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quinta-feira, 29 de março de 2012

Mulher Triste

Como é linda a mulher que sabe ser sozinha, com sua penumbra de solidão noite adentro pelos bares do centro, sentada em banco de estação, pegando o ultimo trem para um destino que apenas supomos. Como é linda, pois são lindas as nossas suposições, as armadilhas do nosso pensamento, as esquinas de nosso delírio...
São lindas as mulheres tristes, não somente pela sua tristeza, aparente em um sorriso tremulo, mas pelo que imaginamos ser a razão de sua tristeza, o passado que condena ou absolve, o perdão não concedido ou o pecado por ser reparado,  feito um fardo ostentado na maquiagem forte para enganar um pouco a melancolia que transparece entre um gole e outro, o trago seco do cigarro que tece sua cortina de mistério enevoando o imaginário de quem a observa. Ela torna-se linda ali parada, calada para qualquer resposta que seus gestos possam responder, cada minuto ali sozinha, sem a figuração de um amigo, namorado, noivo ou o que quer que seja, na urgência de uma ultima hora, seu desespero gasta mais os outros que supõe ela gasta pelo desespero, por isso é linda uma mulher sozinha, por isso é tocante uma moça no bar, por isso são sempre intocáveis e inacessíveis demais.
Mulher triste é feito estrela, com um brilho que encanta e embala fantasias, mas sempre distante, distante demais, elas tem o encanto maduro da quarta de cinza, o charme antigo de Edith Piaf e a nostalgia de uma antiga canção de amor dos anos 40.
Elas são lindas, não pela beleza, alias a beleza nelas passa por algo que hoje está em falta, não é palpável e nem tão em voga, um mulher triste é linda, pois nela vemos um pouco como somos com elas, são lindas pois as olhamos desarmados.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Nem só Pelé vive a glória do esporte: Millôr (modestamente) vai completar 5.000


* Texto de Millôr em homenagem a Millôr falecido hoje.


Negócio seguinte: até hoje não tenho feito reivindicações quanto a direitos meus. No pretenso anarquismo que me atribuem, figura justamente o princípio da suprema maturidade em relação ao meu semelhante, ou seja, cumpro o meu dever sem exigir o meu direito. (A não ser quanto às autoridades. Ao contrário do que elas se arrogam, no Brasil, elas não têm nenhum direito e têm todas as obrigações.)
Assim, sendo, não faço barulhos que incomodem o próximo depois das dez (os barulhos que faço não incomodam) e não reclamo dos barulhos alheios. Quando o cara vem na contramão (eu sei que ele está apenas corrigindo mais uma burrice do Kamerade Celso Franco, dono do Detran) eu me afasto pra deixar ele passar e não grito indignado: "Contramão!". Os poucos prêmios que recebi por minhas atividades pseudo-artísticas, eu devolvi às comissões subintelectuais que me distinguiram (ofensa não!).
Mas agora, bem, agora é demais. Agora sofro injustiça tão grande, tão clamorosa, numa atividade a que estou tão intensamente ligado, que não posso deixar de protestar. Não tenho nada contra Pelé ser homenageado de todas as maneiras ao completar 1.000 vezes em que mostrou sua potência específica, vazando o adversário, fazendo balançar o véu da noiva. Mas acho o seu feito meio fajuto perto do meu. Eu merecia muito mais: estou, posso dizer em absoluta honestidade e precisão, me aproximando da cincomílima vez em que faço o mesmo. No meu campo, é claro. Que tem apenas 1,90 por 1,70, não atrai o público pagante, não tem crítica especializada, mas nem por isso é menos popular do que o Maracanã. Acontece, porém, que minha atividade é um pouco mais difícil do que a do Divino Crioulo. Não é mole não. Não é, nem pode ser.
Coisa esta: depois de precisa contabilidade, descontando todas em que minha memória pudesse estar me traindo, apelando para as memórias de velhas amigas com quem tive oportunidade de me confrontar em dias idos, cheguei à conclusão de que estou muito perto das 5.000. Aliás, sei com exatidão a conta mas não pretendo divulgá-la ainda, por motivos particulares, sobretudo para evitar pressões: "Como é Millôr, sai hoje a 5.000?" "Como é Millôr, entra hoje a 5.000?" "Epa, Millôr, quem é a tua Andrada?" "Como é, Millôr, a 5.000 vai ser na Bahia, ou aqui mesmo na Guanabara?"
Cinco mil! Muitos pensarão que exagero, mas acho que sou até modesto, que estou me colocando dentro da mais absoluta normalidade, numa sóbria média de 3 por semana (não sou nenhum caso A.D.), com apenas uma dezena de goleadas através de minha vida profissional. Dentro desse esquema tão raro (que é a normalidade) os 1.000 de Pelé, pra mim, são pinto. Pinto, eu disse? Escapou-se-me a palavra.
Como ele, já penetrei na meta adversária driblando outros, já entrei com bola e tudo, de bicicleta, de saída, quase no fim da jogada, quando pensavam que eu não ia conseguir alterar o marcador, já entrei de lado, com violência, na maciota, na banheira, com malícia. Em suma: posso dizer que já fiz profissionais competentes engolirem frango, nunca marquei gol contra e já joguei em todas as posições. Tive, sobre Pelé, apenas uma vantagem, o adversário também objetivava o gol. Queria deixar entrar.
Minha carreira começou numa pensão da Glória. Mariazinha sem sobrenome (o meu Zaluar), registrou meu primeiro tento, depois de impedir algumas tentativas (na verdade não apreciava muito o esporte).Seis ou sete anos depois eu completava, sem que a imprensa desse a menor notícia a respeito, a número 1.000. Meu Andrada foi uma moça de São Paulo, (sempre adorei São Paulo) e, como o craque argentino, também chorou de emoção, embora, acredito, não pelos mesmos motivos. E, nos meus 1.000, foi o adversário vencido quem beijou a(s) bola(s).
Meia dúzia de anos depois, também sem nenhuma badalação (e não era por falta de badalo) eu completava a 2.000. Já então havia televisão. Vocês pensam que o Heron e o Rubens Amaral se cumprimentaram pelo meu feito? Nunquinha. Nem tomaram conhecimento.
Também minha contagem de 3.000, da qual saí com séria luxação no menisco (é menisco que se chama, pois não?) passou despercebida de tudo e de todos. Às manchetes do dia eram sobre a guerra fria. É por isso que os jornais não vendem. Se O PASQUIM existisse, evidentemente, teria dedicado sua primeira página à paz quente.
A número 4.000, homologada em ambiente próprio, com uma praticante cheia de vigor, foi feita (a atitude de Pelé é pura imitação) em homenagem às crianças pobres, pois a moça se preveniu com pílulas para evitar aumento de população e suas conseqüências sobre o pauperismo nacional. Ainda desta vez a publicidade não registrou o fato, o feito, e eu, discretamente, fiquei na moita (que, aliás, era onde eu estava).
Mas, agora, chega! Agora os veículos de publicidade têm que tomar conhecimento, a mass mídia tem que reconhecer e propagar o que faço. Agora a injustiça tem que ser reparada. Agora a imprensa tem que acompanhar passo a passo os meus passos, a televisão tem que mandar seus câmaras atrás de mim pra me dar cobertura enquanto eu, por minha vez, dou a minha.
Ainda não decidi, nem cabe a mim decidir sozinho (pois a coisa depende de circunstâncias e oportunidades) onde, como e com quem vou me defrontar para a 5.000. Terá, naturalmente, que ser com uma adversária à altura. Parece que o governo da Guanabara já está disposto a me oferecer a Praça General Osório, pra que a imprensa estrangeira possa também fotografar o magno acontecimento. Depois do sucesso do entrevero entre dois jovens na Ilha de Wight todos concordam em que esse esporte de alcova tende a se tornar público. De qualquer modo, o local ainda não está definitivamente resolvido, nem a modalidade conveniente para o atoque deverá motivar os mais jovens, tão carentes, ao que dizem, de inspiração nesse setor.
Questão fica assim: preciso me resguardar pra não realizar a 5.000 em local inconveniente ou momento inesperado, cedendo à provocação de uma amadora ocasional. Pois é evidente que vai haver muita provocação por parte de pessoas não credenciadas, que quererão participar da glória do evento. Tenho que me cuidar para que não me raptem, não me forcem, não me obriguem à 5.000 em local indevido, hora imprópria, pessoa inadequada. Também antes que os gozadores (lato senso) da praça (General Osório) comecem a propalar que talvez eu não consiga, que talvez eu pincele (o verbo pincelar vai aqui em homenagem aos pudicos, para não usar palavra referente a pincel mais grosso), afirmo logo que considero isso natural, no caso, e acredito mesmo que consiga chegar às 5.000 com excessiva facilidade. Pelé não tremeu, não se emocionou, não demorou a marcar o seu modesto milheiro? Nada mais natural que eu também fracasse algumas vezes diante da meta (atenção revisão: sem circunflexo ). A responsabilidade é enorme, o país inteiro está de olho em mim.
Mas eu chego lá. E garanto que, desta vez, tenho à mão inúmeros meios de divulgação, para registrar o feito histórico, senão único, pelo menos raríssimo neste mundo de incomunicabilidades. Pois a aldeia é global, mas ninguém come ninguém.
E, seja como for, mesmo que toda a imprensa comprometida com a glória de Pelé me ignore, me abandone, me sabote, tenho comigo, fielmente, os meus amigos d'O Pasquim, que já se cotizaram e, na passagem do grande acontecimento, vão, publicamente, me oferecer não uma, mas duas bolas de ouro.

