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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Fase vermelha

Quando você vier
não pense muito não
faço questão de abrir a porta
e perguntar como você vai
para apagar o tempo
todo esse tempo sem você
eu vou por o meu casaco
e te levar para passear
para algum lugar legal
onde meu bolso caiba bem
e possamos conversar
Eu estou construindo um poço
e uma escultura em madeira
também compus sonetos
sem sequer saber seu nome
quando você me ver
eu sei que vai saber muito bem
o quanto eu te quis bem
e o quanto andei até aqui
até aquela noite
o quando eu andei
e olharei seus olhos verdes
e tocarei sua pele  branca
e te direi coisas bobas
e ficarei sem graça
diante de seus cabelos ruivos
suas tranças e cachos
seu olhar risonho e penetrante demais
e mesmo sem saber seu nome
e ai quando eu souber
não importa muito
pois vou te chamar
se voce deixar
deixando ou não
vou te chamar de meu amor
e toda negação de vida
verá florir na poesia
um anti horário
bem mais quente que o verão
É toda a rima em seus olhos menina
em sua voz pequena
se apequenando na lembrança
dançando dentro do refrão
entre as guias  de cores que valsam em sua roupa preta
que contrasta com seus olhos cor de folha viva
com seu cabelo tom de chama em chamas
querendo me encantar
me ateie fogo
no lirismo mais pálido e gentil
me exile de toda a ancestralidade
que chegou e se apropriou desse Brasil
me faça maior como me vi em seu olhar
me faça gigante como eu me senti em sua voz
ao me chamar
me diga seu nome
e dessa vez eu não vou esquecer

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O aplauso

quão doce aquele aplauso que não foi visto
homenagens feitas ao acaso, insolencência, adulação
palmas estralam com o sorriso ironico misto
de incerteza admirável e delizes pela obrigação

Esperem, pois, a glória, a foto na revista
a aclamação irrita quem vive do silêncio e do não
a pancada vaidosa imita a ofensa racista
o aplauso verdadeiro não se esconde atrás da convenção

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Janela

Ele esta lá com suas mentiras e dores
e dança com suas feridas e cacos de vidros
uma fase da lua
revela a religião dos outros
entre os estilhaços da janela
com uma desculpa aceitável para suas mentiras
toda verdade se mantem por si
só as mentiras são coletivas
um espetáculo precisa de publico para parecer real
Ele correu para seu quarto quase agora
estamos no corredor e podemos sentir o cheiro
o som da queda é tão fatalista
e desistir doí tanto
eu sei muito bem dessa dor penso comigo
e por um instante sou como se fosse como ele
Um cara atravessa a rua e segue
ele não esta indo para sua casa
canto algum é o nome de onde ele quer ir agora
e não importa muito seu nome
nenhuma pergunta o fara responder com vida
Sem uma ideia que o faça melhor
a esperança pegou um ônibus para outra cidade
ele esteve aqui faz um tempo
 pelo corredor até um quarto barato
e sem esperanças
eu sinto dizer senhora religião
mas o som da queda é como uma orquestra surda
espalhando o pavor ao se constatar
o resultado em via publica
Enquanto a canção segue ele apenas se foi
todos sabiam muito bem do final
e todas aquelas noites alegres eram despedidas
e sua oração uma maneira de se garantir
caso haja algo lá mas e se não houver
enfim por fim toda a mascara da alegria
era apenas o cortejo de despedida
Sim eu vi ele passar por aqui
 comodo e  compenetrado
em silencio  sorriu no caminho até seu quarto
como é talvez a janela cansou de mostrar a parede
e saltando quem sabe o que ela tenha imaginado
como é seco o som da queda
Não há mais amor...
Nunca mais haverá amor
e sim ele acabou de partir
os vizinhos trazem as condolências
e os amigos as lagrimas
O amor acabou há pouco tempo
podemos ver ele escorrer com o sangue pelo chão
o ultimo suspiro antes de cair
o intervalo entre o salto e a queda
e sim o amor acabou faz pouquíssimo tempo
e ele esta lá  ou o que ele era
ouvir o som da queda é saber
que o final é mesmo definitivo quando se amou assim
Vizinhos trazem as condolências
e os amigos uma tempestade de lagrimas
e ela nem  foi sensível aos poemas
sequer  respondeu aos telefonemas
o amor acabou
seu ultimo suspiro foi antes do som da queda
e agora esta lá entre os estilhaços da janela
e o sangue a escorrer enquanto o resgate não vem
Ele apenas quis assim depois que não havia mais saida
entrou pela porta
para sair pela janela
e esse foi o som seco do final
um final dizendo adeus a todos os momentos
a vida dizendo adeus a todo o sentimento
a alma cansou de consolar o corpo
os olhos só viam a dor
Ele partiu apenas
pois parte dele se anulou
quando ela decidiu anula-lo por inteiro...
E as lembranças doíam
e a vida chorava
e o corpo reclamava
e a alma suspirou
e assim foi o momento antes da queda
o som  triste de seu corpo ao encontrar o chão

Cortejo

Um cortejo ancestral guia os peregrinos sedentos
eles olham a cidade próxima e sem enigmas lançam suas rimas
sem um amor que perdure entre os sentimentos
a loucura se encarrega dos dias que a dor vem entregar
Uma menina de olhos claros e beleza estranha
veio me dizer de esperança e eu fui com ela ver tudo passar
gente com suas cicatrizes e crianças em chamas denunciando atrizes
Sim eu voltei para o lugar de antes e ouço os passos da embarcação
enquanto ela diz quase tudo que eu senti
eu fico quieto e parado ali eu quase ensaio s gestos
daquilo que quase posso  ver
Cortejos azuis e vermelhos se fundem em meu olhar
e eu quase posso alcançar
a poesia da vida no seio da paixão
sim é ela e talvez nem seja 
e então eu apenas olho seus olhos a me olhar
no breve instante da boca que me beija
talvez nem haja tanto o que cantar
alem desse adeus bem rápido de quem nem sei o nome
e se enfim por ai eu te achar
o que eu vou dizer se você nem me notar
e eu nem sei dizer seu nome
pois nem sei como pude esquecer
de anotar seu telefone
enfim sem rima ou ou grandes ideias para rimar
eu só queria dizer desse cortejo
desse meio sem jeito que foi te encontrar
numa noite  eu te achei e na mesma noite perdi
enfim talvez eu queira crer apenas
então eu insisto em dizer
que talvez você não seja para mim

domingo, 27 de novembro de 2011

Falando coisas

Vou com minha poesia e só
para comprar cigarros e me dar um nó
pode ser na garganta
mas me serve melhor na alma
interrompendo o lirismo
atravessando a via publica
em pleno horário de verão
dentro da noite que tarda e cai
Tem quem navegue em mar aberto
eu me descubro mais
assim cantando minha dor
eu canto melhor eu acho
um canto que é para ser feliz
Tem todo o mundo comendo carne
tem todo mundo comendo vegetais
a gramatica me faz engolir virgulas
e apostrofes e profecias variadas
sobre o final do mundo 
no próximo quilometro da BR
letras de neon embaçando a visão
colorações noturnas tomam gestos femininos
eu não posso digerir os escombros
portanto não os consumirei assim ás garfadas
contudo é tudo um flerte
e o mundo uma convenção de morais antiquadas
bole na poeira dos tempos
e sacode com ira e paixão
os dias que vem são de chuva
façamos
maior o verso
e a vida
e a lua
e as luzes
e as pessoas que passam
e olham 
e te deixam mexido
e mexem mais
e nunca se sabe bem
mas quando percebe se esta ali
ficamos estaticos
parados
e mudos
diante do brilho
e da fascinação
a admiração das horas incluso no tempo
 fala o que você falou fala
o que voce falou
fala o que
voce falou
fala o que voce
falou
fala o que voce falou

Contorcionismo

A contorcionista sorri
enquanto a moça de cabelo vermelho
acaricia a barba do mouro que só veio declamar
um poema heroico em lingua estranha
a mulher barbada até chorou ao repetir o refrão que diz
o quanto ela quer dizer que ela é feliz
Vai ver a mulher barbada é mais feliz que eu e a contorcionista
e lá no fundo da tenda ao lado dos furgões
tem sempre em cartaz uma canção que nunca se anuncia
é a vida acontecendo sem ninguém saber
é a floração de todo um ano
que só serviu para entender
que as vezes a gente é feliz
e nem diz que é feliz por desconhecer
Eu fico calmo e ouço mais a moça ruiva dizer
e nem me ligo em saber seu nome
qual seu poeta predileto nas frases que eu ensaiei
Ela vai tomar mais um copo
e alcançar o teto com o olhar
sem tirar os olhos de mim
e falar coisas assim que eu nem quero entender
vai ver a vida é uma metáfora
triste mesmo é saber que só no final talvez
eu possa ter poesia o bastante para entender
e mesmo se tudo que eu tiver
seja bem pouco mulher
talvez seja o bastante para me tomar de volta
e seguir para entender
que tudo gira lento e calmo e tudo é pouco
quando não se quer perceber
A vida é uma garota ruiva que não lembro o nome
e isso pode só querer dizer
que naquele lugar havia tanta gente
mas eu só pensava em você

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Diagnosticando a insanidade

Hoje eu posso desaparecer
minhas pernas são asas de cor
acordei em uma cama que evitei por décadas
e ela me confortou com seu olhar doce
em minha face ausente se anunciam as mentiras
Algo esta muito errado no reino
venderemos nossa mobília
enquanto saio para a rua
ela apenas acena da janela de seu quarto
roupas novas e perfumes conhecidos
as mesmas mentiras para confundir uma mente
que cansou da ultima excursão pelo interior
Sim essa manhã acordei para dormir em uma cama
que evitei por uma década e mesmo agora
penso por que não pude evitar mais um pouco
Ponho meu chapéu e a melhor roupa
o sol me convida para ver seu esconderijo
tenho uma ideia na cabeça agora
Cansado de todas as mancadas do passado
tento reinventar as lembranças de uma maneira
que ao virem me visitar a dor e a culpa
tudo pareça mais divertido
nunca esqueci aquele beijo e acho que você também não
propomos uma jornada pelos labirintos
em uma antiga construção ancestral nos fixamos

Seriamos como reis em um palácio de loucura
seriamos como mar e praia
o sol e a lua
o sol e a lua
sim seriamos
o sol e a lua
Hoje acordei para dormir em uma cama
e evitei essa cama por uma década
tentarei reinventar as recordações em algum lugar
onde a dor e a angustia sejam mais doceis

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Tritão

A esperança é uma arma
se correr ela pode te ferir em seu salto
nunca esqueça disso
eu nunca esqueço disso
Quando se é o ultimo
pode ter certeza
 uma tripulação não se compõe assim
se você é o unico você é um naufrago
escombros não são embarcação
e praia nunca será porto seguro
Enquanto as luzes rastreiam o que se deixou
estamos entre aqueles que a maré
não deixa alcançar o outro lado
enquanto os olhos se marejam e a pele mofa
existe um fio
separando a realidade da agonia
Exceções a deriva
as cartas postas numa tabua que boia
A esperança é uma arma branca
corra com ela e sentira seu peito lançar-se
ao pressentir seu salto agonizante
ninguém pode entender isso
mas quado se esta só
lembre-se um único marujo é um naufrago
e escombros não são
e sim ja foram uma embarcação
não se chega a ponto algum
quando seu porto é uma praia
e sua canção de parolá são gritos de socorro
o sol em alto mar não hasteia velas
a deriva sem ninguém pra te achar
será mesmo que alguém quer te encontrar
A esperança é uma arma branca
nunca se deixe correr
se a esperança é sua unica embarcação
lembre-se sempre que quando ela salta
você vai sentir seu peito expirar...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Sem titulo

Prepare seus olhos para o sol
o sono virá em algum momento sabemos
parques de luz e calor irradiando suas alamedas
dentro de uma revolução pessoal
estamos inclusos em um arsenal mental
Almas propondo garantias e prazer
nunca estivemos aqui
talvez nunca foi pisado esse estagio
Fui áspero com outras
áspero de uma maneira quieta e vaidosa
para entender a magia de seu tempo
eu armei um circo de sentidos
como entender isso agora
Agora é um pensamento suspenso no encanto
visto minhas ideias e ligo para sua casa
sim hoje estamos afim de tudo aquilo novamente
e as perguntas boiam na piscina dos enganos
Uma nevoa envolve o dissolver dos passos
 reclamações de seda e som tingem
as estrelas que apontam o novo norte
ninguém pode entender os segredos
que inventamos enquanto as luzes cochilavam
nosso mundo é um lugar azul
precipitando os delírios em uma ocasião de prazer
olhe para os lados agora
sim estamos atravessando uma longa estrada
sem um destino real para perseguir
sem uma meta necessária alem de nosso modelo
sem um modelo real para seguir
Enquanto você acorda tarde em algum ponto do mapa
respiro um ar viciado em fumaça e álcool
as chaves do seu lugar de encanto
devolvidas me fazem cair por escadas
a mão insiste em me fazer decair
Canções intocáveis povoando o país imaginário
de nossa relação estranha de amizade
onde os acordes vem gritar os tons da manhã seguinte
ecoam os vultos de um passado
a sua espera e como posso entender 
se não quero sentir o verão chegando em minhas veias
pupilas de papoula e organismos galvanizados
quieta observação do real em pilulas douradas e porosas
Sim pequena escute seus discos 
e respeite o que eles dizem
Não pense na verdade como um vestido de domingo
sem jogos quando vier o sol depor contra nossa sensatez
Meu corpo esta  declarando vitoria sobre a moral
e nós sentiremos o que nós sentirmos
moveis espalhados lembram uma festa
mas a ausência da ressaca demonstra
que o esforço foi bem melhor dedicado
Teorizamos tanto sobre sentir
não vamos mais perder tempo com isso
corríamos o risco de nos infectarmos
com a insensibilidade
mas isso foi antes disso tudo
agora levanto da minha solidão
para o conforto do seu corpo
estamos diante da humanidade 
como um batalhão de posições e brinquedos
numa revolução intima
sim nos alcançamos o que desejamos sem saber
o medo esta na casa vizinha cuidado
mas estamos aqui agora
e somos lindos em um momento como esse
Pois a verdade não é um vestido de domingo
saia comigo em um sábado qualquer
e eu prometo na segunda ainda estará viva e salva
Almoçaremos em uma sala de bajuladores cegos
começaremos uma revolução deitados
combateremos essa sanha com ternura e  fome
entre estrelas de açúcar 
e satélites de fumaça
me despeje como uma taça em seu organismo
Derrotados pelas mentiras
agora somos apenas quem segue alheio 
e sim minha pequena estamos em uma outra plataforma
apoiados por nossos nervos e ossos
o que vemos são os nossos olhos projetando
uma imagem de nós acerca das coisas
minha mente guia os astros e as fantasias
e se fundindo a sua estou pregado em uma placa de energia
escorregando dentro do tempo
com você em minhas anotações preciosas
pois deitar é um exercício de reflexão
seria um prazer morrer assim ao seu lado agora
Do seu lado é sempre agora
sem um segundo para o passado ou o futuro
apenas o agora perfumando nossos encontros
como se um tom de azul  gritasse para o dia
nenhuma estrela entende melhor
o mistério de nossas noites
ainda não percebi o que esta acontecendo
mas não foi sempre assim
tornou-se agora com você
Enquanto a vida aponta a direção
nós somos o nosso caminho
e é alegre assim
mas nem sempre foi assim
mas esta sendo agora
agora somos nós
sem a pretensão de teorizar 
o que é ser um
amor é liberdade
e eu nem sei se é amor
qualquer nome que for
eu sei essa sensação
se deitou junto da vida
em nossa revolução

