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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Vida

No trem que trouxe a noticia,
dentro do sopro que quis avisar,
a verdade passeia buscando o que pensar.

Uma noite, outra alegria,
o sonho como anestesia, o caminho como cura.

A rua se estende lépida,
vaporosa senda onde a luz denuncia
o calor que a lua ilumina,
as pernas a mostra e a mesa na calçada.

Tudo pela noite banhado,
céu de estrelas, abaixo de seus dentes brilhantes,
muitos corações sorriram e sorrirão.

Uma noite, outra alegria,
todo carnaval, pede folia.

O destino dos amantes,
amam uma noite, se beijam e partem.

O trem trouxe a noticia,
os olhos esperavam por vida.

Botas de combate

Então todos estarão lá...
Pedaços de cor girando na poesia que se esqueceu...

Tanto pode ser dito,  nos espreitam o céu e o sol.
Um sonho, um lugar, a vitoria e a dor passada.

Elefantes de papel cantam as flores que se escondem a sombra,
não é a hora da estrela, a fuga veloz da noite, espalhou uma voz,
poeira do tempo que poesia não vai libertar.

Exércitos de amor, como um canteiro onde a vida engole a paz,
filas de contentamento barradas no guichê da esperança.

Todos estarão lá!
Meu sonho, como fosse o sonho de todos,
meu caminho ao som de mil outros passos,
a vida preparou um vestido para esse dia.

Botas de combate, cansadas de marchar,
canções de guerra, apenas lembranças.

Estarei lá, vocês também de alguma maneira,
a mão forte um dia descansará no arado,
no torno ao turno suave de sua classe e gestão.

Quando a vida for apenas vida,
os dias serão como a poesia.

Então todos estarão lá,
um homem amará uma mulher,
do amor um filho,
esse filho não morrerá em uma guerra.

A poesia mais bela virá,
quando não houver necessidade de poesia.

Sorte de alguem

Quando você é alguém,
sim isso pode custar muito
mas então, parece que a lição
é apenas uma razão para errar.

Longe do que se pode ser,
em seu lugar,
não fosse você,
seria outro em seu lugar.

Sim a macieira já deu fruto,
a cor, se gastou na luz,
o tempo enfraqueceu o grito,
o mesmo grito que propagava o chamado.

Enquanto o mundo corre no quintal do universo,
 o sol conta as horas até o ultimo passo da dança.

Então o dia desenha no céu as nuvens,
usando a paleta dos sonhos, do mar e do que sentimos,
a vida brinca com os olhos, guardando cada olhar ou imagem.

Uma outra estação virá,
fará menos calor, choverá com menos intensidade,
mas ainda restarão alguns sonhos, planos,
feito passageiros esperando a enchente acalmar.

O desespero, como uma onda que assusta ao se anunciar,
devorará ainda as noites, cinzeiros e marcas de copo,
revelarão tal qual amostra fóssil, o resulta dessa equação.

Em algum canto alguém sequer desconfiará,
mas a primavera que espera, floresce e canta dentro de alguém,
lá fora esse alguém espera, feito um poste que ilumina e guia.

Se um dia sua mão deixar escapar uma moeda,
não recolha, pode ser a sorte de alguém, pode ser a sorte.

Seja gentil, sorria, se acostume com isso,
não doerá tanto, quando já não se importar.

Então um bom passeio pelo centro,
um parque e seus pensamentos,
parece que o veneno do mundo, cabe em você.

Ignorar é um antidoto, ate esquecerem de você,
a noite, na noite seguir como uma estrela entre as nuvens,
cada pedaço planejado feito azulejo caindo,
assim até já não ser.

A lua tem algo para você, lá fora em algum lugar,
suspeito que adiante a primavera, como um sorriso,
espera e canta, feito a luz de um olho verde...

O tempo, tem seu próprio tempo.
A sorte de alguém, pode ser apenas sorte.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Uma possível declaração apos 21/12/2012

Muitos resistiram, poucos sobreviveram, mas conseguimos superar as primeiras horas da invasão zumbi. Cada homem foi um herói  não importa se vivo ou morto, meus sentimentos aos familiares de todos aqueles que não resistiram... A luta ainda não acabou quando baixar a noite garantam seus suprimentos e deixem seus rádios ligados e armas carregadas, quando vier a noite, com a noite eles virão, lembrem-se uma vez mordido, não ha cura você tornou-se um deles, sempre atirem na cabeça deles e garantam o segundo tiro antes de se aproximarem, não façam barulho ou qualquer sinal que denuncie a sua presença a eles, os telhados são os melhores lugares para se alojarem. A guerra apenas começou  a vitoria da raça humana depende de cada um de nos! Malditos zumbis!!!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Verso Satanico

Essa noite ele veio em sonho,
vestia um lindo terno escuro,

em suas mãos
o leque (mundo)
que os olhos ilumina.

Em cada palavra uma promessa:
fortuna a porta, fama para a poesia.

Seu sorriso era noturno e inquietante,
possuía a atmosfera imortal e confiante

Perfume palaciano de quem a noite corou,
trejeitos e acenos, falam do que passou...

Diante de mim, ele mostrou,
um mundo ao poeta, ao poeta o devido valor,
disse-me apenas:

Venha comigo e comigo se vá
nesse mundo claro e limpo, meu poeta
a poesia não cabe, nunca caberá...

Só se dorme para o sonho,
só sonha ainda em vida,
junta teus sonhos poeta
e também traga a poesia

Pois o beijo negado
é o poema mais sagrado
é o beijo que se sonhou

Então ele me olhou
acenou com os olhos em brasa
falando da arte e da mentira
do amor e da poesia

Levantou a mão, estendeu o dedo
e concluiu:

Meu amigo, esse é o tempo do medo,
a poesia é livre e maldita como o desejo.








sábado, 15 de dezembro de 2012

Hanukkah

As luzes estão dançando dentro de um cinzeiro vazio,
nenhum cigarro agora, auto-controle,
determinação devorando o que o passado deixou...

Em um capitulo eles estão juntos...
Agora o medo andando sobre as águas,
multiplicando pães e cerceando as lembranças...
Sim as datas são punhais afiados com a dor

Um antigo herói visitará o mundo,
ele quer retornar agora,
injustiçado como um santo,
limpo como uma metáfora...

Parece que estamos retornando ao lugar sagrado,
mas dói tanto se desfazer dos vestígios...

Meus passos retalham a alma,
a alma quer amar,
o amor quer liberdade

Agora todos me olham,
Agora a rua se inclina como se toda a extensão
fosse uma esquina, fosse um suspiro ou a possível cura

Um beijo e então a chuva
A chuva e então um beijo

Não se afaste enquanto contamos coisas,
não se assuste com os meus segredos...

Uma versão melhor, dentro das luzes,
na noite das luzes, uma versão melhor,
enquanto os ratos fogem, as velas acesas
e a esperança em cada taça, melhor assim,
uma versão melhor, dentro de um livro,
curado como uma toalha limpa e quente...

Dentro de um cinzeiro vazio,
o zoom in recua, a vida prossegue,
querendo seguir e segue...

Lembro de ter sonhado,
essa noite é a noite das luzes,
não importa quem ignora ou desfaz,
essa noite mais uma vez as luzes,
desde a libertação, desde a graça...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Velho Realejo

Lá vem o velho e o seu realejo,
a sorte tomou um caminho,
tão distante do desejo...

Tem muita esquina no caminho
e eu vou sozinho pela vida
cedo ou tarde ou dia menos dia 

Eu olho as luzes da noite iluminada e sei
nada é maior que o amor, essa aberta ferida
correndo na veia urbana de ilusão chamada avenida

Então um dia, a canção era uma pessoa,
a espera uma desculpa, esfera clara onde orbita o encanto
nada faz sentido agora, agora que é tudo vida...





quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Batman


Vlau!!!
Pow!
Scrash!
Paw!
Spooh!

                                             E viva Batman
(que nos ensinou o valor das onomatopeias)

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Sabe o que é?

Sabe o que é?
Pare um pouco e me escute, ok?

Eu gosto do seu jeito simples, da normalidade em seus atos,
do encanto que reveste cada detalhe seu, quando a observo,
gosto da maneira como me olha,
gosto da maneira como anda,
adoro o seu jeito de falar e de ficar olhando um pouco,
assim calada antes de dizer algo...

Sabe, eu poderia te dizer muitas coisas,
as vezes digo apenas parte delas, o motivo eu não sei,
sei apenas que não digo todas as coisas que quero te dizer,
mas é como se dentro de mim ardesse o sol e brilhasse a lua,
ambos tornando-se placas de anuncio
onde os meus dias soletram o seu nome
e desenham a sua silhueta...

Eu gosto da cor dos seus olhos,
pois parecem a lembrança de um domingo feliz,
em um lugar bom,
onde ninguém tem medo e os sonhos são bandeiras altas,
dançam com o vento e cantam com esperança...

Eu gosto da clareza de seu corpo,
do sabor do seu suor,
do seu gênio por vezes difícil, mas que caso não fosse assim,
não representaria o valor que você possui para mim.

Vejo em você defeitos, normais eu acho,
afinal você é parte da massa humana,
composta de ossos, músculos, sonhos e esperanças,
medos e duvidas também, afinal você é humana.

Sabe o que é? Quer saber mesmo?
Eu gosto de te ouvir, não é a minha vida querendo repelir a solidão,
é o meu chão tomando sentido, não é apenas por você,
não é por você apenas, é por mim.
Você me faz gostar mais de mim,
querer ser livre, querer ser meu, me cuidar por mim,
saber que tem você é um detalhe,
que costumo chamar de magica,
você é a magica por trás de cada sorriso e bom dia.