Millôr morreu, viva Millôr!

Morreu hoje Millôr Fernandes, para qualquer um dos mais informados ele era apenas um colunista de humor da revista Veja ( todos temos que ganhar nosso pão de alguma maneira infelizmente). Mas o que uma parcela ignora é a contribuição bem humorada de Millôr  na luta contra a ditadura militar, trouxe o  uísque ao jornalismo e a praia a redação, criou uma outra maneira de narrar o cotidiano e cunhou frases e expressões em voga até hoje, Millôr e a turma do Pasquim, representaram bem um setor que segundo o próprio era a esquerda festiva, aquela galera que que toma cerveja, pula carnaval  de rua e adora um cachacinha é claro, sem a carga de seriedade daquelas outras figuras que mais parecem soldadescos sisudos e sem senso de humor algum. 
Pois é minha gente Millôr morreu, Henfil também, da velha guarda só restam mesmo o Ziraldo e o  Jaguar, publicações como o Pasquim não triunfam mais, lê-se cada dia menos, e quem lê cada dia mais sorri cada vez menos, vai ao bar cada vez menos, ter senso critico tornou-se uma nova maneira cinza e azeda de apartar-se das alegrias cotidianas e da criatividade. 
Por isso hoje não morreu apenas um cara que nasceu lá no Meyer, morreu m pouco da vadiagem do Méier e do humor despretensioso e rasteiro Made in Pasquim, morreu um pouco a cultura dos trocadilhos e artigos que repletos de zanga eram engraçados só pra  zangar mais o governo que nos proibia de nos zangarmos. Morreu hoje um pouco do Pasquim, um pouco de uma maneira mais imaginativa de se fazer jornalismo, morreu um dos bastiões do jornalismo sem gravata e sempre com uma cerveja gelada ou um uísque na mesa para ajudar a fluir  a maquina de causar risadas.
Morreu hoje um dos ídolos desse que vos fala daqui mesmo, fonte de inspiração para piadas e manifestos desaforados, perguntas descabidas e saídas no minimo fantasiosas, morre hoje um pouco o que morrerá também um pouco quando Jaguar e Ziraldo se forem, morre um pouco de mim, desse que sou quando escrevo, desse que sou quando penso  humor,quando penso politica, quando  converso  com meus amigos no bar. Millôr  sempre será o gênio do Méier, sim já existiu vida inteligente na zona norte carioca...

Insondavel

Um segundo em minha mente e você não aguentaria
todo o tempo palavras juntas e  cenas  e musicas
imagine como eu imagino tudo e se perda

Improvisar é o provável lembrei agora esquecerei adiante
rastros de vapor e planos demais e é sempre assim

Estique o pescoço e veja  a ferrovia seguir do campo para a cidade
cortando portos despejando-se em litorais e  postos

Um segundo diante de mim apenas e a logica se vai para outro lar

Lembra quando fiquei  ruim naquela noite e todos foram embora?
Pois é você ficou naquele corredor esperando o medico revelar meu quadro

eu estava tão bêbado naquela cama  fria e naquele quarto frio
te imaginei lá lembrei esses dias e lembrei que  isso foi apenas imaginação
pois você foi junto com todo mundo e eu fiquei lá sozinho

Lembra quando eu encarnei o religioso e não sentava ao lado de moças?
E quando eu decidi apenas ler literatura russa moderna por um ano

você me apoiou quando decidi que aprender hebraico seria genial e lindo
e levou uma faca para gravar nosso nome em uma arvore em um parque

Um segundo e minha mente e seu universo cairia de vez
mil canções melhores que as que o símio pode te cantar

poesia de estanho e vapor onde só as estrelas podem imaginar
mas estanho é matéria pesada tão complexa quanto a cidade e o amor
e o céu não sabe muito sobre o que eu quero rimar

mas enfim esse verso e sobre como eu sobrevivi
a super doses do que construíram para me derrubar

Ainda não invetaram  tombo e nem escada impossível
onde eu não  me recuperasse e quisesse dominar

Punho cerrado olhar absurdo eu canto uma canção só minha
eu  me exilo em um universo  confuso
chamo de estrada o que é ideia
e de meu lar  meu canto escuro

eu mesmo
só comigo
apenas isso


Não espere uma fantasia  real o bastante para se viver
fantasie apenas e faça como eu
já nem percebo quando estou
e se ainda vou

Apenas não se concentre em como eu reagiria
pois não sabe o preço de um segundo em minha mente
um preço insondável  para sanidade você pagaria

soneto pós 27

O importante deixou de se comunicar
uma vela apagando o horizonte 
ninguém está na sala
ninguém está olhando para o céu agora

Uma estrela é tão somente mais uma estrela
-la é sequer ter a certeza de olhar uma estrela
supõe que ela já não exista agora
e quem vai adivinhar a explosão e sua exata hora

Um anuncio no jornal para vender a alma
um café e um cigarro
a vida esqueceu a poesia e o dia toda a calma

eu quis ser só mais um abraço
As vezes eu nem sei do que se trata
e outras nem sei bem como tratar...

terça-feira, 27 de março de 2012

morte no palácio

os senhores dos palácios desconheço
Distante estou do mundo triunfante
parece que ser livre não mereço

Doente e só no escuro quieto amante
dos trapos; restos de justiça dominante
humilham-me por trajar-me o avesso

Apenas por tua morte tenho apreço
nada mais fulgura em meu semblante
saúda-me odioso e pedante

meus dentes apodrecem ainda brilhantes
trementes onde os lábios arrefeço
No futuro o tremor será o começo

Embarcação

Minha embarcação segue adentrando um mistério
uma noite ou mais estaremos lá eu acho...

