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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Apenas isso


Se voce quer mesmo saber o que eu queria saber

é coisa pouca e é só sentir o beijo de sua boca
afagar a saudade de uma época em regras noturnas

limites eternos de conduta macia de línguas

Se você quer mesmo saber o que eu quero ter
é bem pouco não se gasta em dar

me dê somente aquele beijo que sonhei em beijar
me dê apenas sua mão certa noite ou certa tarde

não guarde contigo o beijo que quero

uma palavra então um sorriso apenas
e as noites tomarão outra cor e
a vida seguirá para outra busca
mas entenda bem que seu beijo é a busca

Os dias passam como cabelos  que acinzentam a fronte
a barba do tempo se estende diante de meu desejo

mas você quer saber sobre o que verso
e agora digo é sobre um beijo seu apenas isso


Todotempo (outra invenção)

Gostaria de gostar mais do que não existe
adoraria passear por exemplo tarde dessas
em um átrio deserto de razão e margaridas
passos de loucura e pensamentos saudosistas

Sua voz ecoando como uma canção francesa do pós-guerra
uma pessoa pergunta por nós e o silencio respondeu
o silencio respondeu eloquente por minha vida
ninguém ri quando é a piada do destino

Mais uma vez as horas de repetem dentro de um poço
onde o tempo ensaiava ser eterno um gesto gentil diz adeus

Sempre olhamos para adiante com certa esperança?
Sempre nos olhávamos com certa esperança...

Atravessando uma rua vazia onde os faróis acenam
distantes como uma faca inocente e limpa
um traço limpo de culpa e traição me diz com urgência:
Ninguém espera a volta de um D'us sem amor

Antigamente era o tempo sem essas invenções
e isso foi um pouco depois daquela noite quando bebi demais

Lembra quando eu usava aquele cabelo?
Espero que tenha me desculpado por aquela vez quando quase morri

Eu não estava acordado e em sã consciência
mas consigo imaginar você naquele corredor rezando por mim

Respiramos ares diferentes e eu continuo conversando amenidades
moscas e anjos multipartidários em seu parlamentarismo clássico

estou cogitando um exílio na próxima estação
algum lugar bonito e que não  machuque

seu retrato é uma medalha escrita destino
eu a exibo no altar que meu espirito chama coração

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Alfa centauro

Uma estrela brilha no céu
inspira o olhar cansado
daquele que vê o dia se anunciar
estrelas nada dizem
em seu silencio cósmico
diante das eras apenas inspiram poetas

Por isso eu olho o céu
o mesmo céu de tantas outras eras
antes de mim 
e adiante de mim está o céu
abóboda imutável
de crepusculares questões
onde cada instante compete em cada astro
uma questão qualquer urgente
na multiplicidade dos pensamentos
na infinidade das inspirações
que dança na alma de toda a gente

Uma estrela no céu e junto dela 
uma infinidade de outras estrelas
deito na grama de uma praça qualquer
suponho mundos e pessoas
componho canções
com nome de mulher

Estrelas apenas brilham
nada sabem de lirismo
estrelas são astros e brilho
que talvez nem existam mais
recordação de priscas eras
talvez quando foi seu tempo
nem tempo de homem era
mas quando eu olho o céu
uma estrela me chama a atenção
tem até nome essa estrela
pra ela fiz até uma canção

Estrela é poeria de luz
que a luz espirra envergonhada 
ao observar beijos de bocas
que se trocam em bocas
que tocam outra boca 
tocando a própria boca

Falar de estrelas é fácil
versar o brilho é matéria  de escola
um bom poeta conjunta tal clichê
e se indigna ao ser criticado
mas versos sobre estrelas
é poema já gasto
mas ergo meu refrão de mil luzes
e na terna tarefa da angustia eminente
grito agora a toda a gente
 o poema estelar que pari:

Uma estrela é como a brasa de um cigarro
cuja lembrança  permanece por eras
iluminando o céu de agora
de sua morte até agora
antes dos homens até agora
que é quase  depois do homem
uma estrela apenas
recosto minha cabeça no gramado e penso mil coisas
e penso então uma coisa só
 pensando eu sinto a estrela
estrela que talvez não seja mais estrela
talvez seja apenas esse brilho
essa lembrança viajando no espaço
em forma de luz e que é a urgência
por ser lembrada ao menos por mim.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Sp Sp

Uma ideia cruza a rua
é a razão dizendo adeus
sufocados pelo concreto
o neon de um club se estampa em liberdade

Pois essa é a nossa cidade
e aqui as noites são assim
todos juntos para compartilhar angustia
uma saudade de um lugar que nunca foi
uma São Paulo que nunca deu

Atravesse uma avenida e pare em um bar
se for fumar por favor leve a garrafa para a calçada

Enquanto chove por 15 minutos
fica estranho tentar se escutar
jogar conversa fora noite adentro
sem a pretensão de algo real a se falar

A moça no balcão ao lado
com aquele cara de sotaque engraçado
mas meu dinheiro não dá para mais uma
ou então vou ter que me arranjar
coragem simultâneo em banheiros
tomo um ar e um comprimido
e vou lá conversar

