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segunda-feira, 12 de março de 2012

Shoah

Ela se abrigou no sótão de um dos vizinhos
por três verões não se ouvia seu sorriso tímido
as cores iam desaparecendo na nevoa da agressão
em sua antiga casa uma nova gente passeia
fuligem e  pavor tinge seu rosto
que empalidece e perde a doçura
cicatrizes do medo uma vida não pode apagar

Um lugar sagrado chamado esperança
como fumaça se esvai
seres uniformizados desfilam em sua busca
outros iguais são os outros indesejados
e seu sorriso se acinzentou por três verões

Quando a noite é uma porta e o jantar uma ração qualquer
ela sonha viver e se despede de desejos naturais
seu rosto aos poucos empalidece
na ausência da maquiagem alegre
sem os dias que antes variavam
apenas agora e agora é como sempre
e será por todos os dias se todos os dias se estenderem
se todos os dias assistirem no futuro uma esperança

A fuligem ainda irá empoeirar seu rosto lindo e timido
em uma lembrança  de bem atrás quando agora acorda
o espectro de dor e privações estreitará nas ruas de sua ideia
pois um dia ela sorriu e foi linda mas isso foi antes deles chegarem
isso foi antes do sótão e das revistas periódicas á sua procura
isso foi antes da ocupação alemã na França

Antes disso ela sorria e era linda
em seu futuro outros sonhos
outros sonhos antes de ali mas que durante o terror
se substituíram por apenas resistir
quando viver é um delito resistir é a unica esperança

Três anos em um sótão
três anos e seus olhos azuis perderam a cor
sua pele branca  tornou-se fuligem
e a esperança um delírio

Quando a guerra termina ela disse
quando ela termina restam os pedaços
que  não se pode recompor
ainda sonho estar com fome
ainda acordo e falo baixinho
as vezes  imagino onde estaria
e quem seria se certa manhã
eles não tivessem invadido a França.

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