Cabeças cortadas e mitos do mar
tripulação embriagada rolando
em um convés dançante praguejamos
ao oficio que nos prende e exila de amores

Mais de um mês sem meu amor quem sabe se o tempo for bom

toda esperança é agora uma prece:
viver para envelhecer
viver para apenas envelhecer

Em sua sala o almirante escuta os estalos
é a definitiva vez...

Definitiva vez
ele cogita adulando sua crespa barba branca
tropeça em seu timão
se agarra aos mapas

Eu apenas me recosto em minha cela
sou um maldito entre solitários e exilados
minha doce tropa em algum porto-prisão
ponto de fuga e ideias
se amotinando ao gosto da maré...

Enquanto isso  pela proa e a este bordo
o velho chora canções de corso e azar
eu sou o prisioneiro e o velho
e as vezes minha tripulação

Amotinando ideias antes do naufrágio
em uma prece peço
e na outra antevejo

Da proa ouço a hora definitiva em um estalo seco
é o firmamento  em seu derradeiro grito

Nadar apenas agora e é o resumo da opera
a maré nos levará quando for necessário apenas
nos legará ao confim necessário se for o destino

Ventos e tempestades atravessam o olhar
que insiste em buscar o essencial

No porto um antigo amor não espera
só mais um cerco e a guarda da província

naufragarei em tua posse com minha liberdade

27

Você esqueceu como era nossa canção
e a cantávamos ontem consegue lembrar?
Cantaríamos hoje mas você desligou as luzes

Parecia fácil cantar mas
foi ainda mais fácil esquecer

E veio ou outono não foi isso mesmo?
Estou  esperando aquela carta endereçada
estou esperando aquela nossa canção novamente

Mas as notas embaraçaram nossa harmonia

Para que  esquecer o que te trouxe até agora
se é um caminho longo e somos os mesmos

ainda falo por mim e você?

Sobrevivi aos trancos cantarolando certas canções
                                            tenho seu nome ainda
                                      tenho seu endereço ainda
                     tenho seu perfume em algum caderno
    lembrei que nunca mais pisei naquele nosso lugar

Abra seus olhos e veja o real agora
o sonho ainda segue se contrapondo
feito um verso que insiste em aparecer em novas canções

Aumente o som de seus fones e pegue um trem lotado
todos farão lembrar aquele cara que lia o horoscopo

Na fila estão os mais velhos roubando sua vez
mas você não pode ver direito agora
afinal ainda me espera em sua janela

Ainda respondo por mim e você?

Todos os dias 27 são assim e há quem desconheça o motivo
pois eis a razão aqui  rimando sobre nossa canção

falando de como você esqueceu uma canção que era nossa
e ainda ontem cantávamos juntos e hoje é apenas uma janela
aberta para o passado feito um portal assobiando solidão

           Não esqueça nunca disso
   nunca esqueça como esqueceu
         nossa canção
                             nossa canção
sim você esqueceu nossa canção

                                                             Hoje é 27 e mais um mês...
                                      Nunca esqueça.




domingo, 25 de março de 2012

Por que você não cala a boca!

Vamos nos acostumar a falar menos, ouvir mais e tentar entender metade de tudo isso pelo caminho. Não se trata de uma nova filosofia ou uma adequação aos novos meios e como as relações se estabelecem, trata-se apenas de tentar me ouvir mais no meu silencio e tirar lições disso, sem um norte de certo ou errado. Não para agradar um setor, cuja vaidade faz crer os mais notáveis traços de frieza e intato, como franqueza revolucionaria ou o que seja, pois para a patrulha o gesto que não se modula em sua moral, é irremediavelmente sujo ou marginal, príncipes de seus principados imaginários de questões supostamente importantes, mudarão o mundo para uma maneira mais humana eles deliram, contudo esquecem que sua frieza e distanciamento, camuflados em uma rigidez, escondem um traço ou ranço stalino, onde a liberdade do outro se expressar é tida como algo que se não passa pela realidade sempre, é condenada, condenam o mundo e sua alienação e se alienam em um ambiente  supostamente inalienável e higiênico. 
Tenho sempre uma certa cautela quando jovens ateus falam da revolução russa, como o paraíso na terra, fico pensando que o bolchevismo é possivelmente uma variação hibrida do catolicismo irlandês, com seus fiéis fazendo proselitismo irracionalmente radical, com métodos no minimo infantis que nos lembram adolescentes  espinhentos jogando RPG nos porões de certas tardes.
Não vou falar de amor livre, não vou falar de um futuro promissor as massas, não vou falar de o quanto o outro é menos puro ou menos radical que os outros, retrogrado, reacionário, homofóbico, xenofóbico, racista,  nonsense, sionista, classe-media, burguês, pequeno-burguês, machista... 
Vou guardar meu silencio selando meu caminho, pegar mais sombras, escrever mais, ir mais ao teatro, beber mais com gente de verdade, ler os livros proibidos e individualistas demais, pois acho muito estranho quem advoga uma sociedade livre de amarras, fazer patrulha do que eu penso ou como reajo as situações mais costumeiras e inquietantes do cotidiano humano.
Vou pescar co meu pai, ir a sinagoga aos sábados, estou pouco me dando com quem minimiza as coisas em um lado bom ou ruim isso é simplismo demais até para as religiões, é desaconselhável as artes e ao cotidiano, é restritivo demais para soar como liberdade e emancipação, tem rótulos demais e rotuladores de sobra para que se apelide de revolução.
Por isso vou guardar meu silencio em paz, conversando com gente de verdade sem a pretensão de muda-las e permitindo que o tempo, e apenas o tempo me mude, sem agentes dessa ou daquela sigla, herdeira disso ou daquilo, que reivindica isso ou aquilo, minha liberdade não é e não pode ser tutelada por uma revolução ou por uma liberdade que não entendo como minha, portanto  aos pretensos revolucionários ( herdeiros na verdade do legado censor de Stalin) ai vai o meu silencio, não para vocês , mas por vocês, afinal são a vanguarda da nossa geração, os escolhidos de seu próprio messianismo sem messias. Aproveitem a fantasia, tenho coisas demais para fazer, e uma delas é conquistar minha liberdade sem a pretensão de ser aceito, a unica aceitação que minha liberdade permite é a minha, não preciso do crivo stalinista de quem censura as vozes discrepantes.

sábado, 24 de março de 2012

Sahara

Ele esta olhando de sua mesa
 um lugar onde ele não possa estar só

seu corpo está facilmente retraído
essa noite nos fez respirar melhor

Uma flor branca cujo perfume esqueceu a solidão
breve ilusão fácil ele está se curando...