A vida sem pressa atravessa a rua, toma um trem,
pega ônibus atrasada, lê jornais e tem ou não assume
certas posições politicas, contudo a vida esta ai,
aguardando com surpresa a gota de chuva
que se junta ao lago adormecido,
olhando as mesmas constelações de bilhões de anos atrás...

A verdade é que a vida é assim, 
na surpresa e no acaso esta a magica,
no encanto de um beijo que pode ser abrigo,
no conforto de um abraço que pode refrescar,
nos olhares que dizem e produzem sonhos,
na alegria de estar com você agora...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

J.B.M.

Existe perfeição nos seus detalhes,
no rastro do seu sorriso segue o meu sorriso
feito alegria que quer ser maior
e não cabe só em um...

Por isso sou seu, entregue como em suas mãos,
para cuidar e olhar, cobrir tua noite comigo
fazer de teus olhos meu farol
e teus seios o meu abrigo...

Erguer meu caminho junto ao seu,
junto aos seus sonhos meus sonhos sonhar
até sonharmos juntos instantes antes de os realizar.

Pois quando te conheci, sem querer
eu soube, gosto mais de mim agora,
pois sou seu, gosto de tudo que é você...


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Cuidado Pedro

Tantos papeis, uma vida,
todos os traços, cada uma das letras.
eles estão dentro de cada passo, tendo assim,
o peso de cada dia. Pularam os dias, pularam a hora.
Eu acordei essa manhã e li um livro.

Ela  contou o que já sabíamos, ela ainda te ama,
ela parece mais triste
por não ouvir sua voz.
Eu acordei essa manhã e ouvi uma canção.

Seu olhar sorrindo em fotos,
esconde a cicatriz
por onde a dor se escondeu,
aonde a angustia  e a surpresa
se esconderão se houver um reencontro.
Eu acordei essa manhã e sai por ai:

quem a viu passar pelo patio do colégio,
aonde se toca o sino, aonde os sinos tocam,
por quem eles vão tocar?

Ela ainda pensa no que dizer, caso a chamasse
para um almoço, parque, peça, bar ou apenas conversar,
ela pensa no que dizer se vocês conversarem.

Então Pedro, só te dei a mão,
cuida em tornar teu,
cuida e não descarta a ilusão,
pois toda vida é também  autorizar o delírio.

Faz tua cabeça, recolhe julgamento,
sê mais humano, que a tua benção seja como
daquele que foi amado,
que tua crença seja no horizonte,
a marcha e o canto daqueles que ainda virão.

Pedro seja como era teu pai,
teu avo e muitos outros
lança no futuro a luz da tua vontade.
Pedro, eu sei e você sabe, os outros também sabem:

Vai lá, toma uns goles,
o calor das ideias,
exige esse refresco...

sábado, 24 de novembro de 2012

Por aí

Cravou os dentes no mecanismo
e seguiu falando, como se a cada palavra
esfaqueasse uma lembrança ou um plano antigo.

Tenho comigo isso, tenho em mim e ao redor,
nós somos arvores que projetam as sombras  pelo chão
no fim da tarde onde cabeças encostadas olham o céu

Acho estranho e sem padrão
mas com frequência me questiono:

Se algum dia ao voltar para casa,
incendiarem o ônibus que peguei?

Como seria isso?
Quais consequências indagariam o meu ser
frente aquele momento?

Pediria perdão se não desse para escapar?
Pediria mesmo se conseguisse escapar?

Ninguém saberia
Me dói não saber,

como fazer e o que fazer?
Nada faz sentido ou fará,
então acho que é isso:

Correr para me aquecer,
acelerar o tempo e ver
diante do tempo correr
dentro dele ser quem se vê

Pois é acho que é isso
e isso já é o bastante
para contar, deixa então seguir
olha pro outro lado agora,
agora eu vou passar,

finja não me ver,
me deixe partir
qualquer dia ao acaso
pode ser provável,
encontrar por ai.


Passo lunar.

Então ele vai cantar,
como se no céu uma estrela
lá distante ao ouvir sua voz,
por ele pudesse
se apaixonar
ou se aproximar
com encanto olhar
e ouvir sua voz maior
seu canto profuso
estendido no céu a encantar.

Papeis que com o vento vão,
maré que as coisas traz
para cada passo uma estrofe,
para cada aceno uma canção de paz.
Então ele vai cantar,
que a poesia é o chamado
de quem sente dor,
é o primeiro homem na lua
que viu a terra distante girar
e distante pensou.

Mas se a vida dispara,
feito gatilho e não para
segue o vapor subindo
e a direção inquieta
da vida que segue
feito flor no asfalto florindo.
Então pisar o chão
como se fosse essa a razão
para o céu tocar num salto
e é a beleza e a esperança
acampadas no mesmo palco.

A rua segue e a vida também,
somos viajantes no olhar
no coração e a alem.
Pois toda hora é festa ou funeral
viver é saber que a vida
não é um ensaio geral,
os pássaros cantam e dormem
dizem amem e cantam mais
cada passo só faz sentido se for o final.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Pequeno Dragão (ou o Poema de Pedro)

Meu repouso é arriscado,
os olhos denunciam:

Enlace químico, recreação mental.
Então esses são os dias...

Me lembro prometendo:
para dizer como estaria,
eu escreveria.

E é para que eu saiba,
sim ficaram sabendo...

Toda a poesia que te ensinei,
toda a poesia faz sentido,
quando se sabe porque nasceu a poesia.

Sim eu vi o adiante
e a vida sequer esbarra na razão,
ser feliz é viver um sonho,
quase ter uma alucinação.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Gaza

Nos jornais, eu leio,
dos livros de historia, eu sei.

Nas manchetes se lê: ataques a gaza
Nos livros fica-se sabendo: sitiaram o campo,
cortaram o fornecimento de suprimentos.

Nos livros dizem: mataram judeus, culparam esse povo,
perseguiram e mataram, negaram seu direito ao exílio, roubaram suas casas,
contudo o que vejo nos jornais e o que leio nos livros destoa

nos livros leio judeus,
nos jornais soletro palestinos,

Uma conclusão apenas:

Se aos palestinos caçam,
matam e perseguem,
a razão é simples...

Em Gaza não vivem palestinos,
vivem pessoas que agora,
são como foram os judeus.

Uma criança me puxa pelo talit
e pergunta diante do kahal:

Chaver...
Eles são judeus?

O que posso dizer?
Já não sei, mas suspeito,
se assim como os judeus eles são tratados
pela regra me espanto e entendo:

Meu D'us eles em Gaza moram judeus.

Olhos verdes

Seus olhos são claros
rasos vasos d'água, profundos poços
onde eu posso e sei
que alem da minha vontade existe essa saudade

Essa loucura em querer ser
aquilo que não é mais nós
esse nó atado, essa vontade enlouquecida
de estar ao seu lado querida

Sua boca é meus cais
lago de meu desejo
onde meu espirito se exila na paz

Tenho comigo o mundo
dentro de mim o sentimento
que é por você e dentro dele cabe tudo...


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Pedro (Soulmate)

Pedro abriu o jornal, sem cerimonia tomou um gole de seu chá matinal e abriu o jornal, besteira narrar tudo o que ocorreu antes desse fato, inútil pois não teria a mesma repercussão que esse fato durante o dia de Pedro. 
Seus olhos passearam pelas paginas policial e politica, sua feição indicava o quanto desejou expressar uma opinião, lá no fundo ensaiou algum comentário, no passado talvez, por fim sentenciou em voz baixa. Aquela atmosfera cinicamente europeia, classe media-alta e indiferente, algum dia já foi ocupada por um senso de justiça feroz e radicalmente sectário e comprometido com o coletivo, agora ele folheia os cadernos policiais e políticos, lê com atenção e angustia, procura não expressar sua comoção, solidariedade ou tendencia, escolheu ignorar, não ignora, no fim escolheu aparentar indiferença, se guardar daquilo, mas não se guarda por inteiro, lá dentro ainda existe um panfletário querendo emergir da lagoa de sua voz. 
Pedro, então se contenta com o caderno de cultura, as criticas dedicadas ao álbum desse ou daquele musico ou banda, os editoriais de moda, os rumos do mercado editorial e as descobertas cientificas da ultima sonda enviada a Marte. Ele estica os olhos enquanto toma seu chá, acende um cigarro e aumenta o som de seu toca vinil, se inquieta com o próximo livro por ler, quer saber o que fará quando cair a noite, tem procurado não se importar, essa tem sido uma boa parte do com o que tem se importado, preferiu a surdez, tem conseguido dormir  após ter adotado essa deficiência, as vezes chora um pouco, as vezes quer desistir de uma porrada de coisas, quer vender a TV e ir pro interior, quer ter sua horta e soltar pipas com seus futuros filhos, em um mundo onde a morte seja por causas naturais. Mas segue assim, lê o jornal, escuta seu Beatles predileto, anseia deitar outra vez e acordar, sonha acordar de tudo, mas sabe bem no fundo que tudo é coisa demais, levaria uma vida acordar de cada um dos sonhos que significa esse todo.
Ele escolheu apaixonar-se por quem faz do tecido um vestido, o veste e o conquista ao cantar, escolheu assim, pois dói, mas é muito mais humano, que amar uma bandeira. Pedro anulou a realidade, pois o tempo lhe mostrou que essa as vezes é a pior inimiga da poesia.