Um pensamento flerta da janela
se expõe do para-peito de um edifício qualquer
assobia a internacional para um passante
espera mesmo e sonha mesmo com uma mulher

Mas é tudo uma ideia apenas
que tornar-se sonho
e torna-se fantasia
e desistimos quando o sono vem
e deixamos esquecer quando a vida acorda
pois essa é a nossa cidade
onde a tristeza é uma constante
e clichê atende por saudade



Sem memoria

Eu olhei a chuva agora e não consegui ver muito
algumas coisas somente sentimos quando queremos alcançar
apenas a visão nos engana e pode nos cegar
poucas moedas no bolso para comprar seu retorno
estava dormindo quando lembrei
em meu sonho
em meu sonho

Nascidos de um sinal esquecido
ilusões de algum dia real
a ponte ruiu pelo caminho que você fez
não há como voltar
e eu fiquei em outro lugar
outro lugar onde o tempo observa com minucia nossa face

Uma rua desapareceu com dor dos meus pés agora
outra rua desapareceu de seus pés mas sem dor acredito
o mundo inteiro pode ser meu menos uma rua
menos uma rua  e já não é mais o mundo inteiro

Famílias eslavas e espanicas
seu avô gostava de conversar comigo
poxa como eu sinto falta
de ouvir aquele teclado

Posso segurar todas as mãos
todas as mãos menos as suas
todas as ruas menos a sua
todas as casas
todos os quartos
um mundo de salas de visita
e cozinhas
menos a sua cozinha
menos seu quarto
menos sua casa
em sua casa  não serei sequer visita

Eu recolhi a chuva que molhou a varanda
cocei meus olhos e quase não acreditei
é que o céu que é sempre laranja
essa noite adormeceu violeta
uma quaresma em sinal de luto
uma canção onde ele não esteja
girando em minha cabeça
palavras amargas e uma dor sem cor

Limpeza étnica não me convence
por isso  escovo bem meus cartões
está tão claro em minha mente inocente de ações policiais
inocentes de uma paternidade fardada e monstruosa
entre as sobras do destino eu escuto a vida escorrer
olho a chuva batizar minha varanda
enquanto meu ultimo cigarro se vai
enquanto meu ultimo cigarro se vai
enquanto meu ultimo cigarro se vai

Eu acreditava em algo
mas me esqueci agora
não se trata de descrença
é que a pouca esperança
por defesa me fez esquecer

Me esqueça agora
me esqueça aqui
seu tempo é minha hora
sua ausência é um lugar
onde eu consegui sentir
que a ausência é uma palavra
querendo dizer adeus

eu acreditava em algo
mas agora me esqueci



sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Sem uma variável

Distante entre os olhos de alguém distante
como uma declaração vã de amor ou um beijo esquecido
as ideias se desejando passeiam sem fortuna pelo passado
enquanto vejo outros chegarem e até partirem daqui

sim eu corri por um semestre inteiro
canções perdidas entre agora e aquele momento

Parece que estou perdendo tempo com isso
é a vida caindo novamente como um papel amarelado

Todos temos nossos próprios motivos
um gatilho emperrado de certezas

Onde o desejo grita palavras de ordem
e as avenidas tem o mesmo nome

Eu vou tirar um dia pra mim
e 24 horas vão durar o bastante
para rever a vida inteira
e dançar e dançar e dançar ou dançar...

Vou pintar um nome qualquer no muro
e dar nomes inventados ao mundo
para distrair minha atenção
do seu nome que foi a minha canção.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Sempre seguir

Sem sorte eu segui pois devemos seguir não é mesmo?
Um ultimo cigarro antes de pegar as coisas devolvidas
essa manhã deixei alguns retratos expostos ao tempo
pois sem um destino realmente luminoso observo os trens

Então consigo ouvir um numero gritar dentro de um livro
uma ultima volta pelo quarteirão que não voltarei a pisar
Existem lugares demais onde eu vou te encontrar novamente
em todos esses lugares só eu te verei lá

Uma pequena canção agora é começada junto a chuva fria
precisaremos realmente entender que não existem respostas
certas perguntas jamais serão realmente respondidas 

Fecho o portão e a cabeça ainda está naquela sala
quando começamos a entender tudo perdeu o sentido 
e é assim que deve ser devemos sempre seguir não é?

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Bashert


Atravesse o campo com minha ilusão
não olhe agora meus pés se recolherem do caminho

Começo a entender a mesa e os papeis indo junto com o vento
deixamos a janela aberta por tempo demais eu sei agora

Uma lua lá no outro quarto que é em outra cidade
uma outra cidade de onde se pode ver distante a esperança

Sua alma está em outro continente eu sinto
em alguma recordação de outra era alheia a nós

Enquanto olho as estrelas
acho pouco provável nos reencontrarmos
uma esperança é como uma fruta
sem estação certa eu ouvi um dia

Liamos um livro obscuro sem paginas de alegria e prazer
o final era o horizonte e
lá havia esperança e eu ia te levar comigo até lá

E seu sorriso partiu como uma nuvem sem rumo ou canção
as mil faces de um diamante que se partiu diante da dor

As mil faces de uma vida que só cabia em dois e eu acreditei
Acreditei demais e acreditei por nós dois
sonhos não podem ser sonhados sozinho
pelo menos não sonhos como os que sonhei por nós dois

Meus pés se recolhem de percorrer a estrada de nós dois
já não existe abril em meu calendário
todos os dias são 24 de julho

eu te amei primeiro então olhe a lua
no outro quarto naquela cidade distante daqui

Ficarei por aqui e quando sair por favor feche a porta
e da janela não se preocupe eu mesmo vou cuidar em fechar

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Mazel Tov

Sem um arco que ligue um lado a outro
Parece que está chovendo lá fora
então aguarde aqui...

