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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Parisiense

Eu vou te dar a mão pra ir ver o sol
e sair dentro da tarde pra dentro do seu olhar

Sua voz entoa a minha canção
de uma maneira que a poesia não descreve

Então se eu chegar um pouco atrasado
peço que espere um pouco,

mas se eu me adiantar,
sem pressa, eu posso esperar...

Se o sol em seus olhos o dia vem ancorar,
em seus beijo, o meu carinho quer
nas ruas com seu nome e perfume seguir...

Eu vou te dar a mão e ir lá,
que agora é bem aqui

qualquer lugar que der eu vou e mesmo assim
na hora e ate na noite anterior, já estarei em sonhos...

Seus passos lindos, seu olhar raro e sorridente como a liberdade
e então eu vou ai, rosa na mão e algum truque que aprendi por você

Corro vagão, se o trem descarrilhar,
faço poema, roubo rosa e chego a tempo

Pode crer eu chego a tempo e vou ai te ver
quero te dar a mão e esquentar seu rosto


Se o sol em seus olhos o dia vem ancorar,
em seus beijo, o meu carinho quer
nas ruas com seu nome e perfume te chamar...





quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Oceano pacifico

Pedaços de cor e arranjos florais
desgastando os passos
investigando o olhar...

Então estão novamente remando
sem uma luz ou um norte

E se essa maré é tão solta e em paz
corre azul e forte se faz maior e forte

Na sala uma canção
na sala um poeta

Ninguem esperou por isso
e então se ouviu assim:

Quando ele voltar
saberão por ele então...

Sim eu amo Paris quando chove
Sim eu amo Paris

enquanto chove
e parece que chovera essa noite
a noite inteira

Me banhe em seu porto e me beije
essa noite a tempestade é te abraçar...

A vida descreve um arco
e ao passo me arrasto e te agarro

Meu olhar feito um barco
minha mão feito estrela

tudo quer te alcançar
e te amar é liberdade

e a liberdade quer essa noite
por todas as noites te-la...

Oceano indico

Guardar silencio, manter segredo
medo e sonho, esperança e negação.

Então se ninguém sabe e só eu sei,
que a rua seja o manifesto preciso.

Se alem de mim, só você sabe
então que o saber seja central...

Feito a luz nos seus olhos, esse clarão.
Iluminando a tua presença,
tornando escuro qualquer lugar, na sua ausência...

A verdade é que de tanto imaginar,
é quase como se fé fosse argumento.

Nada a arriscar, que não a luz,
mas que a luz agora é algo menor que certo olhar

Se o céu é igual pra todo lado,
quando bem lindo o céu só quer te imitar.


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Fechando os olhos...

Fechando os olhos para o final
estamos realmente buscando um remédio

A doença que nos cerca e invade dentro de uma imagem
 turbulenta nas primeiras horas de uma manhã isolada

Então ela acordou em outro ponto do mapa
sem baldeações ou ancoragem plena

Apenas abriu os olhos e seguiu
Sem novidades de um outro continente

Então minha barba cresceria
e meus olhos se tornariam mais doceis...

Fechando os olhos para o final
sim esse deveria ser o sinal para o reinicio

veja agora, minhas ideias inteiramente novas
estamos flertando um com o outro

Em um ponto de onde não se pode voltar
sem uma salvação que não se possa cogitar
sem um aceno que não se possa supor

sim eu acordei e fui lá, e era apenas olha-la
                                  (eu só queria te ver)




12:05

Enquanto a chuva caia lá fora
as horas passam feito solvente ao sol
de um céu que não diz mas quer anunciar
que meu sorriso é por sua causa

Peguei o metrô atrasado em dois minutos
ajeitei minha gola e o meu mop-top
almoçaremos faça chuva ou sol
do seu lado o centro é como uma Londres maior

Pelas ruas, musicas reais imitam o som ideal,
pois ela é tão linda quanto a luz
e ainda maior e mais linda que o sol...

Sua voz é como um coral de rouxinóis
prismando os perfumes de uma nova estação
diante de meus olhos que observam o mundo: ela é a canção



quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Década desalmada

E se o agora
fosse uma curva no cinza
ou um desvio nas horas?