A perfeição é uma mentira que o amor contou
olhe um pouco para a luz que nos faz chorar

Seus papeis emoldurados numa grade de  perdão
como esquecer?
como esquecer?
como esquecer?

Depois da avenida um ponto onde todos os pássaros vão
nos servem de anuncio e nos consomem por  amizade
favores da natureza nos olvidando de um margem amarga

Me veja só e estou na mesa ao lado
cuidando para te levar em um pensamento

tomo minha cerveja enquanto canto um verso qualquer
minha solidão chama por um nome que soa feminino e

quer chamar bem pra perto 
por ela que será minha mulher

sexta-feira, 23 de março de 2012

Meir


Seu sorriso russo
batalhões de luz combatendo os húngaros
cativo de seu truque clandestino
refugiada em um humor anti-vermelho
seu trejeito ortodoxo e os conselhos do rabino
toco sua mão e esqueço outro toque

Sopa de tomate fria e ao seu lado
cinema francês e relembrar o Renascença
seus sapatos de verniz e salto modesto
meia fina e clara olhos claros também
batom  bem comodo e pele branca
sorriso tímido e doce contida em suas conclusões

Seguro sua mão e estou te deixando em casa
incrível não é como são nossos sábados?
Espera para ver como vai ficar quando te beijar
sigo até a próxima esquina
dobro e sigo até a estação
coração normal eu pensei
mas já estou cativo por você


O amor mudou de fuso horário
o amor mudou de cor
o amor tem religião oficial
e grupo étnico
vai aos sábados a uma pequena sinagoga...

Conteste

Um lugar para ir e não ficar visível
sentidos desligados por alguns momentos
entenderemos isso como um sinal
entenderemos isso antes
de cogitarmos arrebentar a porta
                                  eles dizem
                                  eles dizem

Seu amigo de poluição e luz abraça a solidão
            aperte sua mão antes do sonho continuar
                        não é seu aniversario e talvez nunca seja

             Dentro de uma noite onde existem varias noites
          a mentira como propaganda eficaz de sua alegria
    o sol vai nascer alguma hora mesmo sem sua atenção
eles estão sorrindo de uma maneira estranha com aquilo
 meu cinismo me tornou isento de sensibilidade aparente
     a humanidade chegou a lua e ainda não consigo crer
       abraços de polietileno e falsidade corroendo a dor

Um lugar onde a vida não é aparente
eles seguem como para te negar
você não pode entender ainda
eles não deixarão a crença
mesmo que ela ocorra
eles não a deixarão
mas ocorrerá
sim eu sei
sim sei
sei

Vasculharão sua roupa e seu lixo
investigarão seu passado e eu estarei lá
em um retrato mofando como esquecido

Mesmo fazendo analise com Freud ainda estarei lá
contestando o adeus
feito um Jung
mandalas de cor e sol
meu coração iluminará nossos dias no passado
eles estão aqui agora e vão bater a sua porta
eu apenas posso sentir o que vem para doer

um lugar chamando incógnito o som da cidade
orquestra de sons contrastando com o silencio do céu
coral de estrelas onde meu coração se parte e constrói
um bar vazio em uma cidade qualquer
próximo de onde se possa partir
distante e na cidade onde você me amou

quinta-feira, 22 de março de 2012

Mais um lugar

Eu vou deixar de acreditar em meus sonhos
uma jornada pela sua paz enfim

onde me vestirei como sua prima e cantarei no coral cristão

até as lembranças irem embora comigo
até as lembranças irem embora com você

Você será como cada carro seguindo em qualquer avenida
pelos lugares onde andamos e  te vejo agora em mim
não existe mais lugar onde se reviva o passado

atravessando uma fase onde o futuro flerta apenas
em salas de espera e quartos jogados ao mofo

por mim acabou mas ainda preciso me convencer com essa mentira

Um caminho onde o conselho é um pressagio
uma opção onde todas as alternativas estão erradas

vou me vestir como sua prima nova e  povoar o perdão
acariciando uma das nossas canções te esquecer e seguir

um gato sorri sozinho na chuva e é apenas isso

Um final para todas as linhas possíveis
onde o destino cogitou a eternidade

Vá embora por favor em uma manhã de domingo em meu pensamento
como em certo julho onde o mais puro divorcia a poesia de si

Em um carro escuro adiante das autoridades...

Não te encontrarei em sua cidade
nosso lugar
nosso lugar
nosso lugar

enfim apenas mas um lugar.

Ah se eu fosse Maiakovski

Eu ainda consigo sentir sua presença por ai
uma reclamação imaginaria
precipita meus excessos
e o som da sua voz  que desconheço
povoa meu delírio...

Posso te imaginar
e quase te tocar em meu sonho
passeio em minha fantasia
como em um sopro do passado
meu coração infestado
de outros amores  antigos

Eu sempre estou sem controle não é mesmo?
Me desculpe se te magoei de muitas formas
de muitas formas eu apenas estava
tentando me afirmar
consegue entender isso?
Eu estava apenas tentando me afirmar
de muitas formas tentei me afirmar

Sim nos perdemos dessa vez
e só posso pedir desculpas
e entender seu adeus
eu estava apenas tentando
mas pelo caminho acho que te feri demais
de muitas maneiras
e nenhuma delas é curável

Dentro de um reino chamado coração
existiam pessoas chamadas recordações
e a aldeia do encanto tornou-se fortaleza  fria
pois o medo do mundo veio como uma chuva

Ah se eu fosse Maiakovsky e você Lila Brik
mas isso é apenas um delírio
e essa poesia nunca chegará a seus ouvidos
pelo eco de cartazes onde a poesia vem dizer ao mundo
em assembleias e greves e tumultos
que eu poeta
eu filho da classe operaria
eu judeu
eu filho de um não uniformizado como cão de guarda
eu que sou poesia a tua poesia

Ah se eu fosse Neruda e você Matilde
entre nós e as cordilheiras sequer um guarda ou sua cria

Presencio sua voz se abater nessa hora derradeira
triunfal tango de despedida e dor
me diga adeus e não cale o amor
arquipélago de meu desejo
rosa de meus odores e predileções

Mas esse poema não chegará ai junto a ti nessa hora
nessa hora onde mil outras horas triunfam na recordação
e fazem florescer do peito de infindáveis delírios
esse que é o ultimo grandioso desejo de minha alma

É certa minha resolução e isso demonstra minha obra
está findado todo o dado circulo de opções
sou agora  fruto de um campo infértil
brotam versos como  poeira que o vento varre
me vou na inútil sensação de que não ouvirá meu verso
esse verso que escolhi como o meu ultimo verso de amor

Retine a sirene que apaga os turnos
meus olhos se deitaram com as estrelas
é minha hora por isso eu vou
engraçado é pensar
que só é definitivamente nossa
a nossa ultima hora
porem digo sem  medo de provincianismos
ou desejos pueris próprios dos símios

