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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Cuidado Pedro

Tantos papeis, uma vida,
todos os traços, cada uma das letras.
eles estão dentro de cada passo, tendo assim,
o peso de cada dia. Pularam os dias, pularam a hora.
Eu acordei essa manhã e li um livro.

Ela  contou o que já sabíamos, ela ainda te ama,
ela parece mais triste
por não ouvir sua voz.
Eu acordei essa manhã e ouvi uma canção.

Seu olhar sorrindo em fotos,
esconde a cicatriz
por onde a dor se escondeu,
aonde a angustia  e a surpresa
se esconderão se houver um reencontro.
Eu acordei essa manhã e sai por ai:

quem a viu passar pelo patio do colégio,
aonde se toca o sino, aonde os sinos tocam,
por quem eles vão tocar?

Ela ainda pensa no que dizer, caso a chamasse
para um almoço, parque, peça, bar ou apenas conversar,
ela pensa no que dizer se vocês conversarem.

Então Pedro, só te dei a mão,
cuida em tornar teu,
cuida e não descarta a ilusão,
pois toda vida é também  autorizar o delírio.

Faz tua cabeça, recolhe julgamento,
sê mais humano, que a tua benção seja como
daquele que foi amado,
que tua crença seja no horizonte,
a marcha e o canto daqueles que ainda virão.

Pedro seja como era teu pai,
teu avo e muitos outros
lança no futuro a luz da tua vontade.
Pedro, eu sei e você sabe, os outros também sabem:

Vai lá, toma uns goles,
o calor das ideias,
exige esse refresco...

sábado, 24 de novembro de 2012

Por aí

Cravou os dentes no mecanismo
e seguiu falando, como se a cada palavra
esfaqueasse uma lembrança ou um plano antigo.

Tenho comigo isso, tenho em mim e ao redor,
nós somos arvores que projetam as sombras  pelo chão
no fim da tarde onde cabeças encostadas olham o céu

Acho estranho e sem padrão
mas com frequência me questiono:

Se algum dia ao voltar para casa,
incendiarem o ônibus que peguei?

Como seria isso?
Quais consequências indagariam o meu ser
frente aquele momento?

Pediria perdão se não desse para escapar?
Pediria mesmo se conseguisse escapar?

Ninguém saberia
Me dói não saber,

como fazer e o que fazer?
Nada faz sentido ou fará,
então acho que é isso:

Correr para me aquecer,
acelerar o tempo e ver
diante do tempo correr
dentro dele ser quem se vê

Pois é acho que é isso
e isso já é o bastante
para contar, deixa então seguir
olha pro outro lado agora,
agora eu vou passar,

finja não me ver,
me deixe partir
qualquer dia ao acaso
pode ser provável,
encontrar por ai.


Passo lunar.

Então ele vai cantar,
como se no céu uma estrela
lá distante ao ouvir sua voz,
por ele pudesse
se apaixonar
ou se aproximar
com encanto olhar
e ouvir sua voz maior
seu canto profuso
estendido no céu a encantar.

Papeis que com o vento vão,
maré que as coisas traz
para cada passo uma estrofe,
para cada aceno uma canção de paz.
Então ele vai cantar,
que a poesia é o chamado
de quem sente dor,
é o primeiro homem na lua
que viu a terra distante girar
e distante pensou.

Mas se a vida dispara,
feito gatilho e não para
segue o vapor subindo
e a direção inquieta
da vida que segue
feito flor no asfalto florindo.
Então pisar o chão
como se fosse essa a razão
para o céu tocar num salto
e é a beleza e a esperança
acampadas no mesmo palco.

A rua segue e a vida também,
somos viajantes no olhar
no coração e a alem.
Pois toda hora é festa ou funeral
viver é saber que a vida
não é um ensaio geral,
os pássaros cantam e dormem
dizem amem e cantam mais
cada passo só faz sentido se for o final.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Pequeno Dragão (ou o Poema de Pedro)

Meu repouso é arriscado,
os olhos denunciam:

Enlace químico, recreação mental.
Então esses são os dias...

Me lembro prometendo:
para dizer como estaria,
eu escreveria.

E é para que eu saiba,
sim ficaram sabendo...

Toda a poesia que te ensinei,
toda a poesia faz sentido,
quando se sabe porque nasceu a poesia.

Sim eu vi o adiante
e a vida sequer esbarra na razão,
ser feliz é viver um sonho,
quase ter uma alucinação.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Gaza

Nos jornais, eu leio,
dos livros de historia, eu sei.

Nas manchetes se lê: ataques a gaza
Nos livros fica-se sabendo: sitiaram o campo,
cortaram o fornecimento de suprimentos.

