
na hora xis de bebermos veneno.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Lentilhas

Meu coração desesperou-se quando ouvi o apito tocar,
sonhei com sinos toda a noite,
minha lagrima estendeu-se ate a cabeceira da sua cama
tateando seu corpo que tantas vezes toquei...

Manhã fria, minha tosse não vai nos deixar,
choro calado circulando pelo centro,
taxis, uísque e prostitutas tristes,
a cidade insiste em me fazer correr até aqui.

Meu verso como um soco assalta meu figado.
Alamedas onde as mãos se completaram ao sorrir,
sim você sabe de mim, de alguma forma você procura saber.
Fica o recado: meu coração desesperou-se ao ouvir sinos

essa noite, sonhei com você a noite inteira.
No sonho meus pés cansados de calçadas,
te encontravam na fila da conta em algum bar.
Meus olhos passam o dia a te procurar.

Mas é quando o sono vem e o sono chega enfim,
enfim te encontro no lugar onde você não quer estar.
Dentro de mim e ao meu redor, feito uma praia,
feito uma onda que foge mas é parte do mar.

Minhas botas folk, minha barba por fazer,
terno chinês preto, calças justas e camisa gola de padre.
Meu coração se desespera para não se desfazer,
em mim só há uma vontade, todo o resto transpira você.

Antigamente um muro havia, como se houvesse o que me impedisse,
agora o que há alem desse anseio? Só essa vontade inquieta,
de te amputar sem medo dos meus sonhos, planos e desejo.
Eu desço a Augusta e o neon me cega junto ao vapor do meu cigarro...

Já não é minha, nunca te quis minha, senão como minha companheira,
agora parece que o sonho acabou. O que restou senão esse sonho aqui?
Recolho os morangos silvestres pelo campo através do universo,
imagino tudo e quer saber? Não troco a vida pelos sonhos que ousamos ter.

O herói da classe operaria, a morsa, o coletor de sonhos...
(Eu não sou mais o sonhador. Ainda sou o sonhador. O sonho acabou)
Acenda a luz, tranque a porta, cheque as janelas, isso é: se algum dia voltar.
essa manhã enquanto repassava os dias saltei ao passado, o sonhou acabou?

Ontem eu acreditava em coisas pelas quais hoje eu vivo.
Não sei entender, não sei entender um terço da sua reza,
seu nome mesmo distante feito vela que não se pode soprar,
ainda é aquela quadra e meia ate o lugar onde sonhei nós três.

Verso de chumbo, estanho, fumo e cachaça

O vento frio, como uma navalha retalhou meu rosto,
selou meus olhos a luz da manhã cinza de março.

Por um instante pensei em todas as ruas do meu lado da cidade,
no mofo e na fuligem, junto ao cheiro azedo de repolho  passado.

Pelas ruas carros, na avenida transitam mercadorias e o futuro,
faróis de milha e velocidade incessante, a cidade nos acertou.

A chuva fina e as primeiras horas da manhã,
o jornal onde eu não escrevo, o medo do qual participamos,
apenas a vida a um preço barato demais para ser cobiçada,
somos as mãos de dedos amarelos, somos a classe operaria.

Agora a fila, adiante o horário, o livro, o jornal e o itinerário,
que importa? Se diante do tempo não somos sequer quem abre a porta?

O vento frio retalhou meu rosto, na volta para casa,
no começo da rua outras casas, iguais a mina casa,
a espera de país, mães ou filhos, cansados demais para sonhar

eu olho enquanto sigo, pela janela do ônibus eu olho enquanto sigo,
não há destino capaz de transpor a dor e o desespero,

que me causa esse cheio azedo de repolho passado,
pelas janelas luzes, interrupções de telas de televisores,

onde famílias jantam em silencio e culpa, cansaço e desanimo.
Pelas ruas caros, na avenida transitam mercadorias e o futuro,
carga roubada derivada de alguma alma interrompida.

Toalhas secando no varal, cadeiras vazias em varandas simplórias,
bares vazios, calçadas vazias, na rua a chuva fina e
a luz da sala vinda do televisor.

Ninguém vai te ligar. Uma segunda-feira como outra segunda-feira,
morna, lenta e celibatária, como expurgando os pecados de toda uma classe.

Prédios habitacionais, apartamentos, mercados e igrejas,
tudo enche os olhos de cor e pavor, de dever por cumprir.

Meu corpo se desespera, outros corpos parecidos com o meu,
tão parecidos como o meu, também se desesperam, ao descansar

A vida é o intervalo da produção,
a vida nem isso pode ser, o trabalho tonou a vida uma punição.

O vento frio retalha o meu rosto,  o cheiro azedo pela rua,
a comida estragada nas lixeiras, os gatos da rua, os cães e os ratos,
me roubaram a satisfação mais inocente de observar impunemente a lua.

