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quarta-feira, 7 de março de 2012

Pós- maravilha

Ensaiei um tom diferente de voz para  te dizer aquilo
testei meus motivos diante do espelho enquanto me barbeava

pensei bastante em que roupa vestir para você
engraçado pensar nisso agora que estou  aqui e desisti

Em um filme 45 minutos bastam e  muitos meses se passam
intrigas filmadas sem efeitos dramáticos reais o bastante
para a possibilidade do perdão ser considerada sem  dor
um estranho olha do outro lado da tela e se identifica com as cores

A tela quase salta iluminando a ilusão que quer ensinar um pouco
e ali diante de um toque os sentidos se traem em cada chance

Eles pedem por mais uma tomada e parece mesmo necessário
uma nova temporada quando sabemos que o final  é previsível

Agora circundam o lago e quase se pode ver uma casa adiante
mas chegando lá era apenas um poste de luz
iluminando o exato lugar onde nossos caminhos se tornam antítese

No céu uma lua brinca de olhar enquanto anulam o tempo
catálogos telefônicos dispensando anúncios prévios
de sua urgência temporária e fútil demais
estamos revendo um antigo filme significativo para nós

Guarde sua bandeira e atravesse a cerca agora
ainda tenho aquele caderno que estava fazendo para você

Exposto na prateleira esquecida de suas estorias
distante como uma religião ancestral de obsoletas esperanças

Enquanto houve um quintal seguimos o combate
mas a primavera de nossos pés
cedeu lugar ao outono de minhas lembranças

Amanheci  em letras miúdas e preteridas
feito um calçado fora de linha

Sem um par para auxiliar
todo caminho é dobrado

45 minutos para o cinema bastam e meses se dissipam na película
entre cenas e falas a ilusão tenta ensinar a pedagogia do tempo
mas os ponteiros espetam o coração que se inquieta na desatenção
pedagogia do tempo ensinando ao mar não avançar diante da praia

Ensaiei um tom diferente de voz para  te dizer aquilo
engraçado pensar nisso agora que estou  aqui e desisti

Ainda tenho aquele caderno que estava fazendo para você
e ali diante de um toque os sentidos se traem


Mas a primavera de nossos pés
cedeu lugar ao outono de minhas lembranças
distante como uma religião ancestral

Em obsoletas esperanças me esqueço de lembrar
que ao menos em tese o plano era te esquecer.

Um comentário:

Jaqueline de Lira disse...

Ainda tenho aquele caderno que estava fazendo para você,
Onde pus os meus poemas e a esperança de um beijo.
Como um filme mudo, em que um breve olhar diz tudo,
minhas palavras podiam ressuscitar teu desejo.

Mas o filme é um drama, e sou coadjuvante
esperando sempre o seu olhar pousar em mim,
tragar a minha essência, revirar a minha alma,
e ir embora sereno, pra ficar mais bonito o fim.