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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Nota de Ano Novo

Camaradas;

As vezes me pego reparando nos pés de uma ou outra amiga, moça simpatica que acabei de conhecer ou irmã de algum amigo. E como alguns são lindos...
Joanetes? Não há joanetes... Ufa!
As vezes uma cicatriz de infancia ou coisas do tipo.

Como é lindo o pé calejado da bailarina, como é linda a maneira que aquela moça do oitavo andar segue quando sai do elevador. Eu fico olhando, inventando assunto, puxando conversa. Chamo para jantares, passeios no parque, teatro, cinema... Mas eu quero mesmo é ser todo pisado por cada um desses pares de pés! 
Com alguns pés o meu delirio é tanto que seria capaz de tomar Vodka as margens do Danubio! Imaginem essa cena... Deprimente e brega não acham? Pois eu faria exatamente isso! - Risos.

Os pés são o encanto, a ligação desses seres misteriosos e esse planeta, feito raizes moveis transitando entre os dias, até sei lá esbarrarem comigo. Os pés são a solução, o restante alguns dizem é o problema, acho que o restante é a solução... Mas é quase sempre uma complicação.

É possivel se pensar todo tipo de pornografia relacionada a pés, por exemplo:

pés femininos no rosto com rum gelo e limão
pés femininos em tortas
pés femininos pisando no barro
pés femininos com detalhes comemorativos da copa

E pode ter certeza, se pararmos para pensar, ainda existem umas cem mil maneiras de se perverter e erotizar os pés. 
Mas o que me encanta é exatamente o pé, o que ele consegue dizer sobre aquela ou outra moça, a maneira como anda, como toca o chão, aquela coisinha tambem de passar o pé na perna antes de dormir. 

Poderia enumerar uma lista de musicas sobre pés ou com citação a pés, mas não farei isso, pés femininos sempre me lembrarão tango ou forró, pelas quantas vezes que me atrevi a tentar aprender, no simplorio intuito de vislumbrar um outro pezinho junto aos meus.

Lugares prediletos de um podolatra?
Vejamos; parques, praia e filminho a tarde em casa.

O tarado por pés é um radical, um ultimo, feito aquele japones perdido na 2ª Guerra, mas que só soube 30 anos depois que a guerra havia terminado, ronda casas, bares, algum sarau, sebo ou livraria, tá bem ali do seu lado, o sujeito de humor sadico e olhar confuso. Sou eu e pode ser voce, um padre, seu vizinho ou algum intelectual de esquerda. 

Esse ano fui um bom menino, bom moço jamais, cantei na rua com muitos amigos, acompanhei pessoas até suas casas, bebi com quem queria celebrar e com quem precisava ser ouvido, ouvi muito mais, escrevi muito mais escrevendo menos, me tornei maduro ao libertar minha criança interna. Acampei, não como as milhares de familias sem-terra nas BR's, tristes vitimas do agronegocio, acampei com meu pai, ouvi muito mais minha mãe, aprendi novamente a dar risada das mesmas historias de sempre do meu pai e das soluções pouco realistas para a realidade. 
Acho que fui um bom menino, mostrei o dedo pro Lobão - pelo menos ele tambem mostrou e sem nos conhecermos ambos rimos, cada seguindo para o seu canto. Critiquei o Joaquim Barbosa, ajudei a denunciar o trensalão - anunciando em voz alta a noticia no metro as 5 da manhã de um domingo. Fui para rua em junho, joguei pedra, panfletei, tirei foto, fui um bom menino, quando diziam abaixem as bandeiras, optei pela bandeira vermelha apenas.

Mediante isso,
reinvindico pezinhos mimosos para o ano vindouro!

Valeu a pena ter chegado aqui, desligo por alguns dias o aplauso, retornaremos a qualquer instante ou só em 2014.

Sem mais
Feliz 2014 a todos

PS: e o lava-pés quando é mesmo?

domingo, 22 de dezembro de 2013

Eu posso ser a Morsa?

Oceano de desculpas emergem de vilas e becos,
colorindo o domingo com um céu de missa campal.

Um perdão refletido no espelho do olhar,
fracionado em prismas de saudação e saudade.

E se entre os ultimos, no amor
a festa inteira da vida te faz crer no reverso,
respire mais, beba um bocado.

Escreva um verso.


Bom dia Sol!
Abrace uma arvore
e seja feliz.

Morra tentando,
dragão satisfeito
deitado na virtude
que o trabalho ceifou.

Perolas se deliciando em bocas profanas e suinas,
cachos de sol, cabelos de vento marinho...

A luz que agora vejo
aquela que sei
sempre recordei.

Antes de agora
é como se
outro agora existisse antes.

Um bilhete de risonha canção,
frances inquieto.

Meus bigodes felinos,
terno riso repleto de imoderações
ou cuidados.

Gargalhadas sonoras
como quem pragueja em um barco.

Moça, eu posso ser a morsa?

Eu fui la te olhar,
fazer mimica
e demonstrar segredos
sobre nado borboleta.

Sua vida não é facil,
talvez por isso seja tão
bonito te olhar
quando sorri.




quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Jangadeiro cinza

Enquanto você se move um pouco, na calçada por volta do meio dia, fugindo do sol e da luz. A vida acontece, eu as vezes nem percebia, agora procuro perceber.
Coisas como separar uma parte do seu dia para ler os jornais, ouvir pelo menos um álbum da sua banda predileta, enquanto lê algum livro - essas coisas, que te distraem da solidão, te tornando um pouco mais substancial e contemplativo, no final esses detalhes é que são o diabo, fazem fazer sentido.

Estamos passando por uma crise dos vinte e poucos - tanto melhor.
Assim como em todos os finais de ano, foi prevista uma enorme crise imobiliária, quer dizer isso importa muito mais, mas estou aqui me lamuriando como o segundo álbum de uma banda que surpreendeu publico e critica. Estou em paz, respirando de uma maneira melhor, sendo tolerante com pessoas religiosas e levemente acido com fundamentalistas - também sou humano, porra!
Agora são exatamente 19:10 do dia 19/12 ano da graça de 2013, as luzes de natal já estão obscenas nas varandas das casas,  nos quintais pinheiros e amendoeiras em flor, pelas ruas moças de vestido florais em cores alegres e quentes. Poderíamos falar de 2013 até o final de 2014 e ainda não teríamos dito tudo, basta dizer que foi um ano assim (...) que ainda não terminou.

A TV assistindo nossa solidão, todos anestesiados com a modernidade e o avanço tecnológico. As vezes a vida até parece um filme, mas sabe de uma coisa prefiro a vida parecida com vida mesmo. Nada é mais próximo do realismo fantástico, que todas as possibilidades descortinadas durante o dia. 
Me movo um pouco, recosto o encosto do sofá, recolho o dia todo e me encosto. Diante dos meus olhos como a fumaça do meu cigarro, as recordações do dia se poluem com a minha imaginação. 
Verdadeira batalha entre como foi e como deveria ter sido.

Olho para a pintura descascando na parede, reparo um pouco, reparo também na rachadura do piso. Lembrar como foi engraçado, daquela vez que descobrimos uma infiltração parecida com o papa João XXIII. 
Eu só fumava Carlton, usava uma barba grande, aquele ano eu havia decidido ler apenas Shakespeare e gostava de ouvir uma menina cantar num bar. 

A TV mente, sorri enquanto se entretém com as nossas solidões. Para o deleite dos senhores da informação, nos deitamos cada dia mais frustrados. Aquela voz não é minha, não é sua, aquele rosto é o seu ou o meu ou do cara negro que passou quase agora por aqui, mas isso não importa muito. A realidade fabrica a vida, a TV cuida apenas em tornar tudo frustração e agonia.

As vezes olho para o céu, fico olhando fixamente até sentir vertigem. Sinto o sol, a luz, respiro o ar e de alguma forma me sinto parte do sol, parte do calor. 
Uma voz, calma e melodiosa, desenvolta e parte de uma recordação romanceada. Posso ouvir o vazio nas coisas, consigo sentir nisso valor. Quero me calar, silencio definitivo, após o grito primal.

Eu vejo o amor tomar um rumo diferente, fico no quintal olhando as estrelas:
Será que existe vida em Marte?






quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Beatificação estrelar

A tarde cercada de vazio,
em suas paredes
trazia umas mil estampas.

O ceu azul parecia coberto de infancia e ternura,
era vermelho e azul, violeta e laranja.

Em sua profundidade ecoavam nomes.
Deitado ao som dessas vozes multiplas
em unissono as vezes:

Quase podia escuta-la...

Um enxoval flutua.
Na cabeceira da paroquia
qualquer sonho
é feito nuvem...

Agora o sol se põe,
uma tarde qualquer,
mas é comigo
e então é isso:

a calçada, a janela e a varanda,
o quintal ou a rua,
o parque, o bar ou o futebol.