Parece mesmo é que
de tanto falar
pouco restou pra se dizer

Somos canções
já cantadas
somos almas

vagando numa década desalmada


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Parecem

Parece mesmo que não sei
não sei uma serie de coisas

e não sabe-las não é ignora-las
é apenas percebe-las de outra maneira
senti-las de uma forma nova

Parece mesmo é que não sei
e não saber já é desconfiar um pouco.

domingo, 16 de setembro de 2012

Meu medo


Tenho medo de sonhos coletivizantes, pois se você não cabe na utopia dos sonhadores, o pesadelo fica por sua conta e risco, afinal quem costuma falar de liberdade na teoria, na pratica acaba sendo tão tirano quanto aqueles a quem antagoniza.
Hilter queria ser pintor, Stalin e Mao Tse Tung; poetas, Pol Pot sonhava ser caligrafo, Mussolini foi ator/ modelo de foto-novela, Salazar adorava cinema assim como Getulio Vargas e Enver Hoxa., Peron amava musica.
Por tras de todo discurso de amor ou orgulho, mesmo os mais sinceros, guardam um certo grau de insensibilidade aos que não conseguem amar com o mesmo impeto ou mesmo não amam  a mesma ideia, pessoa ou classe. Resta sempre ao dissidente, a materia menos ludica, dos sonhos que não se predentem serem sonhados só. O brilho dessas paixões é alimentado normalmente pela luz de alguma fogueira onde o herege queima para limpar  o caminho onde o ''sonho'' desfilará para o delirio da maioria.
Tenho medo dos sonhadores mais insaciaveis, me dá medo o brilho louco no olhar apaixonado de quem se convence que a sua ideia é superior. 
Não se trata de um discurso individualizante, mas me dá calafrios qualquer opinião que descarte a minha ou de qualquer outra pessoa, que só considere a maioria como detentora da verdade, que legitima mesmo as falhas coletivas, como lições historicas e nunca como equivocos monstruosos, me coloca inquieto qualquer metodo que se pretenda cientifico, como para legitimar seu ponto de vista como o mais palpavel. Na pratica quanto mais em liberdade se fala, lá no fundo agoniza um Napoleão, querendo um trono ou posto confortavel, assobiando frases decoradas e citações de gente morta de tanta amargura que dissipou...
No final ou o sonhador é o traidor ou é o traido, por suas ideias ou por seus seguidores. No final, no final mesmo todo Jesus, vira cristianismo que no final vira inquisição, holocausto ou homofobia, todo nacionalismo vira sionismo que vira aparthaid palestino, que vira odio, no final, bem no final mesmo sou só um cara querendo acreditar que: Dream is over, foi melhor que to be continued...

Tempestade solar

O sol se escondeu na curva do olhar
e a claridade vem desde o inicio do sorriso

Parece que a poesia  é uma metáfora da vida,
mas então me deixe ser a bandeira para seu dia

Enquanto as ruas ensurdecem e seguem
Apenas uma voz, apenas não sei mais...

Ruas somem dentro das conversas esquecidas,
lá fora o espaço dança dentro de uma inquietação.

Dentro de cada lembrança um fato esquecido
tudo que se quer saber é onde estão indo.

Mas eu simplesmente não sei.
Tudo que eu sei é apenas esquecer.

Não precisamos mais da solidão,
me espere, vestirei minha jaqueta e eu quero te encontrar.

Até tarde, qualquer tarde é muito cedo, disso eu sei.
Mas e se o universo ainda se expande é a hora de ecoar...

Pequena nuvem de oxigênio e luz,
reflexo de uma estrela distante

do meu telhado tento adivinhar
por onde estaria, isso é tão bom...

Palavras feito pedestres inconscientes,
distraídas em meus sonhos,

(sem olhar os lados, concentradas em atravessar, 
querendo segurar uma mão e apenas seguir, 
feito a chuva que o sol as vezes vem ver e faz brilhar.)

Sempre é uma boa hora, e se agora for tarde,
espera um pouco pede mais uma e vem conversar

Que o abraço é mais que músculos ou ossos e calor
as vezes é melhor que uma casa, pois também pode ser um lar

Na curva do olhar, ali atras da avenida alvorada,
o sol atravessou o cruzamento e sorriu luminoso

Disse boa tarde e como sem perguntar:
disse oi ao que vinha, era então a noite e era o luar.

Ele sabe seu nome, eu sei seu nome,
enquanto ele brilha, eu te chamo...

Enquanto ele se vai... Sim ele voltará,
ele sabe que voltará, então ao sol como a toda gente eu digo:

Boa tarde e como sem perguntar;
disse oi ao que vinha, era então a noite e era então o luar.