Bem tarde

Enquanto ele partia
o dia seguia dentro do tempo
estávamos apenas olhando o tempo passar
pude entender agora
agora que é o final
e todas as promessas
agora são apenas desculpas
não me deixe eu dizia
Mas com o mar ele se foi
e era tarde demais naquela tarde
então ele partiu e mesmo que saiba
nada é eterno e definitivo
costumo pensar nele em noites como essa
Por favor retorne algum dia
com seu corpo de sal e sol
com seus pêlos e nervos marinhos
para mais uma temporada de amor
Enquanto ele partia
podia ouvir o som de meus sonhos
junto de sua sombra  passarem
e era o futuro diante de mim
como um horizonte sem imaginação
uma esperança avessa me estrangulando
dentro do amor
assim foi aquela tarde
e quando eu percebi
já era muito tarde

Diagnosticando a mentira

Me guie para seu sonho
tudo que eu mais gostaria agora
é apenas aquilo que eu tanto desejei
seu sorriso é lindo enquanto conversa
você sempre bebe tanto assim?
Alguma noite dessas você deveria vir aqui
eu não sei como faríamos isso
fico apenas imaginando o que faríamos
Pisando no lado seco da calçada
seguindo junto da iluminação publica
na cabeça um álbum dos beatles
no corpo os efeitos daquilo
a noite passada repercutiu uma semana toda
ficamos para baixo
tudo nos deixou tão eufóricos
limpe sua alma não deixe provas
estamos limpos e acordados
em lugares distintos e absurdos
Oceano da loucura me leve
em qualquer embarcação
já que o amor não vai aportar
numa rota magica e sem cor
os dias seguem cinzentos sem você aqui
nossos momentos são deletáveis
em algum momento
restará uma lembrança
mas guardaremos isso para o final
é inevitável e tentador estar assim
me guie por favor e estarei bom
prometo como eu prometi antes
e hastearei esse sorriso
bobo e sem cor dentro da nossa mentira

Diagnosticando a dor

Quando vou entender
que você só entende
quando quer entender?
Até os 14 anos não tive natal
 eu via acontecerem as luzes
nas casas de amigos de trabalho de meu pai
na escola não haviam enfeites de natal
 era o hanukkah que as vezes coincidia
e enfeitava as ruas do bairro e também a escola
no entanto é verdade até os 14 anos via o natal acontecer
assim distante e em casa de gente distante
nenhuma casa de amigo celebrava o natal
no meu antigo bairro
nas imediações de minha infância
não haviam tantas casas coloridas
pelas luzes de natal
As luzes de natal me fazem sentir saudade 
de uma infância
que vi  pela televisão
Até os 18 só namorei moças que 
não comemoravam o natal
só namorei uma moça até meus 18 anos
dai vieram as outras tantas
todas essas sim comemoravam o natal
de alguma maneira embaladas
por suas famílias
fantasias de uma classe media 
que abraça diante do pieguismo 
de crer ali um grande amor
todas as vezes é um grande amor
é bem verdade 
e se quer morrer depois
 e se quer ingerir veneno
pois não se pode agradar
e nunca se entende
que você só pode entender
quando quer entender
e o outro é como alguém  criado
cuja a sua criação foi
para te ver desagradável
para o outro você é o outro
nenhuma ponta termina 
sem que seu começo seja outra ponta
Enquanto o novo valsa
a vida se desprende
em rompimentos e acertos
em avanços e degraus
ninguém é um muro impenetrável
mentes insondáveis só existem na ficção
Contei meus natais
para dizer que não os tive nunca
nem mesmo quando os comemorei
para me integrar a entrega 
que aquilo significava para outro alguém
não nunca tive um natal
contei os natais pra dizer que nunca os tive realmente
assim como os poetas que cantam amores idealizados
amores que nunca amaram com a carne
e o gênio inteiro 
amores que apenas amaram por amar ali
para caber na rima para deitar melhor no sonho
na vida o cinismo é a dose que se verte uma vez
para que nos tornemo entorpecidos
por sua natureza
O que é mesmo que anula o amor
que desfaz os sonhos
que corroí o tempo
quem é mesmo que entorpece as vias
que constrói os descaminhos
que mói cotidianamente as horas do dia
e gastando a sola dos sapatos
faz da cidade um catalogo de lugares por onde estivemos
nada cura o que não se quer curar
e alguns nomes quando ditos
são difíceis de se apagar
no vento do destino
soprando não há borracha que apague ou negue
não a negação que se faça ao que já foi afirmado
a vida confirma o inevitável
somos a soma de encontros
somos a vida seguindo só
nada é igual  como foi
e o meu futuro é um novo sonho
a cada segundo






terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sobre os recados racistas em meu blog

Vamos seguir andando já que eles marcham
e eu sairei agora antes que me despejem daqui
tudo faz tanto sentido quando estamos anestesiados
mas a realidade ficou para a outra semana
e suas mentiras expostas num grande hall
Tantos me odeiam como se fosse apenas isso
eu quero um lance maior mas é tudo tão pouco
sairei por ai em busca de algo
para ficar melhor
Vamos seguir andando já que eles marcham
agora eu vou sair antes que me despejem
um comboio de mártires e seus pajens palacianos
bebendo em seus copos  envenenados
a voz dos amantes calados pelo medo e a cobiça
sim eles estavam a nossa espreita e desde ali
agora quando eu passo não é mais você que vejo
quando olho para  você
Marcham em sua rua e logo entrarão em minha casa
e o que era fiel e verdeiro ao partir
agora informa o esconderijo e o abrigo do nosso calor
pisam em minhas flores  e essas são aquelas que eu plantei
certo verão só para te dar
Marcham em nossas ruas
as mesmas que andávamos juntos até eles te recrutarem
e agora de onde me escondo
ao te ver passar já não reconheço
aquela moça que até parecia judia
Mas eu entendo o medo
e o pesadelo sem caráter que te aplacou
quando esse tempo passar
e um dia eu sei  vou dizer já passou
eu vou sair da minha casca
e ver o sol e pode ter certeza com toda certeza
Enquanto eles marcham eu vou seguir andando 
a meia noite todos dormem
menos o medo e a dor de quem é perseguido
no final eu sei muito bem
eu não sou rato
e nem sou porco
E no final eu sei sou mais humano que aqueles que marcham
humanos andam
adiante segue a humanidade
não em marcha mas pela paz
No final eu sei sou mais humano
pois eu ando
humanos andam
agora eles apenas marcham...

domingo, 20 de novembro de 2011

Ele

Quando você encontrar com um cara na rua
e tentar entender a tempestade em seu olhar

talvez a resposta esteja em seus dias mais antigos
talvez você foi quem chamou a solidão ao sair dali

Sem dinheiro algum ele te levou para aqueles lugares
e ficou tanto tempo sem beber ou fumar

Houve um tempo que toda a alegria parecia eterna
sim quando cruzar com alguém triste tente pensar
talvez você seja o pedaço que amargou toda a refeição

Ele está olhando o céu agora como uma criança
bebe seu rum enquanto ouve uma canção em sua cabeça

Enquanto os carros passam ele espera alguém passar
Sim ele já foi feliz e isso foi quando estava ao seu lado

Por isso enquanto ele anda insiste em procurar
alguém perdido nunca sabe onde esta
mas ele parece ter tanta certeza

Ele agora anda com uns sonhos do passado
repare bem quando esbarrar com seu passado minha cara

Você pode estar bem agora
mas torça para nunca estar como ele esta agora

pois foi assim que ele ficou
quando você o deixou assim

Dias seguem os dias e seu comboio são os anos
o tempo pode ter te levado para onde está

só tome cuidado por onde o tempo pode te deixar
e se ele não esta mais ai e então você também está só

Quando você encontrar com aquele cara de barba preta
e espessa e co um olhar que lembra quando era iluminado
lembre-se quando ele te prometeu felicidades e amor

pois ele nunca foi capaz de esquecer isso
enquanto você jogava ele apenas sentia

Quando você procurar por sua vida vai lembrar
que houve alguém que só quis estar lá
do seu lado para sempre para ele foi para sempre mesmo