Eu poderia recitar agora aquele trecho famoso
daquele filme, mas voce e eu sabemos,

trata-se apenas de uma tarde como outras bilhares,
onde as crianças correm malucas pela rua,
ignorando o espetaculo do tempo,
atentas apenas em brincar.

O final do dia é tarde demais,
onde o calor sufoca e parte,
onde a inocencia é inadequada

palavras...
palavra!

Eu percorro a sala,
olho no relogio,
boné ou chapéu,
vou passear

andar junto ao sol
é como deitar do lado dela.

O sino do mosteiro toca,
a hora enfim se mostra
tilitam austrais sete horas...

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Bagagem

Faço uma lista,
risco de imediato
de um traço
a outro,
apenas isso

todo o resto 
vem depois,
planos
plano
truque e risco

Agora eu sei bem menos que antes,
assim destreinado,
no exercicio de muito ver.

Assim apenas
olho, 
apenas assim
toco
posso tocar.

Faço uma lista,
canções:

Ela parece a capa do The Freewheelin' ,
uma canção do Lennon

um domingo a tarde
na preguiça desejavel
de dois corpos.

Faço uma lista:
um poema anotando
tudo até aqui,

o apice da minha saga.

Helena recolha as melenas,
os cachos e cantos
e as uvas e o vinho.

todo e qualquer canto
que possa parecer ninho.

Fechem os portos
e portas, 
quero esse carinho,

pouco importa
se a vida é torta
sorrir é se entortar.

Faço uma lista,
jogo fora a lista,
levo no bolso
cigarros e 
alguma poesia.







segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Dragão

O dragão percorre o céu
do nosso continente,

estirada em uma pedra
no precipicio cinza e sonoro,
repousa a ninfa lunar.

Lá adiante as nuvens flutuam,
se desenrolando em formas e desenhos,
escondendo a lua
ainda mais distante.

Todo o resto é paisagem,
gira o mundo e aquilo é o centro.
Musa solar,

sereia de maré no olhar,
seus truques, meu riso...

Agora olho um pouco mais,
tambem buscando sua imagem
em minha memoria.

Fazia sol.
Tem feito sol.

Não sei tua flor predileta,
tua cor ou musicas,
pouco sei:

Fazia sol.
Tem feito sol...

O dragão percorre urbes e orbes,
quase encosta na costa,
se desfaz em desertos,
momentos de silencio,
beleza que parece paz.

É tudo paisagem,
de fato importa:

aqueles olhos verdes
como o mar do caribe em agosto.

Recolham minhas velas,

naufragarei todo o resto,
todo o resto naufragarei.

Estendida na pedra cinza, no precipicio cinza:
sua pele lunar, olhos oceanicos,
calor estelar.

Diante disso,
como diante de um filme,
uma epopeia,
uma ode.

Diante disso,
como diante
do todo em
                      si.
Nunca quis,
agora quero tanto

como se por acaso
ao caso,
numa tarde de sorte:

tudo fizesse sentido
em tudo houvesse agora
um norte.

Nó górdio,
sequer o mais forte.
Apenas sorte
Apenas sorte.

Diante disso,
como diante
do todo em
                      si.
Fazia sol,
                                                      ela passou por mim
Tem feito sol.

sábado, 14 de dezembro de 2013

E ainda insisto em louvar o sol

Paz calma e rasteira...
Praia de som, maresia nostalgica.

Sou sua parte em mim
Sou minha parte em voce.

Entre as cores, bandeiras
e ruas decoradas.

arvores podadas,
gente polida,
animais castrados.

Toda a vida, curva e parada.
Esquinas, papeis
e adeus.

Lá fora ninguem me espera,

por isso as vezes cuido
em ser zeloso aqui dentro
de
mim.

Salvador

Deixe ser, quando foi?
E se realmente importou,
pois bem, meu amor,
muito alem  da vida,
distante a ilusão e a dor.

Se foi o agora,
a hora despida,
minutos, horas e segundos.
Segundo a cantiga,
rima,
metrica
e apenas linha, linha e linha.

Deixe ser, por favor.
Se toda estação
floresce um fruto
que em mim
por fim
por nós
o amor perceba.

Aconteça o canto,
como ao campo
a primavera acontece.

O frio distante
e só
saudade
é o nos aquece.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Todo o processo ( desde a criação até o criador)

A quieta imagem do homem,
projetada na pedra sonora:
poema.

O poema se arrasta feito a sombra primordial,
no chão e nas paredes das primeiras cavernas
habitadas por homens,

com ele tambem os mitos
que em versos foram contados.

Estrofes, rimas e onomatopeias,
centopeia artesanal.

A poesia nasceu no futuro,
escorregou pelo ralo
junto com a agua morna
que cai de um chuveiro
feito um haicai.
A poesia tomou transporte publico
com integração, ouviu pregação,
avisos de alerta e temporal.
Chegou por fim a margem final,
cruzou os braços e pulou,
acordou no presente,
viveu antes no passado.

O poeta suspeito que é só,
suspeito apenas ainda não houve aproximação.

Ele anda as ruas,
como se pudesse ler com o corpo,
cada pedaço daquilo que percorre,
seu olhar corre e dança e corre novamente,
pesquisa labios, cama, superficie ou fantasias,

O poeta suspeito
é tambem poesia.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

''A gente chega em casa e descobre que o Mandela morreu. Preciso parar de voltar para casa.''

Nelson Mandela não morreu, seu punho estendido e o sorriso pacifico, misterioso como quem sabe e ve todas as coisas. Isso tudo não morre, isso tudo é Nelson Mandela, um homem demasiado humano.
Mandela não morreu, pois tornou-se um pedaço da historia humana.
Meus netos, lembrarão de homens como Mandela, que diante da urgencia das horas não se acovardaram, morreu como nasceu, menino e sonhador, repousa na verdade.

Nelson Mandela vive, pois ainda é um grave delito delito sonhar sonhos como o dele: Sonhos de liberdade, sonhos tão sedutores e possiveis - se voce os sonhasse tambem se disporia a ficar 27 anos preso em uma solitaria.


Terror Vermelho

As ruas precisam retornar ao estado de terror,
que o terror vermelho
combata 
o terror branco
Meu coração agora cruza a rua,
vidro entreaberto, 
descuido é não se deixar notar
- cuido agora em apenas passar.

Bandeira vermelha, rosa no peito
pulsando sangue, medos e aspirações.

A rua precisa seguir,
por elas:
voce e eu.

As ruas precisam retornar ao estado de terror,
que o terror vermelho
combata
o terror branco
Mulher, escuta isso:

Eu desaprendi a amar,
o que não representa perigo.

Leve esse beijo,
um pedaço do meu olhar,
uma duzia de estrofes e esse refrão:

Eu estou apaixonado por uma mulher,
ela se chama;
Revolução.

Deviamos instaurar o terror vermelho,
da Revolução eu quero uma festa
terna e intensa como um beijo.

Para não desaprender.

No mesmo instante que me aconselha: imagine.
Não sabe o quanto peco, pois alem da tua imagem,
suponho em conjunto outros pecados,
cheiros, perfumes e gemidos.

Teu corpo é o jardim de carne, ideias e encanto,
onde repousa uma rosa umida e secreta
que preciso beijar, assim como tua boca,
tua roupa e tua nudez.

Tocar teu corpo, dedilhar uma canção 
enquanto delira, enquanto fecha os olhos em extase, 
beijar tua nuca, sentir tuas costas roçando em meu peito.

No momento em que me disse: imagine.
Pensei teu corpo nu, pensei na sua completa nudez,
eu me despia e inventava contigo, outros pecados...

sábado, 30 de novembro de 2013

amuleto politeista

Eu amo a folha azul,
emergindo clara feito o sol,
transluzindo as cores e tons de azul.

Mas ela não é mais apenas azul.

Ela é na verdade verde,
sorriso declinando em abraços beijos,
radicais, prefixos e sofismas.

Clara, clara figura solar,
feminina e felina.

Agarra o sol e solta,
leva consigo dele
apenas o brilho, tem dele o que importa.

Ao brilhar,
solar irradiação
neurotransmissiva,
teu telefone por favor
eu sou mais um
na america latina.

Eu amo a folha azul do teu vestido,
e de tanto lembra-la assim,
em mim se criou crer:

A flor azul do teu vestido de passeio,
teus seios fartos, teu sorriso carnal,
tua pele branca que me faz cogitar coisas,

teu cheiro e o teu perfume,
nada é tão lindo quanto
a mais sutil ideia:

me deixa ser seu brinquedo...

Um botton pendurado nos teus dias,
marcando a pagina e ansioso pelo dia seguinte.

quero te sentir transpirar
 enquanto guarda algum segredo

enquanto inspiro nicotina e ar viciado,
suponho no ar algo agradavel,
tua presença, quero dizer a lembrança.

(translucida, radiante e afetuosa)

Agora as buzinas, trombetas e sua flor preferida,
qual a tua flor predileta?

Seus olhos são esperas suspensas em oceanos verdes,
esmeraldas de um outro tempo, amuleto politeista.