Enquanto isso minha barba cresce, signo operário de quem envelhece,
que contarei da minha?
 Amores?
Pecados?
Greve e poesia?

ao meu turno retornarei, ao turno definitivo,
assim como eu antes de mim, meu pai,
assim como eu, depois de mim, meu filho

A luta de classes, a disputa e a opressão,
tornam a vida como um todo,
num ensaio entusiasta do conflito.

sábado, 16 de março de 2013

Belas Artes

Talvez não seja real, quem sabe é apenas essa chuva fina,
vou me iludir e caminhar, olhar o céu cinza da noite umida

nesse suburbio operario, onde galpões abandonados
parecem catedrais do abandono e exploração.

Ouvi as primeiras palavras da estação:
já não parecemos com esse lugar, afetado pelo vapor.

Talvez não seja a verdade, pouco importa agora,
mas estavamos distantes, longe demais para correr perigo,
afetados pelo vapor da chama azul que o tempo levou.

Sem sol para cegar o caminho, só o neon dos anunciantes,
o pecado é confortavel e salvador, linha vermelha, eu quero retornar.

Ela me disse:
Voce sabe do que diz, mas não entende como ainda sente?

Fiz do meu pesamento uma crença,
calculei as bases e ensaiei um discurso para dia desses,

nenhuma resposta sera respondida,
mas terei no que me apoiar e me apoiarei nisso dia desses.

Essa manhã, amanheci acordado, antes do sol nascer,
sem a impressão que vim de eras antes...

Chaminés de saudade e calor: vazias.

Um macaco e seu filhote vestem a farda
e assaltam os camponeses (ecos de uma ilusão oficial).

Ao pé da janela de algum amigo: acorde para esse dia!
Aqui fora o mundo até parece um cinzeiro depois do ensaio,
mas se não sairmos por ai, quem sabe oque  perderemos em ver?

Talvez não seja real, mas o que importa agora?
Enquanto ela vestia a roupa, apenas virei para o lado.

Essa manhã acordei antes do sol,
acho mesmo que sequer dormi.

Percebi um ponto de onibus, na frente do seu predio.

A chuva fina vai produzir lembranças, meu corpo peludo,
meu sotaque carregado, olhos vermelhos, traje invernal
e a maneira como eu te contei meu sonho,
enquanto fumavamos o mesmo cigarro.

Não posso responder algumas perguntas,
não quero responer algumas perguntas.
Não quero fazer algumas perguntas,
não gosto da sonoridade das palavras que as compõe.

Ela vestiu minha camisa, desceu até o jardim,
olhou o céu cinza e ficou la parada,

moça da capital, seja bem-vinda ao suburbio operario,
por onde ando largado e com meu cabelo e barba por fazer.

Meus tres seguidores, ah... Somos uma Fab four...
Um cigarro no canto da boca, uma má fama por zelar,
sorrindo com alguma moral na rua, parabens,
voce acaba de me arruinar!

Um macaco e seu filhote batem continencia ao prefeito da provincia.

Enquanto sigo, moto-continuo,  psicotico e afetado, calmo e indiferente,
escuto mentalmente Dylan e soletro um nome que havia esquecido.

Tomei meu chá essa tarde, o céu laranja,
só me lembra da fabrica aqui perto,
me faz querer que tudo exploda, inclusive minha auto-definição.

Talvez não seja real, mas quem se importa?
Se eu tivesse dormido, talvez tivesse sido um sonho

Tanto faz, quer mesmo saber?
Tanto faz, acho que isso serviu ate aqui,
adiante, não sei se vou lembrar.

Meu suburbio operario, vou dar uma volta pelas ruas umidas e escuras,
fumar em algum galpão abandonado e refletir sobre o céu laranja.

Nas alamedas com nome historicos, nenhum deles é o heroi da minha classe,
enquanto voce sonha com um tipo podado e polido, sou apenas isso:

Pulmões fabricando vapor barato e olhos avermelhados,
um coração por dentro, por fora isso, apenas isso.

sexta-feira, 15 de março de 2013

24 de Março

Hoje acordei de uma dezena de meses,
parece que os olhos cansaram de se fechar.

Pensei ouvir sua voz no vão ate a varanda,
eco da chuva fina que batizou essa manhã

Um estribilho de prata guiou meu instinto ate o telefone,
outra vez ouviria seu adeus?

O tempo d liberdade cehgou,
e achei tão parecido com apenas estar só

os sentidos traem e nos fazem supor imagens
no quadro complexo da solidão, sou a orla a se distanciar.

Talvez eu queria apenas dar uma volta por ai,
quem sabe o que estou fazendo? Nem eu me atrevo a supor,

quero sair e causar uma festa enorme, dessas de aparecer policia,
de embreagues se tornar delito e o povo na rua aflito, descontraido,

procurando o dono do som e o que diz a voz sem dono,
sei lá o que isso quer dizer, suspeito que a minha vida
quer ser liberdade, mas não há tempo ou espaço
onde voce caiba ou eu possa te escutar...

Essa manhã os efeitos acentuados da ultima estadia,
desapareceram por completo e só restou o gosto salgado da ressaca

e quem não quer a tempestade, hoje eu entendi, não pode abraçar o céu,
mas vamos lá, noite dessas, em algum lugar, quem pode saber?...

