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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Mecanismo

Ele vai ensaiar, não ligar, não reconhecer a voz,
deixando escapar que esperou, torceu, lembrou,
fez fazer pra si, como não houve em ti.

Ele vai se olhar, mais velho, quieto e louco,
como quem encontrou, perdeu, desencontrou,
aquele mecanismo, que faz funcionar o encanto,

a vela por soprar que ainda não se soprou. E ele vai sorrir,
ao telefone, fingir indiferença, ter crenças no futuro,
dizer que melhor seria, ser semana que vem.

Vai contar detalhes, dizer do que venceu, o que tem desgastado,
se tem feito sol ou se tem chovido,tentando esconder,
deixando escapar toda a saudade contida em sinais...

Quem não quer ouvir o adeus,
inventa sempre outros motivos,
pois toda hora quer se despedir.

sábado, 27 de outubro de 2012

Ode ao 27 de outubro ( canção-testamento )

Essa noite enquanto tomo o meu rum,
enquanto fumo meu cigarro e relembro outros amores,
essa noite, enquanto meus passos anunciam minha velhice,
essa noite, favelas ensopadas de petróleo
são solapadas por barões de guerra...

Advogados obesos, carecas, insensíveis,
aprendem na corte a bajular em idioma oficial!

Na casa operaria, na casa operaria
sopram-se as velas da miséria com o folego da esperança

Nada sei da fome, eu que fui educado nas melhores escolas,
eu que só bem depois aprendi a preparar minha refeição,
lavar minhas roupas e olhar o céu...

Essa noite completo meus 25 anos,
em algum lugar a policia mata inocentes,
não importa mais, não importa, meus 25 anos completados,
o assassinato de inocentes, favelas ensopadas em petróleo,
pouco importa se a gordura do rico,
esconde a inanição da classe operaria.

Essa noite pouco importa, já não comove o mendigo incendiado,
recebe aplauso aquele que aos últimos teme,
recebe aplauso, beijo e calor, o medo triunfou,
mas a esperança escondida se avizinha enquanto cresce,
é o ensaio final, o ultimo grito antes do clamor,
mas pouco importa, assim como já não faz sentido essa noite,

meus 25 anos em nada se bastam,
só me bastam para me indignar, só me bastam para amar mais,
só me bastam para entender:
o amor é o novo nome para o passado.

Significaria algo, dizer que me desespero?
Bastaria recitar um verso de esperança?
Em minha alma tenho a nodoa de cada alma calada,
em meus passos o eco de outros passos
deixados ou que ficaram pelo caminho...

Eu que não uso fardas, eu que não uso gravata,
eu cuja matéria mais admirável
é admirar o que aos outros serviu...

Meu poema se coloca no front, mas não há poesia na miséria,
não querem o poema protesto, não querem o lirismo urgente,
não me dignam cantarolar pelas vozes caladas,
por terem calado essas vozes,
por ignorarem essas vozes, é certo me ignorarão...

Mas hoje completo meus 25 anos,
pouco importa, a frieza do universo, a virilidade,
a flexibilidade e a saúde de certas carnes, em certas camas,
pouco importa o meu nascimento,
já não comove ver nascer um humano,
assim como não comove vê-lo morrer...

eu deveria estar feliz,
sim eu deveria procurar entre meus telefones,
aquele telefone que apenas rabisquei,
mas outras coisas me afligem,
sou homem e tem custado demais
a minha matéria humana ser homem

e as vezes choro enquanto faço minha barba
e ouço roçar imprudente a lamina em meu rosto
ali pressinto o final de Francis Villon e Marat!

Em meus 25 anos entendi pouco, me ensinaram bastante,
mas o bom aprendiz dessas regras,
é certamente feito prato entregue e consumido.

Essa noite, não sei quantos anos me esperam,
se a esquina que se aproxima me trará
fortuna, gloria ou pesar,
temo pelo pesar,
sei que corcéis e belas damas, não custam barato,
sei que cavalheiros sentarão comigo a mesa,
mas isso me custara as vezes a dignidade.

