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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Receita de Bolo


Eu queria mesmo é conseguir cantar a moça, que outro dia no bar me mostrou o pé, queria mesmo é dizer que adorei a rosa que ganhei dela no almoço, quando por acidente nos vimos, eu entrando no restaurante e ela passeando pela rua. Queria ter forças para escrever hoje, não é que a fonte secou, trata-se de ter me esforçado tanto em um poema e não conseguir escrever nada  bom por esses dias.
Eu queria poder escrever sobre os pés dessa mocinha de sorriso e olhos singelos, doces e inquietos. Ao celular com o namorado, se sentando na sarjeta entretida ao discutir com ele... Queria dizer como gostei quando me mostrou seu pezinho delicado, como ri já pelo álcool, tentando entender dentro de cada palavra algum significado. Eu queria tantas coisas, queria mesmo é não querer tanto assim querer tanto. Sonho demais, amo demais, me dou demais e nunca, nunca o filme tem a trama ou o desfecho momentâneo que espero. Não bastou mandar flores, agora as recebo também, não bastou escrever poemas, não bastou mesmo, ninguém nunca me fez um poema! Não bastou demonstrar minha ternura por pés, confessar que entro em pecado original se vejo uma sandália feminina e uns pés delicados... Não bastou, nada me basta, por nada me bastar é que não bastaria um sonetinho qualquer: duas quadras e duas tercetas. Tinha que escrever um acrostico de cem estrofes, sob as ameaças de os parágrafos entrarem em greve, as virgulas já protestando no meio da rima por terem sido esquecidas.
Eu queria mesmo é cantar os pés da moça que me mostrou os pés, com a mesma graça e com a mesma força, capaz de imitar a alegria num verso que seja poesia, que seja sobre os olhinhos sorridentes dela ao me mostrar seus pés.
Eu queria mesmo é não ter escrito esse poema gigante, ter bebido menos, ter fumado menos, não ter me importado tanto, queria ter ficado mais, ter tido coragem de pedir a moça para ficar mais um pouquinho e ter agradecido a rosa que ela me deu... No final o cosmos ajuda, no final ele me dá uns toques e eu vou coração mansinho e pacifico deitar tranquilo no colo dessa ou de outra, afinal o que todo gigante precisa mesmo é saber que existe um lugar onde ele é apenas um menino.


                                                               Um beijo do amigo do Lennon
                                                                 Youssef Igor

Um comentário:

Betão disse...

Parabens, muito bom.
Suas poesias sao como transpirãção de sua alma e vc um otimo escritor...
Abraço.
ALberto