Eu tenho muito amor, mas não sou o amor,
por andar tão só me recolhi aos cobertores,

mas essa manhã o outono veio me avisar,
que lá fora eu posso ser maior que essa casa

então quem sabe dia desses eu te reveja,
mas suspeito muito voce vá me reconhecer...

Caso me reconheça, okay.
fica a promessa, te levo pra algum lugar bacana,
conversamos e te pago uma cerveja.



quinta-feira, 14 de março de 2013

Sobras ( sombras ou venha ver o mar)

Eu disse tanta coisa. Por fim, me restou esse silencio,
feito uma culpa, como se houvesse o que lamentar.

Agora, o quarto escuro, o bar barato e o quarto escuro,
quantos cinzeiros pela casa, parecem feitos pra tropeçar,
como se o corpo tossisse a alma, quando calma não há.

O gole seco, na bebida amarga,
não fará esquecer, mas ameniza.

Se eu fosse o mar, ah... Se eu fosse o mar,
queria ver minha angustia se assombrando
com o negrume da minha profundeza,
o enigma da poesia que não quer ter beleza.

Meus pés não se entendem ao seguir,
fazem chorar o destino quando o sol vem me ver.

Tenho comigo isso, parece ser o que restou,
em mim e só comigo:

Você é essa ideia que criei,
dentro do que sobrou.

Um soneto em homenagem ao dia da Poesia

A poesia foi la ver se estou na esquina,
quem sabe até esteja.
Eu já não sei, saber só vai me anular os sentidos
e pode crer, meu poema é dor e a poesia é um grito.

O mu poema foi fumar um cigarro, disse que volta,
sei não viu, palavra escrita é a puta que o pariu.
Meu negocio é a rua, a lua e a loucura,
a febre mais suja é a parte insana da cura.

Agora falando sério, dou um pega no cachorro
e um susto no gato, torço as vezes pro meu silencio incomodar.
O que não incomoda não tem vida, o silencio é tão morto

A minha poesia nunca quis ser salvação,
por vive-la me perdi em abismos e cochas.
A minha poesia é desculpa pra alguma moça.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Soneto VII

Quando voce saiu daqui, veio a saudade e perguntou assim:
que faz o resto quando o todo se desfaz?
Não respondi, mas ainda assim suspeito, não era a saudade
e sim o medo de nunca mais rever a paz.

Hoje eu ando bastante, meus dedos amarelo narcotico,
violentam forros de mesa e arranjos florais,
avidos procuram em qualquer detalhe a substancia que anule
o qe já não tem cura e não incomoda. Mas...

Eu ando tão sozinho. Chego a sentir dó, da minha pena,
a poesia que escrevo é tão simples e cuidada,
dói mais nela a minha dor, a poesia não entende o problema.

Meu verso sopra um vagaroso rumor de esperança,
dentro de mim e ao meu redor antevejo
essa valsa tomar corpo, feito uma novena.


soneto VI

Rouxinol da aurora
quieta canção venha me cantar.
O tempo da maldade já se foi,
me traga os sonhos, trafique a volta.

Cercarei ainda uma vez meus olhares,
prometo me olhar, evitarei tantos lugares.
Inflamarei o meu pulmão de vapores vulgares
na ausencia da primavera, a beleza irei arrendar

um terço de vida darei ao alcool
outro tanto ao tabaco e a loucura,
pois o grito é a resposta do tempo

voce é aquela parte do mundo
que não pode ser a rua escura,
te chamo: sol. Ainda é a luz em tudo.

Soneto V

O amor vai arrumar o quarto, reler as cartas e rever retratos.
Sem muita confiança vai fazr as malas, varrendo o caminho
o amor e a dor darão o primeiros passos. A dose doce,
que o tempo nos adequou a entender natural, ja fez o estrago.

Tanto faz, já se desfez, aqui por dentro essa dor,
essa sede de todos os bares, por esse amor,
que eu nego, mas que ainda sinto e me faz
perder a paz. Ainda a vejo em tantos lugares...

Descendo o baixo Auguta, haja uisque e Consolação,
noite dessas o amor ainda vai me chamar,
para desfazer o já defeito.

Dentro de mim essa loucura e os resquicios de um gole amigo,
a solidão, lamina fria de abate certeiro, tornara escassa a alegria,
flor isolada é a paixão, essa industria dolorosa de poesia.


Soneto IV

Tua mão sente a ausencia do toque quente, da minha mão febril?
Teus olhos brilham e teu coração dispara se escuta tocar Lennon?
Tarde dessas eu chorei, me peguei lendo,
um verso banal, coisa pouca, que eu te fiz. Era abril...

Sei que nunca mais te encontrarei,
vulto de um tempo, brisa crepuscular.
Teu nome comigo eu guardo,
essas coisas todas, inteiras comigo levarei.

Seu sorriso é o sol de Março,
canção perfumada pela iluminosidade,
Comigo foi assim e por isso essa saudade

Dia desses ainda crio coragem,
acabo batendo na porta da ante-sala do teu paradeiro,
só pra dizer: dos amores que amei, voce foi derradeiro.

Soneto III

Não posso te prometer nada,
alem da fumaça do meu cigarro
e do halito doce do meu fiel uisque.
E mesmo na sua ausencia ainda estou do seu lado.