sábado, 10 de novembro de 2012

Pedro

Então Pedro olhou pela janela de sua sala, olhos avermelhados, talvez fosse o dia ou quem sabe aquele uísque.  Pedro olhou o sol em feixes, pensou um instante no calor que percorria suas mãos, lembrou ainda que havia ele mesmo se levantado de sua mesa (descontente com o ar condicionado), levantado as persianas e olhado a rua por um ou dois instantes  naquele estado em que se encontrava, seria impossível precisar a duração de cada um desses instantes.
Não existiu um minuto sequer outra vontade, apenas o desejo de desatar o nó da gravata, pegar o elevador, tomar uma cerveja, fingir que nada ate aquela fatídica terça aconteceu, mas era quarta feira. Na noite anterior não tinha dormido o bastante, somente o que se pode dormir quando os bares estão a meia hora do seu trabalho, aquele vermelho no olho era também sono, aquela dormência de quem não dormiu, invadindo o corpo, ele reparava nos vitrais da estação, na preocupação do pipoqueiro... Pedro queria fugir de si um pouco, beber ate perder o ultimo centavo, perder uns dentes numa briga, chorar o amor que já não tinha.
Mexeu nos bolsos, uma ficha da sinuca, um maço de cigarro pela metade, o paletó amassado, calças justas as pernas, o cabelo de quem não teve paz ou fugiu dela. Ali era a imagem que despertaria a solidariedade ou o instinto maternal de qualquer mulher, mas sua atmosfera passivo-agressiva seria capaz de espantar a mais apaixonada entre elas, Pedro estava inquieto, podia ouvir os sinos tocarem, queria sair em disparada, despedir-se com maior cena, ele estava louco, mas a loucura e o cansaço por ter tentado o absorviam. Pensou em tudo isso, recobrou sentado em sua mesa, olhos pinceis e fotos, olhou o inteiro que era aquele ambiente, enfadado pensou em levantar-se novamente e sair para fumar um cigarro, tomar um chá e olhar o céu, temeroso em tropeçar no nome dela ou em alguma lembrança ele ficou lá na sua sala. Saiu apenas quando era o fim de seu expediente, no que tratou de tomar suas duas doses para a anestesia, tomou as suas, colocou seu chapeu, abotoou seu casaco e pegou o trem, no caminho apenas pensava enquanto o trem parava em cada estação: 
''Uma pena as coisas não passarem assim, apenas pelo poder do pensamento.''

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Soneto da amante do corsário ( revisado)


Ele contou lindas historias,
me falando de conquistas
fez de mim outra vitoria
com bombons e poesia...

falava como um corsoria
em seu cuidado eu me perdia.
Me contava de outros tempos
quando não me conhecia

fui aos poucos me perdendo
só pr'ele me encontrar e
tão confusa só podia me entregar

Disse adeus o meu amante
e hoje choro a traição, do meu ébrio navegante
só me restou essa triste canção

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Invenção litoranea

De todas as formas de amar, que se amou, já amei
e todo o pecado é meu, alguns pecados eu mesmo inventei.

Então espera um pouco mais, senta aqui, gasta essa calma,
gosto tanto de me gastar, tantas vezes já me dei, sem importar,
chorei, bebi, dentro da noite, procurando algum lugar.

Então escuta um pouco mais, não sou o mesmo em cada beijo,
mãos dadas, poesia ou gole, partiu de mim aquele lá,
seguiu sem mim, junto de tantas outras por quem vivi .

Não deixei de ouvir nenhuma das vozes que já escutei, 
pois em todas elas o timbre em comum, reluzia amor.

E era amor, em cada estagio, em cada processo,
em todos os amores que amei, buscar o amor foi a causa-crime, 
flagrante delito cuja sentença mais alta é viver.

Das dores não me queixo, 
com elas se aprende a apreciar as lições mais fáceis.

De todas as maneiras de amar, amei
e meu foi o pecado, eu o inventei.

domingo, 4 de novembro de 2012

Vicio

Eu tenho em muitos copos bebido,
a dose necessária para a vida,
em meu copo e em outros copos,
o necessário para o que se tem visto,
diluir o dia, engordar o espirito, se envenenar de poesia.

Tenho comigo isso,
tenho comigo um sol nascendo em cada silaba,
em cada sonoridade, o vestígio vertiginoso
de uma antiga canção chamada saudade

Não se pode ter tudo, não é mesmo?
Então, restam sempre os sonhos,
para quem volta as cinco da manhã do bar,
cabeça girando, quer explodir no sorriso forçado,
quer menos luz, quer beijar a lua e brilhar...

Tem poesia nova, sim eu sei que haverá,
outro amor, outro filme, outro lp comprado,
não tenho comigo mais o que eu sou,
acho que eu era, e já não sei...

Descendo essa rua, estojo e papeis,
contas a pagar, na cabeça o sonho,
no peito a canção, nos passos a poesia,
ja estive do outro lado dessa rua,
se hoje já não nos encontramos,
tenho comigo isso, esse vicio em te esperar.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Patio do colégio

Esse intervalo entre datas,
esse limiar, cujo passar de olhos,
faz e vê acontecer, sem piscar...

Nada me atormenta mais
que a ausência, que o nada,
que esse por vir das coisas
daquelas que podem ser
e das que virão a ser...

Tenho comigo todos os sonhos,
todos exceto um,
justo esse é o que sonho mais.

Ocultar a desculpa,
daquele ate mais,
dito como: talvez até nunca...

Dizer, o que eu diria,
fosse eu outro, não fosse eu ao falar de mim
enquanto fala de nós,
deixo a rosa, canto a barcarola,
invejo o bilhete beijado,
a exclamação frente ao que é normal.

Insisto em ver sinais,
resisto ao cantar uma vez mais
dizer adeus por que?

O até breve cabe melhor
alimenta os sonhos
e arquiteta no horizonte a paz...

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Mecanismo

Ele vai ensaiar, não ligar, não reconhecer a voz,
deixando escapar que esperou, torceu, lembrou,
fez fazer pra si, como não houve em ti.

Ele vai se olhar, mais velho, quieto e louco,
como quem encontrou, perdeu, desencontrou,
aquele mecanismo, que faz funcionar o encanto,

a vela por soprar que ainda não se soprou. E ele vai sorrir,
ao telefone, fingir indiferença, ter crenças no futuro,
dizer que melhor seria, ser semana que vem.

Vai contar detalhes, dizer do que venceu, o que tem desgastado,
se tem feito sol ou se tem chovido,tentando esconder,
deixando escapar toda a saudade contida em sinais...

Quem não quer ouvir o adeus,
inventa sempre outros motivos,
pois toda hora quer se despedir.

sábado, 27 de outubro de 2012

Ode ao 27 de outubro ( canção-testamento )

Essa noite enquanto tomo o meu rum,
enquanto fumo meu cigarro e relembro outros amores,
essa noite, enquanto meus passos anunciam minha velhice,
essa noite, favelas ensopadas de petróleo
são solapadas por barões de guerra...

Advogados obesos, carecas, insensíveis,
aprendem na corte a bajular em idioma oficial!

Na casa operaria, na casa operaria
sopram-se as velas da miséria com o folego da esperança

Nada sei da fome, eu que fui educado nas melhores escolas,
eu que só bem depois aprendi a preparar minha refeição,
lavar minhas roupas e olhar o céu...

Essa noite completo meus 25 anos,
em algum lugar a policia mata inocentes,
não importa mais, não importa, meus 25 anos completados,
o assassinato de inocentes, favelas ensopadas em petróleo,
pouco importa se a gordura do rico,
esconde a inanição da classe operaria.

Essa noite pouco importa, já não comove o mendigo incendiado,
recebe aplauso aquele que aos últimos teme,
recebe aplauso, beijo e calor, o medo triunfou,
mas a esperança escondida se avizinha enquanto cresce,
é o ensaio final, o ultimo grito antes do clamor,
mas pouco importa, assim como já não faz sentido essa noite,

meus 25 anos em nada se bastam,
só me bastam para me indignar, só me bastam para amar mais,
só me bastam para entender:
o amor é o novo nome para o passado.

Significaria algo, dizer que me desespero?
Bastaria recitar um verso de esperança?
Em minha alma tenho a nodoa de cada alma calada,
em meus passos o eco de outros passos
deixados ou que ficaram pelo caminho...

Eu que não uso fardas, eu que não uso gravata,
eu cuja matéria mais admirável
é admirar o que aos outros serviu...

Meu poema se coloca no front, mas não há poesia na miséria,
não querem o poema protesto, não querem o lirismo urgente,
não me dignam cantarolar pelas vozes caladas,
por terem calado essas vozes,
por ignorarem essas vozes, é certo me ignorarão...

Mas hoje completo meus 25 anos,
pouco importa, a frieza do universo, a virilidade,
a flexibilidade e a saúde de certas carnes, em certas camas,
pouco importa o meu nascimento,
já não comove ver nascer um humano,
assim como não comove vê-lo morrer...

eu deveria estar feliz,
sim eu deveria procurar entre meus telefones,
aquele telefone que apenas rabisquei,
mas outras coisas me afligem,
sou homem e tem custado demais
a minha matéria humana ser homem

e as vezes choro enquanto faço minha barba
e ouço roçar imprudente a lamina em meu rosto
ali pressinto o final de Francis Villon e Marat!

Em meus 25 anos entendi pouco, me ensinaram bastante,
mas o bom aprendiz dessas regras,
é certamente feito prato entregue e consumido.

Essa noite, não sei quantos anos me esperam,
se a esquina que se aproxima me trará
fortuna, gloria ou pesar,
temo pelo pesar,
sei que corcéis e belas damas, não custam barato,
sei que cavalheiros sentarão comigo a mesa,
mas isso me custara as vezes a dignidade.

Essa noite completo 25 anos, estive ao lado dos últimos,
não me furtei do bom combate,  já apanhei pelo que acredito,
se valeu a pena? Ai não sei dizer, cabe ao tempo responder,
cabe a mim somente a certeza, seguirei assim,
escravo somente da minha liberdade

Se ao olhar me desespero, ao acordar me refaço!
sonhar feito o sol, seguir com a velocidade devastadora da chuva,
ter a paciência da garoa que aos poucos
junto ao vento sopra, esfria e molha...

Então esses são só meus 25 anos, o quarto de vida e o que fiz dela,
bastou gritar? Não bastou...
Resolveu marchar? Não resolveu...
Mas me anularia como humano,
não ser o que sou
não ser como eu penso,
não ser como eu fui.

Nunca vai me bastar ser como eu sou,
em 25 anos acordar e acordar novamente,
saber sempre não importa o caminho,
se me barrarem na porta, ter comigo sempre a coragem
de pular a janela e tomar de assalto o que me faz sonhar,
o que me faz viver.

A metáfora da vida é um sonho,
a lição do sonho é o sol
então  o jeito é amar e lutar...




quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Aquela capa

Já nos conhecemos, você diz.
Atravessa a rua, sem cerimonia,
não existem razões para olhar novamente.

Meu chá quente, faz sala para o cigarro que fumarei,
inútil esperar pelo que é livre,
o que é liberdade apenas segue adiante.

Enquanto chove, lá fora ela deve estar, la fora ela deve estar...
Agora que já não existe vestígio algum,
agora que restam apenas vagas lembranças.

Subimos tantas escadas juntos,
descer cada degrau é desfazer os pontos,
na espera caudalosa pela dor que virá.

Então peço:
Podem embrulhar o mês de outubro, a palavra maçã,
o cheiro e o sabor dos morangos, os passeios ao luar,

também podem levar cada um dos meus olhos,
as memorias, as casas planejadas, as cadeiras no quintal, varandas,
primavera, circo, bosque, parque e o amor.

Nesse viagem também podem levar disco do Milton Nascimento,
podem levar todas as canções, abraços e beijos, os casais que se despedem
e a palavra adeus, bem como toda a carga que ela possa representar.

Vou me afogar na massa, braço erguido, palavra de ordem,
marchar, combater e recitar, crescer, gritar, chorar e beber,
vou me entregar aos entregues, aos últimos, aos perdidos,
quem sabe entre eles numa esquina te encontre,
pedaço de mar, revisão de provas semestrais
e almoço de domingo...

Podem me levar tudo, que todos os trens partam,
diante do meu olhar atônito
já não há mais você aqui, então não deve haver aqui,
daqui em diante, meus discos do lennon,
minha capa do dylan, podem levar...


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Reencanto

Então você me disse um dia:
Meus sonhos não se permitem realizar
então fiquei triste e senti a noite chegar...

Se eu ainda fosse jovem,
ao menos como quando joguei algumas chances fora...

Houve esperança, cercamos um ao outro com o olhar,
detemos por algum tempo aquilo de que os sonhos se nutrem

então você carregou a luz nos olhos,
os mesmos olhos que guiaram com sorriso e graça
o que em minhas mãos já deve estar escrito e não quis ler.

Tenho comigo cada almoço, cada data
e detalhe, num entalhe perfeito e colorido.

Deixo até seguir, seja como quer
e se o que acontecer, só tiver que ser antes de se permitir

olho muito alem e vou junto de ti
faz o céu abrir, deixa o sol brilhar

qualquer dia vou, mesmo que só pra contar
como foi seguir, depois de você...
Sem você ( agora é quase sem mim)

Vou deixar correr, me distanciar
não pode ser só, o que é feito par

e se fizer sol, desses pra queimar,
desculpa se eu for aí, só te visitar e
é só, sou eu, depois de te amar...

Vem ver, adiante de mim e dentro de nós
os nós e os sorrisos, feito um desaguar e

como sofrer? Se a esperança me faz crer
que ainda vou te achar então vou te ler

e sim, algum dia eu prometo te eternizar,
alem das paredes de um quarto, muito alem do mar

no assalto de mãos dadas, onde a vida quer
e se for pra ser, deixa acontecer,
meu dia, minha vida e o nosso caso...

sou mais festa, e sou mais eu,
te encontrar, foi me achar feliz sendo seu.
E onde me quiser, saiba que minha vida quer
junto da sua, ser sol, verão, calor, tarde, noite, março e chuva

Meu amor é muito mais meu
pois minha vida é sua

Então vai nascer, deixa o céu se abrir e o sol brilhar
qualquer jeito eu dou, só pra te encontrar

e faço por bem, muito mais que saber,
só me faz sentir: eu quero você...

Pois é horas adiante um verso
o universo a se expandir e cantar
o canto que fiz para te reencantar...

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

I'm alone on a bicycle for two.

A vida é maior do que entendemos,
muito maior que uma sequencia de ligações,
repleta de truques e lugares para se estar.

Como se o mundo fosse uma razão para seguir,
o horizonte agarrou a esperança...

Então agora eu sei sobre alguns fatos científicos,
enquanto pensava em você, tomei meu chá e li o jornal.

Pois é, eu atravessei a rua, cada um para uma direção.
Pois é, eu disfarcei e segui ao contrario.

Você estava lá me procurando na multidão?
Ao atravessar conferiu se eu ainda estava ao alcance de seu olhar?

Não fomos registrados por nenhum estudioso,
mas sabe, eu realmente queria entender sobre esse processo.

Feito um pendulo, mãos nos bolsos,
 feito uma fumaça cansada,segui cabisbaixo e farejando,
o que fantasiei ser teu rastro.

Feito toda a luz das tardes seguissem para uma aurora adiante,
onde o teu futuro junto ao meu sorriso há de me inserir...

Eles virão, seja a estação que estiver,
para carregar com meus sonhos, o que será o seu verão.
Estou só em uma bicicleta para dois,
acho que a canção esta tocando...

Do que estávamos falando antes?
''Ouvi alguém me chamar...''

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Sem tempo para anestesia

Viver é a melhor desculpa para se apaixonar, não se trata de um titulo comum para um livro de auto-ajuda, não se trata de uma frase chave para algum programa de sucesso para maniacos depressivos ou abstêmios inveterados.  É apenas uma daquelas constatações que se chega, depois de um bom tempo, depois de uma grande espera, depois de ser enviado para casa por bartender's e seres da mesma especie onírica, noturna e feminina, munidos dessa boa vontade quase, digo quase senão maternal. 
A ciência moderna se mostra numa eficaz metáfora para como a grande maioria se porta (a grande maioria ,incluso quem aqui escreve). A cultura da aspirina, o analgésico no lugar do remédio, feito a anestesia no lugar da cura, amenizar no lugar de tratar, seguir e apenas seguir, como se a dor não fosse parte da cura, como se o músculo encolhido, não fosse um incentivo para correr certa manhã...
Sabe eu quis não me apaixonar, para depois me apaixonar e no intervalo de não querer e me apaixonar, formar a ideia de como seria minha próxima paixão, desejei uma cantora, com todas as minhas forças, desejei que tivesse olhos claros, um humor masculino, porem inteligentemente feminino, aquele sorriso gostoso de dia ensolarado, a simplicidade de um bom dia, a verdade de um abraço quente, pois é acho que encontrei, pois é acho que fiz algo errado, acho que errado foi o tempo, acho que errado é não viajar no tempo, acho que ingenuidade a minha é estar assim. Mas estou assim agora, fico pensando numa serie de coisas, fico imaginando uma porrada de probabilidades.
Me ponho cabreiro e pensativo, escuto meus discos de sempre, agora a imaginado cantarolando essa ou aquela canção do meu álbum favorito, não por sua predileção pessoal, mas por saber que sua voz é capaz de fazer mais doce o que já me parecia genial. queria sei lá que de alguma maneira esses 23 mil acessos semanais, esses 30 e tantos seguidores, esses amigos que vem aqui dar uma olhada as vezes. Queria que todo mundo soubesse, que desde amigos ate momentos e antigos amores, todos ate agora, em todos só havia sentido em cada um uma canção desse ou daquele álbum dos Beatles, conhecer esse moça foi começar a entender, supor que entenderia no decorrer, os álbuns solo do Lennon. Ouvi-la cantar João Bosco, ouvir com ela clube da esquina, dar as mãos e olhar o céu a noite, sabe essas coisas que se faz apenas e se repara que só podem dar uma dimensão eterna e memorável aos momentos que se presencia para compô-las. Queria que soubessem e tirassem as lições possíveis  eu mesmo ainda não consegui tirar uma lição, mas espero em breve...
Não posso me anestesiar, não posso perder essa etapa, não quero perder essa etapa. Pode ate doer, vi doer, se sangrar ou se não deixar dormir, que venha uma ferida maior, que venham as noites sem sono, estou remando contra as aspirinas, pois o que me cura não é evitar a dor, mas saber que cada salto pode ser um voo ou acidente, ter plena certeza que a vida é uma aposta contra as possibilidades, mesmo que doa, mesmo que sangre ou apodreça, ainda é e continuará sendo a melhor desculpa para se apaixonar.


sábado, 13 de outubro de 2012

Vila Silvia

Estou lembrando como voltar para casa,
pelo caminho sempre existe algum mercado aberto
e lá eu compro o suficiente para uma refeição

uma refeição a menos
uma refeição apenas

Já que não existe mais
Já que não existe mais

Uma refeição a menos
sem saciar a fome e é apenas por obrigação
o que antes era anseio e sonho

Então vou reler algum livro,
deitar em minha cama
tomar meus comprimidos

e evitar lembrar algo que se torne sonho
e no sono venha me assombrar

Já que foi assim
Já que se foi de mim

acho que é isso o que sobrou
não sei se a resposta é minha

(mas o tempo vai nos perguntar)

Amor será a resposta para uma pergunta que esqueci
e acho que ninguém me perguntou
mas a resposta segue sendo o amor
segue sendo e amando, pois é a unica resposta,
pode não ser a mais usual ou aceita, mas rima com perfeição

Em noites como essa eu...

Eu apenas tento adivinhar o caminho para casa,
vou comprar algo para comer,
só o suficiente para o meu jantar.