Ergue o meu alfabeto de fumaça
e componho junto ao cosmo
essa canção em variados estilos
uso da metáfora e da métrica
expulso também a métrica e a rima
para readmiti-las novamente
e então digo:

Sim é verdade te amei
outra vida houver depois dessa
que é carne e ossos e imaginação
resistindo a imaginação ou não
combaterá absurdo contra a ordem
esse peito que luta e pulsa e diz
e segue gritando  feito cartaz
eu te amo...




terça-feira, 20 de março de 2012

Dharma

Vá com calma e respire antes
as vezes não entendemos tudo
e isso faz parte
de entender certas coisas

Sobrevoando uma opção no passado
as vezes percebemos o que não sabemos

por isso espere um pouco mais antes de seguir
e não culpe cada instante com sua escolha

Calma e paciência em cada instante
espere uma estrela e espere uma conversa
ouça seu coração diminuir o ritmo e seguir com você

Espere um pouco antes de seguir e pense
pondere cada minuto e se recolha as vezes

Seu silencio é seu mestre e melhor amigo as vezes
e nenhuma estrada é até o final e imutavelmente perfeita

então recolha seu orgulho e medite um pouco
guardando seus livros talvez encontre aquela paz
sorrindo possa entender talvez a lição da tristeza

Vá com calma e respire um pouco mais
ninguém estará do seu lado da mesma maneira que você
então não olhe tanto para o relógio quanto para o céu
as horas passarão mas as estrelas sempre estarão lá

o imortal pode mudar e se mudar por vezes em você
mas seu olhar será o mesmo diante de diferentes paisagens

e isso é muito mais sobre outras coisas e sobre ser
e isso é muito mais sobre seguir ou ficar

Apenas mantenha a calma e entenda muito bem isso
pois um dia antecede a noite como um passo ao outro

e não importa você sempre estará no seu caminho
pois se é você quem segue o caminho o caminho é seu.

domingo, 18 de março de 2012

Eterno retorno em manutenção

Ela está voltando para seu antigo lar
bate a porta de um passado  pouco distante
uma antiga cena se embaralha na atmosfera

Seu vestido floral de verão gasto de olhares
sua pele branca e luminosa apagada pelo destino

Uma carta sem recomendações e é apenas uma folha

Ela está de volta ao seu antigo lugar
procura uma cadeira e senta-se na sala

A disposição das coisas mudou um pouco
e ela pensa  no passado e sente aquilo novamente

Aqui é outro lugar e aqui não é mais aqui quando eu estava

Os canais  fora do ar denunciam defeitos na recepção da tv
seus discos em seu quarto empoeirados com a recordação

ela está voltando e novamente é o que se esperava dela

Condicionando seu ouvido ao som de mais alguém
inesperada para ela e previsível a todos e seria assim
assim pois desde o inicio essa temporada está destinada

No corredor eles se olham novamente
sentado ao chão levanta os olhos e estende a visão

não é mais com ela e talvez nem seja com o mundo

Ela voltou e esperava um lugar no passado
mas muito muda enquanto estamos fora
muito muda até no que permanece estático

''Não consigo ouvir sua voz enquanto canto
minha euforia atravessa sua alegria e morre antes''

Uma carta sem recomendações é apenas uma folha
ela está voltando e é o que ela esperava como derrota

Um lar deixa de ser um lar quando torna-se novamente seu lar
todas as coisas mudam mesmo aquelas que não existem mais

Ela está voltando agora consigo vê-la da janela
pela janela de seu antigo lar vou espera-la no corredor

preparei beterrabas e rabanetes para seu jantar e estadia
poucas porções pois sei que quem retorna algum dia parte...

Não é com ela e talvez nem seja com o mundo...

Nos nossos sonhos conversamos apenas conosco
nos sonhos dela até eu sou um de seus alter-egos
avenidas esquecidas onde sua memoria teve que retornar

Ela voltou vou por a mesa e servir nosso jantar...


sábado, 17 de março de 2012

Soneto Nu II

Quero me estender na extensão de seus gemidos,
provar o gosto de seus segredos, me entregar inteiro
sem posses ou medos me fazer refugio em teu abrigo
matar minha sede e deitar meu prazer  na tua fantasia

Sentir tua dança embalar meu corpo
e só querer tua visão desnuda e livre em mim
me tornar cativo de seus caprichos mais obscenos
rezar com beijos o teu perfumado templo

Ouvir o roçar de minha barba atrapalhar tuas pernas
sentir teu corpo se esgotar  no frenesi de nosso desejo te fazer pulsar
entregue a tudo em mim  que só quero te enlouquecer

Pois teus seios são os pães de minha fome
teu corpo suado  exausto e dormente de após nos dois
sim ter seu cheiro mais feminino e delicioso povoando minha barba

Algum Ponto

Estamos navegando pelas margens de uma manhã silenciosa
embarcamos nessa por auto-preservação e reconstrução

Vou lá fora ver o dia nascer como um outro fato qualquer
sem intervenções messiânicas ou respostas boas o bastante
Ela esteve aqui e me disse algo que esqueci pelo caminho

Descobrindo um outro lugar onde sou maior e mais forte
apenas uma instituição que moldo ao meu gosto

Não quero responder em algum ponto.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Spektor

Era tão simples feito abrir os olhos
mas é que por tão simples 
me vi acordando em um sonho
dentro de um outro sonho
junto de minhas fantasias
repleto de lembranças
e conversando com a solidão
E era tão simples que duvidei
que era meu o sonho
que certa noite sonhei
e ainda sonho mesmo assim
ainda sonho  mesmo agora
que eu sei que todo sonho é meu
se eu sonhei

quinta-feira, 15 de março de 2012

Etc

Eles construirão uma cidade sobre nossa ruína
onde estivemos esse verão não importa muito
o outono está a porta e nos pergunta em vão
sobre aquele mirante de onde observávamos o mundo

Noticias antigas se repetem como querendo alcançar
Em uma outra cidade e nos novos planos que arquitetei
onde estivemos esse verão não importa muito

não me importo com qualquer pergunta
que apenas eu ou você possamos responder por nós

Eles construirão um memorial em nome do que esquecemos
Como eu sei tão pouco sobre essas novas técnicas
não tenho como encontrar o que eu toco agora com saudade

Eles construirão um templo e uma avenida com seu nome
segundos antes de instituirmos o ateísmo oraremos por isso
estenderemos nossas bandeiras e sua foto será esquecida
Comporemos um hino e pouparemos seu nome nos créditos

Engraçado mesmo é uma piada do tempo chamada passado
e você ensaiou euforia mas não contava com a musica triste

Construirão uma placa onde estará gravado o seu nome
mas não poderemos ver pois arquivamos esse caso por ora

Fecharam a janela onde se podia observar a esperança
mas as crianças ainda cantam sobre nós dois enquanto sonham

Engraçado você simplesmente esqueceu disso tudo não é?
Mas quando eles voltarem as lembranças virão na maleta

Feito um utensilio eficaz de tortura e morte pois o tempo mata
e quando não mata sufoca com suas cicatrizes revisitadas

Seu cabelo castanho claro e seus olhos claros de verão
um dia em algum outono ainda voltarão para atrapalhar
Rezo para não me alcançarem infeliz em casa sem condições
e é por isso que lembro: você não esperava a solidão

