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sábado, 27 de outubro de 2012

Ode ao 27 de outubro ( canção-testamento )

Essa noite enquanto tomo o meu rum,
enquanto fumo meu cigarro e relembro outros amores,
essa noite, enquanto meus passos anunciam minha velhice,
essa noite, favelas ensopadas de petróleo
são solapadas por barões de guerra...

Advogados obesos, carecas, insensíveis,
aprendem na corte a bajular em idioma oficial!

Na casa operaria, na casa operaria
sopram-se as velas da miséria com o folego da esperança

Nada sei da fome, eu que fui educado nas melhores escolas,
eu que só bem depois aprendi a preparar minha refeição,
lavar minhas roupas e olhar o céu...

Essa noite completo meus 25 anos,
em algum lugar a policia mata inocentes,
não importa mais, não importa, meus 25 anos completados,
o assassinato de inocentes, favelas ensopadas em petróleo,
pouco importa se a gordura do rico,
esconde a inanição da classe operaria.

Essa noite pouco importa, já não comove o mendigo incendiado,
recebe aplauso aquele que aos últimos teme,
recebe aplauso, beijo e calor, o medo triunfou,
mas a esperança escondida se avizinha enquanto cresce,
é o ensaio final, o ultimo grito antes do clamor,
mas pouco importa, assim como já não faz sentido essa noite,

meus 25 anos em nada se bastam,
só me bastam para me indignar, só me bastam para amar mais,
só me bastam para entender:
o amor é o novo nome para o passado.

Significaria algo, dizer que me desespero?
Bastaria recitar um verso de esperança?
Em minha alma tenho a nodoa de cada alma calada,
em meus passos o eco de outros passos
deixados ou que ficaram pelo caminho...

Eu que não uso fardas, eu que não uso gravata,
eu cuja matéria mais admirável
é admirar o que aos outros serviu...

Meu poema se coloca no front, mas não há poesia na miséria,
não querem o poema protesto, não querem o lirismo urgente,
não me dignam cantarolar pelas vozes caladas,
por terem calado essas vozes,
por ignorarem essas vozes, é certo me ignorarão...

Mas hoje completo meus 25 anos,
pouco importa, a frieza do universo, a virilidade,
a flexibilidade e a saúde de certas carnes, em certas camas,
pouco importa o meu nascimento,
já não comove ver nascer um humano,
assim como não comove vê-lo morrer...

eu deveria estar feliz,
sim eu deveria procurar entre meus telefones,
aquele telefone que apenas rabisquei,
mas outras coisas me afligem,
sou homem e tem custado demais
a minha matéria humana ser homem

e as vezes choro enquanto faço minha barba
e ouço roçar imprudente a lamina em meu rosto
ali pressinto o final de Francis Villon e Marat!

Em meus 25 anos entendi pouco, me ensinaram bastante,
mas o bom aprendiz dessas regras,
é certamente feito prato entregue e consumido.

Essa noite, não sei quantos anos me esperam,
se a esquina que se aproxima me trará
fortuna, gloria ou pesar,
temo pelo pesar,
sei que corcéis e belas damas, não custam barato,
sei que cavalheiros sentarão comigo a mesa,
mas isso me custara as vezes a dignidade.

Essa noite completo 25 anos, estive ao lado dos últimos,
não me furtei do bom combate,  já apanhei pelo que acredito,
se valeu a pena? Ai não sei dizer, cabe ao tempo responder,
cabe a mim somente a certeza, seguirei assim,
escravo somente da minha liberdade

Se ao olhar me desespero, ao acordar me refaço!
sonhar feito o sol, seguir com a velocidade devastadora da chuva,
ter a paciência da garoa que aos poucos
junto ao vento sopra, esfria e molha...

Então esses são só meus 25 anos, o quarto de vida e o que fiz dela,
bastou gritar? Não bastou...
Resolveu marchar? Não resolveu...
Mas me anularia como humano,
não ser o que sou
não ser como eu penso,
não ser como eu fui.

Nunca vai me bastar ser como eu sou,
em 25 anos acordar e acordar novamente,
saber sempre não importa o caminho,
se me barrarem na porta, ter comigo sempre a coragem
de pular a janela e tomar de assalto o que me faz sonhar,
o que me faz viver.

A metáfora da vida é um sonho,
a lição do sonho é o sol
então  o jeito é amar e lutar...




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