Uma refeição a menos
uma refeição apenas

sim acho que qualquer esquina
pode ser o intervalo entre a solidão e a vida.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Todo sentido

                 Então ela disse: Sim...
e então era como se todo o céu fosse meu 
e então era como se todo o céu fosse seu
como se todo o céu fosse lua
como se todo a noite fosse o sol
Carros urgentes correndo na avenida
transporte publico atrasado e escasso 
Mas seus olhos são luminosos e brilham
seus olhos brilham feito o sol
Ela disse: sim...
Me olhou e nos beijamos
Pra deixar baço preso em porta de metro
só pra me salvar e vir comigo desde agora ate pra sempre
Se ela me chama eu logo atendo
Se ela vier, espero. Se for o caso eu vou...
Noites frias, tardes cinzas e manhãs de sol
irradiando e invadindo a vida, 
no momento em que estreou o seu sorriso...
Seu beijo é um lugar que a geografia não pode achar
e é onde o meu beijo quer colidir e ao colidir
me fez como agora estou 
( meu sorriso em asa e a voar)
Então pode ser que agora o porvir seja em improviso
estou feliz, se pode notar no meu sorriso
A estrada aponta para um caminho
e o destino voltou a ser mais que amigo
Ela disse: sim...
Tenho guardado esse verso como quem guardaria o universo
tenho cantado  essa canção pra mim
E se agora eu sei, acho que antes pressentia...
E vou segurar sua mão, olhar nos olhos
te chamar para sair toda noite, toda hora e todo dia
Te beijar em trem ou metro lotado, na serra ou na praia
passear por alamedas e avenidas
Ficar de papo a tarde inteira
sua voz é tão linda...
Ela disse: sim!!!
Por um instante os ventos não sopraram
o coração tomou ar, olhou pro céu, acenou como agradecendo
No momento seguinte lábios trêmulos, tropeçando na felicidade
só quiseram ser beijos, só queriam  anunciar  megafônicos a toda cidade
Ela disse: sim
por um minuto o coração paro
                                                         era a vida tomando outro rumo  
                                 era o destino fazendo todo o sentido


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Parisiense

Eu vou te dar a mão pra ir ver o sol
e sair dentro da tarde pra dentro do seu olhar

Sua voz entoa a minha canção
de uma maneira que a poesia não descreve

Então se eu chegar um pouco atrasado
peço que espere um pouco,

mas se eu me adiantar,
sem pressa, eu posso esperar...

Se o sol em seus olhos o dia vem ancorar,
em seus beijo, o meu carinho quer
nas ruas com seu nome e perfume seguir...

Eu vou te dar a mão e ir lá,
que agora é bem aqui

qualquer lugar que der eu vou e mesmo assim
na hora e ate na noite anterior, já estarei em sonhos...

Seus passos lindos, seu olhar raro e sorridente como a liberdade
e então eu vou ai, rosa na mão e algum truque que aprendi por você

Corro vagão, se o trem descarrilhar,
faço poema, roubo rosa e chego a tempo

Pode crer eu chego a tempo e vou ai te ver
quero te dar a mão e esquentar seu rosto


Se o sol em seus olhos o dia vem ancorar,
em seus beijo, o meu carinho quer
nas ruas com seu nome e perfume te chamar...





quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Oceano pacifico

Pedaços de cor e arranjos florais
desgastando os passos
investigando o olhar...

Então estão novamente remando
sem uma luz ou um norte

E se essa maré é tão solta e em paz
corre azul e forte se faz maior e forte

Na sala uma canção
na sala um poeta

Ninguem esperou por isso
e então se ouviu assim:

Quando ele voltar
saberão por ele então...

Sim eu amo Paris quando chove
Sim eu amo Paris

enquanto chove
e parece que chovera essa noite
a noite inteira

Me banhe em seu porto e me beije
essa noite a tempestade é te abraçar...

A vida descreve um arco
e ao passo me arrasto e te agarro

Meu olhar feito um barco
minha mão feito estrela

tudo quer te alcançar
e te amar é liberdade

e a liberdade quer essa noite
por todas as noites te-la...

Oceano indico

Guardar silencio, manter segredo
medo e sonho, esperança e negação.

Então se ninguém sabe e só eu sei,
que a rua seja o manifesto preciso.

Se alem de mim, só você sabe
então que o saber seja central...

Feito a luz nos seus olhos, esse clarão.
Iluminando a tua presença,
tornando escuro qualquer lugar, na sua ausência...

A verdade é que de tanto imaginar,
é quase como se fé fosse argumento.

Nada a arriscar, que não a luz,
mas que a luz agora é algo menor que certo olhar

Se o céu é igual pra todo lado,
quando bem lindo o céu só quer te imitar.


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Fechando os olhos...

Fechando os olhos para o final
estamos realmente buscando um remédio

A doença que nos cerca e invade dentro de uma imagem
 turbulenta nas primeiras horas de uma manhã isolada

Então ela acordou em outro ponto do mapa
sem baldeações ou ancoragem plena

Apenas abriu os olhos e seguiu
Sem novidades de um outro continente

Então minha barba cresceria
e meus olhos se tornariam mais doceis...

Fechando os olhos para o final
sim esse deveria ser o sinal para o reinicio

veja agora, minhas ideias inteiramente novas
estamos flertando um com o outro

Em um ponto de onde não se pode voltar
sem uma salvação que não se possa cogitar
sem um aceno que não se possa supor

sim eu acordei e fui lá, e era apenas olha-la
                                  (eu só queria te ver)




12:05

Enquanto a chuva caia lá fora
as horas passam feito solvente ao sol
de um céu que não diz mas quer anunciar
que meu sorriso é por sua causa

Peguei o metrô atrasado em dois minutos
ajeitei minha gola e o meu mop-top
almoçaremos faça chuva ou sol
do seu lado o centro é como uma Londres maior

Pelas ruas, musicas reais imitam o som ideal,
pois ela é tão linda quanto a luz
e ainda maior e mais linda que o sol...

Sua voz é como um coral de rouxinóis
prismando os perfumes de uma nova estação
diante de meus olhos que observam o mundo: ela é a canção



quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Década desalmada

E se o agora
fosse uma curva no cinza
ou um desvio nas horas?

Parece mesmo é que
de tanto falar
pouco restou pra se dizer

Somos canções
já cantadas
somos almas

vagando numa década desalmada


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Parecem

Parece mesmo que não sei
não sei uma serie de coisas

e não sabe-las não é ignora-las
é apenas percebe-las de outra maneira
senti-las de uma forma nova

Parece mesmo é que não sei
e não saber já é desconfiar um pouco.

domingo, 16 de setembro de 2012

Meu medo


Tenho medo de sonhos coletivizantes, pois se você não cabe na utopia dos sonhadores, o pesadelo fica por sua conta e risco, afinal quem costuma falar de liberdade na teoria, na pratica acaba sendo tão tirano quanto aqueles a quem antagoniza.
Hilter queria ser pintor, Stalin e Mao Tse Tung; poetas, Pol Pot sonhava ser caligrafo, Mussolini foi ator/ modelo de foto-novela, Salazar adorava cinema assim como Getulio Vargas e Enver Hoxa., Peron amava musica.
Por tras de todo discurso de amor ou orgulho, mesmo os mais sinceros, guardam um certo grau de insensibilidade aos que não conseguem amar com o mesmo impeto ou mesmo não amam  a mesma ideia, pessoa ou classe. Resta sempre ao dissidente, a materia menos ludica, dos sonhos que não se predentem serem sonhados só. O brilho dessas paixões é alimentado normalmente pela luz de alguma fogueira onde o herege queima para limpar  o caminho onde o ''sonho'' desfilará para o delirio da maioria.
Tenho medo dos sonhadores mais insaciaveis, me dá medo o brilho louco no olhar apaixonado de quem se convence que a sua ideia é superior. 
Não se trata de um discurso individualizante, mas me dá calafrios qualquer opinião que descarte a minha ou de qualquer outra pessoa, que só considere a maioria como detentora da verdade, que legitima mesmo as falhas coletivas, como lições historicas e nunca como equivocos monstruosos, me coloca inquieto qualquer metodo que se pretenda cientifico, como para legitimar seu ponto de vista como o mais palpavel. Na pratica quanto mais em liberdade se fala, lá no fundo agoniza um Napoleão, querendo um trono ou posto confortavel, assobiando frases decoradas e citações de gente morta de tanta amargura que dissipou...
No final ou o sonhador é o traidor ou é o traido, por suas ideias ou por seus seguidores. No final, no final mesmo todo Jesus, vira cristianismo que no final vira inquisição, holocausto ou homofobia, todo nacionalismo vira sionismo que vira aparthaid palestino, que vira odio, no final, bem no final mesmo sou só um cara querendo acreditar que: Dream is over, foi melhor que to be continued...

Tempestade solar

O sol se escondeu na curva do olhar
e a claridade vem desde o inicio do sorriso

Parece que a poesia  é uma metáfora da vida,
mas então me deixe ser a bandeira para seu dia

Enquanto as ruas ensurdecem e seguem
Apenas uma voz, apenas não sei mais...

Ruas somem dentro das conversas esquecidas,
lá fora o espaço dança dentro de uma inquietação.

Dentro de cada lembrança um fato esquecido
tudo que se quer saber é onde estão indo.

Mas eu simplesmente não sei.
Tudo que eu sei é apenas esquecer.

Não precisamos mais da solidão,
me espere, vestirei minha jaqueta e eu quero te encontrar.

Até tarde, qualquer tarde é muito cedo, disso eu sei.
Mas e se o universo ainda se expande é a hora de ecoar...

Pequena nuvem de oxigênio e luz,
reflexo de uma estrela distante

do meu telhado tento adivinhar
por onde estaria, isso é tão bom...