Essa noite completo 25 anos, estive ao lado dos últimos,
não me furtei do bom combate,  já apanhei pelo que acredito,
se valeu a pena? Ai não sei dizer, cabe ao tempo responder,
cabe a mim somente a certeza, seguirei assim,
escravo somente da minha liberdade

Se ao olhar me desespero, ao acordar me refaço!
sonhar feito o sol, seguir com a velocidade devastadora da chuva,
ter a paciência da garoa que aos poucos
junto ao vento sopra, esfria e molha...

Então esses são só meus 25 anos, o quarto de vida e o que fiz dela,
bastou gritar? Não bastou...
Resolveu marchar? Não resolveu...
Mas me anularia como humano,
não ser o que sou
não ser como eu penso,
não ser como eu fui.

Nunca vai me bastar ser como eu sou,
em 25 anos acordar e acordar novamente,
saber sempre não importa o caminho,
se me barrarem na porta, ter comigo sempre a coragem
de pular a janela e tomar de assalto o que me faz sonhar,
o que me faz viver.

A metáfora da vida é um sonho,
a lição do sonho é o sol
então  o jeito é amar e lutar...




quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Aquela capa

Já nos conhecemos, você diz.
Atravessa a rua, sem cerimonia,
não existem razões para olhar novamente.

Meu chá quente, faz sala para o cigarro que fumarei,
inútil esperar pelo que é livre,
o que é liberdade apenas segue adiante.

Enquanto chove, lá fora ela deve estar, la fora ela deve estar...
Agora que já não existe vestígio algum,
agora que restam apenas vagas lembranças.

Subimos tantas escadas juntos,
descer cada degrau é desfazer os pontos,
na espera caudalosa pela dor que virá.

Então peço:
Podem embrulhar o mês de outubro, a palavra maçã,
o cheiro e o sabor dos morangos, os passeios ao luar,

também podem levar cada um dos meus olhos,
as memorias, as casas planejadas, as cadeiras no quintal, varandas,
primavera, circo, bosque, parque e o amor.

Nesse viagem também podem levar disco do Milton Nascimento,
podem levar todas as canções, abraços e beijos, os casais que se despedem
e a palavra adeus, bem como toda a carga que ela possa representar.

Vou me afogar na massa, braço erguido, palavra de ordem,
marchar, combater e recitar, crescer, gritar, chorar e beber,
vou me entregar aos entregues, aos últimos, aos perdidos,
quem sabe entre eles numa esquina te encontre,
pedaço de mar, revisão de provas semestrais
e almoço de domingo...

Podem me levar tudo, que todos os trens partam,
diante do meu olhar atônito
já não há mais você aqui, então não deve haver aqui,
daqui em diante, meus discos do lennon,
minha capa do dylan, podem levar...


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Reencanto

Então você me disse um dia:
Meus sonhos não se permitem realizar
então fiquei triste e senti a noite chegar...

Se eu ainda fosse jovem,
ao menos como quando joguei algumas chances fora...

Houve esperança, cercamos um ao outro com o olhar,
detemos por algum tempo aquilo de que os sonhos se nutrem

então você carregou a luz nos olhos,
os mesmos olhos que guiaram com sorriso e graça
o que em minhas mãos já deve estar escrito e não quis ler.

Tenho comigo cada almoço, cada data
e detalhe, num entalhe perfeito e colorido.

Deixo até seguir, seja como quer
e se o que acontecer, só tiver que ser antes de se permitir

olho muito alem e vou junto de ti
faz o céu abrir, deixa o sol brilhar

qualquer dia vou, mesmo que só pra contar
como foi seguir, depois de você...
Sem você ( agora é quase sem mim)

Vou deixar correr, me distanciar
não pode ser só, o que é feito par

e se fizer sol, desses pra queimar,
desculpa se eu for aí, só te visitar e
é só, sou eu, depois de te amar...

