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domingo, 30 de dezembro de 2007

Noite dos Cristais (1939)

Antes de ti
eu era como o operário azul
que ergue tristes patamares pesados
e segue
por caminhos obsoletos e
constrói salas vazias
onde seu nome amor ecoa
em ritmos vermelhos

Antes de ti
era apenas o dia,
mas haviam os caracóis e a praia se esvaia
contemplando a estrela solitária
que vagava pelo céu de nuvens e duvidas

antes de ti
corriam as horas para a noite
de sal e mármore

corríamos exaustos pelas ruas da existência
e sentíamos o absoluto
prazer,
dentro da noite e
pelo silencio da chuva,
havia a certeza de pertencer
antes mesmo de existir

antes de ti
foi antes da primavera
as cercas voavam pelos barcos de açúcar

e letreiros coloriam em neon
papeis e anúncios
tudo que não havia antes de ti

mesas se perdiam na agua
e gente era apenas o coletivo de qualquer especie.

antes de ti
o carnaval era apenas euforia
mas hoje sou bloco
e repito seu nome em refrão

Antes de ti as falas se confundiam
pelas palavras que nasciam
eu sequer existia

cada ritmo era marcado pelo sentido da destruição continua
e não havia desejo antes de ti,
existia apenas marchas copiosas sem razão e por ninguém

Eu era ante de ti
o folião cortês e repetia passos vagos
pois as ruas não importavam
nem havia um motivo para esperar em janelas

Antes de mim,não houve antes de mim
pois antes e ti
não é antes
é não apenas

as igrejas celebravam missas tristes
e o infinito parecia pouco,
o infinito começava a ensaiar sua beleza
por inveja de ti

Antes das ruas
as casas eram como sinos a badalar
sem reclame
e as mães procuravam suas filhas
ocultas,dentro
de suas almas entediadas

antes de ti
náufragos não sentiam em se perder
e longe era qualquer lugar,
não havia saudade apenas ausência e vazio

e chorávamos o destino improvisado
que combinavam em gabinetes amarelos,
alem da praia

a lagoa se despedia do dia
avida por uma noite fria e compacta

os estádios se despiam da emoção
como se deixassem
entrar em cena o cantor calado
ou a poesia recortada e velha

não haviam olhos atentos
e sempre o sono
ocupava a lista dos renegados

Antes de ti
as festas se perdiam
e eu preteria a ultima dança

Luzes se apagavam no xadrez de sua roupa
e a cor perdia
sua tonalidade
as estações pegavam o trem erado

nuvens embaçavam o olhar
e não era o novo
eram apenas os dias se repetindo

Antes de ti
eu chamava cada estrela por seu nome
enquanto a lua se distraia.

Eu pensava no futuro e sonhava
com o passeio
pelo sol
em outras cidades.

Um comentário:

Lean DROMOI disse...

Este é um dos poemas mais belos que já li.

que bom que vc o publicou.

abraço, luta e arte.