De onde você veio?
(não reconheço seu sotaque)
Vamos tomar um chá essa noite
Vamos conversar um pouco essa noite

Sabe como eu adoro quando está perto o Purim
e as crianças correm feito loucas
enquanto seus pais se entopem de vodca
elas fazem barulho quando chamam por Haman

Vamos tomar um chá essa noite em minha casa
eu moro no Village
 - depois podemos dar uma volta -
não seria um problema segurar seu braço se eu tiver medo?

Sabe adorei a maneira como você me olhou 
queria saber de onde você é 
e acho que descobri seu nome com uma amiga
me desculpe se estou com vergonha agora
me desculpe se estou tão envergonhada agora
e meus olhos se fecham enquanto sorrio

Você podia vir comigo quando a chuva acalmar 
tomaríamos um chá em meu apartamento no Village
poderia vir comigo agora e só voltar quando quiser
poderia vir comigo agora 
pois voltar para mim seria estar com você

Assistiríamos pela enésima vez High Fidelity
seus olhos encontrariam os meus
seus dedos trêmulos tentando alcançar o aparador
encontrariam minhas mãos pianistas
e eu te mostraria o que escrevi
e eu te mostraria o que te escrevi
cantaria nossa primeira canção ali  no Village

Seu sotaque é diferente e estranho
quando ouço não sei de onde é
mas me parece de um lugar antigo onde eu deveria estar
e desde o inicio eu deveria estar
em meu primeiro beijo
em minha primeira valsa
meu primeiro soneto
deveria ter sido um acrostico do seu nome

Adoro a noite de Hanucá
as luzes iluminando meu olhar que olha sua barba escura
seu sorriso ensaiando um brilho diurno e inquietante
esse poema que você me fez

E o fez como se eu tivesse feito para você
esse poema que é a solidão distante
fabulando nos encontrar em algum canto
nos unir pelas ruas do Village

Esse é o seu poema sobre mim
esse poema sou eu para você
sou eu te dizendo eu te amo
é você me dizendo assim como fosse eu
é você me dizendo que me ama
com esse sotaque que não consigo reconhecer
mas que me parece tão familiar
é estranho ouvir sua voz me faz pensar
em um lugar de onde eu jamais deveria ter saido

Mazel tov...
               Mazel tov...

domingo, 19 de fevereiro de 2012

1 coisa

Meu sorriso quer ser canção
enquanto sonho quero ser canção
e a canção está no sonho
como um homem que anda apenas pela cidade

uma coisa pode ser outra
e ainda ser a coisa inicial

um homem não é uma coisa
mas ser homem está na condição de ser as coisas
                                  quado somos
                                                      somos tudo
exceto quando somos homens ai somos homens

                              No ônibus lotado
R$ 2,90 para ir e R$ 2.90 para voltar
                               ainda sou homem
                               mas também sou passageiro
                              e também sou
                              alguns reais mais pobre

Nada é uma coisa só
                                e sendo uma coisa só
                                é também todas as outras coisas
                                                          pois não sendo
                                                         existe ali a possibilidade de ser
Eu por exemplo as vezes sou um sonho
e no sonho as vezes quer ser canção
mas sendo canção sou sonho
e sendo sonho também sou canção

Assim quando fumo meu cigarro andando pela avenida a noite
                                          sou a noite
                        sou o cigarro
                                          sou a avenida
e tudo o que o cigarro, a avenida e a noite significam para mim
                                   eu também sou ali
               pela avenida                            com meu cigarro
                                     durante a noite

Meu sorriso quer ser canção
samba que embale o bloco

                         Bala de euforia
parindo a criação

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O muro

Ergueram um muro certa noite
e cercaram a minha liberdade
dentro de casa me senti do lado de fora
com as palavras ásperas e gastas

Muros o vento e o tempo vencem
os punhos populares indagando a historia
e respondem enérgicos a voz que os ergue

Quando cercam a liberdade
dentro de casa é como se fosse lá fora
palavras ásperas gastam ouvidos e calam o medo

Certa noite ergueram um muro
mas se esqueceram que muros caem
pavimentando a estrada até quem os ergueu
destino louco sem intervalos para comerciais

Em teu festim de poder entrarei eu e os meus
munidos de liberdade cantaremos a canção de teu lamento
a canção de guerra composta entre os muros
quer cercaram meu lugar

do outro lado do muro
dentro de casa é como fosse lá fora
meu quintal é o universo
verso  louco que devora rimas e papeis
vomitando armadilhas tecidas da matéria
com a qual  arquitetou a fóssil bravata de tua burocracia

Meu dialogo é com os punhos cerrados
cada silaba quer aplacar
cada tijolo transformar em ruína
arruinar o teu missal

profanar com democracia o teu feudo
de onde ergue muros e cerca com medo

Certa noite ergueram um muro em meu lugar
o lado de fora disseram ser meu lugar
mas todo o universo é o meu quintal
se não posso passar eu pulo
se não posso pular derrubo
eu e os meus não somos o muro!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Século 30


Me disseram, alias quero crer que me disseram!
Quero crer que não foi um arroubo pueril de lirismo,
que minha Lila repousa em algum canto
e talvez quem sabe ai onde você está.

