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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Jacqueline

Faz um bom tempo (antes de você)
- estive em Buenos Aires,
agora ao lembrar de Buenos Aires falta uma foto sua,
mas você nunca esteve lá comigo realmente,
eu estava só, quando estive por lá, eu estava só.

Outro dia lembrei de como foi alegre
passar um mês em Santiago,
tentei descobrir o nome daquele bar na Plaza Baquedano.

Pensei em te ligar para ver se lembrava,
você não estava lá, eu estava só...

Então Buenos Aires no inverno mais cinza,
o trafego louco dos pedestres na Havana vieja,
sequer o calor rasgante de El Salvador

estive em muitos portos,
estive em uma centena de ruas e lugares,

vi a flor nascer e declinar em entrega,
pobre recompensa ao ilusório sentimento de amor.

Em tantos lugares estive,
em alguns suponho ter sonhado
com tua silhueta e voz,
(antes, bem antes de nos encontrarmos)

Agora que já não existe mais Jacqueline,
suponho seus olhos de sol, se pondo em cada janela
de onde o horizonte vem me convidar a sair.

Faz um bom tempo (não tão bom, pois foi antes de você)
meus olhos vagavam dentro da noite,
desabotoando o vestido da ausência,

parece que meus pés seguiam vazios e
agora eles seguem ainda mais vazios,

subimos tantas escadas lembra?
Agora cada degrau que desço sem você,

é uma costela a menos,
um folego ou um suspiro se esvaindo...

Oi... Como vai você?
Tenho um plano sabia?

Não é tão importante,
pelo menos suponho que não seja para você.

Agora que não tem mais Jacqueline,
parece que o verão começou
e a vida não tem mais vontade de correr

uma avenida com meu nome cruza o horizonte,
e você é a esquina onde o caminho deixa de ser meu.

Lugares onde o sol é igual ao seu olhar
( eu coleciono e sei de cor, já recortei e imprimi em mim)

Praças onde nos beijamos
(gostaria de as nomear com suas medidas)

ainda haverá Paris, Havana, Rio de Janeiro e Recife,
inútil pensar que o céu retornara ao instante da noite premiada,

agora olho a noite em sua infinitude mais escura e inquietante,
dentro de mim como dentro de uma canção ouço sua voz:

Já não há mais Jacqueline...
Meus olhos ainda te procurarão pelo centro,
circularei em táxis por bares, praças e avenidas de São Paulo,
inútil já não há mais você, capitulo grená do meu verso.

Inútil tentar, como se diz o caminho seguiu,
restando sempre um peregrino,
de mim restou bem pouco, só a parte que ficou

já faz um tempo, sim eu sei bem,
poucas vezes sei como agora,

suspeito que tanto saber,
de tanto saber tornou-se sentir,

já não há mais você,
sim já não há mais Jacqueline

Contudo, ainda sonho com seu sorriso de almoço e sol,
com seus olhos de luz e mar, ainda te chamo enquanto falo só,
não sei por onde anda,

mas minha alma quase sempre grita;
que já esteve aqui em outra hora,
momento em que eu estava a caminho.

Então não sei o que dizer agora,
mas como ensaiei te dizer algo,

como pensei acampar em tua terra
e respirar do teu ar e me contentar
com a vaga ideia da tua presença.

Pois agora devo ser um vulto na tua memoria,
mas você ainda é a minha canção predileta.

E ainda que nunca mais nos vejamos,
lanço aos seculos minha lira e sussurro;

Eu te amo.

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