Enquanto imito um nomade no grande deserto até tua chegada,
dou fé e escrevo, faço publico meu testemunho:

voce é tão linda, que faz sentido,
quer dizer todo o mundo.

Dia desses podiamos ir ao teatro,
não tem pressa,
mas bem que podia ser amanhã.





sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Canção desesperada para uma jovem atriz (Novembro de 1935)

Vou remoer um amor antigo, para não cantar o encantamento atual. Quem sabe assim o tempo, esse que inveja tudo que cheire a eternidade, não se metamorfoseie em obstaculo ou duvida.
Eu vou cantar minha dor bem alto, só pra esconder do que já existe, toda a minha vontade de dar uma festa, em homenagem ao sorriso, ao perfume e a delicadeza santa de momentos assim, que nos vertem poesia e nos convertem em humanos.
Escrevi um verso triste, da minha dor só meu figado sente raiva, não importa agora, pouco importa agora.
Agora amanhã...
Como é suave o cheiro da mulher desejada. 

Eu pretendia escrever um verso,
um poema onde diria:

que voce é linda
e mantendo a rima,
voce é poesia...

Preciso entregar meu texto,
corrigir a metafora da vida

com a sintese poetica
aplacar o tempo.

Uma cidade inteira,
todo o universo,
um verso: tua beleza.

Amplo sorriso,
espaço, beijo e olhar,

quando te advinho 
sei pouco,
por exemplo gosta de vinho.

Quando convem 
penso comigo,
não, não na nuvem
mas ao teu abrigo.

Teu problema sou eu,
meu problema é comigo.

Eu peço um taxi,
sintetizo o cinza
e sei 

a poesia é finda.

(mais adiante outra poesia...)







segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Fazer afastar

Assim como um poema
em que desde o inicio
eu já soubesse o título,

seus olhos atravessaram o jardim,
o parque, o apartamento e o jantar,
pararam por um instante,

como se cravassem as unhas na Terra
e o giro cessasse, assim foi naquele instante.

Meia luz todo o universo,
seu sorriso:

solar
solar
solar
solar

solar
solar
solar

Meia luz todos os cantos,
sua maneira de andar:

parece ser apenas luz, iluminação.

Meia luz a noite apenas,
no silencio sonoro das estrelas:

o barulho do seu riso parece uma magnetica explosão.

Seus olhos atravessaram o jardim,
o parque, o apartamento e o jantar,
pararam por um instante.

Acho que me olharam por um breve instante.

E era como se o meu olhar,
so existisse para aquele instante.

Preciso respirar,
espere um pouco apenas,
me permita:

preciso me afastar.

Moça voce é solar,
pedaço de entardecer
dentro de meu coração anoitecido.

sábado, 23 de novembro de 2013

Dedicatoria

Meu olhar se estende e segue,
depois se torna mão.

Minha canção
quer
segurar a tua mão.

Ja cque foi assim, que posso fazer?

Agora eu vou,
já cque eu vou
por favor:

Deixe o som bem baixo,
coloque um Dylan ou Chico para tocar.

Deixa que eu levo o rum.

Não teremos saliva
depois de um longo silencio
(quase posso prever)

Vamos nos ver por um grande minuto,
silenciosos,
selecionando
as palavras...

Melhor rega-las com gelo, limão e rum?

Agora eu vou.
Já  cque não vai,
invento moda, novas palavras,
dou festa e fico lá no canto.

Meu canto:

Ela me deixou aquela ingrata.

Operá bufa, dizer teu nome assim:

Já cque permanecerá assim,
meu coração-megafone grita e imprime:

Ela nunca foi minha
(mas como eu quis ser apenas dela...)



sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Rendição

Quando eu acordei em outra cidade,
garota, voce ali do meu lado.

Boas lembranças, saudades, saudade.
Seu olhar sorria numa imagem,
um filme ensolarado.

E hoje chove...
Nos assisto,
ao recordar.

Quando entramos naquele cinema,
pensei que seria apenas um filme.

Me entregaria.

Me pediu pipoca
e o pipoqueiro
me deu voz de prisão.

Peguei seis anos por fraude,
regime especial, bom comportamento.

A minha poesia queria dizer:

como é bom parar a rua,
só para te ver passar.

Você é linda.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Poesia

O sacerdoce ao se despedir dos fieis,
o sacerdote se comporta como um boneco de barro.

Seus filhos legitimos, esposa e alguns bastardos,
sera que escrevo ou me guardo?

A duvida,o sol, o mar e o calor,
muita luz, toda a luz e alguns insetos

posso chorar minhas lastimas?
A vida só faz sentido

depois que se ouve o fado.
Escrevo ou me amargo?

Enquanto penso,
um infinito de coisas ocorre,

numa sala vazia por exemplo nada,
tenho comigo essa angustia.

Essa nausea toda deve ser escrita ou guardada?

''Só sei que fazia calor, eu permaneci olhando...
Era como se fosse feita de sol,

seu sorriso me viciou em luz.''





quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Moeda da Sorte

Hoje na volta reparei em cinco centavos no chão.
Parecia triste, não transparecia virtude ou vicio,
era apenas uma peça de metal esquecida,
pelo pouco valor sequer notada.

Eu a recolhi em meu bolso e segui para casa,
a garagem vazia, a sala vazia, um banheiro vazio.

Até minha pequena pia no banheiro...
Tive medo que escorregasse pelo ralo,
resolvi leva-la sempre comigo. 

Agora pouco antes de deitar
e essas palavras escrever ou pensar,

fui na minha estante ver
como estava minha moeda da sorte.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Ensaio nº02 (avaliando um corpo que dança)

Enquanto ela dança,
os objetos ao redor,
a meia-luz do abajour
e os pincéis, a maquiagem.

Humana, humana apenas isso.
Dentes de redenção, sorriso de sol nascente,
seus olhos podem devorar, maré de poucas palavras,
seu perfume, seu perfume apenas isso:
seu cheiro.

Enquanto crio outros alfabetos,
beliscando fagulhas e dissolvendo ilusões.
pareço um planeta ao seu redor,
enquanto ela dança e gira,

a vida acontece...

Ensaio poetico Nº1 (Primeira descrição de determinado corpo nu)

Ela esta deitada agora,
olha para o teto,
navega o olhar no nada.

Abraça o travesseiro,
chuta o lençol que a cobria.

Ela esta deitada
e isso me basta,
já é poesia.

sábado, 16 de novembro de 2013

Um verso para uma felina figura solar.

Mente dourada e cabeleira solar,
sorriso de luz, lábios e lascívia.

Meu verão por fim começou,
dias antes do final da primavera.

Macacos jocosos fazem farra 
em teu jardim de bajuladores,
eu apenas escalo até tua janela:

Você é linda...

Recosto minha cabeça em teu ombro,
ao me aconchegar, em teu pescoço
roço minha barba,
enquanto penso o que vou te dizer.

Manhã florida, dia de sol ao sul...

Minhas palavras se reinventam
como se minha mente fosse capaz:

 de criar por si, 
um abcdario 
                 onde todas as palavras
     só falem de ti
Agora a imagem,
apenas tua anunciação.

Delírio cristalino,
corpo macio de femea nua,
reluzindo ao sol
pela fresta da janela 
no meu quarto.

Um oceano se derrama a cada instante que sorri,
universo iluminado pelo teu encanto,

A luz lunar torna em feixes de luz
o sereno que com a noite vem.

Da minha varanda vejo uma constelação distante,
ainda ali me faria pulsar a onda alegre 
que é o teu sorriso.

Você é linda moça,
eu te olho e é como se meu olhar ficasse rendido,
de súbito parassem a rotação e translação.

Fosse apenas luz,
você ainda seria luz
pois seguiria sendo o sol

ardendo em claridade
pensando enquanto ilumina.

Pois bem, uma parte de mim diz isso agora,
a outra metade tem certeza absoluta.

Mulher solar,
me faça entardecer.

45/25

Agora que nos falam de justiça
e nos dão circo, para acompanhar o pão,
a casa e sonhos que podemos sonhar.

Tua luta é gigantesca, ser o heroi
é saber por dentro:

ninguem salva o herói.

Jovem lider, velho articulador,
senhor de jogos marciais e politicos,
teorico do por que não assim?

Em uma cela agora repousa,
teus cabelos são poucos e brancos,
pela janela olha a paisagem
e se ve no reflexo:

um dia ja constou consigo longa cabeleira negra.

Cela 45 ou 25, diz ai pra qual te mandaram?

As togas ocultam o bico de quem
para outros, a todos bicava.

Assim como em Roma era,
aqui tambem em tese deveria ser:

Se tua pena é justa ou não - não sei.
Penso que era um projeto politico,

só me pergunto se ainda é...

Sou o tolo, o bufão, o circo que chega na cidade,
sou isso e sou dias de chuva, cigarro e anotações.

Deve ser dificil ser o herói,
por outros paga,
um feito
que tambem outros fizeram,

teu crime, é um crime do qual eles sairão impunes,
se é que cometeu de fato algum crime.