Distante de toda a gente
entre pessoas que jamais supus
o certo é:
ela há de acordar com o ruido de meu canto.

Matéria nova que produzi
de minhas vísceras,
parida de mim como eu de seus sonhos venho!

Quero ama-la como se ama o tango,
eu assim: envolto no vapor de meu cigarro.
E ela surgindo súbita: em sua noite mais urgente...

em casa...marcas permanentes

arde-me o rosto, a marca é permanente:
dói mais no peito o gosto violento
que o corte sangrando, pela pele corrente
por todos os cantos o tremor me corrói, lento

marcas no braço, maquiagem sob os olhos, óculos sem lentes
cabeça baixa, ando devagar, vago pensamento.
terei vergonha, medo, serei resignada e desatenta
ou manterei-me digna da solidão carente?

talvez outras sintam o mesmo sofrimento
os dias passam; a lágrima é recorrente.
espero que chegue o golpe, pefiro-o ao desalento
já que a carícia é agressiva, mas é toque, é quente...
arde-me o rosto, a marca é permanente...

ondas

Quão candente a maré; o ondulado
de teus cachos, suaves bailarinos
reluzem, ora louros quando pelo sol abalados
ora morenos molhados, corados qual fios finos

envolvem-se com o frescor aéreo matutino
e as gotas da garoa ressaltam seu bailado
o espreitar do dia explora com fascinante atino
a distância dos meus dedos e seus cabelos anelados...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A moça

Hoje lembrei de uma moça que eu sempre via no onibus, touca de lã, cabelos castanho claro, olhos azuis e tristes. Nunca nos falamos, eu sempre sentava do lado contrario ao cobrador em um banco virado no sentido contrario dos outros e ela em um banco, duas fileiras a frente do cobrador na fileira oposta. Olhava para ela e ela me olhava, nunca trocamos uma palavra, mas as vezes, bem as vezes mesmo quando percebia ela mais triste, eu fazia alguma trapalhada, tipo derrubar minhas coisas e apanhar e faze-las cair novamente ou simplesmente fazia alguma careta e ela sorria disfarçando e ganhava meu dia. Nunca soube em que ponto ela subia ou em qual ela descia, hoje lembrei dela... Senti saudades de um tempo onde a melancolia de alguém me incomodava, e eu sempre estava pronto a compartilhar minha alegria, nem que fosse na forma de uma trapalhada qualquer, que garantisse o sorriso de uma moça triste. 
Sua touca de lã ( não importava frio ou calor) sempre ali, seus olhos dançando sem par, enquanto tocava o vidro da janela, talvez ela quisesse alcançar algo  lá fora, algo que não fosse passível de dor, talvez apenas acenasse para talvez alguma lembrança alegre, não sei e suspeito que nunca saberei, assim como não sei em qual ponto ela subia e em qual ponto ela partia. Ficou na cabeça a imagem dela como se em algum ponto eu houvesse descido do ônibus e ela permanecido nele, como uma metáfora  grande, triste humana demais  para se entender.
Só sei que foi isso e foi assim que achei de contar como aconteceu comigo no tempo em que eu espiva aquela moça de olhos azuis. Pois não sentimos saudades de pessoas, afinal pessoas mudam, sentimos mesmo é  saudade de um tempo, como se aquela sensação ou aquele momento estivesse  em alguma estante, feito um livro bom que lemos e ficamos torcendo, para algum dia  dar tempo de lermos novamente.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Um minuto

                         Dentro de um minuto esquecido
como um pingo de chuva envolto na tempestade
                                                   digo como todos dizem
                                                   as palavras que inventamos para a eternidade
                                                   mas agora as digo para repetir o seu adeus
              e uma bandeira se ergueu em silencio
                                  como um luto 
                                  sem luz ou esperança

Apenas uma marcha e outra vez mais uma marcha
                                                                nosso sonhos
                                                                agora são minha dor
                                                minha dor 
                                 minha dor
                 minha dor

Eu estou em uma torre
                          estou tão distante e quieto
                          como uma gota
                          cercado pela tempestade
a chuva tem o seu nome 
                                    e o vento o seu perfume
você esta triste eu soube
                       eu estive triste um ano inteiro
                       e você  não se importou com isso
Como uma tempestade em meus passos
                 agora acho que a chuva alcançou seu quintal
                 e é tão triste mas aqui meu coração em primavera
                                                               já me tornou verão
                                      e isso era o final
                  mas acho que
                                      houve um desencontro
                                     quando acabou para você
                                     continuava para mim
                                                     e agora que acabou em mim
                                                     em você esta aconteceu uma reprise

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Pretérito imaginado

Sinto saudades é de um tempo,
nem reparei quem estava ausente,
só agora lembrei que era você
(pouco importa)
fechasse a porta você não partiria,
mas nem fechando a sete chaves,
não há portas que o tempo pare,
tudo escapa e é do tempo passar.

