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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Pedro (Soulmate)

Pedro abriu o jornal, sem cerimonia tomou um gole de seu chá matinal e abriu o jornal, besteira narrar tudo o que ocorreu antes desse fato, inútil pois não teria a mesma repercussão que esse fato durante o dia de Pedro. 
Seus olhos passearam pelas paginas policial e politica, sua feição indicava o quanto desejou expressar uma opinião, lá no fundo ensaiou algum comentário, no passado talvez, por fim sentenciou em voz baixa. Aquela atmosfera cinicamente europeia, classe media-alta e indiferente, algum dia já foi ocupada por um senso de justiça feroz e radicalmente sectário e comprometido com o coletivo, agora ele folheia os cadernos policiais e políticos, lê com atenção e angustia, procura não expressar sua comoção, solidariedade ou tendencia, escolheu ignorar, não ignora, no fim escolheu aparentar indiferença, se guardar daquilo, mas não se guarda por inteiro, lá dentro ainda existe um panfletário querendo emergir da lagoa de sua voz. 
Pedro, então se contenta com o caderno de cultura, as criticas dedicadas ao álbum desse ou daquele musico ou banda, os editoriais de moda, os rumos do mercado editorial e as descobertas cientificas da ultima sonda enviada a Marte. Ele estica os olhos enquanto toma seu chá, acende um cigarro e aumenta o som de seu toca vinil, se inquieta com o próximo livro por ler, quer saber o que fará quando cair a noite, tem procurado não se importar, essa tem sido uma boa parte do com o que tem se importado, preferiu a surdez, tem conseguido dormir  após ter adotado essa deficiência, as vezes chora um pouco, as vezes quer desistir de uma porrada de coisas, quer vender a TV e ir pro interior, quer ter sua horta e soltar pipas com seus futuros filhos, em um mundo onde a morte seja por causas naturais. Mas segue assim, lê o jornal, escuta seu Beatles predileto, anseia deitar outra vez e acordar, sonha acordar de tudo, mas sabe bem no fundo que tudo é coisa demais, levaria uma vida acordar de cada um dos sonhos que significa esse todo.
Ele escolheu apaixonar-se por quem faz do tecido um vestido, o veste e o conquista ao cantar, escolheu assim, pois dói, mas é muito mais humano, que amar uma bandeira. Pedro anulou a realidade, pois o tempo lhe mostrou que essa as vezes é a pior inimiga da poesia.

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