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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Por que era ela e por que era eu

Por que era ela 
e por que era eu
assim foi
que se foi
e assim se perdeu
era assim e
se perdeu
caiu
quebrou
e se perdeu
tudo por que era ela
e era eu
para ela como eu fui
como eu fui eu sei
eu nunca mais serei
para alguém como ela
como ela foi
assim só por que era ela
e por que era eu
naquele tempo
aquela historia
enfim
tudo para isso
para esse fim
enfim o final
e eu aqui sentimental demais
demais em busca de um canto livre
de um campo aberto
onde haja silencio
dançando junto da paz
e eu quero é mais
barulho e confusão
dentro de mim 
todas as ruas da cidade
cantando uma canção
chamada saudade
e as coisas começam a perder o sentido
depois de um tempo
qualquer coisa
um gesto
um filme
uma recordação qualquer
se esfarelando feito pó
junto do vento
como se fosse fácil seguir
eu vou
e sei um pouco que vou 
pois tenho que ir
e sigo mesmo assim
por que era ela
por que era eu
os dois assim
junto do vento
dentro da vida
como de um caminho
adentro para outros caminhos
outras cenas
sensações
sacações
encenações e jogadas
sem agora 
e sem ela
pois já não é ela
é outra
e dentre as outras
outra haverá ainda
que não ela
e eu sei
por que era eu
e ainda continuo a ser
assim como eu era
e eu começo a suspeitar de mim
me pego alheio comigo
como se me observando
tentasse ver alguém
e nem visse
eu só sei que passei ali
e ao passar não me achei mais
talvez o tempo tenha passado antes
quem sabe eu seja o bem depois
e só sei isso agora
já não era mais por que era ela
e já não era mais por que era eu
ali diante de tudo
como depois do tempo
coo se depois de tudo
apenas eu restasse do cenário original
feito peça antiga
como fosse ultrapassado
o passado por onde ela atravessou
e todos os outros passaram
eu ainda não passei
eu ainda sou como eu era
assim como eu era 
quando era ela
por que era ela
por que era eu
guardo um tempo
capaz de me guardar
guardo esse tempo
onde me guardei
fiz versos
que o tempo leu
li versos que o tempo me convenceu
e me convenci com o tempo
que alguns versos
como o tempo passam
e no seu passar eu me guardo
como me guardei até aqui
era ela sim
era eu sim
e talvez fosse por isso
que exactamente ali
foi acontecer de ser
por que era ela
por que era eu
e eu li num livro qualquer
e quis aprender
as lições
que eu não posso saber
talvez agora apenas eu não possa saber
deitado dentro da noite
quieto dentro do dia
silencio em mim se escuta
nada
nada
nada em mim agora 
é mais que essa poesia
que essa canção repetida
assim como se dentro mim
fosse já uma antiga canção
talvez eu já tenha repetido
tantas vezes um mesmo refrão
que a letra engoliu meu ser
e meu ser tornou-se canção
por isso eu cantarei as estrelas
o seu brilho fácil não trai meus olhos
sua luz me ilumina como a outros
sem rodeios apenas ilumina
e eu cantarei a poética dos gatilhos
que disparam nas têmporas cinzas
de figuras cinzas
da noite que como eu
assim como eu
não sabem sequer seu tempo
não sabem sequer
quem são
mas eu suspeito de mim
talvez ainda me conheça
quem sabe ainda me saiba cantar
talvez não tenha sido vã
talvez
talvez apenas
talvez quem sabe
enfim uma sequência de talvez
para talvez explicar
isso
mas isso eu não sei
isso eu não sei
agora
e toda a hora eu vejo
impresso como um cartão de natal
como uma capa móvel
de jornais que não nunca lerei
afinal esse é apenas o começo
então talvez seja apenas mais fim
um adeus pareceria óbvio
uma canção cairia bem agora
um cigarro
um trago
um porte de arma
nada adiantará na minha vida
nada adiantará para a poesia
esse verso cairá como folha no outono
eu outonei diante da primavera
quarta feira de cinzas eu sou
quem veio do Carnaval
e por que era ela
e por que era eu
nos dois
quando éramos dois ainda
nem somos mais
nem mais seremos
como saber
eu nem sei
eu fico quieto
eu só quero saber
e nem quero mais
sem paz
sem nada
sem lirismo a cavalo
sem bonde pego em pingente
sem canções exilares
sem versos amargos de fim
eu nem sei
eu nem sei
eu nem sei
eu nem sei
eu nem sei
mas não venha me dizer
o que devo saber
sem sistemas prontos
sem esquemas próprios
eu fico no bar
esperando meu copo
eu grito e salto
mais alto que o grito que o desespero soltar
eu queria me jogar em qualquer bar
numa rua com algum nome de mulher
e me consolar
num telefone qualquer
seja como for
deixe eu me perder
cansei de mim agora
estou cansando desse verso
que engoliu o meu ser.

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