A listinha dos livros mais vendidos

A dica de hoje, é coisa séria mesmo, falaremos sobre livros que nos fazem refletir bastante, sobre nós mesmo, ou pelo menos pensar que estamos fazendo isso, em tempos que livros como Lua Nova e Crepusculo, eclipsa a literatura e mancham a humanidade a mesma humanidade que pariu: Miguel de Cervantes, Woody Allen, Pablo Neruda, Jorge Amado e Walt Whitman. Autores como Stephenie Meyer, triunfam pois triunfa a ignorância e o absoluto mal-gosto, tipica cafonice medioclassista, mas então voltando ao assunto a minha dica é ler todos os livros de Augusto Cury, Stephenie Meyer, com enredos de superação sempre beirando o clichê de heróis super-dotados com frases fáceis demais, e ai si o correrá para você meu caro leitor a mesma pergunta inquietante na minha alma depois de espancar o meu bom senso a cada silaba vomitada, a celebre pergunta, após ler essas preciosidades da literatura: por que diabos eu fui alfabetizado?
A demência tem superado o quadro de uma patologia para uma unanimidade mundial, em uníssono a humanidade relincha as perolas do consumismo, com seus jovens com cabelos empastados brincando de ser vampiros enquanto outros exorcizam nossos impostos, parabéns!
Quando você lê auto ajuda é como se desse uma escarrada na cara de Shakespeare, ou violentasse Tolstoi, parabéns,quando você lê A Cabana, faz troça de tudo que conseguimos até aqui, cobre de luto a humanidade que pariu Camões e Fernando Pessoa.
Afinal vamos aplaudir o final da literatura como arte, e o inicio dessa masturbação massificante e ignoralizante dos autores de best sellers, que produzem como quem esta numa linha de produção automobilística, pois produzem para vender tão somente, bem-vindos ao mundo onde ser escritor é profissão, a reboque de sustentar truques de medíocres medioclassistas que sob essa égide se apóiam para obter apoio de seus pais, bem-vindos a arte pela arte, ou pior a arte enquanto produto, as mensagens vagas filosóficas baratas e medíocres, que qualquer vizinha fofoqueira supera facilmente, fico triste por Drumond, por Neruda e tantos outros, que mesmo sendo escritores de grande estirpe, nunca se calcaram em postos de poetas profissionais ou escritores por profissão, afinal isso é um dom e não uma carreira profissional, certa vez perguntaram a Neruda se ele não se preocupava em se dizer comunista, pois nos países comunistas seus livros vendiam sem pagar direito autoral ou propriedade intelectual, e o mesmo respondeu como de imediato, que se seu objetivo fosse vender livros não escreveria, montaria uma editora pena que isso não ecoa na cabeça de alguns pseudo- escritores, os escritores profissionais cuja a missão na terra e propagar seus best sellers como um cristão propaga a boa nova...
Vamos ler os clássicos, não são tão clássicos de se ler, não fazem mal a saúde mental e te ajudam a pensar melhor.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Soneto n° 27 ( pois 29 é um numero sem importancia )

Enquanto suas opções se anulam na eminencia de um dia
lá fora o vento empurra papeis amassados e planos
Janelas onde o passado acena e te impede com vida
a viver a poesia que juntos ensaiávamos e cantamos

Um lago de pedras atiradas desejando se realizarem
ouço o gorjeio da noite querendo dizer poesia
Vejo distante os sonhos que arquivaram rezarem
como mancha inquietando a cicatriz da ferida

Meu destino veio me acordar feito um sino que gritava
mas eu apenas abri os olhos e sem sair da minha cama
eu apenas pude escutar  o retino certeiro dizer

eu ainda estava com você e apenas sonhava
mas sonhos se refazem por quem os chama
Delírio é pensar que ainda posso te ouvir e entender.

terça-feira, 13 de março de 2012

Minha poesia te tornará imortal

Você que minha lira tornou imortal
e tantas almas tentarão entender
como de tão singelo acaso em mim ocorreu
um amor assim que em você morreu

Outros amantes seculos adiante dessa poesia
cantarão seus amores com a lira
do amor que por você eu senti e sem saber
eu sei que todo o amor que emana é por você

Mas entre grilhões de reles filhote da província
criado com o leite extraído da barbárie
assentou tua tenda de querer por quem aprendeu o abc
através dos cães do inimigo de tudo aquilo que é você

Sim meu verso vai te eternizar também com amor
mas ouça agora moça que por hora me ignora
a farda azul que mantem a casa de seu ''amor''
tem nesse azul a ordem de reprimir quem o estado explora

Filhos de feras são monstros casulos de horror a explodir
e não adiante musica medíocre sequer clichês batidos
entre bestas a humanidade é artigo banido
pois da raça humana o uniforme é o inimigo

Será recordada como aquela que amei
não por canções ruins e filhos de assassinos
meninos o tempo envelhece e bestas obscuras
a magia do tempo faz ruir em uma variação da lua

Minha poesia te tornou imortal meu amor te fez maior
a técnica de minha lira verteu em em choro a canção
medíocre arpejo de quem se alimenta
de sanguinária e paterna e bestial mão

Minha origem é operaria e a isso nada se compara
saber que entre os meus não há cães de guarda
por isso meu verso te tornará eterna
pois poesia é criação  sutil demais para uma besta-fera.

Anulando

O ultimo beijo deixou de ter sabor faz um tempo
um dia todos os planos foram arquivado em uma nuvem
rastilho do passado que  passou ao menos parcialmente
nada permanece aprendi pelo menos não totalmente

Uma fagulha espetou  o telhado de palha e harmonia
demorou um tempo até o ultimo vestígio perder o perfume

Imaginei uma vida atravessando para o outro lado
um abraço nunca foi algo que se constrói sozinho

Construo uma estrada onde meus pés aprendem lições
lições que eu mesmo  me forço a entender pois já sei
As lembranças colhem as cores na brisa de uma visão

Orla de sonhos onde despejei minha inocente
seguindo uma nota que apaga a magica nos tempos que virão

Ideal é uma mentira que nos fazemos acreditar
uma maçã é apenas uma maçã e apenas isso

Eles estão caminhando de volta para algum lugar
sobrevoam paginas como feixes de luz  teleguiados
Estão apenas dando voltas e mais voltas pois sabem
no final  o retorno será tranquilo pois  é o seu lugar

O ultimo beijo deixou de ter sabor faz um bom tempo
duas semanas no espaço eu agradeceria
Sua misericórdia estrela polar guiará novo futuro
antigos planos agora não cogitados mofam no  porão

O tempo segue o tempo e se refaz
aproveita a matéria humana do esquecimento
e alimenta friamente quem ignora

Todo pretérito é perfeito pois é assim
que a dor nos faz crer

E crer nisso faz doer



segunda-feira, 12 de março de 2012

Ruido Seco


Shoah

Ela se abrigou no sótão de um dos vizinhos
por três verões não se ouvia seu sorriso tímido
as cores iam desaparecendo na nevoa da agressão
em sua antiga casa uma nova gente passeia
fuligem e  pavor tinge seu rosto
que empalidece e perde a doçura
cicatrizes do medo uma vida não pode apagar

