Aos comentaristas


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terça-feira, 27 de maio de 2008

inconforme

se possivel tomarei os ares de assalto

soprarei mares aos planaltos

inundarei quem não tem sede



só para entender o que é demasia

pois toda amplidão que logo esvazia

é agua que preenche, se espraia e despede



para não mais ver

tudo no conforme

e tão acomodado parecer

ordinário e parado perecer

a ilusão uma alegria enorme

vendo casa caindo

sobre asas que dormem



se possivel levarei nuvens ao deserto

vulcões aos oceanos de fulgor desperto

cobrir de suspiros quem à viver suspira



só para mostrar que tudo se move

a lágrima morre o riso comove

a chuva apaga a cinza que a brasa transpira

sexta-feira, 16 de maio de 2008

coragem

No fundo eu temia
no fundo sorria
mas talvez a coragem me arrebatasse
me escorasse o esquecer
e talvez no fundo faria algo por ti solidão
esquecer da superficie o vão
e não, não acovardar: tão falsas explicações
no fundo gostaria do abraço
não do cansaço, mas tão necessário como se errasse
por qualquer lado convicto
mas dessa maneira ao menos convencer
que estou no mundo e,
no fundo a dignidade persiste;
no fundo.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

dissidentes

Somos dissidentes!!
viemos dos sonhos que não sonhastes
neuronios que não usastes
palavrões usados por vós, discontentes
E assim, aqui estamos para empurrar da retorica
da eloquencia histórica, quem nada entende
de dissidentes!

Viemos do nada, não nos conhecestes meus caros
somos exemplares raros que não partem
de qualquer lugar nem descartem em nos encontrar
estamos perdidos? talvez, mas não vendidos ou vencidos!
somos dissidentes não fazemos parte de correntes
gangues, policia sem carater, povo descrente
viemos dos olhos de quem não enxerga de dia
não escuta com os ouvidos e faz da miséria alegria
somos dissidentes do sofredor em agonia

Partimos de museus, ou melhor, galerias de esgoto
grito roto, ou pior aprendizado sem poesia
dissidentes noturnos que sacrificam o dia
enquanto atentastes nas cores do manual escroto!

Concreto armado

Leremos agora algus trechos da vida de certo poeta
sim chegam mais perto pois se cala a voz o ouvidos podem ao menos supor
então é isso onde tudo começo para alguns
onde tudo é dor para alguns
nada é igual como antes de hoje ou depois
num livro sim num livro cujo nome eu não sei
livor esse que deve estar como todos os outros livros
embolorando em alguma estante no quarto de algum velho
ou mesmo num sebo pequeno e descartado pelas mais descoladas livrarias

Leiam agora um verso no minimo real
contudo o verso é sobre coisas pouco provaveis
fantasticas apesar e tudo
liricas sobretudo por se tratarem de fatos cotidianos

Eis o poeta então!
Ele acorda todos os dias as 11:00 da manha
no quarto azul de teto amadeirado
constam uma garrafa de rum pela metade
outra garrafa de absinto gordon com duas doses
sim eis o poeta com seus olhos gigantescos de poesia e dor
a barba grande e negra
a roupa clichê de todos os poetas modernos
parece vestir concreto e ter neon nos olhos
seu sorriso é um letreiro de bar barato no centro
as costas doem todos os dias
por tras de seu oculos de vinil seus olhos seguem algum verso
talvez os cadernos de bem antes
ou outro livro que a muito custo aceitou ler
livro esse recomendado por algum amigo proximo

Eis o poeta então!
Um café sempre amargo um cigarro logo depois
na mesa um retrato de coisa de duas ou tres decadas atras
contam no retrato ele (o poeta),ela(seu amor) e todos os amigos de algum tempo
nunca sai sol naquela cidade onde ele mora
no seu bairro donas de casa estendem roupas nos varais
ruas umidas
crianças subnutridas pela ração diaria de todos os latino-americanos
Sim esse é o livro amarelando nas estantes de poetas e sebos
livro que não consta nas livrarias descoladas
sem noite de autografos ou Vernissage's
esse é o livro das ruas de cidades provaveis
e voce não é voce apenas
voce e eu somos poeta e verso

despertei

Eu despertei e a vi
decorada de semicolcheias
em minha frente, à sorrir
despertei e a vi cair
nos mares, dormia à areia
da cor da iris que um dia descrevi

Eu desfilei e escorri
no leito cujas aguas anseias
meus dedos e a se abrir
a flor de canticos desistir
restou-me abraçar-te toda e meia
Eu abraçei-te, lhe ouvi e amei e vivi

sexta-feira, 9 de maio de 2008

não faço parte do movimento

Eu não faço parte do movimento
sou puramente bloco
que me desloco
mas nunca pelo vento
não faço parte do pensamento
sou a poesia que foi esquecida
amanhecida na carencia do pão
portanto não me diga não!

eu não faço parte do movimento
sou a ausência de vossa arrogância
a mais tênue e frágil infancia
atormentando o seu pretenso contento
não faço parte do conhecimento
assim, não me olhes nos olhos, nos lábios
sou apenas a ignorancia vivente na mente dos sábios
sou a chave errada para abrir o portão
portanto não me diga não!

eu não faço parte do movimento
e não estou sozinho
sou mais um espinho
que vai fincar e dificultar o andamento
pois não faço parte crescimento
sou apenas o declinio de mim mesmo no espaço
sou o fracasso que não pode ver o sucesso vão
portanto não me diga não!!

doente

justamente
minha garganta e suas infecções
minhas mãos e afecções
vão tossindo coisas que não se quer
não se quer contagiar
nem ver mesmo quer seja o mar
quer seja mulher

minhas mãos gritavam
e do modo do medo
todos se escondiam em gestos
tímidos e distantes de si
tentara derrubar
os obstaculos os horizontes
alheios aos olhos cegos
tal pregos
agitavamos os ferros
e nada mais haveria de nos barrar

e é tão passivel de compreensão
que não sejamos nossas proprias doenças
mas doentes não nos querem
por perto , por certo
e assim permaneço tossindo

quem adoece
quem perece
se realmente o sabe

resiste!