Pelas ruas

Se a tarde como uma pluma cai
é que o arquivo das horas
deve querer engavetar os dias

Sem culpas ou pecados
a vida feito um jardim
como um abraço
apenas olha

La fora
dentro de uma hora
a noite reaparecerá
não existem
chances

Não existem esperanças
então a tarde se esvai
atras da esquina do tempo
feito um bilhete sem assinatura
ficaram as marcas
e as lembranças 
atiradas pela rua.

sábado, 15 de setembro de 2012

Patio




Vai ver toda cidade
queria apenas ser o patio
que em um abraço ou beijo
se estende até ser eterno
e dissipar a saudade


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

13

Na calmaria de seus próprios cuidados
largando-se em seus vícios e insultos

Sem crenças fantasiosas
apenas a antiga magica

Apenas a antiga magica
e eu estou falando de uma tarde ao sol

Sem mantras ou meditação
Sem lagrimas e apenas essa recordação

Na calmaria de seus próprios cuidados
me entreguei aos meus vícios e criticas

Sem cigarros ou cerveja
apenas o bar e um cinzeiro

Quem deveria estar aqui agora?

Quem deveria não existir?

Quem é o rei agora?

Temos pensado demais na democracia de nossas falhas
somos as migalhas da fé

Em algum ponto do universo
um sorriso é onde existimos.

Quando o sonho acaba, começa a vida.
Então amigos, espero que entendam,
não sou mais o poeta, sou apenas um cara

Quando o sonho termina, é hora de viver.
Então entendam :
a vida é o motor da fantasia.

Lua de São Jorge

Se São Jorge na lua habita
solitária batalha ele trava
pois dragão não deve haver lá

Na lua não tem luar
não tem jardim
na lua tem só a lua
e a noite envolta no fim

Eu que não creio em São Jorge
eu que não sou cristão
Mas tento amar como amou Jesus

e eu  me inflamo com a solidão de Jorge
pois sei que na lua não há dragão

Porem na lua sequer um Jorge deva existir
e ainda sim me doí
 imaginar a solidão
que ele possa sentir
caso posso existir

Crianças Indicas

Tenho aqui comigo o universo
e as vezes finjo nem perceber

Estrelas, tardes, cores e o mês de março
pois é
         melhor nem descrever

Faço a barba
fecho os olhos

As vezes quero correr
e no final me deitar

olhar o céu laranja
que pretendia ser galaxia

mas só consegue ser laranja
céu é o nome de quem voa

teto livre de amarras
talvez por isso nunca vá desabar

Tenho comigo o céu
a noite, a cor, o mês de outubro
não tenho comigo o universo

Mas é bom pensar as vezes que posso ser tudo
já que o todo é um poema inverso.

Mundo

Escrevo poucos versos
miseráveis estrofes

Não me interessa mais rimar o absurdo
no meu verso só cabe a poesia

As fronteiras e montanhas
todo o resto e ainda isso
deixo ao mundo

Falar de poesia é crime
não ser poeta é absurdo

Divida provisoria

Sem piedade o poeta expõe suas rimas
depura a métrica, exuma o cadáver do latim
em postas corpulentas
de fragrâncias extravagantes

Pois o poeta é um cantor sem sonoridade
seu verso abana o tédio
que com tarde cai e se esvai e encanta

Sem piedade o poeta depõe
contra composições variadas

Nenhuma letra a lei exibe
de todos os parágrafos
de todos os artigos
em tudo a letra se exime

Pois quer exemplo
isento de tratar de si

Faminto por todo o porvir
enfim o poeta é assim

Esse cagueta dos segredos da alma humana.

Terceto

Agora a chaminé boceja
gases que a industria expeli
como quem por gosto ou gana fere

Agora a estrada assobia
silencio de paz
pedaço de uma via

Nada se entende
naquilo que se pode ser
afinal é apenas um poema

A resolução para esse
ou aquele problema
não pode responder

Estrofes de três versos
não sei como terminar
farei agora o terceiro e termino ao rimar.

Leveza

Aqui comigo tem algo seu,
não é mentira dizer que nem sempre foi seu

afinal antes de você, o que agora é seu,
sequer sabia mas ainda era meu

Dessa maneira brincou a noite
e cantou a natureza

Me ensinando em seu sorriso a poesia
me educando a entender a beleza

Aqui comigo há algo seu
antes era meu
antes de voce não havia essa leveza.

Toda-hora

Quero escrever um verso lindo
repleto de avenidas
completo de vida

Quero mesmo é escrever a poesia
que não se pode traduzir

Que só se leia com os sentidos
e cuja a métrica seja sentir

Pois tenho comigo todos os versos
mas o que mais quero agora
é escrever um verso que diga teu nome toda hora

Orla urbana

E assim por medo ele não cantou
e foi evitado, como fosse mais um

Então todas as canções que cantou,
todas as canções que sonhou escutar

Por tanto sonhar, sonhou e ainda sonhou mais,
saltando maior e lirico, brindou a paz...

E assim certa noite, ele ousou olhar,
certa manha acordou de sonhos absurdos,
receoso e faminto, sua sede era pelo mundo.

Correu por horas, correu pelas ruas,
cruzou quadras, esbarrou em bancas de feiras,
atravessou sinais e não alcançou a lua

Já não havia mais método para a poesia,
agora era apenas a vida,
era apenas a vida...

Sem um calculo real,
apenas a realidade

Certa tarde ele acordou poeta,
já não havia poesia é verdade

Acordou poeta
mas a tarde estava encrustada na orla da cidade.



segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Solar

O sol me aguarda dentro de um beijo
cem mil sóis para aquecer a mão

O céu no olhar e no peito um oceano
pois a vida é boa e é breve o poema

Quem quiser saber se meu sorriso é mar
se tenho nos passos uma canção

Sabe melhor e nem precisa adivinhar
não tenho o sol nos olhos,
mas carrego seu reflexo no olhar

São avenidas, canções, idas e vindas
o céu no peito e no peito esse sonho

Que sonho gesta sonho
e quem sonha não cansa em sonhar

Meu delírio é o sonho do sol
minha vida quer como o sol
assim dia qualquer quem sabe noite dessas...

sábado, 8 de setembro de 2012

Braille

Uma criança me acenou com um sorriso
então não era apenas um sorriso

Estava olhando para o chão e
então ela sorriu para mim

Fim de tarde e eu contava as moedas
esperava por uma ligação, ignorando o fato
de que as vezes a sorte
acena em um pequeno detalhe

então mãos nos bolsos eu apenas sorri em resposta,
enquanto meu ônibus não chegava e os cigarros acabavam

Sem brilho algum e a esperança
é mesmo uma fé que nos guarda do medo

Em uma rua você pode não perceber
pela vida você passa sem ver

Uma moeda não trás sorte
mas e se esse é o destino
apenas pegar o ônibus atrasado te fara bem

Sem estrelas para olhar eu segui atrasado
minhas mãos procuram nos bolsos uma razão
meu olhar cansou de perseguir o horizonte

Mas uma criança sorriu
e me deu uma moeda

Eu estava atrasado
Tomei o ônibus atrasado

Mas uma criança me sorriu
e eu pensei por um momento
em quem deveria estar lá...

Segure um pouco o céu

Segure um pouco o céu
apenas espere por mim
as estrelas vão entender

Não pode ser ruim se for real
não é a ideia central ser maior?

Então é assim como se o destino
fosse um pequeno brinquedo

crianças estão brincando
enquanto a vida segue...

A noite tem muitos lugares
o melhor seria inventar outro

Escute uma canção qualquer
por favor a torne maior

Comece levemente e então recorde
que houve um período antes
e isso foi bem antes de agora...

Dentro dos olhos
através das vitrines

Então segure a noite, sim?
Não se esqueça de deixar as estrelas sorrirem,

sabemos como isso pode durar
e se for real não pode ser ruim

Enquanto o destino se mascara em brincadeiras
meu dia vai esperar por aquele caminho quieto

então sabemos e não se pode evitar
dentro dos olhos e através das ruas

Feito um pássaro que canta a mesma canção
e a estação se encarrega de nos fazer ouvir melhor

Segure um pouco o céu
pegue uma canção qualquer
me faça recordar do porvir...