Um lugar sagrado chamado esperança
como fumaça se esvai
seres uniformizados desfilam em sua busca
outros iguais são os outros indesejados
e seu sorriso se acinzentou por três verões

Quando a noite é uma porta e o jantar uma ração qualquer
ela sonha viver e se despede de desejos naturais
seu rosto aos poucos empalidece
na ausência da maquiagem alegre
sem os dias que antes variavam
apenas agora e agora é como sempre
e será por todos os dias se todos os dias se estenderem
se todos os dias assistirem no futuro uma esperança

A fuligem ainda irá empoeirar seu rosto lindo e timido
em uma lembrança  de bem atrás quando agora acorda
o espectro de dor e privações estreitará nas ruas de sua ideia
pois um dia ela sorriu e foi linda mas isso foi antes deles chegarem
isso foi antes do sótão e das revistas periódicas á sua procura
isso foi antes da ocupação alemã na França

Antes disso ela sorria e era linda
em seu futuro outros sonhos
outros sonhos antes de ali mas que durante o terror
se substituíram por apenas resistir
quando viver é um delito resistir é a unica esperança

Três anos em um sótão
três anos e seus olhos azuis perderam a cor
sua pele branca  tornou-se fuligem
e a esperança um delírio

Quando a guerra termina ela disse
quando ela termina restam os pedaços
que  não se pode recompor
ainda sonho estar com fome
ainda acordo e falo baixinho
as vezes  imagino onde estaria
e quem seria se certa manhã
eles não tivessem invadido a França.

domingo, 11 de março de 2012

choques timidos

na face cortes líquidos
chagas teatrais dramáticas
na mente cerebral choques tímidos
maldita eletricidade errática
corpo dorido força colossal
memória perdida, reação animal

cíclica dúvida animal ressentida
piedade cristã ignorância popular
sequer a ciência distraída
diagnostica e tenta curar
tudo sangra e nada dói pungente
todos temem que eu não seja temente

novamente haverá sintoma expressão da crise
sempre que houver força escavarão o medo
regarão com lágrima a flor do deslize
desgraça ou novidade transforma-se o segredo
a vida que é simples precisa ter o milagre
ferido e adormecido, acordar com o vinagre

Bate-Seba

Está tudo bem agora não é?
                             Guardei aquele passo em falso
pois outros dias virão 
                                           e uma noite virá eu sei
                                                       e esse tombo vai me servir
                                       lição aprendida
                 é lição que se ensina
                                                     Comumente esquecemos
pode ser que se recorde dia desses
                                             mas comumente nos esquecemos
                                                           desses dias
                         e esses momentos se dissolvem feito uma cura
sem um método aceitável pela ciência conhecida
com uma desculpa reconhecivelmente interessante e falsa
Estou bem agora?
                              Não sei como responder
                                Nunca sei como dizer as coisas de uma maneira  boa o bastante
                                    que não pense depois em não dize-las
Olho para o céu sem uma certeza real
                             um passo diante do passo anterior
uma porção de palavras frias empurradas pelo vento
                              e o olhar persistindo no passado
Uma conversa desleal e sem interlocutor
                             estorias demais dentro da cabeça
um coral ecoa nostálgico Halleluja
mas sequer um anjo ou faixa cósmica
                                                        me ocorre
                          não haverão verões
não virão os dias
                         apenas a certeza de uma noite virá
                                                    e o Outono vem
sem nenhum anuncio  magistral
                                  ou uma informação magica
                                                      Apenas isso
                                          e é tudo
                                                    o outono se aproxima...
                                            Lembra da antiga promessa?
          Com dentes de  descoberta me desprenderei disso
                                            e agarrarei o cometa-tempo
                                                                                    o final de uma era
                                   sem anúncios no cinema ou placas  de transito
                                         um remake de tudo para dizer:
                                                                                      O outono virá...

sábado, 10 de março de 2012

Ensaio sobre a folha


Eu que quis


E assim volto eu
A ser
Mais um personagem
Das músicas que tocam na rádio

Daqueles que sofrem por um amor
Que não veem a solução
Que não tem mais a ilusão
De então voltar a ser feliz...

E eu que quis
Ao seu lado ver o Sol
Nascer e se pôr
E morrer e viver

E virar luar.

Mas vi virar um mar
De lágrimas,
De pimenta salgada
De lembranças em vão

Eu que quis...

sexta-feira, 9 de março de 2012

Vodka

Fazer e seguir planos nem sempre é parte do plano
beberemos uma  vodka  debaixo da ponte
sem planos moça
sem planos moça
e ficaremos sempre bem
bem onde o vento nos deixar

Eu pensei muito durante um bom tempo
estive fora da cidade também
estive fora por uma semana...

E olhei um pouco o céu
e a noite procurei dentro do céu
outra noite dentro da noite
outras noite dentro da noite
feito cena dentro de filme
feito  ator  improvisando as falas
a poesia veio para dizer
que dentro de uma noite
podem existir outras noites

Sem planos moça sem planos
seguir até onde der e depois é deixar pra depois
e seguir e seguir e seguir e seguir
uma vodka  no balcão para conversar
depois de qualquer filme eu troco aquele sorvete
por uma conversa no bar

Sem planos moça
sem planos
meu projeto agora é apenas te olhar


quinta-feira, 8 de março de 2012

8 de março

Certa manhã o gigante acordou colossal
dentro da noite dos seculos rompeu
como rompem certas manhãs
e gritou  emergencial seu verso:

Na urgência sangrenta de quem açoita e goza
urgente resposta daqueles que são os últimos
resposta de sol e aço
dicção de multidões amotinada

Ela vem da fabrica
sim agora eu sei meu suor escorre em meu rosto
logo meus músculos terão folga
companheira de armas
entre nós e o gigante
levanta-se o Golem da revolução

Muros derrubaremos todos
 - sem sequer um instante de perdão -

Ela vem do campo corpo de margarida
olhos de sol se pondo e horizonte

Mãos firmes
Olhos fixos
vidram a expectativa oscilando no tempo
feito um pendulo da historia
em um salto tomaremos de assalto
de alvo a  mirantes
nos amaremos agora
lutando e amando adiante

Te quero não como se quer uma coisa
objeto bonito que se ostenta e perde valor
te quero aqui
e preciso disso agora
na trincheira ao lado
junto de mim alcançando eficaz
adiante o inimigo por eliminar toda hora
e em mim o erro a ser combatido
não tequero minha mulher
nem te quero afim de resumir me a marido
te quero inteira em você
companheira de armas
amante de nosso amor

Que meus passos sigam teus passos
que teus passos sigam os meus
que  lacremos com  astucia e gana
a mão que nos explora
a mente que nos mente e engana

Que não sejamos mais isso
e nem sequer mais aquilo
você mulher
e eu homem
amando de nosso amor
não preciso ser teu
e nem precisa ser minha

-  não estamos falando de propriedade -

Estamos falando de amor
mulher
mulher
         Mulher!


quarta-feira, 7 de março de 2012

Pós- maravilha

Ensaiei um tom diferente de voz para  te dizer aquilo
testei meus motivos diante do espelho enquanto me barbeava

pensei bastante em que roupa vestir para você
engraçado pensar nisso agora que estou  aqui e desisti

