Aos comentaristas


Devido uma avalanche de comentarios torpes e não identificados, decidimos que só aceitaremos comentarios devidamente identificados e que não contenham mensagens ofensivas, alias se comentar e se identificar, serão permitidas as ofensas. Quem quer debater, tem que ter coragem de se mostrar para que o debate ou critica seja fdemocratico! Okay cara palida?

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Não sou Vladimir Maiakovski

Eu sou Vladimir Maiakovski
não sou Vladimir Maiakovski
sequer sou poeta
sequer sou humano como Vladimir Maiakovski
e não me farão reviver no seculo 30
e não juntarão minha lirica para mostra-lo
não constarei no catalogo toda-vida
não contarei entre os poetas amados
compreendidos pelas massas
ou que tingiram de vermelho os trens e postes
pois na voz rouca e metálica
das chamines das fabricas eu não ouvi a flauta
encantar a metrica num verso livre
ou a moça mais fabril
tecer o soneto febril
de amores humanos e paixões possíveis
acerca de minha obra
portanto não
eu não sou Vladimir Maiakovski
sequer tenho minha Lila
alias tenho sim e quantas vezes diante da morte titubeei em valsar 
valsar minha derradeira valsa como um réquiem de passagem
para um outro lado de mistérios irracionais e supostos por toda a humanidade
eu tremi inúmeras vezes peito ao alvo
pronto a disparar uma ultima nota
no entanto hesitei
sou hesitante demais mas se coragem me mim houvesse
houvesse coragem em mim a tal ponto chegar
morderia com letras estraçalhadas o cometa do destino
e imprimiria minhas deduções  absurdas o segundo final de minha vida
viver não é novidade todos sabemos
não há esperanças o bastante para tanto
para a vida todos dizem um amor basta
para mim que sou inteiro amor já não basta mais amar
o céu cinza da noite urbana tatuou em mim essa especie de angustia
fruto improvável de uma espera inútil
Amor impossível é possível amar assim?
Tomarei veneno e já o tomei
voltarei a vomitar como quando tomei pela primeira vez?
Talvez me enforque no entanto não é lirico o bastante 
morrer enforcado por si não tem tanta poesia
devia seguir minha vida contudo como seguir assim?
Ouço as chaminés das fabricas
os turnos em botas de segurança seguir entre as fileiras cansadas da super exploração
ouço os carros em sua maratona urbana e urgencial
Nada  faz sentido como antes fazia
acordar cedo em lugares próprios para se seguir
pegar trens  e  se adiantar ao turno ou gabinete
nada é demasiado bom agora
Eu não sou Vladimir Maiakovski
minha Lila foi ao circo e encantou-se com o macaco
sim ela gosta de animais
no entanto guardo a duvida se o meu bocado terrestre de vida 
ao se findar ou eu o findando
se me reviverão afim de coexistir ao lado dela
o bocado que ainda creio me restar desse amor
Mas não!
Eu não sou realmente Vladimir Maiakovski
meus dedos amarelados não tem o caustico verso que da cabeça enevoada e jorra
e nem minhas vértebras serviriam para tecer uma lira
gritante de minhas mais intoleráveis dores
não sei cantar as ferramentas urgentes  que trajam o fardão enlameado
da classe operaria
minha revolução é um sonho utópico dentro de uma noite de embriagues
minha classe é um desencanto que circula em meus artigos inomináveis
graxa de meus passos e resina de meus desesperos
tremulante indignação cujos os meus olhos faz tornar folhas de ferro e solidão
fria capacidade de se aquecer no sofrimento
de se esquecer a vida diante de um amor impossível
a grande verdade eu nunca contemplei
talvez sequer haja tal verdade absoluta em marcha contra os batalhões de nuvens
castigando os motores que movem a engrenagem da insana vida
talvez a vida seja um verso qualquer
desses que a titulo de se encantar qualquer mulher 
se recite numa noite dessas em algum bar
A verdade eu já não sei mais como dizer tudo isso
não sei mais o quanto de mim é vida
ou se a poesia ja se foi daqui
numa casa fria e sem esperanças as ideias passam
por um jardim onde eu nunca plantarei minhas margaridas cálidas e em sangue
diademas da alma que sequer sei agora se existe
urge em mim toda a urgência da vida
em um momento em que a vida não cabe mais nos dias
que a vida me oferta
A vida já não canta mais como cantava
foi um breve momento que a tempestade avaliou destruir
num sopro frio eu vou como tantos se foram
viver é verdade meu poeta querido
viver já não cabe na alegria
descartável momento onde os olhos se revertem em faróis de busca
numa procura amarga onde a espera custa as noites em embriagues
Meus pés se gastam num gesto demoníaco e aterrador
a trilha ao final guarda a singela palidez daqueles que se vão em vida
sem um sorriso que não seja cinismo
sem uma trela que não se entregue e dissolva
Sim  morderei com força o cometa da vida
a roda da historia há de girar mais uma vez 
e na próxima não constarei entre aqueles que a movem
no entanto penso comigo eu o incompreensível para as massas
já não pensarei meus pensamentos
constarão como poesia apenas
saberão de mim por meus poemas
não me acreditarão um ser  serio