Vem ver, adiante de mim e dentro de nós
os nós e os sorrisos, feito um desaguar e

como sofrer? Se a esperança me faz crer
que ainda vou te achar então vou te ler

e sim, algum dia eu prometo te eternizar,
alem das paredes de um quarto, muito alem do mar

no assalto de mãos dadas, onde a vida quer
e se for pra ser, deixa acontecer,
meu dia, minha vida e o nosso caso...

sou mais festa, e sou mais eu,
te encontrar, foi me achar feliz sendo seu.
E onde me quiser, saiba que minha vida quer
junto da sua, ser sol, verão, calor, tarde, noite, março e chuva

Meu amor é muito mais meu
pois minha vida é sua

Então vai nascer, deixa o céu se abrir e o sol brilhar
qualquer jeito eu dou, só pra te encontrar

e faço por bem, muito mais que saber,
só me faz sentir: eu quero você...

Pois é horas adiante um verso
o universo a se expandir e cantar
o canto que fiz para te reencantar...

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

I'm alone on a bicycle for two.

A vida é maior do que entendemos,
muito maior que uma sequencia de ligações,
repleta de truques e lugares para se estar.

Como se o mundo fosse uma razão para seguir,
o horizonte agarrou a esperança...

Então agora eu sei sobre alguns fatos científicos,
enquanto pensava em você, tomei meu chá e li o jornal.

Pois é, eu atravessei a rua, cada um para uma direção.
Pois é, eu disfarcei e segui ao contrario.

Você estava lá me procurando na multidão?
Ao atravessar conferiu se eu ainda estava ao alcance de seu olhar?

Não fomos registrados por nenhum estudioso,
mas sabe, eu realmente queria entender sobre esse processo.

Feito um pendulo, mãos nos bolsos,
 feito uma fumaça cansada,segui cabisbaixo e farejando,
o que fantasiei ser teu rastro.

Feito toda a luz das tardes seguissem para uma aurora adiante,
onde o teu futuro junto ao meu sorriso há de me inserir...

Eles virão, seja a estação que estiver,
para carregar com meus sonhos, o que será o seu verão.
Estou só em uma bicicleta para dois,
acho que a canção esta tocando...

Do que estávamos falando antes?
''Ouvi alguém me chamar...''

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Sem tempo para anestesia

Viver é a melhor desculpa para se apaixonar, não se trata de um titulo comum para um livro de auto-ajuda, não se trata de uma frase chave para algum programa de sucesso para maniacos depressivos ou abstêmios inveterados.  É apenas uma daquelas constatações que se chega, depois de um bom tempo, depois de uma grande espera, depois de ser enviado para casa por bartender's e seres da mesma especie onírica, noturna e feminina, munidos dessa boa vontade quase, digo quase senão maternal. 
A ciência moderna se mostra numa eficaz metáfora para como a grande maioria se porta (a grande maioria ,incluso quem aqui escreve). A cultura da aspirina, o analgésico no lugar do remédio, feito a anestesia no lugar da cura, amenizar no lugar de tratar, seguir e apenas seguir, como se a dor não fosse parte da cura, como se o músculo encolhido, não fosse um incentivo para correr certa manhã...
Sabe eu quis não me apaixonar, para depois me apaixonar e no intervalo de não querer e me apaixonar, formar a ideia de como seria minha próxima paixão, desejei uma cantora, com todas as minhas forças, desejei que tivesse olhos claros, um humor masculino, porem inteligentemente feminino, aquele sorriso gostoso de dia ensolarado, a simplicidade de um bom dia, a verdade de um abraço quente, pois é acho que encontrei, pois é acho que fiz algo errado, acho que errado foi o tempo, acho que errado é não viajar no tempo, acho que ingenuidade a minha é estar assim. Mas estou assim agora, fico pensando numa serie de coisas, fico imaginando uma porrada de probabilidades.
Me ponho cabreiro e pensativo, escuto meus discos de sempre, agora a imaginado cantarolando essa ou aquela canção do meu álbum favorito, não por sua predileção pessoal, mas por saber que sua voz é capaz de fazer mais doce o que já me parecia genial. queria sei lá que de alguma maneira esses 23 mil acessos semanais, esses 30 e tantos seguidores, esses amigos que vem aqui dar uma olhada as vezes. Queria que todo mundo soubesse, que desde amigos ate momentos e antigos amores, todos ate agora, em todos só havia sentido em cada um uma canção desse ou daquele álbum dos Beatles, conhecer esse moça foi começar a entender, supor que entenderia no decorrer, os álbuns solo do Lennon. Ouvi-la cantar João Bosco, ouvir com ela clube da esquina, dar as mãos e olhar o céu a noite, sabe essas coisas que se faz apenas e se repara que só podem dar uma dimensão eterna e memorável aos momentos que se presencia para compô-las. Queria que soubessem e tirassem as lições possíveis  eu mesmo ainda não consegui tirar uma lição, mas espero em breve...
Não posso me anestesiar, não posso perder essa etapa, não quero perder essa etapa. Pode ate doer, vi doer, se sangrar ou se não deixar dormir, que venha uma ferida maior, que venham as noites sem sono, estou remando contra as aspirinas, pois o que me cura não é evitar a dor, mas saber que cada salto pode ser um voo ou acidente, ter plena certeza que a vida é uma aposta contra as possibilidades, mesmo que doa, mesmo que sangre ou apodreça, ainda é e continuará sendo a melhor desculpa para se apaixonar.