Em um filme 45 minutos bastam e  muitos meses se passam
intrigas filmadas sem efeitos dramáticos reais o bastante
para a possibilidade do perdão ser considerada sem  dor
um estranho olha do outro lado da tela e se identifica com as cores

A tela quase salta iluminando a ilusão que quer ensinar um pouco
e ali diante de um toque os sentidos se traem em cada chance

Eles pedem por mais uma tomada e parece mesmo necessário
uma nova temporada quando sabemos que o final  é previsível

Agora circundam o lago e quase se pode ver uma casa adiante
mas chegando lá era apenas um poste de luz
iluminando o exato lugar onde nossos caminhos se tornam antítese

No céu uma lua brinca de olhar enquanto anulam o tempo
catálogos telefônicos dispensando anúncios prévios
de sua urgência temporária e fútil demais
estamos revendo um antigo filme significativo para nós

Guarde sua bandeira e atravesse a cerca agora
ainda tenho aquele caderno que estava fazendo para você

Exposto na prateleira esquecida de suas estorias
distante como uma religião ancestral de obsoletas esperanças

Enquanto houve um quintal seguimos o combate
mas a primavera de nossos pés
cedeu lugar ao outono de minhas lembranças

Amanheci  em letras miúdas e preteridas
feito um calçado fora de linha

Sem um par para auxiliar
todo caminho é dobrado

45 minutos para o cinema bastam e meses se dissipam na película
entre cenas e falas a ilusão tenta ensinar a pedagogia do tempo
mas os ponteiros espetam o coração que se inquieta na desatenção
pedagogia do tempo ensinando ao mar não avançar diante da praia

Ensaiei um tom diferente de voz para  te dizer aquilo
engraçado pensar nisso agora que estou  aqui e desisti

Ainda tenho aquele caderno que estava fazendo para você
e ali diante de um toque os sentidos se traem


Mas a primavera de nossos pés
cedeu lugar ao outono de minhas lembranças
distante como uma religião ancestral

Em obsoletas esperanças me esqueço de lembrar
que ao menos em tese o plano era te esquecer.

terça-feira, 6 de março de 2012

Copacabana

Exilio é um lugar onde seu peito pulsa recordações
lugar algum é sempre algum lugar onde se evita estar

Ela veio pelo atrio do meu sonho
em uma travessa de prata expõe meus cachos

em um luto por votos deixados de lado
a ruina de minha promessa eterna

Olhei pela ultima vez  o horizonte
cerquei minha esperança com a distancia
e expulsei a devoção ao constatar a realidade

Nenhum caminho se curva aos pés que o percorrem
todo destino é constituido de uma parte chamada eu

Exilio é um lugar onde uma canção não é apenas uma canção
e nem dez mil bombas atomicas são capazes de desencadear
o efeito causado por uma simples  noite a beira-mar

segunda-feira, 5 de março de 2012

Peixoto

Se as folhas são empurradas pelo vento
junto do vento as folhas também são o vento
dentro de uma noite podem haver outras noites
dentro da solidão existe apenas a lembrança

Mãos no bolso pela orla eu vou
dentro dessa noite inserida em uma cidade ao sul do atlântico

Essa noite nunca te cobriu enquanto seguíamos
nunca seguimos juntos envoltos na noite mareada dessa cidade

Esse sol nunca dourou teu corpo branco e suave
e essa noite sonhei que te encontrava na praça do peixoto

Você estava sozinha e eu já tinha um novo amor
mas é que esse céu sempre estrelado
refletido pelas ondas sonoras e salgadas do atlântico sul

essa noite esse clima e todas as esquinas
lugares onde minha saudade me faz te buscar
quando eu sei está mais distante
do que a geografia pode presumir

Ao sol eu douro a saudade
pela noite eu sufoco e embriago a ausência
mãos no bolso eu vou pra qualquer lugar
mesmo te procurando eu sei não vou mais te encontrar

Pois se as folhas com o vento vão
de alguma forma as folhas são o vento também

E isso eu aprendi com o mar
vendo sua ida e volta entendi
que a praia onde eu era oceano
está submersa agora em outros planos

sexta-feira, 2 de março de 2012

500 dias ausente

Ela ficou junto ao porto enquanto eu seguia

diante de um sol se pondo
a embarcação seguia o mesmo horizonte

logo anoiteceria e eu já havia me conformado
com a noite chegar enquanto aquela embarcação seguia

Um sol se pondo em cada acorde e um sentimento
se distanciando como a dor de uma amputação forçada

Sem uma tripulação que recorde um épico
apenas as mesmas  fantasias
de sempre:
                um rodo
                            um esfregão
                                              e todo o convés
Eu não ouvi sua voz
as lembranças de nossas conversas
tentam compor um  retrato
pra ser levado de lembrança

Carta de amor para uma musica que ainda não nasceu

Recordo como parti. Não preciso de muito para isso, recordo apenas de uma ou duas palavras, e isso foi todo o discurso final. Mariposas não se precipitaram até a luz anunciando o final,  sequer uma estrela  cadenciou na noite anterior em sinal de luto próximo. Não sei direito que reis estavam no poder, sei dizer apenas que talvez, e ainda sem uma certeza concreta, talvez em Pirapora alguem  em um descampado sonhasse, mas isso, até isso são conjecturas. 
Estou tão leve agora, como se estivesse entre nuvens, mas essa lembrança, essa lembrança me traz de volta sempre, estou suspenso de alguma maneira também, entre a realidade e a possibilidade de tudo ser apenas um delírio. Sabe aquela tarde quando você não vai trabalhar e sonha que esta chegando atrasado no trabalho, acorda pensando que perdeu a hora, eu acho que perdi a hora, lembro exatamente desse momento, talvez o que eu chame de partida agora, talvez devesse se chamar atraso. 
Uma tarde chuvosa ou um dia qualquer esquecido como um palito dentro de uma caixa em um fardo de caixas de fósforos, e meus dias deitados na apatia de não levantar-me sequer para acender um cigarro, todas essas alegorias derretem ao sol  tropical da minha cabeça, cogito tudo e prefiro  cogitar como sonho, mas não existe ninguém possível quando acordar, acordo no meio da noite e afago um pensamento, minhas mãos querem alcançar um céu de metáforas onde cada estrela significava algo que queria dizer ou apenas um nome familiar, chamar pelo nome de alguem e sei lá...
Eu lembro quando parti, lembro que fazia sol, não houve uma noite ou uma barcarola anterior ao canto derradeiro, ali na frente de um domingo  familiar, enfileirado entre filmes e poesias piegas, inserido entre as novidades de durante a semana sem um ao outro, como se todo o tempo fosse um ano inteiro e agora é quase isso. Exílio é quando seu coração bate em outro fuso-horário, a lua é uma bacia de prata expondo cada letra que compõe a palavra adeus. 
Não existem centros de convivência possíveis quando a esperança é uma casa vazia e lá dentro há apenas uma vitrola cantando essa canção, a canção de amor que ainda não existiu. Sofro uma saudade, e é uma canção sobre um lugar de onde parti,  só consigo pensar se eu realmente parti ou foi apenas mais uma canção que cantaram em meu sonho.