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sábado, 10 de novembro de 2012

Pedro

Então Pedro olhou pela janela de sua sala, olhos avermelhados, talvez fosse o dia ou quem sabe aquele uísque.  Pedro olhou o sol em feixes, pensou um instante no calor que percorria suas mãos, lembrou ainda que havia ele mesmo se levantado de sua mesa (descontente com o ar condicionado), levantado as persianas e olhado a rua por um ou dois instantes  naquele estado em que se encontrava, seria impossível precisar a duração de cada um desses instantes.
Não existiu um minuto sequer outra vontade, apenas o desejo de desatar o nó da gravata, pegar o elevador, tomar uma cerveja, fingir que nada ate aquela fatídica terça aconteceu, mas era quarta feira. Na noite anterior não tinha dormido o bastante, somente o que se pode dormir quando os bares estão a meia hora do seu trabalho, aquele vermelho no olho era também sono, aquela dormência de quem não dormiu, invadindo o corpo, ele reparava nos vitrais da estação, na preocupação do pipoqueiro... Pedro queria fugir de si um pouco, beber ate perder o ultimo centavo, perder uns dentes numa briga, chorar o amor que já não tinha.
Mexeu nos bolsos, uma ficha da sinuca, um maço de cigarro pela metade, o paletó amassado, calças justas as pernas, o cabelo de quem não teve paz ou fugiu dela. Ali era a imagem que despertaria a solidariedade ou o instinto maternal de qualquer mulher, mas sua atmosfera passivo-agressiva seria capaz de espantar a mais apaixonada entre elas, Pedro estava inquieto, podia ouvir os sinos tocarem, queria sair em disparada, despedir-se com maior cena, ele estava louco, mas a loucura e o cansaço por ter tentado o absorviam. Pensou em tudo isso, recobrou sentado em sua mesa, olhos pinceis e fotos, olhou o inteiro que era aquele ambiente, enfadado pensou em levantar-se novamente e sair para fumar um cigarro, tomar um chá e olhar o céu, temeroso em tropeçar no nome dela ou em alguma lembrança ele ficou lá na sua sala. Saiu apenas quando era o fim de seu expediente, no que tratou de tomar suas duas doses para a anestesia, tomou as suas, colocou seu chapeu, abotoou seu casaco e pegou o trem, no caminho apenas pensava enquanto o trem parava em cada estação: 
''Uma pena as coisas não passarem assim, apenas pelo poder do pensamento.''

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