Pode crer, desculpe, esse meu velho habito
de amar com um amor que se custa entender.
Vai ver, nem sei, talvez eu ame um amor
de uma aneira que ainda não foi amado.

Agora eu lembro:
Mãos nos bolsos e na boca um trago amargo,
pra fazer cenografia a fumaça do meu cigarro.

Eu tenho escrito: amor, amor, amor!
Do pouco que sei e do que sinto que causei,
o que me resta é isso. Sentir é o desejo do sonho.

Soneto II

Respiração ofegante, não é o pós-coito
é a vida açoitando com o que temos que aceitar.
Projetos e futuros arquivados,
refazer o caminho ou apenas se calar.

Em uma caixa de sopros e poesia, os pés mágicos
da nuvem que eu vejo é o anseio
pelo que entre as flores quietas se anuncia.
Eu não tenho sorte, capaz de me visitar e errar o alvo a morte.

Lábios e mãos me dizem mais agora,
pois a espera , essa gentil senhora,
me ensinou que a paciência é um dom monástico e cristalino

em mim escuto os preparativos da folia, onde as horas
são capazes do maior lirismo.Por isso eu sento, espero
e dou risada, minha hora ainda não é chegada.

Soneto

Não terei mais seu beijo, isso é um fato,
restarão com o tempo como agora já me resta,
essa dor pelo amor consumado. Navios atracarão,
em outros portos, ainda me esperam possivei festas,

onde ficarei sentado no canto mais confortavel,
como que tutuando o ambiente com minha solidão.
Outros amores virão, me perderei em outros abraços,
nenhum igual ao seu, onde o meu se sentia ocupado.

Me perderei ainda mais, na busca por paz,
me perderei ainda mais e um tanto maior me tornarei,
para de novo sentir maior essa dor que penso:

nunca mais sentirei.
Se o amor é um retorno retorno,
custei a perceber, que a dor é só mais um engodo.

terça-feira, 12 de março de 2013

Bilhete II

Rasguei papeis com avidez  fome, não sabia direito, apenas descartei parágrafos e virgulas. ali mesmo diante de bilhetes, fotos e postais, feito cachorro louco em agosto ou Saddam Hussein antes da captura, rasguei tudo o que poderia ligar meu passado ao seu. Não sei abortar, não sei vomitar, aprendi a rasgar papeis, me valeria mais saber descartar o disco de memorias, o vinil de mantras e declarações de amor, mas isso ainda não aprendi, ficarão as marcas, o receio e a vontade de encontrar contigo em um bar desses, quando eu sei noite menos noite (a Augusta é tão pequena, essa angustia ainda maior que a Av. Paulista e nem toda a Consolação vai acalmar), vou te encontrar, vamos nos ver, talvez trocar olhares, trocar gestos gentis na fila da conta, depois cada um para outro destino. Sim eu sei esse script, roteiro gasto por qualquer autor independente e sabedor do mel dos dias, essa substancia que se nutre de imagens noturnas, mas se exalta mesmo é no correr das noites e copos do uísque mais camarada.
Devassei: poemas, poesias, canções e sonetos. Depois do circo armado, recolhi os retalhos, chorei e os guardei novamente. amor quando é amor só pode terminar em barraco, daqueles de vizinho por a orelha na parede e um dos lados jogar a roupa pela varanda lá pelas três da manhã, afinal tudo tem prazo de validade, ate a vida humana e certamente os seus diferentes estágios, estados e sensações, o que nos completa, um dia por nos tornar maior, torna-se menor, já não nos apetece ou satisfaz.
Simbora Nega, vai lá! Maldiz o bem que te fiz, ai do seu lado, aqui do meu eu me faço de vitima e curo a ressaca com uma boa cerveja preta inglesa, enquanto  falo impropositos próprios de quem num aceno voltaria para você.
Hoje desci na estação São Bento, pisei o pé na Boa Vista e os sinos tocaram, olhei em todas as direções e ate ensaiei te abraçar ajoelhado caso você aparecesse, isso mesmo, bem assim cenão de novela mexicana, só faltariam os Mariachis! Almocei naquele restaurante onde almoçávamos, na mesma mesa, aquela de fronte a vitrine (nos divertíamos vendo os casais de velhinhos do centro lembra?). Andei pela Patio do colégio e vi ao longe uma moça, imaginei você, feito um filme do Fellini, em plano americano e a câmera recuando a imagem enquanto a canção mais sufocante intensificava os segundos. Ali também os sinos tocaram, mas não anunciavam você... Sinos pouco entendem de anunciação, redenção ou amor, tudo isso são atributos que conferimos a essa ogivas de metal, badalaram hoje e certamente badalarão seculos depois da minha partida definitiva, outros amores, outros porres e solidões, ouvirão o soar de sinos outros ou desse que hoje ouvi.
Sabe moça, em cada passo pelo centro, em cada aceno, o momento coreografado pelos sentidos e o relógio, onde seu perfume me veio no exato instante dos sinos badalarem, tudo isso, não diz muito, não tem uma significação mistica ou esotérica, tudo isso ou isso apenas, apenas quer dizer algo que não dá pra rasgar não s pode trancafiar e esquecer, não se quer fazer nada disso, mas acabamos fazendo, é o circo das emoções, onde a paixão é a atração principal, mas ao invés de domar, faz é desinbestar e amotinar tudo quanto é ideia ou sentimento nessa descarga exótica e absurda ao espirito e ao corpo, hoje cheguei em casa, há poucas horas: rasguei poemas, bilhetes e fotografias, segundos depois ainda convulso fui lá recolhi os pedaços, feito aquele tipo de soldado que recolhe os espólios afim de reconhecer nisso ou naquilo o sinal de alguem existiu naquilo, de que aquilo em algum momento possa representar alguem ou algum momento.
Travessei algumas ruas, do centro da nossa capital, olhei vitrines, almocei sozinho, pensei em você. doeu um pouco, na verdade chorei. Andei pelas ruas da nossa capital, atravessando uma rua, descuidado não olhei para trás, não me certifiquei se era você, mas seu perfume estendeu a mão e me apresentou a saudade, recolhi as lagrimas, arrumei meu terno e alisei minha barba, sabe moça, se algum dia nos revermos, quero estar feliz. Acendi um cigarro, 13:13 da tarde é muito cedo para um uisque.