Do ponto inicial até o destino,
os caminhos se assemelham,
avenidas de recordação
onde o passado flerta a saudade
que espreita a cada esquina
e o seu descaso é a lapide do meu futuro,
onde o esquecimento vela a minha esperança

Te suponho melhor,
lembro de você,
mas não é você
é o bem antigamente
pois todo pretérito é mais que perfeito...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Sem esperanças

Sei que não estarei mais ai
mas você estará bem mesmo assim
isso me deixou assim agora
você estará bem sem mim...

Quando eu for é agora quando eu fui
e você está ai muito bem não é?

Todos os dias eu sinto que a esquina me espreita
tenho medo disso e nem sei como isso aconteceu
Meus dias caem como gotas sem  uma chuva real
são apenas dias dentro do silencio e solidão

Uma rua apos outra deveria ser apenas um bairro
mas meus passo insistem em te procurar pelo caminho
sua confiança se baseia em saber que estarei ai
e mesmo estando aqui eu estarei ai com você

Sinto que estou partindo
ouço sua voz distante
e essa saudade
é uma lembrança
de quando eramos felizes
sinto sua voz
ela esta partindo
ela está tão bem
parece que parti
mas estarei aqui
é sempre
e é sempre

Vamos nos encontrar novamente eu sei
e você estará bem eu sei muito bem

Acho que nunca deixei de amar ninguém
apenas a esperança foi se perdendo

Incrível como ainda espero te encontrar por ai
mas já perdi a esperança entre nós...







MEU FIM

Eu virei a minha própria ilusão
e me perdi na multidão
Numa overdose de versos
de canções
de fogo...


Numa overdose de vida
que há tempo me faltava
que há tempo almejava
como nos velhos tempos...


E não voltei enfim,
e este foi o fim de mim.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Quando trans for mar

Uma voz apareceu como uma rosa
e entre as letras de neon eu me compliquei
peço uma luz entre meus olhos
não muito forte pois atrapalharia a visão

Meus sonhos vem beijar o vento
abraço meus gestos como uma cerimonia

Meus pensamentos querem se casar com os seus
nupcias neurotransmissiveis em percepções urbanas.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Bilhete

Ela ficou quieta na escuridão
e aos poucos nada se ouviu
Quietos momentos brancos
uma palavra desenhando seu som
atras dos olhos uma vontade
mas agora é como quando se diz adeus
apenas um som
apenas um som
quieto e acabando
desde o instante de sua menção
ela está lá quieta
nada se ouviu dela
e ela é como uma palavra
desenhando seu silencio
em uma pagina de adeus
ensaia seu bilhete derradeiro

Comunicado do Youssef


 Galera devido a probleminhas estarei postando pouco no blog, umas duas vezes por semana mais ou menos, terei menos tempo disponivel agora, mas dentro em breve espero retomaremos esse blog com tantos esforços quanto os agora despendidos! Aos segudores e amigos fiquem atentos aqui na minha page no blog sempre que rolar alguma novidade no blog estarei postando aqui ok? Aproveitarei para por minhas leituras em dia, reler os clássicos, ler coisas novas e  dar alguns passeios e escrever nos meus antigos caderninhos de verso, espero que compreendam, acredito que o que vier será novo e mais trabalhados que os últimos versos, agora conto com a  ajuda de Bruna Ileek e Lean Dromoi para sustentarem  as publicações diárias do blog!

Até outro hora camaradas!

Youssef Igor
Contatos
http://www.facebook.com/youssef.igor
 e-mail's
meunometaerrado@hotmail.com
igor.reilgarto@gmail.com
Cel
84858803

Quinta Avenida

Despiram sua visão e jogaram fora o restante
lá da quinta avenida eu escutei sua dignidade partir
mas minha pequena não entendi até agora
até aqui eu não entendi
por favor tem como fazer isso por mim?

Mãos sujas de sangue abençoam quem te acaricia
sem um momento aparente de realidade
estou ouvindo um adeus do que eramos é isso mesmo?
Engraçado demais agora
engraçado demais antes
engraçado  vai ficar mais ainda
mas ficou tão triste...

O habito dos sonhos e a tática dos loucos
um esquema risível e inviável apontando para eles

O mundo pelos olhos de uma luz
os olhos sem luz olhando o mundo
meu cigarro é o seu vapor
e no próximo trem eu sigo sem saber
mas eu nunca sei
nunca sei realmente
apenas nunca sei...