Nos livros dizem: mataram judeus, culparam esse povo,
perseguiram e mataram, negaram seu direito ao exílio, roubaram suas casas,
contudo o que vejo nos jornais e o que leio nos livros destoa

nos livros leio judeus,
nos jornais soletro palestinos,

Uma conclusão apenas:

Se aos palestinos caçam,
matam e perseguem,
a razão é simples...

Em Gaza não vivem palestinos,
vivem pessoas que agora,
são como foram os judeus.

Uma criança me puxa pelo talit
e pergunta diante do kahal:

Chaver...
Eles são judeus?

O que posso dizer?
Já não sei, mas suspeito,
se assim como os judeus eles são tratados
pela regra me espanto e entendo:

Meu D'us eles em Gaza moram judeus.

Olhos verdes

Seus olhos são claros
rasos vasos d'água, profundos poços
onde eu posso e sei
que alem da minha vontade existe essa saudade

Essa loucura em querer ser
aquilo que não é mais nós
esse nó atado, essa vontade enlouquecida
de estar ao seu lado querida

Sua boca é meus cais
lago de meu desejo
onde meu espirito se exila na paz

Tenho comigo o mundo
dentro de mim o sentimento
que é por você e dentro dele cabe tudo...


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Pedro (Soulmate)

Pedro abriu o jornal, sem cerimonia tomou um gole de seu chá matinal e abriu o jornal, besteira narrar tudo o que ocorreu antes desse fato, inútil pois não teria a mesma repercussão que esse fato durante o dia de Pedro. 
Seus olhos passearam pelas paginas policial e politica, sua feição indicava o quanto desejou expressar uma opinião, lá no fundo ensaiou algum comentário, no passado talvez, por fim sentenciou em voz baixa. Aquela atmosfera cinicamente europeia, classe media-alta e indiferente, algum dia já foi ocupada por um senso de justiça feroz e radicalmente sectário e comprometido com o coletivo, agora ele folheia os cadernos policiais e políticos, lê com atenção e angustia, procura não expressar sua comoção, solidariedade ou tendencia, escolheu ignorar, não ignora, no fim escolheu aparentar indiferença, se guardar daquilo, mas não se guarda por inteiro, lá dentro ainda existe um panfletário querendo emergir da lagoa de sua voz. 
Pedro, então se contenta com o caderno de cultura, as criticas dedicadas ao álbum desse ou daquele musico ou banda, os editoriais de moda, os rumos do mercado editorial e as descobertas cientificas da ultima sonda enviada a Marte. Ele estica os olhos enquanto toma seu chá, acende um cigarro e aumenta o som de seu toca vinil, se inquieta com o próximo livro por ler, quer saber o que fará quando cair a noite, tem procurado não se importar, essa tem sido uma boa parte do com o que tem se importado, preferiu a surdez, tem conseguido dormir  após ter adotado essa deficiência, as vezes chora um pouco, as vezes quer desistir de uma porrada de coisas, quer vender a TV e ir pro interior, quer ter sua horta e soltar pipas com seus futuros filhos, em um mundo onde a morte seja por causas naturais. Mas segue assim, lê o jornal, escuta seu Beatles predileto, anseia deitar outra vez e acordar, sonha acordar de tudo, mas sabe bem no fundo que tudo é coisa demais, levaria uma vida acordar de cada um dos sonhos que significa esse todo.
Ele escolheu apaixonar-se por quem faz do tecido um vestido, o veste e o conquista ao cantar, escolheu assim, pois dói, mas é muito mais humano, que amar uma bandeira. Pedro anulou a realidade, pois o tempo lhe mostrou que essa as vezes é a pior inimiga da poesia.