No sangue

Sabe quando uma piada não te faz rir como antes?
Você sorria de tudo até que tudo começou a dar errado
não faz sentido seguir dessa maneira pensa as vezes
a liberdade é um jogo confuso
esquecemos as regras que inventamos pelo caminho
Ser livre por obrigação não é liberdade
a liberdade é outra coisa e não sei como dizer
péssimas trocas eu insisto em fazer as vezes
Eles vão subir um monte e ver as luzes da cidade
no futuro chamarão aquele lugar com meu nome
e uma estatua servirá para lições diárias
em passeios escolares e domingos no parque
ninguém vai entender tudo isso e um tanque lutará
em terras distantes eu não serei a bandeira
Religiões ensaiarão uma explicação para o fracasso
e alguns dirão que eu apenas olhava o céu a noite
toquei sua mão uma noite dessas lembra?
Te olhei com profundidade e calor enquanto chovia
e choveu muito e achávamos que choveria o ano todo
Meus passos sozinhos ecoando dentro da destruição
acolhidos num momento de auto flagelo e sujeira
nada vai mudar o que aconteceu com o mundo
mantras cantados por pequenos seguidores
em seus sábados livres
Todos estão a postos agora e ninguém pode correr tanto
não vou ser alcançado em um mundo em movimento
eu simplesmente acendo meu cigarro
e ouço as crianças reclamarem sobre o tempo
nada pode voltar e nada vai voltar
estamos quites não é mesmo
e isso serviria para algo
mas não serve pois estamos quites
quando deveríamos estar felizes
Não adianta tentar agora eu estou perdido
voltei aos mesmos lugares de antes
com meus olhos treinados pelo álcool
com minha barba poeirenta de contra-mestre
o imediato  cuspiu na sorte e fui vê-lo desgraçar-se
Sem um coração melhor para entender o sabor desse prato
estou olhando para o outro lado da mesa em um domingo
e parece que o lugar vazio esta dizendo que é o seu lugar
estou caindo em uma gota de água
com especiais de final de ano eu vou
estou em pedaços por algum motivo
e se me acharem recolham os pedaços
não sirvo por inteiro mas existem boas partes ainda
sou peça de reposição no catalogo do desdem
e ela sorri do meu final e curte a minha dor
eu poderia dizer adeus mas estou apenas seguindo calado
talvez o surdo timbre da minha dor refaça as raizes
mas nada pode voltar agora
nada nunca pode voltar
nada pode ferir tanto quanto o vazio
nada é tão terrível como isso
e eu vejo ela partindo e eu ouço meus passos seguirem
e posso entender quase como se ainda me entendesse
como tudo isso foi acontecer
mas a verdade é que isso aconteceu
Ouço a vida seguir agora e sempre ouvi a vida seguir
ninguém pode entender isso realmente
ninguém jamais sentiu algo assim até aqui
e esses são os nossos dias os dias mais tristes desde hoje
pois são apenas os meus dias escorrendo entre os olhos
calmos e quietos da vã esperança mas nada vai mudar realmente
esse é um verso de adeus
mas eu apenas sigo calado diante do mundo
eu apenas posso observar as imagens de alegria
feitas naqueles dias dias para me deixarem triste agora

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

óleo no espelho

O mundo é um torpe espelho orgulhoso:
todos olham como se em tudo houvesse peste,
à mim, não vejo em minhas própria vestes
inútil, extasiante, obsoleto e indecoroso

Temo o amor constante, o desejo doloroso
amo seu perfume, seu olor praiano e agreste
mas me sinto inquieto até nas praias do nordeste
à vontade não fico, na angústia e no gozo

óleo opulento de jóias poluentes
alimenta o porvir movediço e rançoso
e cobre o cristalino crime da coerência

somos todos racionais, religiosos e dementes
a trocar o abraço sincero e caloroso
pela corrida premiada de indigência

Jardim cardiaco

Entre placas e pesadelos recheados de temor
eu ouço o som entre os olhos da moça que jura amor
Tem dias como esses em que eu só quero beber
e tem dias diferentes onde eu também vou beber
enquanto o dia vem para cá de outro canto ele sai
Nada nos olhos ou na boca somente um coração
revirando esquinas e bares sem sequer uma canção
ainda ouço uma voz entre os passos ausentes e urbanos
toda a noite é tão escura e o coração tão vazio
É o pesadelo sem caráter devastando a união
e quando o circo chegou  encantou mais o macaquinho
que seu guarda amestrou
Mas olha ai eu não disse venha ver eu pedi
é o meu jardim nascendo renascendo mais bonito
cada canto é uma rosa e um perfume intocável já vem vindo
Para refazer meu sorriso e vem brotando um fruto
e lá vem já vejo florar a flor e é tão simples e limpa
que a vida não sabe como caber ou fazer crer
É que na verdade o amor-perfeito andou traindo
e a maria-sem-vergonha se deu a moralismos
mas tudo bem agora já está tudo em ordem
a sempre-feliz já florar e as margaridas que haviam
eu as ouvi cantar dizendo que vão partir daqui em breve
pois vão com o circo até acharem outro quintal
Mas tudo bem eu vou guardar o meu canto aqui comigo
até descobrir uma maneira de faze-lo maior
e quando eu descobrir um lugar onde o que é meu possa ser bom
vou me fazer ler boas noticias e cantar com alegria a solidão
enquanto isso eu vejo meu jardim reflorar
e sei não se dia desses não arranco do meu peito esse coração
e no lugar colco um canteiro de cravos vermelhos
para celebrar toda a anunciação

O poeta descobriu como dizer adeus após uma longuissima viagem ao interior paulistano certo fim de semana

Sem um verso que seja cortante
cabe ao poeta a guilhotina
para executar os dias
ele faz de seus passos uma peregrinação
sem uma sombra que abrigue e guarde
sem uma paixão que o persiga
Esses são seus dias mais cinza
onde quase se pode ouvir ao longe
uma dor distante e sem par
E mesmo que o céu estrelado
de notas e estrelas a cantar
como com magica viessem em seu socorro
nada no poeta irá mudar
afinal essa é sua dor mais eterna
e dela provem toda a poesia
entre seus olhos se pode sentir escapar
gritos de dor mas é a apenas sua vida
Sem um verso que seja cortante
cabe ao poeta apenas a morte
se a sorte em vida nada lhe valeu
e ele como outros tantos
antes dele enfim há de ir embora
junto dessa senhora chamada vida e tempo
pois foi vão o seu lirismo
e todo esse sentimento
Quando há vida sem razão para para poesia
é certo há vida para quase todo um mundo
contudo não há mais razão ou sentimento
que faça no poeta esperança
se a poesia é sua vida
e o amor é inteiro o seu tempo
Se seu silencio se torna o mais mudo
e os dias correm alheios e insensíveis
é que enfim a vida se acabou
é que todo o lirismo que restava
se fez pouco por ser só em um
Eis o poeta sem poesia
nele o olhar é agora
como contemplar
todo um universo
e caber ali a triste certeza
em canto algum  há vida
nunca houve e nem haverá
foi tudo uma breve ilusão
um palpitar tolo do peito
que com medo criou essa ilusão
Agora que é apenas o poeta
nem mesmo cabe cantar sua solidão
se tudo que canta não é mais seu
sequer é do poeta
esse poema de adeus

Nome de mulher

Enquanto o mundo se despe de tudo
e as cores vão se perdendo
vejo o mundo cair em passos
eu ouço a canção do fracasso
nunca deixei de ouvir uma voz
na rua uma voz eu ouvia
leda ação engenho do tempo
me deixe contar uma historia qualquer
na vida pode ter certeza
que toda tristeza atende por nome de mulher

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Seu beijo

Eu vou cantar uma canção para você
dentro de nosso abraço um soneto
entre seus cabelos os meus beijos
ecoando encantados em seu perfume 
minha menina
só para dizer como eu quero te beijar
só para perguntar
se eu posso te beijar
me leve com voce
me deixe do seu lado
e lembre-se
por seu beijo 
eu sonho ser beijado

Soneto

Pois seus olhos tem a luminosidade que desejo
para acalmar meu caminho com seus carinhos
e desfazer com encanto o canto que a dor me fez
pois teu olhar tem isso assim comigo