Sovietica

Você é soviética e não me engana
olhar de pantera e  passos de cristal
ouço sua voz dentro de um motor de  vegetal
replica inocente da noite te constelo com fabulas
alegoria popular demais para esses tempos
onde os muros florescem hediondos
maculas violentas de sabor papel

O concreto cairá e seus olhos outra vez verei
pois você é soviética e não me engano
aperto o passo na fila por pão
tomo meu chá e leio meu artigo
no jornal oficial
no jornal oficial
oficialmente agora sou um poeta
e cantarei seus seios de luz e perfume
textura  rígida onde meus instintos são vencidos

Recolherei pela manhã uma duzia de  metáforas no departamento de sonhos, carimbarei  minha carteira oficial de membro do sindicato oficial dos sonhadores e líricos, proporei hipérboles e alegorias. Levantarei de minha cadeira e me juntarei aos que já estão no guichê a espera de barbarismo e neologias autorizadas.

Vou depor em defesa da sua rosa de pelos e perfume
seu vestido oficial de domingo
e como te imagino enquanto sou autorizado a sonhar

Muros de horror e claustrofobia
clima de tensão e verão cancelado
o verão foi cancelado não autorizado está
caminhar pelo passeio publico como se verão fosse
observar os pássaros retornarem a seu ninho veraneiro
e fica impossível e passível de pena
te supor nua e suada  em minha cama
te supor cabelos soltos em meus braços
não posso não posso
o verão não foi autorizado esse verão

Você é soviética eu sei
 você é e não me engana
teu corpo é a reserva de minha divergência
interna convergência interna se externando
em perfumes e cheiros e  suores e  sabores
contração de músculos exaustão de  prazer
 onde não se pode apontar  a razão

você é soviética
sim eu sei muito
sei muito bem...





A noite das horas

Estou tão confuso agora
me custa acreditar quando leio um verso
por isso releio e me custa ainda mais
acreditar que não os escrevi

Não reconheço minha voz nos recados gravados
minha caligrafia muda a cada bilhete
meus passos tortos reinventam um lugar para ir

Estranho não é?
Estranho mas essa era a nossa conversa predileta

Como se ouvindo uma canção eu me reconhecesse nela
mas é apenas uma canção e é apenas o verão agora
engraçado você esquecer esse verso
engraçado você lembrar outras coisas

Atravessando a rua não recordo a cor da faixa de pedestres
não lembro meu nome e não atendo se me chamarem

Minha vida subiu ao sétimo andar de um prédio familiar
sem uma razão ideal para o real ser cogitado
apenas passei aquela noite lá perto de onde nos vimos

Estava feliz enquanto ignorava isso
pois a poesia terminou e esquecemos esse verso
até uma outra esquina onde amanhecerei
só as noites amanhecem e eu 
 mas faço isso com inveja das horas

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Guerra Civil

Uma lua embalando um pedaço de papel
dentro dos lábios como uma agulha de incerteza
um adeus passa entre nossas anotações
ao redor das sombras uma antiga historia
e ai é exatamente quando volte logo virou uma bandeira

Em algum momento isso ocorre para desmentir
aquela mentira suja e aquela solidão verde e laranja
exposta em uma varanda  de vapor
disposta como um cadáver torturado

Flertando com a luz e a sonoridade
as lagrimas como uma bandeira de adeus
florescendo entre os lugares destinados as feridas
que aprendemos a chamar de caminho atual
em algum lugar estou lá e sei que não sou eu aqui
sem chances para entender isso...

Uma pequena lamina de angustia afiando os pensamentos
como querendo gestar um novo modo de seguir
minha barba roça os grilhões estelares do retorno imediato
e o silencio aquietando-se em uma esfera de escuridão
nada como  ainda ouvir seus passos
mas agora enquanto vislumbro o jogo descarto vencer

Estávamos em um campo de conforto e amor mutuo
não estávamos tão reais quanto o que sonhei
estávamos onde apenas eu me importei em sonhar
quando o pelotão de desculpas entrou apenas eu resisti

Um dia nasceu feito domingo mas era apenas uma partida
e meu arquipélago de sofrimento e auto-piedade
tornou-se um continente acidentado de explicações razoáveis

Sem um lugar tão baixo ou sujo onde esconder essa dor
por um bom tempo eu e minhas lagrimas encontramos a esperança
mas ela estava lá fora e estava tão longe que parecia pequena
quando enfim sai em seu abraço senti sua força e a verdade aquecendo

Lagrimas são um oceano frio naufragando nossos sonhos
enquanto eu estive aqui apenas senti o que aqui estava e vi o que aqui estava
agora que já cheguei de onde estava posso dizer que isso não era aqui
e foi apenas comigo mas alguém participou em algum momento

Um personagem feito com farda de inexistência e pedaços de sombra
pairando entre os retratos retirados cirurgicamente com a vida

Deitado em algum momento eu olhei o céu e adivinhei seu nome
em uma nuvem pequena que anunciava chuva eu ignorei o significado

Estrada nublada a chuva chama um nome do passado
meus passos soletram em um idioma de amor e quietude
as partituras da saudade e do silencio triste e azul estou escrevendo uma canção
sobre te esperar mas essa é uma canção onde te digo adeus definitivamente

Pois entre aquelas estrelas e o céu que viu crescer minha barba
havia uma consciência alheia fabulando uma tarde sol

Eu apenas esperei  lá fora pois aqui eu apenas veria o que estava aqui
de perto a esperança ficou maior me abraçando eu ouvi sua voz desaparecer

Apenas a chuva agora e choveu um ano inteiro
não teve graça quando você disse adeus
e não graça dizer adeus agora quando já dissemos adeus
uma densa cortina infantil  chorou enquanto perdíamos o controle

Agora apenas escuto esse ruido baixinho como se apagando entre carros
sem importância agora mas ainda dói quando volto aqui sabia?

eu enlouqueci sem você comigo e agora estou melhor
confesso ainda penso em te ligar dia desses...