pois falei demasiado pouco de coisas ditas serias
me crerão como um  soturno ser vagando na bruma de minha solidão
conduzido pelo vapor de um cigarro ou outro
no perfume de alguma outra que na tentativa invalida de me amar
nada fizeram senão tentar meu esquecimento 
de um amor que já se foi
Nada adiantará agora a resolução foi tomada dentro de um ano meus caros
dentro de um ano
um ano desde a fatídica data eu direi
porei um ponto nessa jornada dolorosa
viver cansou-me
não é bom fardo viver quando a dor vem cantar na janela do peito
entre as sessões intermináveis o único remédio
é aquele que anula a todos os remédios
e não haverá mais dor
e nem haverá mais canto alem do canto que cantei
com meu final eternizarei esse amor 
que me fez ver que não há mais sentido sem  esse amor
Contentarei os sentidos com uma dor final
e afinal não deve doer por tempo o bastante morrer
em um instante estarei do outro lado
ao lado das não-coisas
daquilo que já não consta entre as coisas que existem
deixarei de  ser alguém para ser algo
um objeto perecível e frio
resoluto e frio destinado a um lugar definitivo e frio
Não sou Vladimir Maiakovski
no entanto como eu amei e como ainda amarei pois ainda amo
e no futuro saberão de mim por esse amor que amei
e dirão ai esta o ultimo dentre aqueles que amou
e poetas cantarão canções de meu canto e outros dirão
era demasiado piegas contudo amou
amou um amor que a vida quis fazer maior
mas outra vida não deixou
E num seculo adiante quando a raça humana 
for apenas um vestígio misterioso 
no vulto das existências
seres que nem a metafisica presume suporão qual a razão da existência de algo assim
e como eu fui eles se indagarão
e nenhuma resposta será necessariamente objetiva a ponto de calar
as perguntas que sua proto ciência fara diante de minhas razões
se fara necessário me recomporem
e ali quem sabe diante de minha tristeza saberão
que necessária seria que revivessem quem amei noutro tempo
para que enfim eu vive ao menos um tanto que seja magico
mesmo que magica seja algo escasso mesmo em nossa era
e constataram que nem mesmo a luz
faz reluzir com brilho
os olhos de quem ama ao se ter ao lado o ser amado
pois meus olhos serão cinza até o nosso reencontro
e meu sorriso pouco convencerá quem quiser ver graça em mim
a graça se pôs como o sol se porá em alguns milênios 
e
toda escuridão de minha existência se apagará em silencio absurdo
Não sou Vladimir Maiakovski
sequer bom poeta eu fui  eu sei
não amei o bastante e sequer fui amado
minha Lila foi ao circo e de lá não voltou se encantou 
por um animal qualquer amestrado
Espero minha hora diante dos seculos que a existência assombra
e como um vagão vazio eu aporto em estações e claros versos
inútil tentar aplacar a dor que a vida é
se é da vida viver que não seja a vida então
resoluto e incansável cantarei um ultimo verso
azul como um ponto esquecido
Cuidarei de apagar com tintas o que com vida se paga
ao se amar como eu amei nesse existência
não foi o bastante ?
Os postes e sua luz amarela me indagam e não sei com o dizer 
mas por fim responderei aos seculos com minha lira
sim eu amei na Terra como nenhum jamais amou
Mas não foi o bastante o valor de minha entrega
por isso me dou ao destino com o peito perfurado 
pelas metáforas metálicas de um projetil
Contra minha existência pesaram os dias
                                a vida 
                                     o amor
                                         as ideias todas
                                     e toda a vida dentro 
                         do que ela é
                                  sim a vida que poderia ter sido
                                                  e foi por um tempo
mas já não é mais como era pois como era é como devia ter sido toda a vida
Recordarei dentro de mim
até o momento                                                que as lembranças anulam para si
Canto meu canto agora mas sei que cantarão por mim
cantos que cantem esse amor que eu cantei
e encantou minha vida que era  por fim  no que se pode crer
um final feliz
mas o final quando nos chegou
me deixou assim de lado
calado e cabisbaixo
pelos cantos a cantar um sofrer apaixonado
de quem ouviu  
 amor 
dizer 
adeus 
Como se diz o barco quebrou na enseada caso concluído na inconclusão
o teu adeus fez meu peito perder o sentido
desesperou meu coração
E hoje a vida é uma casa azul e morta onde o luto se antecipa junto aos braços da solidão
sua janela ve a chuva me perceber partir
dentro do seu adeus meus passos choram ainda
e no centro dos meus olhos resta sempre essa imagem sua
                                         minha Lila
amor de todo a vida
Como se diz a vida se encerrou não é mesmo?
Inútil entender o ultimo aceno ou forçar uma amizade agora
na fileira daqueles que me verão no derradeiro momento
não espero suas lagrimas
quando o poeta tornar sua poesia 
na matéria de um ataude de imensa e definitiva dor
o amor me converteu em sofrimento 
ao se converter em você em vazio


Nenhum comentário: