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domingo, 24 de fevereiro de 2013

Bilhete


Pois é... Tem quem veja futuro no que escrevo, depois dessa garrafa de rum quase inteira, não sei viu... Me disseram que falo bem com o público, que sou expressivo, olha não sei não viu... Eu queria mesmo é te escrever uma carta, um poema, te falar, tocar sua mão, sentir novamente o seu perfume (as vezes ainda sinto enquanto ando sozinho pelo meu jardim). Sabe mulher, hoje o taxista me deixou em casa, fez até desconto, estranhou o fato de não termos dado a volta habitual pela liberdade. Ele já sabe meu nome, já sabe o seu também e a nossa história. 
Olha moça, eu não sei o que eu sei fazer da minha vida, não sei fazer nada direito, parece mesmo que sou desses tipos tortos sabe? Nada se encaixa na minha vida, mas você parecia fazer sentido. 
Não sei ter fé, não sei sorrir de maneira plena, tenho sei lá, aquela culpa que a classe média carrega? Aquele sentimento puxando a orelha dos sentidos toda hora, feito um pai que não deixa o filho crescer. 
Sabe moça, eu penso muito em você ainda, hoje não fui naquele restaurante indiano, pensei comigo, e se ela aparecer, o que eu vou fazer? No final eu vivo louco de vontade de te ligar, saber como você tá. Essas coisas saca? Mas tenho um medo danado, não sou medroso não, mas disso eu tenho medo, pergunta pros meninos do Renascença, se eu sou ou não sou um tipo valentão! O pessoal vai te contar como enfrentei dois meninos coreanos na época da 7ª série, de como eu bufava sem ar mas não largava do pescoço do menino coreano que ainda continuava querendo brigar, depois que fiz o outro correr, pois e moça, eu sempre fui assim, quando coloco algo para correr,costumo segurar forte ao que sobra ou então sei la desinbestar na vermelhidão dos meus olhos e  só saber depois o que fiz, sou um dos caras mais corajosos de todo o bom retiro. 
Mas tenho medo, sei lá, fico pensando e se rolasse novamente e você sumisse? Eu não teria medo sabe, mas essa garrafa, essa chuva, as garotas que ficaram de conversa hoje comigo, sabe moça, eu não sei.
Você faz sentido, nada faz sentido, mas você faz, quando penso em você, é como se eu fosse sol, tudo se ilumina e aquece.
Sabe o que é moça, a verdade puríssima é que não sei muitas coisas, não sei, por exemplo: quando o mundo vai acabar, qual a chance disso acontecer num dia da semana que vem, não sei se semana que vem vou te encontrar, coisa assim por acidente e coincidentemente terei um texto decorado para te dizer, mas não direi, a minha mão vai tremer, minha boca ficara seca e meus joelhos vão encostar um no outro como pedindo pra aquilo acabar em algo bom.
Olha, não sei um monte de coisas, algumas eu nem faço questão de saber, mas moça, agora e aqui o alto de depois de uma garrafa e meia de rum, queria te dizer uma coisa. sim estou falando com você  sei que lerá esse texto, assim como sei que leu cada um dos textos que já te escrevi, então pequena:
No relógio do tempo, só existe uma palavra escrita: agora.
todo o resto, não me importa, todo o resto desaparecerá, permanecendo então somente esse instante, eco das águas, ressonância de nosso primeiro olhar.
Olha moça, meu olhar rabisca sua silhueta no rastro das estrelas, quando escuto alguém chamar pelo seu nome, eu logo olho, a verdade moça, a verdade é que não importa, não me importo, não sei tanto sobre isso, só sei que sinto sua falta, só sei o que sinto e é saudade. Vontade de gritar no meio do transito, sair correndo no meio dos carros, fazer de alguma estação de metro um musical, imagina isso aparecendo no jornal, imagina só! 
Consigo ate imaginar a matéria:
Jovem escritor, expõe performance interativa com usuários do metro.
Olha moça, a verdade é que ando com as mãos ocupadas, em uma mão o meu coração e na outra uma garrafa, a verdade moça é que sonho com você durante toda semana, e aos fins de semana fico torcendo para nos esbarrarmos em algum bar.
Nada me basta agora, sequer essa palavra, que dirá  o que ela possa significar, sim nessa hora onde o céu sorri estrelas, meu peito feito um menino que se alfabetiza, lê seu nome por onde olha.  O tapete verde que carpeteia a terra, a fina poeira que encobre tesouros, que ao se tornarem dunas engolem cidades, a palavra setembro, o ato de sorrir, o holofote cujos planetas dançam ao redor, a cenografia inteira, os figurantes, a iluminação pode enrolar os dias, a cordialidade ao se desejar bom dia podem guardar também, desliguem as estrelas e avisem aos astroides  cometas e satélites para cessarem seus movimentos, enviem cartas de demissão aos outros planetas e peçam com traquejo que as horas procurem o que fazer. Nada faz sentido, nada mesmo, realmente nada. Mas você faz sentido, não se trata de um conceito é apenas que coincide, desde aquele dia no metro , você me esperando e ao chegar receber o teu abraço, sabe nada faz sentido, nada realmente nada, mas me sinto mais feliz com você por perto, quando se é feliz, não se costuma fazer tantas perguntas, viver é o que nos basta

Um comentário:

Fernando Che disse...

Continue assim, belo texto.