A doença da Academia

Engoli um carro serei eu um monstro
no céu que expressa sua angustia nas cores
sombras compõe a fuga dos tons
qualquer dor é tremula
cotidiano e nervos
a cravo me rouba de palcos,partido é palco
e é encenação barata
agulhas no céu frio de toda noite
meus olhos são ladrões de amor

quando cai o sol e é o céu do ano
as estrelas que parecem passar
demoram mais
muito mais a correr
corrida de toques e Carnaval
então chegamos onde deveríamos estar
desde o inicio nossas dores anunciavam o fim
e já sabíamos como seria para você e eu
mas e então como será para a humanidade?

Não repetirei um amor que rime apenas com amor
e o pensamento por trás da ideia
nas mesmas camas a certeza do sono
coo retrato do comodismo
ao saber que foi apenas tolice se entregar tanto

como os teóricos
esses burocratas da imaginação
burocratas de tudo o que é empírico
eu não quero ser como os teóricos
velhos e embolorados
cansados de amores e lutas que apenas leram
que apenas estudaram
eu não sei o que é o mundo senão viver
e a vida nos revela a luta
eu não quero ser como os academissistas sentados
qual livro em estante empoeirada

eu vejo o amor se agachar por bilhetes e tomos de livros pesados
dicionários do lirismo galante e ultrapassado
literatura boa apenas para quem não amou
vida é para viver
para esquecer já me basta que não perdoamos sempre
e eu até aceito que seja o melhor
mas se for como troféu a auto-critica
para constatar se é onde se estar agora
esse lugarzinho de sempre
nossa parcela fútil dentro do que é o presente

o vento imprime todas as folhas
peito aberto eu quero a esquina em meus passos
e a violência do processo entre meus calcanhares
para que enfim seja sempre noite
na alegria definitiva da emancipação plena
houve um tempo a pouquíssimo tempo
ouvi na canção do amor
essa que mesmo sem pretexto algum
quase sempre toca o coração de alguns em cada tempo
a liberdade para o riso e o gozo
liberdade repleta de afinação e coro

e se a limitação
esconder o amor
eu sei que a vida é um bar onde a alegria um dia sempre vem beber

seus olhos de terra
parecem romper-me
como surto infantil
me refazia pelos cantos
dançando sem esquecer que não será

meu coração entra por salas e gavetas
é praia distante na recordação de tudo
e o medo
esse brilho nefasto
para mim como o lume estelar de astro que deixou de viver
e fugir não é libertação
a alegria não é saudosismo
o bom mesmo é sair e ver
e sentir que o melhor é resistir
cartas soltas pelo pátio
cercado por essa ideia de propriedade retalho-me em sangue
repleto em fome e sede

apagado na ausência
e entre rascunhos
de nossos mesmos sonhos
aqueles mesmos planos inovadores

é erro tentar ver no final
o puro e casto e simples triunfar
impossível deitar em liberdade
enquanto o mundo cospe suas doenças
a academia alienou
os livros bitolaram
a luta é la fora e não nos bancos suaves

Ocupar é preciso
ocupar a vida de vida
tornar em nós um panfleto
um anuncio magistral desse tempo turvo
ocupar é preciso
com o lirismo liberto nos gritos
com a marcha maior e humana
viver é luta fora isso nada é necessário
para cada mão uma arma
para cada folha um verso
ocupar tudo
fazer da vida a trincheira maior daquilo que condenamos

terça-feira, 6 de maio de 2008

rio

Escrevi algo no papel e o amassei
joguei a qualquer lado
verti ao vento o vinho
mesmo que as marcas não mudem
ate mesmo errado e isento
vi o verde pinho
o solo que ceifei só!
ao relento rente ao rio

O chão que encharcado mesquinho
pouca chuva choveu
o choro pouco cinzento e o sorrir
o rio, ao leito fome e frio
em pó na garganta o grito e o brio

mesmo que a maré mude
a raiva as raízes da ralé rude
cicatrizes calos que me acudem
marcas e dores de matizem se não mudem
ao menos sana o solo o pinho e eu
guarda na garganta o grito e o brio
Facas e tiros corifeus
ventos dos pinhos e vinhos do rio

Sofro por não grito
não bebo e não rio
aflito irá sombrio
atacar tanta privação e tanto vazio.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Ao critico de arte

Um acidente na estrada e tudo acabado
olha só como foi triste o seu fim
não voce não merece a morte
pois a morte é a anulação de todas as dores
provinciano e iletrado critico de meus versos
nunca tirou a fuça de suas cercanias e agora vem dizer-me com galhofas
qual o tom de meu verso
pois sou o inverso de voce e quero dizer que mais que tudo
ainda melhor
sou humano e o que é voce
besta fera recheio de carga
andante do alagadiço
filho bastardo de nada e ninguem
antes eu que tenho linhagem e historia e toda a poesia e arte que de bem antes herdei
cabe dizer que o inferno é teu lar cornio tupiniquim
relincha e berra cabeça de peso de papel