sábado, 9 de março de 2013

O jardineiro

Quando olho pro céu, vendo as estrelas, penso nas diversas formas de como D'us criou o todo.
De criança, acreditava que após a criação do estado de existência, ao falar o verbo El' espirrara e assim nasceram as estrelas, mas foi só na adolescencia e já conhecedor de Big Bang e outras teorias científicas, que comecei a pensar que D'us é o nome do jardineiro que plantou diversos tipos de plantas em seu jardim e cada uma é uma galáxia, os sistemas solares são as flores ou frutos. Mas o mais interessante é que distantes uma planta da outra e uma flor ou fruto do outro, os vemos como no início, feito uma semente, capazes de se iluminar e encantar, talvez em algum lugar nos vejam assim,  como no inicio, talvez hajam lugares e seres, que ao olhar o céu de onde estão, enxergam apenas um luminar, resquício da explosão primordial, anos luz de distancia no espaço e no tempo, como fossemos o piscar de olhos de uma outra coisa ainda maior ou desconhecida.
A vida é o jardim de D'us e a existência se baseia em preparar-se para a safra. Quando estamos maduros ou florescemos, é a hora de enfeitarmos a mesa de quem nos plantou.
As vezes olho o céu e suponho, outros lugares e outras formas de vida, uma explosão primordial, ecoando ainda a onda criativa, tornando iluminado e sonoro o vácuo escuro e surdo, do que ainda não há, com o que logo haverá. Fico imaginando amores, tragedias e dramas possíveis, fico pensando na musica, no ballet e nas possíveis formas de comunicação entre os possíveis ''eles'', em algum lugar da existência outra rosa floresce, florescendo ignora qualquer fato que vá alem ao ato de florescer, distante, bem distante quem a observa, de tão longe ainda observa a semente a ser plantada, desconhecendo que talvez tenha sido ate mesmo colhida e descartada.
Fala-se em ultrapassar a velocidade da luz, pessoas que nunca correram a 100 km por hora numa pista aberta, sequer giraram feito loucos, a barreira do som, a ténue linha entre a sobriedade e o êxtase. Sabe é tudo muito distante, essa vontade de descobrir, esse extinto e a busca mítica pela contemplação da vida em outro aspecto. Eu olho as pessoas e não as procuro as vezes, tenho medo delas, da aproximação, as vezes dói, fico pensando se lá na borda da explosão quem tenha a tecnologia para nos contactar, também tenha essa dor, ainda não tenham inventado a aspirina capaz de anular o medo e a dor do que é novo, o novo nos assombra.
As vezes olho para o céu, evito olhar demais, as ideias não me deixam dormir e a beleza me seduz pela sabedoria que ela pode me trazer. As vezes olho  céu e penso: o abismo é essa atmosfera que nos deixa pregado ao chão, por medo do que é novo ou possa vir a ser.
Anseio pelo dia que nos colherão, com a humildade de supor, que um batalhão de seulos ainda virão, antes da esperada primavera.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Canção da Vespera

Meu corpo inquieto e febril,
vê chegar com solidão
as cores e olhares de abril...

Meu delirio é uma cisão com a realidade,
nas marcas, lembranças e feridas,
as dores dos passos
dados e por dar em vida.

Seus olhos claros,
profundos feito um sonho
sonhado por mim, meu sonho inacabado
como fosse a arquitetura do mundo
um sem pra que,
por que ser sem sentir...

Meus dedos soltos, magros e sem vida
soletram sua ausencia,
ainda respiro e suspeito
te supor em tudo, mesmo no meu medo...

Mas olha só,
não há coisa maior que a sombra da ilusão,
o doce habito de aos poucos se envenenar
a vida sequer merece uma canção

Meu corpo inquieto,
diz seu nome ao deitar,
diz por mim
aquilo que insisto em calar,
de um outro tempo
ou esperança
capazes de me fazer cantar.






