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sexta-feira, 2 de março de 2012

Carta de amor para uma musica que ainda não nasceu

Recordo como parti. Não preciso de muito para isso, recordo apenas de uma ou duas palavras, e isso foi todo o discurso final. Mariposas não se precipitaram até a luz anunciando o final,  sequer uma estrela  cadenciou na noite anterior em sinal de luto próximo. Não sei direito que reis estavam no poder, sei dizer apenas que talvez, e ainda sem uma certeza concreta, talvez em Pirapora alguem  em um descampado sonhasse, mas isso, até isso são conjecturas. 
Estou tão leve agora, como se estivesse entre nuvens, mas essa lembrança, essa lembrança me traz de volta sempre, estou suspenso de alguma maneira também, entre a realidade e a possibilidade de tudo ser apenas um delírio. Sabe aquela tarde quando você não vai trabalhar e sonha que esta chegando atrasado no trabalho, acorda pensando que perdeu a hora, eu acho que perdi a hora, lembro exatamente desse momento, talvez o que eu chame de partida agora, talvez devesse se chamar atraso. 
Uma tarde chuvosa ou um dia qualquer esquecido como um palito dentro de uma caixa em um fardo de caixas de fósforos, e meus dias deitados na apatia de não levantar-me sequer para acender um cigarro, todas essas alegorias derretem ao sol  tropical da minha cabeça, cogito tudo e prefiro  cogitar como sonho, mas não existe ninguém possível quando acordar, acordo no meio da noite e afago um pensamento, minhas mãos querem alcançar um céu de metáforas onde cada estrela significava algo que queria dizer ou apenas um nome familiar, chamar pelo nome de alguem e sei lá...
Eu lembro quando parti, lembro que fazia sol, não houve uma noite ou uma barcarola anterior ao canto derradeiro, ali na frente de um domingo  familiar, enfileirado entre filmes e poesias piegas, inserido entre as novidades de durante a semana sem um ao outro, como se todo o tempo fosse um ano inteiro e agora é quase isso. Exílio é quando seu coração bate em outro fuso-horário, a lua é uma bacia de prata expondo cada letra que compõe a palavra adeus. 
Não existem centros de convivência possíveis quando a esperança é uma casa vazia e lá dentro há apenas uma vitrola cantando essa canção, a canção de amor que ainda não existiu. Sofro uma saudade, e é uma canção sobre um lugar de onde parti,  só consigo pensar se eu realmente parti ou foi apenas mais uma canção que cantaram em meu sonho.

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