Me faz querer ter teu coração como abrigo
e teus carinhos como um lar só nosso
Quero a vida aqui e que todo lugar alcance em mim
a ternura eterna de seus olhos luminosos

Que seu beijo só saiba me beijar
e que em seu coração resida enfim um lugar só meu
onde por fim eu possa ser feliz

Pois quero apelidar cada fio dos seus cabelos
e indicando cada estrela te oferecer como presente
o meu peito só para voce assim te querendo ao lado eternamente

Catalogo do Adeus

Dentro de um universo poeirento de ideias
tudo parecia tão fácil me diziam
a vida esqueceu de parar para ensinar
Numa manhã que parece um cinzeiro cheio
uma quieta emoção ecoa dentro de mim
não é tão facil como eu pensei
mas eu vou seguindo com isso mesmo assim
e se não parece tão dificil
pena que alguns fatos
não transparecem a verdade
Vou acordar mais uma vez no centro
com meus olhos avermelhados e gastos
repletos da vida que verti por engano
mas é tanta poesia que o engano é pouco frente ao canto
qualquer lugar que eu canto
é qualquer refrão que me trai
a traição é um jogo limpo
sujo mesmo é o traidor
E agora chamo pleo nome o que antes era carinho
desfeito o amor em uma das pontas
o acampamento se dispensa ao deserto
como se vagar fosse destino
sem um lugar certo para a verdade
bastaria então entender qual a razão 
de uma nova tentativa
nós somos náufragos em meio a tempestade
e nossa embarcação já sabe dizer adeus
e logo eu que pouco entendo do mar
pude entender que só é santo quando doí assim
mas é que a vida enfim se foi daqui
e no entardecer nem vi o sol chegar
Nunca é triste dizer adeus
bem pior é ter que ouvir
a ausência da voz sempre dizendo
o quanto me amava

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Que seja nosso o sabado

Espero que seja nosso o sábado
para a rosa de seus lábios primaverar num beijo
e tocar minha mão e ouvir sua voz
e sentir seu perfume
e ocupar meus olhos com seu brilho
Espero que o sábado seja nosso
para que eu seja seu
como já me pretendo sendo
para que seja minha como eu há muito sonho
Que venham os parques
e suas alamedas arborizadas
o leve som que encanta o desfilar louco da cidade
numa tarde ao sol
sentir seus pés seguirem os meus
num caminho que faremos nosso
Que seus olhos se encantem dos meus
como dos seus os meus já se entregam
a cantar a doçura de sua presença
que é perfeição e ternura
Que venha a hora de nosso encontro
e a ternura de nosso enlace
u quero o sábado logo
pois eu quero você

Refeição

Faça sua aposta em um pareô desleal
animais sem fé correm para a morte
precipitam seu destino doce entrega sangrenta
voam dentro de uma coragem insana
para seu abater certeiro e doloroso
Sinto em seus olhos o pulsar que verte em minhas mãos
o peso de seu ato sacrificial
é tudo cotidiano demais
perde o encanto
o doce ritual perpetrado sem mistério
para o deleite de sua mesa farta
para o banquete a véspera do anuncio
Somos humanos demais
e você é apenas a nossa refeição...

Orgulho

O orgulho é um jogo estranho
sem regras que caibam para o ego
quem sai primeiro nunca confessa a derrota
e é só depois que entendemos
a natureza disso nos cega
A fome é diferente da ganancia
e desistir não é igual a traição
Vamos dar uma volta no meu novo carro
onde animais não entram mesmo acompanhados
sem tambores ou marchinhas infelizes
Venha comigo noite dessas
e lembre-se  que o orgulho é algo sujo
de uma maneira perigosa
inflama os olhos e corrompe os pés
de uma maneira que torna impossível
reaver outros caminhos
aqueles lugares por onde passamos em pensamentos
quando voce era uma outra pessoa

Sem respeito

Ela parece feliz agora
sai a noitinha com seus novos amigos
se dá a beber e falar coisas rasteiras
Ela parece feliz agora
de uma maneira maior e que me faz querer
ter novamente essa mulher comigo
passear pelor arcos seguir em seus olhos
falar poesia pequena
pequena poesia demais
Ela parece feliz agora
feliz e sorridente eu posso sentir isso
enquanto eu arqueio as noites
dentro de lembranças e porres
com mulheres varias
dentro de aventuras
deliciosamente embriagantes
no final resta isso essa imagem é o que fica
ela feliz como nunca foi ao meu lado
como nunca pude faze-la ser
As armas do dia se desafinam agora
aqui como em qualquer outro lugar
a dor parece acostumar
os nervos a pressão
Cores se perdendo no amarelo do tempo
estou curtido na saudade esfumaçada
sem grandes planos eu lembro
e mais uma vez e adiante então
Ela parece feliz agora cara
segurem meus pés que desaguam
retalhem meus dedos desnorteados
sem uma razão real para um até logo breve
dentro do carro menores de idade bebem
apos a igreja um trago escondido dos clérigos
Estou triste por te ver feliz
sua alegria me fere tanto agora
agora que não participo do seu novo missal
Cara estou flanando em potes de indiscrição
pois as canções se pagam
no amarelar do tempo ouço os ecos da loucura
Sim ela parece feliz agora
estou triste por sua alegria
não há respeito quando amamos
não pode haver respeito quando amamos
não sei qual a razão disso
mas sei que não pode haver respeito
Por isso eu espero na chuva com o meu copo
enquanto os dias passam apagados
dentro das luzes noturnas
Os passos choram um destino
 inevitavelmente ocasional
precipitando o final numa dolorosa cegueira
temos que entender melhor
Marchamos em nossa vaidade egoísta
um novo lugar  para se sofrer
num tempo quando a dor se fez cair
ficou em casa para quando eu voltar
e pode ter certeza tudo um dia tende a retornar
ela parece feliz agora
passeando em meus ferimentos mais sórdidos
com sua mesquinhez mais suja
vivendo uma mentira doce e sem razão
não pode haver respeito quando amamos
Então na partilha final entendemos assim
sim não pode haver respeito quando amamos
meus amigos e seu time
meus amigos são o meu time agora
veja da arquibancada o monstro engolir
todas as facas que sua sombra projetou
ao me ejetar
Eu odeio a maneira como tudo tomou corpo
desvelando os mistérios por onde passamos
esqueça as coisas que eu disse
e saiba eu sempre perguntarei
por que não existe respeito algum quando amamos?
Ela esta feliz agora não é mesmo cara?
Queime meu pulmão com sua ausência e desapego
me deixe ver os lugares onde irei
estou distante de suas palavras agora
apenas o seu descaso me fere e alcança
saiba que eu te amei e não sei porque ao certo
mas não pode haver respeito quando amamos...

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Dentro da noite

Sem glorias para o destino final
com uma pista vazia
ouço o eco de uma antiga canção
nada vai mudar realmente
e eu não sei como fazer isso dessa forma
escavando o passado
dentro de uma ilusão
sombras perseguem meus passos
numa viagem sem conselhos
em uma ilha sem remissão
impura crença
invadindo meus olhos
eu estou dentro da noite novamente
e as estrelas me dizem em coro
que um príncipe novamente retornou
ao reino dos bêbados e loucos
para seu imperioso lugar de poesias

Laudano

Não sei dizer certas coisas
certas coisas digo de maneira errada
com violência em punho
solto no mundo feito um louco
olhos girando dentro da luz
tudo desagrada e segrega
faz do passado um exílio confortável
O que é mesmo que humilha e se refaz
desperdiçando o nosso tempo
com jogos de egoismo e dor?
Nada me toma tempo o bastante
e nem a vida parece assim melhor
tudo que passa fica um pouco em mim
tudo que faço
é uma copia exata do que me torno
e quando eu me olhar
um dia vou ver um outro cara
dentro da vida
ocupando o meu lugar
os mesmos medos
as mesmas esperanças
e talvez quem sabe algum cinismo
para disfarçar
Eu nunca tive tanto medo
e nunca fui apenas receio
como agora e como daqui para frente
quem sorri com meus olhos
amarela a saúde 
e me faz perder os dentes
Sinto agora como se me movesse em sonhos
dentro de minha fantasia eu controlo
os meus desejos
são apenas delírios de cor
absurdos sensoriais
extra sensoriais
Enquanto seu vapor ascende
junto de sua essência parte de mim
também é provável que parta
e eu sei muito bem o preço disso
bem mais caro que pago agora
um dia virá me cobrar
o preço alto de meus devaneios
controvertida fantasia fisiológica
dentro de mim me faz calmo
mesmo sentindo o pulso agressivo
de meu sopro
E eu estou falando de certas coisas
para dizer sobre certas pessoas
e tanto faz estamos mesmo nessa
e parece que o time até cresceu
todos torcendo por uma próxima dose
quando ninguém é tão feliz assim durante o dia
reclusos em suas fantasias
deitados num conforto substancial
paraísos processos em laboratórios
alegria mastigada em fumo e comprimidos
ninguém pode entender
apenas quem sabe
faz parte do mistério




quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Rio de Janeiro

Eu percorri muitos lugares dentro das noites
com uma lagrima incapaz de secar
e ouvi sua voz uma centena de vezes
me faça feliz novamente vida
Estou precisando de um lugar melhor descobri
onde o amor esteja novamente intocável
como um dia esteve em meus sonhos
e não se trata de espaço mas de tempo
e acredito que reverterei tudo em um instante
Sonhos me fazem flutuar ainda mas eu já não sonho
ainda posso sentir seu cheiro nesses lugares
não é mais o espaço agora é o tempo
Eu percorri lugares estranhos sem você
e acho que sozinho eu vou estar de todas as maneiras
sem você eu sempre estarei só e você sabe disso
Em algum lugar estranho posso reinventar
nossos passos eu sei e todos os erros esquecidos
recomporão os sonhos que sonhamos
sem medo para o que é novo
apenas nós juntos novamente em um lugar
que será o mundo novamente
pois tudo agora se chama dor para mim
Enquanto vago pela cidade meu nome se multiplica entre
aqueles que se vão sem um caminho
eu ainda tenho seu nome comigo escrito em mim
eu ainda carrego uma centena de lugares
que esse tempo não pode apagar
palavras com o vento vão e com o sentimento voltam
Sim eu sei muito bem e saiba eu esquecerei cada minuto
e quando estiver aqui eu novamente 
estarei junto de mim novamente
Percorri uma centena de lugares
por onde voce não estava
mas no fundo eu sei
levo voce junto comigo
e é como eu levarei por onde eu for
enquanto eu for assim sem voce

Eles

Eles vieram aqui agora
contando vantagens e mentindo
a cegueira fere o braço mais ingenuo
e como somos inocentes em acreditar
que tudo gastou nossa fé
O cinismo mascara a fragilidade
e os passos rodeiam a verdade
nada tem mais o mesmo sabor
talvez estejamos presenciando o final de uma era
Olhe para mim meu amigo 
nada faz sentido não é mesmo?
Eles tentaram reinventar a realidade
mas apenas cuspiram mentiras
enquanto o mundo se desfaz 
tentam nos desencantar
quando a dor aperta de uma maneira
que faz você não se importar com a dor
quando as cruzes pelo caminho 
anunciam o próximo passo
sim meu amigo eles ainda estão aqui
nos sorrimos da primeira vez
mas nos sempre sorriamos
até eles chegarem
e agora o que vamos fazer?
Rodeamos o vazio com nossa fumaça
desfazendo as fantasias mais infantis
jogos imaginários
brinquedos belicistas
todas as opiniões se diluindo em um chá
e eles estavam aqui
com suas mentiras e contando vantagem
mas ninguém vai entender
se não quisermos mais eles aqui
pois ele são a violência
e a barbárie




Laranjeira

Quietas nuvens embalam o céu dentro de uma ilusão
nada esta realmente certo agora mas as nuvens vão seguir

Eu ouço o vento como uma sinfonia de sons e dores
que açoitam a terra com sua voz vaporosa e atemporal

Nada vai salvar o que agora esta perdido
e o que estamos perdendo nunca nos pertenceu

É apenas o tempo guiando as cordas da vida
como bonecos nos deixamos guiar nesse jogo

estou triste agora e eu acho que sempre fui um cara triste
jogado em uma mesa converso com meus amigos

nenhuma cadeira vazia pode restar
doce recordação onde eu ainda posso te ouvir

Ouço as folhas queimarem a consciência
expandido os horizontes em uma espiral de cores

Nada pode alcançar o céu
o tempo parece um senhor na beira do caminho 
com suas memorias

Frutos perfeitos de um alcance falso
chutam a realidade com sua nevoa de loucura

Nada poderá salvar o que vemos decair agora
apenas assistimos o espetáculo de nossa decadência

Faça tranças agora!
Faça tranças agora!

Um animal em meu lugar
apenas um animal amestrado em meu lugar

Parecemos com nossos delírios mais insanos
perseguindo a mentira o tempo tornou tudo uma farsa

Quem persegue os perseguidores?
Um demônio responde: Um mico amestrado...

Viemos para ouvir sua canção
e cá estamos desde um seculo atrás

Ouça essa poesia sobre o tempo
pois o tempo é tudo o que temos para nos limpar

Ouça essa canção sobre a dor
pois a dor é tudo que o tempo me ofereceu

Ouça minha voz querida laranjeira
lembra que minha voz te encantou?

Pantominia

Você pode combater a sinceridade com a derrota
todas as regras foram sujadas por sua hipocrisia
eu não consigo entender seu universo de respostas
um discurso vazio enfileirando as horas do seu dia
outro amor floresce entre farsas e eu assisto a tudo
como  aquele que apenas passa entre todos os mundos
Nós nos perdemos em uma visão turva e amarga
apague meu mundo agora que não faço mais parte disso
enquanto converso sobre estrelas e álcool
a vida empunha uma antiga bandeira melancólica
não é apenas dor também são os fracassos
Um jovem desfila sua agonia dentro de um copo que não seca
desfeitos os preparativos
e eu sei agora de uma maneira triste e solida como tudo dói
apague meu mundo por favor
pois estou fora do seu universo agora
Com um entulho boiando entre as relações diárias
a perpetua dor se ofusca diante da solidão
eu sinto falta do amor que parecia haver
nunca se esqueça das minhas palavras
elas podem ferir mas nunca te alcançaram realmente
estamos em um nível estranho
nenhum animal pode me entender enquanto eu sigo
palavras inalcançáveis aos olhos quietos
Sim eu perdi o seu amor
e como o amor faz falta agora
nenhum coração animoso irá compreender o som dos passos
quando se esta perdido e a procura parece não existir
como se tudo perdesse um pouco a cor agora
o encanto da eternidade se perdeu
Saiba que minhas palavras podiam te ferir
mas você parece inalcançável agora
e eu perdi o amor
não o seu amor inalcançável agora
eu perdi apenas aquela vontade de amar
todo o encanto se perdeu
e eu suspeito que esse encanto seguiu junto de você...