Um muro

Sou a imagem da solidão
entre seus passos e o meu olhar
fiquei ali naquele sofá esperando
um carnaval qualquer
nesse país chamado exílio

Posso sentir os segundos atravessarem uma ponte
eu estive percorrendo uma estrada amarela
com argumentos do passado
eu apenas pressenti segundos antes do sonho
que o sonho começaria antes muito antes de nós

Sou um anuncio de jornal
um muro no futuro e lembrando o passado
diante de mim um dialogo astral sobre essas luzes
tendenciosas experiencias noturnas

um gesto se esgueira no quintal
onde a espiritualidade mendiga um beijo da esperança
ela ficou lá naquela cadeira simples e só
por vezes senti que ela viria dançar comigo
mas sequer as estrelas eu pude ver
no caminho cogitei sua casa em um oceano de raios solares

Tempestade de sons e perfumes
sua mão e as lembranças de quando bebíamos rosas
flores de calor e superfície de esmeralda
teto de açúcar e céu de madeira em verniz
me permita escalar suas culpas juvenis e intimas
jardim avarandado de caricias e finais de semana
onde posso te alcançar novamente
onde posso te alcançar realmente

As 6:00 da manhã eu parti
não vi para onde você ia
seus passos seguiam para outro canto
distanciados na passagem
apenas a paisagem como referencia triste
mais uma noite e meu bem e nada aconteceu realmente
novamente nada aconteceu numa manhã de sábado
apenas uma manhã de sábado
realmente uma manhã de sábado

Sou o retrato da solidão com minha cerveja quente
esperando alguma canção comum e tradicional
em um tempo de conversas eu me aproximo
esse verão eu lembrei da guerra fria
muros e reuniões e espiões escrevendo as noticias
enquanto estou lá naquele sofá sozinho
enquanto estou lá naquele sofá sozinho e te vejo da varanda
ali sozinha como esperando a musica acabar

Esse verão lembrei da guerra fria
do outro lado do muro te vi pela primeira vez

Boina de lã e sorriso catalão
teu sorriso é um passo lançado junto ao sol
esse verão me lembra a guerra fria
esse verão me lembra a guerra fria






sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Podia ser em qualquer bar

Eu acerto a conta no bar e deixo uns trocados com o garçom
Por favor chame um táxi quando eu cair

não antes disso eu repito como um grito de socorro
em todos os bares e de todos os bares

justamente ali eu te vi passar e entrar
entre as mesas e no canto do salão com ele sentar-se

Reparei nas luzes como estavam ali
fumaça de cigarro por todo o lugar
 na mesa ao lado uma canção que nunca ouvimos
uma canção que agora me fará lembrar de você

eu estava vencendo até agora - pensei comigo -
e justamente ali eu não soube mais

Mais uma garrafa na mesa e mesmo assim isso não passar
outro gole e na sequencia outro cigarro
outro gole e mais uma vez banheiro
me chame um táxi quando estiver caindo

Lembra quando você disse que minha voz te encantou?
Começo a entender porque ando tão calado...

Eu pego meu chapéu e acendo mais um cigarro
a mesa lá embaixo me espera para mais uma partida
o contrario do ditado pode ser real também?
Sem sorte no amor quem sabe alguma sorte eu ache...

Por mais que eu fique ali isso doí como da primeira vez
 sensação estática me deixando suspenso no ar
como se agulhas de dor anestesiassem o álcool
mas nada é como isso então ponho meu chapéu

e la fora eu poderia ter te visto em qualquer lugar
de lá de fora você poderia ter me visto também

Estou naquela fase quando se evita sabe?
Poderíamos ser amigos novamente ela disse

e essa foi a cereja do bolo da minha angustia
doce adaga interrogando o meu pulmão

Lembra que todos sorriam ao nos ver
e ninguem pode acreditar quando aconteceu

E agora estou aqui não é mesmo?
E no mesmo bar você sentou no final do salão
ponho meu chapéu e provavelmente tomarei meu táxi
provavelmente essa garrafa fara fila com outro em outro bar

em algum lugar onde você também estará no final do salão...
Estou dizendo adeus e acho que não é da ultima vez
meu coração fica ali repetindo esse adeus
como esperando do seu espirito um volto logo.