Eu olhos os predios,
caminho pela cidade,
vejo as ruas do centro vazias - feriado prolongado.

15 de Novembro, quartelada.
Golpismo legalista,
capitão do mato
jornais, revistas, partidos e tvs.

Eu te vi pela ultima vez, punho erguido,
subia uma escadaria,
já eram 19:30 acredito.

A ditadura midiatica fez seus primeiros presos politicos.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Antagonismo

As armas prontas,
a hora se aproxima.

Quando o lider nos disser:
Paz! - saberemos...

Então lutaremos, voce e eu.
Suas armas defendem meu oponente,
nos farão crer.

Eu contudo estendo a bandeira vermelha
e em nome da paz,
proponho a radicalização da luta de classes.

Que o velho saiba,
o novo voltou.

Para que o futuro
volte a fazer parte
dos nossos planos.


Guarda Vermelha

E agora?
Fecho os olhos, coração acelera, estomago revira, tudo ao completo acaso. Mesmo assim estou ciente das impossibilidades, do quanto pode custar um arroubo e não estou disposto a romper a vida quase monastica que construi nos ultimos tempos.

Escrevo, escrevo poesia, escrevo teatro, fico quieto em um canto, observo tudo ao redor, em silencio quase meditativo. Essa noite não dormi muito bem, me revirei na cama.
Deu vontade de colher todas as flores que ando cultivando no meu jardim.
E agora?
Acho que é a revolução!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Epigrafe do velho sapateiro.

As vezes eu sei, quase posso:
misturar a materia dos sonhos
com a alquimia da vida e seus ossos.

As vezes, quase sei.
Só me resta saber não esquecer.

Novembro

''I have never known the like of this I've been alone and I have,
Missed things and kept out of sight for other girl we're never quite like this.''
Paul McCartney

Desculpe a timidez, fiquei ali ao sol, te olhando. voce é linda, ainda mais linda que o sol, tão luminosa quanto uma manhã de verão. Tentei me aproximar, repetia ao te olhar apenas: voce é linda como o sol, linda e iluminada, luminosa recordação ao entardecer.

Desculpe a falta de jeito, a mão nos bolsos, o meu cigarro sempre aceso, as profundas tragadas, os goles cavalares na cerveja ou no rum.

Você é linda, não consegui dizer nada alem disso.Concordava contigo, em qualquer assunto ou olhar, te olhava... Pensei tudo, me calei.

Não deu para ver quem era voce, ali no sol, iluminada. A luz atrapalhou um pouco, seu sorriso é luz, o clarão da tua presença, assaltou as minhas retinas.

Moça, voce é linda, te achei parecida com o sol:

Céus!
Voce parece o sol,
Disco solar,
onde a luz entalhou
a beleza.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Estou ouvindo uma canção:

Sou um samurai aereo, uma criança cosmica
atravessando o sorriso de D'us,
dizendo palavras como quem retalha os detalhes.

A sombra por exemplo aparece,
pousa aqui e ali durante o dia,
escondida da luz.

Eu olho o céu,
não sei, eu olho o céu.


Quer dizer...

Enquanto o sonho embala o som
e a voz é agradavel ao  me dizer,
quero dizer, que ao me dizer tais palavras,
todo o mundo é coisa anulada,
apenas palavras, nada repleto de silencio.

teu riso é agua rasa,
onde minha sede
se converte em palavra.

poesia cantada,
consumida
e feita:

desfeita seria não te cantar

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Poema para o após bar, em uma quarta-feira chuvosa.

Dia após dia, estou boiando nas margens da hora,
olhando o tempo ao redor, de maneira calma agora.

Gentil senhorita, me diga por favor,
quem saberia me dizer,
por quais nomes devo chama-la?

Estou distante, bolha azul com pessoas ao redor,
no mais alto lugar do meu peito uma montanha,

uma igreja nas proximidades,
celofani com palavras recortadas.

Agora, o que se pode dizer?

Lirios, margaridas e cravos,
abraços que serão esquecidos.
As pessoas ainda não sabem.

Garota de olhos inquietos,
cabelos cacheados como o calor,

claros cabelos feito o sorriso do sol.

Beatriz sonora, a minha hora
curva a lirade Dante e canta
tanta poesia:

Então é como se todo dia,
a gloria viesse se anunciar,
num por do sol tão lindo,
ainda mais lindo te vendo olhar.

Não existe imagem mais linda,
que o teu sorriso quando esta admirada,
como se o mar fosse engolido,
pelo seu sorriso e a tua cara.

Gostaria de te dizer algumas coisas.

Olho pra rua, pro beco e pro bar,
sou feliz.
Sei te olhar.




Agnosco veteris vestigia flammae

E agora que eu ja havia programado tudo?
Comprei nuvens no céu,
lá fora o mar e todo o mundo.

encomendei as ruas,
inventei as calçadas.

Para caso assim no caminho
atravesarmos as ruas de mãos dadas.

E agora?

Calma moça, recolherei cada detalhe que pensei.
guadarei com cuidado, com esperança e segurança.

Se adiante, acontecer te encontrar,
vamos ver um filme,
jantar, beber e se olhar?

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Folhas varrem os pés descalços dos amerindios.

Desde até aquele instante, eles já tinham vivido muito, não podiam se olhar agora, apenas cartas, ambos estavam encarcerados. Quando ela aceitou casar com ele, eles já eram de avançada idade, nunca se viram, apenas ouviram falar um do outro, eram do mesmo partido.

Ela a dirigente internacional, responsavel por orienta-lo. Ele apenas o simbolo de uma rebelião, que possivelmente desencadeiaria em luta de classes. Cumpririam prisão perpetua, até o final da vida estariam murados.

No proximo outono se casariam, ele fez o pedido por carta, ela respondeu por uma ligação clandestina. Nos jornais será anunciado:
Dupla de perigosos comunistas maoistas, anunciam matrimonio!
Se encontrariam só aquela vez, depois nunca mais se veriam novamente, casariam-se numa cerimonia do partido. Sediada em um presidio, observado por guardas, imprensa e a massa carceraria em suas respectivas celas.

Ele com seu terno chines preto e uma estrela no peito, feito medalhe ou simbolo de sorte. Ela modesta, como são modestas as noivas camponesas, vestido simples, parecia apenas que estava feliz.
Eles esperavam por isso desde quando tomaram consciencia um do outro.

As folhas da amendoeira caiam aos pés descalços daquele que seria o suposto grande lider, de um perigo vermelho e coletivizante. No fundo ele era apenas indio, apenas latino-americano, tão somente um entusiasta da guerra popular.

Teceu para ela uma pulseira cerimonial, vermelha. Para si apenas um cordão verde oliva, como o forro do seu terno cinza de inverno.  A cermonia de troca, constituiria-se a um por do sol gasto e cansado, apos uma tarde com ventos frios que retalhavam o rosto ao levar as folhas, seguido de um terno abraço e um beijo timido como são os primeiros beijos.

Após a troca, um novamente se dividindo do outro, ele de volta ao seu presidio, ela de volta para sua cela ali mesmo, bem proximo. A noiva india do grande timoneiro abaixo dos tropicos, havia com ele tido, ele era apenas um homem diante dela. Ela era a camponesa de cabelos de sol, interior bem proximo da Metropole, ela se pareceria com o sol, muito maior que o sol, iluminada e sonora.

Eles se despediram, deu para ela rosas amarelas e cravos vermelhos. Ela sorriu timida, cobrindo com a mão o riso, aquela seria a penultima imagem que teria dela.
A ultima seria ela se despedindo em seguida. Após a prisão não haveria encontro, não acreditavam em superstição.

Do vidro da viatura, ele olhava enquanto a imagem dela seguindo em sentido contrario diminuia até não ser possivel distinguir, o que era ela e o que era apenas poeira em seus olhos.
Um cigarro na boca, na cabeça uma ideia alegre, podia ser percebida pelo melancolico brilho infantil de seus olhos ao mesmo tempo contentes e inquietos. Suponho que devia pensar consigo mesmo naquele instante:


''Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. 
A minha alma não se contenta com havê-la perdido. 
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. 
O meu coração procura-a, ela não está comigo.''¹


Camarada Zé






...................................................................................................
¹ Pablo Neruda.

domingo, 3 de novembro de 2013

Homem só

Ultimamente falo pouco, me resumo ao cordial bom dia, boa tarde e boa noite. No caminho até o trabalho fico olhando o sol nascendo na estrada, olho os outros carros, cuido em me calar cada dia mais. Pretendo um dia me comunicar com o silencio, inventar um abcedário do olhar, da supressão de sons.
Quando vem a hora do meu almoço, desço de escadas (seis lances de escada até a saída), almoço em um quiosque no canal dois, nada de muito extravagante, tenho me policiado a preferir a simplicidade. Enquanto almoço sinto o gosto de cada garfada, sem muita pressa, mas cuidando em não ser muito vagaroso também - se um criança aparece e comigo vem brincar ou assuntar, brinco e converso.
 Após o almoço leio um trecho do livro que escolhi para a semana ou vou andar pela ponta da praia, sozinho, roupa social, mas nunca e em ocasião alguma gravata.