Como vejo o Brasil hoje

A questão é a copa e a olimpíada ou a disseminação de greves, manifestações, no mundo e no Brasil?
Crise econômica e polítca na Europa que ninguém quer resolver e o Brasil, que sempre foi o país do futuro é o oásis no presente dos investidores internacionais. Para os brasileiros está cada vez mais se tornando o país do passado; do Estado penal, com recrudescimento da vigilância e segurança , vide aumento dos concursos para polícia e o aumento de empresas paramilitares. As milícias estão, por incentivo das forças políticas incentivando a tomada do controle do tráfico de drogas no país e já controlam 55% do mercado no Rio de Janeiro.
Os movimentos de direitos humanos, anti-fascistas, de minorias têm sido perseguidos pela mídia corrupta, pelos canalhas racistas e pelos obscurantistas religiosos que cobrem com o véu estupidez a população oprimida e marginalizada.
O Estado cresce em força com incentivos fiscais e investimentos e,além da expansão do aparato repressor, expande seus lucros e os neoliberais agora ajoelham pedindo planos de austeridade.
As drogas que são um dos pilares do enriquecimento e do genocídio da população jovem ao mesmo tempo é , também , ao mesmo tempo, a desculpa dos moralistas à ameaça à família , mas o fundamento da sociedade há um bom tempo é apenas o consumo vazio de coisas desnecessárias que rapidamente tornam-se obsoletas.
Nunca o futuro foi tão desnecessário, e o medo permanece firme como a arma dos covardes.
Acontece que o silêncio dos bons, a ingenuidade dos estudantes e o sectarismo dos antigos dificulta o combate a este cenário panoramicamente preocupante.
A educação não existe mais como força transformadora, as escolar são apenas redutos e depósitos para acostumar os jovens con o encarceramento e a disciplina para o trabalho submisso; acontece que a juventude só se submete à aparência e aos sutis mandamentos do consumo e da manipulação hedonista.
Vemos muito apoio da classe média à repressão das greves em obras do PAC e das Universidades. O governo pediu, ainda ontem , que o google censurasse todos os videos de protestos no youtube, internet que hoje , de arma de mobilização instantânea também é forte braço de controle e repressão.
Acredito que a tendÊncia é de piora nas condições de vida da população, apesar do crescimento econômico, e aumento do papel do Estado no cotidiano no que tange a repressão, ao controle do tráfico da influência internacional crescente do Brasil, e do incentivo a intolerância.
Devemos organizar-nos para poder enfrentar esta imagem com possibilidade de sucesso em mobilização e propagação das idéias humanistas, revolucionárias, libertárias e anti-fascistas para retomar perspectivas de mudança social a médio prazo e , assim, poder influir nos pelegos movimentos sindical e demais movimentos sociais burocratizados.

Despertando

Me vejo ao teu lado ainda 
te amo 
te amo
ensaio ligar e dizer tantas coisas 
suponho te rever
numa tarde quem sabe não vejo?
E se saio de casa e leio um verso
ou mesmo se ouço aquele cantor
é tão estranho e eu nem sei direito
ainda não direito se ainda é ou se já passou
te ver passar com outras 
você foi o meu grande amor...
Engraçado ser assim comigo
saber de você por outros e outras
supor sua volta quando fui eu que parti
levando comigo seu coração
e sua esperança
desculpas não adiantam tanto
para luz que levei comigo
a luz que faziam seu olhos luzir
e se foi comigo quando eu decidi seguir
perdão não adianta se foi tanta a sua dor
Te vejo entre livros e poemas
jornais amassados me fazem lembrar
seu rosto sorrindo
o mesmo sorriso que eu te levei
eu fico na janela a imaginar
esse homem que amei tanto
e hoje desaparece no meio dos meus erros
como se errado fosse 
e eu fosse a tentação
que o fez pecar
Esse homem ainda me quer e sabe bem
que alem de mim já não há
mais ninguém
e como em mim isso responde a tantas perguntas
que já fiz por que me importar
se fui eu que parti
deixando assim tudo tão assim
pequeno e sem cor
e a dor enfim achou lugar
em alguem que era só amor
e ainda é
inteiro amor por mim
me diz o que sobrou
se ainda existe amor
eu vou tentar e aqui nessa janela eu posso ver
ele voltar por mim
mas como assim voltar
se fui eu que parti
ainda existe amor
e é tanto amor por mim
que esse cara tem
que quando olho em seu olhar
eu fujo de seu olhar
pois mesmo sem o brilho que levei
ainda me faz sentir alem
de onde estou
pois é 
é o amor
que enfim acordou


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

É pra perder

Anunciaram que hoje o mundo iria tremer
fui para bem perto de você e quis ficar ali
entender o sol pela ultima vez se por
ver o céu anoitecer pela ultima
crer e querer crer que toda a vida se fartou
em meu caminho e tanto erro
é pouco mais que o inicio nunca mais sonho assim

Suponho olhos e manifestos
quietas palavras a se diluírem no silencio
ela não vai voltar é verdade não vai
fazer o que eu sei muito bem
me indispor com o tempo e ver o verão passar
deixa tudo chegar e ir seguindo
me deixe comigo me deixe apenas
me faça qualquer coisa
me deixe ou me engane

anunciaram que o mundo iria tremer
fui correndo entre carros e pontes
e falei com toda a gente e sorri  embriagado
e cai da guia e olhei pros lados
e só o que vi foi que você não estava lá

Meu D'us quanto assombro e quanta corrida
e eu só sei que o tempo era dor 
e dentro do tempo a dor seguia
seus olhos intensos relembram o passado
sua boca me faz lembrar de anos 
e eu fico ali dentro das lembranças paralisado

Seu corpo pequeno e suas mãos suaves
seu sono deitado em sonhos passados
e o que já passou parece enfim que nada aconteceu
vai ver sou só eu vai ver nem é voce
e eu sei a dor triste e é tão triste saber
que o tempo passou e me fez mais cinico
para aguentar ter que te perder
ter e ter que perder...

Carta para minha mãe ( sobre a USP e o governo Alckmin)

Querida Mãe...

Mãe tou escrevendo só agora para você, mas não se preocupe não eu não estou entre os 70, mas tem muita gente boa lá, queria estar lá, mas não estou viu mãe, dá uma indignação tremenda dentro da gente em saber que o Brasil é o pais onde lugar de gente boa é sendo perseguida pela policia, acender um é mais engenhosamente maligno e chocante do que assaltar um banco, inclusive mãe que pena eu não estar lá com aqueles 70, se estivesse tenho certeza você diz que não, mas ia lá correndo me dar biscoitinhos de polvilho com aquele suco de acerola e o pai então diz que não também ,mas lembro dele todo babão quando aprecia nos jornais aquelas matérias sobre os movimentos que eu fazia parte, mostrava para os vizinhos e pros colegas de trabalho é dizia olha ai o meu filho tem a cabeça meio torta, mas pelo menos tem coragem e vergonha na cara. Pois é mãe, faltou vergonha na cara do senhor governador Geraldo Alckmin, o cara vem a publico e diz que essas pessoas deviam ter aula de democracia, perai mãe não foi ele que pediu de presente a o pai dele assim que terminou o curso de medicina, a prefeitura de Pindamonhangaba?E isso não foi nos anos de chumbo?Cara tem alguma coisa errada ai, aula de democracia, quem deveria ter é ele,desculpa mãe o desaforo, deu uma vontade daquelas de tomar uma amarga e sair dando na cara de cada um deles, mas isso não resolve, sara o tapa,eu vou preso não é mesmo? Afinal eles são autoridades e desacatar o povo okay não vai dar cadeia para eles, agora vai um filho de mãe como eu desacatar pra ver, trisca pra ver se não inflama loguinho loguinho...
Quer dizer manda polícia bater, pois ele quer mais policia, mais policia para que, para bater mais?Mãe e os jornais, os jornais mãe tou quase vomitando quando vejo a Veja, dá aquela dor no canto esquerdo do abdômen,aquela nauseá quase se esta para desmaiar, acho que a Veja pulou de revista que ajudava os torturadores na ditadura ,para a tortura impressa...Inclusive essa especie de tortura deixa sequelas, lembra do  tio Guimarães que não é meu tio na verdade, mas a família lembra? Aquele que andava meio com a cabeça no mundo da lua? Pois é ele é assim pois foi torturado,todos sabemos todos os pormenores, agora a Veja e sua tortura impressa, deixa outro tipo de sequela, aquela que todo mundo que lê acredita que esta lendo uma revista realmente e joga no lixo todo o seu possível senso critico. O tio Guimarães num tem mais recuperação, tá velho anda falando sozinho, e os leitores da Veja mãe será que ainda tem? Por que me dá uma vontade louca de meter um soco no ouvido dessa gente que hora dessas tou com umas a mais na cabeça e dai já viu, me segura senão me espalho mãe...
Poxa policia no campus, moralismo barato, mãe você me ensinou que valemos o que pensamos lembra? Poxa começo a achar que agora só quem tem algum valor mesmo são aqueles 70 lá dentro do ônibus, e aqueles que resolveram entrar em greve na USP, quer dizer superfaturar em campanhas pode, desestruturar a educação desde seus níveis mais básicos ate a universidade okay, agora se fumar um baseado você logo é um marginal, um louco pronto a por fogo em todo o status quo? Lembra a crise quando você pegou a primeira paranga no meu bolso? Foi uma crise, mas ai tudo se ajeitou, mãe eu já pus fogo em casa depois que a senhora descobriu que eu sou usuário? Tudo bem eu realmente quero incendiar o status quo, mas isso vem de desde antes de começar a fumar maconha? É mãe começa assim policiamento no campus, depois agentes infiltrados, mãe ia falar do maio de 68, mas a senhora nunca entendeu direito, mas os anos 60 representaram algo mais alem do que os Beatles, a juventude esta ai e temos que contestar esse é o nosso legado, tentar mudar e seguir tentando, mas poxa suprimir liberdades? Isso vai contra os princípios mais básicos da chamada democracia, querer criminalizar algo que inclusive já nem é mais criminalizado quando de porte do usuário, é mãe é chá de cidreira e aquela calma, pois tá difícil viu mãe...
Sabe mãe vou fazer o seguinte vou pedir para uma turminha de alguma escola rural do MST, alguns alunos mesmo, desses que acordam cedo e estudam nos barracões de lona preta?Esse mesmo mãe que nunca perdem a ternura de sorrir mesmo tendo de ir pelas beiras das estradas de tempos em tempos fugindo de grileiro e outras cocitas más, para ensinarem ao governador como se faz democracia, e o que é liberdade, pois policia que bate em estudante também bate em trabalhador, também bate em gays, enfim sai batendo em tudo quanto aparecer na duvida mata ou prende, essa é a logica da policia militar, universidade mãe não era para ser um lugar de debate? E o estado entra como um troglodita batendo e reprimindo eis a contribuição bem empregada de nossos impostos...