Palavras feito pedestres inconscientes,
distraídas em meus sonhos,

(sem olhar os lados, concentradas em atravessar, 
querendo segurar uma mão e apenas seguir, 
feito a chuva que o sol as vezes vem ver e faz brilhar.)

Sempre é uma boa hora, e se agora for tarde,
espera um pouco pede mais uma e vem conversar

Que o abraço é mais que músculos ou ossos e calor
as vezes é melhor que uma casa, pois também pode ser um lar

Na curva do olhar, ali atras da avenida alvorada,
o sol atravessou o cruzamento e sorriu luminoso

Disse boa tarde e como sem perguntar:
disse oi ao que vinha, era então a noite e era o luar.

Ele sabe seu nome, eu sei seu nome,
enquanto ele brilha, eu te chamo...

Enquanto ele se vai... Sim ele voltará,
ele sabe que voltará, então ao sol como a toda gente eu digo:

Boa tarde e como sem perguntar;
disse oi ao que vinha, era então a noite e era então o luar.

Pelas ruas

Se a tarde como uma pluma cai
é que o arquivo das horas
deve querer engavetar os dias

Sem culpas ou pecados
a vida feito um jardim
como um abraço
apenas olha

La fora
dentro de uma hora
a noite reaparecerá
não existem
chances

Não existem esperanças
então a tarde se esvai
atras da esquina do tempo
feito um bilhete sem assinatura
ficaram as marcas
e as lembranças 
atiradas pela rua.

sábado, 15 de setembro de 2012

Patio




Vai ver toda cidade
queria apenas ser o patio
que em um abraço ou beijo
se estende até ser eterno
e dissipar a saudade


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

13

Na calmaria de seus próprios cuidados
largando-se em seus vícios e insultos

Sem crenças fantasiosas
apenas a antiga magica

Apenas a antiga magica
e eu estou falando de uma tarde ao sol

Sem mantras ou meditação
Sem lagrimas e apenas essa recordação

Na calmaria de seus próprios cuidados
me entreguei aos meus vícios e criticas

Sem cigarros ou cerveja
apenas o bar e um cinzeiro

Quem deveria estar aqui agora?

Quem deveria não existir?

Quem é o rei agora?

Temos pensado demais na democracia de nossas falhas
somos as migalhas da fé

Em algum ponto do universo
um sorriso é onde existimos.

Quando o sonho acaba, começa a vida.
Então amigos, espero que entendam,
não sou mais o poeta, sou apenas um cara

Quando o sonho termina, é hora de viver.
Então entendam :
a vida é o motor da fantasia.

Lua de São Jorge

Se São Jorge na lua habita
solitária batalha ele trava
pois dragão não deve haver lá

Na lua não tem luar
não tem jardim
na lua tem só a lua
e a noite envolta no fim

Eu que não creio em São Jorge
eu que não sou cristão
Mas tento amar como amou Jesus

e eu  me inflamo com a solidão de Jorge
pois sei que na lua não há dragão

Porem na lua sequer um Jorge deva existir
e ainda sim me doí
 imaginar a solidão
que ele possa sentir
caso posso existir

Crianças Indicas

Tenho aqui comigo o universo
e as vezes finjo nem perceber

Estrelas, tardes, cores e o mês de março
pois é
         melhor nem descrever

Faço a barba
fecho os olhos

As vezes quero correr
e no final me deitar

olhar o céu laranja
que pretendia ser galaxia

mas só consegue ser laranja
céu é o nome de quem voa

teto livre de amarras
talvez por isso nunca vá desabar

Tenho comigo o céu
a noite, a cor, o mês de outubro
não tenho comigo o universo

Mas é bom pensar as vezes que posso ser tudo
já que o todo é um poema inverso.

Mundo

Escrevo poucos versos
miseráveis estrofes

Não me interessa mais rimar o absurdo
no meu verso só cabe a poesia

As fronteiras e montanhas
todo o resto e ainda isso
deixo ao mundo

Falar de poesia é crime
não ser poeta é absurdo

Divida provisoria

Sem piedade o poeta expõe suas rimas
depura a métrica, exuma o cadáver do latim
em postas corpulentas
de fragrâncias extravagantes

Pois o poeta é um cantor sem sonoridade
seu verso abana o tédio
que com tarde cai e se esvai e encanta

Sem piedade o poeta depõe
contra composições variadas

Nenhuma letra a lei exibe
de todos os parágrafos
de todos os artigos
em tudo a letra se exime

Pois quer exemplo
isento de tratar de si

Faminto por todo o porvir
enfim o poeta é assim

Esse cagueta dos segredos da alma humana.

Terceto

Agora a chaminé boceja
gases que a industria expeli
como quem por gosto ou gana fere

Agora a estrada assobia
silencio de paz
pedaço de uma via

Nada se entende
naquilo que se pode ser
afinal é apenas um poema

A resolução para esse
ou aquele problema
não pode responder

Estrofes de três versos
não sei como terminar
farei agora o terceiro e termino ao rimar.

Leveza

Aqui comigo tem algo seu,
não é mentira dizer que nem sempre foi seu

afinal antes de você, o que agora é seu,
sequer sabia mas ainda era meu

Dessa maneira brincou a noite
e cantou a natureza

Me ensinando em seu sorriso a poesia
me educando a entender a beleza

Aqui comigo há algo seu
antes era meu
antes de voce não havia essa leveza.

Toda-hora

Quero escrever um verso lindo
repleto de avenidas
completo de vida

Quero mesmo é escrever a poesia
que não se pode traduzir

Que só se leia com os sentidos
e cuja a métrica seja sentir

Pois tenho comigo todos os versos
mas o que mais quero agora
é escrever um verso que diga teu nome toda hora

Orla urbana

E assim por medo ele não cantou
e foi evitado, como fosse mais um

Então todas as canções que cantou,
todas as canções que sonhou escutar

Por tanto sonhar, sonhou e ainda sonhou mais,
saltando maior e lirico, brindou a paz...

E assim certa noite, ele ousou olhar,
certa manha acordou de sonhos absurdos,
receoso e faminto, sua sede era pelo mundo.

Correu por horas, correu pelas ruas,
cruzou quadras, esbarrou em bancas de feiras,
atravessou sinais e não alcançou a lua

Já não havia mais método para a poesia,
agora era apenas a vida,
era apenas a vida...

Sem um calculo real,
apenas a realidade

Certa tarde ele acordou poeta,
já não havia poesia é verdade

Acordou poeta
mas a tarde estava encrustada na orla da cidade.



segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Solar

O sol me aguarda dentro de um beijo
cem mil sóis para aquecer a mão

O céu no olhar e no peito um oceano
pois a vida é boa e é breve o poema

Quem quiser saber se meu sorriso é mar
se tenho nos passos uma canção

Sabe melhor e nem precisa adivinhar
não tenho o sol nos olhos,
mas carrego seu reflexo no olhar

São avenidas, canções, idas e vindas
o céu no peito e no peito esse sonho

Que sonho gesta sonho
e quem sonha não cansa em sonhar

Meu delírio é o sonho do sol
minha vida quer como o sol
assim dia qualquer quem sabe noite dessas...

sábado, 8 de setembro de 2012

Braille

Uma criança me acenou com um sorriso
então não era apenas um sorriso

Estava olhando para o chão e
então ela sorriu para mim

Fim de tarde e eu contava as moedas
esperava por uma ligação, ignorando o fato
de que as vezes a sorte
acena em um pequeno detalhe

então mãos nos bolsos eu apenas sorri em resposta,
enquanto meu ônibus não chegava e os cigarros acabavam

Sem brilho algum e a esperança
é mesmo uma fé que nos guarda do medo

Em uma rua você pode não perceber
pela vida você passa sem ver

Uma moeda não trás sorte
mas e se esse é o destino
apenas pegar o ônibus atrasado te fara bem

Sem estrelas para olhar eu segui atrasado
minhas mãos procuram nos bolsos uma razão
meu olhar cansou de perseguir o horizonte

Mas uma criança sorriu
e me deu uma moeda

Eu estava atrasado
Tomei o ônibus atrasado

Mas uma criança me sorriu
e eu pensei por um momento
em quem deveria estar lá...

Segure um pouco o céu

Segure um pouco o céu
apenas espere por mim
as estrelas vão entender

Não pode ser ruim se for real
não é a ideia central ser maior?

Então é assim como se o destino
fosse um pequeno brinquedo

crianças estão brincando
enquanto a vida segue...

A noite tem muitos lugares
o melhor seria inventar outro

Escute uma canção qualquer
por favor a torne maior

Comece levemente e então recorde
que houve um período antes
e isso foi bem antes de agora...