sábado, 13 de outubro de 2012

Vila Silvia

Estou lembrando como voltar para casa,
pelo caminho sempre existe algum mercado aberto
e lá eu compro o suficiente para uma refeição

uma refeição a menos
uma refeição apenas

Já que não existe mais
Já que não existe mais

Uma refeição a menos
sem saciar a fome e é apenas por obrigação
o que antes era anseio e sonho

Então vou reler algum livro,
deitar em minha cama
tomar meus comprimidos

e evitar lembrar algo que se torne sonho
e no sono venha me assombrar

Já que foi assim
Já que se foi de mim

acho que é isso o que sobrou
não sei se a resposta é minha

(mas o tempo vai nos perguntar)

Amor será a resposta para uma pergunta que esqueci
e acho que ninguém me perguntou
mas a resposta segue sendo o amor
segue sendo e amando, pois é a unica resposta,
pode não ser a mais usual ou aceita, mas rima com perfeição

Em noites como essa eu...

Eu apenas tento adivinhar o caminho para casa,
vou comprar algo para comer,
só o suficiente para o meu jantar.

Uma refeição a menos
uma refeição apenas

sim acho que qualquer esquina
pode ser o intervalo entre a solidão e a vida.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Todo sentido

                 Então ela disse: Sim...
e então era como se todo o céu fosse meu 
e então era como se todo o céu fosse seu
como se todo o céu fosse lua
como se todo a noite fosse o sol
Carros urgentes correndo na avenida
transporte publico atrasado e escasso 
Mas seus olhos são luminosos e brilham
seus olhos brilham feito o sol
Ela disse: sim...
Me olhou e nos beijamos
Pra deixar baço preso em porta de metro
só pra me salvar e vir comigo desde agora ate pra sempre
Se ela me chama eu logo atendo
Se ela vier, espero. Se for o caso eu vou...
Noites frias, tardes cinzas e manhãs de sol
irradiando e invadindo a vida, 
no momento em que estreou o seu sorriso...
Seu beijo é um lugar que a geografia não pode achar
e é onde o meu beijo quer colidir e ao colidir
me fez como agora estou 
( meu sorriso em asa e a voar)
Então pode ser que agora o porvir seja em improviso
estou feliz, se pode notar no meu sorriso
A estrada aponta para um caminho
e o destino voltou a ser mais que amigo
Ela disse: sim...
Tenho guardado esse verso como quem guardaria o universo
tenho cantado  essa canção pra mim
E se agora eu sei, acho que antes pressentia...
E vou segurar sua mão, olhar nos olhos
te chamar para sair toda noite, toda hora e todo dia
Te beijar em trem ou metro lotado, na serra ou na praia
passear por alamedas e avenidas
Ficar de papo a tarde inteira
sua voz é tão linda...
Ela disse: sim!!!
Por um instante os ventos não sopraram
o coração tomou ar, olhou pro céu, acenou como agradecendo
No momento seguinte lábios trêmulos, tropeçando na felicidade
só quiseram ser beijos, só queriam  anunciar  megafônicos a toda cidade
Ela disse: sim
por um minuto o coração paro
                                                         era a vida tomando outro rumo  
                                 era o destino fazendo todo o sentido