Venho buscando anular as exclamações em minhas palavras, tenho evitado ser reticente também. Falo pouco, observo muito mais, prefiro curvas fechadas - acho que a vida consiste em observar. 
Ultimamente falo pouco, postura contemplativa. Quem me conhece de antes disso, pode me tomar por triste, mas com alguma calma posso responder de maneira resumida e fria:
-Estou em paz.

Ainda bebo doses cavalares de rum, meu baseado e tomo meu doce, me tranco no meu quarto coloco um Beatles ou um Dylan para tocar ou vou para algum bar simples, sem muitas pessoas onde o garçom eventualmente assunta sobre essa ou aquela cliente do outro dia ou da mesa ao lado. Tenho preferido a simplicidade, evitado discussões desnecessárias, aos poucos vou ensaiando a minha ausência. Como se fosse possível desaparecer aos poucos.

E isso não é nem de longe algo triste, isso é se entender melhor e não depender da opinião ou gosto alheio. Me sinto mais seguro para dizer algo para alguem, escolho a dedo com quem e quando sairei. A minha mesa é vazia por opção, os poucos amigos me garantem a segurança e a força que a amizade é capaz de nos nutrir.

Hoje consigo lembrar com exatidão meus sonhos, com o passar do tempo notei que a solidão os tornou mais interessantes, mesmo a angustia me garantiu algum charme feminino, sou capaz de me encantar com o meu reflexo e sentir pena do que fui no passado.

Sem grandes projetos, viver tem me bastado.


Filhote de genocida

A hora se antecipou,
o destino abriu fogo.

Crianças negras mortas,
filho de guarda,
DNA de estuprador.

As armas apontadas contra o povo,
a poesia vencerá a batalha.

Corte de cabelo estranho,
filhote mestiço de Adolf Hitler.

Animal alimentado de odio,
farda limpa, refeição repleta de sangue.

Eles vão chamar os pequenos agora,
se o heroi esta bebado, quem vingará?
Historia oficial, simio amestrado em torturar.
Ele não sabe falar em publico, ele não sabe cantar.

A praça esta guardada, mas a rua é do povo
como a historia é da classe operaria.

Ela sabe dançar, mas trocou o poeta
pelo filhote de genocida.




A nova democracia

Construiram uma torre, acima da cidade,
no ponto mais alto, onde se pode observar a dor urbana.

E então eu chamei alguns amigos para entenderem o que quero dizer:
Eu estou tão só, me sinto incosolavelmente sozinho.
Seus olhos de mar convulso, seu cheiro de manhã perfumada,
estavamos dormindo quando sua ideia tornou-se um plano.

Estou triste, mas sou isso.
Agora voce imagina o que diria,

no final acredito: o silencio bastaria.

Desço as escadas, evito o elevador,
tem jogo hoje na tv, na mesa um prato apenas agora.

Na hora que a noite veio se deitar,
seu sorriso já estava reclinado em outro abraço.

Ela está só:
Lago artificialmente construido para afagar o temor.

Enquanto subo cada escada agora,
a hora do adeus ecoa pelos corredores,
corrente pesada que desata o nó feliz.
Como se a cada degrau restasse menos do que sou
e me tornasse apenas recordação.

Acho que o nosso pecado,
foi não ter pecado o bastante.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Soneto da moça que sonhei noite passada

Ele veio hoje aqui
e me disse algumas coisas,
não eram ruins,
muito menos boas.

Eram coisas bobas
de homem apaixonado,
ele me dizia sempre no final
quero voce ao meu lado.

Hoje me senti pequena,
mas isso não era a parte ruim,
sequer parte do problema.

Ele me trouxe um papel
e nele leu uma poesia,
era sobre nós dois o poema.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O primeiro filme.

O primeiro filme:

Samuel havia chegado ao Brasil coisa de uma decada, a vida inteira não foi capaz de solapar seu sotaque carregado de estrangeiro (mas isso pouco importa agora). Samuel assistia pela segunda vez um filme projetado - a primera vez fora uma semana antes de partir de sua terra natal, embarcada numa guerra civil.

Daquela segunda vez, não estava mais junto de seus amigos brigadistas, agora tinha ao seu lado a moça mais bonita da cidade Aldenora.
Seu bigode preto e alinhado, seu terno escuro e o chapeu preto de homem da cidade, olha um pouco a tela, um pouco os olhos de Aldenora, no intervalo disso devia pensar:

Na primeira vez o medo e a coragem, junto da bravura juvenil, o fizeram desatento ao filme, afinal era o sentinela noturno da Brigada. Agora por fim, assistiria um filme, mas como se Aldenora era a moça mais linda da cidade?

Samuel, teve filhos e netos com Aldenora, se conheceram em Camocim-Ce, mas e se ele pelo tivesse prestado atenção no diabo daquele filme, será que eu estaria aqui contando essa historia?

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Canção radiofonica para quando ocorrer a hecatombe.

Ela esta atravessando a rua agora,
não costuma olhar para os lados.

Dia após dia,
ela acorda de uma noite
dentro da vespera de outra noite.

Agora voce entendeu:

Ela existe, realmente ela pode atravessar a rua agora.

Notará sua tristeza ao voltar,
ela e sua maquiagem forte de menina.

O verdadeiro amor existe?

Como nas canções, romances e series de TV?
Ela repara nos detalhes da camisa
que voce vestiu essa manhã.

E voce ainda não sabia,
mas ela lembrava de voce exatamente assim.

Descendo a rua, enquanto os habitos mudam,
em frente a loja de decoração,
recorda quando brincaram de inventar recordações,
nenhuma delas seria igual a essa, não é mesmo?

Na escadaria do Municipal,
no meio do patio do colegio...

Ela gosta de recordar,
mas só quando não tem voce por perto.

Olhos claros de moça perdida,
sorriso iluminado por um bilhão de lampadas.
Seu perfume de jasmim azul
e tudo que ela representou.

Pele dourada e macia como o sol numa manhã de Setembro.

E tudo o que eu psso dizer, são coisas ou palavras.
Mas enquanto ela repara a estampa da sua camisa,

por um instante é possivel cogitar um lugar,
onde o intervalo até aqui, não tivesse ocorrido.


Guerra Popular*

Acho que agora eles vestiram minha pele,
agora que eles vestiram minha pele.

Todas as pessoas são a mesma pessoa,
os grandes vultos festejam
a miseria nua de nosso tempo
expoem suas mentiras mais crueis

A propaganda oficial diz:
Nós somos a violencia.

Quando o conselho dos senhores se reuniu,
uma ágora liberal e anti-humana se instaurou

um deles levantou-se e ativou suas tropas de rua,
outro apenas declarou após matarem um trabalhador inocente:

Não é interessante que soldados sejam diplomados.
( Para o cão, basta o adestramento?)

Agora eles vão nos cobrir os rostos,
para que não sejamos mascarados.
Acho que entre o crime e a subversão
a violencia revolucionaria é uma especie linda de poesia.

E eu poderia ter saido de circulação,
faz pouco tempo desde a ultima investida,
quase capoto na volta pra casa.

Estou dizendo adeus, estou dando abraços,
não estou fazendo nada disso

Queria contar uma historia de amor,
mas faz um tempo vivo sonhando
com a chegada de uma guerra popular.

* cerco as cidades a partir do campo, teoria maoista.

Govinda fala ao 41°

Hoje acordei de muitos sonhos,
na orla do meu pensamento
a realidade colidiu feito mar tempestivo,
o que é concreto me fere e
é a base dos meus pés.

Disse um milhão de coisas:
Outras mil quis só pra mim.

Eu estou sempre dizendo muitas coisas.
Bem, tudo que precisa saber é isso:

enquanto tudo acontece,
guerras civis, resistencia armada
ao poder na periferia do mundo.
Enquanto o gado cospe o o futuro,
enquanto o homem miseravelmente
vive como um animal
e seu guia se farta
como um porco de farda.

Eu gostaria agora de escrever um poema de amor,
como todos os outros poemas de amor.
Mas a poesia não quer, minha vida não deixa.

Cabelos de criança cosmica,
teu sorriso me desequilibra feito radiação.
O brilho dourado de sua pele,
ondas de calor me perfurando os sonhos.
Seu perfume me angustia
como armas quimicas em Damasco.

Eu gostaria agora, poder escrever um poema de amor.
Eu gostaria agora, conseguir:
um poema de amor, um apenas
que não pareça politico!

Na assembleia trianual da organização mundial de suspiradores,
ao ler a defesa da minha corrente, pensei comigo enquanto dizia essas palavras:

A classe operaria tambem suspira.

Mulher
&
Homem.