* Homenagem as famosas cartas para a mãe que Henfil escrevia nos tempos da reabertura politica

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Reaver constante

Permaneço e continuo só como antes
mas sei o que é preciso, onde for,
seja estar cercado de acompanhantes
soltos, perdidos no esparso torpor

Sou sincero quando finjo como um ator
e mantendo as emoções distantes
sobrio estou após a garrafa de licor
libertando meus anseios amantes

Mas é tão duro dividir as dúvidas dignas
e compartilhar a carne maligna
e do vero íntimo desfrute, abster-se

Continuo só como o silêncio estival
úmido, quente decidido e sazonal
sendo muitos e sempre a reaver-se

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Ainda sou sua menina

Por mercados e peças ele se despede
despido dos sentidos apurando os ruídos
suspiros audíveis ao mais intimo ouvido
barba mau-feita e aquele olhar e aquele gosto
de quem vem sempre do mar de quem é o mar
sua pele corada e trigueira lembrando o deserto
Seu andar incerto errando os passos
Seu sotaque distinto e alheio aos laços
e sua voz bonita e agressiva como uma tempestade
finjo amores por outros
mas é por ele que eu sinto saudades
Pois o corpo que foi de um homem
onde um homem se deleitou
e provou de tantas maneiras
de todas as maneiras de amar
ai como ele me amou
inventando até outras maneiras
Sou culpada de seus pecados
no catecismo de nossas noites
as novenas foram dentro de mim com ele
ele sempre ao meu lado
Como amar a outros se dentro de mim
ainda tem a sua marca e o seu gosto
adivinho no escuro tateando o vazio
procuro em todos os outros as cicatrizes
e a barba próprias de seu rosto
Me entrego para outro
mas em pensamento
e em sonhos vem sempre sua voz
seu cheiro e o gosto do seu corpo
o som dos seus passos e seu assobio
que me fazia adivinhar certeira
 o dia e a hora de quando seu desejo vinha
profundo e intenso me desfazer inteira
Mania de mulher palavra um dia eu volto
pra matar a saudade de um homem de verdade
eu juro que não e juro  e grito
mas eu ainda gosto...

Mal causado

Vai desaguar o mar em mim
e eu seguir melhor assim
feito onda que depôs
e bem depois eu ainda vou sorrir

Sem saber eu vou acreditar
e quem puder vai entender
que toda chuva pode vir
e eu vou chover
e eu vou chover
para entender melhor o que há em mim

Toda praça me faz sorrir
e todo campo me diz para correr
e se eu chegar antes mim
quem mesmo eu vou ser?

Num circo qualquer cantar
a poesia sem limitação
meu amor é carnaval
meu desejo anulação
nada vai me alcançar
agora que
tudo me causou
esse mal





domingo, 6 de novembro de 2011

kill the fascists

walking throughout the clearings
of wasted town
we see, the lightless ceiling,
there, where the shadows on the ground are missing
and their clouds blown
by those shouted lies,
remain over the persecuted
hidden and asleep passer-bys.

perhaps they will wake up
and get out of the mud and shit
forsake the indiference of the clowns
and laugh the enemies defeat
kill the fascists,
make their increasing, fall down
or perhaps to die among them after to cheat.

Tempo

Quieto eu vou seguir
silencio é anular
tudo o que se diz
já não sei sonhar
o que é mesmo ser feliz
e eu vou caminhar

Sonho quando é bom
parece que é viver
sonho é para sonhar
e vida é pra perder

Me deixa só aqui
assim como deixou
a verdade agora eu sei
nunca houve amor
e se um dia houver
pode até chover
é sempre foi assim
e se quiser
pode vir me ver

Tudo quanto eu sei
sabia até demais
saiba por você
que desensinou
a paz
e se eu merecer
um dia quem sabe eu sei
da minha solidão
mais que dois
sou três e
é tudo foi em vão

Deixa o rio correr
que é da vida andar
melhor que com você
eu apenas sei sonhar
e se esperar é bom
me basta só viver
é uma canção
é apenas um som
nada me faz correr
viver é só viver

Verdade é coisa maior
e de amor nem sei falar
saber o que se quer
querer saber então
não é nada e ai?
Cade o coração?
Bate quando quer
querer foi ilusão
e tudo que se foi
é o que foi em vão

Amar eu já amei
amor eu pensei amar
agora é pra seguir
viver sem respirar
insano foi querer
e como eu só quis
quando é só em um
como é ser feliz?

Me deixe só aqui
só como eu estou
no meu canto eu vou seguir
sem o seu amor
sem rumo eu vou partir
e se eu me esquecer
sim vou conseguir
mas sempre
haverá você

Me deixe só aqui
só como eu sou
só como estou
só como me deixou

Ocupe os espaços

O asfalto novo cobre os buracos
e as marcas de sangue do ultimo confronto.
os passados gritos guardaram em sacos
os onibus transitam sem ninguem nos pontos
cadê os invasores que não se sentem fracos?
aos feridos, deram um vale-desconto?
espaços do povo estão privatizados
as praças mudas carecem de gente
os barracos em nobres bairros são incendiados
se você trabalha e é consciente
forme um bloco com os desempregados
saia daí, organize os desorganizados
desorganize a ordem ocupe os espaços e as mentes!

ninguém ouvia

Gritava e chorava; ninguém ouvia
passou então a fingir alegria
vestir-se na moda esperando carinho

A indiferença não doía e não satisfaz
ela tentou cantar com sua voz incapaz
e dançar com o vestido manchado de vinho

cantava e dançava; ninguém a via
passou, em sua frente, a solidão, na rua vazia
nada importava, seu corpo: tão belo e tão sozinho

A canção corroi dentro de seus lábios
a roupa pesa em seus seios ébrios
angústia rasga seus olhos e constroi seu ninho

subitamente a multidão silenciosa a envolve
ela, ajoelhada, sorri e não se move
a noite a acolhe, e a escolhe como sua rainha

Gargalhavam e brindavam; ninguém sabia
o que passara em seus momentos de agonia
não era nada, ninguem a queria, qualquer a tinha

o dinheiro adormece a pele qual veneno
gritava e chorava seu coração pequeno
todos lhe amavam e ela permanecia sozinha

Gritava e chorava; ninguém ouvia
passou então a fingir alegria
vestir-se na moda esperando carinho....