Libanesa

Teu sorriso é explosão onde me precipito,
calçada onde o meu caminho se decide,

lugar onde meus olhos querem se abraçar,
tua voz é canção predileta e inquieta

Mulher arabe, tua selva de segredos
é o deserto onde ao sol tempero os meus extintos.

Vem comigo, vem por um beijo, por um carinho,
pela vontade que ocupa e arde
enquanto te imagino...

Teus passos são esferas de luz,
reluzindo em minha ideia, a ideia de te possuir

minha pequena, te suponho doce
feito o poema que te escrevi.


quinta-feira, 7 de março de 2013

Ferreira Castro

Atravessando a rua,
a visão tropeça no céu e
o horizonte escreve seu nome,
no alfabeto das nuvens
a fonetica imita o seu timbre
ao acordar,

seu rosto desenhado pela foligem
e a umidade da cidade,
nas ruas que são bilhetes,
não me deixando anestesiar,
a sua ausencia,
a sua falta ao por ai andar.

Os semaforos, como gurus
indicam o caminho e o tempo da travessia,
por onde ir e aonde chegar,
okay isso já uma escolha pessoal,

eu te supnho atravessando ruas e avenidas,
sorriso solar, olhos de explosão estelar,
em teu corpo orbita a minha busca,
destino irradiado de sal e flor,
porto onde o meu abraço
quer tornar-se oceano.

Tomando meu chá,
crianças giram e cantam a ciranda,
na clausura dos predios comercias,
meu refrão de chaminé
gira e grita por voce,
declaração eterna e universal
de amor e paz...

Afogado na orla de uma manhã ensolarada,
onde as letras conspiram
e formam o seu nome,
o garçon já se foi
o garçon vai te dizer que estive aqui

Refeição sem carne, pão sirio e vinho,
melancia como sobremesa
mantras e orações,

queria apenas te dizer:
assim como nesse dia,
que tambem seja durante todo o ano.

Ouvi os sinos tocarem,
no patio de um colegio que é igreja agora
o som que antes a hora informava,
ao cantarolar mealico e sisudo,
queria o mundo.

Toda a vida pelo ceu noturno e iluminado,
constelação de gargalahadas,
minha alegria é o teu abraço.

Atravessei a rua e não olhhei pro lado,
esqueci um pouco de supor voce quem sabe ali,
coisa de quem só segue,
sim eu apenas segui.

terça-feira, 5 de março de 2013

Soneto para Hugo Chavez

Em Caracas, não sei se chove
ou se a noite cai como uma lamina fria
impetuosas lagrimas do tempo
temperam o aço da espada chamada povo

em cada olhar, das favelas e fabricas uma lagrima grita,
o nome do centauro louco e amado pela America Latina.
Nas alturas um baile se prepara; nada de luto, mas muito mais luta,
deve dizer ao seguir junto a Martin e Bolivar...

Chavez, teu avõ assim como meu te ensinou a coragem,
Chavez, a oficio de teu pai esta concluido,
em teus passos de quem quis a todos o maior dos destinos...

De onde estiver centauro de Caracas, saiba bem,
no coração de cada indio, operario ou meninos,
vibra hoje com timbre vermelho e eterno a tua palavra


Dica da Semana


A dupla Bueno e Batistta tem um ano que foi lançada fazendo shows em varias
cidades do interior de são Paulo e com total apoio esse ano de 2013 da secretaria de
cultura de são caetano do sul. Esse mês a dupla se prepara pra gravar o seu primeiro
CD autoral e um vídeo clip da música de trabalho “segura papai” que já esta sendo
tocada nos shows agradando geral a galera.

O estilo de música é o Sertanejo, ritmo em crescimento freqüente no Brasil e no
Mundo, contudo abrangem também um repertório com Pop Rock, MPB, e outros
estilos.

Encarregados dos eventos “Arte na Praça” projeto da Secult, apresentam-se em
São Caetano do Sul, com boa média de público, e em breve Shows nas Datas
comemorativas, e Especiais para a Cidade, um grande atrativo para os munícipes.

A busca por patrocínios é de extrema importância devido convites freqüentes de casas
noturnas da Região.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Pedro

Inquieto ele olhou,
olhar cinza e apagado,
sol distante como em outro estagio
e então ele apenas seguiu.

Um sol dentro do sol,
no peito o céu
e a cabeça nas nuvens

Tem certos dias...
Sim jPedro, tem certos dias...

Pedro,
voce foi visto noite dessas,
jogado as traças,
qual um pedaço de pão seco
boiando na urgencia da solidão mais urbana.

Inutil beber,
outro cigarro, outro copo,outro cigarro,
Pedro essa solidão,
essa solidão voce e eu sabemos o motivo,
agora cabe a voce refletir,
inutil prosseguir,já existe outro,

seja maior, atravesse a rua,
estenda a mão 
e pegue o telefone de outra moça.