Dentro dos olhos
através das vitrines

Então segure a noite, sim?
Não se esqueça de deixar as estrelas sorrirem,

sabemos como isso pode durar
e se for real não pode ser ruim

Enquanto o destino se mascara em brincadeiras
meu dia vai esperar por aquele caminho quieto

então sabemos e não se pode evitar
dentro dos olhos e através das ruas

Feito um pássaro que canta a mesma canção
e a estação se encarrega de nos fazer ouvir melhor

Segure um pouco o céu
pegue uma canção qualquer
me faça recordar do porvir...


terça-feira, 4 de setembro de 2012

Estranhamento

Estranho, não estou conseguindo escrever, tive um sonho feliz essa manhã, um ótimo almoço com o meu pai, meu cachorro fez festa quando me viu chegar, estou feliz, sei que ainda falta algo, mas estou feliz, comecei a ler novamente o Brecht, estou feliz, essa noite voltando para casa, mesmo em meio aos chuviscos, olhei para o céu e vi um pouco da luz da lua entre as nuvens e as gotas de chuva iluminadas pela luz amarelada dos postes da cidade, bem como a cor dourada que a iluminação publica empresta para as poças de água nos buracos das calçadas, tudo isso me deixou feliz, contente feito criança antes do Chanukkah, mas sabe anda faltando algo, é tanta alegria, vontade de abraçar alguém, vontade de dar a mão, de passear qualquer dia no final de uma tarde, estou feliz, mas tem algo ausente e essa ausência me incomoda, não me deixa escrever.        Pois sou amor e tenho amor, mas reside em mim aquela sede absurda por aquela gota d'agua que transborde o meu copo. Quando olho uma criança, logo me alegro, faço cena, invento qualquer graça.
Posso ter comigo essa alegria, essa euforia que parece não se gastar aos olhos dos outros, sou feliz e tenho me esforçado em tornar o próximo feliz, pelo menos rir. Mas sempre vem essa sede, essa vontade de me dividir, de compartilhar, partilhar, aprender e sentir novamente a humanidade em mim, dentro do meu cotidiano.
Não se pode ser feliz sozinho, por trás do herói existe sempre o complexo e o medo da solidão, por trás da liberdade, existe a angustia, existe a angustia pois ser livre é viver a liberdade, estar só é apenas se anestesiar, não é possível ser feliz sozinho, quem ri sozinho, não ri, se desespera. Por isso quando ando por ai, quando volto para casa, quando deito na minha cama, quando leio meu jornal todas as manhãs no metrô, enquanto tomo o meu chá, são objetos, são só coisas e tudo ao redor delas, extensão daquilo que sou ou projeto nelas. Tenho medo,não sou medroso, mas tenho medo, insisto em encorajar os outros, mas tenho medo, não sou o medo, mas tenho comigo algum medo, as vezes frágeis detalhes, as vezes apenas manias infantis, inseguranças próprias da vida na cidade. 
Estou feliz, tenho olhado as coisas, tenho visto as pessoas, com mais compaixão, com mais afeto e esperança, me nutrido de fé, me reinventado com paixão, meu jardim, meu fogão, minhas margaridas, meus amigos, meu cachorro, minha gata, meus discos, estou feliz, tenho paz, mas algo me inquieta ainda.
Não vai adiantar muito escrever peças, poesias, propor parcerias com músicos, recitar em festivais, não vai adiantar, não tem choro e nem vela, alias tem choro de sobra pra vela de menos. Viver é uma ciranda, dar as mãos, cantar mesmo que cada um, cada um cante uma canção, no final o que importa é dar as mãos. Por melhor que seja o uísque, o cigarro ou o filme, lá fora existe vida, e é a vida que tudo inspira ou deveria em tese inspirar, fazer reparar nas pernas da moça, se faz sol ou chove, que horas são, esquecer nomes de ruas, sentir náusea no centro depois do ultimo trem, querer o ultimo bar, cantar com quem canta na rua, abraçar uma criança ou simplesmente fazer graça para faze-la sorrir, lá fora é a vida. Lá fora algo me angustia, pois estou feliz, sim estou feliz, mas não estou contente por completo, não sou livre por completo, como se no meu sorriso faltasse um dente, como se durante a semana o tempo prolongasse o por do sol só de pirraça, como dizendo que eu devia ir lá fora, ligar para alguém, procurar bar sem fila no balcão, ficar amigo do novo garçom. 
Talvez minha alegria seja culpa, talvez o meu pecado ainda não exista, quem sabe se inventei o meu próprio crime, o certo é que todas as respostas merecem ser respondidas por uma voz diferente daquela que as fez, feito o sol distribuído nas diversas horas do dia, feito a chuva que molha tudo quanto é qualidade de gente, banhando assim a cidade, nivelando assim a todos, nessa metáfora climática sobre esses tempos modernos. Talvez minha angustia seja culpa, seja medo, talvez essa alegria seja carnaval, talvez essa angustia seja aquela sensação de que é inevitável, para toda euforia, sempre haverá quarta de cinzas, mais dia, menos dia, mas estou feliz, não importa isso agora, importa chamar alguém pra sair, importa pouco se levar bolo, pegar ônibus errado, tomar sorvete, chegar atrasado, importa mais o que mais importa, é que lá fora é a vida, essa casa gigante repleta de janelas e sem nenhuma porta.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Me mandaram dizer:


Meu amigo mandou dizer
que só não diz quem é pra você
porque sou tímido

Disse também para dizer por ele
pra você que ele não diz que é bonito
pois sou um cara modesto.

domingo, 26 de agosto de 2012

Novamente o luto

Tarde de sol
brisa gelada

Parque sem cor
inverno partindo

as folhas no chão
as mãos separadas

Calado e mãos no bolso
olhando o céu

Mas o céu não sabe mais nada
poesia sem cor

Sem sentido algum
apenas palavras.

Mil sóis

Passos de mil sóis guardados em uma recordação
Mantra que só quer se parecer com a palavra amor

Então as pessoas estão novamente cuidando de suas vidas
elas parecem felizes diante da televisão assistem seus sorrisos
presentem suas dores futuras e desnecessárias

Não existe cura para a doença que você procurou
apenas olhe para o céu dessa noite e lembre dessas palavras

Somos uma estrela, somos uma pergunta
e agora não há mais sorrisos

Eu queria compor uma canção triste
                              (mas estou feliz)

Eu queria escrever que chorei, eu chorei realmente
mas agora são apenas recordações, pois agora estou feliz
e não sei cantar uma canção feliz.

O destino descortina uma serie de novas perguntas
eu apenas quero entende-las de maneira correta
para correr para aquele caminho
para deitar em minha liberdade

As vezes é assim
não é somente ser

As vezes é apenas quando acontece
e dessa vez estou feliz

Queria cantar uma canção alegre
preciso aprender a descrever a alegria.

sábado, 25 de agosto de 2012

Assobio

Assim ele foi ver e gostou
fez então de seu peito avenida
e uma antiga banda passou
como com ela ali e suas canções ele ouviu

Nada mudaria e nada ocorreu
assim pelos cantos ele enfim cantou
no luminoso espelho de seu olhar
na maré confortante daquele riso

Nada mudou mas também nada ocorreu
Numa cidade maior, pelo exercício de imaginar,
o sonho aprendeu a ser real

A vida olhou  o sol e então esboçou sorrir
Mas o peito já feito avenida na estampa do dia
vibrou junto da banda e supôs a banda
e junto da banda o tempo que não quis passar

E a noite enorme como uma fanfarra,
a vida se mostrou plena feito canção
pois a tarde chegou cedinho feito assobio.

Sendo paz se mostrou luz
e é tanta luz que nem se pode ver
ao fixar o olhar

Assim ele foi lá
foi ver e gostou
olhos que sorriem
sorriso onde se fixa o olhar

luminoso espelho do seu olhar
maré intensa de seu sorriso

Tem mais poesia agora
muito mais poesia
quando o dia é assim
feito tarde e assobio.

A cidade espera
a vida aguarda

Na praça um nome
e pra reza essa graça.

A cidade é um corpo o poema é um peito
feito avenida onde a vida é banda e a banda passa.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

MDMA

Dentro de uma semana estarei a espera de outra semana
e quem disse que o céu é o quintal das estrelas
certamente esqueceu de dizer a brisa leve que soprou 
e o que sobrou depois...

Tenho que correr e então eles escreveram sobre nós
eu apenas sorria, eles queriam descrever meu sorriso

Meu espirito não corre conforme a pena
e é uma pena pois eu ando tão cansado

Pintei um muro com as folhas da laranjeira
sequer a primavera elogiou ao musco que veio aplaudir

Eu vivo pouco bem pouco
coisa de quem quase não ri

Mas a vida não é pouca
e é feito gargalhada

Repleta de vozes roucas
cada rua é uma guinada

Dentro de uma semana
estarei a espera da próxima semana

E se não der já  foi o bastante
te ver na rua e passear 

Eu assim: cachecol, óculos escuros
e você: chapéu de chuva e vestido floral, 
pois somos elegantes.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Você

Quem é você?
Não quero saber seu nome,
quero saber quem é você?!

Adianta dizer que cada janela dessa cidade
até você, não portava razão e eram apenas janelas?

Adiantaria dizer, que cada rua desde aqui até Pequim,
cada rua eram apenas ruas, com nomes de pessoas que ignorava?

Poderia também dizer que a arborização, não me tocava tanto quanto agora,
não sei se sabe, mas quando retorno sozinho para casa,
vejo as copas dos jasmineiros, damas-da noite, cerejeiras e ipês.

Ali em meio as copas que cortejam o céu ao tentar alcança-lo,
me espalho e me torno imenso, me espalho e me torno parte daquilo
dentro da noite imensa e infinita, em cada estrela,
cada estrela, que não adiantaria dizer,
mas direi, tem mais sentido agora.

Afinal quem é você?
Não quero saber seu nome...
Quero saber seu endereço,
saber se possui CPF ou CNPJ,
se aos sábados vai a sinagoga
ou aos domingos é missa ou culto?

Quem é você afinal?
Costuma beber socialmente
ou estava apenas acompanhando alguém?

Já teve algum amor?
Já ficou uma ou mais noites sem dormir?

A agonia da ansiedade já sufocou seu peito?

Não sei seu nome, não quero saber.
Em noites como essas o universo se senta ao meu lado
diante da imensidão me perguntam a vida e o tempo,
nada respondo e apenas respiro...

Eu poderia ter te perguntado,
poderia ter pedido seu telefone
ter por exemplo tomado ciência se por um caso
quando o ônibus que tomo todas as noites de volta para casa,
ao passar pela rua Araguaia, na altura do edifício papillon,
quando meus olhos se levantam
para espiar mulher pelada em alguma janela
ou apenas por habito,
se você mora ali,
se você é a mulher pelada que eu desejo ver...

Não adiantaria dizer, mas me suponho dizendo:
Escuta moça, escuta aqui...