Camarada Zé


domingo, 27 de outubro de 2013

26/27

Eu olho para o espelho,
dentro dos olhos
o medo

Entre os dedos o tempo,
ate pouco era Abril,

Já se passou Setembro
e agora é isso 26.

Eu olho pela estrada,
o vento entra pela janela
a maresia se anuncia e
é isso: poesia.

A noite se agarra com a vida,
em esquinas escuras trocam caricias.

Eu olho com medo,
escuto menos ainda.

Acho que é isso:

poesia é perigo.

triades

Sabe o que é? Acho que as vezes é só isso, a vida é boa, viver é genial, quando me acordarem de tudo isso, terei voce aqui novamente, deitada em meus braços, dormindo enquanto ficos olhando atraves do espelho.
Sei lá viu, acho que somos muito menores do que pode ser o tempo ou o espaço, quer dizer podemos percorrer um espaço em determinado tempo alcançando ou ultrapassando a velocidade da luz, talvez voce apenas esteja olhando para a janela.

Eu fico por aqui, me estendo, chego um pouco tarde da caminhada, olho o céu, somos menores que qualquer ponto de luz ou mesmo as estrelas que já se apagaram. pela janela eu olho:
Vejo o céu, as estrelas e a lua, pouco me importa a lua - onde Hefesto despeja seus entulhos. Escuto sua voz, dentro dos vãos da casa, seu cheiro, suas ideias e versos.

Mulher, sei lá, como se o sol cantasse um mantra, fico ali copo na mão, filme projetado no muro. Da janela eu olho, olho e penso, fico pensando...

isso não é sobre voce, acho que isso é sobre conversar com voce, vontade de te dizer um monte de coisas, não tem ideia como ando calado. e tenho lido jornais, ido em manifestações, assembleias e greves, tenho tomado conhecimento sobre a Siria - Impossivel não lembrar de Waly Salomão. 
Eu tenho vivido e pensado, entendido muito pouco, carregando comigo o fardo da duvida.

Nas tardes de verão enquanto chove, a condensação me faz pensar: qualquer coisa é boa quando não me faz apenas recheio de paisagem. Viver é genial, viver é otimo pois voces existem, a razão da vida fazer sentido é a mulher. Como se fossem metaforas do mundo.

As fases, os tempos e a maneira como faz a maquiagem. Eu fico de canto parado, vendo o tempo passar, viajando parado na poltrona do meu quarto ou na sala de criação, eu fico de canto e sinto acontecer. Os dias, as noites e o tempo todo e inteiro, acho que ficaria a vida inteira, me dedicando ao que me faz viver, vivendo pelo prazer do que dá vida - Viver é genial e a razão disso?
Mulher.

Eu olho as crianças, os parques e o final da tarde, acho que quase posso tocar o sol agora. olho meus dedos em um prisma de imagens, formam um leque. Eu ouço beatles no final e bem baixinho. Dá vontade de tomar sorvete ou comer pipoca.  
Eu estive em uma manifestação, sai bebi e voltei, voce ainda estava lá. Parece que ficou plantada, pilando a minha poesia, até parece que foi de proposito, ser tão cordial. 

Na margem do dia seguinte, levantarei, haverá apenas o mais sutil vestigio - sim voce esteve aqui.

Acho que ninguem entende, acho que é isso:

No final é bem por ai mesmo.




sábado, 26 de outubro de 2013

Jovem

Quando eu me sentia jovem
Me aprovem 
ou não
Me importava com o tudo, 
com o mudo, 
com o vão, a separação e a união
As cores eram muitas várias estações, 
não tinha predileções, 
só queria a mudança 
na razão e na emoção 
pelas andanças
Quando eu me sentia jovem
Me aprovem ou não
Queria ser completo,
 desperto, ativo 
e quando eu a via me via vivo, 
lutando no deserto
Quando eu me sentia jovem 
me aprovem,
 o que ainda lembro, 
de janeiro a dezembro,
 havia sol queimando no peito 
e medo dormia no leito
Quando eu me sentia jovem
Vejam só que ironia,
 não gostava de crianças,
 preferia angústias e esperanças, 
ao cultivo infantil
 da lembrança e da alegria
 Agora que não me sinto jovem
Ainda que me desaprovem
Não deixei de ver como via antes
Só que vejo detalhes cordiais ,
 opacos e brilhantes,
 e me apego nos instantes banais

Agora que não me sinto mais jovem 
sorrio do sorriso, 
sarcasmo do indeciso, 
viver efêmero e impreciso,
 faço com que os momentos me renovem

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Raio de sol

Dei pra sonhar, meu homem, mares e navios
do outro lado do atlantico ele deve estar...

Retornarei na vespera de sua data,
para uma rua qualquer, lugar onde posso ser encontrada.

Novamente e novamente ele estará por lá,
quieto com seu copo e cigarro, barba por fazer

e eu mulher de tantos outros homens e mulheres
vou voltar. Olhar seus olhos com meus olhos
fundindo pernas e desejos com o olhar.

Dei pra lembrar, ele e suas desventuras e esperanças
voz grave e sorriso de menino

Copo de rum e corpo rigido e peludo,
suor de maresia, canção-marulho.

Novamente e novamente vou voltar, dentro de horas estarei lá

Na vespera de sua data, muito antes e em hora inesperada,
para me calar no seu beijo ou impeto de qualquer palavra.

E se entre outras ou com amigos estiver,
palavra de mulher: 

Olhar seus olhos com meus olhos
apagando a dor com um olhar.

E ele pouco espera e quase já não crê,
mas sei bem como fazer, o que dizer e como amar.

Estive longe, distante entre outros homens
e ele olhava o mar...

Durma em paz, meu bom rapaz
e saiba:

vou voltar.

Desatinar as horas, falar fora de ordem, elogios, criticas e medos,
criando assim novas palavras de saudade sob o pretexto
que todo o amor nos separou, mas era só desejo.

Ele vai me olhar, atravessar a rua indo ao seu encontro,
feito a paisagem oceanica que sua saudade tantas vezes imaginou,

e vou mentir dizendo verdades,
dizer direi: senti saudades.
Vou inventar como desculpa algum amor.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Vigário

O vigário dorme encapuzado com seus medos,
ele parece em paz enquanto sonha,

delírio de verão, visões pudicas e claras paisagens.
Taça de vinho, pedaço de pão partilhado...

Seus filhos ao redor do que poderiam ter sido,
outra vida, novo horário, ele não sabe rezar.
A virgem que não pode desposar,
o amor que sua fé impediu.

Sinos ao entardecer,
um pecado confessado e recolhido

ao redor de sua dor os planos
e tudo que negou ao seu destino.

Torre de fé e ofertas, dízimos de outras eras,
enquanto o avental guarda sua batina

as vezes ele olha o altar
e dentro dele o estranho desejo

apenas medo

Pecados confessados e recolhidos
uma taça de vinho e o pão partilhado

suas ovelhas não sabem
mas o vigário castrou o destino.

domingo, 20 de outubro de 2013

Soneto Marciano para Venus

Lá onde Vulcano despeja os restos de suas forjas,
por mais prateada que possa ser, ali não repouso olhar.
Quer dizer quando repouso é nada mais restou fazer,
mas quero dizer: prefiro sua forma iluminada por teu sorriso solar.

Venus de ouro e pele, labios mornos pelo mar,
tua pele branca ao sol pegando cor.
As armas e todo o meu engenho, a barba, a fala e tudo que tenho,
se depõe expostas, falando do que me vejo capaz.

Repleto em vermelho e barba negra: como poderia falar de paz?
Medo e Panico guiam meus cavalos de marfim e calor,
na forja brava de quem pelo amor foi esquecido.

Musa solar, cabelos de luz, corpo de calor e misterio,
em tua alcova repousa minha ideia maior, sede e abrigo,
dentro do tempo, nas horas ao teu lado sou menino.