Uma hora voce se acostuma,
uma a dor fica comoda,
dia desses até será capaz de rir disso,

mas Pedro, voce e eu sabemos,
não vai adiantar ficar ai na mesa sozinho,
zerar essa garrafa,
fumar um maço de cigarros,

sabe o que é Pedro?

voce devia se fogar no trabalho,
rir mais de si,

no final value a pen,
no final pedro só restaria você,
no final é só isso o que importa.

sábado, 2 de março de 2013

Todos somos amputados

O tempo não apaga nada, o que apaga é borracha, mesmo assim ficam os vestígios do grafite do lápis, isso é quando não danifica a folha. O que o tempo faz, é amenizar, ameniza... Leva algum tempo, as vezes uma semana, as vezes uma década, quem sabe nem isso ou até mais... Pode ser que nem passe, apenas amenize, apenas isso ou nem isso.
Vai lá pergunta pra alguem com uma perna amputada, pergunta se ela ainda sente a perna as vezes, se quem algum dia já enxergou, ainda sonha enxergando? Sim ainda sentem ainda sonham.
As coisas não passam, elas ficam em algum canto guardadas, a moça do jornal na TV, aquela bartender que deixou o telefone num guardanapo, um bilhão e meio de coisas certos dias ainda vão lembrar, o perfume de alguem, o tom de voz e o jeito de andar ou mexer no cabelo. Essas coisas, detalhes, nunca perderão o significado magico que é a passagem de alguem por nossas vidas, apenas nos acostumamos com a ausência delas, aprendemos a ver com algum humor, aquilo que até um tempo nos cegaria de dor.
Nunca tive uma boa relação pós-relacionamentos, acho mesmo que amor de verdade, quando acaba tem que virar barraco, pois se o amor é o sumo da concórdia, o fim dele é no minimo uma bela  peça de circo mambembe. Mesmo assim sinto falta de cada uma da minhas ex's, sempre sentindo muito mais falta da atual. Talvez seja o cheiro mais recente, a voz ainda gravada na cabeça em um volume maior que as anteriores. A verdade é que amei e ainda amo cada uma das mulheres com quem estive, não importa muito se duraram uma semana, dois anos, um fim de semana ou 30 minutos, amei e seguirei amando, desejando e sofrendo por cada uma. Mas como disse: o tempo ameniza.
Amarei mais a ultima, essa graduação que sempre faz qualquer um encarar o amargo da aguardente, as ruas úmidas das madrugadas de neon e tabaco. Faz parte e até nos deixa mais atraentes. Aquele tropeço quando andamos, aquele medo de tentar e dar errado, aquele sentimento da última chance nos torna mais atraentes, afinal somos estradas moldadas pelos pés que seguiram juntos ao nosso caminho.
Todos temos uma amputação, o tempo... O tempo, ameniza, isso é normalmente ameniza, mas apagar, squeça, isso nada ou ninguem será capaz...

sexta-feira, 1 de março de 2013

Laerte


Laerte,
Você pra mim sempre será o menino que desenhava pros panfletos do sindicato, aqui do ABC no meio da loucura do final dos anos 70 e boa parte dos anos 80. Você trouxe o Henfil pra São Paulo, que trouxe o Angeli.
Te vi duas vezes apenas.
A primeira no sindicato dos químicos em uma festa, eu era criança, eu estava com meu pai, te olhava.

- Pai ele é o Laerte das tirinhas do jornal? (perguntei assombrado, boquiaberto e olho arregalado)
- Sim filho, ele mesmo. Ôh Laerte, quanto tempo vem cá! (Meu pai te conhecia, você ajudou a fazer um panfleto pra greve dos petroleiros)

Você veio, apertou a mão do meu pai, falou com dois ou três amigos do meu pai, abaixou o olhar e me viu, passou a mão na minha cabeça e rindo disso ''oi ''.
Da segunda vez que te vi, já faz um ano acredito, eu estava com uma menina na Augusta, ia assistir uma mostra do Godart, você passou por nós, entrou no banheiro feminino do cinema. Minutos depois, quando saiu, te disse:

-Oi Laerte! ( trêmulo, com medo de que não respondesse e me fizesse passar vergonha com a pequena)
Mas você... Você respondeu. Veio na nossa direção e respondeu:
Oi garotada! Tudo bem com vocês? Vieram para a mostra?
- Sim! Viemos, sim! Sou seu fã cara. (Você sorriu, me abraçou forte.)

Sabe Laerte, você é um cara comum, o Angeli também, o Henfil eu suponho também fosse. Não se trata de tietagem. Você participou de algo e vive sem a pretensão de ser o arquivo para consulta, que alguns se propõem a ser. Você apenas vive, trabalha, pensa, escuta musica, dá pitaco e vai ao cinema. Sabe Laerte, você tem seus problemas, todos temos (até o meu vizinho tem). Mas você continua a ser o menino que desenhava panfletos para o sindicato, que amava Caetano, depois que odiava Caetano, o menino que a turma do sindicato as vezes condenava por puxar um fumo.
As vezes desenho, mas meu negocio é escrever, quando escrevo, o roteiro do texto é uma tirinha, uma musica ou uma obra arquitetônica.
Se algum dia, conseguir alcançar um patamar criativo como o seu, espero ser lembrado por algum garoto, assim como lembro de você: Aquele menino que fazia algo.
Você veio em minha direção, me abraçou, fiquei lá, deixei com você um pouco da minha vida. Em troca você já havia me dado o bastante, sem querer me ensinou que gente é assim, gente é artigo em extinção.