sábado, 10 de novembro de 2012

Pedro

Então Pedro olhou pela janela de sua sala, olhos avermelhados, talvez fosse o dia ou quem sabe aquele uísque.  Pedro olhou o sol em feixes, pensou um instante no calor que percorria suas mãos, lembrou ainda que havia ele mesmo se levantado de sua mesa (descontente com o ar condicionado), levantado as persianas e olhado a rua por um ou dois instantes  naquele estado em que se encontrava, seria impossível precisar a duração de cada um desses instantes.
Não existiu um minuto sequer outra vontade, apenas o desejo de desatar o nó da gravata, pegar o elevador, tomar uma cerveja, fingir que nada ate aquela fatídica terça aconteceu, mas era quarta feira. Na noite anterior não tinha dormido o bastante, somente o que se pode dormir quando os bares estão a meia hora do seu trabalho, aquele vermelho no olho era também sono, aquela dormência de quem não dormiu, invadindo o corpo, ele reparava nos vitrais da estação, na preocupação do pipoqueiro... Pedro queria fugir de si um pouco, beber ate perder o ultimo centavo, perder uns dentes numa briga, chorar o amor que já não tinha.
Mexeu nos bolsos, uma ficha da sinuca, um maço de cigarro pela metade, o paletó amassado, calças justas as pernas, o cabelo de quem não teve paz ou fugiu dela. Ali era a imagem que despertaria a solidariedade ou o instinto maternal de qualquer mulher, mas sua atmosfera passivo-agressiva seria capaz de espantar a mais apaixonada entre elas, Pedro estava inquieto, podia ouvir os sinos tocarem, queria sair em disparada, despedir-se com maior cena, ele estava louco, mas a loucura e o cansaço por ter tentado o absorviam. Pensou em tudo isso, recobrou sentado em sua mesa, olhos pinceis e fotos, olhou o inteiro que era aquele ambiente, enfadado pensou em levantar-se novamente e sair para fumar um cigarro, tomar um chá e olhar o céu, temeroso em tropeçar no nome dela ou em alguma lembrança ele ficou lá na sua sala. Saiu apenas quando era o fim de seu expediente, no que tratou de tomar suas duas doses para a anestesia, tomou as suas, colocou seu chapeu, abotoou seu casaco e pegou o trem, no caminho apenas pensava enquanto o trem parava em cada estação: 
''Uma pena as coisas não passarem assim, apenas pelo poder do pensamento.''

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Soneto da amante do corsário ( revisado)


Ele contou lindas historias,
me falando de conquistas
fez de mim outra vitoria
com bombons e poesia...

falava como um corsoria
em seu cuidado eu me perdia.
Me contava de outros tempos
quando não me conhecia

fui aos poucos me perdendo
só pr'ele me encontrar e
tão confusa só podia me entregar

Disse adeus o meu amante
e hoje choro a traição, do meu ébrio navegante
só me restou essa triste canção

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Invenção litoranea

De todas as formas de amar, que se amou, já amei
e todo o pecado é meu, alguns pecados eu mesmo inventei.

Então espera um pouco mais, senta aqui, gasta essa calma,
gosto tanto de me gastar, tantas vezes já me dei, sem importar,
chorei, bebi, dentro da noite, procurando algum lugar.

Então escuta um pouco mais, não sou o mesmo em cada beijo,
mãos dadas, poesia ou gole, partiu de mim aquele lá,
seguiu sem mim, junto de tantas outras por quem vivi .

Não deixei de ouvir nenhuma das vozes que já escutei, 
pois em todas elas o timbre em comum, reluzia amor.

E era amor, em cada estagio, em cada processo,
em todos os amores que amei, buscar o amor foi a causa-crime, 
flagrante delito cuja sentença mais alta é viver.

Das dores não me queixo, 
com elas se aprende a apreciar as lições mais fáceis.

De todas as maneiras de amar, amei
e meu foi o pecado, eu o inventei.

domingo, 4 de novembro de 2012

Vicio

Eu tenho em muitos copos bebido,
a dose necessária para a vida,
em meu copo e em outros copos,
o necessário para o que se tem visto,
diluir o dia, engordar o espirito, se envenenar de poesia.

Tenho comigo isso,
tenho comigo um sol nascendo em cada silaba,
em cada sonoridade, o vestígio vertiginoso
de uma antiga canção chamada saudade

Não se pode ter tudo, não é mesmo?
Então, restam sempre os sonhos,
para quem volta as cinco da manhã do bar,
cabeça girando, quer explodir no sorriso forçado,
quer menos luz, quer beijar a lua e brilhar...

Tem poesia nova, sim eu sei que haverá,
outro amor, outro filme, outro lp comprado,
não tenho comigo mais o que eu sou,
acho que eu era, e já não sei...

Descendo essa rua, estojo e papeis,
contas a pagar, na cabeça o sonho,
no peito a canção, nos passos a poesia,
ja estive do outro lado dessa rua,
se hoje já não nos encontramos,
tenho comigo isso, esse vicio em te esperar.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Patio do colégio

Esse intervalo entre datas,
esse limiar, cujo passar de olhos,
faz e vê acontecer, sem piscar...

Nada me atormenta mais
que a ausência, que o nada,
que esse por vir das coisas
daquelas que podem ser
e das que virão a ser...

Tenho comigo todos os sonhos,
todos exceto um,
justo esse é o que sonho mais.

Ocultar a desculpa,
daquele ate mais,
dito como: talvez até nunca...

Dizer, o que eu diria,
fosse eu outro, não fosse eu ao falar de mim
enquanto fala de nós,
deixo a rosa, canto a barcarola,
invejo o bilhete beijado,
a exclamação frente ao que é normal.

Insisto em ver sinais,
resisto ao cantar uma vez mais
dizer adeus por que?

O até breve cabe melhor
alimenta os sonhos
e arquiteta no horizonte a paz...