terça-feira, 4 de setembro de 2012

Estranhamento

Estranho, não estou conseguindo escrever, tive um sonho feliz essa manhã, um ótimo almoço com o meu pai, meu cachorro fez festa quando me viu chegar, estou feliz, sei que ainda falta algo, mas estou feliz, comecei a ler novamente o Brecht, estou feliz, essa noite voltando para casa, mesmo em meio aos chuviscos, olhei para o céu e vi um pouco da luz da lua entre as nuvens e as gotas de chuva iluminadas pela luz amarelada dos postes da cidade, bem como a cor dourada que a iluminação publica empresta para as poças de água nos buracos das calçadas, tudo isso me deixou feliz, contente feito criança antes do Chanukkah, mas sabe anda faltando algo, é tanta alegria, vontade de abraçar alguém, vontade de dar a mão, de passear qualquer dia no final de uma tarde, estou feliz, mas tem algo ausente e essa ausência me incomoda, não me deixa escrever.        Pois sou amor e tenho amor, mas reside em mim aquela sede absurda por aquela gota d'agua que transborde o meu copo. Quando olho uma criança, logo me alegro, faço cena, invento qualquer graça.
Posso ter comigo essa alegria, essa euforia que parece não se gastar aos olhos dos outros, sou feliz e tenho me esforçado em tornar o próximo feliz, pelo menos rir. Mas sempre vem essa sede, essa vontade de me dividir, de compartilhar, partilhar, aprender e sentir novamente a humanidade em mim, dentro do meu cotidiano.
Não se pode ser feliz sozinho, por trás do herói existe sempre o complexo e o medo da solidão, por trás da liberdade, existe a angustia, existe a angustia pois ser livre é viver a liberdade, estar só é apenas se anestesiar, não é possível ser feliz sozinho, quem ri sozinho, não ri, se desespera. Por isso quando ando por ai, quando volto para casa, quando deito na minha cama, quando leio meu jornal todas as manhãs no metrô, enquanto tomo o meu chá, são objetos, são só coisas e tudo ao redor delas, extensão daquilo que sou ou projeto nelas. Tenho medo,não sou medroso, mas tenho medo, insisto em encorajar os outros, mas tenho medo, não sou o medo, mas tenho comigo algum medo, as vezes frágeis detalhes, as vezes apenas manias infantis, inseguranças próprias da vida na cidade. 
Estou feliz, tenho olhado as coisas, tenho visto as pessoas, com mais compaixão, com mais afeto e esperança, me nutrido de fé, me reinventado com paixão, meu jardim, meu fogão, minhas margaridas, meus amigos, meu cachorro, minha gata, meus discos, estou feliz, tenho paz, mas algo me inquieta ainda.
Não vai adiantar muito escrever peças, poesias, propor parcerias com músicos, recitar em festivais, não vai adiantar, não tem choro e nem vela, alias tem choro de sobra pra vela de menos. Viver é uma ciranda, dar as mãos, cantar mesmo que cada um, cada um cante uma canção, no final o que importa é dar as mãos. Por melhor que seja o uísque, o cigarro ou o filme, lá fora existe vida, e é a vida que tudo inspira ou deveria em tese inspirar, fazer reparar nas pernas da moça, se faz sol ou chove, que horas são, esquecer nomes de ruas, sentir náusea no centro depois do ultimo trem, querer o ultimo bar, cantar com quem canta na rua, abraçar uma criança ou simplesmente fazer graça para faze-la sorrir, lá fora é a vida. Lá fora algo me angustia, pois estou feliz, sim estou feliz, mas não estou contente por completo, não sou livre por completo, como se no meu sorriso faltasse um dente, como se durante a semana o tempo prolongasse o por do sol só de pirraça, como dizendo que eu devia ir lá fora, ligar para alguém, procurar bar sem fila no balcão, ficar amigo do novo garçom. 
Talvez minha alegria seja culpa, talvez o meu pecado ainda não exista, quem sabe se inventei o meu próprio crime, o certo é que todas as respostas merecem ser respondidas por uma voz diferente daquela que as fez, feito o sol distribuído nas diversas horas do dia, feito a chuva que molha tudo quanto é qualidade de gente, banhando assim a cidade, nivelando assim a todos, nessa metáfora climática sobre esses tempos modernos. Talvez minha angustia seja culpa, seja medo, talvez essa alegria seja carnaval, talvez essa angustia seja aquela sensação de que é inevitável, para toda euforia, sempre haverá quarta de cinzas, mais dia, menos dia, mas estou feliz, não importa isso agora, importa chamar alguém pra sair, importa pouco se levar bolo, pegar ônibus errado, tomar sorvete, chegar atrasado, importa mais o que mais importa, é que lá fora é a vida, essa casa gigante repleta de janelas e sem nenhuma porta.