Voz falhando,
peito acelerado
e a boca seca pela ausência de coragem.

Quem é você?
não quero saber muito,
para tanto
apenas o bastante
para fazer seu mapa astral.

Abc ( poesia que ocorre)

Tenho dito coisas
tenho perdido contato

Enquanto isso a nave
enquanto isso o espaço

Lá fora faz frio
aqui dentro é frágil

E o poema é delicado
simétrico, aeróbico
revolucionário e inquieto
delicado, delicado
quando não é épico

A musa é uma esquina
onde bares, pares ou padarias
tem seu turno encerrado

Não quero saber mais
tenho tomado conhecimento de certos fatos

E para tanto tenho comigo suas dores
já não me gastam mais esquinas, meninas ou seus amores
a vida é apenas poesia e as pessoas são refletores

Tenho tomado cachaça
e tenho fumado nicotina

cigarros, cigarros e cigarros
o vento seca o olho e 
o olhar por trás da retina

Com lirismo um critico me pergunta
qual a razão da poesia?

Eu inflo o peito de mentiras e respondo em prantos:
de todas, as mais cretinas...

Tenho dito coisas
e ignorado os resultados

O poeta sorri
sorriso decassílabo
de verso improvisado!

que importa agora
se a métrica
é uma cidade
ou um verso decorado

A verdade é pouca
a cidade é louca
a menina foi embora
e deixou comigo a sua roupa

Adiantou acender cigarro?
Adiantou beber uns bons tragos?
Adiantou algo?

Não sei
mas em cada dose
fui valente
em cada amor o mais fraco
exatamente por essas razões
exatamente por cantar canções

Não como essas que querem cuspir na cidade
saliva de ferro e alcatrão
descortinando em  enxofre e refrão
cada silaba que palpita dentro do coração

Vê agora esse mapa de minha atenção,
todo o resto foi desilusão!

Cantarei um verso é certo
não sei se rima rara ou fácil
mas cantarei uma poesia
e que seja ao menos um pressagio...

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

1 triz

Ser feliz?
                                                      Não entendo
                                        mas penso
que 
                                                                    pode ser
                   mas só 
se for 
                                                                                         por 
                                                                                 1 
triz

Carta aos meus leitores e quem mais interessar

Poeta nacional ninguém valoriza, quer dizer tenho que me fuder ate a morte pra depois batizarem ruas ou uma cidade com meu nome? Vender feito água e ser citado em mesas de bar, ser citado em vestibulares, só depois de morto? Garotinhas falarão que eu as entendia e todo esse tralalá que se ouve hoje em dia... Quero dizer ainda em vida, caso depois de morto me torne celebre, qualquer frase divulgada como minha em redes sociais ou qualquer invencionice futura, saibam mesmo sendo minha não conta com a minha aprovação e nunca contará!

Ps: me paguem cervejas e pinga com limão, no futuro ao menos se eu ficar celebre poderão dizer paguei uma cerveja ou uma pinga com limão pro poeta fulano de tal...

PS1: Donos de bares não me deixem pagar a conta, no futuro caso eu fique celebre, vocês poderão colocar minhas contas num quadro e expor para que seus clientes possam vir ver, em criticas de jornal ou revistas, poderão dizer que em vida bebi muito em seu nobre estabelecimento comercial.

PS2: Moças vocês podem demonstrar todo o afeto e a maneira como eu supostamente as entendo e que só apos minha morte, vocês revelarão, prometo também não revelarei seus nomes. Inclusive poderão até descolar alguma grana escrevendo biografias não autorizadas onde aparecerão como figuras centrais, cada uma respectivamente!

PS3: Gostaria muito de não ser homenageado com coisas do tipo nome de praça em Mauá, Rua em Ribeirão Pires ou Rio Grande da Serra. Uma placa em um bar ou um feriado no ano já esta de bom tamanho.

PS4: para desgosto da previdência social e de invejosos, sevandijas e outros calhamajorcas, pretendo viver bastante ainda. Por isso minha gente, que isso sirva apenas de precaução!

                                                                                                             Ass: Youssef Igor       

Cerejeira em flor

Cerejeira em flor
desfolha o dia na esteira do tempo
que no turno escorre

A tua flor é quase folha
cheiro noturno onde
cada estrela nasce e morre

Não tenho como dizer seu nome
letras grandes ou pequenas
que não aplacam o desejo ou a fome

Pois se são castanho claro é bem claro que são furta-cor
e diante do céu mais aberto quase verdes
é tão claro cerejeira, verdes como no outono é a tua flor

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Na rua por mais poesia!

Sim, eu ouvi uma antiga oração,
no deserto o fiel ora ao céu
de meu quarto apenas a visão do horizonte

Os galhos do jasmineiro secarão
é tempo de renascer e um novo caminho adiante chama!

A velha canção agora ecoa com novos tons
por fim o final se revelou em nova etapa

Não vê que o vento anuncia ao espalhar esse perfume
que a porta sempre aberta agora aguarda visita
- (a porta sempre aberta já gasta e cansada de esperar) -

E o tempo entoa uma esperança
que o vento espalha feito perfume

No deserto o fiel  olha as estrelas,
saber do céu é como orar, seu gesto ensina.

Apenas viver, apenas olhar, apenas passar,
tenho em mim a dimensão de quem amei
tenho em mim a dimensão de por onde estive

O jasmineiro e seus galhos secam
o perfume que a rua envolve
tem agora os passos de uma lembrança feliz

Dentro de mim e ao meu redor apenas isso
ao meu redor e lá no fundo estou só
comigo e a solidão e as alamedas
de um bairro que envelhece em cada esquina

No céu cada estrela feito uma prece tecem,
o descortinar diante de meus olhos que do tempo se recolhem
no exercício poético de imaginar e lembrar

Por isso eu amo - responde a margarida
Por isso eu canto - responde o poeta

Já não existem mais paredes ou muros
nem quarto que nos guarde seguros e no escuro

A luz da noite sai e nos convida
é que na canção já se escuta:

Na rua
tem mais poesia.

domingo, 19 de agosto de 2012

No peito que se quer ignorar por tanta dor

Enquanto existem estatísticas que provam,
comprovarei com meu figado...

Sem uma casa real para acalmar os delírios
meus pés seguem pois caminhar a noite é pouco...

Em um primeiro momento, apenas olhar,
apenas assobiar pelos lugares mais sujos,
e recordo agora, era para ser fácil,
mas não tem sido.

Mãos nos bolsos, no bolso um guardanapo,
na cabeça um milhão de terminações nervosas e em conflito
arvores não são como prédios,
no quarto andar eu deitei e dormi.

Onde estou ou como estou
- (não fazem mais parte do meu ser) -

No espelho tento me evitar
Já não quero mais saber...

Em uma semana, estarei a espera de outra semana
e não sei mais nada, apenas vou tomar do meu copo,

na mesa onde sobra um lugar e a bebida parece pouca,
onde a rua me chama e o vapor me convida feito abraço.

Na mesa ao lado, ao lado da mesa uma conversa
os olhares se acusam e se afiam, denunciando o ato.

Pagarei minha conta
pegarei minha bolsa

Apostei alto demais
e é triste ver correr a hora
no caminho que percorri

Tantas escadas subimos juntos
e agora cada degrau ecoa
o som solitário de meus passos

Estar só é ver o tempo
empurrar a faca cega dos excessos

No peito que se quer ignorar por tanta dor...

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Saudade daquele personagem que você interpretava.

Entre vitrines e luzes
as cores e a cidade

todos os perfumes
apenas o seu me faz acordar 
e olhar o teto duas horas sem piscar

E eu acho que não quero mais você
mas como eu estaria se ainda houvesse você aqui?

Hoje me coloquei assim a perguntar
e cada riso ou angustia, 
saiba foi uma resposta que deduzi.

E se você estivesse aqui
e se essa também é a sua pergunta? - Ja não sei mais...

Enquanto olho para o teto do meu quarto
as possibilidades de uma manhã qualquer
anuladas pela sua recusa e a recordação
feito punhal esfaqueando o sol lá fora...

Então me diga em francês
cante algum sucesso realmente duradouro...

O amor tirou ferias
e a alegria entrou em greve essa manhã

Sem margaridas ou sua cor favorita, sem anéis de prata ou ouro 
apenas os passeios medíocres ocupam seus finais de semana...

Desenho seu rosto nos muros onde passamos
te deixo bilhetes em qualquer mesa onde bebo e choro...

 Foi tão pequeno e eu não notei a importância
(durou tanto e eu pensei que fosse eterno)
para sempre, sempre foi uma mentira convincente.

Adeus alegrias vividas,
recordar é sofrer, quando o presente ainda remoí
as sobras do passado em ideias tão angustiantes
e então me pergunto: 
Será que essa é também a sua pergunta?

Ela nunca mais me viu...
Ela não sabe como estou,
será que sabe de mim por outros
ou anda por ai querendo saber?

E olha que eu até fui feliz, hoje já não sei.
Mas é que agora o dia corre quente e morno
feito um vestígio de quando havia ela aqui ainda.

Enquanto guardam a praça, faço farra na rua
mas então não sei, não sei mais...

Nunca mais soube de você e
então como vai ? 

Então não tristeza ou ressentimento por tanto amor guardado
é apenas a solidão por não ter alguém do meu lado
mas cada dia mais entendo só eu estive todo o tempo do meu lado.

então espero que guardem a praça
façam ronda e até aplaudam

Afinal essa manhã eu olhei duas horas para o teto
e quer saber não foi sobre você

Não sei mais se foi sobre você
acho que foi mais sobre agora

Realmente nunca houve você
e o que existiu foi apenas aquele personagem
que eu gostava tanto

Tenho saudades daquela sua atuação
era a minha predileta e para ela compus essa canção.