Carta de amor (um bilhete do deus Marte para a deusa Venus)

Estou legalmente ou diria ilegalmente, retardado novamente. Muito obrigado a todos, foi genial tomar um porre sozinho, pleno aniversario do poeta mais ''dor-de-corno'' da poesia brasileira dos ultimos tempos, vespera do aniversario de sei-la-quem, pois é minha gente existi sempre alguns aniversarios a comemorar e outros apenas beber, existe a festa e a dor ocasionalmente. 
Todo o resto é a vida, caso Buda esteja certo, na duvida sigo e procuro sentir como certo, realmente toda dor, vem do desejo de se sentir dor. e voce ai lendo isso agora e pensando, conto ou não conto.
Quer dizer voces, pensam isso, eu quero mesmo é um caminhão de som, gente na rua, te ver passar e chamar.
Cheguei em casa, sai novamente e voltei, tive que dar esse soco no meu figado, pra ver a recuada do mar, saber e sentir que daquele ponto passou, agora é agora.
A cidade é tão grande, existem tantos bares, eu te ensinei os melhores e voce me mostrou aqueles onde podia encontra-la, vai ver a gente se veja.
Andei afastado da nossa cidade, no centro só andei sozinho, de passagem ou em bares apenas, sem ninguem pra falar, comigo apenas e com as nossas lembranças, foi bom e não podemos negar.
Eu fui um pouco Lennon, voce parecia a Pamela Courson, juntos bebiamos como uma mistura de prostituta russa e judia em 1905 e uma versão tola de poeta encantado com o cinema mudo e a luta de classes, alem de tabaco, alcool e jogos no minimo atipicos.
Lembra como eu andava imponente ao seu lado, mas de toda gente que exista e nos tenha visto, sabem bem como ando arqueado apos tudo isso, cansado de festas, de noites, de aventuras profissionais perigosas no minimo, trotes, infiltrações e bebedeiras aleatorias. 
O laço pesa a mão que empunha, como um copo que exige equilibrio, o minimalismo de dedos que envolte manipular o amor tambem. As garras, os dentes e seu sorriso de carne, flor e sal (iva). enquanto percorro a estrada, ida e volta, o mesmo percurso, não importa se onibus, moto ou carro, repouso ali toda minha ideia, transformo os minutos em possiveis lembranças, imaginando recordações melhores, aquilo que eu devia ter feito, aqulo que no fundo eu tambem queria. 
Eu olho agora para o céu, não gosto de lua, prefiro pensar em seus cabelos flutuantes como o sol, agora devem estar ondulados como a luz. 
E agora?
Parece que tudo que voce precisa entender, só percebe depois, seu rosto enche os meus pulmões feito um mantra entoado por um guru.
Feliz Aniversario para voce que faz aniversario dia 20/10

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Só Gagarin poderia me entender (Canção Tropical com o pensamento em Olga Benario e Janis Joplin)

Acordo cedo e nunca faço a barba,
 acho que não dá tempo e fico assim.

Olhos de cão insone, sorriso de quem sonha e vive.

Teus olhos são sorrisos, sorriem como se tilintassem fogo,
chama espectral que torna o cigarro em fumaça apenas.
Tambem acorda cedo, nem mesmo a ressaca me faz odiar o sol,

te acho parecida com a noite, teus segredos parecem umidos e delicados,
confesso te suponho sempre, ideia que cogito enquanto as horas marcham.

No final é isso:
Um verso sobre nós dois,
nosso destino é a solidão, mortalha leve e florida
que tecemos e costuramos durante a vida.

Enquanto coço minha barba e mastigo limão e cebola juntos,
sinto descortinar no refeitorio junto a minha classe,
a sirene que anuncia: meu coração arquivo,
resolveu consultar o quanto pode inspira-lo.

Teu nome é bandeira e tua cor vermelha,
a revolução so pode ser uma mulher.

Te olho dentro de uma recordação,
só quero ser o teu igual.
Todo o resto, acho que posso entender
todo o resto faz sentido, pois voce cabe exatinho.

Enquanto a NSA, monitora conversas e perfis,
 sms, e-mail e pesquisas.

Eu olho o céu laranja de gases e chamas
e cantarolo marchinhas e cordões.
fumava meu cigarro, olhava pela janela:

Nosso erro:
Somos vistos como marginais.
Nossa virtude:
Somos de fato, marginais.

Eu passo do seu lado, percebo antes,
estamos no mesmo bar. Enceno a surpresa que ensaiei.

Mulher, voce não sabe o quanto me custa te chamar:
os nervos, neuronios e transpiração.
Tambem o figado é bem verdade, sonhos e planos tambem.

Eu gosto de me gastar,
estrago é pouco, voce pede celebração
tal qual fosse um bacante operaria.

Voce não sabe, se sente pouco musa, agora direi:

Voce é linda como um filhote de onça, iluminada como a calçada
de uma cidade operaria ao final de um turno, vila operaria...
Meus sonhos e ideias querem encontrar nos teus um dornitorio.

Repouso dos lugares que ainda verei ou sentirei.
Fique aqui, tua loucura é boa,
quero fazer do teu riso o emblema do meu partido,
que a minha classe saiba que conversei com eles atraves de teu amor.

A substancia ferruginosa dessa epoca denuncia uma queda eminente,
que a ruptura seja no minimo lembrada em meus versos

acho que somos sós, quase certeza.

Então é isso: uma inquietação,
quando te vejo é como se meu peito e sentimentos
brincassem de agitprop.

meu pensamento se tinge de lugares escuros,
subverter a moral, entreter o inferno inventando luxuria.

Isso é sobre nós dois e o fato:
morreremos sós.

Por isso o verso, gostaria de ser lembrado.
Voce é a musa do proletariado.

Um dia mesmo com os nossos telefones sendo grampeados,
vou te ligar para combinarmos algo.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Colisão

Sim, quer dizer: não!

Não houve colisão,
nem choque ou nada.

Ocorreu apenas
o desgaste natural
da palavra.

Agora, quer dizer
agora não sei

e pouco importa

do lado de dentro a porta
e tambem do lado de fora.

Sim, quero dizer: não!
Não há cristo que diga esse sermão,
não houve choque, sequer colisão
nada, nada.

Calei totalmente a palavra.

domingo, 13 de outubro de 2013

Soneto

Enquanto os olhos se fecham
e morfeu em carruagem de prata vem.
Traz consigo um halito novo, nova era
e com era de esperar fela pousa em suave nuvem.

Olhos que nunca ousei olhar,
ogivas negras em pele clara.
Sonhos que sonho, claro e
só em sonhos vem me visitar.

Se de subito acordo, um anjo comigo vem ter,
ao sono me devolve como ao abraço
pois só em sonhos posso ver

Ela que é linda, tão linda e em sonhos vem me ver,
ninfa onirica, lira noturna e iluminada que imagino,
em meus sonhos te sonho e nada diz, teu nome me falta saber.


sábado, 12 de outubro de 2013

Republica Inca

Seu olhar se encerrou diante do mar,
ao redor a cidade, por dentro as lembranças.
No bolso o bilhete, onde o destino pouco importa.
No final as serras e o sol.

Ela não sabe mais seu numero - nem precisa chamar.
Cabeleira loira, olhos vagos brilham, parecem apenas refletir
e se algum dia ela cogitar aquilo, acho que seria assim...
Seu olhar se encerrou diante do mar.

Enquanto isso, não saber é parte do jogo,
dificil perceber o quanto disso tudo esta presente,
desde a saudade e até mesmo o sorriso bobo.
Na capital de uma republica qualquer

Ela sabe que é mulher,
mas e ele onde pode estar?
Seu paradeiro se perdeu 
enquanto ela olhava o mar.

E quando acompanhada jura sincera e brava,
coisas que a noite sozinha vai negar.
Na capital de uma republica qualquer,
ela queria saber, onde ele esta.

Saia preta, batom vermelho, 
no espelho os dias passam toda manhã.
Ela é forte e um pouco triste a cada homem
pois sabe que toda esperança é vã.


Cocaina Ltda.

Duzentos e trinta e dois cavalos cercaram a cidade,
o filho do guarda está se enfeitando para o proximo genocidio
e enquanto as crianças rezam, preparo meu jantar.

Eles acham que meu cigarro acabou, mas apenas perdi o isqueiro.
Quanto tempo até que ela atrevesse o lago?

Estou olhando as estrelas, balões de oxigenio e um futuro cinza,
gás de cozinha pode vazar, pecados podem ser perdoados?

Londres vai nos esperar - ela repetiu enquanto rasgava o calcanhar.
Pague a proxima cerveja, cuide bem da pele,
apare a grama, eles sabem sobre nós agora.

A cidade é uma distração,
olhando para a minha dor, desenhei o medo

não era uma estrela, era apenas um balão,
ainda sim havia beleza - alguem disse.
Mesmo que fosse apenas ilusão.

seiscentos macacos alojados em barracas de campana,
sorriso de reintegração de posse e uniforme oficial de algoz.

Escudos enfileirados como pacotes de dor, desespero refem,
sonhos anulados, humanismo corporativo acho que é a vez...

Comprem uma nova genealogia, descartem a alegria.

É dificil não saber entender a razão de não ser entendido.
Ela chora pelo passado, o futuro foi seu sonho errado.

sábado, 5 de outubro de 2013

Giap

Giap, essa manhã em Hanoi
seus olhos se fecharam para sempre.

No coração dos povos, uma veia adormeceu,
ao dormir não morreu, pois não morre quem lutou.

As regiões alagadiças do Vietnam,
o intelectual que tornou-se quadro militar.

Não há tese, que conteste o povo,
nem há bala ou mordaça que cale isso.

Giap voce morreu, mas ainda agora
reside em nós, entre os povos como exemplo.

Teu riso facil e infantil, timido menino apesar do tempo.
Estrela vermelha, heroi camponês.

Hoje um heroi partiu, não é o fim da historia,
outras etapas virão, digo isso ciente:

Combateu o bom combate,
teu amor, ensinou o campones a se armar.

domingo, 29 de setembro de 2013

Falando um dialeto peculiar aos habitantes de Alfa-centauro

Quando ocorreu dos dois transarem, de fato transaram. Descer e subir escadas, elevadores e banheiros as vezes. Eram loucos, ele de fato era louco, isso acredito fazia com que ela ficasse assim perto dele - as vezes acho que era só felicidade mesmo. 

