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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A moça

Hoje lembrei de uma moça que eu sempre via no onibus, touca de lã, cabelos castanho claro, olhos azuis e tristes. Nunca nos falamos, eu sempre sentava do lado contrario ao cobrador em um banco virado no sentido contrario dos outros e ela em um banco, duas fileiras a frente do cobrador na fileira oposta. Olhava para ela e ela me olhava, nunca trocamos uma palavra, mas as vezes, bem as vezes mesmo quando percebia ela mais triste, eu fazia alguma trapalhada, tipo derrubar minhas coisas e apanhar e faze-las cair novamente ou simplesmente fazia alguma careta e ela sorria disfarçando e ganhava meu dia. Nunca soube em que ponto ela subia ou em qual ela descia, hoje lembrei dela... Senti saudades de um tempo onde a melancolia de alguém me incomodava, e eu sempre estava pronto a compartilhar minha alegria, nem que fosse na forma de uma trapalhada qualquer, que garantisse o sorriso de uma moça triste. 
Sua touca de lã ( não importava frio ou calor) sempre ali, seus olhos dançando sem par, enquanto tocava o vidro da janela, talvez ela quisesse alcançar algo  lá fora, algo que não fosse passível de dor, talvez apenas acenasse para talvez alguma lembrança alegre, não sei e suspeito que nunca saberei, assim como não sei em qual ponto ela subia e em qual ponto ela partia. Ficou na cabeça a imagem dela como se em algum ponto eu houvesse descido do ônibus e ela permanecido nele, como uma metáfora  grande, triste humana demais  para se entender.
Só sei que foi isso e foi assim que achei de contar como aconteceu comigo no tempo em que eu espiva aquela moça de olhos azuis. Pois não sentimos saudades de pessoas, afinal pessoas mudam, sentimos mesmo é  saudade de um tempo, como se aquela sensação ou aquele momento estivesse  em alguma estante, feito um livro bom que lemos e ficamos torcendo, para algum dia  dar tempo de lermos novamente.

3 comentários:

Che disse...

Você vai longe cara, ótimo texto.

Anônimo disse...

muito bom mesmo!

Luara disse...

Pois é. Pessoas mudam, como mundam as circunstâncias e situações.
Lendo lembrei de um homem lindo de olhos azuis também, que via no ônibus no alto dos meus 13 anos e que, pela primeira (e quase única vez) na minha vida tive coragem de dizer-lhe que era lindo.