T-16

Então estou lá, depois de gravar o dia inteiro, duas horas de metrô e trem até o centro de Santo André. Então no ponto do ônibus fico observando aquela figura renascentista; olhos castanhos, cabelo castanho claro, pele branca ( com alguma cor, deve tomar sol no trabalho), saia preta e camisa rosa com estampa de flores, sem contar é claro com um perfume amadeirado. Fiquei fingindo que não a estava observando, pensando comigo, olha cara ce toma o mesmo ônibus que ela, quem sabe vocês não sentam juntos. Chegou nosso ônibus, ela entrou, eu também, ela tomou assento e deixou uma vaga, eu que sempre sou desconfiado, tenho medo de ser invasivo não sentei ao lado dela. 
Sentei na poltrona que fica de frente para os demais passageiros, dessa maneira ficando de frente para ela, que estava duas fileiras distante de mim, as vezes pegamos o mesmo ônibus (ontem ela estava superiormente mais linda que das outras vezes), sempre no mesmo horário, ela sempre com o olhar perdido, mas algo me dizia que se eu a havia notado, certamente ela também já havia me notado e estava me olhando.
Mas como saber se ela estava me olhando, sem logicamente ficar olhando pra ela feito um maniaco cabotinando? Fiquei pensando por uns 20 minutos, enquanto pensava, olhava e fingia que não olhava, num continuo que percebi que ela talvez também estivesse a fazer. Então tive a ideia, qual comportamento costumamos repetir quando observamos alguém fazer? 
Bocejar! 
Então olhei friamente para janela, bocejei como um cachorro e reparei, ela também bocejou...

Dica da semana:


Romance policial passado em Santo André é aposta de jornalista local



Livro será lançado em 14 de abril, com noite de autógrafos.

Será lançado no próximo dia 14 de abril (quinta-feira) o livro O Enigma do Cordeiro, do jornalista andreense Eduardo Kaze. A festa ocorre no Toni Station Gastronomia & Bar (Rua Antônio Cardoso, 955, Santo André), a partir das 20h, com presença do autor e noite de autógrafos.
Publicado de maneira totalmente independente, O Enigma do Cordeiro é o primeiro romance de Kaze, que atualmente trabalha com jornalismo impresso e é pós-graduado em Ciências Sociais.

Sobre o livro
Um assassino está à solta em Santo André e há somente três pessoas gabaritadas para pegá-lo: Benjamin d´Fausto, Domênico Digonnez e delegado Adriano Dias.
Com pitadas de humor, aliadas a uma profunda pesquisa e intensa imaginação, O Enigma do Cordeiro apresenta uma Santo André assombrada por um terrível serial killer. A cidade torna-se, assim, personagem numa trama de suspense que mantém o leitor fixo e atento a detalhes pouco percebidos em meio ao município andreense. O marco zero, o Museu Dr. Octaviano Gaiarsa, a Biblioteca Nair Lacerda e até mesmo a Vila Histórica de Paranapiacaba ganham vida nas linhas de Eduardo Kaze.
Tratado em dois tempos – passado e futuro – o livro remete às histórias clássicas de detetives, mantendo a contemporaneidade da atual linguagem literária, com trechos curtos e de fácil leitura.
Um diferencial deste livro é o fato do leitor poder  acompanhar a trajetória dos personagens nas redes sociais e ajudar nas investigações.  Antes do lançamento será possível curtir a página dos personagens no Facebook e ir acompanhando o caso. Após o lançamento a história continuará na internet como se fosse uma breve continuação do da publicação.

O Enredo
Domênico Digonnez é um detetive aposentado, atormentado pelo ócio e lembranças de sua última aventura ao lado do professor Benjamin d´Fausto, com o qual, dez anos atrás, perseguira pelas ruas de Santo André o assassino autointitulado Cordeiro.
Um bilhete proveniente do delegado do 1° DP andreense, Adriano Dias, o convoca para um encontro no qual uma aterradora notícia lhe é dada: O Cordeiro está de volta. Dias quer Digonnez e Benjamin d´Fausto auxiliando no caso.
d´Fausto, ex-professor do Centro Universitário Fundação Santo André, porém, está bêbado e decadente, afundado na melancolia por ter fracassado na prisão do Cordeiro há uma década e, ainda, ter perdido seu grande amor na ocasião, a psicóloga Evelyn Weber.
O retorno do Cordeiro traz à d´Fausto novo fôlego e o trio se junta, passando a investigar os atuais delitos do assassino que, agora, deixa passagens bíblicas nas cenas dos crimes para demarcar sua obra.
Simultaneamente, um jornal local, o Vitrine Andreense, busca informações sobre a onda de assassinatos por intermédio da jornalista Celine Gatti e seu fotógrafo, José Braz, acrescentando diversas visões da trama e contemplando o leitor com um cenário amplo, psicológico e espacialmente