Os lençois no chão, junto do colchão pela varanda, isso é sobre dormir a tarde depois do almoço. A vida seguia feito bossa-nova, ressacas e enlaces. Quando ocorreu dos dois se encontrarem, não com a contração de musculos necessaria, mas quando ocorreu de se deitarem confessos, dispostos a qualquer pecado.

Ela gosta de beber, mas ela não quer beber. Ela vai ficando por ali, acho que é pra sempre ter ele por perto, a extensão unica de seus corpos em descoberta e prazer, decorando detalhes, deixando o acidente acontecer. 

O que ele pode dizer sobre isso:

E sabe, palavra de quem esteve por lá, ela é linda, terna, macia e iluminada como um pedaço do sol. Ela é como se pudesse existir uma peça universal para qualquer quebra-cabeça. ela cabe direitinho em qualquer parte do meu dia, as curvas da sua silhueta entalharam no meu olhar as dimensões de um sonho. Fique um pouco mais, vem um pouquinho apenas, te deixo em casa, tomamos café no centro, vamos beber e sei la...

As vezes penso que outros fatos são muito mais interessantes, o tempo humano correrá e não terei tido noticia do que realmente importou, voce me parecia mais importante. Agora eu olho tudo isso. 

Bem, voce sabe muito bem, ela sabe, ela sabe. No fim todo mundo quer se dar bem, ficar tranquilo e numa boa, te acho confortavel, não me importo em me gastar e partilhar todo o resto com voce.
A minha vida se encaixa em qualquer coisa, de todas as possibilidades, voce é aquela que me deixa mais feliz.

Eles se tocavam, ela se sentia com ele, ele apenas a sentia, suor, saliva e canção, vidros embaçando, olhos fechados, nervos aquecidos, calma temperatura quente, eles sabiam que o calor entre ambos, ela com ele, ele junto dela. Tudo as vezes parece um filme, qualquer desses romances baratos e com baixo orçamento.
Aquilo entre os dois, nos faz parecer o documentario lado b, que assistem em algum reality show no leste europeu - nenhuma alusão aqui a industria pornografica.

Eu poderia falar sobre ela aqui, mas resolvi falar sobre os dois, se eu falasse somente sobre ela, me acusariam de pregador da luxuria e encorajador do melhor dos esportes. Por que se é pra dizer alguma coisa, basta dizer que ela faz fazer sentido. Eu acho que ele era feliz com isso - nunca ouvi ele dizer, nessa epoca eu ja estava me calando mais, pouco riso e alguma severidade quase comica. 
Realmente acho que ele era feliz, não entendia o que era, achava que aquilo atrapalhava o seu caminho, depois percebeu que valeu cada noite, tenda, cama ou simplesmente ir assistir um filme bobo no cinema.

No final se isso aqui fosse um filme, caberia um cena boba qualquer, como ele dizendo alguma coisa idiota, repetitiva e panfletaria. 
Pessoas indo embora, um balcão no bar, uma corda e um jasmim violentamente picotado. 

Quando os dois se amaram, eu era ele, o vulto de um tempo pelo qual ela se apaixonou. O amor me tornava corajoso o bastante para não temer o fato de ficar meio aereo perto dela. 

Nostalgia é quando a sua vida é um lugar que as vezes sente saudade de um tempo. 
Quandos enfim transamos, o futuro me apareceu, como se fosse um slogan, era o teu nome na verdade sendo dito. Eu gostaria de me estender um pouco mais, falar sobre o Lago Vitoria e as percas-do-nilo, tantas coisas acontecendo e sei lá, falar sobre o Kundera, agora recomecei a ler o Gita. 

O jeito moça, é sabotar o cotidiano. Agora o problema é, quando estara disponivel?

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Caixa de correio

Produzindo nuvens
acima do céu cinza

por baixo da pele afetada.

Garota nós estamos altos
e o horizonte aparece um pouco
e parece com aquela visão estranha.

Abra sua caixa de correio,
acho que aquela musica era sobre isso.

A chuva não é bonita, o céu não possui beleza,
o céu é apenas o céu e a chuva apenas um rio suspenso.

Um lunatico saiu para a rua,
da minha janela olhei e vi,
enquanto apontava para o ceu
meus olhos se viciavam
em desenhar teu nome nas poças iluminadas.

Garota, eles podem entrar pela varanda,
me deixe ficar até o café.

Vai chover um pouco a noite
e quebrei meus oculos há tres anos atrás.

Nos livros uma desculpa,
para ser perdoado é necessario pecar,
a biblia é tão triste
a biblia é tão triste

Produzindo nuvens como uma chaminé,
desenhando sua silhueta com o que sobrou no cinzeiro.

Cantei uma canção com meus dedos,
descrevi nosso encontro com o alfabeto que sonhei.

Um Soneto para Neruda

Teus olhos já estavam fechados desde algum tempo,
da terra de teus calcanhares restava apenas o vestigio memorial.
Tua voz forte e ancestral era agora apenas o eco triste de uma lembrança.
O poeta do povo, o amante dos amores humanos,

A terra foi tua residencia e o sal do mar, os caracois e as carrancas.
Em tua voz muitas vozes se sentiram maiores,
como quando surpreendeu aos homens cinzas pela burocracia sovietica
com teu verso de argila, imaginação e calor.

Há 40 anos partias, não para a eternidade metafisica,
não para o paraiso imaginado pelo delirio coletivo.
Há 40 anos teu verso já cantado por todo o mundo,

deitava junto as estrelas e ondas que tuas metaforas tornaram humanas.
Em teu canto, canto com certa inocencia e despreparo
o meu canto ensaio em tua homenagem: Pablo Neruda poeta do povo.

sábado, 21 de setembro de 2013

Carta endereçada a possivel musa ( breve relato de dionisicas abordagens no jardim dos excessos e prazeres)

Todos os filmes juntos não seriam, o que seriamos. Percebe a dor que carrego? Sempre amarei mais, sempre amarei, nada alem disso e ai, que fazer?
Tivemos manhãs chuvosas essa semana, noites frias, vinho e desculpas, adiar o prazer, deixar o álbum rodar até a ultima faixa. Sabe o que é cruel? Você acabou de entrar, suspeito que encabeçará um top dez, você é o inicio de uma nova lista, dentro do meu mundo de listas, tenho medo, pois suponho, você como a principal.
Não há Jazz ou Blues, Samba ou Rock and Roll, moça você é a turnê que os meus nervos esperavam por muitas temporadas. 
Meu corpo flutua na anti-matéria, no instante entre o brilho e a explosão. Sou quadro antigo, sou musica nova, me sinto Cervantes prestes a encontrar quem o inspirou a criar Dulcineia, teu olhar é macio como a chuva de trezentos tigres doceis, teu olhar é iluminado como uma fabrica. Teu corpo é dourado feito a chama que a chaminé escarra nas noites mais escuras. Enquanto fuma ou aspira a saudade ancestral, meus olhos dançam ao teu redor buscando te ver em todos os ângulos.
Supõe que somos uma canção do Chico Buarque, eu sempre atrasado, desfeito e só, bêbado e quieto, desfilando na ala radical, supõe que tomamos o centro e é o teu nome que eu ouço, quero lutar pelo povo e a revolução parece contigo. 
Eu sinto alguma angustia, quando olho adiante, no horizonte vejo teu nome escrito. Você dança no meio do povo, bebe com os operários, com os bêbados consegue cantar, a praça é tua, margarida de sal, pétala insaciável de minha sede e calor. 
Eu tenho medo de muitos passos. Sabe moça, desculpa mesmo, mas fico aqui comigo e me basto, pode ser que não dure, pode ser que seja só comigo. 
Você se encaixaria na minha vida, nada se encaixa na minha vida. Eu olho o céu, as estrelas e tantas possibilidades e lugares, as vezes dá vontade de fugir com o circo. Alguma coisa me diz, que caso fuja, só me reste ser o palhaço, você seria o que tornaria meu riso mais cênico e menos real. 
A angustia me lança para um abismo chamado futuro, pela senda do destino percorro como quem se exibe, não temendo nada, sorrindo para a sorte e dançando meus tangos. Desculpe mas seria muito, tanto seria que até ali teria vivido para aquilo, acendo meu cigarro, tomo meu derradeiro copo, deixa que essa mesa eu pago, sigo agora o resto enfim, termina aqui, ultima e primeira vez. Sem querer pode ser que eu queria ficar, desabo e me destruo, me destituo de tão grande epopeia, não sou Homero para tanto, meu peito é frágil, delicado coração de poeta operário, gasto por álcool e tabago, repleto de outras paixões. 
Te-la comigo não seria então nada, tudo em mim se resume ao fato de querer ser teu.
Você sabe o que é isso mulher?