Cozinhando o seu almoço

Adivinhando desenho em nuvem
                                       como eu quis alcançar o céu
                                                 admirando a lua
                                                                     deve ser mesmo o asfalto
                                                                     ou mesmo vai ver que nem é
                             de toda forma eu te procuro na rua
                             te adivinho pelo perfume
                             eu quero te chamar de minha mulher

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O.K é um assalto

Toda recordação
                          é um fruto podre
                          maçã envenenada
                          de imaginação
Ferindo o dia
                     com as setas da poesia
                     diz sim quando diz nada
                     é a cicatriz azul
                     no meio da palavra
                     toda recordação estaciona no agora
E gira na sala
                    flerta com a hora
                    sai para beber e bebe
                    vai comprar cigarros e nunca mais volta

Sem janelas

Um coral de recordações foi tocar com as estrelas
através da noite o céu embala a tristeza
sem motivos razoáveis para um inicio
a canção se desfez dentro do tempo

Ouça uma linda imagem florescer
dentro de nosso silencio um caminho
ele te disse tantas palavras doces
sem uma razão nobre para o agora

Te esperei em um país chamado: depois...
Fui o único ouvindo minha canção azul

Talvez outra constelação exista onde eu seja feliz
Sem telefone no catalogo ou anúncios para ler

Vou transitar na solidão daqueles que estão ai
Beijando tantas bocas entre as ruas que a vida faz cruzar

Uma estrela no céu anuncia sua volta
Mas retornar é coisa pouca
quando quase nada entre nós restou


Rick's

Nem vou te dizer o que hoje eu pretendia,
se na verdade o que queria era só conversar com você,
pois é, eu ando mesmo complicado e se num dia nublado
eu cismar e for ai te ver? Como é que vai ser me diz ai como seria?

Por isso eu nem vou dizer o que eu pretendia,
espero um pouco, acendo outro cigarro e vejo carros
e ouço passos e penso ainda mais e sim eu pretendia
ir ai te ver, mas o que eu diria só cabe a você entender

Por isso eu digo: pois é... Por isso mesmo eu te reinvento em fatos
te imagino em bares do meu lado a me aconselhar
e sem você aqui as lembranças forram meu colchão

Tem mais poesia na ausência que na presença
a saudade é o passado idealizado com efeitos espaciais

Gosto de ouvir sua voz canção ecoante no espaço
o jasmineiro de ideais se dissipa na brisa azul do som esquecido

Eu pretendia te dizer aquelas coisas que você esperava ouvir de alguém
mas essas palavras mofam na gaveta do silencio 
junto do meu orgulho-próprio

enquanto os dias navegam rumo ao nosso encontro
 te espero num beijo
queria te ver hoje e pretendia te dizer 
algumas coisas que talvez outro disse antes

Me deixe saltar no tempo e te dar aquele primeiro beijo
por favor não esqueça o meu amor 
num arquivo mofando junto as coisas boas

Sonho com quem nunca vi e agora me pergunto 
será que algum dia ela já me viu em sonhos?

Eu pretendia te dizer aquelas coisas que você esperava ouvir de alguém
Gosto de ouvir sua voz canção ecoante no espaço

Jasmineiro de passos e perfumes sua presença é o toque sereno
das coisas que sonho eternas e delicadas como uma ideia terna






Saudade

Eu tomaria um chá contigo certa manhã em NYC, conversaríamos sobre cinema e eu ficaria ali puxando assunto pra olhar seus olhos acompanharem a conversa ecoando pela sua sala, saltaria no tempo e te daria teu primeiro beijo... Tenho saudades de alguém que ainda não conheci.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Você disse que as estrelas correm para um canto
onde o dia não alcança e nos acorda dos sonhos

Eu prefiro acreditar em papeis em branco e acordos
na verdade prefiro seguir na garoa fina e noturna
enquanto os pensamentos embalam meus limites

Sem guia para uma viagem leal
eu aperto o passo diante do luar
e ao meu redor algum perfume

Certa noite eu te vi assim sozinha na estação
e era verão e isso foi na semana passada

Nada mudou realmente em mim
parece que retornei ao estagio inicial

como uma estrela no céu que na verdade é o cosmos
eu brinco com a luz enquanto o vazio me rodeia

Estamos gastando uma racionalidade escassa
Estamos brincando com a possibilidade

Era verão quando te vi e isso foi semana passada
juntando os fatos e colhendo as recordações
na rua eu ainda ouço seu primeiro anuncio
dissemos adeus e era verão e isso foi semana passada

Jogos onde a dor é uma regra e uma principio para os finais
segundas e terças, quartas e feriados
estou falando com o calendário

para lembrar daquela construção onde te achei
e daquele livro antigo onde achei um bilhete seu

Sem razões para isso agora que passou
e isso foi semana passada dentro de uma mentalidade certinha

Dentro de uma certa razão descompassada e retardatária
por tóxicos efeitos de luz e perfume eu vejo o sol sair mais uma vez
para um lugar onde as estrelas vão cansadas do dia e seus turnos

Semana passada começou o verão e eu pus na sacola umas coisas
as estrelas juntas em um recipiente de auto-complacência e vodka
e a ciência  absurda de transformar o amor em nada
e a amizade em esperanças de ter comigo alguém

Estou só em um lugar onde a lua vai
e lá é aqui agora e aqui você não me alcançará jamais...