Aos comentaristas


Devido uma avalanche de comentarios torpes e não identificados, decidimos que só aceitaremos comentarios devidamente identificados e que não contenham mensagens ofensivas, alias se comentar e se identificar, serão permitidas as ofensas. Quem quer debater, tem que ter coragem de se mostrar para que o debate ou critica seja fdemocratico! Okay cara palida?

domingo, 20 de janeiro de 2008

O filme

As vezes tenho uma quase sensação que minha vida é uma nouvelle vague gravada nos tropicos,é bem proprio de uma nouvelle vague eu sei,pensar que a vida é um filme ruim gravado em preto e branco,com uma trilha sonora melancolica e bem lado B.Tenho essa impressão sempre,a sensação que não é vida é filme,os cenarios,as cenas e os dialogos,tudo muito confuso para todas as partes inclusive para participantes e espectadores.
Como quando a gente fica sem muito jeito na hora de falar alguma coisa ou a simples presença nos intimida,porque as vezes as cenas parecem se repetir(mas o personagem pede nessa nova sequencia do filme)no entanto é como se fossem sempre pela primeira vez,as palavras cortadas,o silencio que confunde ao parecer iniciar algum entendimento.
A vida é mesmo um filme é eu sou uma produção francesa,eu sei pelas locações de meu personagem,são sempre barzinhos sujos,trens,escritorio e quarto vazio,quase tudo isso em noites frias e silenciosas ou manhãs nubladas,as externas são sempre praças por onde ando desnovelando monologos estranhos e labirinticos,na presença de um cigarro,closes fechados em meus pés,flash's retros com amigos,musica instrumental de fundo quase sempre executado por algum violino bem doloroso,os outros personagens tem algum destaque bem menor,alguma atriz interpreta uma moça quase igual e por algum motivo mesmo com tanta semelhança algo nos separa,o tocante é sempre como nos conhecemos,isso faz nos espectadores algo como se identificar um pouco,o triste mesmo é que o final é sempre bem previsivel a mocinha vai ficar com outro cara,e eu ou vou entender tudo,bebendo um pouco,fingindo força e lembrando dela sempre.As vezes,só as vezes vou tentar encontra-la novamente,mas ai os creditos ja terão subido,a sala ficado vazia e a ideia de uma gravação para esse filme ficará guardada por desinteresse do coração,sem final alternativo para minha nouvelle vague,pois é por isso um filme bem lado B,eu sei que o beijo não vai acontecer numa estação de trem numa noite repleta de nevoa,nem numa rua no meio da chuva.Um filme sem final feliz,pelo menos para o personagem principal.Sou uma nouvelle vague e naquela noite quando ela descobriu tudo eu poderia ouvir bem longe e baixinho surgir entre meus soluços enquanto ela ia embora no onibus,o inicio de alguma canção da Edith Piaf.
Minha poesia não adiantou muito,meus desenho sequer.Melhor seria um roteiro mais hollywoodiano,eu indo para alguma guerra e no final desfeitos de nossas vidas antes de nosso encontro,fazermos promessas provincianas de feliciadade e amor eterno.eu só queria conversar com quem escreveu esse filme,pois eu gostaria de ser transferido imediatamente para alguma produção menos dramatica e real,eu adoraria algum pastelão meloso e cheio de cliches,mas no fundo eu sei,não fui feito para papeis felizes.
A minha cena favorita é sempre a do encontro e desse filme essa foi a melhor cena,porque era greve e talvez coubesse num maio de 68,tudo ali se pinta com minucioso zelo e rigor tecnico proprio para envolver mesmo,o mocinho e seus livros e cadernos de poesia,uma maquina fotografica,lenço vermelho amarrado no pescoço,jean's surrado e camisa branca e limpa,rosto de sono e ressaca e a mocinha aparecendo assim da multidão como se nascesse para os olhos de todos como se antes sequer existisse e existindo agora mudava tudo,os encontros são sempre muito bons e o desse filme é o meu predileto é uma pena que o final me fez chorar

Nenhum comentário: